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{"ba6e5443-d6c5-5620-916d-366e3adb48bc":{"title":"Al-Raqqa, capital do califa Harun al-Rashid na Síria","description":"Após a morte de Harun al-Rashid em 809, o governo regressou a Bagdad, mas a cidade de al-Raqqa manteve a importância que tinha, devido à sua estratégica posição às portas do Império Bizantino. Chegou a tornar-se na sede governamental da região de al-Jazira, que compreendia o Nordeste da Síria e o Noroeste do Iraque, entre os rios Eufrates e Tigre. Durante o reinado de al-Mutasim (construtor da cidade de Samarra, no Iraque), al-Raqqa viveu outra época de restauros e de novas edificações, na qual a arquitectura foi muito influenciada pelos modelos arquitectónicos e decorativos de Samarra. As indústrias do vidro e a cerâmica também floresceram nesta época, sob a influência da cerâmica que então se produzia em Damasco e em várias cidades do Iraque.","quote":"«As indústrias do vidro e a cerâmica de al-Raqqa também floresceram nesta época»."},"b3513528-5861-5dfd-a473-0f15c92c8f94":{"title":"A decoração geométrica nos recipientes de cerâmica","description":"Na cerâmica, os motivos geométricos derivam com frequência da simplificação de motivos vegetais naturalistas que se esquematizaram e geometrizaram com o tempo. Este processo de abstracção pode ser constatado em alguns pratos e tigelas de decoração geométrico-vegetal radial: a partir de motivos originalmente naturalistas, como o florão de pétalas arredondadas, as formas evoluíram até chegarem à simplicidade absoluta de linhas radiais que delimitam parcelas triangulares.","quote":"«Os motivos naturalistas vão-se esquematizando até chegarem à simplicidade absoluta»."},"c5fe097b-ce23-566c-9ba9-78fa3ca5eb00":{"title":"Síria","description":"As famílias ricas de Damasco, inspiradas na grandeza da capital otomana Istambul, ela mesma inspirada na Europa, renovaram as suas casas segundo a moda otomana. Por exemplo, os interiores e espelhos fortemente dourados de Beit Nizam refletem um gosto pelo barroco europeu, enquanto as grandes pinturas murais de Beit Baroudi apresentam as paisagens urbanas internacionais de Meca e Medina, Istambul no Bósforo, a Praça da Concórdia de Paris e os canais de Veneza . Navios a vapor e locomotivas aparecem nas pinturas com as palavras \"Sham Sheriff\" - \"Honrosa Síria\", indicando o destino final do comboio. O termo \"Honrosa Síria\" vem do papel da cidade como local de encontro para peregrinos e é, portanto, simbólico da bela simbiose entre o Oriente e o Ocidente, representando a integração e a preservação do património cultural.","quote":"“As famílias ricas de Damasco, inspiradas na grandeza da própria capital otomana, Istambul, inspirada na Europa, renovaram as suas casas segundo a moda otomana.”"},"804d4535-4e46-51c6-8a4c-6dcc2261f2d1":{"title":"A água e a vida quotidiana"},"ed71c8d2-a286-5d34-ad28-4352240ff03d":{"title":"Ofícios mudéjares","description":"Os carpinteiros mudéjares abarcaram todo o tipo de trabalhos em madeira, desde os tectos ao mobiliário. Como artífices da carpintaria, legaram-nos uma das criações mais genuínas da arte peninsular: tectos e portas de madeira que, realizadas com madeiras cortadas à esquadria e magnificamente decoradas, tinham a geometria como ponto de partida tanto na parte de construção como na de decoração. A sua mestria evidencia-se na conjunção perfeita da decoração e das estruturas.","quote":"«A sua mestria evidencia-se na conjunção perfeita da decoração e das estruturas»."},"96e50aab-a868-5824-b376-8cdd7e37d384":{"title":"Arte figurativa.","description":"«As figuras humanas e os animais surgem na arte e na arquitectura islâmicas desde o seu início, aparecendo de forma continuada em todos os meios de expressão e em diversas épocas e regiões».","extra":{"credits":"Curators & authors \nManal BASYOUNI, Aqaba \nGhazi BISHEH Amman \nJens KRÖGER, Berlin \nAida NAGHAWI DODO, Amman \nMohammad NAJJAR, Amman \nSamarah WOROUD, Irbid \n \nCoordination \nGhada AL-YOUSEF, Amman \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"As figuras humanas e os animais surgem na arte e na arquitectura islâmicas desde o seu início, aparecendo de forma continuada em todos os meios de expressão e em diversas épocas e regiões. Embora não predomine na arte islâmica, a figuração, ao contrário da da Antiguidade Tardia que a precede, está presente numa grande variedade de formas (pinturas e trabalhos escultóricos) e de materiais: pedra, estuque, marfim, vidro, cerâmica, metal, madeira, têxteis, couro e papel. \n \nAbarca muitos temas, religiosos (a viagem mística do Profeta de Meca a Jerusalém, ou *Isra,* e a sua ascensão ao céu, ou *Miraj*) e seculares ( cenas cortesãs de música, banquetes e caça). Ao contrário da arte cristã, a arte figurativa islâmica não serve propósitos religiosos. Embora a arte islâmica tenha aparentemente minimizado o significado dos símbolos visuais figurativos na sua linguagem artística, na realidade, e ao invés do que em geral se crê, o Alcorão não proíbe a figuração. As representações de seres humanos e de animais apenas foi vetada em edifícios religiosos, tais como as mesquitas. \n \nNo seu período de formação, a arte figurativa islâmica juntou diversas influências e modelos: clássicos, tardoantigos, bizantinos e sassânidas. A eles se adicionaram mais tarde outras tradições artísticas, como as da Ásia Central, da Índia, da China e da Europa. O resultado foi uma rica síntese de diversas tradições que, posta em prática, resultou numa arte tipicamente islâmica, apesar das suas diferentes origens.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/figural/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/20/portal_image/1.jpg","display_order":12}}},"a63d73d1-ce20-5a6f-9699-40bef46f5a8e":{"title":"As jóias: riqueza, prestígio e protecção","description":"As jóias estavam presentes durante toda a vida da mulher. Em pequena, tinha consigo jóias profilácticas contra o mau-olhado. Ao comprometer-se, recebia dos seus pais, além do dote, jóias de família. O noivo, por seu lado, oferecia-lhe jóias e adornos, de modo que no dia do casamento aparecia no lugar de honra com os seus mais belos ornamentos. \nEstas jóias, e outras adquiridas mais tarde, constituíam património inalienável da mulher.","quote":"«Património inalienável da mulher»."},"566203f6-e2ac-5a67-8b5e-89d63a01d16e":{"title":"Mulheres muçulmanas benfeitoras","description":"As mulheres muçulmanas influentes dedicavam-se à promoção de causas de beneficência. A lei islâmica estipulava os seus direitos no que respeita a receitas e heranças, pelo que muitas levaram a cabo a sua acção graças a fundos substanciais destinados ao seu uso pessoal. Desempenharam um papel-chave na consolidação da sociedade islâmica promovendo a ajuda e a solidariedade entre as diversas classes sociais. Muitas deixaram mesquitas e outros edifícios públicos para a posteridade. Assim, em Marrocos, as irmãs Fihri ergueram as mesquitas Qarawiyin e dos Andaluzes, em Fez, no século IX. Na Turquia, Nilüfer Hatun, mãe de Murad I, possuía um edifício religioso construído em Iznik em 1388; e a mãe do sultão Abdülaziz construiu o complexo da mesquita Pertevniyal em Istambul em 1871 (com santuário, fonte, escola e biblioteca).","quote":"«As muçulmanas influentes dedicavam-se à promoção de causas de beneficência»."},"7f42af49-7560-50da-88eb-23e32df201f3":{"title":"Em busca da baraka: a peregrinação a Jerusalém e à Palestina","description":"Embora o núcleo principal da peregrinação islâmica sejam as cidades santas de Meca e Medina, na Arábia Saudita, a Palestina, em especial Jerusalém, sempre foi um dos destinos fundamentais dos peregrinos muçulmanos. De facto, Jerusalém (al-Quds) é considerada a terceira cidade santa do Islão. O próprio Allah a abençoou no Alcorão e assinalou-a como primeira *qibla*; ou seja, foi Jerusalém, e não Meca, o ponto de referência espiritual e geográfico das orações nos primeiros anos do Islão.","quote":"«A Palestina, em especial Jerusalém, sempre foi um dos destinos fundamentais dos peregrinos muçulmanos»."},"fad5c96e-5e8e-5b67-81cc-5c34e034bb09":{"title":"Profissionais, artesãs e artistas","description":"Em domínios mais práticos, as mulheres muçulmanas dedicaram-se a várias actividades artesanais. Uma actividade importante foi a produção de cerâmica para uso doméstico e quotidiano. Na base de um prato de cerâmica mameluca de Fustat (Egipto) pode ler-se «amal Jadiya » («feito por Jadiya»). A tecelagem era outra actividade tradicionalmente feminina, cujo conhecimento se transmitiu de mães para filhas durante gerações. Finalmente, os bordados foram outra das principais ocupações na vida das muçulmanas. As mulheres da família passavam muitas horas embelezando tecidos para uso doméstico e, fundamentalmente, para serem vendidos.","quote":"«As muçulmanas dedicaram-se a vários trabalhos de artesanato, como a olaria e a tecelagem»."},"c8537387-383b-5275-8627-e7e6711be5ec":{"title":"Saladino na Terra Santa","description":"Sob a influência de Saladino, o patrocínio de monumentos e de objectos artísticos viveu um período de esplendor. Ele próprio promoveu numerosos projectos arquitectónicos, incluindo a renovação de sítios religiosos primordiais como a mesquita de al-Aqsa e a Cúpula do Rochedo, em Jerusalém, e a mesquita de al-Ibrahimi, em Hebron.","quote":"«Sob a influência de Saladino, o patrocínio de monumentos e de objectos artísticos viveu um período de esplendor»."},"57abcad0-a4a6-59e5-ab3f-6bbbc8cfa027":{"title":"A mesquita, espaço de oração","description":"A mesquita é o principal edifício religioso. De planta quadrada ou rectangular, consta essencialmente de três partes: sala de oração, pátio e minarete. \nA sala de oração está dividia em naves, que podem ser paralelas ou, mais frequentemente, perpendiculares à *qibla*, muro orientado para Meca e que se identifica pelo nicho do *mihrab*, enquadrado por um arco de ferradura e que, por vezes, é muito decorado \nTais características estão presentes desde muito cedo na mesquita de Córdova e consagram-se definitivamente nas mesquitas almóadas.","quote":"«A mesquita aljama e a mesquita de bairro»."},"5fece024-c74e-561d-b95d-491951907de9":{"title":"O Cairo, Damasco e Jerusalém, centros da vida intelectual"},"e2009245-e11e-522b-9c3a-48771cd25259":{"title":"A peregrinação à Terra Santa","description":"A Terra Santa foi um lugar de peregrinação tanto para muçulmanos como para cristãos. Os muçulmanos paravam ali no caminho para Meca na sua mais importante peregrinação (*hajj*); visitavam a Cúpula do Rochedo e a mesquita de al-Aqsa de Jerusalém antes de continuarem em direcção a Meca. Para os peregrinos cristãos, a meta era a própria Terra Santa, e Jerusalém, Belém e Hebron os seus principais destinos.","quote":"«A Terra Santa foi um lugar de peregrinação tanto para muçulmanos como para cristãos»."},"a04edab2-8889-509d-8f02-71d9be653c47":{"title":"As mulheres do trono: as netas de Fátima al-Zahra","description":"As princesas fatimidas proveram palácios e instituições religiosas em todo o reino. Sabe-se que um dos salões do Palácio do Ocidente no Cairo tinha o nome de Sitt al-Mulk, irmã do califa al-Hakim, e que estava forrado com painéis gravados com cenas de caça e da vida cortesã. Sayyida Ulam al-Ameriyya, esposa do califa al-Amir bi-Ahkam Allah (r. 1101-1130), mandou construir um santuário ornamental para a venerada Sayyida Ruqayya, filha do imã Ali Ibn Abi Talib, o quarto califa ortodoxo (*rashidun).* Foi decorado com escrita cúfica, que celebrava esse patrocínio. O santuário contava com um majestoso púlpito de madeira, construído com teca da Índia.","quote":"«As princesas fatimidas proveram palácios e instituições religiosas em todo o reino»."},"b6146a5e-8a97-5fec-bf52-891c57ea0891":{"title":"As escolas de caligrafia","description":"Nos alvores do Islão e nos séculos posteriores, a caligrafia árabe ramificou-se em numerosas escolas com diferentes tipos de escrita. Entre as mais importantes e divulgadas estão a cúfica, a *naskhi* e a *thuluth*. A cúfica, que surgiu em primeiro lugar, era apropriada para as obras caligráficas, mas não era útil para a escrita do quotidiano. Por isso se criou a letra *naskhi*, cujo uso se generalizou nos domínios práticos da vida oficial.","quote":"«*Entre os mais importantes e divulgados estilos caligráficos estão o cúfico, o* naskhi *e o* thuluth*».*"},"1621eaac-22de-5ea2-a831-558356a3e6df":{"title":"A função de flores e plantas concretas"},"40ddc7cc-dac9-5a21-9c8d-53bd6111238c":{"title":"A vida na corte","description":"Muitos dos objectos que engalanavam os palácios tinham sido ofertas de outros governantes ou de nobres. O intercâmbio de presentes fortalecia as relações entre territórios vizinhos e governantes rivais. Os artuquidas – turcos da Ásia Menor – estabeleceram-se em Diyarbakir, no Norte de Yazira, em finais do século XI. Ao longo do século XII foram-se tornando independentes, cunharam a sua própria moeda e reforçaram os laços com o governantes vizinhos mediante o envio de ofertas.","quote":"«O intercâmbio de presentes fortalecia as relações entre territórios vizinhos e governantes rivais»."},"aa7dbfdb-56bd-59fa-98ce-c5b08de806c5":{"title":"A escrita cúfica"},"2fa2a75e-bc46-5e82-b436-df6b6e337b65":{"title":"A cerâmica abássida","description":"Antes do período abássida não existiam um tipo nem um estilo de cerâmica que tecnicamente pudessem denominar-se «islâmicos». A primeira separação clara em relação aos desenhos pré-islâmicos dá-se em meados do século X nos motivos decorativos dos recipientes, que imitam os da porcelana chinesa. Novos métodos de fabrico e técnicas inovadoras de decoração e de vidrado, combinados com motivos cerâmicos até aí desconhecidos no mercado, produziram uma grande variedade de cerâmica que satisfez o gosto local e a procura do estilo chinês. Os motivos adoptados neste período compreendem palmetas e folhas estilizadas, assim como caracteres caligráficos.","quote":"«Uma grande variedade de cerâmica satisfez o gosto local e a procura do estilo chinês»."},"b4082e27-2852-5968-8ae5-6d5eb32f370a":{"title":"Gestão da prosperidade"},"43615e87-18d1-5224-8dc6-625f716cafe7":{"title":"A escrita cúfica","description":"A escrita cúfica foi o estilo caligráfico mais difundido no Islão; usou-se do al-Andalus, no extremo ocidental, até ao Uzbekistão, no oriental. É considerado o primeiro tipo de letra árabe e dominou a caligrafia durante os primeiros séculos do Islão. Acabou por ser substituído por outros estilos, como o *naskhi* e o magrebino, embora nenhum deles tenha alcançado o estatuto imperial que chegou a ter a letra cúfica.","quote":"«A escrita cúfica foi o estilo caligráfico mais difundido no Islão»."},"a54056db-53e8-5044-b4c1-ab40a258ab5b":{"title":"A arte nos espaços de oração","description":"A luz do sol atravessava os vitrais, de dúzias de flores coloridas, iluminando o interior da mesquita. Lâmpadas de azeite decoradas com símbolos imperiais e versículos do Alcorão estavam penduradas do tecto para aumentar o efeito luminoso. Os tapetes de oração, desenhados na oficina do palácio, destacavam-se pela similitude entre os seus desenhos e os dos azulejos que decoravam as paredes. Nas estantes, em estojos de madeira para o Alcorão e nos *minbar*, religião e espaço de oração uniam-se no plano artístico.","quote":"«Nas estantes, em estojos de madeira para o Alcorão e nos minbar, religião e espaço de oração uniam-se no plano artístico»."},"bc3059aa-db7e-5ab4-ae05-77999d031552":{"title":"Cerimónias e passatempos cortesãos","description":"A partir do século VIII, o califado omeia dirigiu cada vez mais a sua atenção para Oriente, como reacção a uma série de tentativas falhadas de conquista de Constantinopla. Esta mudança deu lugar a uma identificação mais estreita com o Irão, que se reflectiu na arte e na arquitectura, mas mais ainda no ritual da corte. \nSurgiram assim refinadas cerimónias de recepção e de audiência, nas quais se enfatizava a distância entre o governante e os seus súbditos. Os palácios que ainda se conservam, com a sua abundante decoração, assim como as fontes literárias deste período, permitem-nos ter uma ideia do cerimonial cortesão e dos passatempos da classe dirigente.","quote":"«Surgiram refinadas cerimónias de recepção e de audiência»."},"ca4e1fb9-a323-523f-bcbb-6c6de8cefb05":{"title":"O palácio e as artes","description":"Muitos dos artistas que trabalhavam nas oficinas do palácio eram denominados *nakkaş* (desenhadores). Os seus desenhos eram utilizados de várias maneiras, em todo o tipo de artes: encadernação de livros, caligrafia, fabrico de tapetes, azulejaria, cerâmica, carpintaria e na arte dos metais. Deste modo, os mesmos desenhos e motivos passavam de material em material (metal, madeira, pedra, etc.). \nOs desenhos eram também utilizados fora do palácio, como nas oficinas de azulejos de İznik ou nos de tapetes de Uşak. Os artigos eram vendidos nos territórios do Império ou eram exportados.","quote":"“Os desenhos eram utilizados de várias maneiras, em todo o tipo de artes, desde os livros à arte dos metais»."},"c2dbf4ef-9ab1-5dca-9ef4-37ca6225e91e":{"title":"Patrocínio oficial","description":"Os palácios omeias conhecidos como «castelos do deserto», como o de Minya, despertaram grande interesse. A localização de alguns destes monumentos, em vastas propriedades de regadio faz pensar que fossem também centros agrícolas. Alguns investigadores sugeriram ainda que uma das suas finalidades era a de manter o contacto com as tribos árabes locais, apoiantes da dinastia omeia.","quote":"*«Os palácios omeias conhecidos como «castelos do deserto» despertaram grande interesse».*"},"1aa59d36-2ef4-55a4-9987-3abbfd0f309c":{"title":"Síria"},"7fc6e76a-c529-5929-9940-9de5218a34cb":{"title":"A representação de animais","description":"A exclusão implícita das representações humanas e animais em contextos religiosos foi sistemática e intencional, mas nos restantes domínios da arte islâmica os animais reais e míticos tiveram um papel importante. Predominam os pássaros e os animais com cornos, os dragões e os grifos, ao passo que os animais de carga ou do campo apenas são representados ocasionalmente, com frequência como reflexo da cultura popular local.","quote":"«Na arte islâmica, os animais reais e míticos tiveram um papel importante»."},"afba56c6-390e-5231-9951-6321bf20581e":{"title":"As escolas de caligrafia"},"0be5386c-7187-5f14-a5c9-e9d7972aaa20":{"title":"A cultura no reino cruzado de Jerusalém","description":"Os artesãos locais tiraram grande partido de duas coisas: em primeiro lugar, das oficinas criadas pelos cruzados, ao continuarem os programas de renovação e de restauro; em segundo lugar, da entrada no Levante de objectos artísticos europeus. Apesar da guerra, produziram-se intercâmbios culturais entre os novos habitantes francos do reino e as suas comunidades muçulmanas, urbanas e rurais.","quote":"“Os artesãos locais tiraram grande partido das oficinas criadas pelos cruzados»."},"beaed359-49db-5b82-b5ab-00d242347b19":{"title":"Vida privada das mulheres muçulmanas","description":"A visita semanal aos banhos (*hammam)* proporcionava às mulheres da família alargada ou da vizinhança a oportunidade de se encontrarem ao mesmo tempo que se deleitavam e partilhavam as últimas novidades. Faziam inclusivamente de casamenteiras e falavam do dote. Os *hammam* estavam dispostos de tal modo que as banhistas se deslocavam gradualmente das salas quentes para as frias. 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O bairro de Salihiyya em Damasco, por exemplo, foi um núcleo de propaganda anticruzada e sede dos Banu Qudama, eruditos religiosos de origem palestiniana que desempenharam um papel fundamental na vitória de Saladino contra os cruzados na decisiva batalha de Hittin (1187).","quote":"«O bairro de Salihiyya em Damasco era um núcleo de propaganda anticruzada»."},"0d96fdda-709f-55ff-974d-36ce25e67b8e":{"title":"A vida quotidiana no sultanato mameluco"},"093d3b04-a322-5303-baa3-da0aa80dad8f":{"title":"A capital otomana: Istambul"},"da493358-92ba-5a20-8866-fa30fb03bfb2":{"title":"Os Abássidas","description":"«A arte e a arquitectura islâmicas tiraram partido da grande variedade de culturas regionais abássidas e dos seus grupos étnicos e sociais».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nNoorah AL-GAILANI, Glasgow \nDina BAKKOUR, Damascus \nJamila BINOUS, Tunis \nAicha BENABET, Tunis \nElsayed HAMAD, Cairo \nTaha KHECHINE, Kairouan \nMourad RAMMAH, Kairouan \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nSaloua ZANGAR, Tunis \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"A dinastia abássida tomou o poder em 750 e estabeleceu a sua corte em Bagdad. Governou durante 508 anos num território que se estendia da Ásia Central, a este, até à Tunísia, a oeste. O califado abássida distinguiu-se por potenciar a igualdade entre as diferentes etnias e sectores que constituíam a sociedade. A vastidão dos seus territórios obrigou à instauração de governos regionais para manter a ordem e a estabilidade. No Mediterrâneo, os aglábidas governaram na Tunísia e os tulunidas no Egipto, em nome dos abássidas. \nA idade de ouro abássida teve lugar durante os séculos IX-X, durante os quais o Próximo Oriente e o Norte de África conheceram uma grande transformação: de uma economia maioritariamente agrícola passaram a outra, baseada no comércio, o que criou uma riqueza que diminuiu as diferenças sociais entre as comunidades árabes e não árabes, e favoreceu o desenvolvimento do artesanato, especialmente os do vidro, da cerâmica e dos tecidos. Os seus produtos chegaram a ser exportados para sítios como a China e a África subsaariana. \nO Estado fomentou o ensino formal, tendo sido abertas numerosas escolas tanto em Bagdad como nas províncias. A arte da tradução prosperou, o que ajudou a preservar numerosas obras fundamentais gregas, persas e indianas, que foram vertidas para árabe. Conseguiram-se, deste modo, importantes contributos nos domínios da matemática, da medicina e da filosofia. \nO declínio abássida teve início no século XI, quando algumas partes do Império começaram a tornar-se independentes ou se converteram em regiões autónomas. Os fatimidas (909-1171) afirmaram-se como dinastia rival no Egipto, e Tugrul Beg – um dos comandantes turcos dos abássidas – apoderou-se do controlo de Bagdad em 1055. Posteriormente tiveram lugar várias tentativas frustradas de restabelecer a soberania abássida, mas o golpe final foi dado pelos mongóis, que se tinham envolvido no Médio Oriente, e que conquistaram Bagdad em 1258.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/the_abbasids/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/13/portal_image/1.jpg","display_order":2}}},"5462090c-84a2-599b-95ad-c52278086f8c":{"title":"Vida privada das mulheres muçulmanas","description":"Nalgumas ocasiões, as mulheres passavam o dia inteiro no *hammam*, onde se deleitavam com massagens ou banhos de vapor. Trocavam informações sobre cosméticos e cuidados a ter com a pele, sobre a aplicação de maquilhagem ou a composição de perfumados cremes hidratantes misturados com sais minerais ou alúmen. Davam-se receitas ou nomes de fornecedores de essências aromáticas e de perfumes elaborados a partir de animais, como o âmbar cinzento, ou de flores e plantas. O viajante persa Nasir Jusraw, numa visita ao Egipto fatimida, observou que os comerciantes de violetas, narcisos, lírios e açucenas vendiam os seus produtos a fábricas de perfumes. O cabelo era penteado com esmero, e conservaram-se pentes que, por vezes, têm inscrições jocosas como esta: «Não pentearei senão o cabelo de uma bela».","quote":"«Nalgumas ocasiões, as mulheres passavam o dia inteiro no hammam, onde se deleitavam com massagens e banhos de vapor»."},"51fbd90e-6be2-5b7d-985d-95a359d424a3":{"title":"Dois sultões mamelucos contra os francos","description":"Os dois sultões mamelucos que maior número de vitórias obtiveram contra os cruzados foram al-Zahir Baybars (r. 1260-1277) e al-Mansur Sayf al-Din Qalawun (r. 1279-1290). Depois das suas vitórias, o sultão mameluco al-Ashraf Jalil (r. 1290-1293) liderou a vitoriosa campanha de Acre, em 1291, que marcou o fim das Cruzadas.","quote":"«Al-Ashraf liderou a vitoriosa campanha de Acre, que marcou o fim das Cruzadas»."},"017e4b3b-5dc4-5b40-a034-7dbccb14bb54":{"title":"Arte turco-islâmica na Anatólia pré-otomana","description":"A Anatólia assistiu, após a batalha de Manzikert em 1071, à ascensão de um novo grupo político, religioso e social, nas proximidades do secular Império Bizantino. Referimo-nos aos turcos, que tinham partido das estepes da Ásia, fundado no Irão o império dos Grandes Seljúcidas, instalando-se mais tarde na Anatólia.","quote":"«A Anatólia assistiu, após a batalha de Manzikert, à ascensão de um novo grupo político, religioso e social»."},"37af7457-871b-5f72-898f-77f35e43c973":{"title":"A vida religiosa","description":"As cidades da Síria, da Palestina e do Egipto conheceram um ressurgimento do Islão sunita sob as dinastias atabeg e ayyubida. Estas dinastias empreenderam o restauro da Mesquita Omeia (Damasco), depois de dois incêndios catastróficos, e patrocinaram centenas de instituições religiosas: mesquitas, oratórios, *madrasas*, *janqa* e sepulcros. Os historiadores desta época cifram em 242 o número das mesquitas de Damasco.","quote":"«Os historiadores desta época cifram em 242 o número das mesquitas de Damasco»."},"faf029c1-2130-55ac-8ebd-77f3acfeea29":{"title":"Rotas de peregrinação e lugares santos do caminho","description":"Nos finais do período ayyubida (século XIII), os peregrinos do Egipto e do Norte de África começaram a utilizar as rotas terrestres. Diz-se que a sultana Shayar al-Durr, viúva do último governador ayyubida do Egipto, decidiu em 1247 que viajaria por terra para cumprir o seu dever religioso. É, por isso, considerada a pioneira da rota terrestre do *hajj*. A partir do período do sultão mameluco al-Zahir Baybars, que enviou uma caravana de peregrinos patrocinada pelo Estado com uma *kiswa* (cobertura) e uma chave para a Kaaba, esta rota tornou-se oficial. A caravana saía do Suez e prosseguia até Aqaba, onde se juntava às caravanas que chegavam do Bilad al-Sham (Levante).","quote":"«Nos finais do período ayyubida, os peregrinos do Egipto e do Norte de África começaram a utilizar as rotas terrestres»."},"75d461b2-226f-594c-ab20-e9b5b2e58ad5":{"title":"Arte turco-islâmica na Anatólia pré-otomana","description":"As invasões mongóis provocaram a queda do poder seljúcida da Anatólia, mas os emirados que surgiram a seguir deram continuidade à arte seljúcida. Baseando-se nesta, um dos emirados, o otomano, desenvolveu então um novo estilo artístico.","quote":"«Os emirados da Anatólia desenvolveram um novo estilo baseado na arte seljúcida»."},"227f3bb2-60fb-58e2-b42c-bcec823faca6":{"title":"O esplendor no vestir: o *tiraz* e os trajes da época","description":"Em ocasiões especiais, os califas fatimidas recompensavam os dignitários e os cortesãos com tecidos com *tiraz* ou trajes de cerimónia mais ornamentados. O primeiro-ministro, por exemplo, recebia trinta conjuntos completos que podia distribuir livremente entre o seu pessoal. Também eram oferecidos a convidados importantes da corte ou até, em celebrações ou aniversários, a membros do público. Os trajes com *tiraz* eram diferentes em função da categoria dos seus destinatários. As sedas douradas eram para os dignitários da corte, e havia vários tipos de seda destinados aos funcionários do governo.","quote":"«Os califas fatimidas recompensavam dignitários e cortesãos com tecidos com tiraz ou trajes de cerimónia mais ornamentados»."},"119e81e9-24c1-5c11-8732-14582e47e370":{"title":"As mulheres do trono: as netas de Fátima al-Zahra","description":"No Norte de África, as sofisticadas e cultas mulheres da dinastia zirida (da tribo berbere dos Sanhaja) emularam as suas homólogas da corte do Egipto. No século XI, uma pricesa zirida agregou uma mesquita ao *ribat* (fortificação) de Monastir, que passou a ser conhecida como a mesquita de Sayyida em reconhecimento pela sua obra. Na biblioteca de Kairouan há vários manuscritos do Alcorão encomendados por princesas ziridas para a Mesquita Aljama, entre eles o de Umm Milal e o de Umm al-Ilu, irmã do príncipe zirida al-Muizz. Há um terceiro manuscrito, oferta de Fátima, aia do príncipe Badis bin al-Mansur.","quote":"«As sofisticadas e cultas mulheres da dinastia zirida emularam as suas homólogas da corte do Egipto»."},"8328accb-dce9-5333-9598-eb8502278b59":{"title":"A arte fora da capital","description":"A política de integrar as tribos turcas emigrantes nas terras conquistadas não se aplicou nas regiões onde a população era maioritariamente árabe, mas formou-se uma sociedade onde a classe governante era turca. Com o tempo, os funcionários locais e os soldados iam-se integrando na vida do lugar, e alguns inclusivamente contraíram matrimónio com mulheres da zona, o que deu lugar a uma nova classe social, os *kuloğlu*, especialmente no Magrebe. Ali, no território mais longínquo do Império, foi notável a influência do al-Andalus.","quote":"«No Magrebe, o território mais longínquo do Império, foi notável a influência do al-Andalus»."},"f70d4425-5bc1-5d34-bbc8-8c1e22ee9757":{"title":"Arte e arquitectura régias","description":"O estabelecimento, no Palácio Real, do *Tiraz* – uma oficina real de objectos e tecidos artísticos preciosos – constituiu um importante veículo de difusão dos repertórios figurativos e das técnicas de trabalho da cultura islâmica.","quote":"«O estabelecimento do Tiraz constituiu um importante veículo de difusão dos repertórios figurativos»."},"7458975b-fc3b-5c26-8fde-fb0c9b93214e":{"title":"Arte turco-islâmica na Anatólia pré-otomana"},"c667dbde-a90a-50a0-a246-daedc5e094da":{"title":"A peregrinação à Terra Santa","description":"Ibn Jubayr (1145-1217), um muçulmano de Valência, escreveu o relato das suas viagens ao Oriente. Nelas descreveu detalhadamente a Grande Mesquita de Damasco e outros santuários da cidade e dos seus arredores. Sobre a sua partida de Damasco em Setembro de 1184 numa caravana de mercadores que se dirigia para a antiga cidade de Acre (Israel), conta: «Uma das coisas mais estranhas do mundo é que as caravanas muçulmanas penetram em terras francas, ao mesmo tempo que os cativos francos entram em terras muçulmanas».","quote":"«… as caravanas muçulmanas penetram em terras francas, ao mesmo tempo que os cativos francos entram em terras muçulmanas»."},"ca354990-79c2-5bab-83fc-460c8bcc911e":{"title":"A mesquita e o palácio","description":"Após a conquista do Egipto pelo general Yawhar em nome do califa al-Muizz, em 969, foi fundada a nova capital, o Cairo (al-Qahira, «a vitoriosa»), circundada por uma muralha com oito portas. Seguindo o costume fatimida, o imponente complexo palatino do califa, conhecido como al-Sharqi ou Palácio do Oriente, que abarcava uns sete hectares – cerca da quinta parte da cidade –, foi instalado em pleno centro da nova capital. Mais tarde, construiu-se defronte o denominado Palácio do Ocidente, instalando-se entre ambos uma praça pública. É pouco o que chegou até nós ou o que se conhece sobre estes palácios, mas as fontes históricas afirmam que dentro do complexo palatino havia sepulcros da família real fatimida, o que possivelmente aumentou a aura de santidade que envolvia o califado. A construção de palácios ao estilo fatimida chegou até à Sicília, e a arquitectura palatina continuou a inspirar-se nesta dinastia até muito depois da invasão normanda.","quote":"«Foi fundada a nova capital, o Cairo (al-Qahira, «a vitoriosa»), circundada por uma muralha com oito portas»."},"1a1a6170-d33d-5774-bbd8-19cce2b88392":{"title":"A viagem de um minbar","description":"Com a chegada do *minbar* a Hebron, a cidade adquiriu uma importância religiosa especial e começou a atrair muçulmanos, cristãos e judeus. Os visitantes trouxeram mecenato, legados e doações em abundância, destinados não só à mesquita e ao santuário, como também à própria cidade. A lâmpada da mesquita em vidro, os candelabros de cobre e as páginas de Alcorão desta exposição são bons exemplos desse patrocínio.","quote":"«Os visitantes trouxeram mecenato, legados e doações em abundância»."},"dfe11212-0dd1-5b88-8c67-bc7d735d4c2c":{"title":"A decoração geométrica nos recipientes de cerâmica","description":"Uma parte importante da cerâmica islâmica é decorada com motivos geométricos muito simples ou com motivos vegetais tão esquematizados que parecem figuras geométricas. De qualquer modo, os motivos são seleccionados e compostos previamente para serem adequados à forma do recipiente e realçar as suas partes. Por isso, nas formas abertas preferem-se esquemas organizativos radiais e nas formas fechadas, bandas horizontais.","quote":"«Os motivos são seleccionados e compostos previamente para serem adequados à forma do recipiente»."},"134ba250-63fa-595c-a880-46d56bae5a59":{"title":"A viagem de um minbar"},"9d1ba52c-7e9b-5e9d-9ef2-729fa7e30e96":{"title":"Os aglábidas, escudo da dinastia abássida","description":"Os aglábidas construíram várias obras arquitectónicas de referência em Kairouan, Monastir, Sousse e Tunis. A Ifriqiya converteu-se no principal entreposto comercial entre o Oriente e o Ocidente, e entre o al-Andalus e o Sudão. Prosperaram a agricultura e indústrias como os têxteis e a olaria. A decadência dos aglábidas teve origem na frivolidade e na libertinagem que dominaram o reinado de Ziyadat Allah III (903-909), o que levou o povo a retirar-lhe o seu apoio e conduziu, depois, à entrega sem resistência da Ifriqiya nas mãos dos fatimidas.","quote":"«A Ifriqiya converteu-se no principal entreposto comercial entre o Oriente e o Ocidente, e entre o al-Andalus e o Sudão»."},"c891e7d0-4fed-5c58-96cf-57ac94c648f4":{"title":"Viagens e comércio","description":"Os mercadores muçulmanos viajavam com frequência nas mesmas caravanas que os peregrinos e paravam durante a noite em caravanserai ou *khan*, geralmente construídos em rotas comerciais ou em cidades principais. Estes dois tipos de alojamento proporcionavam tecto, alimentação e água aos viajantes e aos seus animais. Ao chegar à cidade, os viajantes encontravam mercados (*suqs*) onde se vendia uma grande variedade de artigos, como seda, perfumes, jóias, ouro, especiarias, cristais, trabalhos em metal e recipientes de cerâmica. O *suq* de Alepo, por exemplo, compreendia um *khan*, um *hammam* e uma mesquita para satisfazer todas as necessidades dos viajantes.","quote":"«Os viajantes encontravam mercados (suqs) onde se vendia uma grande variedade de artigos, como seda, perfumes, jóias, ouro»."},"ecc4b251-5132-548b-b9cd-828061e0469f":{"title":"A vida quotidiana no sultanato mameluco","description":"Embora o Islão fosse a religião predominante no Império, houve grandes comunidades cristãs católicas ou ortodoxas – entre as quais se destaca a Igreja Copta do Egipto – e vários grupos judeus que exerceram influência espiritual e cultural. Estas minorias estavam protegidas por disposições do Alcorão e conseguiram coexistir pacificamente com os muçulmanos. Os coptas egípcios deram alguns contributos de grande importância à pujança económica, cultural e artística do período mameluco. A sua sabedoria tradicional ficou patente na arquitectura e nas indústrias têxtil, cerâmica e da madeira.","quote":"«As minorias religiosas estavam protegidas por disposições do Alcorão»."},"8ba9ac70-d9d1-566c-a0f5-e8b951a601fd":{"title":"A mesquita e o palácio","description":"Em todas as províncias fatimidas, os interiores e o mobiliário das mesquitas estavam requintadamente decorados com elegantes inscrições religiosas e intrincados arabescos. O mecenato da corte garantia a máxima qualidade dos trabalhos, assim como a expressão, por meios artísticos, das crenças religiosas e ideológicas da dinastia.","quote":"«O mecenato da corte garantia a expressão, por meios artísticos, das crenças religiosas e ideológicas da dinastia»."},"f4035718-d69a-5c0e-b8cf-7d6e57c6114f":{"title":"A Sicília islâmica e a cultura figurativa: vestígios e continuidade","description":"Os contributos da cultura artística islâmica reelaborados na época normanda permanecem também na produção do século seguinte (XIII) e encontram a sua expressão numa série de refinados objectos, entre eles as famosas arquetas de marfim com decoração gravada e pintada.","quote":"«Os contributos da cultura artística islâmica permanecem também na produção do século seguinte (XIII)»."},"9925ba99-2ee6-5c86-a78c-af21daac6624":{"title":"Turquia"},"8c63340a-4f5b-5eea-b058-3a168de8b461":{"title":"A arte mudéjar popular e religiosa","description":"Paralelamente à arte mudéjar aristocrática e civil, existiu uma arte mudéjar popular e religiosa perceptível nos edifícios de culto utilizados pelo povo, como as igrejas paroquiais, os conventos e os mosteiros. No mudéjar religioso produziu-se uma integração de elementos de construção e decorativos muçulmanos nos estilos românico e gótico. Assim, por exemplo, utilizou-se a tijoleira como material de construção em vez da pedra e os tectos de madeira em vez das coberturas abobadadas. Com estas e outras características gerais, o mudéjar mostra diferenças regionais que têm correspondência nos diferentes momentos em que as regiões foram conquistadas pelos reis cristãos.","quote":"«O mudéjar castelhano-leonês: românico em tijolo»."},"8fc8d244-2d43-5bf9-99f7-fd9e84dcf3eb":{"title":"Jordânia","description":"A história da Jordânia durante o período otomano foca-se em três aspetos principais nomeadamente a administração, os fortes e estações do Hajj e a Ferrovia Hejaz. \nO sistema administrativo da Jordânia sobretudo durante a segunda fase do domínio otomano (1864 - 1918) consistia em dois distritos geográficos principais; Ajlun & Irbid no norte; Salt, Kerak, Ma'an & Tafileh no sul. Todos obedeciam ao governador da Síria, que era a mais alta autoridade administrativa de Bilad al Sham. Em 1878, os otomanos introduziram os emigrantes circassianos nas terras árabes, que estabeleceram novas aldeias e cidades influenciadas por diferentes culturas na Jordânia.","quote":"A história da Jordânia durante o período otomano foca-se em três aspetos principais nomeadamente a administração, os fortes e estações do Hajj e a Ferrovia Hejaz."},"fc6af4b9-28ef-546f-9551-69c5530a82db":{"title":"Prazeres e celebrações na corte","description":"O xadrez foi um jogo muito comum, embora al-Hakim bi Amrillah (r. 996-1021) o tenha proibido em 1012. A astronomia e a astrologia também eram passatempos populares; traçavam-se cartas astrológicas e alguns califas, como al-Muizz e al-Hakim, tinham sido iniciados nessas matérias. \nA corte, para além dos passatempos privados, organizava também festas religiosas e civis excepcionalmente pródigas. As procissões eram celebrações muito sofisticadas que serviam para demonstrar o poderio fatimida e para divulgar a teologia ismaelita. Os funcionários, os generais do exército e os elementos dos corpos judicial e religioso eram obsequiados anualmente com banquetes e cerimónias de entrega de oferendas, que eram profusamente anunciadas.","quote":"«A corte, para além dos passatempos privados, organizava também festas religiosas e civis excepcionalmente pródigas»."},"710d70c6-b797-5eef-a871-46a1465067fa":{"title":"O sistema mameluco","description":"Os mamelucos do sultão ayyubida Naym al-Din (r. 1240-1249) formavam-se e viviam nos quartéis da ilha de Rawda, no Nilo. A palavra árabe para «grande rio» é al-bahr, por isso este corpo de elite ficou conhecido como al-Bahriyya. Após a morte do sultão, um dos comandantes (Baybars I al-Bunduqdari, r. 1260-1277) aproveitou o vazio do poder em favor dos mamelucos *bahri* e, depois de expulsar os mongóis em 1260, subiu ao trono como o primeiro grande sultão mameluco de um império em expansão. Os mamelucos *bahri* governaram até 1382, quando tiveram que ceder o poder a outra facção mameluca, conhecida como al-Burjiyya porque vivia numa torre (*al-burj*) da cidadela do Cairo.","quote":"«Um dos comandantes mamelucos, Baybars, subiu ao trono como o primeiro grande sultão mameluco»."},"a4a1d940-8c79-56af-9276-3b8d7e1c6911":{"title":"A arte fora da capital","description":"É útil examinar com critérios geográficos a arte otomana criada fora de Istambul. Enquanto que a arte da Anatólia mostra mais características da arte turca, mais a sul desenvolveu-se sobre um rico fundo regional. As minorias não muçulmanas também deram importantes contributos. Em resultado dos programas artísticos e arquitectónicos palatinos, a herança cultural do Próximo Oriente – a arte dos omeias, ayyubidas, abássidas, fatimidas e mamelucos – misturou-se com traços da arte otomana.","quote":"«A arte dos omeias, ayyubidas, abássidas, fatimidas e mamelucos misturou-se com traços da arte otomana»."},"df28fd23-6a70-55b8-9302-7d8b3b1968ac":{"title":"A cultura dos prazeres da mesa","description":"Os ricos construíram fundações caritativas, chamadas *imarethane,* onde era servida comida aos pobres. As refeições eram cozinhadas em grandes caldeiros e servidas em grandes travessas chamadas *imaret*, termo que passou a designar também os refeitórios de beneficência. Aos que não se podiam ali deslocar, enviava-se a refeição em marmitas ou, talvez, noutro tipo de recipientes. \nEm geral, as pessoas comiam um pão achatado, cozido ao ar livre sobre uma placa de metal convexa ou em fornos *tandoor*. Comiam com a mão direita e começavam por invocar o nome de Deus; ao concluir, rezavam uma oração de agradecimento. Sobre um tecido colocado no chão era posto um suporte de madeira no qual se depositava uma bandeja. A família comia com colheres de madeira, sentada à volta da bandeja.","quote":"«Os ricos construíram fundações de caridade chamadas imarethane, onde era servida comida aos pobres»."},"ee5d09b5-f282-551a-ad6c-510a7a1d4b9d":{"title":"A arte nos espaços de oração"},"80b0b3fa-f2d0-572d-870a-09008ef28789":{"title":"Reformas administrativas","description":"Durante o califado de Abd al-Malik ibn Marwan (685-705) iniciou-se a centralização administrativa e política. Impôs-se um sistema monetário único em árabe para substituir as moedas árabo-bizantinas e árabo-sassânidas usadas até então.","quote":"*«Impôs-se um sistema monetário único em árabe para substituir as moedas bizantinas e sassânidas».*"},"23c5c103-e3d9-5951-b584-74137065c95f":{"title":"A arte nos espaços de oração","description":"As mesquitas, como espaços sagrados, mantiveram as suas características ao longo dos séculos, tanto na sua arquitectura, como nos diversos elementos do interior ou na decoração. \nNo Islão, Deus não possui uma forma concreta, pelo que, segundo a tradição, as imagens dos seres vivos numa mesquita são inapropriadas. Tendo ainda em conta a prática da oração, foi o Alcorão, como compêndio da palavra e dos ensinamentos de Deus, que inspirou os artistas para a decoração e o mobiliário no interior do espaço sagrado.","quote":"«Segundo a tradição, as imagens dos seres vivos numa mesquita são inapropriadas»."},"955c7ce6-0ff9-5519-9478-5130c4e3d1c8":{"title":"O uso da água para consumo e higiene","description":"Lavar-se e beber são actividades essenciais para a maior parte dos seres vivos. A fé muçulmana exige aos fiéis que façam abluções rituais antes de rezarem. Há, por isso, pias decoradas nas mesquitas, por vezes com inscrições e motivos vegetais. De igual modo, os peregrinos costumavam levar entre os seus escassos pertences um cantil de peregrino em cerâmica, no qual levavam água para beber durante as longas viagens.","quote":"«Os peregrinos costumavam levar um cantil para a água entre os seus raros objectos pessoais»."},"252b7a7e-7c1d-559c-8738-0be280a6547c":{"title":"A representação de animais","description":"Os animais surgiram com muita frequência na arte omeia, especialmente em mosaicos e em frescos, não só em palácios mas também em igrejas locais. Mais tarde, em finais dos século X ou inícios do XI, fabricaram-se arquetas de marfim para jóias em várias formas e tamanhos, em cujas superfícies se lavraram os típicos temas de prazer e da vida cortesã, incluindo as cenas de caça. Os painéis de madeira gravada do período fatimida no Egipto contêm numerosos temas de animais. As fachadas de alguns edifícios da Anatólia e as torres do período ayyubida e mameluco no Egipto eram decoradas, com frequência, com motivos naturalistas e animais de estilo heráldico.","quote":"«Fabricaram-se arquetas de marfim para jóias, lavradas com os típicos temas de prazer e da vida cortesã»."},"5c573dd8-51de-5a6c-9717-09f9aa851b0e":{"title":"A água e a vida quotidiana","description":"Era costume construírem-se os *sabil* junto às mesquitas, sendo mantidos com *waqf* (legados caritativos). No Cairo, uma vez por ano, durante a subida do Nilo, a água chegava a partir do rio até aos *sabil* em peles de animais, que eram transportadas no dorso de camelos ou de mulas. Depois, vertia-se a água numa pia de pedra no piso térreo, onde a pessoa encarregada de a distribuir enchia e passava os copos a quem tinha sede. Em alguns *sabil*, a cisterna abastecia uma fonte que deitava a água numa pia.","quote":"«Uma vez por ano, durante a subida do Nilo, a água era levada para as cisternas em peles de animais, sobre o dorso de camelos ou de mulas»."},"e402578d-fdef-5abf-8357-26ca4fc3ddd5":{"title":"A caligrafia monumental","description":"A caligrafia foi aplicada a muitas superfícies: pedra, gesso, madeira e azulejo. Foi muito comum nos trabalhos em pedra realizados na Turquia, na Síria, no Egipto e na Tunísia. Na Grande Mesquita de Kairouan e na Cúpula do Rochedo de Jerusalém conservam-se exemplos excepcionais da caligrafia sobre madeira.","quote":"«A caligrafia foi aplicada a muitas superfícies: pedra, gesso, madeira e azulejo»."},"a919029f-a759-5c31-89dc-8db0585bcd4c":{"title":"A representação humana","description":"Em épocas posteriores, a figuração humana manteve-se, ainda que sem a frequência que tivera no período omeia. Durante os califados abássida (132-750 / 923-1517) e fatimida, assim como nos períodos seguintes, a figuração surge sobretudo nas iluminuras e na cerâmica, com uma grande variedade de temas religiosos e seculares. Os motivos religiosos incluem a viagem mística do Profeta e a sua ascensão; os seculares abrangem cenas da vida quotidiana e expressões do esplendor do governante.","quote":"«Em épocas posteriores, a figuração surge sobretudo nas iluminuras e na cerâmica»."},"028edd35-2131-5178-a3ea-7b1699bc9592":{"title":"As lápides funerárias, memória na pedra","description":"A fundação de um cemitério, geralmente realizada pelo governante ou pelos seus familiares, era considerada um acto piedoso, grato aos olhos de Deus. Embora por vezes o cemitério estivesse delimitado por uma cerca, o mais habitual era que não tivesse nada a fechar o seu espaço. Os túmulos distribuíam-se de modo anárquico e nem todos tinham lápide que permitisse identificá-los, porque a sinalização dos túmulos dependia do nível social e da capacidade económica da personagem enterrada.","quote":"«A lápide: símbolo de estatuto»."},"198c176f-a670-5331-b416-a7ecc59e7ceb":{"title":"As artes decorativas"},"6cd83239-a26e-5c98-bcfb-6a0737411c89":{"title":"Exportação de luxo","description":"Os tecidos foram parte essencial da economia otomana, sobretudo desde que caíram no seu domínio grandes áreas da antiga rota da seda. A sua importância aumentou quando o valor da seda cresceu na Europa e noutros lugares. Entre os mais notáveis têxteis exportados pelos otomanos estavam os tapetes, cujos formosos desenhos e extraordinária qualidade os tornaram populares entre as classes abastadas europeias. Prova disso são os quadros europeus contemporâneos do período otomano clássico. Artistas como Hans Holbein e Lorenzo Lotto pintaram personagens ricas ou nobres (entre eles o rei Henrique VIII da Inglaterra), rodeadas por símbolos de luxo e prosperidade, como tapetes com desenhos inconfundivelmente otomanos. Estes tapetes são hoje conhecidos como tapetes «Holbein» ou «Lotto».","quote":"«Entre os mais notáveis têxteis exportados pelos otomanos estavam os tapetes»."},"ab8c2fe1-9836-5c36-9b9a-179e2f8b07fb":{"title":"A decoração geométrica na arquitectura","description":"Os temas geométricos predominam na decoração arquitectónica e a eles se subordinam os outros. O carácter linear e repetitivo da ornamentação geométrica facilitou aos artesãos a cópia fiel de esquemas compositivos complicados e, consequentemente, a sua continuidade e a sua similitude formal no espaço e no tempo. Para além disso, a grande variedade de motivos geométricos e as suas possibilidades de adaptação a materiais tão diferentes como o azulejo, o estuque, o tijolo e a madeira favoreceram a sua utilização em qualquer parte do edifício: pavimentos, frisos, paredes, cornijas e tectos.","quote":"«O seu carácter repetitivo facilitou aos artesãos a cópia fiel de esquemas compositivos complicados»."},"79a58714-659c-5509-a4f9-b9359b2829ae":{"title":"A decoração geométrica na arquitectura"},"e3075285-c16a-5607-8854-92c2e7fc9d89":{"title":"O Egipto abássida","description":"Em 868, Ahmad ibn Tulun (r. 868-884), um soldado turco de 33 anos do exército abássida de Samarra, no Iraque, foi enviado ao Egipto como vice-governador à frente de um exército de 100.000 homens. O Egipto passava por dificuldades políticas e económicas, causadas por uma situação de mal-estar político e pelas contínuas perdas de recursos, após a morte de Harun al-Rashid, em 809. Ibn Tulun conseguiu pacificar a região, assegurando de novo receitas. Uma vez nomeado governador do Egipto, em 870, começou a acumular lucros, investindo-os em reformas agrícolas e industriais. Renovou o Nilómetro, construiu o bairro de al-Qatay – seguindo o modelo de Samarra – para albergar o exército e o governo, e ergueu uma mesquita com o seu nome no centro da cidade.","quote":"«Ibn Tulun começou a acumular lucros, investindo-os em reformas agrícolas e industriais»."},"8fb7d82f-7aa1-51a8-a1b6-61a100dee9f6":{"title":"A linguagem visual do poder"},"9faade38-b220-5c24-8c3c-705dc77ce345":{"title":"Vestuário e joalharia","description":"As peças deviam ir apertadas e bem seguras. As mulheres ricas podiam permitir-se o uso de colchetes e broches de ouro e prata, simultaneamente funcionais e de adorno. \nOs acessórios de joalharia eram usados para realçar a roupa, e as mulheres de todas as origens exibiam com orgulho os seus adornos em acontecimentos públicos como símbolos de beleza e também de riqueza. De facto, as jóias eram acumuladas como bens que podiam transformar-se em dinheiro quando fosse necessário. Alguns desenhos de joalharia incorporavam versículos do Alcorão, orações ou talismãs protectores contra o mau-olhado.","quote":"«Os acessórios de joalharia eram usados para realçar a roupa»."},"7e1dd92e-fca9-5d89-aaaf-7b9903fb14af":{"title":"A vida quotidiana no sultanato mameluco","description":"Na hierarquia social do sultanato, os próprios mamelucos formavam uma elite que vivia bastante afastada dos habitantes das aldeias e cidades. A sociedade da época era espantosamente heterogénea do ponto de vista étnico, religioso e até linguístico. O Egipto acolhia importantes comunidades de egípcios autóctones, árabes, arménios, sírios e gregos, para além dos mamelucos, que também eram estrangeiros, sobretudo de origem turca ou circassiana. Infelizmente, sabe-se muito pouco, em comparação, sobre a população que viveu no Império Mameluco, uma vez que quase todas as fontes históricas se centram nos feitos dos sultões mamelucos e da sua elite.","quote":"«A sociedade da época era espantosamente heterogénea do ponto de vista étnico, religioso e até linguístico»."},"28ed3f37-70c7-5e87-9d40-6eef902eb3ee":{"title":"Rotas de peregrinação e lugares santos do caminho"},"0e91bb3e-a45f-5595-9dcf-c2ad2c8547a9":{"title":"A água e a vida quotidiana","description":"A obrigação de fornecer água doce à população urbana levou à criação de um monumento público característico: a fonte, ou *sabil*. Os *sabil* constavam de uma cisterna e de uma sala com janelas, com grades ao nível da rua. Os mamelucos (1250-1517) construíram vários no Cairo e em Jerusalém. Um funcionário sentava-se por detrás da grelha e encarregava-se de distribuir copos de água aos passantes. O *sabil-kuttab* dispunha de uma fonte similar à dos *sabil*, mas tinha além disso uma galeria no primeiro andar que era usada como escola primária (*kuttab*).","quote":"«Um empregado sentava-se por detrás da grade e encarregava-se de distribuir copos de água»."},"0d399303-e091-5249-87cf-68e9ac89a080":{"title":"Arte e arquitectura régias","description":"A partir de 1130, Ruggero II, coroado rei da Sicília, promoveu uma arte áulica cujas componentes islâmicas e bizantinas se inseriam em elementos românicos e normandos, por sua vez combinados com a cultura artística local. E isto aconteceu, entre outras razões, graças às bem sucedidas campanhas de Ruggero II nos territórios costeiros do Norte de África e da península balcânica bizantina, com o subsequente recrutamento forçado de mestres-de-obras. Nasce assim uma verdadeira arte régia, capaz de tornar reconhecíveis as obras, tanto civis como religiosas, promovidas pela coroa.","quote":"«Ruggero II promoveu uma arte áulica cujas componentes islâmicas e bizantinas se inserem em elementos românicos e normados»."},"60261853-a266-5a82-958e-d10b6269bdca":{"title":"Povoamento e vida doméstica","description":"A habitação urbana respondia, melhor do que a rural, ao sentido da intimidade muçulmana. As casas eram construídas em torno de um pátio aberto interior, lugar de reunião e de repouso da família; era frequente o pátio ter um pórtico em redor e um poço ou uma cisterna. À volta deste espaço organizavam-se os quartos com as suas alcovas, a cozinha e as latrinas, erguidas sobre fossas ou, mais frequentemente, com canais de descarga das águas residuais ligados a fossas situadas nas ruas.","quote":"«A casa urbana: intimidade da vida privada»."},"4c42f69a-1a67-5fc7-9eb0-b5ed2c633802":{"title":"Visões do jardim celeste e da árvore da vida"},"66042ec5-c370-5352-acd8-d82b98d67a73":{"title":"A vida na corte","description":"No *enderun* havia pavilhões e palácios à beira-mar. À entrada encontrava-se a sala de audiências, ou Arz Odası, onde os sultões recebiam embaixadores, vizires e outros detentores de altos cargos. \nO harém era um lugar sagrado e privado no qual só podiam entrar pessoas do palácio. Era governado pela mãe do sultão ou Valide Sultan, que ali vivia com os filhos e as favoritas do sultão, as suas favoritas e as concubinas (chamadas *ikbal* e odaliscas). Viviam rodeados de luxo, mas não podiam sentar-se perto do sultão ou sair do palácio sem autorização.","quote":"«O harém era um lugar sagrado e privado ao qual só podiam ir pessoas do palácio»."},"4d695d55-b515-5453-b09f-f1d34f603388":{"title":"Os aglábidas, escudo da dinastia abássida"},"09bdd05c-c517-5715-b216-1c3b6562ce92":{"title":"Visões do jardim celeste e da árvore da vida","description":"As representações literais do jardim do paraíso não são frequentes. Um exemplo é o deslumbrante mosaico do pátio da Mesquita Omeia, em Damasco (século VIII). Mostra-nos uma paisagem idealizada com um rio sinuoso e uma série de palácios e sofisticados edifícios. Este ciclo visual baseia-se nas descrições do Alcorão, como assinala a afirmação de um dos seus autores que chegou até aos nossos dias: «Nos mosaicos representámos o que encontrámos no Alcorão sobre as árvores e os palácios do paraíso. E quando um operário executava uma árvore de uma forma especialmente bela, o califa Umar dava-lhe 30 *dirhams* de recompensa».","quote":"«Nos mosaicos representámos o que encontrámos no Alcorão sobre as árvores e os palácios do paraíso»."},"6cde84c3-7f28-5ff8-88ec-3cf31d5516fb":{"title":"Em busca da baraka: a peregrinação a Jerusalém e à Palestina","description":"Mesmo sem contar com Jerusalém, a Palestina é talvez a região onde se encontram mais lugares venerados pelos muçulmanos. Muitos deles estão relacionados com profetas e personalidades respeitadas também por judeus e cristãos. O exemplo mais notável é o *haram* al-Ibrahimi (santuário de Abraão), patriarca dos profetas e primeiro muçulmano. Há também lugares associados a Jesus Cristo, profeta muito importante e respeitado na fé islâmica.","quote":"«Mesmo sem contar com Jerusalém, a Palestina é talvez a região onde se encontram mais lugares venerados pelos muçulmanos»."},"1968b4ad-376a-5733-96cc-b0a0f079ea39":{"title":"A Terra Santa das três religiões","description":"A Palestina – e em especial Jerusalém – tem sido destino de peregrinação religiosa ao longo de milhares de anos. Para os judeus, Jerusalém é a cidade de Deus e o venerado lugar do Templo. As orações judaicas dirigem-se para esta cidade, que continua hoje a ser o seu centro religioso, espiritual e intelectual. Os cristãos, encorajados pelos Padres da Igreja, começaram a fazer a peregrinação à Terra Santa no século IV, para renderem homenagem aos lugares ligados à vida de Jesus Cristo. Segundo a tradição cristã, Jesus viveu em Jerusalém, onde pregou e curou os doentes. Ali tomou a Última Ceia, foi preso, julgado e crucificado. Ainda hoje a Igreja do Sagrado Sepulcro marca a zona da cidade onde se crê que Jesus tenha sido enterrado e da qual ascendeu aos céus.","quote":"«A Palestina e Jerusalém têm sido destino de peregrinação religiosa ao longo de milhares de anos»."},"52ba552e-fa0a-5682-9bec-459980b75df8":{"title":"Rotas de peregrinação e lugares santos do caminho","description":"O Alcorão diz: «Chama os homens à peregrinação! Chegarão a pé ou sobre qualquer montada, por qualquer garganta profunda» (22: 27). Em cada ano, os peregrinos chegam a Meca, vindos de todos os cantos do mundo islâmico. A manutenção das rotas de peregrinação, dos lugares de paragem, dos depósitos de água e das torres de vigilância cabe aos governantes e dirigentes locais.","quote":"«Em cada ano, os peregrinos chegam a Meca, vindos de todos os cantos do mundo islâmico»."},"d691a9e4-feba-58bc-947e-a2528e1d9adb":{"title":"Súbditos cristãos sob governo omeia","description":"Na nova situação sociorreligiosa, as tradições das comunidades cristãs conheceram algumas mudanças. É um facto conhecido que no contexto religioso do Islão era proibida a representação de imagens. Nestas circunstâncias, as comunidades cristãs desfiguraram deliberadamente as formas animais e humanas presentes nas igrejas, substituindo-as por uma cruz ou por motivos geométricos ou florais. Em alguns casos o desenho foi desfeito e recomposto. A desfiguração dos pavimentos de mosaico realizou-se com extremo cuidado, e as igrejas continuaram a ser usadas, o que indica que as modificações executadas foram levadas a cabo pelas autoridades eclesiásticas, ou, pelo menos, sob a sua supervisão directa.","quote":"«É um facto conhecido que no contexto religiosos do Islão era proibida a representação de imagens»."},"d4324e40-dd9c-55ae-bca3-245862dcd559":{"title":"As mulheres do trono: as netas de Fátima al-Zahra"},"a83b5614-7afc-5fae-8115-5fbbcede5144":{"title":"Gestão da prosperidade","description":"Por volta da mesma época, o califa abássida al-Mutawakkil (r. 847-861) ordenou a construção no Nilo de um engenho hidráulico, o Nilómetro, para medir o nível da inundação sazonal. Esse aparelho permitia às autoridades prever e calcular a colheita esperada para essa estação, assim como os impostos que lhe corresponderiam. O Nilómetro ajudou ainda a população do vale do Nilo a organizar-se nas épocas de escassez e a racionar os alimentos em períodos de seca, assegurando dessa forma que a riqueza e a saúde da nação estavam bem geridas e protegidas.","quote":"«O Nilómetro ajudou a população do vale do Nilo a organizar-se nas épocas de escassez e a racionar os alimentos em períodos de seca»."},"2402e680-efca-5518-8365-20a53e16a37c":{"title":"Gestão da prosperidade","description":"A saúde e a riqueza de uma sociedade dependiam, em grande medida, da adequada gestão dos recursos, como alimentos e água, assim como de um governo eficiente. Os abássidas conceberam soluções de engenharia para manter e aperfeiçoar os sistemas agrícolas e os recursos aquíferos, ao mesmo tempo que os progressos na medicina melhoraram a saúde da população. Em Kairouan, por exemplo, os aglábidas construíram, no ano 862, depósitos para recolher a água da chuva dos vales situados nas proximidades. O seu engenho reflecte-se no desenho dos sistemas de recolha, purificação e armazenamento da água, de forma a torná-la acessível e gratuita para os habitantes da cidade, os pastores da região e as caravanas que por ali passavam.","quote":"«Em Kairouan, os aglábidas construíram depósitos para recolher a água da chuva dos vales situados nas proximidades»."},"11f82e3d-c59a-5f69-a3bc-b5b190e3aaa1":{"title":"A corte","description":"Competindo com o fausto e o refinamento das cortes orientais – e superando-os, por vezes –, os monarcas do Ocidente muçulmano criaram a sua própria corte com personagens de alto nível, que privilegiavam com a sua confiança; estes eram, como eles, actores do cerimonial palatino que correspondia à sua grandeza, soberania e desejo de impressionar o povo. \nEstes eleitos acompanhavam-no nas suas actividades públicas, partilhavam com ele recepções e refeições oficiais e ajudavam-no nas tarefas do governo. Nas deslocações, formavam parte do cortejo real e contribuíam para a admiração que produzia.","quote":"«O cortejo militar»."},"b2dfb887-c592-5972-be84-da52442aac78":{"title":"A viagem de um minbar","description":"Eis a história de um *minbar* (púlpito) que foi resgatado aos cruzados. Foi feito para o *maqam* («santuário») do grande mártir muçulmano al-Husayn, neto do profeta Muhammad, em Ascalon. Tal como o *mihrab* («nicho de orações»), o *minbar* é um ponto central da mesquita, mas, ao contrário daquele, é móvel. Assim, e com excepção do Alcorão, é o único objecto móvel da mesquita que tem um profundo valor espiritual.","quote":"*«Eis a história de um minbar («púlpito») que foi resgatado aos cruzados».*"},"c120081f-2000-5d9f-bbc8-dc8089955a17":{"title":"As *madrasas* e a educação"},"6a3348dc-029d-59c2-af77-31ec3a3dfe2f":{"title":"A vida na corte"},"a787ec88-bc49-5171-bf60-265ba0253dd4":{"title":"A caligrafia monumental"},"7b2c2d23-dc2f-50d9-92cf-f23ca9c8f4ce":{"title":"Os mamelucos no mundo: a diplomacia e o comércio internacional","description":"O trabalho em vidro foi um dos aspectos do artesanato onde mais se salientou a arte mameluca; o fabrico de lâmpadas para mesquitas constituía uma grande parte da produção em vidro. O Egipto mameluco foi famoso também pela produção e exportação de tecidos como sedas e algodões estampados. As oficinas de olaria criaram uma interessante e atractiva variedade de artigos, alguns dos quais imitavam deliberadamente as peças chinesas em verde claro e azul e branco. Os marceneiros embelezavam as instalações e o mobiliário dos edifícios, e inclusivamente dos cenotáfios, com intrincados entalhes e desenhos de estrelas geométricas com incrustações.","quote":"«O Egipto mameluco foi famoso pelos seus tecidos, nomeadamente sedas e algodões estampados»."},"343a2d67-cc5d-51cf-b046-7beee7e64193":{"title":"O Sagrado Alcorão","description":"Faziam-se cópias do Alcorão em muitos tamanhos e para usos diversos. Alguns exemplares destinavam-se a mesquitas e a *madrasas*; outros eram levados por particulares como benção e protecção. O patrocínio e as encomendas para copiar e decorar manuscritos corânicos eram consideradas obras religiosas que honravam quem podia custeá-las. O sistema do patrocínio esteve muito difundido no mundo islâmico, e os mecenas ofereciam as cópias a mesquitas, santuários e escolas em ocasiões especiais. A maioria destes edifícios, como complemento à sua função religiosa ou educativa, adornavam-se também com fragmentos do Alcorão, presentes na cantaria, na azulejaria, nos tecidos e nos móveis.","quote":"«Os mecenas ofereciam cópias do Alcorão a mesquitas, santuários e escolas em ocasiões especiais»."},"7dc9303d-b5b2-5fef-b408-8178d88f89d2":{"title":"Povoamento e vida doméstica","description":"Na casa muçulmana, as mulheres encarregavam-se das tarefas relacionadas com a alimentação e com a educação dos filhos. Armazenavam a água em grandes cântaros, de onde a tiravam à medida que tinham necessidade. Em contentores destes guardavam também o azeite e os cereais e, noutros mais pequenos, as conservas de peixe, carne e frutos. Transformavam o leite nos seus derivados, preparavam os alimentos segundo receitas tradicionais e cozinhavam-nos no fogareiro, alimentado a carvão vegetal. Para a apresentação e consumo dos alimentos utilizavam louça de mesa, especialmente nas festas familiares, nas quais mostravam todo o seu saber culinário.","quote":"«A vida doméstica: actividades femininas para o bem-estar familiar»."},"217482b1-7626-531f-8ca9-51c2f680fe3d":{"title":"Os Mamelucos","description":"Os mamelucos, que na origem foram um exército de escravos às ordens dos soberanos muçulmanos, criaram um império que foi uma das maiores potências do Islão durante quase 300 anos.","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nUlrike AL-KHAMIS, Edinburgh \nElsayed HAMAD, Cairo \nYousef NATSHEH, Jerusalem \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nEnaam Selim, Cairo \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"O sultanato mameluco foi uma das grandes potências do Islão durante quase 300 anos. A palavra *mamluk* significa «escravo» e, historicamente, designa um escravo militar estrangeiro, comprado para formar um corpo de elite que respondia unicamente perante o próprio sultão. A maior parte dos mamelucos eram turcos e circassianos do Cáucaso convertidos ao Islão, adestrados para serem os melhores na arte da guerra. Em 1250 produziu-se um vazio de poder na classe dirigente árabe, o que permitiu aos mamelucos estabelecerem a sua própria soberania. A partir desse momento começaram a criar um império que se estendeu do Egipto, Palestina e Síria até às cidades santas do Hedjaz, tendo exercido o poder supremo até 1517. \nNos primeiros anos, os mamelucos defrontaram-se com ameaças constantes de inimigos estrangeiros, mas conseguiram expulsar tanto os mongóis, em 1260, após a decisiva vitória de Ayn Yalut (Palestina), como os cruzados, em 1291. \nPara além do mais, os mamelucos foram campeões do Islão. Restauraram a sede califal no Cairo, depois de Bagdad ter caído nas mãos dos mongóis, em 1258. Levaram a cabo uma campanha sem precedentes de construção de magníficas mesquitas e de doações religiosas (*waqf*) em todo o império, que se converteram em pólos de actividade intelectual, científica e religiosa. \nNa esfera internacional, o sultanato mameluco estabeleceu fortes ligações com outras potências, incluindo as do Extremo Oriente, de Bizâncio, França, Castela, Sicília, Génova e Veneza. O Cairo passou a ser o centro nevrálgico do comércio mundial. Do Oriente e do Ocidente chegavam mercadorias e objectos exóticos que se compravam e vendiam em mercados especializados (os *suq*), cuja vitalidade estimulava os artesãos locais. \nCom o tempo, a supremacia dos mamelucos entrou em decadência, fundamentalmente por dois motivos: a abertura por parte dos portugueses de novas rotas comerciais que passavam pelo Cabo da Boa Esperança e a expansão do Império Otomano, que deu o golpe de misericórdia no Estado mameluco no princípio do século XVI.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/the_mamluks/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/17/portal_image/1.jpg","display_order":5}}},"00c4ec24-eae3-5f50-b012-fca1d0fc4b8b":{"title":"O esplendor no vestir: o *tiraz* e os trajes da época"},"0227731c-df1e-5f3e-8a97-45ca3e10bf2a":{"title":"Descobrir a Arte Islâmica","description":"Descobrir a Arte Islâmica"},"a1627728-24d7-5242-9f95-1b065c869096":{"title":"Prazeres e celebrações na corte","description":"Os fatimidas apreciavam a vida ao ar livre e dispunham de jardins e hortas muito cuidadas, por onde passeavam os seus convidados, podendo disfrutar das fontes decorativas e do som da água a correr. Em algumas residências reais havia pequenos jardins zoológicos com animais exóticos. Fora do recinto do palácio, a realeza e a alta sociedade praticavam diversos desportos, como a equitação e a caça. Por desporto, perseguiam-se aves, lebres e gazelas com a ajuda de aves de rapina, cães e cavalos. Entre os desportos mais populares estavam o pólo, a maça e o dardo.","quote":"«Os fatimidas apreciavam a vida ao ar livre e dispunham de jardins e hortas muito cuidadas»."},"a52fece5-e533-5203-bd90-001ae174dfca":{"title":"Arte e arquitectura régias"},"746b43e3-b5fd-5bfd-8ecf-f3e9560860b0":{"title":"Espaços do poder: as construções palatinas","description":"No interior destes recintos palatinos os espaços eram distribuídos de forma hierárquica, segundo fossem públicos ou privados. Entre os primeiros encontrava-se a residência real, implantada na parte mais interna e inacessível do recinto e destinada a albergar a numerosa família do soberano. Organizava-se em unidades residenciais dispostas em redor de pátios porticados, a partir dos quais se tinha acesso às áreas privadas. Entre elas, destacava-se sempre um compartimento principal com alcovas laterais, todas ricamente mobiladas e decoradas para receber os mais próximos e para celebrações íntimas.","quote":"«Os espaços privados do palácio»."},"e6ad56f0-f7ef-58c5-8cd7-b611edb41a00":{"title":"A vida na corte","description":"Depois de conquistar Damasco em 1154, Nur al-Din Mahmud ibn Zangi unificou a Síria, e muitas das suas cidades converteram-se em centros políticos, económicos e culturais, cada uma delas com uma florescente vida cortesã. Atabegs e ayyubidas foram dedicados mecenas da arquitectura: restauraram muralhas urbanas e cidadelas, e ordenaram a construção de *madrasas*, *bimaristan*, *hammam*, *suqs* e mesquitas. Os palácios foram decorados com sumptuosas tapeçarias, objectos em vidro e refinados trabalhos em metal.","quote":"«Os palácios foram decorados com sumptuosas tapeçarias, objectos em vidro e refinados trabalhos em metal»."},"7f51c07a-1225-5789-b81c-1f76126498a2":{"title":"Espaços do poder: as construções palatinas","description":"No seu conjunto, o palácio era a área de representação propriamente dita, palco do exercício do poder quando, em audiência pública, o soberano aplicava a justiça ou recebia, segundo um rígido protocolo, o pessoal administrativo ou os embaixadores. Era constituído por espaços monumentais e sumptuosos, por grandes e ricos salões dispostos em redor de pátios ajardinados que definiam conjuntos funcionais concretos. Para chegar a esta área, o percurso era longo e complicado, não só por razões de segurança como para simbolizar a inacessibilidade do poder.","quote":"«O palácio, palco do poder real»."},"e227dc1b-85f9-5719-a57f-69b159c22d02":{"title":"A vida na corte","description":"Durante os séculos X-XII não havia uma corte central na Síria, mas sim uma multiplicidade de cortes menores que coexistiam graças a complexas alianças políticas. Com frequência, os governantes iniciavam a sua carreira como atabegs designados pelos seljúcidas do Irão (r. 1038-1194), e rapidamente estabeleciam as suas próprias cortes. Construíam os seus palácios dentro de cidadelas para se protegerem da permanente ameaça dos cruzados. O melhor exemplo que chegou até aos nossos dias é o Palácio da Cidadela de Alepo.","quote":"«Uma plêiade de pequenas cortes coexistia graças a complexas alianças políticas»."},"18c44ba9-f8fa-5fdd-99a2-a8b6f034044a":{"title":"Visões do jardim celeste e da árvore da vida","description":"As árvores com flores aromáticas e cheias de fruta madura desempenham um papel essencial nas descrições literárias do paraíso islâmico. A palmeira ocupa nelas um lugar especial. Uma tradição descreve-a como tia do Homem, criada com a argila que sobrou da criação divina de Adão. Outra conta que o Profeta Maomé associava a palmeira ao paraíso. Também se fazem referências à romãzeira e à mística *tuba*, uma árvore da vida semelhante ao cipreste e situada no centro do paraíso.","quote":"«As árvores com flores aromáticas e cheias de fruta madura desempenham um papel essencial»"},"5143a580-5e9d-5338-aa83-89eaf0f30e05":{"title":"A arte mudéjar aristocrática e civil","description":"Nos sítios onde não havia palácios muçulmanos para ocupar, os reis cristãos e os nobres construíram palácios novos à semelhança daqueles. O rei de Castela Pedro I é o melhor exemplo do gosto da aristocracia cristã pelas formas de vida islamizadas e pelos locais em que se desenvolviam. Os palácios de Tordesilhas e de Astudilho responderam ao desejo do rei e foram feitos à imagem dos palácios nasridas da época, e possivelmente com o contributo de artesãos granadinos enviados pelo seu amigo, o rei Muhammad V de Granada.","quote":"«Palácios mudéjares de nova planta»."},"664da959-c73e-5c6a-8641-060470f0010e":{"title":"A arte mudéjar","description":"A arte mudéjar é fruto de circunstâncias históricas que ocorreram apenas na Península Ibérica durante a Idade Média.","extra":{"credits":"Curators & authors \nCarmen ALONSO-RODRIGUEZ, Madrid \nMaria da Conceição AMARAL, Silves \nGaspar ARANDA, Madrid \nÁngela FRANCO, Madrid \nÁngela GARCIA-BLANCO, Madrid \nSusana GOMEZ, Mertola \nSantiago MACIAS, Mertola \nMargarita SANCHEZ-LLORENTE, Madrid \nClaudio TORRES, Mertola \n \nCoordination \nMiguel GARCIA, Madrid \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Quanto à arte mudéjar, devemos destacar em primeiro lugar a sua singularidade. Trata-se de uma arte que não se pode comparar com qualquer outra, seja islâmica ou cristã, por ser fruto de circunstâncias históricas que apenas tiveram lugar na Península Ibérica durante a Idade Média. \nCom efeito, à medida que os reis cristãos iam reconquistando o território andaluz e ante a dificuldade em repovoá-lo imediatamente, foram deixando que a população muçulmana permanecesse nos territórios recém-conquistados e conservasse a sua religião, língua e organização jurídica. Os mudéjares – muçulmanos em território cristão – integraram-se na nova sociedade, trabalharam para as suas elites e foram transmissores da arte e dos costumes muçulmanos, cujo colorido, exotismo, luxo e refinamento fascinavam os reis e os nobres cristãos. \nA obra mudéjar é facilmente reconhecível pela perfeita integração dos materiais utilizados – tijoleira, gesso, madeira e cerâmica –, pelas técnicas específicas com que são tratados e pelos motivos decorativos próprios da estética cristã. Há quem considere que a arte mudéjar é uma sobrevivência da arte islâmica na sociedade cristã; esta interpretação é apenas válida, contudo, do ponto de vista formal, uma vez que as fórmulas de construção e decoração islâmicas expressam, na arte mudéjar, o pensamento e os valores específicos da cultura cristã e não os da cultura muçulmana. \nPor outro lado, os elementos da arte islâmica fundiram-se magistralmente com os da tradição ocidental para criar uma arte nova, cujos resultados foram diferentes ao combinar-se com a arte românica, com a gótica ou a renascentista. Por isso, o mudéjar não pertence à arte muçulmana, nem à arte ocidental cristã. Elo de ligação entre as duas culturas, converteu-se na expressão artística de uma sociedade complexa, na qual conviviam cristãos, judeus e muçulmanos. É, portanto, um fenómeno singular na história da arte. \nO declínio da arte mudéjar teve lugar ao longo do século XVI e tornou-se definitivo com a expulsão dos mouriscos em 1609. O mudejarismo continuou, contudo, a satisfazer uma espécie de gosto «barroco» até à chegada do Barroco propriamente dito.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/mudejar_art/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/26/portal_image/1.jpg","display_order":17}}},"120cbd81-d9a2-540e-a178-dc11c283fc2d":{"title":"Vida privada das mulheres muçulmanas"},"4a1c6f21-6004-562f-a51b-159ea077a327":{"title":"As lápides funerárias, memória na pedra","description":"Simplicidade e falta de pompa eram as normas dos muçulmanos ocidentais quando levavam os mortos à sua última morada. Os cemitérios muçulmanos estão situados fora das cidades, mas próximos delas, para facilitar a visita aos túmulos. Os familiares costumavam visitá-los às sextas-feiras antes da oração e liam versículos do Alcorão. A única excepção são as famílias reais, que sepultam os seus membros no interior dos recintos palatinos. Em qualquer dos casos, a inumação fazia-se numa fossa cavada na terra e em decúbito lateral direito, com a cara virada para Meca.","quote":"«Os espaços funerários: as necrópoles»."},"646ebdd8-a486-5d6b-8cd6-0d16de835996":{"title":"A cultura no reino cruzado de Jerusalém","description":"Outro historiador e viajante da época, al-Hurawy (m. 1225), lembra-se de ter visto a grelha de metal dos cruzados em volta do rochedo: «Vi o rochedo no tempo dos francos; estava ao norte desta cúpula [da mesquita de al-Aqsa], rodeado por uma grade de ferro, como se fosse uma casa. A altura da grade de ferro que rodeia a rocha é de duas braças».","quote":"«A altura da grade de ferro que rodeia a rocha é de duas braças»."},"282bf248-cb40-5b24-9d50-166d75b8a10e":{"title":"Os mamelucos no mundo: a diplomacia e o comércio internacional"},"f9582527-5e66-53ac-b264-520c2d4cf28b":{"title":"A cerâmica abássida"},"7bb30298-992c-56ba-a331-b96f90384fbb":{"title":"A Sicília islâmica e a cultura figurativa: vestígios e continuidade","description":"Paradoxalmente, foi o reino cristão dos normandos que deixou na Sicília alguns dos testemunhos mais valiosos da arte islâmica (se bem que com a inclusão de elementos clássicos, bizantinos e iranianos) presentes na bacia do Mediterrâneo. A nova dinastia, em vez de entrar em conflito com as presenças anteriores, assimilou sabiamente a sua cultura e os seus costumes, mas, mais do que olhar o passado, fixou-se no que a refinada cultura islâmica contemporânea podia oferecer. O diálogo com ela não se limita ao contacto com os muçulmanos que ficaram na ilha, expressando-se sobretudo nas relações entre a corte normanda e o califado fatimida do Cairo, testemunhadas por laços diplomáticos e comerciais e, inclusivamente, pelo intercâmbio de presentes entre o califa al-Hafiz e Ruggero II. É muito provável que alguns dos artesãos que trabalharam nas obras régias normandas fossem originários do Egipto.","quote":"«Paradoxalmente, foi o reino cristão dos normandos que deixou na Sicília alguns dos testemunhos mais valiosos da arte islâmica presentes na bacia do Mediterrâneo»."},"5ff53527-c223-5816-b616-a7a036304f06":{"title":"A caligrafia monumental","description":"A escrita cúfica minimalista e angular foi o primeiro estilo caligráfico que se usou nos monumentos. No século XI, as letras começaram a adornar-se com motivos vegetais e florais, como os que podem ver-se na *maqsura* (espaço reservado ao califa ou ao imã) da Grande Mesquita de Kairouan. Embora a escrita cúfica, com os seus traços horizontais e verticais, complementasse vários elementos arquitectónicos – sobretudo pilares e elementos de suporte –, a partir do século XII os monumentos começaram também a ser decorados com caligrafias de outros estilos, como o *naskhi*, menos rígido; podemos ver um desses exemplos no *janqah* («albergue») do sultão Baybars no Egipto.","quote":"«A escrita cúfica minimalista e angular foi o primeiro estilo de caligrafia árabe que se usou nos monumentos»."},"67d05c74-9479-5504-9b95-28708620c776":{"title":"O Cairo, Damasco e Jerusalém, centros da vida intelectual","description":"Na Síria, Damasco brilhou como segundo centro político, artístico e intelectual do sultanato mameluco. Foi um autêntico eixo do discurso religioso e dos avanços científicos. Nas suas notáveis *madrasas* e institutos de educação superior foram copiados e ilustrados numerosos livros essenciais de geografia e ciências naturais.","quote":"«Damasco brilhou como segundo centro político, artístico e intelectual do sultanato mameluco»."},"57d4f9c5-7846-5502-a124-d07a4d4ecfee":{"title":"Viagens e comércio","description":"Viajar era arriscado durante a Idade Média, e a maioria das rotas de comércio e de peregrinação entre o Mediterrâneo, a Ásia Central e a Arábia eram muito perigosas. Quando começaram os ataques dos cruzados francos, estas rotas tornaram-se ainda mais inseguras. Construíram-se castelos e cidadelas em pontos estratégicos, como os de Karak e Shawbak, na Jordânia. Apesar do seu antagonismo político, muçulmanos e francos comerciavam entre si, cruzando os territórios respectivos e fixando-se mutuamente impostos.","quote":"«Apesar do seu antagonismo político, muçulmanos e francos comerciavam entre si»."},"24dccfe7-0ad7-552e-aa3d-ebae78f613d0":{"title":"A vida na corte","description":"O palácio Topkapı serviu de centro governamental e de residência da família imperial. Foi construído numa área da península de Istambul a partir da qual se dominam o Corno de Ouro, por um lado, e o estreito de Bósforo e o mar de Mármara, pelo outro. Situado dentro de amplos jardins, o palácio compõe-se de um conjunto de edifícios agrupados em três partes: *birun*, *enderun* e harém*.* \nO *birun* encontra-se entre a porta principal ou Imperial (Bab-ı Hümayun) e a terceira porta, ou da Felicidade (Babü's-Saade). O primeiro pátio albergou os edifícios de serviço, a casa da moeda imperial, os quartéis, os ministérios e outras oficinas governamentais. O segundo pátio foi denominado Alay Meydanı e a ele se ligavam o Divan-ı Hümayun – também chamado «Sob a Cúpula» –, o tesouro, as cozinhas, os estábulos e a entrada para o harém*.* \nCerimónias como a entronização, audiências reais urgentes ou *alay divanı* (assembleia de pé) e a celebração de festejos tinham lugar em frente à porta da Felicidade. O trono do sultão encontrava-se também perto desta porta, e a bandeira sagrada (*sancak-ı şerif*), autêntico símbolo do sultão otomano como califa, era ali içada quando tirada do pavilhão do Manto Sagrado por ocasião de alguma cerimónia importante.","quote":"«O palácio Topkapı serviu de centro governamental e de residência da família imperial»."},"fb7529af-c345-5f7f-84b9-097ce4ffba20":{"title":"A decoração geométrica nos têxteis"},"e0fad146-3560-5ca0-86d7-06707053fbef":{"title":"A peregrinação","description":"«A peregrinação, que conduz os crentes aos lugares sagrados e à realização espiritual, é talvez o elemento emocionalmente mais profundo da prática religiosa de judeus, cristãos e muçulmanos».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nUlrike AL-KHAMIS, Edinburgh \nElsayed HAMAD, Cairo \nYousef NATSHEH, Jerusalem \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nEnaam Selim, Cairo \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"A peregrinação é um elemento fundamental da prática religiosa das três religiões monoteístas: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. \nNo Islão, a peregrinação, ou *al-hajj,* é considerada um dever religioso, quinto e último pilar da fé muçulmana. Os outros pilares são: a profissão de fé (*al-shahada*: «Não há Deus senão Allah e Muhammad é o seu profeta»); as cinco orações ao dia; a esmola, ou *al-zakat;* e o jejum no mês do Ramadão. O Alcorão descreve e dá indicações sobre o *hajj*: «E os homens devem a Allah a peregrinação à Kaaba» (3: 97), e as tradições do Profeta (Sunna) fixaram os pormenores da peregrinação. Assim, todo o muçulmano fisicamente capaz e com os necessários recursos deve realizar o *hajj* pelo menos uma vez na vida. Segundo a crença islâmica, o santuário (*haram,* ou recinto sagrado de Meca) foi originalmente construído por Abraão e pelo seu filho Ismael, ambos venerados antes do Islão, como continuariam a ser após a sua aparição. \nQuando surge a fé islâmica, a peregrinação começa a desenvolver-se com rituais claramente definidos pelo Alcorão e pela Sunna. A peregrinação, com as suas complexas cerimónias, realiza-se nos meses islâmicos de *du l-qaada* e *du l-hijja*. O peregrino começa por alcançar um estado de pureza ao substituir a sua vestimenta quotidiana pelo *ihram,* um traje de duas peças, sem costuras, vestido pelos homens, ricos ou pobres (os das mulheres, ao invés, são cosidos). Durante o *hajj*, o crente deve permanecer puro, tanto física como espiritualmente. Dentro do *haram* de Meca, os peregrinos dão sete voltas (*tawaf*) à Sagrada Kaaba, antes do sayi, ritual que consiste em caminhar entre as colinas de Safa e Marwa, situadas no complexo da mesquita. No nono dia de *du l-hiyya*, os peregrinos reúnem-se no monte Arafat para orar e implorar perdão a Allah. O *hajj* termina com o *Eid al-Adha* (Festa do Sacrifício, a mais importante festividade muçulmana), no décimo dia de *du l-hiyya*. \nO *hajj* é a maior experiência na vida de um muçulmano, e dá aos crentes a oportunidade de obterem perdão pelos seus pecados e de regressarem às suas vidas purificados e renovados.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/pilgrimage/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/29/portal_image/1.jpg","display_order":8}}},"1abd2666-7a05-5c9a-8f4d-991a0fac4643":{"title":"A cultura no reino cruzado de Jerusalém","description":"Ibn Jubayr, nas suas *Viagens,* e Usamah ibn Munqid, nas suas *Memórias,* dão-nos o ponto de vista da comunidade muçulmana. O escritor, diplomata e político Usamah (1095-1188), que viveu no castelo de Shayzar, conheceu pessoalmente Nur al-Din e Saladino, bem como os seus rivais francos. Assim conta uma visita a Jerusalém: «Quando entrava na mesquita de al-Aqsa, que estava ocupada pelos templários, meus amigos, estes evacuavam a pequena mesquita contígua para que eu nela pudesse rezar». Um dia, enquanto Usamah rezava, um franco interrompeu as suas orações e obrigou-o a rezar olhando para este. Os amigos templários de Usamah expulsaram dali o franco e desculparam-se dizendo-lhe: «É um estrangeiro que acaba de chegar da terra dos francos e que nunca tinha visto ninguém rezar sem olhar para este».","quote":"«Os templários evacuaram a pequena mesquita contígua para que eu nela pudesse rezar»."},"fc7c939a-850e-5462-8ba3-c2aa03ed101f":{"title":"A mesquita, espaço de oração"},"d0f2de47-bb3f-5401-adda-d70b0bdc2f1c":{"title":"A representação de animais"},"c1e27de3-f47f-5dbf-a939-9b3c100f2f30":{"title":"Patrocínio oficial","description":"Para os omeias, o patrocínio da arquitectura era uma demonstração do poder da nova fé em geral e da sua dinastia em particular, e graças a ele se construíram importantes edifícios religiosos como a Cúpula do Rochedo e mesquita al-Aqsa em Jerusalém e a Grande Mesquita de Damasco. \nA mesquita, como tipologia arquitectónica exclusiva do Islão, nasceu no período pré-omeia, seguindo o modelo da Casa do Profeta, em Medina. Os omeias juntaram novas características que, com o tempo, se converteram em componentes típicos de todas as mesquitas: o minarete (símbolo da presença do Islão e de onde se chama à oração), o *mihrab* (que simboliza a presença do Profeta) e, junto a ele, a *maqsura* (espaço delimitado reservado ao imã, líder dos crentes, ou ao califa).","quote":"*«O patrocínio da arquitectura era uma demonstração do poder da nova fé».*"},"7ca8b514-16be-5930-b8ed-1c96b7324e76":{"title":"Mulheres muçulmanas benfeitoras","description":"Houve mulheres que custearam a melhoria do interior dos edifícios religiosos, proporcionando às mesquitas belos exemplares do Alcorão e outros acessórios de grande qualidade. Um dos mais admiráveis é o elaborado nicho de oração com incrustações de teca do mausoléu de Sayyida Ruqayya, cuja promotora foi a esposa do califa fatimida al-Amir bi-Ahkam Allah, em 1133. Vários manuscritos do Alcorão foram encomendados por princesas ziridas para a Grande Mesquita de Kairouan, entre eles o Alcorão de Umm Milals e o de Umm al-llu, irmã do príncipe zirida al-Muizz ibn Badis; um terceiro manuscrito foi oferta de Fatima, preceptora do príncipe Badis ibn al-Mansur.","quote":"«Algumas mulheres muçulmanas custearam obras no interior de edifícios religiosos»."},"2fd1d033-a4f2-567f-b9d5-a05f8479663e":{"title":"O Sagrado Alcorão"},"f049cf8d-e79d-5896-ac15-489e32164b03":{"title":"A arte mudéjar popular e religiosa","description":"O mudéjar da cidade de Toledo tem influência do mudéjar castelhano nas suas arcarias cegas em tijolo, assim como influências da arte almóada e do gótico europeu, características que também definem o gótico da Extremadura. As suas especificidades são, entre outras: muros onde a alvenaria alterna com o tijolo, fachadas com frisos, arcos entrecruzados, vãos com arcos de ferradura e alfiz e campanários de tijolo sobre bases de alvenaria, separados do corpo da igreja como se fossem minaretes.","quote":"«O mudéjar toledano: a elegância do gótico em tijolo»."},"42f06353-5ef7-51e7-934c-e5dc0f69f7b4":{"title":"A capital otomana: Istambul","description":"O imperador Constantino elegeu, como nova capital do Império Romano, Bizâncio, cidade que continuou a desenvolver-se sob o nome de Constantinopla, convertida em capital do Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino. Para além da sua situação estratégica, a urbe atraiu a atenção do mundo inteiro pelos seus fascinantes monumentos, entre eles a Igreja de Santa Sofia. Constantinopla resistiu a vários assédios dos árabes muçulmanos, mas sofreu terrivelmente durante a Quarta Cruzada. Depois de séculos de resistência, foi finalmente conquistada pelo sultão Mehmed II, em 1453. Quando os otomanos venceram os mamelucos em 1517 e tomaram o título de califas, a sua capital converteu-se no centro do mundo islâmico e foi conhecida pelos nomes de Konstantiniyye, Asitane, Dersaadet e Istambul. Istambul foi a capital otomana até 1922. Durante quatro séculos, cada sultão foi enriquecendo a cidade com novos monumentos e renovando as suas infra-estruturas.","quote":"«Durante quatro séculos, cada sultão foi enriquecendo a cidade com novos monumentos e renovando as suas infra-estruturas»."},"1b29b6a7-7dc6-567b-aaf0-cbfc9c64fc07":{"title":"Saladino na Terra Santa","description":"Saladino adquiriu notoriedade na luta pelo Egipto, quando Nur al-Din ainda era vivo. Após a morte deste em 1174, passou dez anos combatendo contra outros muçulmanos e consolidando o seu exército. Depois de unificar a Síria e o Egipto, e depois de tomar Alepo em 1183, Saladino ocupou-se da expulsão dos francos. A sua maior vitória foi a batalha de Hittin, em 1187. Com ela abriu o caminho para Jerusalém, conquistada nesse mesmo ano.","quote":"*«Depois de unificar a Síria e o Egipto, Saladino ocupou-se da expulsão dos francos».*"},"fde9c1e2-a19a-570e-98f7-a4cd5e14c12e":{"title":"Cerimónias e passatempos cortesãos","description":"As fontes literárias indicam que houve dois tipos de audiências: a pública (*majlis al-amm)* e a privada (*jas)*, esta última restringida aos ajudantes e aos conselheiros mais próximos. Durante a audiência, o califa ou o seu representante sentavam-se num trono elevado (*sarir*), ao passo que os assistentes se colocavam, também sentados, seguindo uma ordem de acordo com o seu estatuto. Alguns edifícios, como Qusayr Amra (Jordânia), Khirbat al-Mafjar (próximo de Jericó, na Palestina) e Qasr al-Hayr al-Garbi (Síria), contavam com grandes séries iconográficas que mostravam músicos, bailarinas e carregadoras de presentes, passatempos que se converteram em parte integrante da vida na corte omeia.","quote":"«Durante a audiência, o califa ou o seu representante sentavam-se num trono elevado»."},"6e7d4f2d-b957-51ff-b7ba-274922d1bffb":{"title":"A cerâmica mudéjar","description":"Um dos grupos mais chamativos das cerâmicas mudéjares é o dos pratos e braseiros, cujas superfícies são totalmente decorada com motivos geométricos e epigráficos, óvalos e triângulos curvos, que se repetem consecutivamente e dão a sensação de movimento. A novidade compositiva, de origem ocidental, radica no sentido de unidade do conjunto, ordenado em torno de um centro muito marcado por um umbo central. Estes pratos, com óvalos em relevo, foram elaborados com molde e tiveram um carácter mais sumptuário que utilitário.","quote":"«Estes pratos, com óvalos em relevo, tiveram um carácter sumptuário»."},"17b8ce1b-11e8-500c-ba13-dd3af722e3b4":{"title":"O sultão e a sua corte","description":"O sultão mameluco era também comandante em chefe dos exércitos e desempenhava um importante papel no âmbito da diplomacia internacional. A sua autoridade e a sua glória manifestavam-se em refinados cerimoniais, na magnificência do ambiente da corte e nos elitistas passatempos que nela se praticavam, como a falcoaria e a caça.","quote":"«A autoridade do sultão manifestava-se nos cerimoniais e na magnificência do ambiente da corte»."},"527ffe44-a653-52d5-b537-96b6f979648a":{"title":"Síria","description":"Durante o século XIX, o Império Otomano teve de enfrentar o desafio de uma Europa cada vez mais poderosa, próspera e industrializada. As madraças e mesquitas tradicionais tornaram-se insuficientes como instituições de ensino de uma sociedade moderna. A Madraça Jaqmaqiyya, por exemplo, foi transformada num novo tipo de escola preparatória civil denominada Maktab Rushdiyya. O currículo incluía história otomana e europeia, escrita literária e oficial e uma variedade de idiomas, incluindo francês, turco otomano e persa, mas nem a língua nem a história árabes eram lecionadas. \nNo início do século XX, estas reformas começaram a surtir o efeito contrário à medida que as minorias cristãs e as maiorias muçulmanas não turcas reclamavam individualização e liberdade de expressão, em vez de unidade e obediência. Em Damasco, Maktab Anbar tornou-se um novo centro educacional e um ponto fulcral para o despertar político árabe.","quote":"“Durante o século XIX, o Império Otomano teve de enfrentar o desafio de uma Europa cada vez mais poderosa, próspera e industrializada”"},"071e3e6e-8e36-5c3c-8643-17ee9ac60138":{"title":"O palácio e as artes","description":"O Império Otomano foi um estado centralizado, dirigido por funcionários que recebiam uma formação especial na corte. Este sistema condicionou profundamente a arte otomana, criando condições para a existência de um estilo decorativo uniforme em todo o vasto território conquistado. Os arquitectos e artesãos que decoraram o palácio Topkapı, e que também trabalharam em Istambul e no resto do Império, estavam às ordens do arquitecto-chefe imperial. \nAs oficinas artísticas estabeleceram-se a princípio em Edirne, mas, após a conquista de Istambul, foram mudadas para o palácio Topkapı. Contudo, até inícios do século XV não foi organizado sistematicamente o trabalho dos artesãos. Por vezes, os que trabalhavam em Istambul, ou em qualquer outra parte do Império, podiam optar por trabalhar noutra oficina se recebessem um convite para tal.","quote":"«O sistema centralizado criou condições para a existência de um estilo decorativo em todo o vasto território conquistado»."},"0e4ca3d5-ad07-5906-884a-7b4b89c83f5c":{"title":"Egito"},"982c8126-411c-56dc-8e82-defe108e4e2e":{"title":"Exportação de luxo","description":"O Ocidente admirou, durante séculos, a beleza e o trabalho artesanal da arte islâmica. Na Idade Média, por exemplo, as artes têxteis e decorativas do Oriente foram apreciados complementos dos tesouros das igrejas. Com a ascensão do Império Otomano e o desenvolvimento de um sistema económico mundial, os produtos das florescentes indústrias artesanais otomanas geraram uma procura global. Por essa razão, grande parte da arte otomana que chegou até nós foi, originalmente, produzida para exportação. A imagem do Império Otomano como terra de riqueza e luxo advém sobretudo das peças artesanais que se obtinham nas redes de bazares e *khan*.","quote":"«Os produtos das florescentes indústrias artesanais otomanas geraram uma procura global»."},"8d1948a8-5d3f-58f4-be9a-e443a4b2078b":{"title":"Ciência e saber","description":"O conhecimento científico muçulmano chegou a ser o mais desenvolvido do mundo. Depois da conquista dos impérios bizantino e sassânida, o acesso às suas bibliotecas permitiu aos muçulmanos traduzir e conhecer toda a sabedoria da Antiguidade Clássica e Oriental contida nos seus livros. Foi possível, a partir daí, progredir em todas as ciências, sem esquecer os estudos religiosos, fundamento do conhecimento científico.","quote":"«A madrasa, centro de ensino superior»."},"19908cb0-74da-580e-b6b3-2b320477903e":{"title":"Os aglábidas, escudo da dinastia abássida","description":"Dadas a enorme extensão do exército abássida e a presença de diversas potências islâmicas rivais nas suas fronteiras, no ano 800 os abássidas estabeleceram o principado aglábida no Norte de África, para que este se entendesse como os omeias do al-Andalus e com os idrissidas de Marrocos. O califa abássida Harun al-Rashid (r. 786-809) entregou o governo da Ifriqiya (Tunísia) a Ibrahim ibn al-Aglab como principado hereditário. Os aglábidas foram vassalos dos abássidas na Ifriqiya entre 800 e 909. Reconstruíram cidades e ergueram fortificações na costa, com o objectivo de fazer retroceder os bizantinos, que tinham conquistado a Sicília alguns séculos antes. Organizaram a vida civil e abriram vias de comunicação entre o Norte de África e o Próximo Oriente.","quote":"«O califa abássida Harun al-Rashid entregou o governo da Ifriqiya a Ibrahim ibn al-Aglab como principado hereditário»."},"c6bda72b-5fc2-5242-a86c-73e57fb7f25b":{"title":"Os aglábidas, escudo da dinastia abássida","description":"Para além da zona central do Norte de África, também Malta, a Sicília e o sul de Itália chegaram a estar sob o domínio dos aglábidas. Eram considerados vassalos dos aglábidas (embora dispusessem de grande autonomia) e mantinham ligações com a capital abássida, Bagdad, para onde enviavam e de onde chegavam numerosas caravanas comerciais e científicas; numa delas transportaram-se os azulejos de reflexo metálico empregues na decoração do *mihrab* (nicho de orações) da Grande Mesquita de Kairouan. Em reconhecimento pela lealdade aglábida, o califa abássida al-Mustain (r. 862-866) ordenou a construção de uma cúpula sobre o *mihrab* da mesquita Zitouna.","quote":"*«Os aglábidas moldavam o seu comportamento pelo dos seus senhores, os califas abássidas».*"},"01b9c0b5-6a02-5be0-aa1a-2dead40ce2ff":{"title":"A função de flores e plantas concretas","description":"Para além da tulipa, o cravo era outra das flores com que se evocavam poeticamente a beleza divina e a contemplação espiritual. Aparecem, por isso, com frequência na arte islâmica, em particular na otomana. Contudo, nem todas as flores e plantas eram originárias do contexto cultural islâmico. A imagem da videira carregada de uvas e a sua associação com a fertilidade e a vida eterna são uma reminiscência da época helenística, ao passo que o lótus, símbolo oriental da pureza espiritual, foi introduzido na arte islâmica pelos mongóis no século XIII.","quote":"«Nem todas as flores e plantas eram originárias do contexto cultural islâmico»."},"fc555000-73aa-597e-83a9-aecade079247":{"title":"A defesa","description":"As fortificações do Ocidente muçulmano tiveram dois objectivos: defender as fronteiras e consolidar o governo do território conquistado, continuamente ameaçado por lutas internas. No início, as construções defensivas foram esporádicas e destinavam-se a submeter as populações irrequietas. Posteriormente, foi-se desenvolvendo um sistema defensivo complexo que se generalizou em todo o Ocidente durante o domínio almóada e, mais tarde, se adaptou às estratégias de ataque com catapultas, aríetes e torres de assalto.","quote":"«O desenvolvimento de um sistema defensivo»."},"91a64bcb-07fa-5fe8-a772-1643e67fe98b":{"title":"O uso da água para consumo e higiene","description":"Nas regiões desérticas, a água é um elemento escasso e, portanto, valioso; os objectos que se usam para beber e lavar são, por isso, frequentemente muito decorados. Nas residências ricas, como a do governador mameluco de Qus (Alto Egipto), antes e depois de comer, os criados vertiam água sobre as mãos dos comensais com aguamanis de metal com incrustações. A água era recolhida em bacias que, por vezes, como na época mameluca, eram também metálicas e com incrustações, e adornadas no fundo com uma espiral de peixes, que pareciam nadar ao encher-se a bacia com água. Os peixes são, também, um dos motivos de adorno da cerâmica mameluca vidrada em verde que imita o verde pálido da cerâmica chinesa.","quote":"«Nas regiões desérticas a água é escassa e, portanto, valiosa»."},"196db830-546b-584c-a36c-48974bbb7a0a":{"title":"O sultão e a sua corte","description":"Reinstaurada a sede do califado no Cairo, os governantes de todo o mundo islâmico viraram a atenção para o Egipto, em busca de legitimidade para o seu poder. Durante todo o império houve sultões mamelucos muito activos como Baybars I, Qalawun, Nasr al-Din Muhammad ibn Qalawun, Hasan e Qaytbay, que empreenderam a construção de esplêndidas mesquitas e instituições religiosas e encomendaram magníficos exemplares manuscritos do Alcorão e mobiliário para as mesquitas.","quote":"«Os sultões mamelucos empreenderam a construção de esplêndidas mesquitas e instituições religiosas»."},"89e7d33e-fcb7-5aa7-9d7f-b32dc0373d7c":{"title":"Coexistência das três culturas","description":"A conservação por parte de instituições religiosas de objectos relacionados com o culto, mas pertencentes a outra religião (fosse pelo seu valor histórico, pela possibilidade de reutilização ou pelo seu valor material), permite-nos conhecer melhor o património e as diferentes culturas da história do Ocidente muçulmano.","quote":"«As instituições religiosas como conservadoras do património»."},"6a1bdb93-67a9-5fa8-b419-7479fb504783":{"title":"A escrita cúfica","description":"Nos primeiros anos do Islão, o cúfico foi o estilo caligráfico mais utilizado para copiar o Alcorão, cunhar moedas e fazer inscrições arquitectónicas. Este estilo passou por várias fases de desenvolvimento: das formas rígidas e planas – a partir das quais surgiu a escrita *muhaqqaq* – passou a ter traços mais suaves que vieram dar lugar às caligrafias *thuluth*, magrebina e *riqaa*. Os diferentes tipos de letra cúfica foram-se uniformizando gradualmente, acabando por ser quase impossível identificar a região de origem das inscrições apenas a partir da caligrafia.","quote":"«Nos primeiros anos do Islão, o cúfico foi o estilo caligráfico mais utilizado para copiar o Alcorão»."},"9829971b-8342-5ad0-adce-e00bc28b63c2":{"title":"A função de flores e plantas concretas","description":"A cultura muçulmana sempre expressou um profundo amor pelas plantas e pelas flores, e os jardins eram cultivados com esmero. Muitas plantas eram escolhidas não só pela sua beleza ou pelas suas propriedades medicinais, mas também pelo seu significado poético ou religioso. Como milagres da natureza, eram também um símbolo do poder de criar e dar vida de Allah. Para os verdadeiros crentes, a floração e morte em cada ano convidavam à reflexão sobre a condição humana e sobre a promessa do Islão na ressurreição e na vida eterna no paraíso.","quote":"«Muitas plantas e flores eram escolhidas pelo seu significado poético ou religioso»."},"c847fdb4-fe99-5430-96ad-f2a1a1bedc31":{"title":"As lápides funerárias, memória na pedra","description":"Na época almorávida, primeiro no al-Andalus e depois no Magrebe, introduziu-se um novo tipo de estela, marcada por um arco de ferradura decorativo assente em colunas, que representa simbolicamente o *mihrab*. No interior do arco desenvolve-se a inscrição fúnebre que, neste como noutros casos, é costume limitar-se ao nome, à filiação, aos títulos dos sepultados e à data da sua morte; a profissão de fé, versículos do Alcorão e invocações religiosas completam o texto.","quote":"«As lápides decoradas»."},"22ad153f-423c-5508-a362-937e5100efd8":{"title":"Guerra e equitação","description":"O êxito da cavalaria foi resultado de uma intensa prática e da boa qualidade do equipamento. Os soldados treinavam-se num hipódromo (*maydan*), onde se realizavam duros exercícios, e participavam em competições desportivas, como o pólo, o dardo e a maça. Durante as batalhas, os soldados turcos combinavam várias tácticas; à distância usavam arcos e, ao perto, a lança ou a espada. Tanto os guerreiros árabes como os turcos eram hábeis na utilização da lança, com a qual podiam alcançar o inimigo a curta distância enquanto se deslocavam a grande velocidade. As espadas eram armas muito apreciadas, sendo frequentemente identificadas pelo seu lugar de origem e pela leveza ou dureza do metal empregue no seu fabrico. Os escudos dos soldados muçulmanos costumavam ser circulares, mas os militares bizantinos, francos e muçulmanos usavam frequentemente o escudo normando.","quote":"«As espadas eram identificadas pelo seu lugar de origem e pela leveza ou dureza do metal empregue no seu fabrico»."},"5374f1d7-28b8-5e64-8bb8-d12ba84fb6a1":{"title":"As jóias: riqueza, prestígio e protecção"},"ca03bc94-3139-59a8-a6bb-af5e1368a210":{"title":"A decoração geométrica na arte do livro","description":"Tendo em conta o carácter sagrado do Livro, os iluminadores puseram grande cuidado na decoração da primeira (*fatiha*) e da última (*jatima*) páginas, que se iluminaram com frequência em toda a sua extensão. O princípio da *sura* marcava-se com um cartucho. Além disso, as páginas podiam ter um enquadramento de motivos geométricos mais ou menos elaborados. Na ficha técnica, indicava-se normalmente a data e o lugar de realização e, por vezes, o destinatário.","quote":"«Os iluminadores puseram grande cuidado na decoração da primeira (fatiha) e da última (jatima) páginas»."},"2c60ed37-eb2d-5736-98a0-24252466e0a4":{"title":"Influências Ocidentais em terras otomanas","description":"A partir do século XIX, o Império Otomano adota progressivamente um sistema centralizado de governo, em prol da modernização.","extra":{"credits":"Western Influence in Ottoman Lands \n \nCurators & authors \nMohamed ABBAS, Cairo \nInci KUYULU ERSOY, Izmir \nAida NAGHAWI DODO, Amman \nZena TAKIEDDINE, Damascus \nSaloua ZANGAR, Tunis \n \nCoordination \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nFor Arabic, English, French and Turkish: \nPlease refer to [General Credits](https://islamicart.museumwnf.org/mwnf_credit.php) \nGerman: Merve Tolaman \nItalian: Lavinia Amenduni \nPortuguese: Geisa Cristina Santos Carneiro Williams (translation); Cristina Correia (editor) \nSpanish: Arantza Morales \nSwedish: Lisa Lindström","intro_text":"O Império Otomano abrangia não apenas o que conhecemos hoje como República da Turquia, mas também uma área geográfica muito mais ampla habitada por povos de origens multiétnicas, com diversas línguas e religiões. Dentro dessa variedade, era inevitável que a influência ocidental se manifestasse em momentos diferentes e de várias maneiras ao longo dos séculos XVIII e XIX, durante uma época conhecida hoje como o período de ocidentalização do Império Otomano. \nAté o século XIX, o império dividia-se em províncias governadas por *beglerbegs* e *sanjaqs a cargo* de *sanjaqbegs*, nomeados pelos sultões. \nDentro deste sistema, as comunidades locais, os grupos religiosos e os *waqfs* estimularam a economia do império, proporcionando, em termos artísticos e arquitetónicos, uma síntese do gosto otomano com as respetivas características locais. A partir do século XIX, o Império Otomano começou a adotar um sistema de governo centralizado em prol da modernização. Dentro deste novo sistema centralizado, o controle mais rigoroso sobre as províncias manifestou-se com a construção de edifícios públicos e governamentais, a cargo do império. Desta forma, embora os primeiros exemplos arquitetónicos, concretamente influenciados pelo Ocidente, já tivessem sido erguidos em Istambul e na Anatólia no século XVIII, este tipo de influência espalha-se para outras regiões a partir do século XIX. Outro importante fator de influência ocidental, que provocou algumas outras mudanças substanciais no império, foi a melhoria nas relações diretas entre as principais cidades do império e a Europa. \nSob a égide de Kavalalı Mehmed Ali Pasha, o governador otomano que estabeleceu temporariamente um estado autónomo no Egito, fortaleceu-se uma forte relação política e comercial com a Europa que se refletiu fortemente em Istambul, patente nas influências trazidas pela elite egípcia que para aí se deslocava durante o verão. Se bem que a zona ocidental do império no Norte de África incluísse três províncias, a Trablusgarb, (Líbia atual) a Tunísia e a Argélia, respetivamente sob a responsabilidade de um governador nomeado por Istambul, na realidade quem detinha a autoridade eram os governantes locais, denominados *beys*, que eram conhecidos na Europa graças ao contacto direto estabelecido com eles. A mudança nos sistemas administrativo e social na região propiciou e acelerou a disseminação da cultura ocidental no seio do Império Otomano.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/western_influence/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/42/portal_image/1.jpg","display_order":18}}},"55b7928a-e3bd-5865-b4c6-975a8167121f":{"title":"Visões do jardim celeste e da árvore da vida","description":"Frequentemente, o conceito da árvore da vida paradisíaca é representado na arte islâmica sem fazer referência a um tipo de árvore específico. As suas estilizadas imagens evocam sempre a exuberância, a abundância de frondosos ramos que dão sombra e fertilidade. Por vezes, a imagem da árvore é substituída por um luxuoso jarrão que contém um abundante e colorido ramo de flores. Este motivo é pré-islâmico e remonta ao conceito helenístico da fonte da vida. Evoca tanto os dispendiosos arranjos florais nas arcadas dos pavilhões dos jardins islâmicos como o deleite floral do jardim do paraíso.","quote":"«As imagens da paradisíaca árvore da vida evocam a exuberância, a abundância de frondosos ramos que dão sombra e fertilidade»."},"6780505e-c91f-5e51-8a78-74d186fc4a0b":{"title":"As comunidades islamizadas antes e depois da conquista normanda","description":"A importação das técnicas de regadio e de cultivo – na esteira do saber da Antiguidade – em territórios menos férteis, e as obras de engenharia hidráulica – seguramente de ascendência iraniana, como a formidável rede de *qanat* –, são dos aspectos mais notáveis da organização do território no período islâmico.","quote":"«As técnicas de regadio e de cultivo são dos aspectos mais notáveis da organização do território»."},"be3643d7-c50e-574a-9d16-2e5d7e04d722":{"title":"A decoração geométrica na arte do livro","description":"A proibição de representação de quaisquer figuras nos livros religiosos muçulmanos determinou que a sua ornamentação se limitasse a motivos decorativos abstractos, ou seja, a iluminuras predominantemente geométricas. Este trabalho de decoração atraiu artistas de diferentes especialidades, como encadernadores, calígrafos e iluminadores, e acabou por marcar outras formas artísticas, como a tecelagem, a arte dos metais, a marcenaria, a epigrafia monumental ou a decoração arquitectónica. \nO formato mais habitual de Alcorão foi o rectangular vertical, embora também se tenham realizado quadrados e horizontais.","quote":"«A decoração do Alcorão atraiu encadernadores, calígrafos e iluminadores»."},"8c88e6e2-52cb-52db-ae22-4a2afe00294d":{"title":"A decoração geométrica nos têxteis","description":"A escrita era utilizada também como motivo decorativo nos têxteis, em especial a cúfica, pela sua caligrafia rectilínea e angulosa, de traços geométricos. Costumava ocupar a superfície dos tecidos, em franjas, embora também se adaptasse às diversas formas dos motivos geométricos e, inversamente, os espaços interiores das letras eram decorados com traços geométricos. As inscrições nos tecidos indicam a sua procedência, repetem elogios a *Allah* e aos soberanos, ou reproduzem *suras* corânicas e poemas.","quote":"«A escrita costumava ocupar a superfície das tecidos, em franjas»."},"da37f448-7c1f-5fc6-ac49-a3a689b3f87a":{"title":"Cerimónias e passatempos cortesãos","description":"Os temas recorrentes das bailarinas, da caça e da música não constituíam meras actividades frívolas, mas eram reflexo dos prazeres e passatempos da realeza. Eram representados no que se denominava *majlis al-lahu* (espaço utilizado para as cerimónias lúdicas), e através deles se exprimia a vida do príncipe associando-a com a caça, com os banquetes e com diversões como a dança e o canto. Todas estas actividades eram muito comuns na corte sassânida, e serviam para glorificar o príncipe e enfatizar a sua grandeza.","quote":"«A vida do príncipe estava associada à caça, aos banquetes e a outros entretenimentos»."},"39c2b16b-ece0-532b-b8a3-a71ce6678645":{"title":"Guardiães dos Lugares Santos","description":"A protecção de lugares sagrados como Jerusalém por parte dos sultões foi traduzido em renovações, manutenções, restauros e doações. Na Arábia, as decisões acerca dos lugares sagrados cabiam as governadores locais, mas a autorização para construir ou levar a cabo obras era privilégio do doador. A este propósito, o compromisso dos otomanos com estes lugares significou também uma afirmação de soberania sobre as respectivas cidades.","quote":"«O compromisso otomano com os lugares sagrados significou uma afirmação de soberania sobre as respectivas cidades»."},"01a3e026-0ee5-5a3c-ada4-056b1dbede4c":{"title":"A arte mudéjar aristocrática e civil","description":"Esta atracção pelo conforto e pelo luxo dos palácios muçulmanos estendeu-se também ao resto da aristocracia, que se inspirou neles para construir e para decorar as suas residências de acordo com a nova moda, convertida num símbolo de um determinado estatuto social. A admiração por aquele estilo de vida levou-os a copiar o modelo da casa andaluza, a cobrir as paredes com altos frisos de azulejos, a multiplicar os tectos de madeira e a decorar as gessarias com motivos geométricos, vegetais e epigráficos tipicamente muçulmanos, combinados com escudos nobiliários e legendas em letra gótica. O gosto por este estilo estendeu-se a outro tipo de edifícios civis, como as universidades.","quote":"«Edifícios civis mudéjares»."},"6df85d25-d81f-566f-8e8a-02540066a550":{"title":"Turquia","description":"O processo de mudança provocado pela ocidentalização pode ser considerado como resultado da personalidade dos sultões da época e aceite como um fenómeno paralelo às suas diversas origens culturais e maneiras de pensar. Como resultado, o *Tanzimat Firman* (1839) foi promulgado implicando a aceitação dos princípios e da organização administrativa ocidentais em simultâneo com a sua implementação no sistema otomano.”","quote":"“... “Tanzimat Firman (1839) foi promulgado implicando a aceitação dos princípios e da organização administrativa ocidentais concomitante com a sua implementação no sistema otomano”"},"72236f27-2ff3-5d56-a623-02606a2fa355":{"title":"Flora e arabescos: expressões da eternidade e da unidade divina"},"ef4d7209-5b0a-59f3-aef9-3982ae097af6":{"title":"A arte fora da capital"},"8d71ce09-ebae-530f-ab2a-0c71746f1822":{"title":"As comunidades islamizadas antes e depois da conquista normanda"},"aaf61a39-17ed-561e-8fc6-7e7f983d5ddd":{"title":"Egito","description":"A degeneração económica, política e cultural que ocorreu em todas as terras otomanas durante este período pode ter sido a causa subjacente da tendência de ocidentalização que visava a reforma, e que se baseou na adaptação de algumas características e elementos da arte islâmica às influências europeias predominantes em todos os campos da arte. Os elementos ocidentalizados de edifícios e palácios ofereciam uma magnificência e opulência apreciadas pelos sultões e dirigentes otomanos, e esse estilo prevaleceu sobre os elementos islâmicos, como *muqarnas*, motivos geométricos, vegetais e epigráficos.","quote":"”Os elementos ocidentalizados de edifícios e palácios ofereciam uma magnificência e opulência apreciadas pelos sultões e dirigentes otomanos...”"},"6f47a9bf-47af-5ba5-80f4-3405332e6bed":{"title":"O sultão e a sua corte","description":"Os mamelucos estavam às ordens do sultão, um mameluco que se tinha destacado entre os seus semelhantes pelas suas aptidões e capacidade de comando. Todo o sultão mameluco, independentemente das suas ambições, tinha responsabilidades primordiais próprias do seu cargo. Era, sobretudo, líder e defensor supremo do Islão sunita (ortodoxo), protector das cidades e lugares santos do império e guardião do califado islâmico. Graças à intervenção mameluca, o califado restabeleceu-se no Cairo, em 1261, após a queda de Bagdad às mãos dos mongóis, três anos antes.","quote":"«O sultão mameluco era líder supremo do Islão, chefe do exército, estadista e mecenas das artes»."},"a558466d-1411-5f51-bb99-70959fe5d70a":{"title":"A decoração geométrica nos têxteis","description":"Predomina, na decoração dos têxteis, tecidos e tapetes, a geometria em bandas lisas, em ziguezague ou em quadrados, embora apareçam desde muito cedo representações figurativas, como as de animais heráldicos. Apesar de esquemáticos e sem modelação, podemos reconhecer neles as imagens originais que os inspiraram. Abundam, no colorido, os azuis, os amarelos e os vermelhos de diversos matizes. Também os integram fios de ouro e de prata em combinações de contrastes brilhantes. \nNos tapetes, a principal novidade é a total esquematização nas representações figurativas, até se tornarem quase irreconhecíveis. O campo divide-se, com frequência, em medalhões poligonais.","quote":"«Surgem representações figurativas, como as de animais heráldicos»."},"cd32f260-a216-5142-ba1e-9c46b541a116":{"title":"A mesquita e o palácio","description":"Após a subida ao poder dos fatimidas em 914, o califa al-Mahdi fundou Mahdia, a capital, na qual adoptou uma inovadora distribuição urbana, que reflectia a importância do califa xiita, segundo a visão fatimida do mundo; a partir de então, esta perspectiva influiu no aspecto de todas as cidades fatimidas. No coração do núcleo urbano, onde antes se encontrava a mesquita, erguia-se o palácio do califa, com vários andares e com uma esplêndida decoração. O califa, ao mesmo tempo líder político e espiritual da dinastia fatimida, ocupava agora o coração da cidade: o seu palácio encontrava-se desde então no centro da *qasbah* (alcáçova) e dominava a mesquita principal, situada perto da muralha da cidade.","quote":"«Os fatimidas adoptaram uma distribuição urbana inovadora que reflectia a importância do califa xiita»."},"cca743b1-59ef-5ca4-9e68-aacc9793e3f9":{"title":"A formação da arte islâmica","description":"Na primeira metade do século VIII, os omeias polvilharam as estepas sírias com luxuosos palácios magnificamente decorados que nos proporcionam mais informação acerca da arte islâmica nos seus momentos iniciais do que os palácios urbanos.","quote":"*«Luxuosos palácios decorados com coloridos mosaicos, frescos, estuque lavrado e painéis de mármore».*"},"8b555882-9559-52d8-ae93-cfbbd27f9bfe":{"title":"Prazeres e celebrações na corte"},"74c72f22-8df4-5152-a841-ae72115354c3":{"title":"Egito","description":"O interesse otomano pela arte europeia, especialmente pelo barroco e o rococó, teve início no século XVII. Os sultões otomanos estavam interessados em introduzir elementos europeus nas artes decorativas, noutras artes menores e no património arquitetónico como mesquitas e palácios. A adoção do estilo ocidental cresceu no Egito e noutros lugares durante os séculos XVIII e XIX, já que os otomanos gostavam de contratar arquitetos, construtores e decoradores europeus cujas construções e ornamentação esplendidamente inspiradas no barroco e no rococó, caraterizavam-se mais pelas espirais e linhas curvas do que pelas formas retas. Cornijas salientes formadas por folhas de acanto substituíram as *muqarnas* islâmicas em algumas mesquitas, palácios e *sabil* (fontes de água). Os princípios conhecidos do barroco e do rococó entraram em prática no Egito, na época uma das províncias do Império Otomano. A expedição francesa ao Egito em 1798-1801 contribuiu ainda mais para a difusão de influências europeias principalmente evidentes no Cairo, a capital.","quote":"“Os princípios conhecidos do barroco e do rococó entraram em prática no Egito, na época uma das províncias do Império Otomano.”"},"27a7074c-9378-500f-b1ed-4b1612e2a219":{"title":"A função de flores e plantas concretas","description":"Algumas flores foram muito populares e repetiram-se nas artes do mundo muçulmano. Uma das preferidas era a rosa. Segundo a tradição popular islâmica, a rosa nasceu de uma gota de suor que caiu do Profeta Maomé durante a sua viagem nocturna ao paraíso. Também simboliza a unidade de Allah, e as suas pétalas, a *Umma* ou comunidade muçulmana. Outros vêem nela um símbolo da presença do Profeta no meio dos crentes. Os seus espinhos recordam as dificuldades que os muçulmanos têm de superar na sua procura de Deus. O seu perfume antecipa o odor dos roseirais do paraíso.","quote":"«Algumas flores foram muito populares, e a rosa era uma das favoritas»."},"5ae1c986-c80f-5678-ba60-13ff1b19d638":{"title":"Em busca da baraka: a peregrinação a Jerusalém e à Palestina","description":"Seguindo os desejos do Profeta, a visita a Jerusalém dos peregrinos após o *hajj* anual converteu-se numa tradição; com esta visita, recebiam bênçãos (*baraka*) adicionais. Essa santidade de Jerusalém fez com que a cidade recebesse o cuidado e a atenção de numerosos benfeitores muçulmanos durante séculos. Califas, sultões e emires contribuíram para a manutenção de Jerusalém e dotaram-na com numerosas fundações de caridade, na esperança de receberem recompensas e perdão na outra vida.","quote":"«Jerusalém recebeu o cuidado e a atenção de numerosos benfeitores muçulmanos durante séculos»."},"7d659fcb-96c1-59dd-8424-245eaf39b9cd":{"title":"A arte andaluzo-magrebina","description":"São duas etapas de uma mesma arte baseada no rigorismo religioso, originário do Magrebe e que, ao impor-se no al-Andalus, deu unidade às manifestações artísticas de ambas as margens do estreito de Gibraltar. Inicialmente austera, foi-se tornando mais elaborada, devido à influência da arte andaluza anterior.","quote":"«Almorávidas e almóadas: uma arte magrebino-andaluza»."},"84a22b47-284c-5dd3-8bd8-63874c62d17e":{"title":"A corte","description":"Juntamente com a ostentação de riqueza, também foi característica da corte praticar um modo de vida elegante e protocolar, que incluía o costume de trocar faustosos presentes com os que eram próximos ou com os embaixadores e dignitários estrangeiros. Convertidas em expressão do poder soberano, algumas desta prendas foram um excepcional instrumento de propaganda, como o mostram as dedicatórias e os símbolos de iconografia real que as decoram. \nA procura de produtos sumptuários por parte da corte originou a criação de oficinas reais e, nas cidades, o desenvolvimento de manufacturas de luxo destinadas ao comércio.","quote":"«Os recipientes de marfim, uma prenda de excepcional valor»."},"7fdb8cb0-22ea-566f-a81b-259013b7d4a3":{"title":"Povoamento e vida doméstica"},"0b479143-91f2-528d-88e6-5a5d5ad84169":{"title":"O esplendor no vestir: o *tiraz* e os trajes da época","description":"Na corte do Cairo, o cuidado do guarda-roupa da califa e das suas peças de vestuário com *tiraz* era entregue a mulheres; estas roupas eram perfumadas com ervas aromáticas dos jardins do palácio. Existia um segundo guarda-roupa no palácio, à disposição da corte em geral. São escassas as peças de vestuário com *tiraz* e demais roupas da época que se conservam completas, mas os fragmentos que chegaram até nós sugerem que estes tecidos eram de linho ou de seda de várias cores, sendo por vezes também bordados com fios de seda. Para termos uma ideia mais concreta do aspecto das peças de vestuário com *tiraz* e das roupas da época em geral, podem observar-se algumas cerâmicas e esculturas de marfim fatimidas que mostram figuras de homens e mulheres em banquetes, a caçar ou a interpretar música; usam turbantes, mantos e túnicas, muitas delas adornadas com bandas de *tiraz.*","quote":"«São escassas as peças de vestuário com tiraz que se conservam completas, mas os fragmentos que chegaram até nós sugerem que estes tecidos se fabricavam em várias cores»."},"3dacef6f-9661-56d6-bef1-ed4eac1076a0":{"title":"A gestão da água","description":"Os conhecimentos sobre regadio permitiram aos governantes árabes expandir o seu domínio ao Mediterrâneo. Nos caravanserai havia cisternas – essenciais para viajantes, mercadores e peregrinos – e no deserto eram escavados canais para regadio; nas ribeiras construíam-se engenhos mecânicos, ao passo que nos campos mais distantes se abriam poços.","quote":"«Nos caravanserai havia cisternas, essenciais para viajantes, mercadores e peregrinos»."},"500b667f-8d91-5d1a-9be3-3d41d2538920":{"title":"A civilização da palavra","description":"Na cultura islâmica respeita-se fortemente o poder da palavra, tanto escrita como oral; por isso, em todas as sociedades islâmicas, sejam ou não arabófonas, se prestou especial atenção à oratória e à escrita. Isto fez com que se tenha valorizado a arte da caligrafia – literalmente «formosa escrita» –, o que, por sua vez, fomentou a sua aplicação em diversos suportes para uso religioso e laico. A caligrafia está presente na arquitectura, nos livros, nas moedas e outros objectos metálicos, nos documentos oficiais e nos *tiraz*, na cerâmica, na madeira, no marfim, na pedra, no vidro e em praticamente todos os materiais imagináveis.","quote":"«A caligrafia está presente em praticamente todos os materiais imagináveis»."},"647c6643-4c92-5053-a855-7bc6c0f2444a":{"title":"A caligrafia árabe","description":"«Deus disse ao Profeta: “Recita! Tu Senhor és munificente, que por meio do cálamo ensinaste ao homem o que ele não sabia” (Alcorão, 96: 2-5.)».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nNoorah AL-GAILANI, Glasgow \nDina BAKKOUR, Damascus \nJamila BINOUS, Tunis \nAicha BENABET, Tunis \nElsayed HAMAD, Cairo \nTaha KHECHINE, Kairouan \nMourad RAMMAH, Kairouan \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nSaloua ZANGAR, Tunis \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"A palavra, pronunciada ou escrita, é o centro da civilização islâmica, daí que a caligrafia seja um elemento capital na arte islâmica. O Islão nasceu com a revelação das palavras de Deus ao profeta Muhammad (571-632), palavras que constituíram o Alcorão, livro sagrado do Islão. Desde o início, o Profeta e os seus seguidores estimularam a comunidade muçulmana a dominar a leitura e a escrita. Umar ibn al-Jattab, segundo califa após a morte do Profeta, costumava dizer: «A melhor escrita é a mais clara e a escrita clara é a melhor». Ali, o quarto califa, afirmava: «Com boa escrita, a verdade é mais clara». Este cuidado pela perfeição da escrita estimulou a excelência da caligrafia. \nOs primeiros califas dedicaram-se a reunir e a preservar as revelações corânicas num livro definitivo. Para isso contrataram escribas e, à medida que o Estado islâmico se foi expandindo para fora da Arábia, foi necessário distribuir pelas diferentes regiões cópias do Alcorão, definitivas e aprovadas. Era essencial que a cópia fosse exacta, cuidando-se com esmero a qualidade material dos livros para garantir a sua longevidade. O cumprimento destes requisitos e a posterior introdução da tecnologia de fabrico de papel no Próximo Oriente potenciaram a produção de manuscritos em todo o mundo islâmico. \nA arabização dos sistemas político e administrativo do crescente império islâmico durante o califado do omeia Abd al-Malik ibn Marwan (685–707) influiu de forma notável no desenvolvimento da caligrafia árabe. Fora do mundo de idioma árabe, outras regiões e povos islâmicos começaram a usar o alfabeto árabe para escreverem nas suas próprias línguas. Os idiomas persa, turco e, mais tarde, urdu adaptaram os estilos caligráficos árabes às suas necessidades e gostos artísticos.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/arabic_calligraphy/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/19/portal_image/1.jpg","display_order":11}}},"94a60eaa-c709-51fa-b5cd-f7f16a0f40a8":{"title":"Tunísia"},"4bc22fb3-22f6-5931-bd3d-965aeb5ee21f":{"title":"O Egipto abássida","description":"À medida que os abássidas tiveram que enfrentar revoltas no Sul do Iraque e em regiões mais a oriente, diminuíram a sua atenção em relação ao que se passava no Egipto, pelo que Ibn Tulun se tornou cada vez mais autónomo. Cunhou moeda e expandiu o seu território em direcção à Síria e à Palestina. Quando os abássidas quiseram travá-lo, proibiu que se rezasse em nome do califa abássida na oração de sexta-feira e removeu o nome do califa dos *tiraz*. Este período de independência e controlo sobre a região propiciou, contudo, uma certa estabilidade e prosperidade no Egipto. Muitos poetas, cientistas e artesãos acorreram a Fustat. Após a morte de Ibn Tulun (884), o seu filho, dois netos e um irmão sucederam-lhe, antes que os abássidas conseguissem retomar o domínio do Egipto em 905.","quote":"«Este período de independência e controlo sobre a região propiciou uma certa estabilidade e prosperidade no Egipto»."},"e5a16576-99a6-59e3-b60e-463525d95dd9":{"title":"Em busca da baraka: a peregrinação a Jerusalém e à Palestina"},"4a887d81-bba5-56d2-aa88-42a28d04c83a":{"title":"As escolas de caligrafia","description":"A caligrafia árabe foi usada numa multiplicidade de suportes, por exemplo o pergaminho e o papel. Os calígrafos preparavam os seus compostos de tinta e cortavam os seus próprios cálamos. As inscrições tratavam temas variados. Embora a caligrafia fosse uma profissão, os particulares também a praticavam, independentemente do estrato social a que pertenciam. Nas sociedades islâmicas, as obras caligráficas dos grandes mestres tratavam-se com grande respeito, e coleccionavam-se e conservavam-se como tesouros culturais.","quote":"«Os calígrafos preparavam os seus compostos de tinta e cortavam os seus próprios cálamos»."},"47d7f8f6-10ef-57a4-b7b8-cfe315a78fb3":{"title":"Saladino na Terra Santa","description":"As zonas ocidentais do Levante, que desempenharam um papel vital durante as Cruzadas, estão polvilhadas de castelos; são disso bons exemplos os castelos de Karak e de Shawbak. Os castelos mudaram várias vezes de mãos, entre cruzados e muçulmanos. Os soldados de Saladino, depois de ganharem a batalha de Hittin, tomaram várias fortalezas francas, incluindo as de Karak e de Shawbak, anteriormente mencionadas. Os sucessores ayyubidas de Saladino ampliaram estes castelos, tal como fizeram depois os mamelucos nos séculos XIII e XIV. Na construção das fortalezas participaram francos e muçulmanos, pelo que se torna difícil determinar com segurança a quem se deve cada elemento arquitectónico. De qualquer maneira, é evidente que os francos levaram nova tecnologia militar para o Levante e que por sua vez aprenderam algumas técnicas próprias das estruturas islâmicas.","quote":"«Os castelos mudaram várias vezes de mãos, entre cruzados e muçulmanos»."},"f8ba8b16-3482-51fa-a0f4-ba6003540b9d":{"title":"Espaços do poder: as construções palatinas","description":"Depois de se tornar independente do califado do Oriente, a concentração do poder político e religioso nos novos soberanos estimulou o desejo de emular os seus homólogos orientais com a construção de luxuosos conjuntos palatinos. Quase todos os soberanos fizeram uso desta atribuição exclusiva e construíram espaços para sede do poder, para si mesmos ou para os seus governadores. \nHabitualmente, os conjuntos palatinos localizavam-se fora das cidades, ao jeito de magníficas «cidades palatinas» amuralhadas, ou na própria cidade, na sua parte mais alta, embora dela separados por uma muralha. Estas «alcáçovas palatinas» serviram para dominar a população urbana e para defender os órgãos vitais do poder.","quote":"«O conjunto palatino, um recinto amuralhado»."},"3ef8c668-699a-5cd8-80dc-b34b51eb0c56":{"title":"Al-Raqqa, capital do califa Harun al-Rashid na Síria","description":"As cidades gémeas sírias de al-Raqqa e al-Rafiqa encontram-se nas margens do Eufrates, num caminho estratégico para o comércio, o correio e a peregrinação que unia as partes ocidental e oriental do império. Embora a história de Raqqa remonte a tempos pré-históricos, a cidade adquiriu importância no primeiro período abássida, quando, em 770, o califa Abu Jafar al-Mansur (r. 754-775) ali passou e ficou encantado com a sua localização e o seu ambiente agradável. Decidiu construir junto a ela uma cidade palatina fortificada que baptizou com o nome de al-Rafiqa e que se converteu na residência estival da corte abássida de Bagdad, assim como no seu refúgio nos períodos de instabilidade política.","quote":"«Al-Rafiqa (al-Raqqa) converteu-se na residência estival da corte abássida de Bagdad»."},"d3c09fd8-614a-5317-a73b-07bb96f5d57c":{"title":"Saladino na Terra Santa"},"38f5d49f-e4cd-5dbc-9056-b930d8d46019":{"title":"A viagem de um minbar","description":"O *minbar* foi instalado num novo lugar, a prestigiosa mesquita de al-Ibrahimi em Hebron, que deve o seu renome ao facto de nela descansarem os restos mortais de vários profetas bíblicos, entre os quais Abraão, Isaac e Jacob. A mesquita é também sagrada para os muçulmanos porque, segundo a fé islâmica, Abraão é o pai de todos os profetas, cujos passos o profeta Muhammad se sentiu estimulado a seguir.","quote":"«O minbar foi instalado num novo lugar, a prestigiosa mesquita de al-Ibrahimi em Hebron»."},"5d8d84b8-9df4-5581-af50-feecdace83f5":{"title":"As comunidades islamizadas antes e depois da conquista normanda","description":"O período árabe da Sicília teve, de qualquer forma, uma duração muito maior no que respeita à permanência de modos de habitar e de conviver e ao uso de lugares ligados aos costumes e rituais dos tempos de domínio islâmico da ilha. Os restos de tecido urbano que se observam sobretudo nas pequenas vilas apresentam uma morfologia – exceptuando a configuração do património edilício, entretanto modificada – similar à das cidades magrebinas. Este facto comprova o contributo islâmico para o urbanismo da ilha.","quote":"«O período árabe da Sicília teve uma duração muito maior no que respeita à permanência de costumes e à reutilização de lugares na época normanda»."},"9da4357e-97c6-5bd4-aadd-f2077c7eccf0":{"title":"Viagens e comércio","description":"Sob a liderança dos atabegs e dos ayyubidas, as cidades da Síria e Yazira converteram-se em importantes núcleos políticos, económicos e culturais. Soldados, estudantes, comerciantes e artesãos sentiram-se atraídos pela região e transformaram-na num vibrante eixo social para árabes, persas, turcos e curdos. Isto deu lugar a uma rica sociedade multiétnica e plurilingue.","quote":"«Soldados, estudantes, comerciantes e artesãos sentiram-se atraídos pela região»."},"343819d8-e720-529d-a3f2-a9d6277501c0":{"title":"A representação de animais","description":"A representação de animais teve lugar em muitas artes (mosaicos, pintura, escultura, arquitectura) e sobre uma grande variedade de materiais, embora os mais frequentes tenham sido a pedra, a cerâmica, o metal, a madeira e o marfim. Representavam-se tanto animais domésticos como selvagens: touros, cavalos, camelos a trotar, gazelas, onagros, cervos, pombos, águias, cegonhas, serpentes, coelhos, macacos, gatos e leões. Os animais míticos como as harpias, os unicórnios, os pégasos e os grifos tinham origem na tradição greco-romana.","quote":"«Os animais míticos como as harpias, os unicórnios, os pégasos e os grifos tinham origem na tradição greco-romana»."},"dfd16be7-b25b-5454-8dba-80cf0cda47b8":{"title":"A gestão da água","description":"Para suportar a aridez, era fundamental conceber métodos de canalização da água das fontes e de recolha da chuva tendo em vista a sua utilização. Isto era especialmente importante nas rotas de peregrinação, ao longo das quais havia *khan*, caravanserai e *wikala*; o governante muçulmano devia garantir o abastecimento de água nestes locais de paragem, assim como a segurança nas viagens aos lugares sagrados.","quote":"«Era fundamental a concepção de métodos de canalização da água das fontes e de recolha da da chuva»."},"94130d65-0910-5b0b-a913-78dfa23191b4":{"title":"A Terra Santa das três religiões"},"61bd4ed5-85c4-5ab9-88e8-0e600ef3d9cd":{"title":"Ofícios mudéjares","description":"A população mudéjar incorporada na sociedade cristã trouxe a esta os seus conhecimentos técnicos, a maioria dos quais transmitidos desde a Antiguidade. A importância dos ofícios exercidos pelos mudéjares fez com que estes fossem factor importante de desenvolvimento económico dos novos reinos peninsulares e que a sua influência se fizesse também sentir nos regulamentos dos ofícios e grémios que datam deste período. Destacaram-se nos ofícios relacionados com a construção, especialmente na alvenaria e na gessaria. Os primeiros encarregavam-se da parte estrutural em tijoleira, depois de feitas as fundações e antes do revestimento e estucamento dos muros, trabalho feito pelos segundos. Foram também hábeis carpinteiros, metalúrgicos, oleiros e tecelões.","quote":"«Os artesãos mudéjares foram muito apreciados pela sua habilidade em múltiplos ofícios»."},"79e2b8e9-7cfa-5332-82b0-542b14234df5":{"title":"Cerimónias e passatempos cortesãos"},"eddac8a0-9c6b-5866-bceb-4f157fa5a04a":{"title":"Guerra e equitação"},"81a769fe-d87f-5009-a3e9-568e47eae420":{"title":"A mesquita e o palácio"},"e26df9ee-c3ec-50ad-8f99-5e7f98714dba":{"title":"A capital otomana: Istambul","description":"O sultão Mehmed II, que mereceu o nome de *Fatih* (Conquistador) pela sua vitória em Constantinopla, influiu enormemente no desenvolvimento da cidade. Iniciou a sua reconstrução, aumentou a sua população e estimulou o comércio. O palácio Topkapı, os bazares (*khan)* e os canais iniciados por Mehmed II continuaram a ser construídos sob orientação dos sultões seguintes. Os otomanos levaram ao seu auge «a cidade levantada sobre sete colinas» com complexos arquitectónicos e adornaram as suas ruas com fontes. Ergueram-se muitos edifícios comerciais, civis e militares para responder às necessidades de uma sociedade em crescimento.","quote":"«Os otomanos levaram ao seu auge “a cidade levantada sobre sete colinas” com complexos arquitectónicos e adornaram as suas ruas com fontes»."},"3a33eeec-8d4a-5425-b4d3-875f171e5011":{"title":"O uso da água para consumo e higiene","description":"A água era fervida, tanto para cozinhar como para outros usos, em grandes caldeiros de metal com três pés ou em recipientes mais pequenos com pés metálicos. Os guisados e as sopas eram preparados num caldeiro, mas para os servir e comer eram passados para taças em metal ou cerâmica vidrada. A água era bebida em copos de vidro com adornos esculpidos, moldados, esmaltados ou dourados. Era ainda mantida fresca e limpa em jarras de cerâmica sem vidrado, com filtros decorados no gargalo; o material poroso impregnava-se de água e, ao permitir que o ar circulasse, mantinha fresco o conteúdo.","quote":"«A água era mantida fresca e limpa em jarras de cerâmica sem vidrado, com filtros decorados»."},"25920ee3-8f72-5764-8504-8c11dfeff2db":{"title":"O Sagrado Alcorão","description":"A estrutura do Alcorão segue um sistema fixo de marcas que indicam o título da *sura* e o número da *aleia*. Enquanto que nas cópias mais elaboradas do Alcorão as marcas eram magnificamente decoradas, nas versões mais económicas eram muito simples. Na ornamentação das páginas dos títulos, dos início das suras e das aleias usavam-se com generosidade o ouro e outros pigmentos. Os manuscritos corânicos copiavam-se em diversos estilos caligráficos árabes, como o cúfico, o *naskhi* e o *thuluth*. O Alcorão em vários tomos era dividido em duas, quatro ou trinta partes, seguindo uma convenção estabelecida. Encadernavam-se com capas de grande qualidade e guardavam-se em caixas ou cofres de bela execução. Também se fabricavam estantes especiais para ter aberto o Alcorão, o que permitia mostrá-lo e recitá-lo mais facilmente.","quote":"«O Alcorão em vários tomos era dividido em duas, quatro ou trinta partes, seguindo uma convenção estabelecida»."},"bc7fb8be-cdce-5445-b548-ff8fbfd12324":{"title":"Ciência e saber","description":"No Ocidente muçulmano, a investigação e o conhecimento das ciências puras e aplicadas foram fomentados. De entre estas últimas destacaram-se, nos tempos do califado de Córdova, a medicina, a cirurgia, a farmacopeia e a veterinária, com figuras tão distintas como Abulcasis ou Ibn Baitar, autores de enciclopédias.","quote":"«Ciências aplicadas»."},"aa67e1af-35cc-5e7a-99e2-d1870c0b4ca7":{"title":"Dois sultões mamelucos contra os francos","description":"Embora a dinastia ayyubida (1169-1260) tenha posto um grande empenho em expulsar totalmente os francos do Levante, não o conseguiu. Após mais cinquenta anos de lutas, foram os mamelucos do Egipto que por fim expulsaram os francos da Terra Santa e da costa síria.","quote":"«Foram os mamelucos do Egipto que por fim expulsaram os francos da Terra Santa»."},"b1e5cc51-1bae-53e9-9ca7-b41d062600ac":{"title":"Arte turco-islâmica na Anatólia pré-otomana","description":"Na decoração arquitectónica, os seljúcidas de Anatólia usavam fundamentalmente os azulejos, a pedra, a madeira e o gesso. A influência islâmica favoreceu a difusão dos motivos geométricos e as inscrições na decoração dos edifícios religiosos, mas também se utilizou muito a figuração, sobretudo nos palácios. Uma grande capacidade de observação e uma imaginação vívida produziram um mundo de representações humanas, animais e de criaturas místico-propiciatórias, o que contradiz a crença de que a representação figurativa era proibida na arte islâmica.","quote":"«Uma grande capacidade de observação e uma imaginação vívida produziram um mundo de representações humanas, animais e de criaturas místico-propiciatórias»."},"906067fa-11f7-54b0-a094-74a0bbde97ff":{"title":"O Cairo, Damasco e Jerusalém, centros da vida intelectual","description":"Como sede do califado, o Cairo esteve à cabeça do ensino islâmico e dos avanços intelectuais. As suas instituições religiosas, entre as quais se destacam a universidade de al-Azhar e o complexo do sultão Hasan, recebiam generosas doações (*waqf*) dos sultões e dos altos funcionários, com as quais financiavam os estudos religiosos sunitas e das ciências, sobretudo da medicina. Por exemplo, o modelar hospital (*bimaristan*) do sultão Qalawun, no Cairo, construído em 1284, dispunha de instalações onde se ensinavam disciplinas como a cirurgia e a oftalmologia, e de cem camas para doentes, uma completa biblioteca e uma farmácia.","quote":"«No bimaristan do sultão Qalawun ensinavam-se disciplinas como a cirurgia e a oftalmologia»."},"ecdac084-8c2d-5ed0-b7b0-f96e5e40a7a1":{"title":"Espaços do poder: as construções palatinas","description":"Na oficina de cunhagem palatina e nas das cidades que tiveram esse privilégio real, cunhou-se a moeda que proporcionava ao soberano o controlo da produção do dinheiro necessário para os pagamentos regulares ao exército e aos funcionários, que garantiam o funcionamento do Estado. \nA moeda era um dos símbolos mais evidentes do poder do soberano, porque a qualidade e a pureza do metal nobre eram indício da força económica e política da autoridade real.","quote":"«A casa da moeda, controlo económico e símbolo do poder»."},"ab61d1b6-fc37-59e8-a3b2-262f917d2f6e":{"title":"Coexistência das três culturas","description":"Da Tunísia ao Algarve português não faltam provas da presença de cristãos em terras muçulmanas. Esta convivência, propiciada pela actividade comercial, deu-se mais nas cidades do que nos campos. Por vezes, as comunidades cristãs tiveram algum poder e dispuseram da necessária capacidade económica para custearem refinados trabalhos artísticos. \nAs comunidades judaicas que viviam no Ocidente muçulmano antes da chegada do Islão coabitaram com os muçulmanos em bairros próprios, desempenhando tarefas administrativas e artesanais, e participando na vida social e económica.","quote":"«Cristãos e judeus em terras muçulmanas»."},"502462bc-e227-5ed9-b9ed-e3c4625d085e":{"title":"As artes decorativas","description":"O período fatimida trouxe consigo um novo esplendor nas artes menores, tanto em qualidade como em quantidade. Havia artesãos muito qualificados que criavam refinados objectos com diferentes materiais, a fim de responderem às expectativas de uma clientela diversificada, com origem tanto nos círculos reais como nas cidades. \nOs objectos mais requintados estavam reservados à corte fatimida. Príncipes e cortesãos competiam pela posse de recipientes talhados no valorizado cristal de rocha importado. O vidro também era popular e, graças ao mecenato fatimida, a indústria de Fustat foi capaz de aplicar as tecnologias mais avançadas no soprado, moldado, cortado e gravado desse material.","quote":"«O período fatimida trouxe consigo um novo esplendor nas artes menores, tanto em qualidade como em quantidade»."},"7200b864-706c-5b6f-b1a4-7bcfad4e72c5":{"title":"A caligrafia monumental","description":"Na arquitectura, as inscrições caligráficas cumpriam duas funções principais: no contexto religioso, reafirmar a autoridade do Islão; no político, propiciar a criação de um novo Estado baseado nos valores da doutrina religiosa dominante. A partir do século IX, as inscrições arquitectónicas generalizaram-se no mundo islâmico, onde eram usadas para complementar a função do edifício. Nas mesquitas e demais edifícios religiosos viam-se *aleias* corânicas e louvores a Deus, assim como inscrições com as datas de construção e informação sobre o mecenato do imóvel; o objectivo era passar à posteridade, talvez com fins piedosos ou políticos. Nos edifícios oficiais figuravam por vezes a data de construção e os nomes do arquitecto e dos artesãos responsáveis, mas tinham especial importância as inscrições que faziam referência ao patrocínio de um determinado califa, governante ou mecenas, uma vez que a intenção era demonstrar expressamente o seu poder e benevolência. Desenvolveram-se também vários estilos caligráficos por razões meramente estéticas, o que passou a ser uma especificidade da caligrafia arábica. A legibilidade das inscrições, contudo, foi sempre considerada tão importante como o seu valor estético.","quote":"«Desenvolveram-se vários estilos caligráficos por razões meramente estéticas»."},"00a9f1ac-ad56-56fb-b46c-95f05a196c8c":{"title":"A arte mudéjar popular e religiosa"},"8b2c362e-437e-54a1-8dd6-250b89aa0eb5":{"title":"Explore Islamic Art Collections"},"e89dae11-6238-53a2-838c-8433b2388478":{"title":"A cerâmica mudéjar"},"f78b948c-3d4a-57bd-8aa5-5da02d955c9a":{"title":"As artes decorativas","description":"O trabalho em madeira do período fatimida caracteriza-se pela sua complexa técnica de alto-relevo e pelo vigor dos motivos, frequentemente figurativos, executados em diferentes madeiras, locais e importadas. Ocasionalmente, os painéis acabados eram pintados, envernizados e tratados para melhor resistirem ao fogo. Por vezes, as portas de madeira eram cobertas com lâminas de cobre decoradas. Também se trabalhavam o marfim e outros tipos de osso, usavando-os como incrustações em diversos objectos. \nA prosperidade material do período fatimida também se reflectiu na cunhagem de moedas: dinares de ouro, dirhams de prata e felces de cobre fatimidas circularam abundantemente. O valor exacto destas moedas era medido com pesos de vidro gravados com o valor correspondente e com o nome do governante.","quote":"«A prosperidade material do período fatimida também se reflectiu na cunhagem de moedas»."},"07659934-a88a-585a-8ef8-22be0a77afbe":{"title":"Síria","description":"As influências ocidentais também marcaram a imagem da cidade. As cidades islâmicas sempre distinguiram entre espaços privados e públicos, sendo o privado a residência e o público designado para o trabalho ,o *suq* ou para o culto, a mesquita. Agora, no entanto, as residências tinham janelas maiores, mesmo nas paredes externas, e às vezes um terraço, como em Mashfa al-Ghuraba. A adoção da praça pública, criada para exibir emblemas de estado que se desenvolveram na Europa, é evidente na Praça Marjeh, localizada fora das antigas muralhas da cidade de Damasco, e que se tornou o centro moderno da cidade, marcado por um grande pilar central. \n \nA estação ferroviária de Hijaz é um dos edifícios mais bonitos da Damasco atual. Foi patrocinada por um rico damasceno e projetada por um arquiteto espanhol com influência da arte andaluza. Os trabalhadores alemães, que originalmente trouxeram a indústria ferroviária para os otomanos como parte de sua aliança política, provavelmente construíram o sistema ferroviário.","quote":"“As influências ocidentais também marcaram a imagem da cidade.”"},"1ec4779d-2e05-51bf-b099-64943deec02c":{"title":"A escrita cúfica","description":"Os calígrafos esmeraram-se por embelezar os caracteres cúficos com adornos, que chegaram a constituir uma autêntica gama de motivos. Com o tempo, a decoração passou a ser mais elaborada e complexa. Nos inícios do século X, os caracteres cúficos foram adornados com caules e folhas que formavam uma elaborada e densa vegetação: este estilo é conhecido como «cúfico florido».","quote":"«Os caracteres cúficos foram adornados com caules e folhas que formavam uma elaborada e densa vegetação»."},"ce66627b-ff4a-54f2-8878-1023a2f1743f":{"title":"A formação da arte islâmica","description":"Nesta fase de formação não pode falar-se propriamente de uma arte islâmica bem definida, mas sim da justaposição e de combinação inovadora de diversos estilos e de motivos decorativos bebidos em diferentes tradições artísticas, que produziram resultados muito notáveis e originais. A arte eclética deste período inicial difere da que se desenvolveu nos séculos posteriores; carece da predilecção pelos desenhos abstractos e infinitos tão característicos da arte islâmica posterior. A arte islâmica na sua fase inicial deve considerar-se como uma continuação da arte da Antiguidade Tardia, dos séculos IV-VI.","quote":"«Justaposição e combinação de estilos decorativos tomados de diferentes tradições artísticas»."},"32488c74-a58c-5fa9-b361-a3daf955e17a":{"title":"A formação da arte islâmica","description":"As rápidas conquistas árabo-muçulmanas acabaram com as barreiras políticas que existiam entre o Irão e a Mesopotâmia, de um lado, e o mundo mediterrânico, do outro. Desta maneira foi possível combinar os recursos de duas diferentes civilizações. A instauração da dinastia omeia na Síria, uma província profundamente helenizada durante o milénio anterior, implicou o predomínio da influência artística clássica, ou, melhor, da influência clássica transformada pela tradição provincial oriental.","quote":"*«Foi possível combinar os recursos de duas diferentes civilizações».*"},"b47b44b8-f4c5-57ff-b813-46c5b0f3fb22":{"title":"A mesquita, espaço de oração","description":"O pátio que antecede a sala de orações é um espaço descoberto e porticado ao qual se acede a partir da rua. É aí que o crente se prepara para a oração, purificando o corpo mediante as abluções rituais, do mesmo modo que irá purificar a alma rezando. É também, e tal como a sala de orações, um lugar de encontro da comunidade.","quote":"«O pátio»."},"607ac3c1-0180-5845-a8cc-ed6170965418":{"title":"Viagens e comércio","description":"Os mercadores e os viajantes difundiram tanto ideias artísticas como mercadorias e proporcionaram a transmissão dos padrões e das técnicas de cerâmica, dos metais, de vidro e dos tecidos de uma cidade para outra. A técnica do reflexo metálico começou a utilizar-se na Síria no século XII, provavelmente trazida por oleiros que emigraram do Egipto fatimida, embora tenha tido origem no Iraque, no século IX. De igual modo, os artesãos persas de Khurasan, que fugiam das invasões mongóis do século XIII, trouxeram os seus conhecimentos de metais tauxiados para Mosul, no Norte do Iraque. As rotas comerciais também proporcionaram a transmissão de motivos, técnicas e estilos chineses.","quote":"«Os mercadores e os viajantes difundiram tanto ideias artísticas como mercadorias»."},"ca0dc59b-60b3-560e-8e70-93208a08246a":{"title":"As jóias: riqueza, prestígio e protecção","description":"No Ocidente islâmico medieval era costume o noivo entregar à noiva uma prenda de casamento que consistia em jóias, roupas e cosméticos para que se preparasse como convinha às celebrações nupciais, que duravam vários dias. Também o pai da noiva lhe emprestava jóias, que deviam ser devolvidas quando a boda acabasse, para que estivesse adornada quando aparecesse em público, \nA boda começava com a visita das mulheres da família à noiva que, penteada e vestida especialmente para a ocasião, e tão cheia de jóias como a posição económica do noivo e da família o permitisse, recebia as felicitações impassível, como uma imagem no trono ou lugar de honra.","quote":"«Prenda de casamento»."},"aaa18cdd-a5f0-52cf-9e64-9676401e300e":{"title":"As *madrasas* e a educação","description":"Os hospitais *(bimaristan*) eram importantes centros de aprendizagem científica. O viajante andaluz Ibn Jubayr ficou muito impressionado com o recém-construído *bimaristan* Nur al-Din de Damasco, que, observou, era ao mesmo tempo um lugar de tratamento e uma escola médica dotada de uma biblioteca muito completa; também descreve o «relógio de água de tic-tac» que viu na Mesquita Omeia. Abu al-Fadl Muhammad ibn Abd al-Karim al-Hariti, conhecido como al-Muhandis («o Geómetra»), foi um médico residente do hospital e também um estudioso de talento. Foi ele que desenhou a escultura geométrica da porta do *bimaristan* e quem reparou o relógio mecânico da Mesquita Omeia.","quote":"«O bimaristan Nur al-Din era ao mesmo tempo um lugar de tratamento e uma escola médica dotada de uma biblioteca muito completa»."},"75215c23-1bf5-590c-8e80-8ff32da4e273":{"title":"Guerra e equitação","description":"Nesta época, os cavalos eram indispensáveis tanto para viajar como no campo de batalha. A maioria dos mais apreciados cavalos do exército eram provenientes da Ásia Central, trazidos por aguerridos combatentes turcos, cuja experiência como cavaleiros foi crucial para o sucesso militar de Nur al-Din e de Saladino. Uma conhecida técnica dos turcos era a de carregar contra os inimigos, dar a volta no último momento e disparar uma flecha enquanto empreendiam a fuga. Combinando velocidade e destreza equestre, esta táctica deu-lhes enorme vantagem face aos francos durante as Cruzadas.","quote":"«A maioria dos mais apreciados cavalos do exército eram provenientes da Ásia Central, trazidos por aguerridos combatentes turcos»."},"d0420e12-6207-5772-b8f0-9c22f7f604c4":{"title":"Os mamelucos no mundo: a diplomacia e o comércio internacional","description":"Os artesãos não demoraram a absorver as muitas influências que chegavam do Oriente e do Ocidente. Deve ser destacada a evolução na produção de exemplares do Alcorão. Da colaboração entre calígrafos, iluminadores e encadernadores nasceram fantásticos manuscritos que davam resposta digna às aspirações religiosas do sultanato mameluco. Nos metais foram criadas peças espectaculares com incrustações, frequentemente muito elaboradas, que se destinavam ao mercado nacional e à exportação. Alguns artigos eram feitos por encomenda de clientes particulares estrangeiros.","quote":"«Os artesãos não demoraram a absorver as influências que chegavam do Oriente e do Ocidente»."},"1935df49-d16b-562f-8737-07f9354ede4c":{"title":"O palácio e as artes"},"9bff6ece-d3d2-5f2a-b7cc-fb1f33c3e113":{"title":"Patrocínio oficial"},"968db63b-b20a-5f2d-94c5-02edf7fd6fea":{"title":"A cultura dos prazeres da mesa"},"5739384e-e163-5d92-a390-a28d4233a917":{"title":"O *haraam* de Meca e a Kaaba","description":"A Kaaba é a *qibla* (direcção da oração) do Islão. É, também, o coração do *hajj*, uma vez que quem visita o *haram* de Meca deve rodeá-la sete vezes como parte do ritual da peregrinação. A Kaaba tem diversos nomes na tradição islâmica: al-Masjid al-Haram (Sagrada Mesquita, em referência à mesquita situada no interior do recinto) e al-Bayt al-Atiq (a Casa Antiga), entre outros. É formada por uma estrutura quase quadrada: a sua face norte mede 9,29 m, a do oeste 12,15, a do sul 10,25 e a oriental 11,88 m. Tem 15 m. de altura e uma só porta de acesso na face este, a 2 m. de altura.","quote":"«A Kaaba é a qibla (direcção da oração) do Islão»."},"12656ec4-68b3-5425-9a1d-71e4735a5c19":{"title":"A decoração geométrica na arquitectura","description":"Também os tectos foram decorados com motivos geométricos, policromáticos e dourados, que têm sido interpretados como a representação da abóbada celeste. Isto constata-se bem nas abóbadas de mucarnas, cuja laçaria parte de uma estrela central que vai crescendo até ocupar todo o espaço.","quote":"«Têm sido interpretados como a representação da abóbada celeste»."},"12faaae8-0400-53bd-ba84-f5e66e0027ef":{"title":"Ecos do paraíso: jardins e flora na arte islâmica","description":"«Na civilização islâmica, o jardim e a sua vegetação foram sempre símbolos da beleza da criação divina e da al-yanna, o paraíso islâmico».","extra":{"credits":"Curators & authors \nSule AKSOY, Istanbul \nSevinç GÖK, Izmir \nAlev ÖZAY, Istanbul \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \nSevgi KUTLUAY, Istanbul \nInci KUYULU ERSOY, Izmir \nSeracettin SAHIN, Istanbul \nCihat SOYHAN, Istanbul \nGönül TEKELI, Istanbul \nInci TURKOGLU, Istanbul \nFriederike VOIGT, Stockholm/Berlin \nBarry WOOD, London \n \nCoordination \nInci KUYULU ERSOY, Izmir \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Na história da civilização islâmica, o conceito do jardim e da sua vegetação sempre tiveram particular significado. É certo que isso se deve, em parte, às paisagens áridas em que vivia a maioria dos muçulmanos: rodeados por imponentes desertos e fustigados pelo calor, apreciaram desde sempre o efeito tranquilizador da água correndo, a verdura dos esporádicos oásis ou o colorido da vegetação de jardins artificiais e amuralhados, mantidos com uma muito precisa tecnologia da água. Em todo o mundo islâmico, da Península Ibérica à Índia, dirigentes e elites investiram em luxuosos jardins, situados no centro dos seus complexos palatinos como parte integrante da vida cerimonial da corte. Esses deliciosos jardins eram um luxo invejado, mas tinham também uma dimensão espiritual, ao serem pensados para evocar a exuberante e refrescante vegetação da *al-yanna,* o paraíso islâmico. Com efeito, a forma como eram utilizados reflectia frequentemente as cenas do paraíso descritas no Alcorão, e muitos deles tinham nomes que sublinhavam o simbolismo paradisíaco. Numerosas descrições no Alcorão e na literatura islâmica versam sobre a sua organização, as suas flores, as plantas e as árvores. \nDada a paixão pelas visões paradisíacas, não surpreende que os jardins e a sua rica flora tenham sido desde sempre um tema central nas culturas muçulmanas e na sua arte. Mesquitas, madrasas e mausoléus reais estavam habitualmente localizados num ambiente ajardinado que evocava o paraíso, o que era realçado por referências artísticas a luxuosos jardins floridos. Nas artes decorativas podemos encontrar referências tanto a jardins como a plantas e a flores concretas, frequentemente escolhidas – para além da sua beleza ou utilidade – pelo seu significado poético ou religioso. Quando as flores não são representadas com realismo, intrincados arabescos formados por padrões completamente simétricos de ondulantes caules e folhas ou palmetas partidas convidam à reflexão sobre o processo cósmico da criação e da unidade divina subjacente à infinita diversidade do mundo material.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/floral/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/28/portal_image/1.jpg","display_order":13}}},"0be6d6e8-2fed-5e4f-b410-0a54ef0ed999":{"title":"As *madrasas* e a educação","description":"As ciências eram ensinadas juntamente com noções religiosas e linguísticas, e a sofisticada arte dos metais decorativa dos instrumentos comprova o desenvolvimentos das disciplinas científicas. Os astrolábios e as esferas celestes eram fundamentais para a leitura exacta das constelações. Na prática da geomância eram usados instrumentos especialmente concebidos para predizer o futuro. O brilhante engenheiro mecânico Abu al-Izz Ismail al-Yazari disfrutou do mecenato da corte artuquida de Diyarbakir, em 1206, para escrever um livro ilustrado sobre engenharia hidráulica e mecânica.","quote":"«A arte dos metais decorativa dos instrumentos comprova o desenvolvimentos das disciplinas científicas»."},"68eb0582-4a1d-5233-92af-cfac47f86d57":{"title":"As lápides funerárias, memória na pedra"},"cc1b1d0f-11e9-5198-addd-247752f7c5b8":{"title":"A arte nos espaços de oração","description":"Dois traços distinguem as mesquitas otomanas, projectadas geralmente pelos arquitectos imperiais seguidores de uma peculiar filosofia, traduzida na existência de um espaço único debaixo de uma cúpula, onde todo a gente reza de forma igualitária. A cúpula simboliza o universo eterno, e o *mihrab*, a presença do Profeta como dirigente da oração. Com o objectivo de que estes dois conceitos se tornassem evidentes, bem como para fazer uso da estética islâmica, escreviam-se versículos do Alcorão na cúpula e no tambor, ao passo que o *mihrab* era decorado com opulência. Os muros eram embelezados com azulejos ou pintados com desenhos geométricos, que simbolizavam a eternidade de Deus, e com desenhos florais, que representavam os jardins do paraíso.","quote":"«A cúpula simboliza o universo eterno e o mihrab, a presença do Profeta como dirigente da oração»."},"4525acaf-2e58-57ae-aa47-33e20171397d":{"title":"O uso da água para consumo e higiene"},"ea3faf2c-86c3-553a-b331-7ddd3ee15aec":{"title":"Povoamento e vida doméstica","description":"No Ocidente muçulmano, o povoamento organizou-se em cidades e alcarias rurais. Estes tipos de habitat partilham características especiais que decorrem da sábia adaptação dos materiais e das técnicas de construção a um meio ambiente seco e quente. \nA cidade tinha uma estrutura complexa, composta por: \na) Um núcleo urbano integrado por mesquita maior, alcácer ou residência do governador, *suq* ou mercado, disposto ao longo da rua principal e ramificado pelas ruas adjacentes, banhos públicos, hospedarias e oficinas artesanais. \nb) a zona residencial, dentro da muralha. \nc) os arrabaldes ou bairros extramuros, onde tinham lugar os mercados agrícolas e de gado, assim como algumas actividades artesanais.","quote":"«A cidade muçulmana: um labirinto de ruas»."},"bedfc26e-1599-5d90-867d-794002406ce7":{"title":"Al-Raqqa, capital do califa Harun al-Rashid na Síria"},"b1f3d679-a18b-5258-af5f-524e8530cb84":{"title":"O sultão e a sua corte"},"a0cc97a9-d2a3-5089-88c2-b997f283e950":{"title":"A cultura dos prazeres da mesa","description":"Da maior importância no palácio otomano foi a cultura da mesa. Cada prato era confeccionado por um cozinheiro-chefe diferente: havia um para as sopas (*çorbacibasi)*, outro para o *helva* (*helvacibasi*) *–* um doce – e assim sucessivamente. Nos banquetes e nos jantares do Ramadão (*iftar*), dispunham-se almofadões sobre um tecido que cobria o chão. No meio deles colocava-se uma bandeja de cobre, prata ou metal dourado, sobre a qual se dispunham colheres de caparaça de tartaruga, coral, marfim ou osso. Os manjares seguiam a ordem tradicional: o primeiro prato era uma sopa servida em tigelas individuais; a seguir vinha o prato principal de carne, que era servido em grandes travessas metálicas com tampa (para manter a comida quente) chamadas *kuşhane.* Este prato era acompanhado com bebidas. Os doces – *zerde, baklava, helva* – eram oferecidos no final.","quote":"«Cada prato era preparado por cozinheiro-chefe diferente: o das sopas, o da helva e assim sucessivamente»."},"fa309a83-49c5-5883-9ee9-a69be57780e6":{"title":"Coexistência das três culturas","description":"A expansão do Islão no Mediterrâneo ocidental não implicou a formação de uma sociedade uniforme em termos religiosos nem a expulsão dos habitantes desse território, os quais puderam manter as suas crenças – cristãs ou judaicas – a troco de um imposto. \nA actividade económica, especialmente a comercial, e os intercâmbios culturais favoreceram a aproximação entre diferentes pessoas e comunidades. \nAssim, nas cidades e povos do Ocidente muçulmano coexistiram populações das três religiões do Livro, num processo de mútuo enriquecimento material e intelectual.","quote":"«As três religiões»"},"9d1c91d5-e536-5351-9c97-8a1d1755f2dd":{"title":"As escolas de caligrafia","description":"Os calígrafos formavam-se com reputados mestres da profissão. Muitos deles passavam mais tarde a prestar serviço na corte e em departamentos oficiais do governo. Alguns funcionários chegaram a ser calígrafos afamados, como o vizir abássida Ibn Muqlah, autor de um manual sobre as regras da perfeita escrita que se converteria na principal obra de referência para os calígrafos.","quote":"«Alguns funcionários chegaram a ser calígrafos afamados, como o vizir abássida Ibn Muqlah»."},"754c7cda-4d25-5730-9b40-d05583d87eb1":{"title":"Ciência e saber","description":"O ensino começava com a aprendizagem da leitura, da escrita, da recitação do Alcorão e com o estudo dos *hadiths,* ou palavras do Profeta. Uma vez que os livros eram raros, a transmissão do saber baseava-se nas palavras ditas e na sua memorização. Por isso o domínio da escrita era considerado como a arte mais necessária e valiosa, uma vez que permitia transmitir os conhecimentos e a religião às gerações seguintes.","quote":"«O ensino religioso: os copistas do Alcorão»."},"4ac9ddb5-21d0-552f-aabe-4b88c6672977":{"title":"A defesa"},"83fcd46d-b7fd-5e22-8abd-08f76c9613a8":{"title":"A água e a vida quotidiana","description":"A partir do século XII, a cidade marroquina de Fez foi abastecida por fontes públicas conhecidas como *sikaya*. A forma destas fontes foi mantida ao longo dos séculos: têm habitualmente um arco quebrado numa reentrância, coberto de alizares (*zellij*) de cerâmica vidrada; a água sai de torneiras e cai numa pia.","quote":"«A cidade marroquina de Fez foi abastecida por fontes públicas chamadas sikaya»."},"39f632d5-77b2-5774-9593-b679b7db8455":{"title":"Exportação de luxo","description":"Para além dos tecidos, a cerâmica otomana alcançou também grande fama no mercado de exportação. O auge da indústria cerâmica de İznik, crucial na história da arte na Turquia, originou uma forte procura europeia. Esta cerâmica tornou-se tão popular nos mercados da Europa que o sultão chegou a redigir um colérico decreto, admoestando os oleiros de İznik por produzirem louça para os consumidores estrangeiros em vez de o fazerem para o palácio imperial.","quote":"«Para além dos tecidos, a cerâmica otomana alcançou também grande fama no mercado de exportação»."},"9f0c366a-10e7-53d5-91e8-2d8a35ffc22a":{"title":"Decoração geométrica","description":"Os artistas muçulmanos não foram os grandes criadores da decoração geométrica, uma vez que se basearam nas artes romana, bizantina, persa e berbere, mas desenvolveram-na e levaram-na à sua plenitude.","extra":{"credits":"Curators & authors \nCarmen ALONSO-RODRIGUEZ, Madrid \nMaria da Conceição AMARAL, Silves \nGaspar ARANDA, Madrid \nHouria CHERID, Algiers \nLakhdar DRIAS, Argel \nNaima ELKHATIB-BOUJIBAR, Casablanca \nÁngela FRANCO, Madrid \nÁngela GARCIA-BLANCO, Madrid \nSusana GOMEZ, Mertola \nKamal LAKHDAR, Rabat \nSantiago MACIAS, Mertola \nMohamed MEZZINE, Fez \nMargarita SANCHEZ-LLORENTE, Madrid \nClaudio TORRES, Mertola \n \nCoordination \nMiguel GARCIA, Madrid \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"A geometria é o tema decorativo predominante na arte muçulmana, ao qual se subordinam os restantes motivos ornamentais. A decoração geométrica aparece tanto na arquitectura como nas artes decorativas: cerâmica, tecidos ou arte do livro. Independentemente do material, da escala ou da técnica, os motivos são praticamente os mesmos. \nOs artistas muçulmanos não foram os criadores da decoração geométrica, uma vez que se basearam nas artes romana, bizantina, persa e berbere, mas desenvolveram-na e levaram-na à sua plenitude. \nOs resultados conseguidos pelos muçulmanos na ornamentação geométrica foram possíveis, entre outras razões, pelo interesse que os estudos matemáticos, como por exemplo matemática pitagórica, despertaram no Islão. Isso é evidente no caso do laço geométrico, herdado da ornamentação pré-islâmica, que se elaborou até se conseguirem complexas combinações de fitas entrecruzadas, ou laçaria: partindo do círculo, geraram-se figuras de extraordinária variedade (quadrados, losangos, hexágonos, octógonos, estrelas de seis, oito, dez, doze ou mais pontas), seguindo os princípios da repetição simétrica, a multiplicação ou a subdivisão, que aplicaram a todos os materiais e nas mais diversas escalas. \n \nA riqueza cromática e a perícia com que se conjugam as tonalidades fazem com que sobressaiam as composições e se chegue a criar a ilusão da existência de diferentes planos. Quando se quer dar a impressão de riqueza conseguem-se, além disso, efeitos tridimensionais, seja pela repetição dos motivos (como a rede de losangos, ou *sebka*), pelo contraste entre texturas, ou pelo uso generalizado de *muqarnas* ou *muqarbas* (mucarnas). \nOs motivos geométricos, surgidos em momentos de abstracção dos motivos naturalistas, não estão isentos de simbologia, de acordo com a função do objecto ou do edifício.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/geometric/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/21/portal_image/1.jpg","display_order":14}}},"362960e9-cc01-5941-9e3e-f9dfc311b3b5":{"title":"A defesa","description":"A muralha era um sistema defensivo apenas vulnerável ao assalto e à fragilização dos seus alicerces. Os seus sólidos muros tinham pequenas aberturas para lançar projécteis, embora posteriormente tenham sido ampliadas para a colocação de canhões. Torres altas flanqueavam os panos de muralha para impedir o assalto, e uma série de dispositivos dificultavam a aproximação dos assaltantes: as *torres albarrãs*, isoladas e situadas em frente à muralha, à qual se uniam por um muro; a *barbacã* ou muro paralelo à muralha mas de menor largura e altura; o *fosso*, cavado entre ambas e, por último, a *porta*, protegida por torres, e que desde o século XI teve entrada em cotovelo, que obrigava a fazer uma passagem em ângulo recto.","quote":"«A muralha, um sistema defensivo em si mesmo»."},"3b822b91-75f5-5142-bd3c-29b08ccd26ec":{"title":"A linguagem visual do poder","description":"O poder do sultão ou dos governadores regionais era, com frequência, abertamente manifestado através da linguagem visual. A arquitectura era a arte mais útil para este fim; um edifício grandioso, que dominasse um bairro ou, melhor ainda, a silhueta de uma cidade, era uma decidida declaração de poder. Em menor escala, a autoridade do governante podia expressar-se de maneira explícita na escrita, acrescentando por exemplo o seu nome ou o seu título à decoração de um edifício ou até a um manuscrito. A *tughra* imperial é, talvez, o símbolo mais evidente deste aspecto da linguagem visual do poder.","quote":"«O poder do sultão era, com frequência, abertamente manifestado através da linguagem visual»."},"6f2f66f9-0684-5348-a89e-04c0ea5914a2":{"title":"A linguagem visual do poder","description":"Não é necessário que a linguagem visual do poder seja evidente. A arte foi utilizada de maneira engenhosamente subtil para comunicar a sensação de poder. Uma decoração arquitectónica requintada, por exemplo, que envolva o espectador num atavio refinado, cria um ambiente estético que reflecte o poder do soberano. E não é necessário que esta decoração encha um grande edifício; até numa tenda de campanha se pode demonstrar a grandeza de um império. \nAs espectaculares exibições de artesanato formam também parte dessa linguagem visual. Quando o sultão ou os seus oficiais se vestiam com preciosas roupagens engalanadas com refinados ornamentos, fossem símbolos do seu estatuto (como os penachos) ou simplesmente acessórios (como fivelas de cintos), a manifestação de riqueza e os dotes de que dispunham proclamavam implicitamente o seu poder.","quote":"«Não é necessário que a decoração encha um grande edifício; até numa tenda de campanha se pode demonstrar a grandeza de um império»."},"27407462-38d1-5483-a239-bfa506cb4830":{"title":"Gestão da prosperidade","description":"Os abássidas apoiaram e patrocinaram a investigação médica e aqueles que exerciam a medicina. Fizeram-se grandes progressos: escreveram-se e traduziram-se livros de diversos temas médicos, realizaram-se e documentaram-se experiências e desenharam-se numerosos instrumentos para diferentes procedimentos médicos.","quote":"«Os abássidas apoiaram e patrocinaram a investigação médica e aqueles que exerciam a medicina»."},"74e405d2-4d5c-563a-85b7-bcbf5812982e":{"title":"A cerâmica abássida","description":"À medida que o Império Abássida se ia expandindo, do Afeganistão à Argélia, as indústrias regionais de cerâmica iam sendo influenciadas por técnicas, desenhos e motivos de outros lugares, que se adicionavam às variantes locais. Enquanto a cerâmica de luxo, monocroma ou polícroma, das regiões orientais do império era ostentatória, a do Norte de África, sobretudo a da Ifriqiya, era mais sóbria. Para além da cerâmica de reflexo metálico, difundiu-se a produção de peças mono ou policromáticas vidradas e com relevo, assim como de cerâmica vidrada com inscrições. A louça de uso quotidiano não era, habitualmente, vidrada e tinha poucos motivos decorativos. Ainda assim, todas elas apresentam características tipicamente islâmicas.","quote":"«As indústrias regionais de cerâmica iam sendo influenciadas por técnicas, desenhos e motivos de outros lugares do Império»."},"1dabd926-5ac6-53c1-b262-d5570beba088":{"title":"A decoração geométrica na arquitectura","description":"Em todo o mundo muçulmano, as portadas de edifícios importantes cobriram-se de composições de moçárabes ou com relevos geométricos talhados na pedra. Procurava-se não deixar nenhum espaço por preencher (*horror vacui*). \nA partir da época almóada, as fachadas dos minaretes do Magrebe e do al-Andalus foram decorados primeiro com arcos lobulados, independentes ou entrelaçados, cuja repetição e sobreposição deu como resultado, a uma escala menor, uma trama de losangos conhecida como *sebka*, que se assemelhava a um tapete perfurado.","quote":"«Procurava-se não deixar nenhum espaço por decorar (*horror vacui*)»."},"4abfb8e7-e61b-559d-9eb7-684a9ac667bc":{"title":"A vida na corte","description":"Em meados do século XIX, e sob a influência ocidental, os sultões otomanos mudaram-se para o palácio de Dolmabahçe e a seguir para o de Yıldız; os verões eram passados no palácio Beylerbeyi. Foram todos construídos na costa do Bósforo, ao estilo ocidental. Os palácios do Bósforo converteram-se nas novas residências dinásticas, assim como em lugares para cerimónias e recepções oficiais.","quote":"«Os palácios do Bósforo converteram-se nas novas residências dinásticas»."},"b57ef26f-345f-5d0d-8e89-3f02ef5a1f29":{"title":"Jordânia","description":"As características artísticas ocidentais do período otomano na Jordânia estão representadas principalmente nas cenas naturalistas até aí ausentes na linguagem visual dos otomanos. Pintadas por artistas europeus trouxeram novos elementos artísticos e fundiram-nas nas suas criações artísticas implementadas na Jordânia . Também durante esse período, as moedas ocidentais com figuras humanas foram frequentemente mais usadas do que as moedas otomanas. As pessoas preferiam os artefactos ocidentais, especialmente as moedas que usavam nos adornos, especificamente colares, correntes de queixo e véus. Também decoravam as casas, igrejas e edifícios com pinturas a fresco de autoria ocidental. Alguns desses edifícios tornaram-se espaços museológicos, e as igrejas em uso, enquanto outros continuam a ser habitados pelos proprietários que os conservam e restauram. \n \nApós o declínio do império otomano, o povo jordano ainda aprecia as moedas ocidentais e otomanas, bem como as mulheres continuam a usar, como dote, pingentes e pulseiras de ouro adornadas com moedas do rei Jorge V e do sultão Muhammad Rashad V. Este tipo de peças não só ainda existe no Museu do Folclore como é preservado igualmente pelos sucessores das antigas famílias.","quote":"\"As características artísticas ocidentais do período otomano na Jordânia estão representadas principalmente nas cenas naturalistas até aí ausentes na linguagem visual dos otomanos.\""},"a09c8ed7-01f3-5c9b-bd21-96a1d81c4678":{"title":"As mulheres","description":"O Islão sempre atribuiu às mulheres uma posição plena na sociedade. As mulheres muçulmanas sempre contribuíram activamente quer no desenvolvimento das suas culturas no lar, quer profissionalmente, como benfeitoras de causas de caridade, quer nas artes.","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nNoorah AL-GAILANI, Glasgow \nUlrike AL-KHAMIS, Edinburgh \nJamila BINOUS, Tunis \nAicha BENABET, Tunis \nHouria CHERID, Algiers \nElsayed HAMAD, Cairo \nMourad RAMMAH, Kairouan \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nEnaam Selim, Cairo \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"O Islão atribuiu às mulheres uma posição plena na sociedade. Os seus direitos, deveres e estatuto estão contemplados no Alcorão e legislados pela lei islâmica ou *sharia.* As mulheres abraçaram e praticaram activamente a sua fé. Nunca houve, contudo, uma maneira única de interpretar e aplicar o sistema islâmico em todo o mundo muçulmano: cada sociedade adoptou a sua própria fórmula de acordo com a tradição cultural da sua região, pelo que não existe um protótipo de civilização islâmica nem tão-pouco uma única condição da mulher na sociedade. Tendo em conta a complexidade das diversas tradições culturais e patriarcais, algumas delas pré-islâmicas, com que as mulheres muçulmanas tiveram que se confrontar, e a multiplicidade de tarefas que assumiram, é indubitável que travaram uma luta contínua por uma vida melhor numa sociedade justa. \nEm todas as épocas, numerosas mulheres chegaram a converter-se em modelos para outras. Destaca-se entre todas Sayyida Jadiya bint Muhammad al-Jurasani, primeira esposa do profeta Muhammad, uma mulher de negócios independente e poderosa, crucial apoiante do Profeta na sua missão. Outras mulheres importantes foram Sayyida al-Manubiya, aclamada escritora mística da Tunísia medieval; ou Maryam bint Abd al-Rahman, importante juíza palestiniana do princípio do século XIV, que elaborou o seu próprio dicionário de interpretações dos *hadiths* ou ditos do Profeta. Uma figura essencial nos séculos XIX-XX foi Huda Shaarawi, pioneira e líder na luta pelos direitos da mulher na sociedade árabe e muçulmana. \nOs historiadores registaram o trabalho público das mulheres das classes mais altas e a sua relação com as classes governantes, ao passo que edifícios e objectos de luxo testemunham o seu mecenato e influência. Quanto às muçulmanas comuns, a parcialidade dos registos históricos e a incompleta preservação de objectos fazem com que o nosso conhecimento sobre elas seja escasso. Algo se pode deduzir, contudo, a partir do artesanato – tecidos, bordados e olaria – e do estudo dos registos oficiais dos tribunais: casamentos, divórcios ou heranças femininas.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/women/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/23/portal_image/1.jpg","display_order":9}}},"adc7d88a-073e-571d-ad07-7d7f35682e7e":{"title":"Viagens e comércio"},"5f7953a9-49d7-5d9f-be1c-93cbec183abd":{"title":"A arte andaluzo-magrebina","description":"A arte hammadida, contemporânea da arte taifa andaluza, partilha com esta alguns motivos decorativos, embora difira na técnica. Juntamente com a influência andaluza, cedo surgem alguns elementos claramente orientais, o que sublinha o papel de ponte do Magrebe.","quote":"Ziridas e hammadidas: ponte entre o Oriente e o Ocidente."},"feb15667-99f8-5b55-8c0b-bcda36247b11":{"title":"A vida religiosa","description":"Ao mesmo tempo que se verificou a revitalização das instituições islâmicas, as igrejas e os mosteiros cristãos também conheceram um período de renascimento. Foram encomendadas séries de pinturas murais, o que não se via na Síria desde os frescos do período omeia. Deir Mar Yakub (mosteiro de S. Jacob) e Deir Mar Musa al-Habashi (mosteiro de São Moisés o Etíope) perduram como excelentes exemplos da arte cristã medieval e da vida monástica síria.","quote":"«As igrejas e os mosteiros cristãos conheceram um período de renascimento»."},"1dc8b986-92dc-5a75-b544-000419ab6111":{"title":"As lápides funerárias, memória na pedra","description":"Há uma grande variedade de lápides funerárias, que foram originadas em épocas distintas e que reflectem diferenças regionais: o *cipo*, que surgiu na Ifriqiya (Tinísia) no século IX, mas que também foi referenciado na região andaluza de Toledo; a *maqabriya*, que foi utilizada nos cemitérios andaluzes e magrebinos a partir da época almorávida; as estelas discóides, que abundaram a partir do século XIV nas cidades oleiras, como Málaga, Granada e Murcia.","quote":"«As lápides: diferenças locais e sociais»."},"9246e5d1-d625-54a9-a9cb-348e8099b248":{"title":"A decoração geométrica nos recipientes de cerâmica","description":"As composições geométricas combinam-se, por vezes, com motivos vegetais. Estes motivos, embora subordinados à composição geral, servem para enriquecer a decoração geométrica, ao enfatizar determinados pontos-chave do traçado ou simplesmente ao preencher os fundos ou as lacunas que o desenho geométrico deixa.","quote":"«Os motivos vegetais enriquecem a decoração geométrica»."},"0aeb920c-d823-5de4-81b9-061257cef978":{"title":"Dois sultões mamelucos contra os francos","description":"Qalawun foi provavelmente o mais prolífico promotor de projectos arquitectónicos dos dois sultões mamelucos. As dimensões do seu complexo no Cairo, que marcou uma nova fase na arquitectura mameluca, são imponentes: compreende uma *madrasa*, um mausoléu (*qubba*) e um hospital (*bimaristan*). Para criar este *bimaristan*, Qalawun inspirou-se no de Nur al-Din, um hospital de Damasco onde o tinham curado. Ficou tão impressionado com o tratamento que recebeu que prometeu que, se recuperasse e ascendesse ao trono, construiria um igual no Cairo. Iniciou o projecto pouco depois de começar o seu sultanato, em 1283. Este *bimaristan* tinha a peculiaridade de ser destinado aos muçulmanos de ambos os sexos e de qualquer condição social, facto pouco habitual na época.","quote":"«Qalawun foi provavelmente o mais prolífico promotor de projectos arquitectónicos»."},"01b4539f-223c-58e3-970b-86b098e2e493":{"title":"A linguagem visual do poder","description":"Quando um povo exerce o poder, procura maneira de o manifestar, tanto perante os que se encontram sob o seu domínio como perante os estrangeiros. Em concreto, arte e arquitectura foram frequentemente utilizadas para criar uma «linguagem visual» que proclamava o poder. Estas demonstrações visíveis adoptaram diversas formas ao longo dos séculos. Por vezes são abertas e ostensivas, noutras subtis e implícitas. A arte e a arquitectura do período otomano possuem uma expressiva gama de exemplos nos quais a autoridade do sultão e do Estado otomano se manifesta visualmente.","quote":"«Quando um povo exerce o poder, procura maneira de o manifestar»."},"b82e552a-e3da-5171-bbda-751d4602d53f":{"title":"Dois sultões mamelucos contra os francos","description":"Os sultões, Baybars e Qalawun foram ambos entusiastas mecenas de objectos de luxo e de edifícios para o Cairo, a sua capital, mas também para a Síria e a Terra Santa. Por exemplo, Baybars restaurou fortalezas na Palestina e Síria, embora o seu interesse não se tenha limitado à arquitectura militar: também criou uma mesquita maior para os fiéis do Cairo, a mesquita real mameluca mais antiga que se conserva na cidade. Morreu na cidadela de Damasco em 1277 e enterraram-no no mausoléu (*qubba*) a norte da Mesquita Omeia. A *qubba* agregou-se a uma escola já a ele dedicada: a *madrasa* al-Zahiriyya.","quote":"«Os sultões Baybars e Qalawun foram mecenas entusiastas de objectos de luxo e de edifícios»."},"6428106b-9d8e-590a-bc5c-8be1ac54d645":{"title":"Vida privada das mulheres muçulmanas","description":"Um importante ingrediente na aplicação da maquilhagem para os olhos era o *kohl*, elaborado a partir do incenso queimado, casca de amêndoa ou açafroa. Pensava-se que tinha qualidades curativas e que era também um bom protector contra o mau-olhado. Era guardado em pequenos frascos decorativos com aplicador.","quote":"«O kohl era elaborado a partir do incenso queimado, casca de amêndoa ou açafroa»."},"95694260-7655-5184-a4d8-7c24d7fd8562":{"title":"Reformas administrativas","description":"Durante os primeiros 70 anos de poder, os muçulmanos não tentaram introduzir um novo sistema administrativo em língua árabe em todos os seus domínios. Pelo contrário, cada província manteve os costumes do regime anterior. Na Síria, a língua dos responsáveis das contas públicas era o grego, enquanto a administração se encontrava ainda nas mãos dos cristãos locais. Na gestão fiscal, os árabes introduziram um sistema inovador pelo qual os membros de pleno direito do novo poder recebiam remunerações regulares (*ata*). Este sistema financiava-se com impostos sobre a população local; os principais eram os aplicados à propriedade fundiária (*jaraj*), uma quantia fixa em espécie ou dinheiro, e o imposto *per capita* (*jizya*) que os adultos não muçulmanos tinham que pagar de acordo com as suas receitas. Os sacerdotes e os monges, assim como os incapacitados, estavam isentos deste pagamento.","quote":"*«Cada província manteve os costumes do regime anterior».*"},"66a1b849-44f7-56db-b90b-8414c7492a80":{"title":"Dois sultões mamelucos contra os francos"},"390eb15a-b775-5e38-b060-b98bf5313187":{"title":"A arte mudéjar popular e religiosa","description":"O mudéjar religioso aragonês distingue-se pela profusa decoração exterior de edifícios e torres, graças às múltiplas combinações geométricas realizadas com o tijolo à vista (arquinhos mixtilíneos entrecruzados, redes de losangos e faixas em espiga ou em espinha de peixe) e à aplicação de azulejos policromos. Nos interiores, os tectos de madeira deram às divisões a sensação de serem mais espaçosas e fizeram-nas confortáveis e quentes. Merece especial menção a armadura de do tecto da catedral de Teruel.","quote":"«O mudéjar aragonês: a profusão decorativa»."},"e69dcd7a-5d1d-5edb-ae45-6bb6e2a8c847":{"title":"O sistema mameluco"},"0c57154a-3d32-5f59-919a-c9bcab6d8ac5":{"title":"Jordânia","description":"Os otomanos mudaram a rota do *Hajj* (Darb al-Hajj al-Shami), que segue as montanhas a leste de Wadi Araba, conhecida como Kings Highway, para uma nova rota que ficava ao longo do limite do deserto, conhecida como Darb al-Bint em homenagem à filha do sultão Salim I, que se queixou de bandidos na Kings Highway. Uma série de fortes e estações de peregrinação foram construídos ao longo desta nova rota para proteger os peregrinos e fornecer água, comida e mercadorias. \nA Ferrovia Hejaz, uma das mais importantes conquistas durante o período otomano, foi concluída em 1908 durante o reinado do sultão Abdul Hameed II. O principal objetivo da construção desta ferrovia era transportar os peregrinos de Damasco para Medina, na Arábia Saudita, através da Jordânia. Foi severamente danificada durante a Primeira Guerra Mundial, mas algumas seções ainda estão operacionais (ex. Damasco – Amã, Amã – Qatraneh).","quote":"“A Ferrovia Hejaz foi uma das mais importantes conquistas durante o período otomano...”"},"dc1ba8a3-fd25-52de-bd11-66f5e8ee0fdc":{"title":"Profissionais, artesãs e artistas"},"30f650c4-28b8-51fa-9fb7-44613c3096bf":{"title":"O uso da água para consumo e higiene","description":"O Alcorão sublinha a importância da higiene pessoal; por isso, os banhos públicos ou *hammam* desempenharam sempre uma função primordial na vida social e religiosa dos muçulmanos. Estes estabelecimentos são devedores, até certo ponto, das termas romanas e da Antiguidade Tardia. Contudo, a partir do período omeia, e ao contrário do que sucedia na época romana, começou a dar-se mais importância às salas quentes que ao *frigidarium*. O *hammam* costuma ser composto por um vestiário – que é uma sala não aquecida –, uma sala temperada intermédia e outra de vapor.","quote":"«O hammam desempenhava uma função primordial na vida social e religiosa dos muçulmanos»."},"a68e0dec-446e-5c8a-bf2e-1f05f0f0e7fb":{"title":"A arte andaluzo-magrebina","description":"Ao interesse pela decoração dos espaço interiores e das portadas dos edifícios, na arte islâmica em geral, a arte andaluzo-magrebina veio trazer a utilização sistemática do arco e do capitel, como motivos decorativos. \nEmbora o arco em ferradura seja o mais característico, os artífices criaram novos tipos de arcos ou combinaram-nos de diferentes maneiras. O mesmo se pode dizer dos capitéis: a transformação das proporções e o enriquecimento da folhagem romano-bizantina deram lugar a capitéis com um estilo próprio. \nO ponto de partida desta arquitectura é a mesquita de Córdova.","quote":"Da arte emiral às taifas: formação e plenitude barroca."},"f79e2e2d-2bd9-536c-96fc-75712b9b3f2b":{"title":"A defesa","description":"A defesa do território fazia-se através dos castelos e *ribats*, recintos fortificados que tinham uma torre no seu interior. Situavam-se em lugares estratégicos que permitiam dominar visualmente as suas imediações. Serviram tanto para aquartelar tropas que asseguravam a vigilância e a protecção das fronteiras, caminhos, vales e portos marítimos ou de montanha, como para acolher a população em caso de perigo.","quote":"«Os castelos: a defesa do território»."},"87981465-ac17-588c-98d9-d4f2d4298bdc":{"title":"Os normandos na Sicília","description":"O reino normando da Sicília herda dos árabes um património cultural e uma civilização que, fundindo-se com o legado das culturas grega, latina e bizantina, lança a primeira semente do Renascimento italiano.","extra":{"credits":"Curators & authors \nRita BERNINI, Rome \nPier Paolo RACIOPPI, Rome \nEttore SESSA, Palermo \nPaola TORRE, Rome \n \nCoordination \nIrene SALERNO, Rome \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Ocupada desde 827 pelos exércitos do emir de Kairouan, a Sicília foi, até 1061, um dos territórios do *Dar al-Islam*. De todos os modos, na zona oriental da ilha, de arreigada cultura grega, permaneceram irredutíveis bolsas de resistência até 965. \nApesar da limitada emigração de população vinda do Magrebe, da Península Ibérica, do Egipto e do Próximo Oriente, a organização social islâmica afirmou-se e difundiu-se rapidamente. Nos dois séculos de presença árabe, a lei corânica garantiu, de forma não isenta de discriminações, a profissão da fé cristã. \nEm 1061, os normandos, encabeçados pela família Altavilla, desembarcaram na ilha a partir dos seus enclaves no sul de Itália. Em 1094, Ruggero instituiu o Condado da Sicília, herdado pelo seu filho Ruggero II, que fundou o Reino da Sicília em 1130. Os seus sucessores, Guglielmo I e Guglielmo II, continuaram a sua política de combate aos muçulmanos, a Bizâncio e ao Sacro Império Romano até 1194, ano em que ascendeu ao trono a dinastia suaba. \nNuma continuidade com o período de domínio árabe, as comunidades cristãs e muçulmanas continuavam a conviver e garantiram, assim, a permanência de modos e ritos sociais do período islâmico; isto é constatável, entre outras coisas, na reutilização, por parte da nova casa real, de lugares e de edifícios antes pertencentes aos dirigentes muçulmanos. \nEstas formas de continuidade cultural foram reforçadas com as relações políticas entre os normandos e o mundo islâmico da sua época. \nUma das expressões mais emblemáticas da permanência destas relações, uma vez instituída a coroa da Sicília, é a vontade concreta da dinastia normanda de refundar a cultura artística siciliana valendo-se em boa medida dos modelos adoptados da cultura islâmica. Estes são sabiamente implantados nas modestas formas artísticas já existentes, árabo-sículas e de origem bizantino. \nO resultado desta operação é um sincretismo activo e inovador, que fez da produção artística sículo-normanda uma das mais originais do Mediterrâneo e da Europa medieval.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/siculo_norman/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/25/portal_image/1.jpg","display_order":16}}},"e8deea6c-fc86-5de4-91d5-28b3549d5260":{"title":"Profissionais, artesãs e artistas","description":"Em todas as épocas encontramos provas da participação das muçulmanas na vida profissional, como Zayn al-Juzan, responsável pelo guarda-roupa do califa fatimida e do pessoal que dele se ocupava, ao todo 30 mulheres. Algumas foram escritoras ou poetisas, médicas, especialistas nas leis religiosas e na jurisprudência, e ensinaram e interpretaram as doutrinas religiosas. Outras foram famosas calígrafas, como Hafsa, esposa do profeta Muhammad e filha do califa Umar ibn al-Jattab. O estilo de Fatima al-Bagdadia, outra calígrafa, alcançou tal excelência que foi comparada com Ibn Hilal, um reputado copista. Alguns dos trabalhos caligráficos da primeira esposa do Profeta, Sayyida al-Jadiya, ainda perduram e testemunham a sua enorme destreza.","quote":"«Algumas mulheres foram escritoras ou poetisas, médicas, especialistas nas leis religiosas e na jurisprudência»."},"cb0785ef-fb33-5e76-b51b-81652da4bdfc":{"title":"Saladino na Terra Santa","description":"O herói islâmico, por antonomásia, Salah al-Din al-Ayyubi (conhecido como Saladino, 1137-1193) mudou a sorte dos árabes derrotados e dos cruzados vitoriosos ao recuperar Jerusalém. A era de Saladino é considerada um dos períodos mais brilhantes da história árabe; nela, o decadente califado abássida conheceu um fugaz renascimento sob a protecção dos governantes ayyubidas.","quote":"«A era de Saladino é considerada um dos períodos mais brilhantes da história árabe»."},"46837ac7-e216-535c-9487-5198e7fe98f9":{"title":"Síria","description":"A cerimónia anual do *Hajj* envolvia uma árdua preparação das caravanas dos peregrinos para uma longa e potencialmente perigosa travessia do deserto no dorso de camelos. A procissão de Damasco foi, portanto, um momento crucial para garantir a segurança e ganhar visibilidade para a boa governação. No *Mahmal al-Hajj* que encabeçava a procissão ostentando emblemas do califa otomano, observa-se uma linguagem decorativa ocidentalizada combinada com o repertório decorativo local. \n \nTais inovações culturais e artísticas tornaram-se omnipresentes no início do século XIV H./séc. XX. Os manuscritos do Alcorão pintados com ouro e esmalte mostram um novo sentido de sombra e cor. No entanto, a identidade de Damasco como cidade santa permaneceu predominante, independentemente das mudanças políticas e estilísticas.","quote":"“No entanto, a identidade de Damasco como cidade santa permaneceu predominante, independentemente das mudanças políticas e estilísticas.”"},"4bed6c71-af16-5a48-8fbf-46d35ab606ed":{"title":"O Sagrado Alcorão","description":"Era considerado muito importante ler e recitar correctamente o Alcorão; por isso se acrescentaram notas explicativas sobre o significado de determinados versículos e pautas para ajudar à sua correcta recitação. Tais notas eram escritas nas margens da página ou juntavam-se como suplemento no final do livro. Alguns fragmentos do Alcorão combinavam-se com orações escolhidas e com citações proféticas dos *hadiths* (os ditos do Profeta) e publicavam-se em livros e em panfletos com o fim de serem utilizados em prédicas e súplicas. As *aleias* sobre os profetas do Antigo Testamento, contudo, eram recolhidas em livros de narrativas ricamente decorados e com iluminuras requintadas, dedicados a cada profeta.","quote":"«As aleias sobre os profetas do Antigo Testamento eram recolhidas em livros dedicados a cada profeta»."},"ceab8d7c-6e1d-5d61-81c7-078ad66f0bd3":{"title":"A vida na corte","description":"Outro exemplo de objecto de luxo usado para promover as relações diplomáticas pode ser encontrado na corte de Badr al-Din Lulu, um arménio convertido ao Islão. Foi um vizir zangida, e mais tarde governador independente de Mosul, no Norte do Iraque, entre 1218 e 1259. Badr al-Din Lulu interessava-se em especial pelos trabalhos em metal com incrustações. Conservam-se muitos recipientes em bronze com incrustações em ouro e prata que ostentam o seu nome. Estes valiosos objectos eram provavelmente utilizados em vez do ouro, e o facto de Lulu neles ter posto o seu nome atesta a sua função de presente diplomático.","quote":"«Badr al-Din Lulu interessava-se em especial pelos trabalhos em metal com incrustações»."},"6f026780-ce1b-55d2-b48b-2d177c9ca628":{"title":"A caligrafia monumental","description":"Desde os alvores do mundo islâmico, as inscrições caligráficas foram empregues em toda a arquitectura: religiosa, militar, civil e privada. A caligrafia árabe é uma das características marcantes da arquitectura islâmica: a Cúpula do Rochedo de Jerusalém (século VII) é o edifício mais antigo que conserva a sua caligrafia.","quote":"«A caligrafia árabe é uma das características marcantes da arquitectura islâmica»."},"007e0513-1d25-5486-a970-7a75408f9d61":{"title":"A cerâmica mudéjar","description":"Os escudos, que no início não eram exclusivos da nobreza, mas que foram depois adstritos à sua simbologia, atingem nos séculos XV e XVI o seu máximo desenvolvimento, manifestando-se na profusão do seu uso e na aplicação a todo o tipo de objectos; entre outros, foi esse o cado das peças de cerâmica de encomenda. Ligada à heráldica, a cartela com inscrições religiosas cristãs faz a sua aparição nas cerâmicas mudéjares.","quote":"«A necessária adaptação ao gosto dos novos clientes obrigou os oleiros mudéjares a renovarem o seu repertório»."},"7b8e8ebb-749c-5252-9649-7f18a8830f7b":{"title":"A cerâmica mudéjar","description":"A primeira cerâmica mudéjar é uma imitação directa da cerâmica nasrida, a ponto de alguns exemplares serem difíceis de diferenciar. Imitam-se tanto a técnica (cerâmica dourada com azul de cobalto) e a decoração (palmas, caules, palmetas, gomos) como as formas das peças nasridas, embora estas fossem em grande parte peças únicas, luxuosas e de uso exclusivo ao passo que as mudéjares foram realizadas para satisfazer uma clientela mais ampla e numerosa. Mais tarde, a imprescindível adaptação ao gosto dos novos clientes obrigou os oleiros mudéjares a renovar o repertório de formas, incorporando elementos góticos e renascentistas, e a adoptar a iconografia cristã.","quote":"«Imitam-se tanto a técnica e a decoração como as formas das peças nasridas»."},"073b795d-65c6-5d5e-9265-134b960cca53":{"title":"A corte","description":"Por influência de Bagdad, refinaram-se o cerimonial das refeições e os modos dos comensais. A comida partilhada num recipiente comum deu lugar a diversos pratos servidos segundo um rigoroso protocolo. O menu foi enriquecido com novas e variadas receitas, que faziam da sua degustação um prazer para o paladar e o olfacto, subjugado pelos aromas; juntavam-se, na sobremesa, os prazeres do ouvido, deleitado com a música, e da vista, embelezada na contemplação dos bailarinos e da decoração do ambiente palatino.","quote":"«O cerimonial das refeições»."},"06c733a5-e1b4-5be1-ae58-c5968680a73a":{"title":"Al-Raqqa, capital do califa Harun al-Rashid na Síria","description":"O califa Harun al-Rashid, neto de al-Mansur, mudou a corte para al-Raqqa em 796, onde esteve até 809, durante um período de instabilidade política em Bagdad e no Sul do Iraque. Al-Rashid ampliou as fortificações e criou um novo bairro exterior a norte de al-Raqqa, para aí alojar os seus familiares e os dos funcionários que foram viver para a cidade. A relação com Bagdad e com os territórios orientais manteve-se graças a um sofisticado sistema de comunicação postal. Os filhos de al-Rashid, futuros califas, passaram grande parte da sua juventude em al-Raqqa.","quote":"«Nos novos palácios alojaram-se os familiares do califa e dos funcionários que vieram com ele para a cidade»."},"e1608033-ab95-5c07-ac56-54849a33a39b":{"title":"A Terra Santa das três religiões","description":"No século VII, Jerusalém e a Terra Santa estiveram sob a soberania muçulmana. Também para os muçulmanos esses lugares eram sagrados e, nos séculos seguintes, mesmo em épocas de conflito, os fiéis das três religiões faziam a peregrinação aos lugares sagrados da zona, muitos dos quais eram venerados por todos. Sucessivos governantes muçulmanos – os mais célebres de entre eles foram o califa Umar ibn al-Jattab (r. 634-644) e Salah al-Din al-Ayyubi (Saladino, r. 1169-1193) – protegeram os caminhos, foram generosos na manutenção dos lugares sagrados e facilitaram o acesso a todos, muçulmanos e não muçulmanos, um dever sagrado que o próprio Alcorão estipulava, obrigando a respeitar judeus e cristãos como *ahl al-kitab* («povos do Livro»).","quote":"«O Alcorão respeita judeus e cristãos como ahl al-kitab («povos do Livro»)»."},"adc2c82c-8dbe-5321-9ab3-9fea14b4167f":{"title":"Turquia","description":"Apesar da relação de muitos séculos, desde a Idade Média, entre os Otomanos e o Ocidente, forjada pelas trocas comerciais e pelos vários conflitos bélicos, a ocidentalização do gosto otomano chegou ao império muito mais tarde. \nO auge do Império Otomano, ocorrido no século XVI, não durou muito. Da combinação das debilidades do seu sistema administrativo com a erosão dos aparelhos militar e financeiro resultou a perda sucessiva de territórios a partir do século XVII. Foram feitas várias tentativas no sentido de recuperar o grande poder de outrora, através da importação e implementação de infraestruturas administrativas e técnicas de inspiração ocidental, que também se refletiram na arte e sociedade otomanas. O estabelecimento de relações culturais e diplomáticas com o Ocidente, reforçadas pela perceção do Império Otomano como um mercado, proporcionaram novos desenvolvimentos tanto na estrutura social como na arte. Por isso, a introdução de elementos ocidentais no repertório artístico otomano nos séculos XVIII e XIX é conhecida como o período da ocidentalização.","quote":"“Apesar da relação de muitos séculos, desde a Idade Média, entre os Otomanos e o Ocidente, forjada pelas trocas comerciais e pelos vários conflitos bélicos, a ocidentalização do gosto otomano chegou ao império muito mais tarde.”"},"ca738840-bcc5-5148-8748-e3bb31ec2983":{"title":"A arte mudéjar aristocrática e civil"},"6ff61f8d-0983-5aa2-8637-2151608072f9":{"title":"A arte mudéjar popular e religiosa","description":"O mudéjar popular e religioso português distingue-se por determinados elementos decorativos, como os merlões e os pináculos, terem sido incorporados às estruturas do estilo gótico, que conviveram com os tectos de *par y nudillo*, *apeinazadas* e decoradas com laçarias de estrelas e cruzetas de forte policromia, ou com alfarjes planos, utilizados nos coros altos e decorados com sequências de estrelas de oito e dezasseis pontas.","quote":"«O mudéjar português»."},"35beb34a-375b-5bd2-98d3-523a97e96b21":{"title":"Os Fatimidas","description":"«Os fatimidas sonhavam criar um califado xiita no coração do mundo islâmico; governaram um império célebre tanto pela sua administração política como pelo seu esplendor artístico».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nNoorah AL-GAILANI, Glasgow \nUlrike AL-KHAMIS, Edinburgh \nJamila BINOUS, Tunis \nAicha BENABET, Tunis \nHouria CHERID, Algiers \nElsayed HAMAD, Cairo \nMourad RAMMAH, Kairouan \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nEnaam Selim, Cairo \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"O xiismo surgiu na sequência dos assassinatos do califa Ali, na cidade iraquiana de Kufa, e do imã Husayn, neto do Profeta, em Karbala. Este movimento reclamava o seu direito ao califado baseando-se no facto dos seus líderes serem descendentes de Muhammad. O xiismo, apesar de ter sofrido violentos ataques por parte dos omeias e dos abássidas, continuou a expandir-se pelo mundo muçulmano e em pouco tempo alcançou o Norte de África. Foi ali que que os muçulmanos xiitas, dirigidos por Abu Abdallah al-Shii, decidiram estabelecer-se, com o objectivo de conquistar o califado islâmico. \nO califado fatimida teve a sua origem em Raqqada, Ifriqiya (na Tunísia actual), onde conseguiu derrubar a dinastia local aglábida no ano 909. A sua primeira capital foi Mahdia, em cujo tecido urbano e arquitectónico os fatimidas deixaram a sua marca. Sob o governo esclarecido de al-Muizz li-Din Allah (r. 953-975), a dinastia conheceu uma assinalável prosperidade, e as condições económicas proporcionaram um clima favorável à aspiração de conquista do califado. Na tentativa de alcançar esse objectivo, ele enviou o general Yawhar para conquistar o Egipto, que tinha sofrido muito durante o mandato tulunida. Em 969, al-Muizz entrou vitorioso no Egipto e delegou o governo do Norte de África nos ziridas, seus vassalos. Estes aproveitaram a oportunidade para declarar a independência e renunciar ao xiismo em favor do Islão sunita. Os fatimidas não tardaram a exercer represálias, enviando em resposta uma tribo de árabes beduínos, os Banu Hilal, que devastaram o território. O poder fatimida transladou-se então para o Egipto e, nesse mesmo ano de 969, al-Muizz fundou uma nova capital: o Cairo. Sobre os alicerces de um império em constante expansão, floresceu uma próspera civilização que rivalizou com a dos abássidas de Bagdad e os omeias do al-Andalus. O urbanismo, as ciências, a arte e a literatura alcançaram novos patamares. Contudo, estes feitos não duraram muito: a chegada dos cruzados, o declínio económico e grandes epidemias causaram a queda desta magnífica dinastia, que desapareceria de vez às mãos do ayyubida Salah al-Din (Saladino) em 1171.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/fatimids/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/16/portal_image/1.jpg","display_order":3}}},"bb6637ac-a866-515d-b9a2-3869310f0ad7":{"title":"A civilização da palavra","description":"As inscrições abarcam numerosos temas e diferentes estilos caligráficos. Umas vezes mencionam os mecenas e os seus feitos, noutras citam *aleias* do Alcorão, orações protectoras, bênçãos, versos ou refrãos. Este último tipo de inscrições era, por hábito, escolhido para complementar a função do objecto. Por exemplo, nalgumas lâmpadas de mesquita cita-se a *aleia* «Deus é a luz» (24:35), e em alguns estojos de penas ou em escrivaninhas lêem-se versos poéticos que louvam o trabalho da escrita. Para contribuir activamente para a melhoria da função de um recipiente, este era adornado com orações protectoras e bênçãos. Com palavras como *barakah* se reconhece e invoca a generosidade de Deus e a sorte do proprietário. O mesmo efeito se busca quando se aplica num objecto um dos noventa e nove nomes de Alá: com a sua presença, o recipiente e o seu conteúdo ficam protegidos de danos e perdas.","quote":"«Eram escolhidas inscrições que complementavam a função do objecto»."},"d03f0704-42d3-54b3-8b3b-d1ee5a970a2c":{"title":"O Egipto abássida"},"06f8adf1-80a7-5ad3-930e-d74a24929bf9":{"title":"A cultura dos prazeres da mesa","description":"Para além dos recipientes de cerâmica de İznik, também se usavam pratos de cobre e dourados. Era inevitável que à mesa se utilizasse porcelana importada da China, mas a verdadeira mudança ocorreu no século XIX com a adopção do estilo de vida ocidental. A introdução de mesas, cadeiras, porcelana e serviços de prata europeus pôs fim à cultura tradicional da mesa no palácio Topkapı.","quote":"«Para além dos recipientes de cerâmica de İznik, também se usavam pratos de cobre e dourados»."},"8aaef163-92d1-584e-b208-20da9b7fd02e":{"title":"As escolas de caligrafia","description":"Com o tempo foram surgindo outros estilos caligráficos, influenciados pela composição social das diferentes regiões. Nas províncias ocidentais – Norte de África e al-Andalus – desenvolveu-se o estilo magrebino de influência berbere. Na multicultural Sicília, os normandos fizeram inscrições em várias línguas, que incluíam o árabe, para documentar e comemorar vários acontecimentos.","quote":"«Nas províncias ocidentais – Norte de África e al-Andalus – desenvolveu-se o estilo magrebino de escrita árabe»."},"0619d09f-5563-54e4-a733-b1fda9508dda":{"title":"A viagem de um minbar","description":"O *minbar* de que aqui se fala é mais importante do que a maior parte dos outros, pois está ligado ao imã xiita al-Husayn, neto do profeta Muhammad. Quando os cruzados invadiram Ascalon (cerca de 50 km a sul de Jaffa), em 1143, alguns muçulmanos devotos arriscaram as suas vidas para resgatar a cabeça cortada de al-Husayn e o próprio *minbar*, que levaram clandestinamente para Hebron e que colocaram na mesquita de al-Ibrahimi. Segundo reza a tradição, a cabeça cortada de al-Husayn foi levada para o Cairo.","quote":"«Levaram clandestinamente o minbar para Hebron e colocaram-no na mesquita de al-Ibrahimi»."},"d1cd70ed-eba3-5102-ad3f-35f48ba86542":{"title":"Arte turco-islâmica na Anatólia pré-otomana","description":"Uma vez estabelecida a unidade política na Anatólia, os sultões seljúcidas incrementaram os seus projectos arquitectónicos e, ao tornarem seguros os caminhos, desenvolveram também o comércio. Viviam em luxuosos palácios concebidos como paraísos terrestres. Estado turco-islâmico, os seljúcidas da Anatólia criaram um estilo artístico enraizado na herança de numerosas civilizações da Ásia e da Anatólia, e inspirado na arte da sua época e na cultura bizantina. Durante a época em que dominaram – da segunda metade do século XI até começos do XIV –, construíram monumentos de acordo com as suas crenças religiosas e as suas aspirações sociais: mesquitas, *türbe* (mausoléus), *madrasas* (escolas religiosas), *hammam* (banhos), *khan* ou caravanserai (hospedarias) e pontes.","quote":"«Criaram um estilo artístico enraizado na herança de numerosas civilizações da Ásia e da Anatólia»."},"29034c7a-8823-5847-9fb2-ed236e6ef371":{"title":"As artes decorativas","description":"A aplicação do reflexo metálico para decorar recipientes é uma técnica essencialmente islâmica, que se desenvolveu primeiro nos trabalhos em vidro para passar depois à cerâmica, com grande sucesso. No Egipto, tal técnica aplicou-se ao vidro desde, pelo menos, o século VIII. \nDe facto, a cerâmica de reflexo metálico, devido à influência dos oleiros fatimidas emigrados, marcou rapidamente o zénite da produção no Egipto, na qual também se trabalhavam outros tipos de cerâmica vidrada. Temos conhecimento da existência de oficinas de mestres oleiros, como a escola do Muçulmano e a de Saad. \nA indústria dos metais também prosperou. Havia artesãos especializados na produção de animais tridimensionais, recipientes de metal fundido e batido, instrumentos científicos como astrolábios, e instrumentos cirúrgicos.","quote":"«A aplicação do reflexo metálico para decorar recipientes é uma técnica essencialmente islâmica»."},"cbc12111-8c44-55d6-b676-b86eda25e6a1":{"title":"Tunísia","description":"O mobiliário europeu foi adotado ainda mais prontamente, e tornou-se comum ver camas de dossel com gesso dourado, espelhos e consoles fortemente dourados, lâmpadas venezianas e veludo e seda italianos ou franceses ao lado de móveis tradicionais hispano-magrebinos, embora essa nova tendência nunca tenha suplantado o estilo antigo. Novas importações também incluíram tapetes (zarbia) da Anatólia, baús de casamento esculpidos, mesas baixas e caixas com incrustações caras da Turquia. \nMóveis, roupas femininas, joias, etc., todos passaram pela mesma evolução. Revestimentos de parede, tapeçarias, roupa de cama e divãs, como roupas em geral, eram ricamente dotados de bordados levantinos.","quote":"“Móveis, roupas femininas, joias, etc. passaram pela mesma evolução.”"},"54f705a7-f6cc-5d60-88a2-8e1edc57ef20":{"title":"As *madrasas* e a educação","description":"O nível de alfabetização era elevado, competindo-se pelo patrocínio de escolas. Eruditos – *ulama* – do Iraque, do Irão, da Ásia Central, do al-Andalus, do Magrebe e do Egipto acorriam às *madrasas* de Damasco, onde encontravam um tecto e um terreno fértil para o ensino. Graças aos *waqf* (doações), os estudantes recebiam bolsas, salários e um lugar para viver. Os bons estudantes recebiam um *iyaza* (certificado), emitido pelos seus tutores. O processo de aprendizagem aparece frequentemente ilustrado nos frontespícios de manuscritos científicos e filosóficos.","quote":"«O processo de aprendizagem aparece frequentemente ilustrado nos frontespícios de manuscritos científicos e filosóficos»."},"ebe1e957-e9a6-5900-a103-902e5fee4e8f":{"title":"A gestão da água"},"699bcf48-10b7-5156-85dc-0aff994af0da":{"title":"A arte fora da capital","description":"Tal como outros impérios, os otomanos levaram, juntamente com o seu sistema administrativo e político, os seus gostos artísticos para os territórios conquistados. A partir das oficinas estabelecidas no palácio dominaram a arte nas províncias, que abarcavam uma vasta área geográfica. Apesar deste domínio das oficinas palatinas, também é certo que, à medida que nos afastamos da capital, começa a sobressair o gosto local. \nOs otomanos imitaram nas províncias o refinado gosto da capital. Esse gosto reflectia-se nos trabalhos encomendados directamente pelo palácio ou pelos governadores de cada província em nome do sultão. A obra dos patrocinadores locais competia até certo ponto com os trabalhos que se faziam em Istambul, mas mesmo assim conseguiram-se produtos artísticos notáveis.","quote":"«Apesar do domínio das oficinas palatinas, também é certo que, à medida que nos afastamos da capital, começa a sobressair o gosto local»."},"b554b571-d0e5-5750-8458-758d1d2857a2":{"title":"O sultão e a sua corte","description":"Na corte, o sultão rodeava-se de um círculo íntimo de servidores, cada um com uma tarefa muito concreta (copeiro, mordomo, tesoureiro, etc.). Estos mamelucos de alto estatuto tinham que apoiar lealmente o sultão em todos os seus objectivos religiosos, políticos e militares, mas frequentemente participavam nas lutas entre facções e pelo poder, contra o seu soberano. \nUm aspecto mais positivo é o facto de imitarem o sultão como mecenas das artes. Como os filhos dos mamelucos não herdavam nem o estatuto nem os privilégios dos seus pais, estes costumavam fazer legados (*waqf*) a fundações religiosas para assegurar o futuro e os rendimentos das suas famílias.","quote":"«Os servidores mamelucos do sultão imitavam-no como mecenas das artes»."},"dc90a515-7d31-50e6-bb8f-6de8b231efd4":{"title":"O Egipto abássida","description":"O Egipto foi governado directamente pelos abássidas entre os anos 750 e 969. As suas actividades agrícolas e comerciais proporcionaram receitas consideráveis, e a sua posição serviu-lhe de porta de entrada no Norte de África. Foi nomeado um governador para dirigir o país, apoiado por um exército e pela elite administrativa. Fustat, na margem oriental do Nilo, ao sul do Cairo, foi a principal capital comercial. A população desta cidade ainda era constituída por cristãos coptas, e o principal local de culto dos muçulmanos era a mesquita de Amr ibn al-As. O governador e o seu exército ocuparam a zona de Asakir, junto a Fustat.","quote":"*«Fustat, na margem oriental do Nilo, ao sul do Cairo, foi a principal capital comercial».*"},"396874d9-40a1-5d19-9b40-a8c4225d8397":{"title":"Rotas de peregrinação e lugares santos do caminho","description":"O Egipto era o ponto de encontro dos peregrinos do Norte e do Centro de África. Chegavam a Alexandria e continuavam até ao Cairo, onde embarcavam para Fustat para navegarem 640 km rio Nilo acima até à cidade de Qus, no Sul. Os camelos levavam-nos depois para Ayzaab, um dos principais portos do Mar Vermelho. Dali, barcos à vela transportavam-nos até à Arábia. O trajecto era arriscado: muitos barcos naufragavam e numerosos peregrinos morriam afogados.","quote":"«O Egipto era o ponto de encontro dos peregrinos que vinham do Norte e do Centro de África»."},"31839947-b81e-578b-b011-e2319540abf1":{"title":"Jordânia"},"9e30bc38-26f6-5892-9b38-6c81101cb0d5":{"title":"Vestuário e joalharia","description":"O Islão manda tanto aos homens como às mulheres que vistam moderadamente. Espera-se que as mulheres cubram a cabeça e vistam roupas com mangas largas que as tapem do pescoço aos tornozelos. Para além das convenções gerais, as vestimentas das muçulmanas variaram de cultura para cultura e de época para época, tanto nos tecidos como no corte, no número de roupas sobrepostas ou no estilo de toucados e acessórios. A classe social e a origem étnica também determinou a aparência das mulheres.","quote":"«O Islão manda tanto aos homens como às mulheres que vistam moderadamente. Espera-se que as mulheres cubram a cabeça»."},"98c2e587-fe2e-561f-800d-0429b0889c72":{"title":"A decoração geométrica na arquitectura","description":"As paredes revestem-se de painéis e frisos de temas geométricos em relevo e coloridos, como se fossem ricos tecidos. \nA ornamentação tridimensional surge nas chamadas *muqarbas,* no Ocidente, e *mucarnas,* no Oriente, empregues em arcos e em cornijas de janelas. Este tipo de adorno é constituído por peças prismáticas de variadas formas, unidas entre si. \nFinalmente, a decoração caligráfica de desenho geométrico, na variante da letra cúfica, percorre os frisos de edifícios religiosos e civis.","quote":"«As paredes revestem-se de painéis e frisos, como se fossem ricos tecidos»."},"ceba53e2-8d26-5b58-86d1-788c47e11fd6":{"title":"Coexistência das três culturas"},"1fe29955-194b-5f40-833a-ae7bf2b5e383":{"title":"O Cairo, Damasco e Jerusalém, centros da vida intelectual","description":"Sob o domínio mameluco, o Egipto, a Palestina e a Síria viveram um renascimento cultural, intelectual e artístico que se concentrou principalmente nas cidades do Cairo, Jerusalém e Damasco. O Cairo, a capital mameluca, era conhecido como «a metrópole do universo» e «o jardim do mundo». Naquela época, era o maior centro urbano do mundo e uma das mais prósperas cidades do Próximo Oriente, pelo que a ela acorreram intelectuais, eruditos, cientistas, artesãos e comerciantes.","quote":"«O Cairo, a capital mameluca, era conhecido como “a metrópole do universo”»."},"5a338511-2ac0-5415-a85c-90120546219d":{"title":"Tunisia","description":"De facto, a partir do final do século XVII, os edifícios públicos e privados começaram a incluir inovações na arquitetura, decoração e ornamentação. Os primeiros elementos do estilo barroco começaram a surgir, e as tradições locais de barro, estuque e madeira esculpida foram abandonadas em favor da decoração italiana ou rococó executada por artesãos estrangeiros. \nConstruíram-se casas sumptuosas nos mais belos bairros da medina, juntamente com casas de campo próximas rodeadas de jardins. \nA ornamentação diferia de um palácio para outro, mas o fascínio pelo mármore de Carrara e cerâmica importada tornou-se generalizado durante os séculos XVIII e XIX: grandes escadas de mármore, tetos de madeira pintados na Itália, azulejos napolitanos, estuques Husaynid e floral paining. Portas interiores e persianas eram feitas de painéis esculpidos italianos.","quote":"“No alvorecer da era moderna, a antiga Ifríqia Hafsida, então uma província otomana, abriu-se para o Oriente Otomano e o Ocidente Europeu.”"},"e7b309d4-f6ec-5a3c-85a4-64bb13cff1d3":{"title":"As comunidades islamizadas antes e depois da conquista normanda","description":"São raros os testemunhos materiais atribuíveis ao período do domínio islâmico na Sicília, entendendo-se este como a época em que a ilha, na sua totalidade, foi governada pelos emires kalbidas, vassalos dos fatimidas, mais a época da conquista normanda, quando determinadas zonas ficaram, durante algum tempo, em mãos muçulmanas. No campo arquitectónico trata-se, frequentemente, de muros de mesquitas ou fortificações, a maioria das vezes incorporados em estruturas posteriores.","quote":"«São raros os testemunhos materiais do período do domínio islâmico na Sicília. Trata-se, na sua maioria, de restos de muros de mesquitas ou fortificações»."},"8319f75e-c88b-5e0d-87d1-baa20d291ec5":{"title":"O *haraam* de Meca e a Kaaba"},"a1f710c0-f3ac-5a24-a8f4-4bfadf1b55e4":{"title":"A decoração geométrica nos recipientes de cerâmica"},"7e85c07a-48f2-5fc5-b04e-c0bb4eaed801":{"title":"A peregrinação à Terra Santa"},"6a6bebaa-7157-585a-a0a4-10139e43213c":{"title":"Flora e arabescos: expressões da eternidade e da unidade divina","description":"O arabesco foi a alternativa mais popular às composições florais naturalistas. Formado por uma combinação de caules, volutas, folhas e palmetas que saem uns dos outros e se estendem numa configuração simétrica sem fim, tornou-se popular na arte islâmica a partir do século XI. A versatilidade do arabesco tornou-o apropriado para a decoração tanto de objectos como de estruturas arquitectónicas, ao mesmo tempo que convidava à contemplação das insondáveis interconexões e interdependências de Deus.","quote":"«O arabesco foi a alternativa mais popular às composições florais naturalistas»."},"cffb5dbb-cdd6-5c87-9301-6dc14bb279d8":{"title":"A vida religiosa","description":"Para o vincado carácter religioso de Damasco contribuiu também o facto de ter sido ponto de partida da peregrinação anual (*hajj*). Durante o período ayyubida, um dos bairros dos arredores chamado al-Maydan cresceu junto ao caminho do *hajj* e converteu-se num importante centro de produção de arte religiosa. As expressões mais eloquentes de arte religiosa islâmica dos períodos atabeg e ayyubida encontram-se na arquitectura das mesquitas e nos alcorões com iluminuras. A alvenaria e a marcenaria de minaretes*,* *mihrabs*, *maqsuras* e *minbars* são exemplo deste primado.","quote":"«As expressões mais eloquentes de arte religiosa islâmica encontram-se na arquitectura das mesquitas»."},"21173928-d7cb-5f28-9f20-0a8f069336e7":{"title":"Rotas de peregrinação e lugares santos do caminho","description":"Também havia uma rota de peregrinação no norte para os que iam da Turquia, da Síria, do Iraque, e do Irão para Meca. Os viajantes continuavam até às proximidades da antiga Aylat (hoje al-Rumeil) e dali dirigiam-se para Medina e Jiddah. Muitos governantes ajudaram a manter o caminho, entre eles Sayyida Zubayda, esposa do califa Harun al-Rashid. Essa parte da via, que ela dotou de excelentes instalações, era conhecida como «Caminho de Zubayda».","quote":"«Também havia uma rota de peregrinação no Norte para os que iam da Turquia para Meca»."},"e80da55d-a24c-5ad5-8bdc-c203bda24973":{"title":"O *haraam* de Meca e a Kaaba","description":"Por tradição, a Kaaba está coberta com uma *kiswa* escura e laboriosamente decorada. Este costume foi iniciado pelo rei de Himyar, no Sul da Arábia, dois séculos antes da Hégira. As primeiras *kiswa* foram doadas pelo profeta Muhammad e pelos califas; depois, em cada ano era enviada do Egipto uma *kiswa* em fio de ouro, com frases do Alcorão e orações referentes ao *hajj* e à sua importância. Mandava-se também um par de requintadas cortinas para cobrir as portas da Kaaba e um pequeno saco com a chave, fabricada em latão com incrustações de prata e adornada com citações religiosas. A cerimónia de despedida tinha lugar durante uma grande celebração no Cairo. A *kiswa* começava a sua viagem no átrio da cidadela, escoltada por cavaleiros e detentores de altos cargos, entre tambores e trombetas, e rodeada por uma multidão de cidadãos.","quote":"«Por tradição, a Kaaba está coberta com uma kiswa escura e laboriosamente decorada»."},"5f07058e-e943-529b-9aad-26510494cbe8":{"title":"A cerâmica mudéjar","description":"A melhor época da louça dourada de Manises coincide com o predomínio dos temas zoomorfos: cervos, aves pernaltas, touros e aves pequenas ocupam o centro da composição, novidade decorativa que se afasta da tradição hispano-muçulmana. Com a decadência dos fornos de Manises, a cor passa de ouro pálido a acobreado ou tom de chocolate e a variedade de decorações reduz-se: a mais popular é agora um pássaro fantástico (*pardalot*) com o corpo sulcado por traços que imitam a plumagem.","quote":"«Com a decadência dos fornos de Manises, a cor passa de ouro pálido a acobreado»."},"a33e8d0d-78bb-5e1f-bf96-8cdd1b65b6f8":{"title":"Os mamelucos no mundo: a diplomacia e o comércio internacional","description":"Durante o seu governo, os mamelucos mantiveram estreitos laços diplomáticos com as principais potências europeias – entre elas Castela, a Sicília, as repúblicas italianas e Bizâncio –, assim como com os mongóis e o Extremo Oriente. Nas altas esferas, o intercâmbio de magníficas prendas diplomáticas originárias do Egipto e da Síria favoreceu e consolidou laços políticos. Ao mesmo tempo, o comércio a grande escala intensificou também as relações internacionais.","quote":"«Magníficas prendas diplomáticas originárias do Egipto e da Síria favoreceram e consolidaram laços políticos»."},"48a86896-7c77-5f66-a1d9-8df0111a6e0c":{"title":"O sistema mameluco","description":"A arte da guerra, o tiro com arco e a equitação constituíam a parte fundamental da formação dos mamelucos. De facto, o seu adestramento era comparável, em muitos aspectos, ao dos cavaleiros europeus da época. Periodicamente, celebravam-se torneios, nos quais não faltavam provas de competição como o pólo (yawkan), destinados a aperfeiçoar a destreza equestre dos mamelucos. No final da sua formação, eram libertados e recebiam armamento e um cavalo. A partir desse momento podiam começar a carreira militar; os melhores eram promovidos e chegavam a ser comandantes, governadores de províncias, servidores do sultão e até sultões.","quote":"«O adestramento dos mamelucos é comparável, em muitos aspectos, ao dos cavaleiros europeus da época»."},"9f7848ae-c4b1-5425-8491-708ef71e028d":{"title":"A gestão da água","description":"Embora os sistemas construídos pelos romanos tenham continuado a ser utilizados ao longo do tempo, o contributo da civilização islâmica para a gestão da água teve também grande importância. A imigração árabe e os crescimento da população em grande escala deram lugar a uma nova classe de terra-tenentes que investiram na produção agrícola. Assim, as técnicas hidráulicas herdadas dos romanos desenvolveram-se ainda mais com as dinastias islâmicas, como reflecte a construção de numerosos sistemas de gestão da água como acéquias, condutas subterrâneas, aquedutos, cisternas, barragens, reservatórios de água da chuva e noras.","quote":"«As técnicas hidráulicas herdadas dos romanos desenvolveram-se ainda mais com as dinastias islâmicas»."},"17ddd4ae-d694-5a72-955a-060b61ef530c":{"title":"As mulheres do trono: as netas de Fátima al-Zahra","description":"Em sinal de veneração à sua antepassada Fátima al-Zahra, filha do Profeta e mulher do imã Ali bin Abi Talib, os fatimidas concediam às princesas uma vida de luxo e de responsabilidade, e estas desempenhavam importantes papéis nas esferas pública e política. Esta atitude influiu de forma geral no trato que se dava às mulheres na sociedade da época. Muitas mulheres da corte ocuparam importantes postos políticos, e a irmã do califa al-Hakim bi Amrillah, Sitt al-Mulk, chegou a governar o Egipto durante quatro anos no lugar do seu irmão, ainda criança. Era frequente as mulheres de estatuto elevado administrarem a sua própria riqueza e terem uma vida empresarial activa; por exemplo, possuíam barcos que transportavam mercadorias a lugares remotos. O luxo do seu estilo de vida diz bem da sua riqueza pessoal. Uma princesa chamada Abda deixou tantos cofres cheios de gemas, jóias e tesouros que foram necessários 14 quilos de cera para selá-los e 30 resmas de papel para listar o seu conteúdo.","quote":"«Os fatimidas concediam às princesas da corte uma vida de luxo e de responsabilidade»."},"119ab24b-479f-5ff2-b732-0ff4c64e08e5":{"title":"As comunidades islamizadas antes e depois da conquista normanda","description":"Objectos de uso quotidiano e funerário como talhas de terracota e inscrições sepulcrais, algumas tipologicamente próximas de exemplos norte-africanos, tanto produzidos na ilha como importadas do Norte de África ou das zonas ainda muçulmanas da Península Ibérica, falam-nos das duradouras relações entre as regiões mediterrânicas que, pelo menos até estar bem entrado o século XIV, ultrapassam as distâncias entre dois mundos contrapostos.","quote":"«Objectos de uso quotidiano, similares na sua tipologia aos norte-africanos e aos ibéricos, falam-nos das relações duradouras entre as regiões mediterrânicas»."},"544d24b1-a4c5-568d-8a3b-dd38d938afe5":{"title":"A escrita cúfica","description":"A escrita cúfica teve origem em Kufa (Iraque) nas primeiras décadas do século VII. Desenvolveu-se a partir da escrita do Hedjaz, que por sua vez tinha influências da siríaca. Esta, por seu lado, surgiu do encontro de duas culturas, sendo atribuída à migração de vários cristãos iraquianos eruditos para Kufa na primeira metade do século VII. A sólida posição política e militar de Kufa propiciou a expansão do estilo a que deu o nome. A presença de numerosos eruditos muçulmanos – recitadores do Corão e *hadiths* – ajudou a difundir este estilo fora da cidade e favoreceu a sua evolução estilística e estética.","quote":"«A sólida posição política e militar de Kufa propiciou a expansão do estilo a que deu o nome»."},"97f0d7d4-686c-530b-b13e-3459e7fb2772":{"title":"O esplendor no vestir: o *tiraz* e os trajes da época","description":"O Egipto fatimida foi célebre pela sua produção de tecidos luxuosos, em particular pelas oficinas de têxteis denominadas *dar al-tiraz* de Damietta, Dabiq, Tanis, Alexandria e Shata. O termo persa *tiraz* designa uma banda decorativa bordada, cosida perto do bordo de um tecido ou de uma peça de vestuário, que contém bênçãos e, na época fatimida, o nome do califa governante ou de um dirigente de alto nível. Para cada oficina era nomeado um chefe que supervisionava todo o processo de produção, embalagem e transporte dos tecidos, sobretudo daqueles que tinham como destinatário o próprio califa. Esse supervisor gozava de um estatuto realmente privilegiado: recebia um excelente salário e, quando visitava o Cairo, era recebido com uma procissão de boas-vindas.","quote":"«O Egipto fatimida foi célebre pelas oficinas de têxteis denominadas dar al-tiraz»."},"9275ed46-c379-591c-b8f5-c59e0879225f":{"title":"A civilização da palavra","description":"O costume de incluir o nome e os títulos do mecenas, assim como bênçãos, correspondia ao desejo pessoal de comemorar o seu próprio patrocínio, sobretudo quando os objectos em causa iam obsequiar instituições públicas como mesquitas ou *madrasas*. Havia artesãos que, contudo, usavam a caligrafia com fins meramente decorativos e criavam inscrições ilegíveis cuja finalidade não era serem entendidas. \nPor vezes, os objectos percorriam longas distâncias até chegarem ao seu destino, onde talvez servissem de inspiração aos artistas locais.","quote":"«Alguns artesãos usavam a caligrafia com fins meramente decorativos e criavam inscrições ilegíveis»."},"c3c3c6a9-356a-5b3d-b18a-805d7175e3fa":{"title":"Reformas administrativas"},"ab86e7ab-a2af-55b0-bd1d-acb09915baa1":{"title":"A mesquita e o palácio","description":"A dinastia fatimida empenhou-se a fundo na construção, decoração e manutenção de mesquitas, de forma a disseminarem as crenças xiitas. As mesquitas fatimidas, quer estivessem em Mahdia quer na magnífica capital do Cairo – que albergava imponentes complexos como as mesquitas de al-Azhar e al-Aqmar –, quer ainda em regiões remotas como a Sicília, foram pensadas para resplandecer como faróis difusores da propaganda xiita. Arquitectonicamente, as mesquitas fatimidas apresentam características inconfundíveis: uma entrada saliente que lembra os arcos de triunfo romanos, uma cúpula de pedra decorada e uma fachada com inscrições de conteúdo xiita em escrita cúfica. Mas o que mais chama a atenção é a ausência de minarete.","quote":"«As mesquitas fatimidas foram pensadas para resplandecer como faróis difusores da propaganda xiita»."},"ee7a2a3a-731e-564b-b6f7-1f7eb1934418":{"title":"O Cairo, Damasco e Jerusalém, centros da vida intelectual","description":"Jerusalém é uma cidade santa para o Islão, o Cristianismo e o Judaísmo. A cidade prosperou na época dos mamelucos, que empreenderam grandiosos projectos arquitectónicos e conseguiram fazer dela o principal destino de peregrinos, eruditos religiosos e cientistas. De facto, Jerusalém foi um centro de intercâmbio intelectual, introspecção mística e debate religioso tão popular que chegou a ter mais de cem *madrasas* e centros de estudo – onde trabalhavam alguns dos intelectuais mais reputados da época –, fruto de generosas doações.","quote":"«Os mamelucos conseguiram fazer de Jerusalém o principal destino de peregrinos, eruditos religiosos e cientistas»."},"6ca7f36b-6ff1-5be2-b8a1-162095f62272":{"title":"Arte e arquitectura régias","description":"A arquitectura religiosa ligada à corte normanda é representada por algumas igrejas, edificadas aproveitando os espaços e as estruturas da época islâmica precedente.","quote":"«Algumas igrejas reais foram erguidas sobre restos de edifícios islâmicos»."},"94fec78e-a38a-50eb-964d-7cb6963f9585":{"title":"Turquia","description":"A admiração otomana pela arte, arquitetura e urbanismo ocidentais levou ao nascimento de um novo gosto no Período Tulipa (1718-1730). Progressivamente, durante as décadas seguintes, as características barrocas e rococó foram introduzidas no estilo otomano, tornando assim os estilos Império, Neoclássico e Eclético bastante comuns no século XIX.","quote":"“A admiração otomana pela arte, arquitetura e urbanismo ocidentais levou ao nascimento de um novo gosto no Período Tulipa (1718-1730).”"},"46dc88ff-bfef-555f-911d-3ced9ca58efa":{"title":"Guardiães dos Lugares Santos","description":"Após a conquista otomana do Egipto em 1517, os governadores locais de Meca, por razões políticas e económicas, ofereceram ao sultão Selim I o poder supremo sobre a Arábia. Em consequência disso, as duas cidades muçulmanas mais importantes, Meca e Medina – e com elas os lugares sagrados do Islão –, passaram a fazer parte do Império Otomano, e os sultões adoptaram o título de califa. Assim, durante cerca de 400 anos, os sultões dedicaram particular atenção aos Lugares Santos, que generosamente mantiveram.","quote":"«Durante cerca de 400 anos, os sultões dedicaram particular atenção aos Lugares Santos, que generosamente mantiveram»."},"93c54687-ed57-54c6-8dc9-82032411c77b":{"title":"A decoração geométrica na arte do livro"},"622bc6c4-0521-53bd-80a6-0fa7a314fc9b":{"title":"O Sagrado Alcorão","description":"O Alcorão, livro sagrado do Islão, contém as palavras que Deus revelou oralmente em árabe ao profeta Muhammad entre os anos 610 e 632. As revelações foram reunidas num só volume pelos companheiros do Profeta e pelos primeiros califas, especialmente pelo terceiro, Uzman Ibn Affan (644-656), em cuja época o texto foi organizado tal como o conhecemos. O Alcorão consta de 114 capítulos ou *suras* e 6232 versículos ou *aleias*.","quote":"«O Alcorão, livro sagrado do Islão, contém as palavras que Deus revelou oralmente em árabe ao profeta Muhammad»."},"11b19208-0f2c-5176-9948-5d121532b39a":{"title":"Mulheres muçulmanas benfeitoras","description":"As mulheres promoveram também a construção de *ribat* (fortificações religiosas) e *janqa* (conventos de derviches), no início como retiro para guerreiros religiosos e mais tarde como lugares de culto e albergue para os pobres. A educação foi outra das esferas patrocinadas activamente pelas mulheres. Um exemplo é a *madrasa* de Umm Sultan Shaaban, centro educativo do Cairo, construída pela mãe deste sultão mameluco. Também se ergueram escolas (*kuttab* e *madrasas*) para fomentar a educação das jovens. Outras obras de beneficência foram hospitais (*bimaristan*), como o anexo da Mesquita Maior de Divriği, encomendado por Turan Melik (século XIII), ou o construído por ordem de Aziza Othmana (século XVII).","quote":"«As mulheres apoiavam também a construção de ribat, janqa, bimaristan e madrasas»."},"1dbcce8a-f15c-5124-8ef3-103e38fe1b4e":{"title":"Ciência e saber","description":"Os mandatários muçulmanos preocuparam-se sempre com o abastecimento de água à população e aplicaram os conhecimentos científicos disponíveis na obtenção da melhor solução. Os equipamentos de abastecimento de água que se conservam são os mais sólidos: diques, aquedutos e noras.","quote":"«Ciência e tecnologia hidráulicas»."},"d0091937-ae75-5b53-b750-fd43ae2c25e5":{"title":"Vestuário e joalharia"},"ee2aaf47-9aaa-5955-b4b2-c1f9cacab9fc":{"title":"Prazeres e celebrações na corte","description":"Na vida da corte fatimida e dos seus vassalos – os ziridas do Norte de África e os kalbidas da Sicília –, apesar do seu carácter devoto, não faltavam os espectáculos de poetas, cantores e bailarinas. No Norte de África, os fatimidas acolheram poetas locais como Ibn Hani e al-Ladi, da Ifriqiya (Tunísia). No Cairo, a corte recebeu poetas vindos de todo o mundo islâmico. Vários califas compuseram poemas que, em certas ocasiões, eram declamados em público. Os espectáculos musicais, que usavam elementos do repertório andaluz, foram herdados da tradição oriental. Os intérpretes eram músicos – homens e mulheres – que tocavam instrumentos como a flauta de junco, o alaúde e o saltério. Os cantores, muitos dos quais tocavam também um instrumento, entoavam poemas de amor e de cavalaria. Não faltavam as harmoniosas representações de bailarinos e bailarinas; a popular «dança do lenço» aparece reflectida em numerosos relevos.","quote":"«Na vida da corte fatimida, apesar do seu carácter devoto, não faltavam espectáculos»."},"4d22c9f5-70ed-5031-b70e-7aa555a8fa7a":{"title":"A representação humana","description":"A arte islâmica adaptou e estilizou sem hesitações as figuras humanas da arte pré-islâmica. Podemos encontrar esta figuração na decoração de objectos e de monumentos (em geral, com excepção das mesquitas), em tecidos, em esculturas, em moedas e em manuscritos com iluminuras. As figuras religiosas, como as dos profetas e dos anjos, foram inspiradas na tradição bizantina, e os temas míticos como as harpias – pássaros com cabeça de mulher – na da Antiguidade. Outras formas figurativas foram adaptadas a partir de imagens bem estabelecidas e culturalmente familiares.","quote":"«A arte islâmica adaptou e estilizou sem hesitações as figuras humanas da arte pré-islâmica»."},"93d8ebf1-31d8-5e89-966d-89b3cb0abebd":{"title":"Súbditos cristãos sob governo omeia"},"0f9828f8-dd3a-5969-ba97-2fc083ca3fe9":{"title":"Profissionais, artesãs e artistas","description":"Muitas mulheres passaram à história como músicas e bailarinas do mais alto nível, e várias foram contratadas como artistas da corte com generosas remunerações, como Nasab, cuja habilidade com o tambor foi tal que o califa fatimida al-Mustansir bi Allah lhe ofereceu terras no Cairo, que depois se converteriam num bairro a que se chamou al-Tabalah (a Tamborileira) em sua honra. A intérprete de alaúde Itifaq chegou mesmo a casar-se com o governante mameluco al-Malik al-Muzaffar Hayi ibn Qalawun. Quando foi actuar, ele estendeu sedas no solo para que Itifaq nelas caminhasse, e quando esta terminou a sua actuação, entregou-lhe quatro jóias e seis pérolas avaliadas em 4.000 dinares.","quote":"«Muitas mulheres passaram à história como músicas e bailarinas do mais alto nível»."},"5cef1f76-07da-5ce0-a8f7-d678e155d371":{"title":"Súbditos cristãos sob governo omeia","description":"A conquista da região do Próximo Oriente, que traça um arco do norte do deserto sírio até ao vale do Nilo abarcando os rios Tigre e Eufrates – conhecida modernamente como Crescente Fértil –, foi levada a cabo em nome do Islão. O período do califado omeia que se seguiu trouxe menos mudanças para a população cristã do que normalmente se crê, pois as comunidades muçulmanas concentraram-se nas cidades e em localidades de criação recente para a elite militar, e os cristãos continuaram a viver em cidades pequenas e nos campos, sem serem excluídos dos cargos governamentais. \nAs comunidades cristãs continuaram sendo prósperas e os artesãos continuaram a produzir numerosos objectos, como lâmpadas para uso religioso ou doméstico. Em muitos deles está presente a imaginária cristã. \nPoucas igrejas ficaram fora de uso. A igreja basilical de três naves era a mais comum, e, como é lógico, os templos das cidades eram mais sumptuosos do que os das zonas rurais. Muitas igrejas da época eram famosas pelos seus belos pavimentos de mosaico.","quote":"«As comunidades cristãs continuaram sendo prósperas e os artesãos continuaram a produzir numerosos objectos»."},"1d025879-0f4e-58f5-9d96-55b7af6f72a3":{"title":"A civilização da palavra"},"543aaa57-6637-5f92-ac7d-d3ff9c19f682":{"title":"A arte andaluzo-magrebina","description":"A arte nasrida no al-Andalus e a merinida, a zianida e a hafsida no Magrebe representam o ponto culminante da profusão decorativa na arte muçulmana ocidental. As suas relações originaram uma arte muito parecida – com resultados tão importantes como a Alhambra de Granada ou a *madrasa* Attarin de Fez – que se converteu no paradigma da arte islâmica ocidental.","quote":"«Merinidas e nasridas: paradigma da arte islâmica ocidental»."},"39470669-f271-52b5-9ea9-ee88e042362a":{"title":"Vida privada das mulheres muçulmanas","description":"Na cultura islâmica, casas e palácios estavam pensados para garantir a intimidade das mulheres, protegendo-as de intrusões e de incómodos por parte de estranhos. Nessa esfera exclusivamente privada, as mulheres dirigiam com liberdade os assuntos domésticos, cumpriam os compromissos familiares, confraternizavam com outras mulheres do extenso grupo familiar, próximas e amigas, e ocupavam-se das suas próprias necessidades e actividades. Tinham direito aos seus bens e ao dote, incluindo as jóias que recebiam dos seus prometidos ao casarem-se e que conservavam inclusivamente em caso de divórcio. Na corte, as mulheres viviam esplendorosamente, com todas as comodidades, em dependências palatinas que lhes estavam reservadas em exclusivo.","quote":"«Na cultura islâmica, casas e palácios estavam pensados para garantir a intimidade das mulheres»."},"68239d8d-9472-53ee-9876-51e1be828f05":{"title":"Ofícios mudéjares","description":"Os oleiros mudéjares transmitiram à Europa medieval as tecnologias mais inovadoras relacionadas com o vidrado que, fosse simplesmente plumbífero ou transparente, estanífero ou branco opaco e, finalmente, de reflexo metálico, dotava a cerâmica da necessária impermeabilização e da desejada beleza. A produção estendeu-se a toda a Península, mas foram as cerâmicas vidradas e pintadas das olarias de Paterna e de Teruel e as louças douradas de Manises as mais apreciadas e exportadas.","quote":"«Os oleiros mudéjares dominaram o vidrado e transmitiram-no à Europa medieval»."},"9d838b06-c754-52b5-b005-6c418fbd4fdc":{"title":"As jóias: riqueza, prestígio e protecção","description":"As jóias foram sempre muito apreciadas pelos muçulmanos. Os homens utilizavam-nas como adornos de vestimentas e turbantes, imitando, por vezes, hábitos femininos como no caso do uso de brincos. As principais utilizadoras de jóias eram, contudo, as mulheres que, qualquer que fosse a sua condição social, apreciavam os adornos pessoais. Segundo o escritor nasrida Ibn al-Jatib, as mulheres granadinas rivalizavam na arte de se adornarem com pedras preciosas e vestidos de tal modo que: «[...] por infelicidade, chegaram nossos dias a tal extremo no atavio, no enfeite e na ostentação, no afã pelos ricos tecidos e pelas jóias, que já é um desenfreamento”.","quote":"«Símbolo de prestígio e de posição social»."},"24e11f60-92ed-5fc9-959e-e0aa49482ffe":{"title":"A representação humana"},"4c126e80-2567-5abd-9191-3d40f380e81f":{"title":"Al-franj, os cruzados no Levante","description":"«Até ao século XX, o Próximo Oriente não voltou a viver um período semelhante de contacto directo com o Ocidente».","extra":{"credits":"Curators & authors (British Museum should be added) \nMona AL-MUADIN, Damascus \nSheila CANBY, London \nVerena DAIBER, Damascus \nAbdel-Razzaq MOAZ, Damascus \nKhader SALAMEH, Jerusalem \nEmily SHOVELTON, London \nZena TAKIEDDINE, Damascus \n \nCoordination \nSamer ABDEL-GHAFOUR, Damascus \nZena TAKIEDDINE, Damascus \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Entre 1095 e 1144, houve catorze Cruzadas latinas a diversas zonas da costa mediterrânica: nove à Terra Santa, duas a Bizâncio, duas ao Egipto e uma à Tunísia. Balduíno de Bolonha conquistou Edesa e criou o primeiro estado Cruzado em al-Raha, em 1098. Nos 200 anos seguintes ganharam-se e perderam-se na zona numerosos Estados latinos. \nOs cruzados europeus receberam o nome de *al-franj* (os francos). Embora a história dos cruzados tenha início em 1099 com um terrível massacre em Jerusalém, dois séculos mais tarde os francos fixados na região tinham mudado e tinham-se adaptado à vida dos muçulmanos do Próximo Oriente. \nAntes das Cruzadas, o contacto entre árabes e europeus no Mediterrâneo oriental era mínimo, e a informação que tinham uns dos outros era escassa e influenciada por preconceitos religiosos. A época das Cruzadas, embora tenha sido violenta, trouxe consigo um certo grau de tolerância religiosa e favoreceu o intercâmbio cultural. Até ao século XX, o Próximo Oriente não voltou a viver um período semelhante de contacto directo com o Ocidente. A beleza da Cúpula do Rochedo deixou os invasores esmagados e, graças a uma vivência pessoal, melhorou a opinião que os cruzados latinos tinham do Ocidente islâmico, o que ficou reflectido na literatura da época. \nOs edifícios religiosos islâmicos converteram-se em igrejas e instituições cristãs. Em Jerusalém, a Cúpula do Rochedo e a mesquita de al-Aqsa foram transformadas em igrejas; nesta última chegaram, inclusivamente, a hospedar-se cavaleiros cruzados. Em Hebron, o tecto original da mesquita de al-Ibrahimi foi substituído por outro, de estilo românico. Mas estas influências não se ficaram pela arquitectura, tendo chegado também à moda, à gastronomia, aos costumes religiosos e à cultura popular. Em finais do século XIII, os ayyubidas e os mamelucos tinham expulsado os cruzados, e muitos edifícios, incluindo igrejas, foram transformados em mesquitas. Este processo enriqueceu a estética geral da zona e favoreceu uma combinação harmoniosa do estilo latino e da arte islâmica.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/crusader/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/24/portal_image/1.jpg","display_order":15}}},"144150df-f28d-5d4f-8acc-353e17527739":{"title":"A peregrinação à Terra Santa","description":"Na época das Cruzadas, o Levante estava dividido em várias cidades-Estados rivais. Algumas eram principados cruzados e outras eram regidas por governantes locais. Isto quer dizer que viajar e peregrinar na Terra Santa podia ser perigoso, mesmo em tempo de paz, mas mais ainda nas épocas de guerra. Apesar destas dificuldades, houve muitos viajantes corajosos decididos a chegar à Terra Santa.","quote":"«Viajar e peregrinar na Terra Santa podia ser perigoso, mesmo em tempo de paz»."},"5838d42d-f446-52f1-8928-5f1d6b6140a6":{"title":"Ofícios mudéjares"},"9b603cf4-3d1b-5d98-b644-0c415a7c2a10":{"title":"Guardiães dos Lugares Santos"},"82d1ab69-c61e-55a9-920a-bf67ddfb6bda":{"title":"O Ocidente Muçulmano","description":"Apesar de estar fortemente integrado no conjunto da civilização muçulmana, o Ocidente islâmico manteve sempre, desde o Atlântico até ao estreito da Sicília, uma inegável especificidade.","extra":{"credits":"Curators & authors \nCarmen ALONSO-RODRIGUEZ, Madrid \nMaria da Conceição AMARAL, Silves \nGaspar ARANDA, Madrid \nHouria CHERID, Algiers \nLakhdar DRIAS, Argel \nNaima ELKHATIB-BOUJIBAR, Casablanca \nÁngela FRANCO, Madrid \nÁngela GARCIA-BLANCO, Madrid \nSusana GOMEZ, Mertola \nTaha KHECHINE, Kairouan \nKamal LAKHDAR, Rabat \nSantiago MACIAS, Mertola \nMohamed MEZZINE, Fez \nMargarita SANCHEZ-LLORENTE, Madrid \nClaudio TORRES, Mertola \n \nCoordination \nMiguel GARCIA, Madrid \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Na sua expansão em direcção a oeste a partir do Médio Oriente, os muçulmanos chegaram aos territórios que hoje constituem a Tunísia, a Argélia e Marrocos (que denominaram Magrebe), Espanha e Portugal (al-Andalus); a islamização foi aqui um processo complexo, enraizado no desenvolvimento das tradições urbanas existentes, que levou ao ressurgimento das cidades no século IX. Sem excluir esporádicos confrontos, a nota dominante é a da coexistência de árabes, de populações autóctones e de comunidades religiosas (muçulmanas, cristãs e judias), favorecida pela actividade mercantil e pela tolerância religiosa. \nDependentes do califado de Damasco num primeiro momento, os emirados foram-se tornando independentes aos poucos. Sucederam-se as dinastias locais (idrissidas, omeias do al-Andalus, ziridas, hammadidas, almóadas etc.) que trataram de afirmar-se através da emulação dos califas orientais com a construção de edifícios palatinos, com o exercício e a exibição dos atributos e dos símbolos do poder, e através da defesa e do controlo absoluto do território sob o seu domínio. \nApesar de estar fortemente integrado no conjunto da civilização muçulmana, o Ocidente islâmico manteve sempre, desde o Atlântico até ao estreito da Sicília, uma inegável especificidade, reflectida sobretudo nas novidades arquitectónicas e decorativas de origem oriental, que evoluíram no al-Andalus e no Magrebe até dar vida a uma arte bem característica desta área do Islão. Mas, para além dos monumentos, outro património marcou indelevelmente, e até hoje, o Ocidente muçulmano: os modos de vida, os sabores, os gestos, os sons, as formas de expressão, os saberes…","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/muslim_west/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/27/portal_image/1.jpg","display_order":7}}},"55222856-3011-566b-aae5-57b726cf2d41":{"title":"A decoração geométrica nos têxteis","description":"A própria técnica decorativa dos tecidos, neste caso o bordado, favorecia o uso de motivos geométricos e a geometrização de outros motivos. Estrelas, rombos, quadrados ou simples bandas decoravam tecidos, roupas e toucados com desenhos simples.","quote":"“Estrelas, rombos, quadrados ou simples bandas decoravam tecidos, roupas e toucados»."},"d3086523-5bfd-58be-92ce-ac1f8ca548d7":{"title":"A representação humana","description":"As representações humanas na arte islâmica encontram-se em diferentes suportes: mosaicos, frescos e esculturas. Para além dos retratos, o observador pode apreciar representações pictóricas de passatempos como a caça, de cenas de batalhas, de danças, de concertos, de recitais poéticos, de mulheres nuas ou seminuas, de jogos e acrobacias, de portadores de presentes e de cenas de trabalho. O «significado» preciso das imagens pode ser entendido de modo diverso, e por vezes contraditório, pelo que, com frequência, a motivação inicial para a escolha do tema não resulta clara. Embora a maioria das imagens possa, em geral, interpretar-se como expressão de uma vida luxuosa, dos prazeres da corte, da riqueza e do poder, algumas delas podiam entender-se como referência a factos históricos ou sociais concretos. Além disso, os pormenores de algumas cenas de caça mostram imagens da natureza de determinados lugares.","quote":"«Os pormenores de algumas cenas de caça mostram imagens da natureza de determinados lugares»."},"506ae4e4-634a-525e-8b8e-dc798aafe087":{"title":"Turquia","description":"Esses novos recursos, na verdade, não se repercutiram nas plantas dos monumentos, mas trouxeram uma mudança notável na sua decoração. Elementos decorativos ocidentais também foram aplicados em muitas áreas do artesanato, alterando o repertório decorativo tradicional predominante na arte otomana. O novo gosto, iniciado em Istambul nas oficinas do palácio, difundiu-se na Anatólia quase contemporaneamente.","quote":"O novo gosto, iniciado em Istambul nas oficinas do palácio, difundiu-se na Anatólia quase contemporaneamente."},"b5239e1f-1ae6-5f79-9b09-016f7be99ee0":{"title":"A peregrinação à Terra Santa","description":"Havia duas rotas principais para as caravanas de peregrinos que iam a Meca: a egípcia, que era a que seguiam os muçulmanos subsaarianos e do Norte de África; e a síria, pela qual viajavam os peregrinos das províncias ocidentais. Por causa dos conflitos causados pelos cruzados, a caravana síria tinha, com frequência, que mudar o seu trajecto e procurar caminhos mais a este para se esquivar da Terra Santa.","quote":"«Havia duas rotas principais para as caravanas de peregrinos que iam a Meca»."},"1b7b04e6-d4cb-5a10-a0bf-8f61b4de570f":{"title":"A formação da arte islâmica"},"036e868a-be9f-5e20-a301-fbf277420082":{"title":"O sistema mameluco","description":"A notável capacidade do sultanato mameluco baseou-se numa complexa estrutura hierárquica de escravos militares às ordens do sultão. Os mamelucos eram comprados, recebidos como prenda, ou feitos prisioneiros de guerra. A princípio, a maioria eram turcos, curdos e mongóis, a que se juntaram circassianos e georgianos a partir do século XIV. Os recrutas mamelucos eram submetidos a um exame médico completo, que determinava se estavam ou não aptos para o serviço. Uma vez aceites, eram-lhes dadas aulas de religião e de árabe básico, e era-lhes exigida uma lealdade incondicional ao seu sultão.","quote":"«Os mamelucos eram comprados, recebidos como prenda ou feitos prisioneiros de guerra»."},"bea69b13-6fa2-574b-aa7f-147e96a211c7":{"title":"Reformas administrativas","description":"A partir da reforma monetária, toda a actividade de cunhagem do período omeia foi realizada com um peso e um desenho fixos: moedas totalmente epigráficas, com a data e uma fórmula religiosa. Estas medidas serviram para introduzir uma uniformidade monetária de que até aquele momento se carecera.","quote":"*«A partir da reforma monetária, toda a actividade de cunhagem do período omeia foi realizada com um peso e um desenho fixos».*"},"635d4cb2-5c7e-5d27-bd41-43032dd5262b":{"title":"Tunísia","description":"Desde a Antiguidade, a Tunísia, um pequeno país na encruzilhada das civilizações mediterrânicas, tem sido um ponto de encontro entre o Mediterrâneo Oriental e Ocidental, a África e a Europa. No alvorecer da era moderna, a antiga Ifríquia Hafsida, então uma província otomana, abriu-se para o Oriente Otomano e o Ocidente Europeu. \n \nTroca e interferência \nNa Tunísia dos *dey* e depois dos *bey*, os novos governantes turcos do país iniciaram a construção de mesquitas, madraças, *zawiyas*, palácios, quartéis, fontes públicas, aquedutos e muralhas, particularmente na capital, de forma a perpetuar o seu nome. \nAs casas comerciais europeias concentraram-se em Túnis, a capital segura da Regência, onde se estabeleceram sob a proteção dos tratados de paz assinados pelo sultão de Istambul. \nEste período viu o surgimento de uma forte propensão para tudo o que fosse europeu, iniciada entre os príncipes, dignitários da corte e outros indivíduos poderosos dentro do regime. Além de contatar com os europeus instalados em Túnis, alguns deles viajaram para a Europa: *Bey* Ahmed, por exemplo, foi recebido em 1846 por Luís Filipe de França com toda a pompa de uma visita real . As missões a Istambul levaram à descoberta dos produtos de luxo mais requintados. Tal facto teve um efeito profundo na arte e arquitetura tunisinas dos séculos XVIII e XIX.","quote":"“No alvorecer da era moderna, a antiga Ifríquia Hafsida, então uma província otomana, abriu-se para o Oriente Otomano e o Ocidente Europeu.”"},"0f404f1e-3645-5bfa-870f-1b45825073f7":{"title":"Os Omeias","description":"A arte omeia é uma combinação de estilos e de motivos decorativos tomados de diversas tradições artísticas.","extra":{"credits":"Manal BASYOUNI, Aqaba \nGhazi BISHEH Amman \nJens KRÖGER, Berlin \nAida NAGHAWI DODO, Amman \nMohammad NAJJAR, Amman \nSamarah WOROUD, Irbid \n \nCoordination \nGhada AL-YOUSEF, Amman \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"A dinastia dos omeias foi fundada pelo califa Muawiya I ibn Abi Sufyan no ano 661 e permaneceu no poder até ao seu derrube pelos abássidas em 750. Quando Muawiya subiu ao trono, escolheu Damasco como capital do império. Esta decisão teria importantes consequências para a arte omeia, uma vez que naquela altura predominava em Damasco a influência artística clássica. Elementos da arte sassânida, bizantina e, inclusivamente, copta influíram também no desenvolvimento da arte islâmica durante esta época, de maneira que a arte omeia é uma inovadora combinação de estilos e de motivos decorativos tomados de diversas tradições artísticas, que serviram para expressar as múltiplas aspirações daquele tempo. \nOs numerosos edifícios ainda de pé são o melhor testemunho desta dinastia. Além das edificações erguidas por ordem da família real, levaram-se a cabo ambiciosos programas de arquitectura urbana. Tanto a Cúpula do Rochedo, em Jerusalém, como a Mesquita Omeia, em Damasco, parecem ter sido construídas como símbolos do poder e do triunfo dos omeias. Estes edifícios transmitem ainda a grandeza da arquitectura dinástica. Por outro lado, os extraordinários palácios antes conhecidos como «castelos do deserto» continuam a fascinar-nos por permitirem vislumbrar a vida na corte omeia e o seu cerimonial. \nEstes e outros edifícios eram esplendidamente decorados. Tanto os palácios como os banhos foram ornamentados com mosaicos figurativos no solo e com frescos nas paredes. Os outros materiais arquitectónicos eram a pedra e o estuque, habilmente lavrados com animais, motivos florais estilizados e desenhos abstractos. As artes menores também floresceram, e ainda hoje sobrevivem exemplos que sugerem a perfeição alcançada na marcenaria e na arte dos metais. \nA arte omeia, com o seu espectacular e vibrante ecletismo, pode considerar-se como uma continuação da arte da Antiguidade Tardia. Quando a dinastia abássida chegou ao poder, começou uma nova fase na evolução da arte islâmica.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/the_umayyads/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/10/portal_image/1.jpg","display_order":1}}},"3e98d267-1ed6-58c4-84e5-e601b73d8d09":{"title":"A função de flores e plantas concretas","description":"Outra flor popular, sobretudo na Turquia otomana, foi a tulipa. Conhecida como *lale* entre turcos e persas, esta elegante e versátil flor cultivou-se com paixão na época otomana. No século XVIII, durante o sultanato de Ahmed III, o amor pelas tulipas tornou-se obsessivo: organizaram-se festas extraordinariamente caras que quase levaram o Império Otomano à falência. A sua beleza foi também celebrada pela poesia religiosa, na qual simbolizava o mártir da fé e o amante místico e abnegado.","quote":"«Outra flor popular, sobretudo na Turquia otomana, foi a tulipa»."},"985ee9aa-03b0-5c47-b575-bf5cdd263b4b":{"title":"Gestão da prosperidade","description":"Com uma população em expansão e conscientes da importância de uma boa planificação urbana, os abássidas construíram povoações e cidades onde se prestou particular atenção às rotas de comunicação e de transporte. Enquanto os governantes aglábidas da Ifriqiya construíam Raqqada – cidade localizada a cerca de oito quilómetros de Kairouan –, para aí albergarem os seus palácios, parques e jardins, mais a oriente, na Síria abássida, construíam-se novos bairros habitacionais em Jarab Sayyar, uma cidade fortificada na principal via entre al-Raqqa e Mosul (Iraque).","quote":"«Construíram povoações e cidades onde se prestou particular atenção às rotas de comunicação e de transporte»."},"ed29c746-606e-5ae8-95a5-8870ae170839":{"title":"Egito","description":"Quando Mohammad Ali se tornou *Wali* do Egito em 1805, introduziu a base para um novo renascimento egípcio, em cuja modernização se tornou evidente a adoção de caraterísticas ocidentalizadas nas artes plásticas e decorativas, artesanato e arquitetura. Este período de modernização culminou com os filhos de Muhammad Ali, que lhe sucederam, contratando numerosos arquitetos e artesãos europeus para construir e decorar vários palácios no Egito ao estilo europeu. Estes foram encorajados a usar elementos arquitetónicos e decorativos conforme os estilos barroco e rococó então em voga. Isto é evidente no Palácio Abdeen, nos *sabils* de Muhammad 'Ali em Nahaseen e Umm Abbas na Rua Saliba, e em edifícios espalhados por outras cidades egípcias, mas mais percetíveis no Cairo. O Museu de Arte Islâmica no Cairo abriga um grande número de cerâmicas, peças de mármore e manuscritos exibindo claramente elementos decorativos ocidentalizados caracterizados por linhas curvas, folhas de acanto e flores e coroas em alto relevo.","quote":"“Quando Mohammad Ali se tornou *Wali* do Egito em 1805, introduziu a base para um novo renascimento egípcio...”"},"aa042c08-6f7c-5f9d-b7df-e0e92304f71d":{"title":"Exportação de luxo"},"07323655-399a-5f20-bd33-36fbfca525bd":{"title":"A arte mudéjar aristocrática e civil","description":"A arte mudéjar aristocrática foi uma criação dos reis e dos nobres do seu círculo, motivada pelo desejo de imitar os palácios muçulmanos, cujo fausto conheciam através das embaixadas. À medida que os reis cristãos iam conquistando as cidades do al-Andalus, os ricos salões, jardins e alcovas dos palácios andaluzes converteram-se na residência real e no palco da vida aristocrática, como manifestação expressa do domínio sobre o inimigo e da admiração pela sua arte. Ao mesmo tempo, nos novos palácios copiavam-se o uso do gesso e da tijoleira, a ornamentação sofisticada dos interiores e a harmonia de pátios e jardins. A Aljafería, o Real Alcácer e o palácio de Sintra exemplificam a reutilização dos palácios andaluzes, ou do seu ambiente, por parte dos reis cristãos.","quote":"«Palácios andaluzes para os reis cristãos»."},"221eaf00-cefe-5da4-b4e5-b0ff24d5d9a0":{"title":"Flora e arabescos: expressões da eternidade e da unidade divina","description":"Quando as flores não eram representadas com realismo, apareciam frequentemente como desenhos mais ou menos fantásticos que realçavam ao máximo o exterior de edifícios ou de objectos. Estas composições florais podiam ser tão intrincadas que desviavam a atenção das formas que decoravam, chegando mesmo a ocultá-las. Os edifícios e objectos pareciam cobertos pelos desenhos florais esculpidos, pintados ou aplicados que, ainda que sobretudo decorativos, proporcionavam também a oportunidade de contemplar a eterna complexidade do universo, que emanava do seu criador, Allah, e Nele culminava.","quote":"«Quando as flores não eram representadas com realismo, apareciam frequentemente como desenhos fantásticos»."},"929519b4-bcdf-5831-adb9-06ef4ef80b6b":{"title":"Os mamelucos no mundo: a diplomacia e o comércio internacional","description":"Nas cidades mamelucas do Cairo, Damasco e Jerusalém construíram-se numerosos mercados ou centros de comércio (caravanserai, conhecidos também como *suq*, *khan* e *wikala*). Destinavam-se a receber caravanas comerciais e a proporcionar armazéns seguros para as mercadorias exóticas que os comerciantes e os mercadores traziam de todos os cantos do mundo. Os produtos tão diversificados que se vendiam nos *wikala*, como a cerâmica e os tecidos, inspiravam os artesãos locais. As artes decorativas, praticadas nas oficinas reais e nos bazares das cidades do Egipto e da Síria, alcançaram novos patamares em termos de desenho e fabrico graças ao mecenato mameluco.","quote":"«As artes decorativas alcançaram novos patamares em termos de desenho e fabrico graças ao mecenato mameluco»."},"2a50f5ca-9045-5344-9508-e2af5f610c4c":{"title":"A capital otomana: Istambul","description":"Istambul, cuja densidade de população aumentou durante os três primeiros séculos do poder otomano, mudou de aspecto nos princípios do século XVIII. A actividade arquitectónica no Corno de Ouro e nas margens do Bósforo foi expressão do desejo de imitar o Ocidente. Istambul foi invadida na sequência da derrota dos otomanos na Primeira Guerra Mundial, e, durante a Guerra Nacional de Independência, Ankara seria convertida na nova capital do país. Na actualidade, Istambul continua a ser a maior e mais esplendorosa cidade da República da Turquia.","quote":"«Na actualidade, Istambul continua a ser a maior e mais esplendorosa cidade da República da Turquia»."},"23700a6e-8a42-57ca-8d10-fa47337ec6cc":{"title":"A decoração geométrica nos recipientes de cerâmica","description":"A decoração geométrica combinou-se particularmente bem com a chamada escrita cúfica, de indiscutível valor estético, com a sua caligrafia rectilínea, angulosa, de traços verticais e horizontais bem marcados. Estas características tornavam-na especialmente adequada para a ornamentação do corpo dos recipientes cerâmicos, fosse em bandas horizontais ou em composições radiais.","quote":"«A decoração geométrica combinou-se particularmente bem com a chamada escrita cúfica, de indiscutível valor estético»."},"2d7ae23a-a5ce-5e8f-8d9b-d2c05d03e0a9":{"title":"A arte andaluzo-magrebina"},"edcbed04-061f-5f7b-b80d-402678ff5d1e":{"title":"A cultura no reino cruzado de Jerusalém","description":"Quando os cruzados tomaram a cidade de Jerusalém e seus arredores, em 1099, criaram o reino de Jerusalém, o terceiro e maior Estado franco do Mediterrâneo ocidental. O seu primeiro rei foi Godofero de Bulhão, que se proclamou «defensor do Sagrado Sepulcro». Os governantes cruzados protegeram os lugares santos, fossem eles islâmicos ou cristãos: fizeram generosas doações à mesquita de al-Aqsa e à Cúpula do Rochedo, assim como aos monumentos cristãos de Jerusalém e de Belém. Conservam-se ainda, deste período, alguns elementos arquitectónicos e objectos.","quote":"«Os governantes cruzados protegeram os lugares santos, fossem eles islâmicos ou cristãos»."},"d81c8cbb-bdf6-53de-8363-0663b937e7d4":{"title":"Guerra e equitação","description":"A Síria foi um dos principais campos de batalha na época das Cruzadas, testemunho da construção de muitas cidadelas muçulmanas e de castelos francos. Saladino (m. 1193), o mais famoso dos heróis muçulmanos, foi enterrado em Damasco. Os seus êxitos nas campanhas militares levaram-no a conquistar cerca de 50 posições cruzadas, entre elas o castelo de Saona, sitiado em 1188. Conhecido hoje como Qalaat Salah al-Din ou castelo de Saladino, é um dos melhores exemplos dos castelos daquela época.","quote":"«Saladino (m. 1193), o mais famoso dos heróis muçulmanos, foi enterrado em Damasco»."},"e50ffc2b-cdda-5f5f-8dc2-131a6e74a0c9":{"title":"A corte","description":"Ao mesmo tempo que a moda no vestir e na decoração dos espaços áulicos mudou sob a influência de mercadores e de artistas orientais, a seda converteu-se no tecido distintivo e preferido da corte, para a qual contribuía com o brilho e a riqueza do colorido. A sua produção foi inicialmente exclusiva do *tiraz* real, e chegou a ter tal qualidade e beleza que pôde competir em condições de igualdade com a seda produzida nas oficinas orientais. Pelo alto apreço que alcançou, foi utilizada com frequência pelos soberanos como oferta diplomática.","quote":"«A seda, tecido real»."},"3cf62f2a-9021-5aef-ac0a-0cc131185bcf":{"title":"Ciência e saber"},"4eb28cf3-17bc-505f-8083-bec0c0308552":{"title":"As *madrasas* e a educação","description":"A construção de cem *madrasas* em Damasco reflectiu o desejo das dinastias atabeg e ayyubida em mudar e educar a sociedade. Tanto homens como mulheres das elites turca e curda patrocinaram *madrasas* e fomentaram a fecunda atmosfera que nelas existia. Na sua *História de Damasco*, Ibn Asakir (m. 1176) expressou a sua gratidão aos mestres com quem tinha aprendido, entre eles oitenta mulheres.","quote":"«Tanto homens como mulheres das elites turca e curda patrocinaram madrasas»."},"b16c75fd-58ed-5aaa-b553-978b13694e35":{"title":"O palácio e as artes","description":"A escrita estava a cargo dos calígrafos do palácio (*hattats)*, que tinham uma posição social privilegiada e eram muito respeitados pelos sultões. Tinham autorização para ver, ler e estudar os manuscritos mais valiosos da biblioteca do palácio. O interesse e o respeito pela caligrafia não diminuíram ao longo dos séculos e, contrariamente a outras artes, onde se constata uma certa degeneração, a arte da caligrafia continuou a evoluir e a adaptar-se aos gostos dos diferentes períodos. \nNo século XIX, os sultões otomanos decidiram levar um estilo de vida diferente, pelo que se mudaram para os palácios de Dolmabahçe e Yıldız, de estilo ocidental. O abandono do palácio Topkapı significou uma mudança do gosto estético dos governantes. Assim, as oficinas palatinas deixaram de existir e perdeu-se a relação entre a actividade artística e o palácio.","quote":"«Os calígrafos tinham uma posição social privilegiada e eram muito respeitados pelos sultões»."},"a2d6b201-caf9-5fdf-9be7-286d4b763f71":{"title":"Patrocínio oficial","description":"Foram levados a cabo vastos planos de edificação em benefício tanto da comunidade como da classe dirigente. Construíram-se infra-estruturas vitais como barragens, depósitos de água e pontes. E o patrocínio arquitectónico chegou até mais longe: levantaram-se cidades e municípios inteiros, como são exemplo os complexos palatinos e administrativos de Jerusalém e Amã (Jordânia), onde o palácio e a mesquita aljama ocupavam uma posição central, uma junto à outra. Amã, além do complexo palatino e da mesquita, tinha um mercado e um depósito de água, e deste modo dava resposta às necessidades da comunidade ao mesmo tempo que servia o governo e a administração do país.","quote":"*«Foram levados a cabo planos de edificação em benefício tanto da comunidade como da classe dirigente».*"},"4acd54d9-a442-5bb9-94bb-ebb55cc7040c":{"title":"A água e a vida quotidiana","description":"Os poços e as fontes, tal como os *sabil* e as *sikaya*, eram profusamente decoradas. Em Marrocos e na Argélia conservam-se exemplares de bocais medievais de cerâmica decorada com estilizados motivos vegetais feitos com molde. Embora as grandes pias de pedra se possam relacionar com o abastecimento de água a seres humanos, há documentos de *waqf* que mostram que, por vezes, se construíam para os animais beberem. As fontes palatinas de jardins públicos e privados do mundo islâmico ocidental e de outros lugares eram decoradas com gárgulas em forma de leão, cervo ou dragão. A água saía das bocas destes animais e caía em pias e reservatórios, de onde era canalizada para os jardins.","quote":"«Os poços e as fontes – tanto as das casas normais como as dos palácios – eram profusamente decoradas»."},"67215e86-8b87-5410-a941-05738096eb5a":{"title":"A vida religiosa"},"ec1aa1aa-3f58-55b4-93d0-bac5583dd403":{"title":"A defesa","description":"A alcáçova, juntamente com as muralhas, formava parte do sistema defensivo das cidades. Este recinto fortificado, situado no interior da cidade, geralmente na sua parte mais alta, podia acolher e defender tanto a classe dominante, caso a ameaça tivesse origem na própria cidade, como a população urbana, se o perigo viesse de fora. As alcáçovas foram um ponto de apoio do poder central para lutar contra os rebeldes, para preparar as campanhas e para defender as fronteiras.","quote":"«A alcáçova: último reduto urbano»."},"8677fa0d-83e5-5593-b69a-342224da5957":{"title":"Ciência e saber","description":"O objectivo fundamental da astronomia foi o de prever as posições planetárias a partir de dados da observação. Os astrónomos muçulmanos elaboraram um instrumento específico para observar as alturas, o movimento e a posição dos astros em relação à terra: o astrolábio. \nEste instrumento também se aplicou à navegação, tendo sido de grande utilidade para a orientação e o cálculo da latitude, a partir do conhecimento da hora. Ao invés, era também possível saber a hora se se conhecesse a latitude.","quote":"«Tecnologia científica: o astrolábio»."},"618dce7d-8482-5ccb-b334-54c0c96e6db0":{"title":"Os otomanos","description":"«Os otomanos, originalmente um pequeno emirado do Noroeste da Anatólia, converteram-se com o tempo num dos maiores impérios islâmicos da História».","extra":{"credits":"Curators & authors \nSule AKSOY, Istanbul \nSevinç GÖK, Izmir \nAlev ÖZAY, Istanbul \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \nSevgi KUTLUAY, Istanbul \nInci KUYULU ERSOY, Izmir \nSeracettin SAHIN, Istanbul \nCihat SOYHAN, Istanbul \nGönül TEKELI, Istanbul \nInci TURKOGLU, Istanbul \nFriederike VOIGT, Stockholm/Berlin \nBarry WOOD, London \n \nCoordination \nInci KUYULU ERSOY, Izmir \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Os otomanos, originalmente um pequeno emirado do Noroeste da Anatólia, converteram-se com o tempo num dos maiores impérios islâmicos da História. Durante séculos foram uma potência mundial, o centro do mundo islâmico e uns sérios concorrentes para o Ocidente. \nNos finais do século XIII, os otomanos eram apenas um entre os numerosos *beylik* ou emirados da Anatólia. Foram, contudo, gradualmente subjugando os seus vizinhos até se converterem na potência muçulmana mais forte da região. Ao porem fim ao Império Bizantino com a conquista de Constantinopla (Istambul) no ano 1453, asseguraram finalmente a sua condição de potência internacional. Conquistas posteriores durante os séculos XV e XVI deram-lhes o controlo sobre um império que abarcava, além da Anatólia, grande parte do Mediterrâneo, o Sudeste da Europa e a Península Arábica. \nUm sistema bastante centralizado, cujo núcleo do poder estava em Istambul, serviu para governar tão vasto império. O sultão representava a autoridade suprema, embora estivesse, por sua vez, submetido à lei islâmica. Uma ampla rede de governadores locais garantia que os decretos imperiais fossem cumpridos em todos os territórios. \nEste sistema de governo influiu profundamente na arte otomana, que, apesar de mergulhar as suas raízes na Anatólia e se inspirar em fontes tão diversas como diversas eram as culturas submetidas pelo Império, foi idealizada e disseminada em grande medida a partir das oficinas da corte imperial de Istambul, o que foi determinante para que o estilo otomano conservasse a sua uniformidade numa área geográfica espantosamente ampla. \nTanto na decoração de palácios e mesquitas como na ornamentação de casas ou no fabrico de artigos de exportação para o receptivo mercado europeu, os otomanos aderiram a uma estética criada a partir de cima. Era uma estética impregnada de uma profunda devoção islâmica, como o prova a abundância de elementos florais que evocam o paraíso. \nO Império Otomano acabou após a Primeira Guerra Mundial, mas a sua arte continua a fascinar-nos.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/the_ottomans/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/18/portal_image/1.jpg","display_order":6}}},"df4ffea5-fc6b-5044-8eed-f3f4baa7147e":{"title":"Guardiães dos Lugares Santos","description":"O profeta Muhammad designou o lugar mais sagrado do Islão, a Kaaba de Meca, como a direcção para onde se deviam orientar as orações canónicas. Como centro da fé, a Kaaba é também o destino da peregrinação que todo o muçulmano tem que fazer pelo menos uma vez na vida. Os sultões tinham a obrigação de garantir que os crentes pudessem cumprir os seus deveres religiosos, um dos quais era a peregrinação. Assim, o prestígio do sultanato dependia, em grande medida, do facto de as rotas serem seguras, algo que os otomanos garantiam sobretudo com pagamentos aos beduínos, cujas terras eram cruzadas pelas caravanas a caminho de Meca. Foram, ainda assim, construídas fortalezas para proteger os lugares de paragem no deserto. No início do século XIX, os avanços tecnológicos permitiram melhorar o transporte até à região com a construção do caminho de ferro do Hedjaz.","quote":"«Os sultões tinham a obrigação de garantir que os crentes pudessem cumprir os seus deveres religiosos, um dos quais era a peregrinação»."},"28d9a4d3-c0f4-52e4-b504-b865ba01f483":{"title":"Os Atabegs e os Ayyubidas","description":"«Saladino, que deu o nome à dinastia, chegou ao poder em finais do século XII».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMona AL-MUADIN, Damascus \nDina BAKKOUR, Damascus \nSheila CANBY, London \nVerena DAIBER, Damascus \nAbdel-Razzaq MOAZ, Damascus \nEmily SHOVELTON, London \nZena TAKIEDDINE, Damascus \n \nCoordination \nSamer ABDEL-GHAFOUR, Damascus \nZena TAKIEDDINE, Damascus \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"No século XI, com o califado fatimida do Egipto a desafiar o califado abássida de Bagdad, a fragmentação e a instabilidade marcaram a região do Levante (que compreendia o Líbano, a Palestina, a Síria e a Jordânia). Foi então que os seljúcidas, guerreiros turcos da Ásia Central, consolidaram o seu poder no território – mantendo a autoridade religiosa dos abássidas – e iniciaram uma nova era na arte islâmica. \nOs atabegs, instrutores militares designados pelos seljúcidas para ensinarem os príncipes, asseguraram o poder e, gradualmente, foram-se tornando independentes. Um deles, Nur al-Din Mahmud ibn Zangi (m. 1174), levou a cabo a tarefa de expulsar os cruzados de Edesa em 1146 e, com a conquista de Damasco em 1154, conseguiu a unificação da Síria. \nAl-Malik al-Nasir Salah al-Din Yusuf ibn Ayyub (conhecido como Saladino, r. 1169-1193), que deu o nome à dinastia, era um dos lugares-tenentes de Nur al-Din. Chegou ao poder em finais do século XII, após derrotar os fatimidas em 1171 e acabar com o domínio cristão em Jerusalém em 1187. \nOs atabegs e os ayyubidas introduziram mudanças duradouras nos seus territórios. Tentaram, de forma sistemática, reeducar os seus súbditos mediante a criação de escolas religiosas islâmicas sunitas (*madrasas*). Reconstruíram a Mesquita Omeia e reforçaram as cidadelas e as muralhas de Damasco, Alepo e de outras cidades, entre elas o Cairo. \nO desenvolvimento urbano também foi assinalável. Construíram-se *hammam* (banhos), *bimaristan* (hospitais), caravanserai, sistemas de distribuição de água e edifícios religiosos como mesquitas, mausoléus, *turbe* (túmulos) e *janqah* (hospedarias). Do Oriente trouxeram as *madrasas* e os *bimaristan*, instituições educativas que, do ponto de vista artístico, trouxeram novas formas arquitectónicas e novos repertórios decorativos. \nA cultura seljúcida dominou a arte islâmica entre os séculos XI e XIII. Introduziu importantes inovações artísticas na arquitectura, na cerâmica, na joalharia, na arte dos metais e nas iluminuras. \nContemporâneo da arte gótica no Ocidente e da dinastia Song na China, o estilo ayyubida foi desenvolvido depois pelos seus sucessores, os mamelucos.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/the_ayyubids/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/15/portal_image/1.jpg","display_order":4}}},"ad8cb308-f2d0-51c1-8a74-24b337e0c430":{"title":"O *haraam* de Meca e a Kaaba","description":"Os califas muçulmanos e, posteriormente, os sultões mamelucos foram os principais protectores das cidades santas do Hedjaz. Eram, portanto, responsáveis pela renovação e pela manutenção do *haram* de Meca e também da mesquita e do túmulo do Profeta em Medina. Para financiar estes compromissos permanentes, o sultão mameluco Qaytbay (r. 1468-1496) criou uma *wikala* no Cairo, cujas receitas se destinavam a proporcionar cereais e outros produtos aos necessitados que viviam nas proximidades dos lugares santos de Meca e Medina.","quote":"«Os califas muçulmanos e os sultões mamelucos foram os principais protectores das cidades santas do Hedjaz»."},"1438dcdb-5040-5d2a-b082-cda3a58a1031":{"title":"A vida na corte"},"7eda07a3-0574-54d9-a9c2-bbccf25adcc1":{"title":"A gestão da água","description":"Os conhecimentos científicos e de engenharia eram especialidades com muita procura, embora pouco frequentes; eram essenciais para julgar, avaliar, aplicar e manter a tecnologia hidráulica. Um bom governante muçulmano tinha o dever de garantir que se contratava uma pessoa qualificada para esse trabalho. O candidato escolhido era normalmente conhecedor de matemática, física, geometria e astronomia (previsão do tempo e cálculo da hora); era ainda importante que fosse um especialista em paisagismo.","quote":"«Um bom governante muçulmano tinha o dever de garantir que se contratava uma pessoa qualificada para esse trabalho»."},"2401b31f-6c0d-5b66-a16b-0fa24ce30cfa":{"title":"A decoração geométrica nos têxteis","description":"A decoração de alguns tecidos assemelha-se à das azulejaria e gessaria que revestem os muros dos edifícios. Chegam, por vezes, a aproximar-se na compartimentação do espaço decorativo: as bandas epigráficas nos bordos do tecido têm paralelo com o friso epigráfico que coroa os frisos geométricos. Este tipo de decoração nasceu do desenvolvimento do laço, que foi traçando motivos em estrela, poligonais, lobulados, etc.","quote":"«A decoração de alguns tecidos assemelha-se à das azulejaria e gessaria»."},"80c86561-0d18-5f9a-a5fe-bce7f608b2e2":{"title":"Vestuário e joalharia","description":"No Egipto, os atavios femininos podiam incluir o *izar*, tecido que se enrolava em volta do torso e das coxas, e o *mizar*, usado à volta da cintura sobre o vestido. A *jubah* era uma peça exterior, fechada no peito e aberta à altura da saia. As camisas, de diferentes tamanhos, eram fabricadas em algodão ou linho, e o comprimento das mangas indicava o poder aquisitivo da mulher. Por último, a *shimla* cobria o corpo inteiro. Noutros países, as convenções sobre vestuário feminino eram diferentes, e havia muito por onde escolher. Na cabeça usavam-se turbantes e outro tipo de toucados, assim como lenços.","quote":"«Noutros países, as convenções sobre vestuário feminino eram diferentes, e havia muito por onde escolher, quer para o corpo quer para a cabeça»."},"1de88509-41c2-5db1-91f2-cf64dc633e29":{"title":"A Sicília islâmica e a cultura figurativa: vestígios e continuidade"},"82eec7f2-6d4c-57c6-b028-8d6d584a67ec":{"title":"A corte"},"17e93a55-d0d0-51b2-8c52-ae90b63b4709":{"title":"Espaços do poder: as construções palatinas"},"3f965ac2-093e-5fc3-93f1-16f293577988":{"title":"A decoração geométrica na arte do livro","description":"O primeiro suporte dos manuscritos religiosos foi o pergaminho (como no primeiro exemplo), que progressivamente seria abandonado pelo papel, por razões de comodidade e de economia. \nDe igual modo, a decoração geométrica foi pouco a pouco substituída pela floral, considerada mais rica e refinada. Os motivos geométricos passaram a ser secundários e subordinados. \nA caligrafia em si mesma serviu de decoração, especialmente a denominada «cúfica quadrada», escrita em todos os sentidos possíveis.","quote":"«A decoração geométrica foi pouco a pouco substituída pela floral, considerada mais rica e refinada»."},"cc5c14f6-ee31-580d-97ca-0fb352da0379":{"title":"A vida quotidiana no sultanato mameluco","description":"Quase todos os habitantes do Império, ricos e pobres, seguiam a doutrina islâmica, do nascimento até à morte. Para alcançar o desejado Paraíso, rezavam cinco orações diárias – antecedidas de minuciosas abluções –, eram caritativos com os pobres, jejuavam durante o mês do Ramadão e tentavam visitar a cidade santa de Meca pelo menos uma vez na vida. Algumas disposições legais importantes baseavam-se na lei religiosa ou *sharia*, fundamentada no Alcorão e nas tradições do profeta Muhammad. Todas as actividades, incluindo a alimentação e a higiene pessoal, eram realizadas «em nome de Allah», com a única intenção de lhe agradar e de cumprir os seus desejos.","quote":"«Todas as actividades, incluindo a alimentação e a higiene pessoal, eram realizadas “em nome de Allah”»."},"8b0e746f-e8de-560d-b25c-4bf6ebf52fe3":{"title":"Mulheres muçulmanas benfeitoras"},"d56f34dd-618b-52fd-941d-524f966fe3d5":{"title":"Arte e arquitectura régias","description":"A capacidade de imitar ideias figurativas e tipológicas dos mundos artísticos islâmico e bizantino (com uma certa permeabilidade face a elementos muito mais longínquos, entre eles os de origem sassânida) assegura às formas artísticas promovidas pela «política de imagem» dos reis normandos um valor de sincretismo activo e inovador de marcada originalidade.","quote":"«A “política de imagem” dos reis normandos serve-se em boa medida de modelos artísticos islâmicos»."},"775f0070-0222-53d3-a4ee-8bfa38c6cb2f":{"title":"A mesquita, espaço de oração","description":"A mesquita não é um templo ou «casa de Deus», nem têm nela lugar actos litúrgicos. É um espaço para oração e meditação, assim como um lugar de reunião. À mesquita acorrem os crentes para fazerem em conjunto as orações rituais e obrigatórias, embora também possam rezar em privado. O crente ora em direcção à *qibla*, fazendo as reverências prescritas e recitando textos do Alcorão. \nA mesquita é também um centro de orientação e de ensino. Na oração das sextas-feiras, durante a prédica semanal, o *imã* disserta a partir do *minbar* sobre um tema religioso específico; fora das horas de oração, os eruditos podem dar conferências teológicas e científicas.","quote":"«A sala de orações»."},"70023ae2-4372-56e7-b249-dd9a30a1f9db":{"title":"A cerâmica abássida","description":"Nos primeiros tempos do período abássida, os califas e a sua corte, refinados e amantes do luxo, patrocinaram directamente as inovações na indústria da cerâmica, em particular o desenvolvimento e o fabrico de recipientes de reflexo metálico. Quando um terramoto danificou a Grande Mesquita de Kairouan em 862, o califa al-Mustain enviou 139 azulejos quadrados para a renovação do *mihrab* e pediu a um fabricante de azulejos de Bagdad que fizesse mais. Também doou dinheiro, painéis de mármore e de madeira de teca para um novo *minbar*. Em 950, o geógrafo árabe Ibn Hawqal visitou Tunis e gabou a beleza da cerâmica de reflexo metálico que se fazia nesta localidade, que dizia ser semelhante à do Iraque.","quote":"«O califa al-Mustain enviou 139 azulejos quadrados para a renovação do mihrab»."},"e0d404ea-dbc1-591a-86a5-75265066d6f0":{"title":"A água","description":"«… e da água fizémos todos os seres vivos».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMona AL-MUADIN, Damascus \nDina BAKKOUR, Damascus \nSheila CANBY, London \nVerena DAIBER, Damascus \nAbdel-Razzaq MOAZ, Damascus \nEmily SHOVELTON, London \nZena TAKIEDDINE, Damascus \n \nCoordination \nSamer ABDEL-GHAFOUR, Damascus \nZena TAKIEDDINE, Damascus \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Para os muçulmanos, a água é o segredo da vida e uma benção divina. No Alcorão, Deus diz: «… e da água fizémos todos os seres vivos» (21:30). Segundo a lei islâmica é proibido privar de água os que têm sede, embora a fonte seja privada; e segundo os *hadiths* (ditos do Profeta), os muçulmanos são parceiros na água, no fogo e nos pastos, três fenómenos naturais que são património comum. Todos os seres vivos têm direito à água, mas existem normas de propriedade deste elemento relativas à rega dos campos. Por exemplo, quem escava um poço tem direito a regar em primeiro lugar; a água restante pode ser usada nas terras confinantes. A zona reservada, conhecida como *haram*, costuma abarcar um raio de 40 côvados. A mesma palavra é empregue para designar um lugar sagrado, especialmente as mesquitas. *Harim*, uma variante da palavra anterior que passou para o português como *«harém»*, designa a parte da casa onde é proibido entrar, sobretudo os compartimentos das mulheres. \nAo longo da História, as sociedades muçulmanas preocuparam-se em desenvolver métodos que assegurassem um abastecimento de água regular e suficiente. Como em qualquer outra sociedade, as necessidades eram de ordem diversa: beber, lavar-se, realizar rituais de purificação (*wudu*, *ghusl*), regar as terras e abastecer instalações privadas e públicas como fontes, banhos públicos e jardins. A água é um elemento tão importante na vida dos cidadãos de qualquer estatuto e posição social, que serviu de inspiração a arquitectos, engenheiros e artesãos. \nMuitas culturas e povos, das fronteiras da China, a este, às mesetas dos al-Andalus, a oeste, sucumbiram ao domínio da civilização islâmica. O governante muçulmano de cada território devia garantir um abastecimento de água suficiente para os cidadãos. Foi posto um grande empenho na construção e manutenção de engenhos hidráulicos, muitos dos quais continuaram a ser usados mesmo depois da chegada da tecnologia moderna. \nÀ medida que a população foi crescendo e as cidades se expandiram, a tarefa de manter um abastecimento de água eficaz tornou-se, em muitos casos, complicada, sobretudo nos países islâmicos de clima árido, tanto na bacia do Mediterrâneo como para além dessa área. As dificuldades causadas pelo clima e pelo terreno foram superadas, na época islâmica, através de hábeis sistemas de armazenamento e de transporte da água.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/water/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/22/portal_image/1.jpg","display_order":10}}},"0051fc3a-c40c-5aa8-b485-9b66344bf6e7":{"title":"A mesquita, espaço de oração","description":"A chamada à oração, que o *muezin* faz cinco vezes ao dia a partir do minarete, ouve-se em toda a cidade, impregna-a e marca o seu ritmo de vida. A primeira chamada tem lugar ao amanhecer e as seguintes ao meio-dia, a meio da tarde, ao pôr do sol e ao princípio da noite. Em cada chamamento, o *muezin* repete louvores a Deus e a Maomé, seu profeta, e convida à participação na oração.","quote":"«O minarete»."},"ca4d15b3-1f58-5e52-8573-10d6bfc02842":{"title":"Em busca da baraka: a peregrinação a Jerusalém e à Palestina","description":"Segundo a fé muçulmana, no Dia do Juízo, a Cúpula do Rochedo de Jerusalém, construída na época omeia (século VII), será o local escolhido pelo profeta Muhammad para a ressurreição dos crentes. O Profeta designou-a como lugar sagrado, pois dela ascendeu aos céus (*miraj)* na noite da sua viagem nocturna (*isra)* de Meca a Jerusalém*.* O Profeta encorajou repetidamente os crentes para que reverenciassem e visitassem a Cúpula do Rochedo, além de Meca e Medina.","quote":"«No Dia do Juízo, a Cúpula do Rochedo de Jerusalém será o local escolhido pelo profeta Muhammad para a ressurreição dos crentes»."}}
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Ligada à heráldica, a cartela com inscrições religiosas cristãs faz a sua aparição nas cerâmicas mudéjares.","quote":"«A necessária adaptação ao gosto dos novos clientes obrigou os oleiros mudéjares a renovarem o seu repertório»."},"00a9f1ac-ad56-56fb-b46c-95f05a196c8c":{"title":"A arte mudéjar popular e religiosa"},"00c4ec24-eae3-5f50-b012-fca1d0fc4b8b":{"title":"O esplendor no vestir: o *tiraz* e os trajes da época"},"017e4b3b-5dc4-5b40-a034-7dbccb14bb54":{"title":"Arte turco-islâmica na Anatólia pré-otomana","description":"A Anatólia assistiu, após a batalha de Manzikert em 1071, à ascensão de um novo grupo político, religioso e social, nas proximidades do secular Império Bizantino. 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A arte e a arquitectura do período otomano possuem uma expressiva gama de exemplos nos quais a autoridade do sultão e do Estado otomano se manifesta visualmente.","quote":"«Quando um povo exerce o poder, procura maneira de o manifestar»."},"01b9c0b5-6a02-5be0-aa1a-2dead40ce2ff":{"title":"A função de flores e plantas concretas","description":"Para além da tulipa, o cravo era outra das flores com que se evocavam poeticamente a beleza divina e a contemplação espiritual. Aparecem, por isso, com frequência na arte islâmica, em particular na otomana. Contudo, nem todas as flores e plantas eram originárias do contexto cultural islâmico. A imagem da videira carregada de uvas e a sua associação com a fertilidade e a vida eterna são uma reminiscência da época helenística, ao passo que o lótus, símbolo oriental da pureza espiritual, foi introduzido na arte islâmica pelos mongóis no século XIII.","quote":"«Nem todas as flores e plantas eram originárias do contexto cultural islâmico»."},"0227731c-df1e-5f3e-8a97-45ca3e10bf2a":{"title":"Descobrir a Arte Islâmica","description":"Descobrir a Arte Islâmica"},"028edd35-2131-5178-a3ea-7b1699bc9592":{"title":"As lápides funerárias, memória na pedra","description":"A fundação de um cemitério, geralmente realizada pelo governante ou pelos seus familiares, era considerada um acto piedoso, grato aos olhos de Deus. Embora por vezes o cemitério estivesse delimitado por uma cerca, o mais habitual era que não tivesse nada a fechar o seu espaço. Os túmulos distribuíam-se de modo anárquico e nem todos tinham lápide que permitisse identificá-los, porque a sinalização dos túmulos dependia do nível social e da capacidade económica da personagem enterrada.","quote":"«A lápide: símbolo de estatuto»."},"036e868a-be9f-5e20-a301-fbf277420082":{"title":"O sistema mameluco","description":"A notável capacidade do sultanato mameluco baseou-se numa complexa estrutura hierárquica de escravos militares às ordens do sultão. Os mamelucos eram comprados, recebidos como prenda, ou feitos prisioneiros de guerra. A princípio, a maioria eram turcos, curdos e mongóis, a que se juntaram circassianos e georgianos a partir do século XIV. Os recrutas mamelucos eram submetidos a um exame médico completo, que determinava se estavam ou não aptos para o serviço. 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Segundo reza a tradição, a cabeça cortada de al-Husayn foi levada para o Cairo.","quote":"«Levaram clandestinamente o minbar para Hebron e colocaram-no na mesquita de al-Ibrahimi»."},"06c733a5-e1b4-5be1-ae58-c5968680a73a":{"title":"Al-Raqqa, capital do califa Harun al-Rashid na Síria","description":"O califa Harun al-Rashid, neto de al-Mansur, mudou a corte para al-Raqqa em 796, onde esteve até 809, durante um período de instabilidade política em Bagdad e no Sul do Iraque. Al-Rashid ampliou as fortificações e criou um novo bairro exterior a norte de al-Raqqa, para aí alojar os seus familiares e os dos funcionários que foram viver para a cidade. A relação com Bagdad e com os territórios orientais manteve-se graças a um sofisticado sistema de comunicação postal. Os filhos de al-Rashid, futuros califas, passaram grande parte da sua juventude em al-Raqqa.","quote":"«Nos novos palácios alojaram-se os familiares do califa e dos funcionários que vieram com ele para a cidade»."},"06f8adf1-80a7-5ad3-930e-d74a24929bf9":{"title":"A cultura dos prazeres da mesa","description":"Para além dos recipientes de cerâmica de İznik, também se usavam pratos de cobre e dourados. Era inevitável que à mesa se utilizasse porcelana importada da China, mas a verdadeira mudança ocorreu no século XIX com a adopção do estilo de vida ocidental. A introdução de mesas, cadeiras, porcelana e serviços de prata europeus pôs fim à cultura tradicional da mesa no palácio Topkapı.","quote":"«Para além dos recipientes de cerâmica de İznik, também se usavam pratos de cobre e dourados»."},"071e3e6e-8e36-5c3c-8643-17ee9ac60138":{"title":"O palácio e as artes","description":"O Império Otomano foi um estado centralizado, dirigido por funcionários que recebiam uma formação especial na corte. Este sistema condicionou profundamente a arte otomana, criando condições para a existência de um estilo decorativo uniforme em todo o vasto território conquistado. Os arquitectos e artesãos que decoraram o palácio Topkapı, e que também trabalharam em Istambul e no resto do Império, estavam às ordens do arquitecto-chefe imperial. \nAs oficinas artísticas estabeleceram-se a princípio em Edirne, mas, após a conquista de Istambul, foram mudadas para o palácio Topkapı. Contudo, até inícios do século XV não foi organizado sistematicamente o trabalho dos artesãos. Por vezes, os que trabalhavam em Istambul, ou em qualquer outra parte do Império, podiam optar por trabalhar noutra oficina se recebessem um convite para tal.","quote":"«O sistema centralizado criou condições para a existência de um estilo decorativo em todo o vasto território conquistado»."},"07323655-399a-5f20-bd33-36fbfca525bd":{"title":"A arte mudéjar aristocrática e civil","description":"A arte mudéjar aristocrática foi uma criação dos reis e dos nobres do seu círculo, motivada pelo desejo de imitar os palácios muçulmanos, cujo fausto conheciam através das embaixadas. À medida que os reis cristãos iam conquistando as cidades do al-Andalus, os ricos salões, jardins e alcovas dos palácios andaluzes converteram-se na residência real e no palco da vida aristocrática, como manifestação expressa do domínio sobre o inimigo e da admiração pela sua arte. Ao mesmo tempo, nos novos palácios copiavam-se o uso do gesso e da tijoleira, a ornamentação sofisticada dos interiores e a harmonia de pátios e jardins. A Aljafería, o Real Alcácer e o palácio de Sintra exemplificam a reutilização dos palácios andaluzes, ou do seu ambiente, por parte dos reis cristãos.","quote":"«Palácios andaluzes para os reis cristãos»."},"073b795d-65c6-5d5e-9265-134b960cca53":{"title":"A corte","description":"Por influência de Bagdad, refinaram-se o cerimonial das refeições e os modos dos comensais. A comida partilhada num recipiente comum deu lugar a diversos pratos servidos segundo um rigoroso protocolo. O menu foi enriquecido com novas e variadas receitas, que faziam da sua degustação um prazer para o paladar e o olfacto, subjugado pelos aromas; juntavam-se, na sobremesa, os prazeres do ouvido, deleitado com a música, e da vista, embelezada na contemplação dos bailarinos e da decoração do ambiente palatino.","quote":"«O cerimonial das refeições»."},"07659934-a88a-585a-8ef8-22be0a77afbe":{"title":"Síria","description":"As influências ocidentais também marcaram a imagem da cidade. As cidades islâmicas sempre distinguiram entre espaços privados e públicos, sendo o privado a residência e o público designado para o trabalho ,o *suq* ou para o culto, a mesquita. Agora, no entanto, as residências tinham janelas maiores, mesmo nas paredes externas, e às vezes um terraço, como em Mashfa al-Ghuraba. A adoção da praça pública, criada para exibir emblemas de estado que se desenvolveram na Europa, é evidente na Praça Marjeh, localizada fora das antigas muralhas da cidade de Damasco, e que se tornou o centro moderno da cidade, marcado por um grande pilar central. \n \nA estação ferroviária de Hijaz é um dos edifícios mais bonitos da Damasco atual. Foi patrocinada por um rico damasceno e projetada por um arquiteto espanhol com influência da arte andaluza. Os trabalhadores alemães, que originalmente trouxeram a indústria ferroviária para os otomanos como parte de sua aliança política, provavelmente construíram o sistema ferroviário.","quote":"“As influências ocidentais também marcaram a imagem da cidade.”"},"093d3b04-a322-5303-baa3-da0aa80dad8f":{"title":"A capital otomana: Istambul"},"09bdd05c-c517-5715-b216-1c3b6562ce92":{"title":"Visões do jardim celeste e da árvore da vida","description":"As representações literais do jardim do paraíso não são frequentes. Um exemplo é o deslumbrante mosaico do pátio da Mesquita Omeia, em Damasco (século VIII). Mostra-nos uma paisagem idealizada com um rio sinuoso e uma série de palácios e sofisticados edifícios. Este ciclo visual baseia-se nas descrições do Alcorão, como assinala a afirmação de um dos seus autores que chegou até aos nossos dias: «Nos mosaicos representámos o que encontrámos no Alcorão sobre as árvores e os palácios do paraíso. E quando um operário executava uma árvore de uma forma especialmente bela, o califa Umar dava-lhe 30 *dirhams* de recompensa».","quote":"«Nos mosaicos representámos o que encontrámos no Alcorão sobre as árvores e os palácios do paraíso»."},"0aeb920c-d823-5de4-81b9-061257cef978":{"title":"Dois sultões mamelucos contra os francos","description":"Qalawun foi provavelmente o mais prolífico promotor de projectos arquitectónicos dos dois sultões mamelucos. As dimensões do seu complexo no Cairo, que marcou uma nova fase na arquitectura mameluca, são imponentes: compreende uma *madrasa*, um mausoléu (*qubba*) e um hospital (*bimaristan*). Para criar este *bimaristan*, Qalawun inspirou-se no de Nur al-Din, um hospital de Damasco onde o tinham curado. Ficou tão impressionado com o tratamento que recebeu que prometeu que, se recuperasse e ascendesse ao trono, construiria um igual no Cairo. Iniciou o projecto pouco depois de começar o seu sultanato, em 1283. Este *bimaristan* tinha a peculiaridade de ser destinado aos muçulmanos de ambos os sexos e de qualquer condição social, facto pouco habitual na época.","quote":"«Qalawun foi provavelmente o mais prolífico promotor de projectos arquitectónicos»."},"0b479143-91f2-528d-88e6-5a5d5ad84169":{"title":"O esplendor no vestir: o *tiraz* e os trajes da época","description":"Na corte do Cairo, o cuidado do guarda-roupa da califa e das suas peças de vestuário com *tiraz* era entregue a mulheres; estas roupas eram perfumadas com ervas aromáticas dos jardins do palácio. Existia um segundo guarda-roupa no palácio, à disposição da corte em geral. São escassas as peças de vestuário com *tiraz* e demais roupas da época que se conservam completas, mas os fragmentos que chegaram até nós sugerem que estes tecidos eram de linho ou de seda de várias cores, sendo por vezes também bordados com fios de seda. Para termos uma ideia mais concreta do aspecto das peças de vestuário com *tiraz* e das roupas da época em geral, podem observar-se algumas cerâmicas e esculturas de marfim fatimidas que mostram figuras de homens e mulheres em banquetes, a caçar ou a interpretar música; usam turbantes, mantos e túnicas, muitas delas adornadas com bandas de *tiraz.*","quote":"«São escassas as peças de vestuário com tiraz que se conservam completas, mas os fragmentos que chegaram até nós sugerem que estes tecidos se fabricavam em várias cores»."},"0be5386c-7187-5f14-a5c9-e9d7972aaa20":{"title":"A cultura no reino cruzado de Jerusalém","description":"Os artesãos locais tiraram grande partido de duas coisas: em primeiro lugar, das oficinas criadas pelos cruzados, ao continuarem os programas de renovação e de restauro; em segundo lugar, da entrada no Levante de objectos artísticos europeus. Apesar da guerra, produziram-se intercâmbios culturais entre os novos habitantes francos do reino e as suas comunidades muçulmanas, urbanas e rurais.","quote":"“Os artesãos locais tiraram grande partido das oficinas criadas pelos cruzados»."},"0be6d6e8-2fed-5e4f-b410-0a54ef0ed999":{"title":"As *madrasas* e a educação","description":"As ciências eram ensinadas juntamente com noções religiosas e linguísticas, e a sofisticada arte dos metais decorativa dos instrumentos comprova o desenvolvimentos das disciplinas científicas. Os astrolábios e as esferas celestes eram fundamentais para a leitura exacta das constelações. Na prática da geomância eram usados instrumentos especialmente concebidos para predizer o futuro. O brilhante engenheiro mecânico Abu al-Izz Ismail al-Yazari disfrutou do mecenato da corte artuquida de Diyarbakir, em 1206, para escrever um livro ilustrado sobre engenharia hidráulica e mecânica.","quote":"«A arte dos metais decorativa dos instrumentos comprova o desenvolvimentos das disciplinas científicas»."},"0c57154a-3d32-5f59-919a-c9bcab6d8ac5":{"title":"Jordânia","description":"Os otomanos mudaram a rota do *Hajj* (Darb al-Hajj al-Shami), que segue as montanhas a leste de Wadi Araba, conhecida como Kings Highway, para uma nova rota que ficava ao longo do limite do deserto, conhecida como Darb al-Bint em homenagem à filha do sultão Salim I, que se queixou de bandidos na Kings Highway. Uma série de fortes e estações de peregrinação foram construídos ao longo desta nova rota para proteger os peregrinos e fornecer água, comida e mercadorias. \nA Ferrovia Hejaz, uma das mais importantes conquistas durante o período otomano, foi concluída em 1908 durante o reinado do sultão Abdul Hameed II. O principal objetivo da construção desta ferrovia era transportar os peregrinos de Damasco para Medina, na Arábia Saudita, através da Jordânia. Foi severamente danificada durante a Primeira Guerra Mundial, mas algumas seções ainda estão operacionais (ex. Damasco – Amã, Amã – Qatraneh).","quote":"“A Ferrovia Hejaz foi uma das mais importantes conquistas durante o período otomano...”"},"0d399303-e091-5249-87cf-68e9ac89a080":{"title":"Arte e arquitectura régias","description":"A partir de 1130, Ruggero II, coroado rei da Sicília, promoveu uma arte áulica cujas componentes islâmicas e bizantinas se inseriam em elementos românicos e normandos, por sua vez combinados com a cultura artística local. E isto aconteceu, entre outras razões, graças às bem sucedidas campanhas de Ruggero II nos territórios costeiros do Norte de África e da península balcânica bizantina, com o subsequente recrutamento forçado de mestres-de-obras. Nasce assim uma verdadeira arte régia, capaz de tornar reconhecíveis as obras, tanto civis como religiosas, promovidas pela coroa.","quote":"«Ruggero II promoveu uma arte áulica cujas componentes islâmicas e bizantinas se inserem em elementos românicos e normados»."},"0d96fdda-709f-55ff-974d-36ce25e67b8e":{"title":"A vida quotidiana no sultanato mameluco"},"0e4ca3d5-ad07-5906-884a-7b4b89c83f5c":{"title":"Egito"},"0e91bb3e-a45f-5595-9dcf-c2ad2c8547a9":{"title":"A água e a vida quotidiana","description":"A obrigação de fornecer água doce à população urbana levou à criação de um monumento público característico: a fonte, ou *sabil*. Os *sabil* constavam de uma cisterna e de uma sala com janelas, com grades ao nível da rua. Os mamelucos (1250-1517) construíram vários no Cairo e em Jerusalém. Um funcionário sentava-se por detrás da grelha e encarregava-se de distribuir copos de água aos passantes. O *sabil-kuttab* dispunha de uma fonte similar à dos *sabil*, mas tinha além disso uma galeria no primeiro andar que era usada como escola primária (*kuttab*).","quote":"«Um empregado sentava-se por detrás da grade e encarregava-se de distribuir copos de água»."},"0f404f1e-3645-5bfa-870f-1b45825073f7":{"title":"Os Omeias","description":"A arte omeia é uma combinação de estilos e de motivos decorativos tomados de diversas tradições artísticas.","extra":{"credits":"Manal BASYOUNI, Aqaba \nGhazi BISHEH Amman \nJens KRÖGER, Berlin \nAida NAGHAWI DODO, Amman \nMohammad NAJJAR, Amman \nSamarah WOROUD, Irbid \n \nCoordination \nGhada AL-YOUSEF, Amman \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"A dinastia dos omeias foi fundada pelo califa Muawiya I ibn Abi Sufyan no ano 661 e permaneceu no poder até ao seu derrube pelos abássidas em 750. Quando Muawiya subiu ao trono, escolheu Damasco como capital do império. Esta decisão teria importantes consequências para a arte omeia, uma vez que naquela altura predominava em Damasco a influência artística clássica. Elementos da arte sassânida, bizantina e, inclusivamente, copta influíram também no desenvolvimento da arte islâmica durante esta época, de maneira que a arte omeia é uma inovadora combinação de estilos e de motivos decorativos tomados de diversas tradições artísticas, que serviram para expressar as múltiplas aspirações daquele tempo. \nOs numerosos edifícios ainda de pé são o melhor testemunho desta dinastia. Além das edificações erguidas por ordem da família real, levaram-se a cabo ambiciosos programas de arquitectura urbana. Tanto a Cúpula do Rochedo, em Jerusalém, como a Mesquita Omeia, em Damasco, parecem ter sido construídas como símbolos do poder e do triunfo dos omeias. Estes edifícios transmitem ainda a grandeza da arquitectura dinástica. Por outro lado, os extraordinários palácios antes conhecidos como «castelos do deserto» continuam a fascinar-nos por permitirem vislumbrar a vida na corte omeia e o seu cerimonial. \nEstes e outros edifícios eram esplendidamente decorados. Tanto os palácios como os banhos foram ornamentados com mosaicos figurativos no solo e com frescos nas paredes. Os outros materiais arquitectónicos eram a pedra e o estuque, habilmente lavrados com animais, motivos florais estilizados e desenhos abstractos. As artes menores também floresceram, e ainda hoje sobrevivem exemplos que sugerem a perfeição alcançada na marcenaria e na arte dos metais. \nA arte omeia, com o seu espectacular e vibrante ecletismo, pode considerar-se como uma continuação da arte da Antiguidade Tardia. 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Quando foi actuar, ele estendeu sedas no solo para que Itifaq nelas caminhasse, e quando esta terminou a sua actuação, entregou-lhe quatro jóias e seis pérolas avaliadas em 4.000 dinares.","quote":"«Muitas mulheres passaram à história como músicas e bailarinas do mais alto nível»."},"119ab24b-479f-5ff2-b732-0ff4c64e08e5":{"title":"As comunidades islamizadas antes e depois da conquista normanda","description":"Objectos de uso quotidiano e funerário como talhas de terracota e inscrições sepulcrais, algumas tipologicamente próximas de exemplos norte-africanos, tanto produzidos na ilha como importadas do Norte de África ou das zonas ainda muçulmanas da Península Ibérica, falam-nos das duradouras relações entre as regiões mediterrânicas que, pelo menos até estar bem entrado o século XIV, ultrapassam as distâncias entre dois mundos contrapostos.","quote":"«Objectos de uso quotidiano, similares na sua tipologia aos norte-africanos e aos ibéricos, falam-nos das relações duradouras entre as regiões mediterrânicas»."},"119e81e9-24c1-5c11-8732-14582e47e370":{"title":"As mulheres do trono: as netas de Fátima al-Zahra","description":"No Norte de África, as sofisticadas e cultas mulheres da dinastia zirida (da tribo berbere dos Sanhaja) emularam as suas homólogas da corte do Egipto. No século XI, uma pricesa zirida agregou uma mesquita ao *ribat* (fortificação) de Monastir, que passou a ser conhecida como a mesquita de Sayyida em reconhecimento pela sua obra. Na biblioteca de Kairouan há vários manuscritos do Alcorão encomendados por princesas ziridas para a Mesquita Aljama, entre eles o de Umm Milal e o de Umm al-Ilu, irmã do príncipe zirida al-Muizz. Há um terceiro manuscrito, oferta de Fátima, aia do príncipe Badis bin al-Mansur.","quote":"«As sofisticadas e cultas mulheres da dinastia zirida emularam as suas homólogas da corte do Egipto»."},"11b19208-0f2c-5176-9948-5d121532b39a":{"title":"Mulheres muçulmanas benfeitoras","description":"As mulheres promoveram também a construção de *ribat* (fortificações religiosas) e *janqa* (conventos de derviches), no início como retiro para guerreiros religiosos e mais tarde como lugares de culto e albergue para os pobres. A educação foi outra das esferas patrocinadas activamente pelas mulheres. Um exemplo é a *madrasa* de Umm Sultan Shaaban, centro educativo do Cairo, construída pela mãe deste sultão mameluco. Também se ergueram escolas (*kuttab* e *madrasas*) para fomentar a educação das jovens. Outras obras de beneficência foram hospitais (*bimaristan*), como o anexo da Mesquita Maior de Divriği, encomendado por Turan Melik (século XIII), ou o construído por ordem de Aziza Othmana (século XVII).","quote":"«As mulheres apoiavam também a construção de ribat, janqa, bimaristan e madrasas»."},"11f82e3d-c59a-5f69-a3bc-b5b190e3aaa1":{"title":"A corte","description":"Competindo com o fausto e o refinamento das cortes orientais – e superando-os, por vezes –, os monarcas do Ocidente muçulmano criaram a sua própria corte com personagens de alto nível, que privilegiavam com a sua confiança; estes eram, como eles, actores do cerimonial palatino que correspondia à sua grandeza, soberania e desejo de impressionar o povo. \nEstes eleitos acompanhavam-no nas suas actividades públicas, partilhavam com ele recepções e refeições oficiais e ajudavam-no nas tarefas do governo. Nas deslocações, formavam parte do cortejo real e contribuíam para a admiração que produzia.","quote":"«O cortejo militar»."},"120cbd81-d9a2-540e-a178-dc11c283fc2d":{"title":"Vida privada das mulheres muçulmanas"},"12656ec4-68b3-5425-9a1d-71e4735a5c19":{"title":"A decoração geométrica na arquitectura","description":"Também os tectos foram decorados com motivos geométricos, policromáticos e dourados, que têm sido interpretados como a representação da abóbada celeste. Isto constata-se bem nas abóbadas de mucarnas, cuja laçaria parte de uma estrela central que vai crescendo até ocupar todo o espaço.","quote":"«Têm sido interpretados como a representação da abóbada celeste»."},"12faaae8-0400-53bd-ba84-f5e66e0027ef":{"title":"Ecos do paraíso: jardins e flora na arte islâmica","description":"«Na civilização islâmica, o jardim e a sua vegetação foram sempre símbolos da beleza da criação divina e da al-yanna, o paraíso islâmico».","extra":{"credits":"Curators & authors \nSule AKSOY, Istanbul \nSevinç GÖK, Izmir \nAlev ÖZAY, Istanbul \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \nSevgi KUTLUAY, Istanbul \nInci KUYULU ERSOY, Izmir \nSeracettin SAHIN, Istanbul \nCihat SOYHAN, Istanbul \nGönül TEKELI, Istanbul \nInci TURKOGLU, Istanbul \nFriederike VOIGT, Stockholm/Berlin \nBarry WOOD, London \n \nCoordination \nInci KUYULU ERSOY, Izmir \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Na história da civilização islâmica, o conceito do jardim e da sua vegetação sempre tiveram particular significado. É certo que isso se deve, em parte, às paisagens áridas em que vivia a maioria dos muçulmanos: rodeados por imponentes desertos e fustigados pelo calor, apreciaram desde sempre o efeito tranquilizador da água correndo, a verdura dos esporádicos oásis ou o colorido da vegetação de jardins artificiais e amuralhados, mantidos com uma muito precisa tecnologia da água. Em todo o mundo islâmico, da Península Ibérica à Índia, dirigentes e elites investiram em luxuosos jardins, situados no centro dos seus complexos palatinos como parte integrante da vida cerimonial da corte. Esses deliciosos jardins eram um luxo invejado, mas tinham também uma dimensão espiritual, ao serem pensados para evocar a exuberante e refrescante vegetação da *al-yanna,* o paraíso islâmico. Com efeito, a forma como eram utilizados reflectia frequentemente as cenas do paraíso descritas no Alcorão, e muitos deles tinham nomes que sublinhavam o simbolismo paradisíaco. Numerosas descrições no Alcorão e na literatura islâmica versam sobre a sua organização, as suas flores, as plantas e as árvores. \nDada a paixão pelas visões paradisíacas, não surpreende que os jardins e a sua rica flora tenham sido desde sempre um tema central nas culturas muçulmanas e na sua arte. Mesquitas, madrasas e mausoléus reais estavam habitualmente localizados num ambiente ajardinado que evocava o paraíso, o que era realçado por referências artísticas a luxuosos jardins floridos. Nas artes decorativas podemos encontrar referências tanto a jardins como a plantas e a flores concretas, frequentemente escolhidas – para além da sua beleza ou utilidade – pelo seu significado poético ou religioso. Quando as flores não são representadas com realismo, intrincados arabescos formados por padrões completamente simétricos de ondulantes caules e folhas ou palmetas partidas convidam à reflexão sobre o processo cósmico da criação e da unidade divina subjacente à infinita diversidade do mundo material.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/floral/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/28/portal_image/1.jpg","display_order":13}}},"134ba250-63fa-595c-a880-46d56bae5a59":{"title":"A viagem de um minbar"},"1438dcdb-5040-5d2a-b082-cda3a58a1031":{"title":"A vida na corte"},"144150df-f28d-5d4f-8acc-353e17527739":{"title":"A peregrinação à Terra Santa","description":"Na época das Cruzadas, o Levante estava dividido em várias cidades-Estados rivais. Algumas eram principados cruzados e outras eram regidas por governantes locais. Isto quer dizer que viajar e peregrinar na Terra Santa podia ser perigoso, mesmo em tempo de paz, mas mais ainda nas épocas de guerra. Apesar destas dificuldades, houve muitos viajantes corajosos decididos a chegar à Terra Santa.","quote":"«Viajar e peregrinar na Terra Santa podia ser perigoso, mesmo em tempo de paz»."},"1621eaac-22de-5ea2-a831-558356a3e6df":{"title":"A função de flores e plantas concretas"},"17b8ce1b-11e8-500c-ba13-dd3af722e3b4":{"title":"O sultão e a sua corte","description":"O sultão mameluco era também comandante em chefe dos exércitos e desempenhava um importante papel no âmbito da diplomacia internacional. A sua autoridade e a sua glória manifestavam-se em refinados cerimoniais, na magnificência do ambiente da corte e nos elitistas passatempos que nela se praticavam, como a falcoaria e a caça.","quote":"«A autoridade do sultão manifestava-se nos cerimoniais e na magnificência do ambiente da corte»."},"17ddd4ae-d694-5a72-955a-060b61ef530c":{"title":"As mulheres do trono: as netas de Fátima al-Zahra","description":"Em sinal de veneração à sua antepassada Fátima al-Zahra, filha do Profeta e mulher do imã Ali bin Abi Talib, os fatimidas concediam às princesas uma vida de luxo e de responsabilidade, e estas desempenhavam importantes papéis nas esferas pública e política. Esta atitude influiu de forma geral no trato que se dava às mulheres na sociedade da época. Muitas mulheres da corte ocuparam importantes postos políticos, e a irmã do califa al-Hakim bi Amrillah, Sitt al-Mulk, chegou a governar o Egipto durante quatro anos no lugar do seu irmão, ainda criança. Era frequente as mulheres de estatuto elevado administrarem a sua própria riqueza e terem uma vida empresarial activa; por exemplo, possuíam barcos que transportavam mercadorias a lugares remotos. O luxo do seu estilo de vida diz bem da sua riqueza pessoal. Uma princesa chamada Abda deixou tantos cofres cheios de gemas, jóias e tesouros que foram necessários 14 quilos de cera para selá-los e 30 resmas de papel para listar o seu conteúdo.","quote":"«Os fatimidas concediam às princesas da corte uma vida de luxo e de responsabilidade»."},"17e93a55-d0d0-51b2-8c52-ae90b63b4709":{"title":"Espaços do poder: as construções palatinas"},"18c44ba9-f8fa-5fdd-99a2-a8b6f034044a":{"title":"Visões do jardim celeste e da árvore da vida","description":"As árvores com flores aromáticas e cheias de fruta madura desempenham um papel essencial nas descrições literárias do paraíso islâmico. A palmeira ocupa nelas um lugar especial. Uma tradição descreve-a como tia do Homem, criada com a argila que sobrou da criação divina de Adão. Outra conta que o Profeta Maomé associava a palmeira ao paraíso. Também se fazem referências à romãzeira e à mística *tuba*, uma árvore da vida semelhante ao cipreste e situada no centro do paraíso.","quote":"«As árvores com flores aromáticas e cheias de fruta madura desempenham um papel essencial»"},"1935df49-d16b-562f-8737-07f9354ede4c":{"title":"O palácio e as artes"},"1968b4ad-376a-5733-96cc-b0a0f079ea39":{"title":"A Terra Santa das três religiões","description":"A Palestina – e em especial Jerusalém – tem sido destino de peregrinação religiosa ao longo de milhares de anos. Para os judeus, Jerusalém é a cidade de Deus e o venerado lugar do Templo. As orações judaicas dirigem-se para esta cidade, que continua hoje a ser o seu centro religioso, espiritual e intelectual. Os cristãos, encorajados pelos Padres da Igreja, começaram a fazer a peregrinação à Terra Santa no século IV, para renderem homenagem aos lugares ligados à vida de Jesus Cristo. Segundo a tradição cristã, Jesus viveu em Jerusalém, onde pregou e curou os doentes. Ali tomou a Última Ceia, foi preso, julgado e crucificado. Ainda hoje a Igreja do Sagrado Sepulcro marca a zona da cidade onde se crê que Jesus tenha sido enterrado e da qual ascendeu aos céus.","quote":"«A Palestina e Jerusalém têm sido destino de peregrinação religiosa ao longo de milhares de anos»."},"196db830-546b-584c-a36c-48974bbb7a0a":{"title":"O sultão e a sua corte","description":"Reinstaurada a sede do califado no Cairo, os governantes de todo o mundo islâmico viraram a atenção para o Egipto, em busca de legitimidade para o seu poder. Durante todo o império houve sultões mamelucos muito activos como Baybars I, Qalawun, Nasr al-Din Muhammad ibn Qalawun, Hasan e Qaytbay, que empreenderam a construção de esplêndidas mesquitas e instituições religiosas e encomendaram magníficos exemplares manuscritos do Alcorão e mobiliário para as mesquitas.","quote":"«Os sultões mamelucos empreenderam a construção de esplêndidas mesquitas e instituições religiosas»."},"198c176f-a670-5331-b416-a7ecc59e7ceb":{"title":"As artes decorativas"},"19908cb0-74da-580e-b6b3-2b320477903e":{"title":"Os aglábidas, escudo da dinastia abássida","description":"Dadas a enorme extensão do exército abássida e a presença de diversas potências islâmicas rivais nas suas fronteiras, no ano 800 os abássidas estabeleceram o principado aglábida no Norte de África, para que este se entendesse como os omeias do al-Andalus e com os idrissidas de Marrocos. O califa abássida Harun al-Rashid (r. 786-809) entregou o governo da Ifriqiya (Tunísia) a Ibrahim ibn al-Aglab como principado hereditário. Os aglábidas foram vassalos dos abássidas na Ifriqiya entre 800 e 909. Reconstruíram cidades e ergueram fortificações na costa, com o objectivo de fazer retroceder os bizantinos, que tinham conquistado a Sicília alguns séculos antes. Organizaram a vida civil e abriram vias de comunicação entre o Norte de África e o Próximo Oriente.","quote":"«O califa abássida Harun al-Rashid entregou o governo da Ifriqiya a Ibrahim ibn al-Aglab como principado hereditário»."},"1a1a6170-d33d-5774-bbd8-19cce2b88392":{"title":"A viagem de um minbar","description":"Com a chegada do *minbar* a Hebron, a cidade adquiriu uma importância religiosa especial e começou a atrair muçulmanos, cristãos e judeus. Os visitantes trouxeram mecenato, legados e doações em abundância, destinados não só à mesquita e ao santuário, como também à própria cidade. A lâmpada da mesquita em vidro, os candelabros de cobre e as páginas de Alcorão desta exposição são bons exemplos desse patrocínio.","quote":"«Os visitantes trouxeram mecenato, legados e doações em abundância»."},"1aa59d36-2ef4-55a4-9987-3abbfd0f309c":{"title":"Síria"},"1abd2666-7a05-5c9a-8f4d-991a0fac4643":{"title":"A cultura no reino cruzado de Jerusalém","description":"Ibn Jubayr, nas suas *Viagens,* e Usamah ibn Munqid, nas suas *Memórias,* dão-nos o ponto de vista da comunidade muçulmana. O escritor, diplomata e político Usamah (1095-1188), que viveu no castelo de Shayzar, conheceu pessoalmente Nur al-Din e Saladino, bem como os seus rivais francos. Assim conta uma visita a Jerusalém: «Quando entrava na mesquita de al-Aqsa, que estava ocupada pelos templários, meus amigos, estes evacuavam a pequena mesquita contígua para que eu nela pudesse rezar». Um dia, enquanto Usamah rezava, um franco interrompeu as suas orações e obrigou-o a rezar olhando para este. Os amigos templários de Usamah expulsaram dali o franco e desculparam-se dizendo-lhe: «É um estrangeiro que acaba de chegar da terra dos francos e que nunca tinha visto ninguém rezar sem olhar para este».","quote":"«Os templários evacuaram a pequena mesquita contígua para que eu nela pudesse rezar»."},"1b29b6a7-7dc6-567b-aaf0-cbfc9c64fc07":{"title":"Saladino na Terra Santa","description":"Saladino adquiriu notoriedade na luta pelo Egipto, quando Nur al-Din ainda era vivo. Após a morte deste em 1174, passou dez anos combatendo contra outros muçulmanos e consolidando o seu exército. Depois de unificar a Síria e o Egipto, e depois de tomar Alepo em 1183, Saladino ocupou-se da expulsão dos francos. A sua maior vitória foi a batalha de Hittin, em 1187. Com ela abriu o caminho para Jerusalém, conquistada nesse mesmo ano.","quote":"*«Depois de unificar a Síria e o Egipto, Saladino ocupou-se da expulsão dos francos».*"},"1b7b04e6-d4cb-5a10-a0bf-8f61b4de570f":{"title":"A formação da arte islâmica"},"1d025879-0f4e-58f5-9d96-55b7af6f72a3":{"title":"A civilização da palavra"},"1dabd926-5ac6-53c1-b262-d5570beba088":{"title":"A decoração geométrica na arquitectura","description":"Em todo o mundo muçulmano, as portadas de edifícios importantes cobriram-se de composições de moçárabes ou com relevos geométricos talhados na pedra. Procurava-se não deixar nenhum espaço por preencher (*horror vacui*). \nA partir da época almóada, as fachadas dos minaretes do Magrebe e do al-Andalus foram decorados primeiro com arcos lobulados, independentes ou entrelaçados, cuja repetição e sobreposição deu como resultado, a uma escala menor, uma trama de losangos conhecida como *sebka*, que se assemelhava a um tapete perfurado.","quote":"«Procurava-se não deixar nenhum espaço por decorar (*horror vacui*)»."},"1dbcce8a-f15c-5124-8ef3-103e38fe1b4e":{"title":"Ciência e saber","description":"Os mandatários muçulmanos preocuparam-se sempre com o abastecimento de água à população e aplicaram os conhecimentos científicos disponíveis na obtenção da melhor solução. Os equipamentos de abastecimento de água que se conservam são os mais sólidos: diques, aquedutos e noras.","quote":"«Ciência e tecnologia hidráulicas»."},"1dc8b986-92dc-5a75-b544-000419ab6111":{"title":"As lápides funerárias, memória na pedra","description":"Há uma grande variedade de lápides funerárias, que foram originadas em épocas distintas e que reflectem diferenças regionais: o *cipo*, que surgiu na Ifriqiya (Tinísia) no século IX, mas que também foi referenciado na região andaluza de Toledo; a *maqabriya*, que foi utilizada nos cemitérios andaluzes e magrebinos a partir da época almorávida; as estelas discóides, que abundaram a partir do século XIV nas cidades oleiras, como Málaga, Granada e Murcia.","quote":"«As lápides: diferenças locais e sociais»."},"1de88509-41c2-5db1-91f2-cf64dc633e29":{"title":"A Sicília islâmica e a cultura figurativa: vestígios e continuidade"},"1ec4779d-2e05-51bf-b099-64943deec02c":{"title":"A escrita cúfica","description":"Os calígrafos esmeraram-se por embelezar os caracteres cúficos com adornos, que chegaram a constituir uma autêntica gama de motivos. Com o tempo, a decoração passou a ser mais elaborada e complexa. Nos inícios do século X, os caracteres cúficos foram adornados com caules e folhas que formavam uma elaborada e densa vegetação: este estilo é conhecido como «cúfico florido».","quote":"«Os caracteres cúficos foram adornados com caules e folhas que formavam uma elaborada e densa vegetação»."},"1fe29955-194b-5f40-833a-ae7bf2b5e383":{"title":"O Cairo, Damasco e Jerusalém, centros da vida intelectual","description":"Sob o domínio mameluco, o Egipto, a Palestina e a Síria viveram um renascimento cultural, intelectual e artístico que se concentrou principalmente nas cidades do Cairo, Jerusalém e Damasco. O Cairo, a capital mameluca, era conhecido como «a metrópole do universo» e «o jardim do mundo». Naquela época, era o maior centro urbano do mundo e uma das mais prósperas cidades do Próximo Oriente, pelo que a ela acorreram intelectuais, eruditos, cientistas, artesãos e comerciantes.","quote":"«O Cairo, a capital mameluca, era conhecido como “a metrópole do universo”»."},"21173928-d7cb-5f28-9f20-0a8f069336e7":{"title":"Rotas de peregrinação e lugares santos do caminho","description":"Também havia uma rota de peregrinação no norte para os que iam da Turquia, da Síria, do Iraque, e do Irão para Meca. Os viajantes continuavam até às proximidades da antiga Aylat (hoje al-Rumeil) e dali dirigiam-se para Medina e Jiddah. Muitos governantes ajudaram a manter o caminho, entre eles Sayyida Zubayda, esposa do califa Harun al-Rashid. Essa parte da via, que ela dotou de excelentes instalações, era conhecida como «Caminho de Zubayda».","quote":"«Também havia uma rota de peregrinação no Norte para os que iam da Turquia para Meca»."},"217482b1-7626-531f-8ca9-51c2f680fe3d":{"title":"Os Mamelucos","description":"Os mamelucos, que na origem foram um exército de escravos às ordens dos soberanos muçulmanos, criaram um império que foi uma das maiores potências do Islão durante quase 300 anos.","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nUlrike AL-KHAMIS, Edinburgh \nElsayed HAMAD, Cairo \nYousef NATSHEH, Jerusalem \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nEnaam Selim, Cairo \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"O sultanato mameluco foi uma das grandes potências do Islão durante quase 300 anos. A palavra *mamluk* significa «escravo» e, historicamente, designa um escravo militar estrangeiro, comprado para formar um corpo de elite que respondia unicamente perante o próprio sultão. A maior parte dos mamelucos eram turcos e circassianos do Cáucaso convertidos ao Islão, adestrados para serem os melhores na arte da guerra. Em 1250 produziu-se um vazio de poder na classe dirigente árabe, o que permitiu aos mamelucos estabelecerem a sua própria soberania. A partir desse momento começaram a criar um império que se estendeu do Egipto, Palestina e Síria até às cidades santas do Hedjaz, tendo exercido o poder supremo até 1517. \nNos primeiros anos, os mamelucos defrontaram-se com ameaças constantes de inimigos estrangeiros, mas conseguiram expulsar tanto os mongóis, em 1260, após a decisiva vitória de Ayn Yalut (Palestina), como os cruzados, em 1291. \nPara além do mais, os mamelucos foram campeões do Islão. Restauraram a sede califal no Cairo, depois de Bagdad ter caído nas mãos dos mongóis, em 1258. Levaram a cabo uma campanha sem precedentes de construção de magníficas mesquitas e de doações religiosas (*waqf*) em todo o império, que se converteram em pólos de actividade intelectual, científica e religiosa. \nNa esfera internacional, o sultanato mameluco estabeleceu fortes ligações com outras potências, incluindo as do Extremo Oriente, de Bizâncio, França, Castela, Sicília, Génova e Veneza. O Cairo passou a ser o centro nevrálgico do comércio mundial. Do Oriente e do Ocidente chegavam mercadorias e objectos exóticos que se compravam e vendiam em mercados especializados (os *suq*), cuja vitalidade estimulava os artesãos locais. \nCom o tempo, a supremacia dos mamelucos entrou em decadência, fundamentalmente por dois motivos: a abertura por parte dos portugueses de novas rotas comerciais que passavam pelo Cabo da Boa Esperança e a expansão do Império Otomano, que deu o golpe de misericórdia no Estado mameluco no princípio do século XVI.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/the_mamluks/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/17/portal_image/1.jpg","display_order":5}}},"221eaf00-cefe-5da4-b4e5-b0ff24d5d9a0":{"title":"Flora e arabescos: expressões da eternidade e da unidade divina","description":"Quando as flores não eram representadas com realismo, apareciam frequentemente como desenhos mais ou menos fantásticos que realçavam ao máximo o exterior de edifícios ou de objectos. Estas composições florais podiam ser tão intrincadas que desviavam a atenção das formas que decoravam, chegando mesmo a ocultá-las. Os edifícios e objectos pareciam cobertos pelos desenhos florais esculpidos, pintados ou aplicados que, ainda que sobretudo decorativos, proporcionavam também a oportunidade de contemplar a eterna complexidade do universo, que emanava do seu criador, Allah, e Nele culminava.","quote":"«Quando as flores não eram representadas com realismo, apareciam frequentemente como desenhos fantásticos»."},"227f3bb2-60fb-58e2-b42c-bcec823faca6":{"title":"O esplendor no vestir: o *tiraz* e os trajes da época","description":"Em ocasiões especiais, os califas fatimidas recompensavam os dignitários e os cortesãos com tecidos com *tiraz* ou trajes de cerimónia mais ornamentados. O primeiro-ministro, por exemplo, recebia trinta conjuntos completos que podia distribuir livremente entre o seu pessoal. Também eram oferecidos a convidados importantes da corte ou até, em celebrações ou aniversários, a membros do público. Os trajes com *tiraz* eram diferentes em função da categoria dos seus destinatários. As sedas douradas eram para os dignitários da corte, e havia vários tipos de seda destinados aos funcionários do governo.","quote":"«Os califas fatimidas recompensavam dignitários e cortesãos com tecidos com tiraz ou trajes de cerimónia mais ornamentados»."},"22ad153f-423c-5508-a362-937e5100efd8":{"title":"Guerra e equitação","description":"O êxito da cavalaria foi resultado de uma intensa prática e da boa qualidade do equipamento. Os soldados treinavam-se num hipódromo (*maydan*), onde se realizavam duros exercícios, e participavam em competições desportivas, como o pólo, o dardo e a maça. Durante as batalhas, os soldados turcos combinavam várias tácticas; à distância usavam arcos e, ao perto, a lança ou a espada. Tanto os guerreiros árabes como os turcos eram hábeis na utilização da lança, com a qual podiam alcançar o inimigo a curta distância enquanto se deslocavam a grande velocidade. As espadas eram armas muito apreciadas, sendo frequentemente identificadas pelo seu lugar de origem e pela leveza ou dureza do metal empregue no seu fabrico. Os escudos dos soldados muçulmanos costumavam ser circulares, mas os militares bizantinos, francos e muçulmanos usavam frequentemente o escudo normando.","quote":"«As espadas eram identificadas pelo seu lugar de origem e pela leveza ou dureza do metal empregue no seu fabrico»."},"23700a6e-8a42-57ca-8d10-fa47337ec6cc":{"title":"A decoração geométrica nos recipientes de cerâmica","description":"A decoração geométrica combinou-se particularmente bem com a chamada escrita cúfica, de indiscutível valor estético, com a sua caligrafia rectilínea, angulosa, de traços verticais e horizontais bem marcados. Estas características tornavam-na especialmente adequada para a ornamentação do corpo dos recipientes cerâmicos, fosse em bandas horizontais ou em composições radiais.","quote":"«A decoração geométrica combinou-se particularmente bem com a chamada escrita cúfica, de indiscutível valor estético»."},"23c5c103-e3d9-5951-b584-74137065c95f":{"title":"A arte nos espaços de oração","description":"As mesquitas, como espaços sagrados, mantiveram as suas características ao longo dos séculos, tanto na sua arquitectura, como nos diversos elementos do interior ou na decoração. \nNo Islão, Deus não possui uma forma concreta, pelo que, segundo a tradição, as imagens dos seres vivos numa mesquita são inapropriadas. Tendo ainda em conta a prática da oração, foi o Alcorão, como compêndio da palavra e dos ensinamentos de Deus, que inspirou os artistas para a decoração e o mobiliário no interior do espaço sagrado.","quote":"«Segundo a tradição, as imagens dos seres vivos numa mesquita são inapropriadas»."},"2401b31f-6c0d-5b66-a16b-0fa24ce30cfa":{"title":"A decoração geométrica nos têxteis","description":"A decoração de alguns tecidos assemelha-se à das azulejaria e gessaria que revestem os muros dos edifícios. Chegam, por vezes, a aproximar-se na compartimentação do espaço decorativo: as bandas epigráficas nos bordos do tecido têm paralelo com o friso epigráfico que coroa os frisos geométricos. Este tipo de decoração nasceu do desenvolvimento do laço, que foi traçando motivos em estrela, poligonais, lobulados, etc.","quote":"«A decoração de alguns tecidos assemelha-se à das azulejaria e gessaria»."},"2402e680-efca-5518-8365-20a53e16a37c":{"title":"Gestão da prosperidade","description":"A saúde e a riqueza de uma sociedade dependiam, em grande medida, da adequada gestão dos recursos, como alimentos e água, assim como de um governo eficiente. Os abássidas conceberam soluções de engenharia para manter e aperfeiçoar os sistemas agrícolas e os recursos aquíferos, ao mesmo tempo que os progressos na medicina melhoraram a saúde da população. Em Kairouan, por exemplo, os aglábidas construíram, no ano 862, depósitos para recolher a água da chuva dos vales situados nas proximidades. O seu engenho reflecte-se no desenho dos sistemas de recolha, purificação e armazenamento da água, de forma a torná-la acessível e gratuita para os habitantes da cidade, os pastores da região e as caravanas que por ali passavam.","quote":"«Em Kairouan, os aglábidas construíram depósitos para recolher a água da chuva dos vales situados nas proximidades»."},"24dccfe7-0ad7-552e-aa3d-ebae78f613d0":{"title":"A vida na corte","description":"O palácio Topkapı serviu de centro governamental e de residência da família imperial. Foi construído numa área da península de Istambul a partir da qual se dominam o Corno de Ouro, por um lado, e o estreito de Bósforo e o mar de Mármara, pelo outro. Situado dentro de amplos jardins, o palácio compõe-se de um conjunto de edifícios agrupados em três partes: *birun*, *enderun* e harém*.* \nO *birun* encontra-se entre a porta principal ou Imperial (Bab-ı Hümayun) e a terceira porta, ou da Felicidade (Babü's-Saade). O primeiro pátio albergou os edifícios de serviço, a casa da moeda imperial, os quartéis, os ministérios e outras oficinas governamentais. O segundo pátio foi denominado Alay Meydanı e a ele se ligavam o Divan-ı Hümayun – também chamado «Sob a Cúpula» –, o tesouro, as cozinhas, os estábulos e a entrada para o harém*.* \nCerimónias como a entronização, audiências reais urgentes ou *alay divanı* (assembleia de pé) e a celebração de festejos tinham lugar em frente à porta da Felicidade. O trono do sultão encontrava-se também perto desta porta, e a bandeira sagrada (*sancak-ı şerif*), autêntico símbolo do sultão otomano como califa, era ali içada quando tirada do pavilhão do Manto Sagrado por ocasião de alguma cerimónia importante.","quote":"«O palácio Topkapı serviu de centro governamental e de residência da família imperial»."},"24e11f60-92ed-5fc9-959e-e0aa49482ffe":{"title":"A representação humana"},"252b7a7e-7c1d-559c-8738-0be280a6547c":{"title":"A representação de animais","description":"Os animais surgiram com muita frequência na arte omeia, especialmente em mosaicos e em frescos, não só em palácios mas também em igrejas locais. Mais tarde, em finais dos século X ou inícios do XI, fabricaram-se arquetas de marfim para jóias em várias formas e tamanhos, em cujas superfícies se lavraram os típicos temas de prazer e da vida cortesã, incluindo as cenas de caça. Os painéis de madeira gravada do período fatimida no Egipto contêm numerosos temas de animais. As fachadas de alguns edifícios da Anatólia e as torres do período ayyubida e mameluco no Egipto eram decoradas, com frequência, com motivos naturalistas e animais de estilo heráldico.","quote":"«Fabricaram-se arquetas de marfim para jóias, lavradas com os típicos temas de prazer e da vida cortesã»."},"25920ee3-8f72-5764-8504-8c11dfeff2db":{"title":"O Sagrado Alcorão","description":"A estrutura do Alcorão segue um sistema fixo de marcas que indicam o título da *sura* e o número da *aleia*. Enquanto que nas cópias mais elaboradas do Alcorão as marcas eram magnificamente decoradas, nas versões mais económicas eram muito simples. Na ornamentação das páginas dos títulos, dos início das suras e das aleias usavam-se com generosidade o ouro e outros pigmentos. Os manuscritos corânicos copiavam-se em diversos estilos caligráficos árabes, como o cúfico, o *naskhi* e o *thuluth*. O Alcorão em vários tomos era dividido em duas, quatro ou trinta partes, seguindo uma convenção estabelecida. Encadernavam-se com capas de grande qualidade e guardavam-se em caixas ou cofres de bela execução. Também se fabricavam estantes especiais para ter aberto o Alcorão, o que permitia mostrá-lo e recitá-lo mais facilmente.","quote":"«O Alcorão em vários tomos era dividido em duas, quatro ou trinta partes, seguindo uma convenção estabelecida»."},"27407462-38d1-5483-a239-bfa506cb4830":{"title":"Gestão da prosperidade","description":"Os abássidas apoiaram e patrocinaram a investigação médica e aqueles que exerciam a medicina. Fizeram-se grandes progressos: escreveram-se e traduziram-se livros de diversos temas médicos, realizaram-se e documentaram-se experiências e desenharam-se numerosos instrumentos para diferentes procedimentos médicos.","quote":"«Os abássidas apoiaram e patrocinaram a investigação médica e aqueles que exerciam a medicina»."},"27a7074c-9378-500f-b1ed-4b1612e2a219":{"title":"A função de flores e plantas concretas","description":"Algumas flores foram muito populares e repetiram-se nas artes do mundo muçulmano. Uma das preferidas era a rosa. Segundo a tradição popular islâmica, a rosa nasceu de uma gota de suor que caiu do Profeta Maomé durante a sua viagem nocturna ao paraíso. Também simboliza a unidade de Allah, e as suas pétalas, a *Umma* ou comunidade muçulmana. Outros vêem nela um símbolo da presença do Profeta no meio dos crentes. Os seus espinhos recordam as dificuldades que os muçulmanos têm de superar na sua procura de Deus. O seu perfume antecipa o odor dos roseirais do paraíso.","quote":"«Algumas flores foram muito populares, e a rosa era uma das favoritas»."},"282bf248-cb40-5b24-9d50-166d75b8a10e":{"title":"Os mamelucos no mundo: a diplomacia e o comércio internacional"},"28d9a4d3-c0f4-52e4-b504-b865ba01f483":{"title":"Os Atabegs e os Ayyubidas","description":"«Saladino, que deu o nome à dinastia, chegou ao poder em finais do século XII».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMona AL-MUADIN, Damascus \nDina BAKKOUR, Damascus \nSheila CANBY, London \nVerena DAIBER, Damascus \nAbdel-Razzaq MOAZ, Damascus \nEmily SHOVELTON, London \nZena TAKIEDDINE, Damascus \n \nCoordination \nSamer ABDEL-GHAFOUR, Damascus \nZena TAKIEDDINE, Damascus \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"No século XI, com o califado fatimida do Egipto a desafiar o califado abássida de Bagdad, a fragmentação e a instabilidade marcaram a região do Levante (que compreendia o Líbano, a Palestina, a Síria e a Jordânia). Foi então que os seljúcidas, guerreiros turcos da Ásia Central, consolidaram o seu poder no território – mantendo a autoridade religiosa dos abássidas – e iniciaram uma nova era na arte islâmica. \nOs atabegs, instrutores militares designados pelos seljúcidas para ensinarem os príncipes, asseguraram o poder e, gradualmente, foram-se tornando independentes. Um deles, Nur al-Din Mahmud ibn Zangi (m. 1174), levou a cabo a tarefa de expulsar os cruzados de Edesa em 1146 e, com a conquista de Damasco em 1154, conseguiu a unificação da Síria. \nAl-Malik al-Nasir Salah al-Din Yusuf ibn Ayyub (conhecido como Saladino, r. 1169-1193), que deu o nome à dinastia, era um dos lugares-tenentes de Nur al-Din. Chegou ao poder em finais do século XII, após derrotar os fatimidas em 1171 e acabar com o domínio cristão em Jerusalém em 1187. \nOs atabegs e os ayyubidas introduziram mudanças duradouras nos seus territórios. Tentaram, de forma sistemática, reeducar os seus súbditos mediante a criação de escolas religiosas islâmicas sunitas (*madrasas*). Reconstruíram a Mesquita Omeia e reforçaram as cidadelas e as muralhas de Damasco, Alepo e de outras cidades, entre elas o Cairo. \nO desenvolvimento urbano também foi assinalável. Construíram-se *hammam* (banhos), *bimaristan* (hospitais), caravanserai, sistemas de distribuição de água e edifícios religiosos como mesquitas, mausoléus, *turbe* (túmulos) e *janqah* (hospedarias). Do Oriente trouxeram as *madrasas* e os *bimaristan*, instituições educativas que, do ponto de vista artístico, trouxeram novas formas arquitectónicas e novos repertórios decorativos. \nA cultura seljúcida dominou a arte islâmica entre os séculos XI e XIII. Introduziu importantes inovações artísticas na arquitectura, na cerâmica, na joalharia, na arte dos metais e nas iluminuras. \nContemporâneo da arte gótica no Ocidente e da dinastia Song na China, o estilo ayyubida foi desenvolvido depois pelos seus sucessores, os mamelucos.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/the_ayyubids/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/15/portal_image/1.jpg","display_order":4}}},"28ed3f37-70c7-5e87-9d40-6eef902eb3ee":{"title":"Rotas de peregrinação e lugares santos do caminho"},"29034c7a-8823-5847-9fb2-ed236e6ef371":{"title":"As artes decorativas","description":"A aplicação do reflexo metálico para decorar recipientes é uma técnica essencialmente islâmica, que se desenvolveu primeiro nos trabalhos em vidro para passar depois à cerâmica, com grande sucesso. No Egipto, tal técnica aplicou-se ao vidro desde, pelo menos, o século VIII. \nDe facto, a cerâmica de reflexo metálico, devido à influência dos oleiros fatimidas emigrados, marcou rapidamente o zénite da produção no Egipto, na qual também se trabalhavam outros tipos de cerâmica vidrada. Temos conhecimento da existência de oficinas de mestres oleiros, como a escola do Muçulmano e a de Saad. \nA indústria dos metais também prosperou. Havia artesãos especializados na produção de animais tridimensionais, recipientes de metal fundido e batido, instrumentos científicos como astrolábios, e instrumentos cirúrgicos.","quote":"«A aplicação do reflexo metálico para decorar recipientes é uma técnica essencialmente islâmica»."},"2a50f5ca-9045-5344-9508-e2af5f610c4c":{"title":"A capital otomana: Istambul","description":"Istambul, cuja densidade de população aumentou durante os três primeiros séculos do poder otomano, mudou de aspecto nos princípios do século XVIII. A actividade arquitectónica no Corno de Ouro e nas margens do Bósforo foi expressão do desejo de imitar o Ocidente. Istambul foi invadida na sequência da derrota dos otomanos na Primeira Guerra Mundial, e, durante a Guerra Nacional de Independência, Ankara seria convertida na nova capital do país. Na actualidade, Istambul continua a ser a maior e mais esplendorosa cidade da República da Turquia.","quote":"«Na actualidade, Istambul continua a ser a maior e mais esplendorosa cidade da República da Turquia»."},"2aca10e0-7f13-5d99-b5ac-513f7ea5b271":{"title":"A vida religiosa","description":"Numerosos imigrantes muçulmanos em busca de conhecimentos religiosos e devoção, e movidos também pela *jihad* (guerra santa), sentiram-se atraídos pela Síria, em particular por Alepo e Damasco. O bairro de Salihiyya em Damasco, por exemplo, foi um núcleo de propaganda anticruzada e sede dos Banu Qudama, eruditos religiosos de origem palestiniana que desempenharam um papel fundamental na vitória de Saladino contra os cruzados na decisiva batalha de Hittin (1187).","quote":"«O bairro de Salihiyya em Damasco era um núcleo de propaganda anticruzada»."},"2c60ed37-eb2d-5736-98a0-24252466e0a4":{"title":"Influências Ocidentais em terras otomanas","description":"A partir do século XIX, o Império Otomano adota progressivamente um sistema centralizado de governo, em prol da modernização.","extra":{"credits":"Western Influence in Ottoman Lands \n \nCurators & authors \nMohamed ABBAS, Cairo \nInci KUYULU ERSOY, Izmir \nAida NAGHAWI DODO, Amman \nZena TAKIEDDINE, Damascus \nSaloua ZANGAR, Tunis \n \nCoordination \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nFor Arabic, English, French and Turkish: \nPlease refer to [General Credits](https://islamicart.museumwnf.org/mwnf_credit.php) \nGerman: Merve Tolaman \nItalian: Lavinia Amenduni \nPortuguese: Geisa Cristina Santos Carneiro Williams (translation); Cristina Correia (editor) \nSpanish: Arantza Morales \nSwedish: Lisa Lindström","intro_text":"O Império Otomano abrangia não apenas o que conhecemos hoje como República da Turquia, mas também uma área geográfica muito mais ampla habitada por povos de origens multiétnicas, com diversas línguas e religiões. Dentro dessa variedade, era inevitável que a influência ocidental se manifestasse em momentos diferentes e de várias maneiras ao longo dos séculos XVIII e XIX, durante uma época conhecida hoje como o período de ocidentalização do Império Otomano. \nAté o século XIX, o império dividia-se em províncias governadas por *beglerbegs* e *sanjaqs a cargo* de *sanjaqbegs*, nomeados pelos sultões. \nDentro deste sistema, as comunidades locais, os grupos religiosos e os *waqfs* estimularam a economia do império, proporcionando, em termos artísticos e arquitetónicos, uma síntese do gosto otomano com as respetivas características locais. A partir do século XIX, o Império Otomano começou a adotar um sistema de governo centralizado em prol da modernização. Dentro deste novo sistema centralizado, o controle mais rigoroso sobre as províncias manifestou-se com a construção de edifícios públicos e governamentais, a cargo do império. Desta forma, embora os primeiros exemplos arquitetónicos, concretamente influenciados pelo Ocidente, já tivessem sido erguidos em Istambul e na Anatólia no século XVIII, este tipo de influência espalha-se para outras regiões a partir do século XIX. Outro importante fator de influência ocidental, que provocou algumas outras mudanças substanciais no império, foi a melhoria nas relações diretas entre as principais cidades do império e a Europa. \nSob a égide de Kavalalı Mehmed Ali Pasha, o governador otomano que estabeleceu temporariamente um estado autónomo no Egito, fortaleceu-se uma forte relação política e comercial com a Europa que se refletiu fortemente em Istambul, patente nas influências trazidas pela elite egípcia que para aí se deslocava durante o verão. Se bem que a zona ocidental do império no Norte de África incluísse três províncias, a Trablusgarb, (Líbia atual) a Tunísia e a Argélia, respetivamente sob a responsabilidade de um governador nomeado por Istambul, na realidade quem detinha a autoridade eram os governantes locais, denominados *beys*, que eram conhecidos na Europa graças ao contacto direto estabelecido com eles. A mudança nos sistemas administrativo e social na região propiciou e acelerou a disseminação da cultura ocidental no seio do Império Otomano.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/western_influence/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/42/portal_image/1.jpg","display_order":18}}},"2d7ae23a-a5ce-5e8f-8d9b-d2c05d03e0a9":{"title":"A arte andaluzo-magrebina"},"2fa2a75e-bc46-5e82-b436-df6b6e337b65":{"title":"A cerâmica abássida","description":"Antes do período abássida não existiam um tipo nem um estilo de cerâmica que tecnicamente pudessem denominar-se «islâmicos». A primeira separação clara em relação aos desenhos pré-islâmicos dá-se em meados do século X nos motivos decorativos dos recipientes, que imitam os da porcelana chinesa. Novos métodos de fabrico e técnicas inovadoras de decoração e de vidrado, combinados com motivos cerâmicos até aí desconhecidos no mercado, produziram uma grande variedade de cerâmica que satisfez o gosto local e a procura do estilo chinês. Os motivos adoptados neste período compreendem palmetas e folhas estilizadas, assim como caracteres caligráficos.","quote":"«Uma grande variedade de cerâmica satisfez o gosto local e a procura do estilo chinês»."},"2fd1d033-a4f2-567f-b9d5-a05f8479663e":{"title":"O Sagrado Alcorão"},"30f650c4-28b8-51fa-9fb7-44613c3096bf":{"title":"O uso da água para consumo e higiene","description":"O Alcorão sublinha a importância da higiene pessoal; por isso, os banhos públicos ou *hammam* desempenharam sempre uma função primordial na vida social e religiosa dos muçulmanos. Estes estabelecimentos são devedores, até certo ponto, das termas romanas e da Antiguidade Tardia. Contudo, a partir do período omeia, e ao contrário do que sucedia na época romana, começou a dar-se mais importância às salas quentes que ao *frigidarium*. O *hammam* costuma ser composto por um vestiário – que é uma sala não aquecida –, uma sala temperada intermédia e outra de vapor.","quote":"«O hammam desempenhava uma função primordial na vida social e religiosa dos muçulmanos»."},"31839947-b81e-578b-b011-e2319540abf1":{"title":"Jordânia"},"32488c74-a58c-5fa9-b361-a3daf955e17a":{"title":"A formação da arte islâmica","description":"As rápidas conquistas árabo-muçulmanas acabaram com as barreiras políticas que existiam entre o Irão e a Mesopotâmia, de um lado, e o mundo mediterrânico, do outro. Desta maneira foi possível combinar os recursos de duas diferentes civilizações. A instauração da dinastia omeia na Síria, uma província profundamente helenizada durante o milénio anterior, implicou o predomínio da influência artística clássica, ou, melhor, da influência clássica transformada pela tradição provincial oriental.","quote":"*«Foi possível combinar os recursos de duas diferentes civilizações».*"},"343819d8-e720-529d-a3f2-a9d6277501c0":{"title":"A representação de animais","description":"A representação de animais teve lugar em muitas artes (mosaicos, pintura, escultura, arquitectura) e sobre uma grande variedade de materiais, embora os mais frequentes tenham sido a pedra, a cerâmica, o metal, a madeira e o marfim. Representavam-se tanto animais domésticos como selvagens: touros, cavalos, camelos a trotar, gazelas, onagros, cervos, pombos, águias, cegonhas, serpentes, coelhos, macacos, gatos e leões. Os animais míticos como as harpias, os unicórnios, os pégasos e os grifos tinham origem na tradição greco-romana.","quote":"«Os animais míticos como as harpias, os unicórnios, os pégasos e os grifos tinham origem na tradição greco-romana»."},"343a2d67-cc5d-51cf-b046-7beee7e64193":{"title":"O Sagrado Alcorão","description":"Faziam-se cópias do Alcorão em muitos tamanhos e para usos diversos. Alguns exemplares destinavam-se a mesquitas e a *madrasas*; outros eram levados por particulares como benção e protecção. O patrocínio e as encomendas para copiar e decorar manuscritos corânicos eram consideradas obras religiosas que honravam quem podia custeá-las. O sistema do patrocínio esteve muito difundido no mundo islâmico, e os mecenas ofereciam as cópias a mesquitas, santuários e escolas em ocasiões especiais. A maioria destes edifícios, como complemento à sua função religiosa ou educativa, adornavam-se também com fragmentos do Alcorão, presentes na cantaria, na azulejaria, nos tecidos e nos móveis.","quote":"«Os mecenas ofereciam cópias do Alcorão a mesquitas, santuários e escolas em ocasiões especiais»."},"35beb34a-375b-5bd2-98d3-523a97e96b21":{"title":"Os Fatimidas","description":"«Os fatimidas sonhavam criar um califado xiita no coração do mundo islâmico; governaram um império célebre tanto pela sua administração política como pelo seu esplendor artístico».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nNoorah AL-GAILANI, Glasgow \nUlrike AL-KHAMIS, Edinburgh \nJamila BINOUS, Tunis \nAicha BENABET, Tunis \nHouria CHERID, Algiers \nElsayed HAMAD, Cairo \nMourad RAMMAH, Kairouan \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nEnaam Selim, Cairo \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"O xiismo surgiu na sequência dos assassinatos do califa Ali, na cidade iraquiana de Kufa, e do imã Husayn, neto do Profeta, em Karbala. Este movimento reclamava o seu direito ao califado baseando-se no facto dos seus líderes serem descendentes de Muhammad. O xiismo, apesar de ter sofrido violentos ataques por parte dos omeias e dos abássidas, continuou a expandir-se pelo mundo muçulmano e em pouco tempo alcançou o Norte de África. Foi ali que que os muçulmanos xiitas, dirigidos por Abu Abdallah al-Shii, decidiram estabelecer-se, com o objectivo de conquistar o califado islâmico. \nO califado fatimida teve a sua origem em Raqqada, Ifriqiya (na Tunísia actual), onde conseguiu derrubar a dinastia local aglábida no ano 909. A sua primeira capital foi Mahdia, em cujo tecido urbano e arquitectónico os fatimidas deixaram a sua marca. Sob o governo esclarecido de al-Muizz li-Din Allah (r. 953-975), a dinastia conheceu uma assinalável prosperidade, e as condições económicas proporcionaram um clima favorável à aspiração de conquista do califado. Na tentativa de alcançar esse objectivo, ele enviou o general Yawhar para conquistar o Egipto, que tinha sofrido muito durante o mandato tulunida. Em 969, al-Muizz entrou vitorioso no Egipto e delegou o governo do Norte de África nos ziridas, seus vassalos. Estes aproveitaram a oportunidade para declarar a independência e renunciar ao xiismo em favor do Islão sunita. Os fatimidas não tardaram a exercer represálias, enviando em resposta uma tribo de árabes beduínos, os Banu Hilal, que devastaram o território. O poder fatimida transladou-se então para o Egipto e, nesse mesmo ano de 969, al-Muizz fundou uma nova capital: o Cairo. Sobre os alicerces de um império em constante expansão, floresceu uma próspera civilização que rivalizou com a dos abássidas de Bagdad e os omeias do al-Andalus. O urbanismo, as ciências, a arte e a literatura alcançaram novos patamares. Contudo, estes feitos não duraram muito: a chegada dos cruzados, o declínio económico e grandes epidemias causaram a queda desta magnífica dinastia, que desapareceria de vez às mãos do ayyubida Salah al-Din (Saladino) em 1171.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/fatimids/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/16/portal_image/1.jpg","display_order":3}}},"362960e9-cc01-5941-9e3e-f9dfc311b3b5":{"title":"A defesa","description":"A muralha era um sistema defensivo apenas vulnerável ao assalto e à fragilização dos seus alicerces. Os seus sólidos muros tinham pequenas aberturas para lançar projécteis, embora posteriormente tenham sido ampliadas para a colocação de canhões. Torres altas flanqueavam os panos de muralha para impedir o assalto, e uma série de dispositivos dificultavam a aproximação dos assaltantes: as *torres albarrãs*, isoladas e situadas em frente à muralha, à qual se uniam por um muro; a *barbacã* ou muro paralelo à muralha mas de menor largura e altura; o *fosso*, cavado entre ambas e, por último, a *porta*, protegida por torres, e que desde o século XI teve entrada em cotovelo, que obrigava a fazer uma passagem em ângulo recto.","quote":"«A muralha, um sistema defensivo em si mesmo»."},"37af7457-871b-5f72-898f-77f35e43c973":{"title":"A vida religiosa","description":"As cidades da Síria, da Palestina e do Egipto conheceram um ressurgimento do Islão sunita sob as dinastias atabeg e ayyubida. Estas dinastias empreenderam o restauro da Mesquita Omeia (Damasco), depois de dois incêndios catastróficos, e patrocinaram centenas de instituições religiosas: mesquitas, oratórios, *madrasas*, *janqa* e sepulcros. Os historiadores desta época cifram em 242 o número das mesquitas de Damasco.","quote":"«Os historiadores desta época cifram em 242 o número das mesquitas de Damasco»."},"38f5d49f-e4cd-5dbc-9056-b930d8d46019":{"title":"A viagem de um minbar","description":"O *minbar* foi instalado num novo lugar, a prestigiosa mesquita de al-Ibrahimi em Hebron, que deve o seu renome ao facto de nela descansarem os restos mortais de vários profetas bíblicos, entre os quais Abraão, Isaac e Jacob. A mesquita é também sagrada para os muçulmanos porque, segundo a fé islâmica, Abraão é o pai de todos os profetas, cujos passos o profeta Muhammad se sentiu estimulado a seguir.","quote":"«O minbar foi instalado num novo lugar, a prestigiosa mesquita de al-Ibrahimi em Hebron»."},"390eb15a-b775-5e38-b060-b98bf5313187":{"title":"A arte mudéjar popular e religiosa","description":"O mudéjar religioso aragonês distingue-se pela profusa decoração exterior de edifícios e torres, graças às múltiplas combinações geométricas realizadas com o tijolo à vista (arquinhos mixtilíneos entrecruzados, redes de losangos e faixas em espiga ou em espinha de peixe) e à aplicação de azulejos policromos. Nos interiores, os tectos de madeira deram às divisões a sensação de serem mais espaçosas e fizeram-nas confortáveis e quentes. Merece especial menção a armadura de do tecto da catedral de Teruel.","quote":"«O mudéjar aragonês: a profusão decorativa»."},"39470669-f271-52b5-9ea9-ee88e042362a":{"title":"Vida privada das mulheres muçulmanas","description":"Na cultura islâmica, casas e palácios estavam pensados para garantir a intimidade das mulheres, protegendo-as de intrusões e de incómodos por parte de estranhos. Nessa esfera exclusivamente privada, as mulheres dirigiam com liberdade os assuntos domésticos, cumpriam os compromissos familiares, confraternizavam com outras mulheres do extenso grupo familiar, próximas e amigas, e ocupavam-se das suas próprias necessidades e actividades. Tinham direito aos seus bens e ao dote, incluindo as jóias que recebiam dos seus prometidos ao casarem-se e que conservavam inclusivamente em caso de divórcio. Na corte, as mulheres viviam esplendorosamente, com todas as comodidades, em dependências palatinas que lhes estavam reservadas em exclusivo.","quote":"«Na cultura islâmica, casas e palácios estavam pensados para garantir a intimidade das mulheres»."},"396874d9-40a1-5d19-9b40-a8c4225d8397":{"title":"Rotas de peregrinação e lugares santos do caminho","description":"O Egipto era o ponto de encontro dos peregrinos do Norte e do Centro de África. Chegavam a Alexandria e continuavam até ao Cairo, onde embarcavam para Fustat para navegarem 640 km rio Nilo acima até à cidade de Qus, no Sul. Os camelos levavam-nos depois para Ayzaab, um dos principais portos do Mar Vermelho. Dali, barcos à vela transportavam-nos até à Arábia. O trajecto era arriscado: muitos barcos naufragavam e numerosos peregrinos morriam afogados.","quote":"«O Egipto era o ponto de encontro dos peregrinos que vinham do Norte e do Centro de África»."},"39c2b16b-ece0-532b-b8a3-a71ce6678645":{"title":"Guardiães dos Lugares Santos","description":"A protecção de lugares sagrados como Jerusalém por parte dos sultões foi traduzido em renovações, manutenções, restauros e doações. Na Arábia, as decisões acerca dos lugares sagrados cabiam as governadores locais, mas a autorização para construir ou levar a cabo obras era privilégio do doador. A este propósito, o compromisso dos otomanos com estes lugares significou também uma afirmação de soberania sobre as respectivas cidades.","quote":"«O compromisso otomano com os lugares sagrados significou uma afirmação de soberania sobre as respectivas cidades»."},"39f632d5-77b2-5774-9593-b679b7db8455":{"title":"Exportação de luxo","description":"Para além dos tecidos, a cerâmica otomana alcançou também grande fama no mercado de exportação. O auge da indústria cerâmica de İznik, crucial na história da arte na Turquia, originou uma forte procura europeia. Esta cerâmica tornou-se tão popular nos mercados da Europa que o sultão chegou a redigir um colérico decreto, admoestando os oleiros de İznik por produzirem louça para os consumidores estrangeiros em vez de o fazerem para o palácio imperial.","quote":"«Para além dos tecidos, a cerâmica otomana alcançou também grande fama no mercado de exportação»."},"3a33eeec-8d4a-5425-b4d3-875f171e5011":{"title":"O uso da água para consumo e higiene","description":"A água era fervida, tanto para cozinhar como para outros usos, em grandes caldeiros de metal com três pés ou em recipientes mais pequenos com pés metálicos. Os guisados e as sopas eram preparados num caldeiro, mas para os servir e comer eram passados para taças em metal ou cerâmica vidrada. A água era bebida em copos de vidro com adornos esculpidos, moldados, esmaltados ou dourados. Era ainda mantida fresca e limpa em jarras de cerâmica sem vidrado, com filtros decorados no gargalo; o material poroso impregnava-se de água e, ao permitir que o ar circulasse, mantinha fresco o conteúdo.","quote":"«A água era mantida fresca e limpa em jarras de cerâmica sem vidrado, com filtros decorados»."},"3b822b91-75f5-5142-bd3c-29b08ccd26ec":{"title":"A linguagem visual do poder","description":"O poder do sultão ou dos governadores regionais era, com frequência, abertamente manifestado através da linguagem visual. A arquitectura era a arte mais útil para este fim; um edifício grandioso, que dominasse um bairro ou, melhor ainda, a silhueta de uma cidade, era uma decidida declaração de poder. Em menor escala, a autoridade do governante podia expressar-se de maneira explícita na escrita, acrescentando por exemplo o seu nome ou o seu título à decoração de um edifício ou até a um manuscrito. A *tughra* imperial é, talvez, o símbolo mais evidente deste aspecto da linguagem visual do poder.","quote":"«O poder do sultão era, com frequência, abertamente manifestado através da linguagem visual»."},"3cf62f2a-9021-5aef-ac0a-0cc131185bcf":{"title":"Ciência e saber"},"3dacef6f-9661-56d6-bef1-ed4eac1076a0":{"title":"A gestão da água","description":"Os conhecimentos sobre regadio permitiram aos governantes árabes expandir o seu domínio ao Mediterrâneo. Nos caravanserai havia cisternas – essenciais para viajantes, mercadores e peregrinos – e no deserto eram escavados canais para regadio; nas ribeiras construíam-se engenhos mecânicos, ao passo que nos campos mais distantes se abriam poços.","quote":"«Nos caravanserai havia cisternas, essenciais para viajantes, mercadores e peregrinos»."},"3e98d267-1ed6-58c4-84e5-e601b73d8d09":{"title":"A função de flores e plantas concretas","description":"Outra flor popular, sobretudo na Turquia otomana, foi a tulipa. Conhecida como *lale* entre turcos e persas, esta elegante e versátil flor cultivou-se com paixão na época otomana. No século XVIII, durante o sultanato de Ahmed III, o amor pelas tulipas tornou-se obsessivo: organizaram-se festas extraordinariamente caras que quase levaram o Império Otomano à falência. A sua beleza foi também celebrada pela poesia religiosa, na qual simbolizava o mártir da fé e o amante místico e abnegado.","quote":"«Outra flor popular, sobretudo na Turquia otomana, foi a tulipa»."},"3ef8c668-699a-5cd8-80dc-b34b51eb0c56":{"title":"Al-Raqqa, capital do califa Harun al-Rashid na Síria","description":"As cidades gémeas sírias de al-Raqqa e al-Rafiqa encontram-se nas margens do Eufrates, num caminho estratégico para o comércio, o correio e a peregrinação que unia as partes ocidental e oriental do império. Embora a história de Raqqa remonte a tempos pré-históricos, a cidade adquiriu importância no primeiro período abássida, quando, em 770, o califa Abu Jafar al-Mansur (r. 754-775) ali passou e ficou encantado com a sua localização e o seu ambiente agradável. Decidiu construir junto a ela uma cidade palatina fortificada que baptizou com o nome de al-Rafiqa e que se converteu na residência estival da corte abássida de Bagdad, assim como no seu refúgio nos períodos de instabilidade política.","quote":"«Al-Rafiqa (al-Raqqa) converteu-se na residência estival da corte abássida de Bagdad»."},"3f965ac2-093e-5fc3-93f1-16f293577988":{"title":"A decoração geométrica na arte do livro","description":"O primeiro suporte dos manuscritos religiosos foi o pergaminho (como no primeiro exemplo), que progressivamente seria abandonado pelo papel, por razões de comodidade e de economia. \nDe igual modo, a decoração geométrica foi pouco a pouco substituída pela floral, considerada mais rica e refinada. Os motivos geométricos passaram a ser secundários e subordinados. \nA caligrafia em si mesma serviu de decoração, especialmente a denominada «cúfica quadrada», escrita em todos os sentidos possíveis.","quote":"«A decoração geométrica foi pouco a pouco substituída pela floral, considerada mais rica e refinada»."},"40ddc7cc-dac9-5a21-9c8d-53bd6111238c":{"title":"A vida na corte","description":"Muitos dos objectos que engalanavam os palácios tinham sido ofertas de outros governantes ou de nobres. O intercâmbio de presentes fortalecia as relações entre territórios vizinhos e governantes rivais. Os artuquidas – turcos da Ásia Menor – estabeleceram-se em Diyarbakir, no Norte de Yazira, em finais do século XI. Ao longo do século XII foram-se tornando independentes, cunharam a sua própria moeda e reforçaram os laços com o governantes vizinhos mediante o envio de ofertas.","quote":"«O intercâmbio de presentes fortalecia as relações entre territórios vizinhos e governantes rivais»."},"42f06353-5ef7-51e7-934c-e5dc0f69f7b4":{"title":"A capital otomana: Istambul","description":"O imperador Constantino elegeu, como nova capital do Império Romano, Bizâncio, cidade que continuou a desenvolver-se sob o nome de Constantinopla, convertida em capital do Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino. Para além da sua situação estratégica, a urbe atraiu a atenção do mundo inteiro pelos seus fascinantes monumentos, entre eles a Igreja de Santa Sofia. Constantinopla resistiu a vários assédios dos árabes muçulmanos, mas sofreu terrivelmente durante a Quarta Cruzada. Depois de séculos de resistência, foi finalmente conquistada pelo sultão Mehmed II, em 1453. Quando os otomanos venceram os mamelucos em 1517 e tomaram o título de califas, a sua capital converteu-se no centro do mundo islâmico e foi conhecida pelos nomes de Konstantiniyye, Asitane, Dersaadet e Istambul. Istambul foi a capital otomana até 1922. Durante quatro séculos, cada sultão foi enriquecendo a cidade com novos monumentos e renovando as suas infra-estruturas.","quote":"«Durante quatro séculos, cada sultão foi enriquecendo a cidade com novos monumentos e renovando as suas infra-estruturas»."},"43615e87-18d1-5224-8dc6-625f716cafe7":{"title":"A escrita cúfica","description":"A escrita cúfica foi o estilo caligráfico mais difundido no Islão; usou-se do al-Andalus, no extremo ocidental, até ao Uzbekistão, no oriental. É considerado o primeiro tipo de letra árabe e dominou a caligrafia durante os primeiros séculos do Islão. Acabou por ser substituído por outros estilos, como o *naskhi* e o magrebino, embora nenhum deles tenha alcançado o estatuto imperial que chegou a ter a letra cúfica.","quote":"«A escrita cúfica foi o estilo caligráfico mais difundido no Islão»."},"4525acaf-2e58-57ae-aa47-33e20171397d":{"title":"O uso da água para consumo e higiene"},"46837ac7-e216-535c-9487-5198e7fe98f9":{"title":"Síria","description":"A cerimónia anual do *Hajj* envolvia uma árdua preparação das caravanas dos peregrinos para uma longa e potencialmente perigosa travessia do deserto no dorso de camelos. A procissão de Damasco foi, portanto, um momento crucial para garantir a segurança e ganhar visibilidade para a boa governação. No *Mahmal al-Hajj* que encabeçava a procissão ostentando emblemas do califa otomano, observa-se uma linguagem decorativa ocidentalizada combinada com o repertório decorativo local. \n \nTais inovações culturais e artísticas tornaram-se omnipresentes no início do século XIV H./séc. XX. Os manuscritos do Alcorão pintados com ouro e esmalte mostram um novo sentido de sombra e cor. No entanto, a identidade de Damasco como cidade santa permaneceu predominante, independentemente das mudanças políticas e estilísticas.","quote":"“No entanto, a identidade de Damasco como cidade santa permaneceu predominante, independentemente das mudanças políticas e estilísticas.”"},"46dc88ff-bfef-555f-911d-3ced9ca58efa":{"title":"Guardiães dos Lugares Santos","description":"Após a conquista otomana do Egipto em 1517, os governadores locais de Meca, por razões políticas e económicas, ofereceram ao sultão Selim I o poder supremo sobre a Arábia. Em consequência disso, as duas cidades muçulmanas mais importantes, Meca e Medina – e com elas os lugares sagrados do Islão –, passaram a fazer parte do Império Otomano, e os sultões adoptaram o título de califa. Assim, durante cerca de 400 anos, os sultões dedicaram particular atenção aos Lugares Santos, que generosamente mantiveram.","quote":"«Durante cerca de 400 anos, os sultões dedicaram particular atenção aos Lugares Santos, que generosamente mantiveram»."},"47d7f8f6-10ef-57a4-b7b8-cfe315a78fb3":{"title":"Saladino na Terra Santa","description":"As zonas ocidentais do Levante, que desempenharam um papel vital durante as Cruzadas, estão polvilhadas de castelos; são disso bons exemplos os castelos de Karak e de Shawbak. Os castelos mudaram várias vezes de mãos, entre cruzados e muçulmanos. Os soldados de Saladino, depois de ganharem a batalha de Hittin, tomaram várias fortalezas francas, incluindo as de Karak e de Shawbak, anteriormente mencionadas. Os sucessores ayyubidas de Saladino ampliaram estes castelos, tal como fizeram depois os mamelucos nos séculos XIII e XIV. Na construção das fortalezas participaram francos e muçulmanos, pelo que se torna difícil determinar com segurança a quem se deve cada elemento arquitectónico. De qualquer maneira, é evidente que os francos levaram nova tecnologia militar para o Levante e que por sua vez aprenderam algumas técnicas próprias das estruturas islâmicas.","quote":"«Os castelos mudaram várias vezes de mãos, entre cruzados e muçulmanos»."},"48a86896-7c77-5f66-a1d9-8df0111a6e0c":{"title":"O sistema mameluco","description":"A arte da guerra, o tiro com arco e a equitação constituíam a parte fundamental da formação dos mamelucos. De facto, o seu adestramento era comparável, em muitos aspectos, ao dos cavaleiros europeus da época. Periodicamente, celebravam-se torneios, nos quais não faltavam provas de competição como o pólo (yawkan), destinados a aperfeiçoar a destreza equestre dos mamelucos. No final da sua formação, eram libertados e recebiam armamento e um cavalo. A partir desse momento podiam começar a carreira militar; os melhores eram promovidos e chegavam a ser comandantes, governadores de províncias, servidores do sultão e até sultões.","quote":"«O adestramento dos mamelucos é comparável, em muitos aspectos, ao dos cavaleiros europeus da época»."},"4a1c6f21-6004-562f-a51b-159ea077a327":{"title":"As lápides funerárias, memória na pedra","description":"Simplicidade e falta de pompa eram as normas dos muçulmanos ocidentais quando levavam os mortos à sua última morada. Os cemitérios muçulmanos estão situados fora das cidades, mas próximos delas, para facilitar a visita aos túmulos. Os familiares costumavam visitá-los às sextas-feiras antes da oração e liam versículos do Alcorão. A única excepção são as famílias reais, que sepultam os seus membros no interior dos recintos palatinos. Em qualquer dos casos, a inumação fazia-se numa fossa cavada na terra e em decúbito lateral direito, com a cara virada para Meca.","quote":"«Os espaços funerários: as necrópoles»."},"4a887d81-bba5-56d2-aa88-42a28d04c83a":{"title":"As escolas de caligrafia","description":"A caligrafia árabe foi usada numa multiplicidade de suportes, por exemplo o pergaminho e o papel. Os calígrafos preparavam os seus compostos de tinta e cortavam os seus próprios cálamos. As inscrições tratavam temas variados. Embora a caligrafia fosse uma profissão, os particulares também a praticavam, independentemente do estrato social a que pertenciam. Nas sociedades islâmicas, as obras caligráficas dos grandes mestres tratavam-se com grande respeito, e coleccionavam-se e conservavam-se como tesouros culturais.","quote":"«Os calígrafos preparavam os seus compostos de tinta e cortavam os seus próprios cálamos»."},"4abfb8e7-e61b-559d-9eb7-684a9ac667bc":{"title":"A vida na corte","description":"Em meados do século XIX, e sob a influência ocidental, os sultões otomanos mudaram-se para o palácio de Dolmabahçe e a seguir para o de Yıldız; os verões eram passados no palácio Beylerbeyi. Foram todos construídos na costa do Bósforo, ao estilo ocidental. Os palácios do Bósforo converteram-se nas novas residências dinásticas, assim como em lugares para cerimónias e recepções oficiais.","quote":"«Os palácios do Bósforo converteram-se nas novas residências dinásticas»."},"4ac9ddb5-21d0-552f-aabe-4b88c6672977":{"title":"A defesa"},"4acd54d9-a442-5bb9-94bb-ebb55cc7040c":{"title":"A água e a vida quotidiana","description":"Os poços e as fontes, tal como os *sabil* e as *sikaya*, eram profusamente decoradas. Em Marrocos e na Argélia conservam-se exemplares de bocais medievais de cerâmica decorada com estilizados motivos vegetais feitos com molde. Embora as grandes pias de pedra se possam relacionar com o abastecimento de água a seres humanos, há documentos de *waqf* que mostram que, por vezes, se construíam para os animais beberem. As fontes palatinas de jardins públicos e privados do mundo islâmico ocidental e de outros lugares eram decoradas com gárgulas em forma de leão, cervo ou dragão. A água saía das bocas destes animais e caía em pias e reservatórios, de onde era canalizada para os jardins.","quote":"«Os poços e as fontes – tanto as das casas normais como as dos palácios – eram profusamente decoradas»."},"4bc22fb3-22f6-5931-bd3d-965aeb5ee21f":{"title":"O Egipto abássida","description":"À medida que os abássidas tiveram que enfrentar revoltas no Sul do Iraque e em regiões mais a oriente, diminuíram a sua atenção em relação ao que se passava no Egipto, pelo que Ibn Tulun se tornou cada vez mais autónomo. Cunhou moeda e expandiu o seu território em direcção à Síria e à Palestina. Quando os abássidas quiseram travá-lo, proibiu que se rezasse em nome do califa abássida na oração de sexta-feira e removeu o nome do califa dos *tiraz*. Este período de independência e controlo sobre a região propiciou, contudo, uma certa estabilidade e prosperidade no Egipto. Muitos poetas, cientistas e artesãos acorreram a Fustat. Após a morte de Ibn Tulun (884), o seu filho, dois netos e um irmão sucederam-lhe, antes que os abássidas conseguissem retomar o domínio do Egipto em 905.","quote":"«Este período de independência e controlo sobre a região propiciou uma certa estabilidade e prosperidade no Egipto»."},"4bed6c71-af16-5a48-8fbf-46d35ab606ed":{"title":"O Sagrado Alcorão","description":"Era considerado muito importante ler e recitar correctamente o Alcorão; por isso se acrescentaram notas explicativas sobre o significado de determinados versículos e pautas para ajudar à sua correcta recitação. Tais notas eram escritas nas margens da página ou juntavam-se como suplemento no final do livro. Alguns fragmentos do Alcorão combinavam-se com orações escolhidas e com citações proféticas dos *hadiths* (os ditos do Profeta) e publicavam-se em livros e em panfletos com o fim de serem utilizados em prédicas e súplicas. As *aleias* sobre os profetas do Antigo Testamento, contudo, eram recolhidas em livros de narrativas ricamente decorados e com iluminuras requintadas, dedicados a cada profeta.","quote":"«As aleias sobre os profetas do Antigo Testamento eram recolhidas em livros dedicados a cada profeta»."},"4c126e80-2567-5abd-9191-3d40f380e81f":{"title":"Al-franj, os cruzados no Levante","description":"«Até ao século XX, o Próximo Oriente não voltou a viver um período semelhante de contacto directo com o Ocidente».","extra":{"credits":"Curators & authors (British Museum should be added) \nMona AL-MUADIN, Damascus \nSheila CANBY, London \nVerena DAIBER, Damascus \nAbdel-Razzaq MOAZ, Damascus \nKhader SALAMEH, Jerusalem \nEmily SHOVELTON, London \nZena TAKIEDDINE, Damascus \n \nCoordination \nSamer ABDEL-GHAFOUR, Damascus \nZena TAKIEDDINE, Damascus \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Entre 1095 e 1144, houve catorze Cruzadas latinas a diversas zonas da costa mediterrânica: nove à Terra Santa, duas a Bizâncio, duas ao Egipto e uma à Tunísia. Balduíno de Bolonha conquistou Edesa e criou o primeiro estado Cruzado em al-Raha, em 1098. Nos 200 anos seguintes ganharam-se e perderam-se na zona numerosos Estados latinos. \nOs cruzados europeus receberam o nome de *al-franj* (os francos). Embora a história dos cruzados tenha início em 1099 com um terrível massacre em Jerusalém, dois séculos mais tarde os francos fixados na região tinham mudado e tinham-se adaptado à vida dos muçulmanos do Próximo Oriente. \nAntes das Cruzadas, o contacto entre árabes e europeus no Mediterrâneo oriental era mínimo, e a informação que tinham uns dos outros era escassa e influenciada por preconceitos religiosos. A época das Cruzadas, embora tenha sido violenta, trouxe consigo um certo grau de tolerância religiosa e favoreceu o intercâmbio cultural. Até ao século XX, o Próximo Oriente não voltou a viver um período semelhante de contacto directo com o Ocidente. A beleza da Cúpula do Rochedo deixou os invasores esmagados e, graças a uma vivência pessoal, melhorou a opinião que os cruzados latinos tinham do Ocidente islâmico, o que ficou reflectido na literatura da época. \nOs edifícios religiosos islâmicos converteram-se em igrejas e instituições cristãs. Em Jerusalém, a Cúpula do Rochedo e a mesquita de al-Aqsa foram transformadas em igrejas; nesta última chegaram, inclusivamente, a hospedar-se cavaleiros cruzados. Em Hebron, o tecto original da mesquita de al-Ibrahimi foi substituído por outro, de estilo românico. Mas estas influências não se ficaram pela arquitectura, tendo chegado também à moda, à gastronomia, aos costumes religiosos e à cultura popular. Em finais do século XIII, os ayyubidas e os mamelucos tinham expulsado os cruzados, e muitos edifícios, incluindo igrejas, foram transformados em mesquitas. Este processo enriqueceu a estética geral da zona e favoreceu uma combinação harmoniosa do estilo latino e da arte islâmica.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/crusader/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/24/portal_image/1.jpg","display_order":15}}},"4c42f69a-1a67-5fc7-9eb0-b5ed2c633802":{"title":"Visões do jardim celeste e da árvore da vida"},"4d22c9f5-70ed-5031-b70e-7aa555a8fa7a":{"title":"A representação humana","description":"A arte islâmica adaptou e estilizou sem hesitações as figuras humanas da arte pré-islâmica. Podemos encontrar esta figuração na decoração de objectos e de monumentos (em geral, com excepção das mesquitas), em tecidos, em esculturas, em moedas e em manuscritos com iluminuras. As figuras religiosas, como as dos profetas e dos anjos, foram inspiradas na tradição bizantina, e os temas míticos como as harpias – pássaros com cabeça de mulher – na da Antiguidade. Outras formas figurativas foram adaptadas a partir de imagens bem estabelecidas e culturalmente familiares.","quote":"«A arte islâmica adaptou e estilizou sem hesitações as figuras humanas da arte pré-islâmica»."},"4d695d55-b515-5453-b09f-f1d34f603388":{"title":"Os aglábidas, escudo da dinastia abássida"},"4eb28cf3-17bc-505f-8083-bec0c0308552":{"title":"As *madrasas* e a educação","description":"A construção de cem *madrasas* em Damasco reflectiu o desejo das dinastias atabeg e ayyubida em mudar e educar a sociedade. Tanto homens como mulheres das elites turca e curda patrocinaram *madrasas* e fomentaram a fecunda atmosfera que nelas existia. Na sua *História de Damasco*, Ibn Asakir (m. 1176) expressou a sua gratidão aos mestres com quem tinha aprendido, entre eles oitenta mulheres.","quote":"«Tanto homens como mulheres das elites turca e curda patrocinaram madrasas»."},"500b667f-8d91-5d1a-9be3-3d41d2538920":{"title":"A civilização da palavra","description":"Na cultura islâmica respeita-se fortemente o poder da palavra, tanto escrita como oral; por isso, em todas as sociedades islâmicas, sejam ou não arabófonas, se prestou especial atenção à oratória e à escrita. Isto fez com que se tenha valorizado a arte da caligrafia – literalmente «formosa escrita» –, o que, por sua vez, fomentou a sua aplicação em diversos suportes para uso religioso e laico. A caligrafia está presente na arquitectura, nos livros, nas moedas e outros objectos metálicos, nos documentos oficiais e nos *tiraz*, na cerâmica, na madeira, no marfim, na pedra, no vidro e em praticamente todos os materiais imagináveis.","quote":"«A caligrafia está presente em praticamente todos os materiais imagináveis»."},"502462bc-e227-5ed9-b9ed-e3c4625d085e":{"title":"As artes decorativas","description":"O período fatimida trouxe consigo um novo esplendor nas artes menores, tanto em qualidade como em quantidade. Havia artesãos muito qualificados que criavam refinados objectos com diferentes materiais, a fim de responderem às expectativas de uma clientela diversificada, com origem tanto nos círculos reais como nas cidades. \nOs objectos mais requintados estavam reservados à corte fatimida. Príncipes e cortesãos competiam pela posse de recipientes talhados no valorizado cristal de rocha importado. O vidro também era popular e, graças ao mecenato fatimida, a indústria de Fustat foi capaz de aplicar as tecnologias mais avançadas no soprado, moldado, cortado e gravado desse material.","quote":"«O período fatimida trouxe consigo um novo esplendor nas artes menores, tanto em qualidade como em quantidade»."},"506ae4e4-634a-525e-8b8e-dc798aafe087":{"title":"Turquia","description":"Esses novos recursos, na verdade, não se repercutiram nas plantas dos monumentos, mas trouxeram uma mudança notável na sua decoração. Elementos decorativos ocidentais também foram aplicados em muitas áreas do artesanato, alterando o repertório decorativo tradicional predominante na arte otomana. O novo gosto, iniciado em Istambul nas oficinas do palácio, difundiu-se na Anatólia quase contemporaneamente.","quote":"O novo gosto, iniciado em Istambul nas oficinas do palácio, difundiu-se na Anatólia quase contemporaneamente."},"5143a580-5e9d-5338-aa83-89eaf0f30e05":{"title":"A arte mudéjar aristocrática e civil","description":"Nos sítios onde não havia palácios muçulmanos para ocupar, os reis cristãos e os nobres construíram palácios novos à semelhança daqueles. O rei de Castela Pedro I é o melhor exemplo do gosto da aristocracia cristã pelas formas de vida islamizadas e pelos locais em que se desenvolviam. Os palácios de Tordesilhas e de Astudilho responderam ao desejo do rei e foram feitos à imagem dos palácios nasridas da época, e possivelmente com o contributo de artesãos granadinos enviados pelo seu amigo, o rei Muhammad V de Granada.","quote":"«Palácios mudéjares de nova planta»."},"51fbd90e-6be2-5b7d-985d-95a359d424a3":{"title":"Dois sultões mamelucos contra os francos","description":"Os dois sultões mamelucos que maior número de vitórias obtiveram contra os cruzados foram al-Zahir Baybars (r. 1260-1277) e al-Mansur Sayf al-Din Qalawun (r. 1279-1290). Depois das suas vitórias, o sultão mameluco al-Ashraf Jalil (r. 1290-1293) liderou a vitoriosa campanha de Acre, em 1291, que marcou o fim das Cruzadas.","quote":"«Al-Ashraf liderou a vitoriosa campanha de Acre, que marcou o fim das Cruzadas»."},"527ffe44-a653-52d5-b537-96b6f979648a":{"title":"Síria","description":"Durante o século XIX, o Império Otomano teve de enfrentar o desafio de uma Europa cada vez mais poderosa, próspera e industrializada. As madraças e mesquitas tradicionais tornaram-se insuficientes como instituições de ensino de uma sociedade moderna. A Madraça Jaqmaqiyya, por exemplo, foi transformada num novo tipo de escola preparatória civil denominada Maktab Rushdiyya. O currículo incluía história otomana e europeia, escrita literária e oficial e uma variedade de idiomas, incluindo francês, turco otomano e persa, mas nem a língua nem a história árabes eram lecionadas. \nNo início do século XX, estas reformas começaram a surtir o efeito contrário à medida que as minorias cristãs e as maiorias muçulmanas não turcas reclamavam individualização e liberdade de expressão, em vez de unidade e obediência. Em Damasco, Maktab Anbar tornou-se um novo centro educacional e um ponto fulcral para o despertar político árabe.","quote":"“Durante o século XIX, o Império Otomano teve de enfrentar o desafio de uma Europa cada vez mais poderosa, próspera e industrializada”"},"52ba552e-fa0a-5682-9bec-459980b75df8":{"title":"Rotas de peregrinação e lugares santos do caminho","description":"O Alcorão diz: «Chama os homens à peregrinação! Chegarão a pé ou sobre qualquer montada, por qualquer garganta profunda» (22: 27). Em cada ano, os peregrinos chegam a Meca, vindos de todos os cantos do mundo islâmico. A manutenção das rotas de peregrinação, dos lugares de paragem, dos depósitos de água e das torres de vigilância cabe aos governantes e dirigentes locais.","quote":"«Em cada ano, os peregrinos chegam a Meca, vindos de todos os cantos do mundo islâmico»."},"5374f1d7-28b8-5e64-8bb8-d12ba84fb6a1":{"title":"As jóias: riqueza, prestígio e protecção"},"543aaa57-6637-5f92-ac7d-d3ff9c19f682":{"title":"A arte andaluzo-magrebina","description":"A arte nasrida no al-Andalus e a merinida, a zianida e a hafsida no Magrebe representam o ponto culminante da profusão decorativa na arte muçulmana ocidental. As suas relações originaram uma arte muito parecida – com resultados tão importantes como a Alhambra de Granada ou a *madrasa* Attarin de Fez – que se converteu no paradigma da arte islâmica ocidental.","quote":"«Merinidas e nasridas: paradigma da arte islâmica ocidental»."},"544d24b1-a4c5-568d-8a3b-dd38d938afe5":{"title":"A escrita cúfica","description":"A escrita cúfica teve origem em Kufa (Iraque) nas primeiras décadas do século VII. Desenvolveu-se a partir da escrita do Hedjaz, que por sua vez tinha influências da siríaca. Esta, por seu lado, surgiu do encontro de duas culturas, sendo atribuída à migração de vários cristãos iraquianos eruditos para Kufa na primeira metade do século VII. A sólida posição política e militar de Kufa propiciou a expansão do estilo a que deu o nome. A presença de numerosos eruditos muçulmanos – recitadores do Corão e *hadiths* – ajudou a difundir este estilo fora da cidade e favoreceu a sua evolução estilística e estética.","quote":"«A sólida posição política e militar de Kufa propiciou a expansão do estilo a que deu o nome»."},"5462090c-84a2-599b-95ad-c52278086f8c":{"title":"Vida privada das mulheres muçulmanas","description":"Nalgumas ocasiões, as mulheres passavam o dia inteiro no *hammam*, onde se deleitavam com massagens ou banhos de vapor. Trocavam informações sobre cosméticos e cuidados a ter com a pele, sobre a aplicação de maquilhagem ou a composição de perfumados cremes hidratantes misturados com sais minerais ou alúmen. Davam-se receitas ou nomes de fornecedores de essências aromáticas e de perfumes elaborados a partir de animais, como o âmbar cinzento, ou de flores e plantas. O viajante persa Nasir Jusraw, numa visita ao Egipto fatimida, observou que os comerciantes de violetas, narcisos, lírios e açucenas vendiam os seus produtos a fábricas de perfumes. O cabelo era penteado com esmero, e conservaram-se pentes que, por vezes, têm inscrições jocosas como esta: «Não pentearei senão o cabelo de uma bela».","quote":"«Nalgumas ocasiões, as mulheres passavam o dia inteiro no hammam, onde se deleitavam com massagens e banhos de vapor»."},"54f705a7-f6cc-5d60-88a2-8e1edc57ef20":{"title":"As *madrasas* e a educação","description":"O nível de alfabetização era elevado, competindo-se pelo patrocínio de escolas. Eruditos – *ulama* – do Iraque, do Irão, da Ásia Central, do al-Andalus, do Magrebe e do Egipto acorriam às *madrasas* de Damasco, onde encontravam um tecto e um terreno fértil para o ensino. Graças aos *waqf* (doações), os estudantes recebiam bolsas, salários e um lugar para viver. Os bons estudantes recebiam um *iyaza* (certificado), emitido pelos seus tutores. O processo de aprendizagem aparece frequentemente ilustrado nos frontespícios de manuscritos científicos e filosóficos.","quote":"«O processo de aprendizagem aparece frequentemente ilustrado nos frontespícios de manuscritos científicos e filosóficos»."},"55222856-3011-566b-aae5-57b726cf2d41":{"title":"A decoração geométrica nos têxteis","description":"A própria técnica decorativa dos tecidos, neste caso o bordado, favorecia o uso de motivos geométricos e a geometrização de outros motivos. Estrelas, rombos, quadrados ou simples bandas decoravam tecidos, roupas e toucados com desenhos simples.","quote":"“Estrelas, rombos, quadrados ou simples bandas decoravam tecidos, roupas e toucados»."},"55b7928a-e3bd-5865-b4c6-975a8167121f":{"title":"Visões do jardim celeste e da árvore da vida","description":"Frequentemente, o conceito da árvore da vida paradisíaca é representado na arte islâmica sem fazer referência a um tipo de árvore específico. As suas estilizadas imagens evocam sempre a exuberância, a abundância de frondosos ramos que dão sombra e fertilidade. Por vezes, a imagem da árvore é substituída por um luxuoso jarrão que contém um abundante e colorido ramo de flores. Este motivo é pré-islâmico e remonta ao conceito helenístico da fonte da vida. Evoca tanto os dispendiosos arranjos florais nas arcadas dos pavilhões dos jardins islâmicos como o deleite floral do jardim do paraíso.","quote":"«As imagens da paradisíaca árvore da vida evocam a exuberância, a abundância de frondosos ramos que dão sombra e fertilidade»."},"566203f6-e2ac-5a67-8b5e-89d63a01d16e":{"title":"Mulheres muçulmanas benfeitoras","description":"As mulheres muçulmanas influentes dedicavam-se à promoção de causas de beneficência. A lei islâmica estipulava os seus direitos no que respeita a receitas e heranças, pelo que muitas levaram a cabo a sua acção graças a fundos substanciais destinados ao seu uso pessoal. Desempenharam um papel-chave na consolidação da sociedade islâmica promovendo a ajuda e a solidariedade entre as diversas classes sociais. Muitas deixaram mesquitas e outros edifícios públicos para a posteridade. Assim, em Marrocos, as irmãs Fihri ergueram as mesquitas Qarawiyin e dos Andaluzes, em Fez, no século IX. Na Turquia, Nilüfer Hatun, mãe de Murad I, possuía um edifício religioso construído em Iznik em 1388; e a mãe do sultão Abdülaziz construiu o complexo da mesquita Pertevniyal em Istambul em 1871 (com santuário, fonte, escola e biblioteca).","quote":"«As muçulmanas influentes dedicavam-se à promoção de causas de beneficência»."},"5739384e-e163-5d92-a390-a28d4233a917":{"title":"O *haraam* de Meca e a Kaaba","description":"A Kaaba é a *qibla* (direcção da oração) do Islão. É, também, o coração do *hajj*, uma vez que quem visita o *haram* de Meca deve rodeá-la sete vezes como parte do ritual da peregrinação. A Kaaba tem diversos nomes na tradição islâmica: al-Masjid al-Haram (Sagrada Mesquita, em referência à mesquita situada no interior do recinto) e al-Bayt al-Atiq (a Casa Antiga), entre outros. É formada por uma estrutura quase quadrada: a sua face norte mede 9,29 m, a do oeste 12,15, a do sul 10,25 e a oriental 11,88 m. Tem 15 m. de altura e uma só porta de acesso na face este, a 2 m. de altura.","quote":"«A Kaaba é a qibla (direcção da oração) do Islão»."},"57abcad0-a4a6-59e5-ab3f-6bbbc8cfa027":{"title":"A mesquita, espaço de oração","description":"A mesquita é o principal edifício religioso. De planta quadrada ou rectangular, consta essencialmente de três partes: sala de oração, pátio e minarete. \nA sala de oração está dividia em naves, que podem ser paralelas ou, mais frequentemente, perpendiculares à *qibla*, muro orientado para Meca e que se identifica pelo nicho do *mihrab*, enquadrado por um arco de ferradura e que, por vezes, é muito decorado \nTais características estão presentes desde muito cedo na mesquita de Córdova e consagram-se definitivamente nas mesquitas almóadas.","quote":"«A mesquita aljama e a mesquita de bairro»."},"57d4f9c5-7846-5502-a124-d07a4d4ecfee":{"title":"Viagens e comércio","description":"Viajar era arriscado durante a Idade Média, e a maioria das rotas de comércio e de peregrinação entre o Mediterrâneo, a Ásia Central e a Arábia eram muito perigosas. Quando começaram os ataques dos cruzados francos, estas rotas tornaram-se ainda mais inseguras. Construíram-se castelos e cidadelas em pontos estratégicos, como os de Karak e Shawbak, na Jordânia. Apesar do seu antagonismo político, muçulmanos e francos comerciavam entre si, cruzando os territórios respectivos e fixando-se mutuamente impostos.","quote":"«Apesar do seu antagonismo político, muçulmanos e francos comerciavam entre si»."},"5838d42d-f446-52f1-8928-5f1d6b6140a6":{"title":"Ofícios mudéjares"},"5a338511-2ac0-5415-a85c-90120546219d":{"title":"Tunisia","description":"De facto, a partir do final do século XVII, os edifícios públicos e privados começaram a incluir inovações na arquitetura, decoração e ornamentação. Os primeiros elementos do estilo barroco começaram a surgir, e as tradições locais de barro, estuque e madeira esculpida foram abandonadas em favor da decoração italiana ou rococó executada por artesãos estrangeiros. \nConstruíram-se casas sumptuosas nos mais belos bairros da medina, juntamente com casas de campo próximas rodeadas de jardins. \nA ornamentação diferia de um palácio para outro, mas o fascínio pelo mármore de Carrara e cerâmica importada tornou-se generalizado durante os séculos XVIII e XIX: grandes escadas de mármore, tetos de madeira pintados na Itália, azulejos napolitanos, estuques Husaynid e floral paining. Portas interiores e persianas eram feitas de painéis esculpidos italianos.","quote":"“No alvorecer da era moderna, a antiga Ifríqia Hafsida, então uma província otomana, abriu-se para o Oriente Otomano e o Ocidente Europeu.”"},"5ae1c986-c80f-5678-ba60-13ff1b19d638":{"title":"Em busca da baraka: a peregrinação a Jerusalém e à Palestina","description":"Seguindo os desejos do Profeta, a visita a Jerusalém dos peregrinos após o *hajj* anual converteu-se numa tradição; com esta visita, recebiam bênçãos (*baraka*) adicionais. Essa santidade de Jerusalém fez com que a cidade recebesse o cuidado e a atenção de numerosos benfeitores muçulmanos durante séculos. Califas, sultões e emires contribuíram para a manutenção de Jerusalém e dotaram-na com numerosas fundações de caridade, na esperança de receberem recompensas e perdão na outra vida.","quote":"«Jerusalém recebeu o cuidado e a atenção de numerosos benfeitores muçulmanos durante séculos»."},"5c573dd8-51de-5a6c-9717-09f9aa851b0e":{"title":"A água e a vida quotidiana","description":"Era costume construírem-se os *sabil* junto às mesquitas, sendo mantidos com *waqf* (legados caritativos). No Cairo, uma vez por ano, durante a subida do Nilo, a água chegava a partir do rio até aos *sabil* em peles de animais, que eram transportadas no dorso de camelos ou de mulas. Depois, vertia-se a água numa pia de pedra no piso térreo, onde a pessoa encarregada de a distribuir enchia e passava os copos a quem tinha sede. Em alguns *sabil*, a cisterna abastecia uma fonte que deitava a água numa pia.","quote":"«Uma vez por ano, durante a subida do Nilo, a água era levada para as cisternas em peles de animais, sobre o dorso de camelos ou de mulas»."},"5cef1f76-07da-5ce0-a8f7-d678e155d371":{"title":"Súbditos cristãos sob governo omeia","description":"A conquista da região do Próximo Oriente, que traça um arco do norte do deserto sírio até ao vale do Nilo abarcando os rios Tigre e Eufrates – conhecida modernamente como Crescente Fértil –, foi levada a cabo em nome do Islão. O período do califado omeia que se seguiu trouxe menos mudanças para a população cristã do que normalmente se crê, pois as comunidades muçulmanas concentraram-se nas cidades e em localidades de criação recente para a elite militar, e os cristãos continuaram a viver em cidades pequenas e nos campos, sem serem excluídos dos cargos governamentais. \nAs comunidades cristãs continuaram sendo prósperas e os artesãos continuaram a produzir numerosos objectos, como lâmpadas para uso religioso ou doméstico. Em muitos deles está presente a imaginária cristã. \nPoucas igrejas ficaram fora de uso. A igreja basilical de três naves era a mais comum, e, como é lógico, os templos das cidades eram mais sumptuosos do que os das zonas rurais. Muitas igrejas da época eram famosas pelos seus belos pavimentos de mosaico.","quote":"«As comunidades cristãs continuaram sendo prósperas e os artesãos continuaram a produzir numerosos objectos»."},"5d8d84b8-9df4-5581-af50-feecdace83f5":{"title":"As comunidades islamizadas antes e depois da conquista normanda","description":"O período árabe da Sicília teve, de qualquer forma, uma duração muito maior no que respeita à permanência de modos de habitar e de conviver e ao uso de lugares ligados aos costumes e rituais dos tempos de domínio islâmico da ilha. Os restos de tecido urbano que se observam sobretudo nas pequenas vilas apresentam uma morfologia – exceptuando a configuração do património edilício, entretanto modificada – similar à das cidades magrebinas. Este facto comprova o contributo islâmico para o urbanismo da ilha.","quote":"«O período árabe da Sicília teve uma duração muito maior no que respeita à permanência de costumes e à reutilização de lugares na época normanda»."},"5f07058e-e943-529b-9aad-26510494cbe8":{"title":"A cerâmica mudéjar","description":"A melhor época da louça dourada de Manises coincide com o predomínio dos temas zoomorfos: cervos, aves pernaltas, touros e aves pequenas ocupam o centro da composição, novidade decorativa que se afasta da tradição hispano-muçulmana. Com a decadência dos fornos de Manises, a cor passa de ouro pálido a acobreado ou tom de chocolate e a variedade de decorações reduz-se: a mais popular é agora um pássaro fantástico (*pardalot*) com o corpo sulcado por traços que imitam a plumagem.","quote":"«Com a decadência dos fornos de Manises, a cor passa de ouro pálido a acobreado»."},"5f7953a9-49d7-5d9f-be1c-93cbec183abd":{"title":"A arte andaluzo-magrebina","description":"A arte hammadida, contemporânea da arte taifa andaluza, partilha com esta alguns motivos decorativos, embora difira na técnica. Juntamente com a influência andaluza, cedo surgem alguns elementos claramente orientais, o que sublinha o papel de ponte do Magrebe.","quote":"Ziridas e hammadidas: ponte entre o Oriente e o Ocidente."},"5fece024-c74e-561d-b95d-491951907de9":{"title":"O Cairo, Damasco e Jerusalém, centros da vida intelectual"},"5ff53527-c223-5816-b616-a7a036304f06":{"title":"A caligrafia monumental","description":"A escrita cúfica minimalista e angular foi o primeiro estilo caligráfico que se usou nos monumentos. No século XI, as letras começaram a adornar-se com motivos vegetais e florais, como os que podem ver-se na *maqsura* (espaço reservado ao califa ou ao imã) da Grande Mesquita de Kairouan. Embora a escrita cúfica, com os seus traços horizontais e verticais, complementasse vários elementos arquitectónicos – sobretudo pilares e elementos de suporte –, a partir do século XII os monumentos começaram também a ser decorados com caligrafias de outros estilos, como o *naskhi*, menos rígido; podemos ver um desses exemplos no *janqah* («albergue») do sultão Baybars no Egipto.","quote":"«A escrita cúfica minimalista e angular foi o primeiro estilo de caligrafia árabe que se usou nos monumentos»."},"60261853-a266-5a82-958e-d10b6269bdca":{"title":"Povoamento e vida doméstica","description":"A habitação urbana respondia, melhor do que a rural, ao sentido da intimidade muçulmana. As casas eram construídas em torno de um pátio aberto interior, lugar de reunião e de repouso da família; era frequente o pátio ter um pórtico em redor e um poço ou uma cisterna. À volta deste espaço organizavam-se os quartos com as suas alcovas, a cozinha e as latrinas, erguidas sobre fossas ou, mais frequentemente, com canais de descarga das águas residuais ligados a fossas situadas nas ruas.","quote":"«A casa urbana: intimidade da vida privada»."},"607ac3c1-0180-5845-a8cc-ed6170965418":{"title":"Viagens e comércio","description":"Os mercadores e os viajantes difundiram tanto ideias artísticas como mercadorias e proporcionaram a transmissão dos padrões e das técnicas de cerâmica, dos metais, de vidro e dos tecidos de uma cidade para outra. A técnica do reflexo metálico começou a utilizar-se na Síria no século XII, provavelmente trazida por oleiros que emigraram do Egipto fatimida, embora tenha tido origem no Iraque, no século IX. De igual modo, os artesãos persas de Khurasan, que fugiam das invasões mongóis do século XIII, trouxeram os seus conhecimentos de metais tauxiados para Mosul, no Norte do Iraque. As rotas comerciais também proporcionaram a transmissão de motivos, técnicas e estilos chineses.","quote":"«Os mercadores e os viajantes difundiram tanto ideias artísticas como mercadorias»."},"618dce7d-8482-5ccb-b334-54c0c96e6db0":{"title":"Os otomanos","description":"«Os otomanos, originalmente um pequeno emirado do Noroeste da Anatólia, converteram-se com o tempo num dos maiores impérios islâmicos da História».","extra":{"credits":"Curators & authors \nSule AKSOY, Istanbul \nSevinç GÖK, Izmir \nAlev ÖZAY, Istanbul \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \nSevgi KUTLUAY, Istanbul \nInci KUYULU ERSOY, Izmir \nSeracettin SAHIN, Istanbul \nCihat SOYHAN, Istanbul \nGönül TEKELI, Istanbul \nInci TURKOGLU, Istanbul \nFriederike VOIGT, Stockholm/Berlin \nBarry WOOD, London \n \nCoordination \nInci KUYULU ERSOY, Izmir \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Os otomanos, originalmente um pequeno emirado do Noroeste da Anatólia, converteram-se com o tempo num dos maiores impérios islâmicos da História. Durante séculos foram uma potência mundial, o centro do mundo islâmico e uns sérios concorrentes para o Ocidente. \nNos finais do século XIII, os otomanos eram apenas um entre os numerosos *beylik* ou emirados da Anatólia. Foram, contudo, gradualmente subjugando os seus vizinhos até se converterem na potência muçulmana mais forte da região. Ao porem fim ao Império Bizantino com a conquista de Constantinopla (Istambul) no ano 1453, asseguraram finalmente a sua condição de potência internacional. Conquistas posteriores durante os séculos XV e XVI deram-lhes o controlo sobre um império que abarcava, além da Anatólia, grande parte do Mediterrâneo, o Sudeste da Europa e a Península Arábica. \nUm sistema bastante centralizado, cujo núcleo do poder estava em Istambul, serviu para governar tão vasto império. O sultão representava a autoridade suprema, embora estivesse, por sua vez, submetido à lei islâmica. Uma ampla rede de governadores locais garantia que os decretos imperiais fossem cumpridos em todos os territórios. \nEste sistema de governo influiu profundamente na arte otomana, que, apesar de mergulhar as suas raízes na Anatólia e se inspirar em fontes tão diversas como diversas eram as culturas submetidas pelo Império, foi idealizada e disseminada em grande medida a partir das oficinas da corte imperial de Istambul, o que foi determinante para que o estilo otomano conservasse a sua uniformidade numa área geográfica espantosamente ampla. \nTanto na decoração de palácios e mesquitas como na ornamentação de casas ou no fabrico de artigos de exportação para o receptivo mercado europeu, os otomanos aderiram a uma estética criada a partir de cima. Era uma estética impregnada de uma profunda devoção islâmica, como o prova a abundância de elementos florais que evocam o paraíso. \nO Império Otomano acabou após a Primeira Guerra Mundial, mas a sua arte continua a fascinar-nos.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/the_ottomans/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/18/portal_image/1.jpg","display_order":6}}},"61bd4ed5-85c4-5ab9-88e8-0e600ef3d9cd":{"title":"Ofícios mudéjares","description":"A população mudéjar incorporada na sociedade cristã trouxe a esta os seus conhecimentos técnicos, a maioria dos quais transmitidos desde a Antiguidade. A importância dos ofícios exercidos pelos mudéjares fez com que estes fossem factor importante de desenvolvimento económico dos novos reinos peninsulares e que a sua influência se fizesse também sentir nos regulamentos dos ofícios e grémios que datam deste período. Destacaram-se nos ofícios relacionados com a construção, especialmente na alvenaria e na gessaria. Os primeiros encarregavam-se da parte estrutural em tijoleira, depois de feitas as fundações e antes do revestimento e estucamento dos muros, trabalho feito pelos segundos. Foram também hábeis carpinteiros, metalúrgicos, oleiros e tecelões.","quote":"«Os artesãos mudéjares foram muito apreciados pela sua habilidade em múltiplos ofícios»."},"622bc6c4-0521-53bd-80a6-0fa7a314fc9b":{"title":"O Sagrado Alcorão","description":"O Alcorão, livro sagrado do Islão, contém as palavras que Deus revelou oralmente em árabe ao profeta Muhammad entre os anos 610 e 632. As revelações foram reunidas num só volume pelos companheiros do Profeta e pelos primeiros califas, especialmente pelo terceiro, Uzman Ibn Affan (644-656), em cuja época o texto foi organizado tal como o conhecemos. O Alcorão consta de 114 capítulos ou *suras* e 6232 versículos ou *aleias*.","quote":"«O Alcorão, livro sagrado do Islão, contém as palavras que Deus revelou oralmente em árabe ao profeta Muhammad»."},"635d4cb2-5c7e-5d27-bd41-43032dd5262b":{"title":"Tunísia","description":"Desde a Antiguidade, a Tunísia, um pequeno país na encruzilhada das civilizações mediterrânicas, tem sido um ponto de encontro entre o Mediterrâneo Oriental e Ocidental, a África e a Europa. No alvorecer da era moderna, a antiga Ifríquia Hafsida, então uma província otomana, abriu-se para o Oriente Otomano e o Ocidente Europeu. \n \nTroca e interferência \nNa Tunísia dos *dey* e depois dos *bey*, os novos governantes turcos do país iniciaram a construção de mesquitas, madraças, *zawiyas*, palácios, quartéis, fontes públicas, aquedutos e muralhas, particularmente na capital, de forma a perpetuar o seu nome. \nAs casas comerciais europeias concentraram-se em Túnis, a capital segura da Regência, onde se estabeleceram sob a proteção dos tratados de paz assinados pelo sultão de Istambul. \nEste período viu o surgimento de uma forte propensão para tudo o que fosse europeu, iniciada entre os príncipes, dignitários da corte e outros indivíduos poderosos dentro do regime. Além de contatar com os europeus instalados em Túnis, alguns deles viajaram para a Europa: *Bey* Ahmed, por exemplo, foi recebido em 1846 por Luís Filipe de França com toda a pompa de uma visita real . As missões a Istambul levaram à descoberta dos produtos de luxo mais requintados. Tal facto teve um efeito profundo na arte e arquitetura tunisinas dos séculos XVIII e XIX.","quote":"“No alvorecer da era moderna, a antiga Ifríquia Hafsida, então uma província otomana, abriu-se para o Oriente Otomano e o Ocidente Europeu.”"},"6428106b-9d8e-590a-bc5c-8be1ac54d645":{"title":"Vida privada das mulheres muçulmanas","description":"Um importante ingrediente na aplicação da maquilhagem para os olhos era o *kohl*, elaborado a partir do incenso queimado, casca de amêndoa ou açafroa. Pensava-se que tinha qualidades curativas e que era também um bom protector contra o mau-olhado. Era guardado em pequenos frascos decorativos com aplicador.","quote":"«O kohl era elaborado a partir do incenso queimado, casca de amêndoa ou açafroa»."},"646ebdd8-a486-5d6b-8cd6-0d16de835996":{"title":"A cultura no reino cruzado de Jerusalém","description":"Outro historiador e viajante da época, al-Hurawy (m. 1225), lembra-se de ter visto a grelha de metal dos cruzados em volta do rochedo: «Vi o rochedo no tempo dos francos; estava ao norte desta cúpula [da mesquita de al-Aqsa], rodeado por uma grade de ferro, como se fosse uma casa. A altura da grade de ferro que rodeia a rocha é de duas braças».","quote":"«A altura da grade de ferro que rodeia a rocha é de duas braças»."},"647c6643-4c92-5053-a855-7bc6c0f2444a":{"title":"A caligrafia árabe","description":"«Deus disse ao Profeta: “Recita! Tu Senhor és munificente, que por meio do cálamo ensinaste ao homem o que ele não sabia” (Alcorão, 96: 2-5.)».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nNoorah AL-GAILANI, Glasgow \nDina BAKKOUR, Damascus \nJamila BINOUS, Tunis \nAicha BENABET, Tunis \nElsayed HAMAD, Cairo \nTaha KHECHINE, Kairouan \nMourad RAMMAH, Kairouan \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nSaloua ZANGAR, Tunis \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"A palavra, pronunciada ou escrita, é o centro da civilização islâmica, daí que a caligrafia seja um elemento capital na arte islâmica. O Islão nasceu com a revelação das palavras de Deus ao profeta Muhammad (571-632), palavras que constituíram o Alcorão, livro sagrado do Islão. Desde o início, o Profeta e os seus seguidores estimularam a comunidade muçulmana a dominar a leitura e a escrita. Umar ibn al-Jattab, segundo califa após a morte do Profeta, costumava dizer: «A melhor escrita é a mais clara e a escrita clara é a melhor». Ali, o quarto califa, afirmava: «Com boa escrita, a verdade é mais clara». Este cuidado pela perfeição da escrita estimulou a excelência da caligrafia. \nOs primeiros califas dedicaram-se a reunir e a preservar as revelações corânicas num livro definitivo. Para isso contrataram escribas e, à medida que o Estado islâmico se foi expandindo para fora da Arábia, foi necessário distribuir pelas diferentes regiões cópias do Alcorão, definitivas e aprovadas. Era essencial que a cópia fosse exacta, cuidando-se com esmero a qualidade material dos livros para garantir a sua longevidade. O cumprimento destes requisitos e a posterior introdução da tecnologia de fabrico de papel no Próximo Oriente potenciaram a produção de manuscritos em todo o mundo islâmico. \nA arabização dos sistemas político e administrativo do crescente império islâmico durante o califado do omeia Abd al-Malik ibn Marwan (685–707) influiu de forma notável no desenvolvimento da caligrafia árabe. Fora do mundo de idioma árabe, outras regiões e povos islâmicos começaram a usar o alfabeto árabe para escreverem nas suas próprias línguas. Os idiomas persa, turco e, mais tarde, urdu adaptaram os estilos caligráficos árabes às suas necessidades e gostos artísticos.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/arabic_calligraphy/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/19/portal_image/1.jpg","display_order":11}}},"66042ec5-c370-5352-acd8-d82b98d67a73":{"title":"A vida na corte","description":"No *enderun* havia pavilhões e palácios à beira-mar. À entrada encontrava-se a sala de audiências, ou Arz Odası, onde os sultões recebiam embaixadores, vizires e outros detentores de altos cargos. \nO harém era um lugar sagrado e privado no qual só podiam entrar pessoas do palácio. Era governado pela mãe do sultão ou Valide Sultan, que ali vivia com os filhos e as favoritas do sultão, as suas favoritas e as concubinas (chamadas *ikbal* e odaliscas). Viviam rodeados de luxo, mas não podiam sentar-se perto do sultão ou sair do palácio sem autorização.","quote":"«O harém era um lugar sagrado e privado ao qual só podiam ir pessoas do palácio»."},"664da959-c73e-5c6a-8641-060470f0010e":{"title":"A arte mudéjar","description":"A arte mudéjar é fruto de circunstâncias históricas que ocorreram apenas na Península Ibérica durante a Idade Média.","extra":{"credits":"Curators & authors \nCarmen ALONSO-RODRIGUEZ, Madrid \nMaria da Conceição AMARAL, Silves \nGaspar ARANDA, Madrid \nÁngela FRANCO, Madrid \nÁngela GARCIA-BLANCO, Madrid \nSusana GOMEZ, Mertola \nSantiago MACIAS, Mertola \nMargarita SANCHEZ-LLORENTE, Madrid \nClaudio TORRES, Mertola \n \nCoordination \nMiguel GARCIA, Madrid \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Quanto à arte mudéjar, devemos destacar em primeiro lugar a sua singularidade. Trata-se de uma arte que não se pode comparar com qualquer outra, seja islâmica ou cristã, por ser fruto de circunstâncias históricas que apenas tiveram lugar na Península Ibérica durante a Idade Média. \nCom efeito, à medida que os reis cristãos iam reconquistando o território andaluz e ante a dificuldade em repovoá-lo imediatamente, foram deixando que a população muçulmana permanecesse nos territórios recém-conquistados e conservasse a sua religião, língua e organização jurídica. Os mudéjares – muçulmanos em território cristão – integraram-se na nova sociedade, trabalharam para as suas elites e foram transmissores da arte e dos costumes muçulmanos, cujo colorido, exotismo, luxo e refinamento fascinavam os reis e os nobres cristãos. \nA obra mudéjar é facilmente reconhecível pela perfeita integração dos materiais utilizados – tijoleira, gesso, madeira e cerâmica –, pelas técnicas específicas com que são tratados e pelos motivos decorativos próprios da estética cristã. Há quem considere que a arte mudéjar é uma sobrevivência da arte islâmica na sociedade cristã; esta interpretação é apenas válida, contudo, do ponto de vista formal, uma vez que as fórmulas de construção e decoração islâmicas expressam, na arte mudéjar, o pensamento e os valores específicos da cultura cristã e não os da cultura muçulmana. \nPor outro lado, os elementos da arte islâmica fundiram-se magistralmente com os da tradição ocidental para criar uma arte nova, cujos resultados foram diferentes ao combinar-se com a arte românica, com a gótica ou a renascentista. Por isso, o mudéjar não pertence à arte muçulmana, nem à arte ocidental cristã. Elo de ligação entre as duas culturas, converteu-se na expressão artística de uma sociedade complexa, na qual conviviam cristãos, judeus e muçulmanos. É, portanto, um fenómeno singular na história da arte. \nO declínio da arte mudéjar teve lugar ao longo do século XVI e tornou-se definitivo com a expulsão dos mouriscos em 1609. O mudejarismo continuou, contudo, a satisfazer uma espécie de gosto «barroco» até à chegada do Barroco propriamente dito.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/mudejar_art/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/26/portal_image/1.jpg","display_order":17}}},"66a1b849-44f7-56db-b90b-8414c7492a80":{"title":"Dois sultões mamelucos contra os francos"},"67215e86-8b87-5410-a941-05738096eb5a":{"title":"A vida religiosa"},"6780505e-c91f-5e51-8a78-74d186fc4a0b":{"title":"As comunidades islamizadas antes e depois da conquista normanda","description":"A importação das técnicas de regadio e de cultivo – na esteira do saber da Antiguidade – em territórios menos férteis, e as obras de engenharia hidráulica – seguramente de ascendência iraniana, como a formidável rede de *qanat* –, são dos aspectos mais notáveis da organização do território no período islâmico.","quote":"«As técnicas de regadio e de cultivo são dos aspectos mais notáveis da organização do território»."},"67d05c74-9479-5504-9b95-28708620c776":{"title":"O Cairo, Damasco e Jerusalém, centros da vida intelectual","description":"Na Síria, Damasco brilhou como segundo centro político, artístico e intelectual do sultanato mameluco. Foi um autêntico eixo do discurso religioso e dos avanços científicos. Nas suas notáveis *madrasas* e institutos de educação superior foram copiados e ilustrados numerosos livros essenciais de geografia e ciências naturais.","quote":"«Damasco brilhou como segundo centro político, artístico e intelectual do sultanato mameluco»."},"68239d8d-9472-53ee-9876-51e1be828f05":{"title":"Ofícios mudéjares","description":"Os oleiros mudéjares transmitiram à Europa medieval as tecnologias mais inovadoras relacionadas com o vidrado que, fosse simplesmente plumbífero ou transparente, estanífero ou branco opaco e, finalmente, de reflexo metálico, dotava a cerâmica da necessária impermeabilização e da desejada beleza. A produção estendeu-se a toda a Península, mas foram as cerâmicas vidradas e pintadas das olarias de Paterna e de Teruel e as louças douradas de Manises as mais apreciadas e exportadas.","quote":"«Os oleiros mudéjares dominaram o vidrado e transmitiram-no à Europa medieval»."},"68eb0582-4a1d-5233-92af-cfac47f86d57":{"title":"As lápides funerárias, memória na pedra"},"699bcf48-10b7-5156-85dc-0aff994af0da":{"title":"A arte fora da capital","description":"Tal como outros impérios, os otomanos levaram, juntamente com o seu sistema administrativo e político, os seus gostos artísticos para os territórios conquistados. A partir das oficinas estabelecidas no palácio dominaram a arte nas províncias, que abarcavam uma vasta área geográfica. Apesar deste domínio das oficinas palatinas, também é certo que, à medida que nos afastamos da capital, começa a sobressair o gosto local. \nOs otomanos imitaram nas províncias o refinado gosto da capital. Esse gosto reflectia-se nos trabalhos encomendados directamente pelo palácio ou pelos governadores de cada província em nome do sultão. A obra dos patrocinadores locais competia até certo ponto com os trabalhos que se faziam em Istambul, mas mesmo assim conseguiram-se produtos artísticos notáveis.","quote":"«Apesar do domínio das oficinas palatinas, também é certo que, à medida que nos afastamos da capital, começa a sobressair o gosto local»."},"6a1bdb93-67a9-5fa8-b419-7479fb504783":{"title":"A escrita cúfica","description":"Nos primeiros anos do Islão, o cúfico foi o estilo caligráfico mais utilizado para copiar o Alcorão, cunhar moedas e fazer inscrições arquitectónicas. Este estilo passou por várias fases de desenvolvimento: das formas rígidas e planas – a partir das quais surgiu a escrita *muhaqqaq* – passou a ter traços mais suaves que vieram dar lugar às caligrafias *thuluth*, magrebina e *riqaa*. Os diferentes tipos de letra cúfica foram-se uniformizando gradualmente, acabando por ser quase impossível identificar a região de origem das inscrições apenas a partir da caligrafia.","quote":"«Nos primeiros anos do Islão, o cúfico foi o estilo caligráfico mais utilizado para copiar o Alcorão»."},"6a3348dc-029d-59c2-af77-31ec3a3dfe2f":{"title":"A vida na corte"},"6a6bebaa-7157-585a-a0a4-10139e43213c":{"title":"Flora e arabescos: expressões da eternidade e da unidade divina","description":"O arabesco foi a alternativa mais popular às composições florais naturalistas. Formado por uma combinação de caules, volutas, folhas e palmetas que saem uns dos outros e se estendem numa configuração simétrica sem fim, tornou-se popular na arte islâmica a partir do século XI. A versatilidade do arabesco tornou-o apropriado para a decoração tanto de objectos como de estruturas arquitectónicas, ao mesmo tempo que convidava à contemplação das insondáveis interconexões e interdependências de Deus.","quote":"«O arabesco foi a alternativa mais popular às composições florais naturalistas»."},"6ca7f36b-6ff1-5be2-b8a1-162095f62272":{"title":"Arte e arquitectura régias","description":"A arquitectura religiosa ligada à corte normanda é representada por algumas igrejas, edificadas aproveitando os espaços e as estruturas da época islâmica precedente.","quote":"«Algumas igrejas reais foram erguidas sobre restos de edifícios islâmicos»."},"6cd83239-a26e-5c98-bcfb-6a0737411c89":{"title":"Exportação de luxo","description":"Os tecidos foram parte essencial da economia otomana, sobretudo desde que caíram no seu domínio grandes áreas da antiga rota da seda. A sua importância aumentou quando o valor da seda cresceu na Europa e noutros lugares. Entre os mais notáveis têxteis exportados pelos otomanos estavam os tapetes, cujos formosos desenhos e extraordinária qualidade os tornaram populares entre as classes abastadas europeias. Prova disso são os quadros europeus contemporâneos do período otomano clássico. Artistas como Hans Holbein e Lorenzo Lotto pintaram personagens ricas ou nobres (entre eles o rei Henrique VIII da Inglaterra), rodeadas por símbolos de luxo e prosperidade, como tapetes com desenhos inconfundivelmente otomanos. Estes tapetes são hoje conhecidos como tapetes «Holbein» ou «Lotto».","quote":"«Entre os mais notáveis têxteis exportados pelos otomanos estavam os tapetes»."},"6cde84c3-7f28-5ff8-88ec-3cf31d5516fb":{"title":"Em busca da baraka: a peregrinação a Jerusalém e à Palestina","description":"Mesmo sem contar com Jerusalém, a Palestina é talvez a região onde se encontram mais lugares venerados pelos muçulmanos. Muitos deles estão relacionados com profetas e personalidades respeitadas também por judeus e cristãos. O exemplo mais notável é o *haram* al-Ibrahimi (santuário de Abraão), patriarca dos profetas e primeiro muçulmano. Há também lugares associados a Jesus Cristo, profeta muito importante e respeitado na fé islâmica.","quote":"«Mesmo sem contar com Jerusalém, a Palestina é talvez a região onde se encontram mais lugares venerados pelos muçulmanos»."},"6df85d25-d81f-566f-8e8a-02540066a550":{"title":"Turquia","description":"O processo de mudança provocado pela ocidentalização pode ser considerado como resultado da personalidade dos sultões da época e aceite como um fenómeno paralelo às suas diversas origens culturais e maneiras de pensar. Como resultado, o *Tanzimat Firman* (1839) foi promulgado implicando a aceitação dos princípios e da organização administrativa ocidentais em simultâneo com a sua implementação no sistema otomano.”","quote":"“... “Tanzimat Firman (1839) foi promulgado implicando a aceitação dos princípios e da organização administrativa ocidentais concomitante com a sua implementação no sistema otomano”"},"6e7d4f2d-b957-51ff-b7ba-274922d1bffb":{"title":"A cerâmica mudéjar","description":"Um dos grupos mais chamativos das cerâmicas mudéjares é o dos pratos e braseiros, cujas superfícies são totalmente decorada com motivos geométricos e epigráficos, óvalos e triângulos curvos, que se repetem consecutivamente e dão a sensação de movimento. A novidade compositiva, de origem ocidental, radica no sentido de unidade do conjunto, ordenado em torno de um centro muito marcado por um umbo central. Estes pratos, com óvalos em relevo, foram elaborados com molde e tiveram um carácter mais sumptuário que utilitário.","quote":"«Estes pratos, com óvalos em relevo, tiveram um carácter sumptuário»."},"6f026780-ce1b-55d2-b48b-2d177c9ca628":{"title":"A caligrafia monumental","description":"Desde os alvores do mundo islâmico, as inscrições caligráficas foram empregues em toda a arquitectura: religiosa, militar, civil e privada. A caligrafia árabe é uma das características marcantes da arquitectura islâmica: a Cúpula do Rochedo de Jerusalém (século VII) é o edifício mais antigo que conserva a sua caligrafia.","quote":"«A caligrafia árabe é uma das características marcantes da arquitectura islâmica»."},"6f2f66f9-0684-5348-a89e-04c0ea5914a2":{"title":"A linguagem visual do poder","description":"Não é necessário que a linguagem visual do poder seja evidente. A arte foi utilizada de maneira engenhosamente subtil para comunicar a sensação de poder. Uma decoração arquitectónica requintada, por exemplo, que envolva o espectador num atavio refinado, cria um ambiente estético que reflecte o poder do soberano. E não é necessário que esta decoração encha um grande edifício; até numa tenda de campanha se pode demonstrar a grandeza de um império. \nAs espectaculares exibições de artesanato formam também parte dessa linguagem visual. Quando o sultão ou os seus oficiais se vestiam com preciosas roupagens engalanadas com refinados ornamentos, fossem símbolos do seu estatuto (como os penachos) ou simplesmente acessórios (como fivelas de cintos), a manifestação de riqueza e os dotes de que dispunham proclamavam implicitamente o seu poder.","quote":"«Não é necessário que a decoração encha um grande edifício; até numa tenda de campanha se pode demonstrar a grandeza de um império»."},"6f47a9bf-47af-5ba5-80f4-3405332e6bed":{"title":"O sultão e a sua corte","description":"Os mamelucos estavam às ordens do sultão, um mameluco que se tinha destacado entre os seus semelhantes pelas suas aptidões e capacidade de comando. Todo o sultão mameluco, independentemente das suas ambições, tinha responsabilidades primordiais próprias do seu cargo. Era, sobretudo, líder e defensor supremo do Islão sunita (ortodoxo), protector das cidades e lugares santos do império e guardião do califado islâmico. Graças à intervenção mameluca, o califado restabeleceu-se no Cairo, em 1261, após a queda de Bagdad às mãos dos mongóis, três anos antes.","quote":"«O sultão mameluco era líder supremo do Islão, chefe do exército, estadista e mecenas das artes»."},"6ff61f8d-0983-5aa2-8637-2151608072f9":{"title":"A arte mudéjar popular e religiosa","description":"O mudéjar popular e religioso português distingue-se por determinados elementos decorativos, como os merlões e os pináculos, terem sido incorporados às estruturas do estilo gótico, que conviveram com os tectos de *par y nudillo*, *apeinazadas* e decoradas com laçarias de estrelas e cruzetas de forte policromia, ou com alfarjes planos, utilizados nos coros altos e decorados com sequências de estrelas de oito e dezasseis pontas.","quote":"«O mudéjar português»."},"70023ae2-4372-56e7-b249-dd9a30a1f9db":{"title":"A cerâmica abássida","description":"Nos primeiros tempos do período abássida, os califas e a sua corte, refinados e amantes do luxo, patrocinaram directamente as inovações na indústria da cerâmica, em particular o desenvolvimento e o fabrico de recipientes de reflexo metálico. Quando um terramoto danificou a Grande Mesquita de Kairouan em 862, o califa al-Mustain enviou 139 azulejos quadrados para a renovação do *mihrab* e pediu a um fabricante de azulejos de Bagdad que fizesse mais. Também doou dinheiro, painéis de mármore e de madeira de teca para um novo *minbar*. Em 950, o geógrafo árabe Ibn Hawqal visitou Tunis e gabou a beleza da cerâmica de reflexo metálico que se fazia nesta localidade, que dizia ser semelhante à do Iraque.","quote":"«O califa al-Mustain enviou 139 azulejos quadrados para a renovação do mihrab»."},"710d70c6-b797-5eef-a871-46a1465067fa":{"title":"O sistema mameluco","description":"Os mamelucos do sultão ayyubida Naym al-Din (r. 1240-1249) formavam-se e viviam nos quartéis da ilha de Rawda, no Nilo. A palavra árabe para «grande rio» é al-bahr, por isso este corpo de elite ficou conhecido como al-Bahriyya. Após a morte do sultão, um dos comandantes (Baybars I al-Bunduqdari, r. 1260-1277) aproveitou o vazio do poder em favor dos mamelucos *bahri* e, depois de expulsar os mongóis em 1260, subiu ao trono como o primeiro grande sultão mameluco de um império em expansão. Os mamelucos *bahri* governaram até 1382, quando tiveram que ceder o poder a outra facção mameluca, conhecida como al-Burjiyya porque vivia numa torre (*al-burj*) da cidadela do Cairo.","quote":"«Um dos comandantes mamelucos, Baybars, subiu ao trono como o primeiro grande sultão mameluco»."},"7200b864-706c-5b6f-b1a4-7bcfad4e72c5":{"title":"A caligrafia monumental","description":"Na arquitectura, as inscrições caligráficas cumpriam duas funções principais: no contexto religioso, reafirmar a autoridade do Islão; no político, propiciar a criação de um novo Estado baseado nos valores da doutrina religiosa dominante. A partir do século IX, as inscrições arquitectónicas generalizaram-se no mundo islâmico, onde eram usadas para complementar a função do edifício. Nas mesquitas e demais edifícios religiosos viam-se *aleias* corânicas e louvores a Deus, assim como inscrições com as datas de construção e informação sobre o mecenato do imóvel; o objectivo era passar à posteridade, talvez com fins piedosos ou políticos. Nos edifícios oficiais figuravam por vezes a data de construção e os nomes do arquitecto e dos artesãos responsáveis, mas tinham especial importância as inscrições que faziam referência ao patrocínio de um determinado califa, governante ou mecenas, uma vez que a intenção era demonstrar expressamente o seu poder e benevolência. Desenvolveram-se também vários estilos caligráficos por razões meramente estéticas, o que passou a ser uma especificidade da caligrafia arábica. A legibilidade das inscrições, contudo, foi sempre considerada tão importante como o seu valor estético.","quote":"«Desenvolveram-se vários estilos caligráficos por razões meramente estéticas»."},"72236f27-2ff3-5d56-a623-02606a2fa355":{"title":"Flora e arabescos: expressões da eternidade e da unidade divina"},"7458975b-fc3b-5c26-8fde-fb0c9b93214e":{"title":"Arte turco-islâmica na Anatólia pré-otomana"},"746b43e3-b5fd-5bfd-8ecf-f3e9560860b0":{"title":"Espaços do poder: as construções palatinas","description":"No interior destes recintos palatinos os espaços eram distribuídos de forma hierárquica, segundo fossem públicos ou privados. Entre os primeiros encontrava-se a residência real, implantada na parte mais interna e inacessível do recinto e destinada a albergar a numerosa família do soberano. Organizava-se em unidades residenciais dispostas em redor de pátios porticados, a partir dos quais se tinha acesso às áreas privadas. Entre elas, destacava-se sempre um compartimento principal com alcovas laterais, todas ricamente mobiladas e decoradas para receber os mais próximos e para celebrações íntimas.","quote":"«Os espaços privados do palácio»."},"74c72f22-8df4-5152-a841-ae72115354c3":{"title":"Egito","description":"O interesse otomano pela arte europeia, especialmente pelo barroco e o rococó, teve início no século XVII. Os sultões otomanos estavam interessados em introduzir elementos europeus nas artes decorativas, noutras artes menores e no património arquitetónico como mesquitas e palácios. A adoção do estilo ocidental cresceu no Egito e noutros lugares durante os séculos XVIII e XIX, já que os otomanos gostavam de contratar arquitetos, construtores e decoradores europeus cujas construções e ornamentação esplendidamente inspiradas no barroco e no rococó, caraterizavam-se mais pelas espirais e linhas curvas do que pelas formas retas. Cornijas salientes formadas por folhas de acanto substituíram as *muqarnas* islâmicas em algumas mesquitas, palácios e *sabil* (fontes de água). Os princípios conhecidos do barroco e do rococó entraram em prática no Egito, na época uma das províncias do Império Otomano. A expedição francesa ao Egito em 1798-1801 contribuiu ainda mais para a difusão de influências europeias principalmente evidentes no Cairo, a capital.","quote":"“Os princípios conhecidos do barroco e do rococó entraram em prática no Egito, na época uma das províncias do Império Otomano.”"},"74e405d2-4d5c-563a-85b7-bcbf5812982e":{"title":"A cerâmica abássida","description":"À medida que o Império Abássida se ia expandindo, do Afeganistão à Argélia, as indústrias regionais de cerâmica iam sendo influenciadas por técnicas, desenhos e motivos de outros lugares, que se adicionavam às variantes locais. Enquanto a cerâmica de luxo, monocroma ou polícroma, das regiões orientais do império era ostentatória, a do Norte de África, sobretudo a da Ifriqiya, era mais sóbria. Para além da cerâmica de reflexo metálico, difundiu-se a produção de peças mono ou policromáticas vidradas e com relevo, assim como de cerâmica vidrada com inscrições. A louça de uso quotidiano não era, habitualmente, vidrada e tinha poucos motivos decorativos. Ainda assim, todas elas apresentam características tipicamente islâmicas.","quote":"«As indústrias regionais de cerâmica iam sendo influenciadas por técnicas, desenhos e motivos de outros lugares do Império»."},"75215c23-1bf5-590c-8e80-8ff32da4e273":{"title":"Guerra e equitação","description":"Nesta época, os cavalos eram indispensáveis tanto para viajar como no campo de batalha. A maioria dos mais apreciados cavalos do exército eram provenientes da Ásia Central, trazidos por aguerridos combatentes turcos, cuja experiência como cavaleiros foi crucial para o sucesso militar de Nur al-Din e de Saladino. Uma conhecida técnica dos turcos era a de carregar contra os inimigos, dar a volta no último momento e disparar uma flecha enquanto empreendiam a fuga. Combinando velocidade e destreza equestre, esta táctica deu-lhes enorme vantagem face aos francos durante as Cruzadas.","quote":"«A maioria dos mais apreciados cavalos do exército eram provenientes da Ásia Central, trazidos por aguerridos combatentes turcos»."},"754c7cda-4d25-5730-9b40-d05583d87eb1":{"title":"Ciência e saber","description":"O ensino começava com a aprendizagem da leitura, da escrita, da recitação do Alcorão e com o estudo dos *hadiths,* ou palavras do Profeta. Uma vez que os livros eram raros, a transmissão do saber baseava-se nas palavras ditas e na sua memorização. Por isso o domínio da escrita era considerado como a arte mais necessária e valiosa, uma vez que permitia transmitir os conhecimentos e a religião às gerações seguintes.","quote":"«O ensino religioso: os copistas do Alcorão»."},"75d461b2-226f-594c-ab20-e9b5b2e58ad5":{"title":"Arte turco-islâmica na Anatólia pré-otomana","description":"As invasões mongóis provocaram a queda do poder seljúcida da Anatólia, mas os emirados que surgiram a seguir deram continuidade à arte seljúcida. Baseando-se nesta, um dos emirados, o otomano, desenvolveu então um novo estilo artístico.","quote":"«Os emirados da Anatólia desenvolveram um novo estilo baseado na arte seljúcida»."},"775f0070-0222-53d3-a4ee-8bfa38c6cb2f":{"title":"A mesquita, espaço de oração","description":"A mesquita não é um templo ou «casa de Deus», nem têm nela lugar actos litúrgicos. É um espaço para oração e meditação, assim como um lugar de reunião. À mesquita acorrem os crentes para fazerem em conjunto as orações rituais e obrigatórias, embora também possam rezar em privado. O crente ora em direcção à *qibla*, fazendo as reverências prescritas e recitando textos do Alcorão. \nA mesquita é também um centro de orientação e de ensino. Na oração das sextas-feiras, durante a prédica semanal, o *imã* disserta a partir do *minbar* sobre um tema religioso específico; fora das horas de oração, os eruditos podem dar conferências teológicas e científicas.","quote":"«A sala de orações»."},"79a58714-659c-5509-a4f9-b9359b2829ae":{"title":"A decoração geométrica na arquitectura"},"79e2b8e9-7cfa-5332-82b0-542b14234df5":{"title":"Cerimónias e passatempos cortesãos"},"7b2c2d23-dc2f-50d9-92cf-f23ca9c8f4ce":{"title":"Os mamelucos no mundo: a diplomacia e o comércio internacional","description":"O trabalho em vidro foi um dos aspectos do artesanato onde mais se salientou a arte mameluca; o fabrico de lâmpadas para mesquitas constituía uma grande parte da produção em vidro. O Egipto mameluco foi famoso também pela produção e exportação de tecidos como sedas e algodões estampados. As oficinas de olaria criaram uma interessante e atractiva variedade de artigos, alguns dos quais imitavam deliberadamente as peças chinesas em verde claro e azul e branco. Os marceneiros embelezavam as instalações e o mobiliário dos edifícios, e inclusivamente dos cenotáfios, com intrincados entalhes e desenhos de estrelas geométricas com incrustações.","quote":"«O Egipto mameluco foi famoso pelos seus tecidos, nomeadamente sedas e algodões estampados»."},"7b8e8ebb-749c-5252-9649-7f18a8830f7b":{"title":"A cerâmica mudéjar","description":"A primeira cerâmica mudéjar é uma imitação directa da cerâmica nasrida, a ponto de alguns exemplares serem difíceis de diferenciar. Imitam-se tanto a técnica (cerâmica dourada com azul de cobalto) e a decoração (palmas, caules, palmetas, gomos) como as formas das peças nasridas, embora estas fossem em grande parte peças únicas, luxuosas e de uso exclusivo ao passo que as mudéjares foram realizadas para satisfazer uma clientela mais ampla e numerosa. Mais tarde, a imprescindível adaptação ao gosto dos novos clientes obrigou os oleiros mudéjares a renovar o repertório de formas, incorporando elementos góticos e renascentistas, e a adoptar a iconografia cristã.","quote":"«Imitam-se tanto a técnica e a decoração como as formas das peças nasridas»."},"7bb30298-992c-56ba-a331-b96f90384fbb":{"title":"A Sicília islâmica e a cultura figurativa: vestígios e continuidade","description":"Paradoxalmente, foi o reino cristão dos normandos que deixou na Sicília alguns dos testemunhos mais valiosos da arte islâmica (se bem que com a inclusão de elementos clássicos, bizantinos e iranianos) presentes na bacia do Mediterrâneo. A nova dinastia, em vez de entrar em conflito com as presenças anteriores, assimilou sabiamente a sua cultura e os seus costumes, mas, mais do que olhar o passado, fixou-se no que a refinada cultura islâmica contemporânea podia oferecer. O diálogo com ela não se limita ao contacto com os muçulmanos que ficaram na ilha, expressando-se sobretudo nas relações entre a corte normanda e o califado fatimida do Cairo, testemunhadas por laços diplomáticos e comerciais e, inclusivamente, pelo intercâmbio de presentes entre o califa al-Hafiz e Ruggero II. É muito provável que alguns dos artesãos que trabalharam nas obras régias normandas fossem originários do Egipto.","quote":"«Paradoxalmente, foi o reino cristão dos normandos que deixou na Sicília alguns dos testemunhos mais valiosos da arte islâmica presentes na bacia do Mediterrâneo»."},"7ca8b514-16be-5930-b8ed-1c96b7324e76":{"title":"Mulheres muçulmanas benfeitoras","description":"Houve mulheres que custearam a melhoria do interior dos edifícios religiosos, proporcionando às mesquitas belos exemplares do Alcorão e outros acessórios de grande qualidade. Um dos mais admiráveis é o elaborado nicho de oração com incrustações de teca do mausoléu de Sayyida Ruqayya, cuja promotora foi a esposa do califa fatimida al-Amir bi-Ahkam Allah, em 1133. Vários manuscritos do Alcorão foram encomendados por princesas ziridas para a Grande Mesquita de Kairouan, entre eles o Alcorão de Umm Milals e o de Umm al-llu, irmã do príncipe zirida al-Muizz ibn Badis; um terceiro manuscrito foi oferta de Fatima, preceptora do príncipe Badis ibn al-Mansur.","quote":"«Algumas mulheres muçulmanas custearam obras no interior de edifícios religiosos»."},"7d659fcb-96c1-59dd-8424-245eaf39b9cd":{"title":"A arte andaluzo-magrebina","description":"São duas etapas de uma mesma arte baseada no rigorismo religioso, originário do Magrebe e que, ao impor-se no al-Andalus, deu unidade às manifestações artísticas de ambas as margens do estreito de Gibraltar. Inicialmente austera, foi-se tornando mais elaborada, devido à influência da arte andaluza anterior.","quote":"«Almorávidas e almóadas: uma arte magrebino-andaluza»."},"7dc9303d-b5b2-5fef-b408-8178d88f89d2":{"title":"Povoamento e vida doméstica","description":"Na casa muçulmana, as mulheres encarregavam-se das tarefas relacionadas com a alimentação e com a educação dos filhos. Armazenavam a água em grandes cântaros, de onde a tiravam à medida que tinham necessidade. Em contentores destes guardavam também o azeite e os cereais e, noutros mais pequenos, as conservas de peixe, carne e frutos. Transformavam o leite nos seus derivados, preparavam os alimentos segundo receitas tradicionais e cozinhavam-nos no fogareiro, alimentado a carvão vegetal. Para a apresentação e consumo dos alimentos utilizavam louça de mesa, especialmente nas festas familiares, nas quais mostravam todo o seu saber culinário.","quote":"«A vida doméstica: actividades femininas para o bem-estar familiar»."},"7e1dd92e-fca9-5d89-aaaf-7b9903fb14af":{"title":"A vida quotidiana no sultanato mameluco","description":"Na hierarquia social do sultanato, os próprios mamelucos formavam uma elite que vivia bastante afastada dos habitantes das aldeias e cidades. A sociedade da época era espantosamente heterogénea do ponto de vista étnico, religioso e até linguístico. O Egipto acolhia importantes comunidades de egípcios autóctones, árabes, arménios, sírios e gregos, para além dos mamelucos, que também eram estrangeiros, sobretudo de origem turca ou circassiana. Infelizmente, sabe-se muito pouco, em comparação, sobre a população que viveu no Império Mameluco, uma vez que quase todas as fontes históricas se centram nos feitos dos sultões mamelucos e da sua elite.","quote":"«A sociedade da época era espantosamente heterogénea do ponto de vista étnico, religioso e até linguístico»."},"7e85c07a-48f2-5fc5-b04e-c0bb4eaed801":{"title":"A peregrinação à Terra Santa"},"7eda07a3-0574-54d9-a9c2-bbccf25adcc1":{"title":"A gestão da água","description":"Os conhecimentos científicos e de engenharia eram especialidades com muita procura, embora pouco frequentes; eram essenciais para julgar, avaliar, aplicar e manter a tecnologia hidráulica. Um bom governante muçulmano tinha o dever de garantir que se contratava uma pessoa qualificada para esse trabalho. O candidato escolhido era normalmente conhecedor de matemática, física, geometria e astronomia (previsão do tempo e cálculo da hora); era ainda importante que fosse um especialista em paisagismo.","quote":"«Um bom governante muçulmano tinha o dever de garantir que se contratava uma pessoa qualificada para esse trabalho»."},"7f42af49-7560-50da-88eb-23e32df201f3":{"title":"Em busca da baraka: a peregrinação a Jerusalém e à Palestina","description":"Embora o núcleo principal da peregrinação islâmica sejam as cidades santas de Meca e Medina, na Arábia Saudita, a Palestina, em especial Jerusalém, sempre foi um dos destinos fundamentais dos peregrinos muçulmanos. De facto, Jerusalém (al-Quds) é considerada a terceira cidade santa do Islão. O próprio Allah a abençoou no Alcorão e assinalou-a como primeira *qibla*; ou seja, foi Jerusalém, e não Meca, o ponto de referência espiritual e geográfico das orações nos primeiros anos do Islão.","quote":"«A Palestina, em especial Jerusalém, sempre foi um dos destinos fundamentais dos peregrinos muçulmanos»."},"7f51c07a-1225-5789-b81c-1f76126498a2":{"title":"Espaços do poder: as construções palatinas","description":"No seu conjunto, o palácio era a área de representação propriamente dita, palco do exercício do poder quando, em audiência pública, o soberano aplicava a justiça ou recebia, segundo um rígido protocolo, o pessoal administrativo ou os embaixadores. Era constituído por espaços monumentais e sumptuosos, por grandes e ricos salões dispostos em redor de pátios ajardinados que definiam conjuntos funcionais concretos. Para chegar a esta área, o percurso era longo e complicado, não só por razões de segurança como para simbolizar a inacessibilidade do poder.","quote":"«O palácio, palco do poder real»."},"7fc6e76a-c529-5929-9940-9de5218a34cb":{"title":"A representação de animais","description":"A exclusão implícita das representações humanas e animais em contextos religiosos foi sistemática e intencional, mas nos restantes domínios da arte islâmica os animais reais e míticos tiveram um papel importante. Predominam os pássaros e os animais com cornos, os dragões e os grifos, ao passo que os animais de carga ou do campo apenas são representados ocasionalmente, com frequência como reflexo da cultura popular local.","quote":"«Na arte islâmica, os animais reais e míticos tiveram um papel importante»."},"7fdb8cb0-22ea-566f-a81b-259013b7d4a3":{"title":"Povoamento e vida doméstica"},"804d4535-4e46-51c6-8a4c-6dcc2261f2d1":{"title":"A água e a vida quotidiana"},"80b0b3fa-f2d0-572d-870a-09008ef28789":{"title":"Reformas administrativas","description":"Durante o califado de Abd al-Malik ibn Marwan (685-705) iniciou-se a centralização administrativa e política. Impôs-se um sistema monetário único em árabe para substituir as moedas árabo-bizantinas e árabo-sassânidas usadas até então.","quote":"*«Impôs-se um sistema monetário único em árabe para substituir as moedas bizantinas e sassânidas».*"},"80c86561-0d18-5f9a-a5fe-bce7f608b2e2":{"title":"Vestuário e joalharia","description":"No Egipto, os atavios femininos podiam incluir o *izar*, tecido que se enrolava em volta do torso e das coxas, e o *mizar*, usado à volta da cintura sobre o vestido. A *jubah* era uma peça exterior, fechada no peito e aberta à altura da saia. As camisas, de diferentes tamanhos, eram fabricadas em algodão ou linho, e o comprimento das mangas indicava o poder aquisitivo da mulher. Por último, a *shimla* cobria o corpo inteiro. Noutros países, as convenções sobre vestuário feminino eram diferentes, e havia muito por onde escolher. Na cabeça usavam-se turbantes e outro tipo de toucados, assim como lenços.","quote":"«Noutros países, as convenções sobre vestuário feminino eram diferentes, e havia muito por onde escolher, quer para o corpo quer para a cabeça»."},"81a769fe-d87f-5009-a3e9-568e47eae420":{"title":"A mesquita e o palácio"},"82d1ab69-c61e-55a9-920a-bf67ddfb6bda":{"title":"O Ocidente Muçulmano","description":"Apesar de estar fortemente integrado no conjunto da civilização muçulmana, o Ocidente islâmico manteve sempre, desde o Atlântico até ao estreito da Sicília, uma inegável especificidade.","extra":{"credits":"Curators & authors \nCarmen ALONSO-RODRIGUEZ, Madrid \nMaria da Conceição AMARAL, Silves \nGaspar ARANDA, Madrid \nHouria CHERID, Algiers \nLakhdar DRIAS, Argel \nNaima ELKHATIB-BOUJIBAR, Casablanca \nÁngela FRANCO, Madrid \nÁngela GARCIA-BLANCO, Madrid \nSusana GOMEZ, Mertola \nTaha KHECHINE, Kairouan \nKamal LAKHDAR, Rabat \nSantiago MACIAS, Mertola \nMohamed MEZZINE, Fez \nMargarita SANCHEZ-LLORENTE, Madrid \nClaudio TORRES, Mertola \n \nCoordination \nMiguel GARCIA, Madrid \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Na sua expansão em direcção a oeste a partir do Médio Oriente, os muçulmanos chegaram aos territórios que hoje constituem a Tunísia, a Argélia e Marrocos (que denominaram Magrebe), Espanha e Portugal (al-Andalus); a islamização foi aqui um processo complexo, enraizado no desenvolvimento das tradições urbanas existentes, que levou ao ressurgimento das cidades no século IX. Sem excluir esporádicos confrontos, a nota dominante é a da coexistência de árabes, de populações autóctones e de comunidades religiosas (muçulmanas, cristãs e judias), favorecida pela actividade mercantil e pela tolerância religiosa. \nDependentes do califado de Damasco num primeiro momento, os emirados foram-se tornando independentes aos poucos. Sucederam-se as dinastias locais (idrissidas, omeias do al-Andalus, ziridas, hammadidas, almóadas etc.) que trataram de afirmar-se através da emulação dos califas orientais com a construção de edifícios palatinos, com o exercício e a exibição dos atributos e dos símbolos do poder, e através da defesa e do controlo absoluto do território sob o seu domínio. \nApesar de estar fortemente integrado no conjunto da civilização muçulmana, o Ocidente islâmico manteve sempre, desde o Atlântico até ao estreito da Sicília, uma inegável especificidade, reflectida sobretudo nas novidades arquitectónicas e decorativas de origem oriental, que evoluíram no al-Andalus e no Magrebe até dar vida a uma arte bem característica desta área do Islão. Mas, para além dos monumentos, outro património marcou indelevelmente, e até hoje, o Ocidente muçulmano: os modos de vida, os sabores, os gestos, os sons, as formas de expressão, os saberes…","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/muslim_west/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/27/portal_image/1.jpg","display_order":7}}},"82eec7f2-6d4c-57c6-b028-8d6d584a67ec":{"title":"A corte"},"8319f75e-c88b-5e0d-87d1-baa20d291ec5":{"title":"O *haraam* de Meca e a Kaaba"},"8328accb-dce9-5333-9598-eb8502278b59":{"title":"A arte fora da capital","description":"A política de integrar as tribos turcas emigrantes nas terras conquistadas não se aplicou nas regiões onde a população era maioritariamente árabe, mas formou-se uma sociedade onde a classe governante era turca. Com o tempo, os funcionários locais e os soldados iam-se integrando na vida do lugar, e alguns inclusivamente contraíram matrimónio com mulheres da zona, o que deu lugar a uma nova classe social, os *kuloğlu*, especialmente no Magrebe. Ali, no território mais longínquo do Império, foi notável a influência do al-Andalus.","quote":"«No Magrebe, o território mais longínquo do Império, foi notável a influência do al-Andalus»."},"83fcd46d-b7fd-5e22-8abd-08f76c9613a8":{"title":"A água e a vida quotidiana","description":"A partir do século XII, a cidade marroquina de Fez foi abastecida por fontes públicas conhecidas como *sikaya*. A forma destas fontes foi mantida ao longo dos séculos: têm habitualmente um arco quebrado numa reentrância, coberto de alizares (*zellij*) de cerâmica vidrada; a água sai de torneiras e cai numa pia.","quote":"«A cidade marroquina de Fez foi abastecida por fontes públicas chamadas sikaya»."},"84a22b47-284c-5dd3-8bd8-63874c62d17e":{"title":"A corte","description":"Juntamente com a ostentação de riqueza, também foi característica da corte praticar um modo de vida elegante e protocolar, que incluía o costume de trocar faustosos presentes com os que eram próximos ou com os embaixadores e dignitários estrangeiros. Convertidas em expressão do poder soberano, algumas desta prendas foram um excepcional instrumento de propaganda, como o mostram as dedicatórias e os símbolos de iconografia real que as decoram. \nA procura de produtos sumptuários por parte da corte originou a criação de oficinas reais e, nas cidades, o desenvolvimento de manufacturas de luxo destinadas ao comércio.","quote":"«Os recipientes de marfim, uma prenda de excepcional valor»."},"8677fa0d-83e5-5593-b69a-342224da5957":{"title":"Ciência e saber","description":"O objectivo fundamental da astronomia foi o de prever as posições planetárias a partir de dados da observação. Os astrónomos muçulmanos elaboraram um instrumento específico para observar as alturas, o movimento e a posição dos astros em relação à terra: o astrolábio. \nEste instrumento também se aplicou à navegação, tendo sido de grande utilidade para a orientação e o cálculo da latitude, a partir do conhecimento da hora. Ao invés, era também possível saber a hora se se conhecesse a latitude.","quote":"«Tecnologia científica: o astrolábio»."},"87981465-ac17-588c-98d9-d4f2d4298bdc":{"title":"Os normandos na Sicília","description":"O reino normando da Sicília herda dos árabes um património cultural e uma civilização que, fundindo-se com o legado das culturas grega, latina e bizantina, lança a primeira semente do Renascimento italiano.","extra":{"credits":"Curators & authors \nRita BERNINI, Rome \nPier Paolo RACIOPPI, Rome \nEttore SESSA, Palermo \nPaola TORRE, Rome \n \nCoordination \nIrene SALERNO, Rome \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Ocupada desde 827 pelos exércitos do emir de Kairouan, a Sicília foi, até 1061, um dos territórios do *Dar al-Islam*. De todos os modos, na zona oriental da ilha, de arreigada cultura grega, permaneceram irredutíveis bolsas de resistência até 965. \nApesar da limitada emigração de população vinda do Magrebe, da Península Ibérica, do Egipto e do Próximo Oriente, a organização social islâmica afirmou-se e difundiu-se rapidamente. Nos dois séculos de presença árabe, a lei corânica garantiu, de forma não isenta de discriminações, a profissão da fé cristã. \nEm 1061, os normandos, encabeçados pela família Altavilla, desembarcaram na ilha a partir dos seus enclaves no sul de Itália. Em 1094, Ruggero instituiu o Condado da Sicília, herdado pelo seu filho Ruggero II, que fundou o Reino da Sicília em 1130. Os seus sucessores, Guglielmo I e Guglielmo II, continuaram a sua política de combate aos muçulmanos, a Bizâncio e ao Sacro Império Romano até 1194, ano em que ascendeu ao trono a dinastia suaba. \nNuma continuidade com o período de domínio árabe, as comunidades cristãs e muçulmanas continuavam a conviver e garantiram, assim, a permanência de modos e ritos sociais do período islâmico; isto é constatável, entre outras coisas, na reutilização, por parte da nova casa real, de lugares e de edifícios antes pertencentes aos dirigentes muçulmanos. \nEstas formas de continuidade cultural foram reforçadas com as relações políticas entre os normandos e o mundo islâmico da sua época. \nUma das expressões mais emblemáticas da permanência destas relações, uma vez instituída a coroa da Sicília, é a vontade concreta da dinastia normanda de refundar a cultura artística siciliana valendo-se em boa medida dos modelos adoptados da cultura islâmica. Estes são sabiamente implantados nas modestas formas artísticas já existentes, árabo-sículas e de origem bizantino. \nO resultado desta operação é um sincretismo activo e inovador, que fez da produção artística sículo-normanda uma das mais originais do Mediterrâneo e da Europa medieval.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/siculo_norman/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/25/portal_image/1.jpg","display_order":16}}},"89e7d33e-fcb7-5aa7-9d7f-b32dc0373d7c":{"title":"Coexistência das três culturas","description":"A conservação por parte de instituições religiosas de objectos relacionados com o culto, mas pertencentes a outra religião (fosse pelo seu valor histórico, pela possibilidade de reutilização ou pelo seu valor material), permite-nos conhecer melhor o património e as diferentes culturas da história do Ocidente muçulmano.","quote":"«As instituições religiosas como conservadoras do património»."},"8aaef163-92d1-584e-b208-20da9b7fd02e":{"title":"As escolas de caligrafia","description":"Com o tempo foram surgindo outros estilos caligráficos, influenciados pela composição social das diferentes regiões. Nas províncias ocidentais – Norte de África e al-Andalus – desenvolveu-se o estilo magrebino de influência berbere. Na multicultural Sicília, os normandos fizeram inscrições em várias línguas, que incluíam o árabe, para documentar e comemorar vários acontecimentos.","quote":"«Nas províncias ocidentais – Norte de África e al-Andalus – desenvolveu-se o estilo magrebino de escrita árabe»."},"8b0e746f-e8de-560d-b25c-4bf6ebf52fe3":{"title":"Mulheres muçulmanas benfeitoras"},"8b2c362e-437e-54a1-8dd6-250b89aa0eb5":{"title":"Explore Islamic Art Collections"},"8b555882-9559-52d8-ae93-cfbbd27f9bfe":{"title":"Prazeres e celebrações na corte"},"8ba9ac70-d9d1-566c-a0f5-e8b951a601fd":{"title":"A mesquita e o palácio","description":"Em todas as províncias fatimidas, os interiores e o mobiliário das mesquitas estavam requintadamente decorados com elegantes inscrições religiosas e intrincados arabescos. O mecenato da corte garantia a máxima qualidade dos trabalhos, assim como a expressão, por meios artísticos, das crenças religiosas e ideológicas da dinastia.","quote":"«O mecenato da corte garantia a expressão, por meios artísticos, das crenças religiosas e ideológicas da dinastia»."},"8c63340a-4f5b-5eea-b058-3a168de8b461":{"title":"A arte mudéjar popular e religiosa","description":"Paralelamente à arte mudéjar aristocrática e civil, existiu uma arte mudéjar popular e religiosa perceptível nos edifícios de culto utilizados pelo povo, como as igrejas paroquiais, os conventos e os mosteiros. No mudéjar religioso produziu-se uma integração de elementos de construção e decorativos muçulmanos nos estilos românico e gótico. Assim, por exemplo, utilizou-se a tijoleira como material de construção em vez da pedra e os tectos de madeira em vez das coberturas abobadadas. Com estas e outras características gerais, o mudéjar mostra diferenças regionais que têm correspondência nos diferentes momentos em que as regiões foram conquistadas pelos reis cristãos.","quote":"«O mudéjar castelhano-leonês: românico em tijolo»."},"8c88e6e2-52cb-52db-ae22-4a2afe00294d":{"title":"A decoração geométrica nos têxteis","description":"A escrita era utilizada também como motivo decorativo nos têxteis, em especial a cúfica, pela sua caligrafia rectilínea e angulosa, de traços geométricos. Costumava ocupar a superfície dos tecidos, em franjas, embora também se adaptasse às diversas formas dos motivos geométricos e, inversamente, os espaços interiores das letras eram decorados com traços geométricos. As inscrições nos tecidos indicam a sua procedência, repetem elogios a *Allah* e aos soberanos, ou reproduzem *suras* corânicas e poemas.","quote":"«A escrita costumava ocupar a superfície das tecidos, em franjas»."},"8d1948a8-5d3f-58f4-be9a-e443a4b2078b":{"title":"Ciência e saber","description":"O conhecimento científico muçulmano chegou a ser o mais desenvolvido do mundo. Depois da conquista dos impérios bizantino e sassânida, o acesso às suas bibliotecas permitiu aos muçulmanos traduzir e conhecer toda a sabedoria da Antiguidade Clássica e Oriental contida nos seus livros. Foi possível, a partir daí, progredir em todas as ciências, sem esquecer os estudos religiosos, fundamento do conhecimento científico.","quote":"«A madrasa, centro de ensino superior»."},"8d71ce09-ebae-530f-ab2a-0c71746f1822":{"title":"As comunidades islamizadas antes e depois da conquista normanda"},"8fb7d82f-7aa1-51a8-a1b6-61a100dee9f6":{"title":"A linguagem visual do poder"},"8fc8d244-2d43-5bf9-99f7-fd9e84dcf3eb":{"title":"Jordânia","description":"A história da Jordânia durante o período otomano foca-se em três aspetos principais nomeadamente a administração, os fortes e estações do Hajj e a Ferrovia Hejaz. \nO sistema administrativo da Jordânia sobretudo durante a segunda fase do domínio otomano (1864 - 1918) consistia em dois distritos geográficos principais; Ajlun & Irbid no norte; Salt, Kerak, Ma'an & Tafileh no sul. Todos obedeciam ao governador da Síria, que era a mais alta autoridade administrativa de Bilad al Sham. Em 1878, os otomanos introduziram os emigrantes circassianos nas terras árabes, que estabeleceram novas aldeias e cidades influenciadas por diferentes culturas na Jordânia.","quote":"A história da Jordânia durante o período otomano foca-se em três aspetos principais nomeadamente a administração, os fortes e estações do Hajj e a Ferrovia Hejaz."},"906067fa-11f7-54b0-a094-74a0bbde97ff":{"title":"O Cairo, Damasco e Jerusalém, centros da vida intelectual","description":"Como sede do califado, o Cairo esteve à cabeça do ensino islâmico e dos avanços intelectuais. As suas instituições religiosas, entre as quais se destacam a universidade de al-Azhar e o complexo do sultão Hasan, recebiam generosas doações (*waqf*) dos sultões e dos altos funcionários, com as quais financiavam os estudos religiosos sunitas e das ciências, sobretudo da medicina. Por exemplo, o modelar hospital (*bimaristan*) do sultão Qalawun, no Cairo, construído em 1284, dispunha de instalações onde se ensinavam disciplinas como a cirurgia e a oftalmologia, e de cem camas para doentes, uma completa biblioteca e uma farmácia.","quote":"«No bimaristan do sultão Qalawun ensinavam-se disciplinas como a cirurgia e a oftalmologia»."},"91a64bcb-07fa-5fe8-a772-1643e67fe98b":{"title":"O uso da água para consumo e higiene","description":"Nas regiões desérticas, a água é um elemento escasso e, portanto, valioso; os objectos que se usam para beber e lavar são, por isso, frequentemente muito decorados. Nas residências ricas, como a do governador mameluco de Qus (Alto Egipto), antes e depois de comer, os criados vertiam água sobre as mãos dos comensais com aguamanis de metal com incrustações. A água era recolhida em bacias que, por vezes, como na época mameluca, eram também metálicas e com incrustações, e adornadas no fundo com uma espiral de peixes, que pareciam nadar ao encher-se a bacia com água. Os peixes são, também, um dos motivos de adorno da cerâmica mameluca vidrada em verde que imita o verde pálido da cerâmica chinesa.","quote":"«Nas regiões desérticas a água é escassa e, portanto, valiosa»."},"9246e5d1-d625-54a9-a9cb-348e8099b248":{"title":"A decoração geométrica nos recipientes de cerâmica","description":"As composições geométricas combinam-se, por vezes, com motivos vegetais. Estes motivos, embora subordinados à composição geral, servem para enriquecer a decoração geométrica, ao enfatizar determinados pontos-chave do traçado ou simplesmente ao preencher os fundos ou as lacunas que o desenho geométrico deixa.","quote":"«Os motivos vegetais enriquecem a decoração geométrica»."},"9275ed46-c379-591c-b8f5-c59e0879225f":{"title":"A civilização da palavra","description":"O costume de incluir o nome e os títulos do mecenas, assim como bênçãos, correspondia ao desejo pessoal de comemorar o seu próprio patrocínio, sobretudo quando os objectos em causa iam obsequiar instituições públicas como mesquitas ou *madrasas*. Havia artesãos que, contudo, usavam a caligrafia com fins meramente decorativos e criavam inscrições ilegíveis cuja finalidade não era serem entendidas. \nPor vezes, os objectos percorriam longas distâncias até chegarem ao seu destino, onde talvez servissem de inspiração aos artistas locais.","quote":"«Alguns artesãos usavam a caligrafia com fins meramente decorativos e criavam inscrições ilegíveis»."},"929519b4-bcdf-5831-adb9-06ef4ef80b6b":{"title":"Os mamelucos no mundo: a diplomacia e o comércio internacional","description":"Nas cidades mamelucas do Cairo, Damasco e Jerusalém construíram-se numerosos mercados ou centros de comércio (caravanserai, conhecidos também como *suq*, *khan* e *wikala*). Destinavam-se a receber caravanas comerciais e a proporcionar armazéns seguros para as mercadorias exóticas que os comerciantes e os mercadores traziam de todos os cantos do mundo. Os produtos tão diversificados que se vendiam nos *wikala*, como a cerâmica e os tecidos, inspiravam os artesãos locais. As artes decorativas, praticadas nas oficinas reais e nos bazares das cidades do Egipto e da Síria, alcançaram novos patamares em termos de desenho e fabrico graças ao mecenato mameluco.","quote":"«As artes decorativas alcançaram novos patamares em termos de desenho e fabrico graças ao mecenato mameluco»."},"93c54687-ed57-54c6-8dc9-82032411c77b":{"title":"A decoração geométrica na arte do livro"},"93d8ebf1-31d8-5e89-966d-89b3cb0abebd":{"title":"Súbditos cristãos sob governo omeia"},"94130d65-0910-5b0b-a913-78dfa23191b4":{"title":"A Terra Santa das três religiões"},"94a60eaa-c709-51fa-b5cd-f7f16a0f40a8":{"title":"Tunísia"},"94fec78e-a38a-50eb-964d-7cb6963f9585":{"title":"Turquia","description":"A admiração otomana pela arte, arquitetura e urbanismo ocidentais levou ao nascimento de um novo gosto no Período Tulipa (1718-1730). Progressivamente, durante as décadas seguintes, as características barrocas e rococó foram introduzidas no estilo otomano, tornando assim os estilos Império, Neoclássico e Eclético bastante comuns no século XIX.","quote":"“A admiração otomana pela arte, arquitetura e urbanismo ocidentais levou ao nascimento de um novo gosto no Período Tulipa (1718-1730).”"},"955c7ce6-0ff9-5519-9478-5130c4e3d1c8":{"title":"O uso da água para consumo e higiene","description":"Lavar-se e beber são actividades essenciais para a maior parte dos seres vivos. A fé muçulmana exige aos fiéis que façam abluções rituais antes de rezarem. Há, por isso, pias decoradas nas mesquitas, por vezes com inscrições e motivos vegetais. De igual modo, os peregrinos costumavam levar entre os seus escassos pertences um cantil de peregrino em cerâmica, no qual levavam água para beber durante as longas viagens.","quote":"«Os peregrinos costumavam levar um cantil para a água entre os seus raros objectos pessoais»."},"95694260-7655-5184-a4d8-7c24d7fd8562":{"title":"Reformas administrativas","description":"Durante os primeiros 70 anos de poder, os muçulmanos não tentaram introduzir um novo sistema administrativo em língua árabe em todos os seus domínios. Pelo contrário, cada província manteve os costumes do regime anterior. Na Síria, a língua dos responsáveis das contas públicas era o grego, enquanto a administração se encontrava ainda nas mãos dos cristãos locais. Na gestão fiscal, os árabes introduziram um sistema inovador pelo qual os membros de pleno direito do novo poder recebiam remunerações regulares (*ata*). Este sistema financiava-se com impostos sobre a população local; os principais eram os aplicados à propriedade fundiária (*jaraj*), uma quantia fixa em espécie ou dinheiro, e o imposto *per capita* (*jizya*) que os adultos não muçulmanos tinham que pagar de acordo com as suas receitas. Os sacerdotes e os monges, assim como os incapacitados, estavam isentos deste pagamento.","quote":"*«Cada província manteve os costumes do regime anterior».*"},"968db63b-b20a-5f2d-94c5-02edf7fd6fea":{"title":"A cultura dos prazeres da mesa"},"96e50aab-a868-5824-b376-8cdd7e37d384":{"title":"Arte figurativa.","description":"«As figuras humanas e os animais surgem na arte e na arquitectura islâmicas desde o seu início, aparecendo de forma continuada em todos os meios de expressão e em diversas épocas e regiões».","extra":{"credits":"Curators & authors \nManal BASYOUNI, Aqaba \nGhazi BISHEH Amman \nJens KRÖGER, Berlin \nAida NAGHAWI DODO, Amman \nMohammad NAJJAR, Amman \nSamarah WOROUD, Irbid \n \nCoordination \nGhada AL-YOUSEF, Amman \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"As figuras humanas e os animais surgem na arte e na arquitectura islâmicas desde o seu início, aparecendo de forma continuada em todos os meios de expressão e em diversas épocas e regiões. Embora não predomine na arte islâmica, a figuração, ao contrário da da Antiguidade Tardia que a precede, está presente numa grande variedade de formas (pinturas e trabalhos escultóricos) e de materiais: pedra, estuque, marfim, vidro, cerâmica, metal, madeira, têxteis, couro e papel. \n \nAbarca muitos temas, religiosos (a viagem mística do Profeta de Meca a Jerusalém, ou *Isra,* e a sua ascensão ao céu, ou *Miraj*) e seculares ( cenas cortesãs de música, banquetes e caça). Ao contrário da arte cristã, a arte figurativa islâmica não serve propósitos religiosos. Embora a arte islâmica tenha aparentemente minimizado o significado dos símbolos visuais figurativos na sua linguagem artística, na realidade, e ao invés do que em geral se crê, o Alcorão não proíbe a figuração. As representações de seres humanos e de animais apenas foi vetada em edifícios religiosos, tais como as mesquitas. \n \nNo seu período de formação, a arte figurativa islâmica juntou diversas influências e modelos: clássicos, tardoantigos, bizantinos e sassânidas. A eles se adicionaram mais tarde outras tradições artísticas, como as da Ásia Central, da Índia, da China e da Europa. O resultado foi uma rica síntese de diversas tradições que, posta em prática, resultou numa arte tipicamente islâmica, apesar das suas diferentes origens.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/figural/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/20/portal_image/1.jpg","display_order":12}}},"97f0d7d4-686c-530b-b13e-3459e7fb2772":{"title":"O esplendor no vestir: o *tiraz* e os trajes da época","description":"O Egipto fatimida foi célebre pela sua produção de tecidos luxuosos, em particular pelas oficinas de têxteis denominadas *dar al-tiraz* de Damietta, Dabiq, Tanis, Alexandria e Shata. O termo persa *tiraz* designa uma banda decorativa bordada, cosida perto do bordo de um tecido ou de uma peça de vestuário, que contém bênçãos e, na época fatimida, o nome do califa governante ou de um dirigente de alto nível. Para cada oficina era nomeado um chefe que supervisionava todo o processo de produção, embalagem e transporte dos tecidos, sobretudo daqueles que tinham como destinatário o próprio califa. Esse supervisor gozava de um estatuto realmente privilegiado: recebia um excelente salário e, quando visitava o Cairo, era recebido com uma procissão de boas-vindas.","quote":"«O Egipto fatimida foi célebre pelas oficinas de têxteis denominadas dar al-tiraz»."},"9829971b-8342-5ad0-adce-e00bc28b63c2":{"title":"A função de flores e plantas concretas","description":"A cultura muçulmana sempre expressou um profundo amor pelas plantas e pelas flores, e os jardins eram cultivados com esmero. Muitas plantas eram escolhidas não só pela sua beleza ou pelas suas propriedades medicinais, mas também pelo seu significado poético ou religioso. Como milagres da natureza, eram também um símbolo do poder de criar e dar vida de Allah. Para os verdadeiros crentes, a floração e morte em cada ano convidavam à reflexão sobre a condição humana e sobre a promessa do Islão na ressurreição e na vida eterna no paraíso.","quote":"«Muitas plantas e flores eram escolhidas pelo seu significado poético ou religioso»."},"982c8126-411c-56dc-8e82-defe108e4e2e":{"title":"Exportação de luxo","description":"O Ocidente admirou, durante séculos, a beleza e o trabalho artesanal da arte islâmica. Na Idade Média, por exemplo, as artes têxteis e decorativas do Oriente foram apreciados complementos dos tesouros das igrejas. Com a ascensão do Império Otomano e o desenvolvimento de um sistema económico mundial, os produtos das florescentes indústrias artesanais otomanas geraram uma procura global. Por essa razão, grande parte da arte otomana que chegou até nós foi, originalmente, produzida para exportação. A imagem do Império Otomano como terra de riqueza e luxo advém sobretudo das peças artesanais que se obtinham nas redes de bazares e *khan*.","quote":"«Os produtos das florescentes indústrias artesanais otomanas geraram uma procura global»."},"985ee9aa-03b0-5c47-b575-bf5cdd263b4b":{"title":"Gestão da prosperidade","description":"Com uma população em expansão e conscientes da importância de uma boa planificação urbana, os abássidas construíram povoações e cidades onde se prestou particular atenção às rotas de comunicação e de transporte. Enquanto os governantes aglábidas da Ifriqiya construíam Raqqada – cidade localizada a cerca de oito quilómetros de Kairouan –, para aí albergarem os seus palácios, parques e jardins, mais a oriente, na Síria abássida, construíam-se novos bairros habitacionais em Jarab Sayyar, uma cidade fortificada na principal via entre al-Raqqa e Mosul (Iraque).","quote":"«Construíram povoações e cidades onde se prestou particular atenção às rotas de comunicação e de transporte»."},"98c2e587-fe2e-561f-800d-0429b0889c72":{"title":"A decoração geométrica na arquitectura","description":"As paredes revestem-se de painéis e frisos de temas geométricos em relevo e coloridos, como se fossem ricos tecidos. \nA ornamentação tridimensional surge nas chamadas *muqarbas,* no Ocidente, e *mucarnas,* no Oriente, empregues em arcos e em cornijas de janelas. Este tipo de adorno é constituído por peças prismáticas de variadas formas, unidas entre si. \nFinalmente, a decoração caligráfica de desenho geométrico, na variante da letra cúfica, percorre os frisos de edifícios religiosos e civis.","quote":"«As paredes revestem-se de painéis e frisos, como se fossem ricos tecidos»."},"9925ba99-2ee6-5c86-a78c-af21daac6624":{"title":"Turquia"},"9b603cf4-3d1b-5d98-b644-0c415a7c2a10":{"title":"Guardiães dos Lugares Santos"},"9bff6ece-d3d2-5f2a-b7cc-fb1f33c3e113":{"title":"Patrocínio oficial"},"9d1ba52c-7e9b-5e9d-9ef2-729fa7e30e96":{"title":"Os aglábidas, escudo da dinastia abássida","description":"Os aglábidas construíram várias obras arquitectónicas de referência em Kairouan, Monastir, Sousse e Tunis. A Ifriqiya converteu-se no principal entreposto comercial entre o Oriente e o Ocidente, e entre o al-Andalus e o Sudão. Prosperaram a agricultura e indústrias como os têxteis e a olaria. A decadência dos aglábidas teve origem na frivolidade e na libertinagem que dominaram o reinado de Ziyadat Allah III (903-909), o que levou o povo a retirar-lhe o seu apoio e conduziu, depois, à entrega sem resistência da Ifriqiya nas mãos dos fatimidas.","quote":"«A Ifriqiya converteu-se no principal entreposto comercial entre o Oriente e o Ocidente, e entre o al-Andalus e o Sudão»."},"9d1c91d5-e536-5351-9c97-8a1d1755f2dd":{"title":"As escolas de caligrafia","description":"Os calígrafos formavam-se com reputados mestres da profissão. Muitos deles passavam mais tarde a prestar serviço na corte e em departamentos oficiais do governo. Alguns funcionários chegaram a ser calígrafos afamados, como o vizir abássida Ibn Muqlah, autor de um manual sobre as regras da perfeita escrita que se converteria na principal obra de referência para os calígrafos.","quote":"«Alguns funcionários chegaram a ser calígrafos afamados, como o vizir abássida Ibn Muqlah»."},"9d838b06-c754-52b5-b005-6c418fbd4fdc":{"title":"As jóias: riqueza, prestígio e protecção","description":"As jóias foram sempre muito apreciadas pelos muçulmanos. Os homens utilizavam-nas como adornos de vestimentas e turbantes, imitando, por vezes, hábitos femininos como no caso do uso de brincos. As principais utilizadoras de jóias eram, contudo, as mulheres que, qualquer que fosse a sua condição social, apreciavam os adornos pessoais. Segundo o escritor nasrida Ibn al-Jatib, as mulheres granadinas rivalizavam na arte de se adornarem com pedras preciosas e vestidos de tal modo que: «[...] por infelicidade, chegaram nossos dias a tal extremo no atavio, no enfeite e na ostentação, no afã pelos ricos tecidos e pelas jóias, que já é um desenfreamento”.","quote":"«Símbolo de prestígio e de posição social»."},"9da4357e-97c6-5bd4-aadd-f2077c7eccf0":{"title":"Viagens e comércio","description":"Sob a liderança dos atabegs e dos ayyubidas, as cidades da Síria e Yazira converteram-se em importantes núcleos políticos, económicos e culturais. Soldados, estudantes, comerciantes e artesãos sentiram-se atraídos pela região e transformaram-na num vibrante eixo social para árabes, persas, turcos e curdos. Isto deu lugar a uma rica sociedade multiétnica e plurilingue.","quote":"«Soldados, estudantes, comerciantes e artesãos sentiram-se atraídos pela região»."},"9e30bc38-26f6-5892-9b38-6c81101cb0d5":{"title":"Vestuário e joalharia","description":"O Islão manda tanto aos homens como às mulheres que vistam moderadamente. Espera-se que as mulheres cubram a cabeça e vistam roupas com mangas largas que as tapem do pescoço aos tornozelos. Para além das convenções gerais, as vestimentas das muçulmanas variaram de cultura para cultura e de época para época, tanto nos tecidos como no corte, no número de roupas sobrepostas ou no estilo de toucados e acessórios. A classe social e a origem étnica também determinou a aparência das mulheres.","quote":"«O Islão manda tanto aos homens como às mulheres que vistam moderadamente. Espera-se que as mulheres cubram a cabeça»."},"9f0c366a-10e7-53d5-91e8-2d8a35ffc22a":{"title":"Decoração geométrica","description":"Os artistas muçulmanos não foram os grandes criadores da decoração geométrica, uma vez que se basearam nas artes romana, bizantina, persa e berbere, mas desenvolveram-na e levaram-na à sua plenitude.","extra":{"credits":"Curators & authors \nCarmen ALONSO-RODRIGUEZ, Madrid \nMaria da Conceição AMARAL, Silves \nGaspar ARANDA, Madrid \nHouria CHERID, Algiers \nLakhdar DRIAS, Argel \nNaima ELKHATIB-BOUJIBAR, Casablanca \nÁngela FRANCO, Madrid \nÁngela GARCIA-BLANCO, Madrid \nSusana GOMEZ, Mertola \nKamal LAKHDAR, Rabat \nSantiago MACIAS, Mertola \nMohamed MEZZINE, Fez \nMargarita SANCHEZ-LLORENTE, Madrid \nClaudio TORRES, Mertola \n \nCoordination \nMiguel GARCIA, Madrid \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"A geometria é o tema decorativo predominante na arte muçulmana, ao qual se subordinam os restantes motivos ornamentais. A decoração geométrica aparece tanto na arquitectura como nas artes decorativas: cerâmica, tecidos ou arte do livro. Independentemente do material, da escala ou da técnica, os motivos são praticamente os mesmos. \nOs artistas muçulmanos não foram os criadores da decoração geométrica, uma vez que se basearam nas artes romana, bizantina, persa e berbere, mas desenvolveram-na e levaram-na à sua plenitude. \nOs resultados conseguidos pelos muçulmanos na ornamentação geométrica foram possíveis, entre outras razões, pelo interesse que os estudos matemáticos, como por exemplo matemática pitagórica, despertaram no Islão. Isso é evidente no caso do laço geométrico, herdado da ornamentação pré-islâmica, que se elaborou até se conseguirem complexas combinações de fitas entrecruzadas, ou laçaria: partindo do círculo, geraram-se figuras de extraordinária variedade (quadrados, losangos, hexágonos, octógonos, estrelas de seis, oito, dez, doze ou mais pontas), seguindo os princípios da repetição simétrica, a multiplicação ou a subdivisão, que aplicaram a todos os materiais e nas mais diversas escalas. \n \nA riqueza cromática e a perícia com que se conjugam as tonalidades fazem com que sobressaiam as composições e se chegue a criar a ilusão da existência de diferentes planos. Quando se quer dar a impressão de riqueza conseguem-se, além disso, efeitos tridimensionais, seja pela repetição dos motivos (como a rede de losangos, ou *sebka*), pelo contraste entre texturas, ou pelo uso generalizado de *muqarnas* ou *muqarbas* (mucarnas). \nOs motivos geométricos, surgidos em momentos de abstracção dos motivos naturalistas, não estão isentos de simbologia, de acordo com a função do objecto ou do edifício.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/geometric/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/21/portal_image/1.jpg","display_order":14}}},"9f7848ae-c4b1-5425-8491-708ef71e028d":{"title":"A gestão da água","description":"Embora os sistemas construídos pelos romanos tenham continuado a ser utilizados ao longo do tempo, o contributo da civilização islâmica para a gestão da água teve também grande importância. A imigração árabe e os crescimento da população em grande escala deram lugar a uma nova classe de terra-tenentes que investiram na produção agrícola. Assim, as técnicas hidráulicas herdadas dos romanos desenvolveram-se ainda mais com as dinastias islâmicas, como reflecte a construção de numerosos sistemas de gestão da água como acéquias, condutas subterrâneas, aquedutos, cisternas, barragens, reservatórios de água da chuva e noras.","quote":"«As técnicas hidráulicas herdadas dos romanos desenvolveram-se ainda mais com as dinastias islâmicas»."},"9faade38-b220-5c24-8c3c-705dc77ce345":{"title":"Vestuário e joalharia","description":"As peças deviam ir apertadas e bem seguras. As mulheres ricas podiam permitir-se o uso de colchetes e broches de ouro e prata, simultaneamente funcionais e de adorno. \nOs acessórios de joalharia eram usados para realçar a roupa, e as mulheres de todas as origens exibiam com orgulho os seus adornos em acontecimentos públicos como símbolos de beleza e também de riqueza. De facto, as jóias eram acumuladas como bens que podiam transformar-se em dinheiro quando fosse necessário. Alguns desenhos de joalharia incorporavam versículos do Alcorão, orações ou talismãs protectores contra o mau-olhado.","quote":"«Os acessórios de joalharia eram usados para realçar a roupa»."},"a04edab2-8889-509d-8f02-71d9be653c47":{"title":"As mulheres do trono: as netas de Fátima al-Zahra","description":"As princesas fatimidas proveram palácios e instituições religiosas em todo o reino. Sabe-se que um dos salões do Palácio do Ocidente no Cairo tinha o nome de Sitt al-Mulk, irmã do califa al-Hakim, e que estava forrado com painéis gravados com cenas de caça e da vida cortesã. Sayyida Ulam al-Ameriyya, esposa do califa al-Amir bi-Ahkam Allah (r. 1101-1130), mandou construir um santuário ornamental para a venerada Sayyida Ruqayya, filha do imã Ali Ibn Abi Talib, o quarto califa ortodoxo (*rashidun).* Foi decorado com escrita cúfica, que celebrava esse patrocínio. O santuário contava com um majestoso púlpito de madeira, construído com teca da Índia.","quote":"«As princesas fatimidas proveram palácios e instituições religiosas em todo o reino»."},"a09c8ed7-01f3-5c9b-bd21-96a1d81c4678":{"title":"As mulheres","description":"O Islão sempre atribuiu às mulheres uma posição plena na sociedade. As mulheres muçulmanas sempre contribuíram activamente quer no desenvolvimento das suas culturas no lar, quer profissionalmente, como benfeitoras de causas de caridade, quer nas artes.","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nNoorah AL-GAILANI, Glasgow \nUlrike AL-KHAMIS, Edinburgh \nJamila BINOUS, Tunis \nAicha BENABET, Tunis \nHouria CHERID, Algiers \nElsayed HAMAD, Cairo \nMourad RAMMAH, Kairouan \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nEnaam Selim, Cairo \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"O Islão atribuiu às mulheres uma posição plena na sociedade. Os seus direitos, deveres e estatuto estão contemplados no Alcorão e legislados pela lei islâmica ou *sharia.* As mulheres abraçaram e praticaram activamente a sua fé. Nunca houve, contudo, uma maneira única de interpretar e aplicar o sistema islâmico em todo o mundo muçulmano: cada sociedade adoptou a sua própria fórmula de acordo com a tradição cultural da sua região, pelo que não existe um protótipo de civilização islâmica nem tão-pouco uma única condição da mulher na sociedade. Tendo em conta a complexidade das diversas tradições culturais e patriarcais, algumas delas pré-islâmicas, com que as mulheres muçulmanas tiveram que se confrontar, e a multiplicidade de tarefas que assumiram, é indubitável que travaram uma luta contínua por uma vida melhor numa sociedade justa. \nEm todas as épocas, numerosas mulheres chegaram a converter-se em modelos para outras. Destaca-se entre todas Sayyida Jadiya bint Muhammad al-Jurasani, primeira esposa do profeta Muhammad, uma mulher de negócios independente e poderosa, crucial apoiante do Profeta na sua missão. Outras mulheres importantes foram Sayyida al-Manubiya, aclamada escritora mística da Tunísia medieval; ou Maryam bint Abd al-Rahman, importante juíza palestiniana do princípio do século XIV, que elaborou o seu próprio dicionário de interpretações dos *hadiths* ou ditos do Profeta. Uma figura essencial nos séculos XIX-XX foi Huda Shaarawi, pioneira e líder na luta pelos direitos da mulher na sociedade árabe e muçulmana. \nOs historiadores registaram o trabalho público das mulheres das classes mais altas e a sua relação com as classes governantes, ao passo que edifícios e objectos de luxo testemunham o seu mecenato e influência. Quanto às muçulmanas comuns, a parcialidade dos registos históricos e a incompleta preservação de objectos fazem com que o nosso conhecimento sobre elas seja escasso. Algo se pode deduzir, contudo, a partir do artesanato – tecidos, bordados e olaria – e do estudo dos registos oficiais dos tribunais: casamentos, divórcios ou heranças femininas.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/women/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/23/portal_image/1.jpg","display_order":9}}},"a0cc97a9-d2a3-5089-88c2-b997f283e950":{"title":"A cultura dos prazeres da mesa","description":"Da maior importância no palácio otomano foi a cultura da mesa. Cada prato era confeccionado por um cozinheiro-chefe diferente: havia um para as sopas (*çorbacibasi)*, outro para o *helva* (*helvacibasi*) *–* um doce – e assim sucessivamente. Nos banquetes e nos jantares do Ramadão (*iftar*), dispunham-se almofadões sobre um tecido que cobria o chão. No meio deles colocava-se uma bandeja de cobre, prata ou metal dourado, sobre a qual se dispunham colheres de caparaça de tartaruga, coral, marfim ou osso. Os manjares seguiam a ordem tradicional: o primeiro prato era uma sopa servida em tigelas individuais; a seguir vinha o prato principal de carne, que era servido em grandes travessas metálicas com tampa (para manter a comida quente) chamadas *kuşhane.* Este prato era acompanhado com bebidas. Os doces – *zerde, baklava, helva* – eram oferecidos no final.","quote":"«Cada prato era preparado por cozinheiro-chefe diferente: o das sopas, o da helva e assim sucessivamente»."},"a1627728-24d7-5242-9f95-1b065c869096":{"title":"Prazeres e celebrações na corte","description":"Os fatimidas apreciavam a vida ao ar livre e dispunham de jardins e hortas muito cuidadas, por onde passeavam os seus convidados, podendo disfrutar das fontes decorativas e do som da água a correr. Em algumas residências reais havia pequenos jardins zoológicos com animais exóticos. Fora do recinto do palácio, a realeza e a alta sociedade praticavam diversos desportos, como a equitação e a caça. Por desporto, perseguiam-se aves, lebres e gazelas com a ajuda de aves de rapina, cães e cavalos. Entre os desportos mais populares estavam o pólo, a maça e o dardo.","quote":"«Os fatimidas apreciavam a vida ao ar livre e dispunham de jardins e hortas muito cuidadas»."},"a1f710c0-f3ac-5a24-a8f4-4bfadf1b55e4":{"title":"A decoração geométrica nos recipientes de cerâmica"},"a2d6b201-caf9-5fdf-9be7-286d4b763f71":{"title":"Patrocínio oficial","description":"Foram levados a cabo vastos planos de edificação em benefício tanto da comunidade como da classe dirigente. Construíram-se infra-estruturas vitais como barragens, depósitos de água e pontes. E o patrocínio arquitectónico chegou até mais longe: levantaram-se cidades e municípios inteiros, como são exemplo os complexos palatinos e administrativos de Jerusalém e Amã (Jordânia), onde o palácio e a mesquita aljama ocupavam uma posição central, uma junto à outra. Amã, além do complexo palatino e da mesquita, tinha um mercado e um depósito de água, e deste modo dava resposta às necessidades da comunidade ao mesmo tempo que servia o governo e a administração do país.","quote":"*«Foram levados a cabo planos de edificação em benefício tanto da comunidade como da classe dirigente».*"},"a33e8d0d-78bb-5e1f-bf96-8cdd1b65b6f8":{"title":"Os mamelucos no mundo: a diplomacia e o comércio internacional","description":"Durante o seu governo, os mamelucos mantiveram estreitos laços diplomáticos com as principais potências europeias – entre elas Castela, a Sicília, as repúblicas italianas e Bizâncio –, assim como com os mongóis e o Extremo Oriente. Nas altas esferas, o intercâmbio de magníficas prendas diplomáticas originárias do Egipto e da Síria favoreceu e consolidou laços políticos. Ao mesmo tempo, o comércio a grande escala intensificou também as relações internacionais.","quote":"«Magníficas prendas diplomáticas originárias do Egipto e da Síria favoreceram e consolidaram laços políticos»."},"a4a1d940-8c79-56af-9276-3b8d7e1c6911":{"title":"A arte fora da capital","description":"É útil examinar com critérios geográficos a arte otomana criada fora de Istambul. Enquanto que a arte da Anatólia mostra mais características da arte turca, mais a sul desenvolveu-se sobre um rico fundo regional. As minorias não muçulmanas também deram importantes contributos. Em resultado dos programas artísticos e arquitectónicos palatinos, a herança cultural do Próximo Oriente – a arte dos omeias, ayyubidas, abássidas, fatimidas e mamelucos – misturou-se com traços da arte otomana.","quote":"«A arte dos omeias, ayyubidas, abássidas, fatimidas e mamelucos misturou-se com traços da arte otomana»."},"a52fece5-e533-5203-bd90-001ae174dfca":{"title":"Arte e arquitectura régias"},"a54056db-53e8-5044-b4c1-ab40a258ab5b":{"title":"A arte nos espaços de oração","description":"A luz do sol atravessava os vitrais, de dúzias de flores coloridas, iluminando o interior da mesquita. Lâmpadas de azeite decoradas com símbolos imperiais e versículos do Alcorão estavam penduradas do tecto para aumentar o efeito luminoso. Os tapetes de oração, desenhados na oficina do palácio, destacavam-se pela similitude entre os seus desenhos e os dos azulejos que decoravam as paredes. Nas estantes, em estojos de madeira para o Alcorão e nos *minbar*, religião e espaço de oração uniam-se no plano artístico.","quote":"«Nas estantes, em estojos de madeira para o Alcorão e nos minbar, religião e espaço de oração uniam-se no plano artístico»."},"a558466d-1411-5f51-bb99-70959fe5d70a":{"title":"A decoração geométrica nos têxteis","description":"Predomina, na decoração dos têxteis, tecidos e tapetes, a geometria em bandas lisas, em ziguezague ou em quadrados, embora apareçam desde muito cedo representações figurativas, como as de animais heráldicos. Apesar de esquemáticos e sem modelação, podemos reconhecer neles as imagens originais que os inspiraram. Abundam, no colorido, os azuis, os amarelos e os vermelhos de diversos matizes. Também os integram fios de ouro e de prata em combinações de contrastes brilhantes. \nNos tapetes, a principal novidade é a total esquematização nas representações figurativas, até se tornarem quase irreconhecíveis. O campo divide-se, com frequência, em medalhões poligonais.","quote":"«Surgem representações figurativas, como as de animais heráldicos»."},"a63d73d1-ce20-5a6f-9699-40bef46f5a8e":{"title":"As jóias: riqueza, prestígio e protecção","description":"As jóias estavam presentes durante toda a vida da mulher. Em pequena, tinha consigo jóias profilácticas contra o mau-olhado. Ao comprometer-se, recebia dos seus pais, além do dote, jóias de família. O noivo, por seu lado, oferecia-lhe jóias e adornos, de modo que no dia do casamento aparecia no lugar de honra com os seus mais belos ornamentos. \nEstas jóias, e outras adquiridas mais tarde, constituíam património inalienável da mulher.","quote":"«Património inalienável da mulher»."},"a68e0dec-446e-5c8a-bf2e-1f05f0f0e7fb":{"title":"A arte andaluzo-magrebina","description":"Ao interesse pela decoração dos espaço interiores e das portadas dos edifícios, na arte islâmica em geral, a arte andaluzo-magrebina veio trazer a utilização sistemática do arco e do capitel, como motivos decorativos. \nEmbora o arco em ferradura seja o mais característico, os artífices criaram novos tipos de arcos ou combinaram-nos de diferentes maneiras. O mesmo se pode dizer dos capitéis: a transformação das proporções e o enriquecimento da folhagem romano-bizantina deram lugar a capitéis com um estilo próprio. \nO ponto de partida desta arquitectura é a mesquita de Córdova.","quote":"Da arte emiral às taifas: formação e plenitude barroca."},"a787ec88-bc49-5171-bf60-265ba0253dd4":{"title":"A caligrafia monumental"},"a83b5614-7afc-5fae-8115-5fbbcede5144":{"title":"Gestão da prosperidade","description":"Por volta da mesma época, o califa abássida al-Mutawakkil (r. 847-861) ordenou a construção no Nilo de um engenho hidráulico, o Nilómetro, para medir o nível da inundação sazonal. Esse aparelho permitia às autoridades prever e calcular a colheita esperada para essa estação, assim como os impostos que lhe corresponderiam. O Nilómetro ajudou ainda a população do vale do Nilo a organizar-se nas épocas de escassez e a racionar os alimentos em períodos de seca, assegurando dessa forma que a riqueza e a saúde da nação estavam bem geridas e protegidas.","quote":"«O Nilómetro ajudou a população do vale do Nilo a organizar-se nas épocas de escassez e a racionar os alimentos em períodos de seca»."},"a919029f-a759-5c31-89dc-8db0585bcd4c":{"title":"A representação humana","description":"Em épocas posteriores, a figuração humana manteve-se, ainda que sem a frequência que tivera no período omeia. Durante os califados abássida (132-750 / 923-1517) e fatimida, assim como nos períodos seguintes, a figuração surge sobretudo nas iluminuras e na cerâmica, com uma grande variedade de temas religiosos e seculares. Os motivos religiosos incluem a viagem mística do Profeta e a sua ascensão; os seculares abrangem cenas da vida quotidiana e expressões do esplendor do governante.","quote":"«Em épocas posteriores, a figuração surge sobretudo nas iluminuras e na cerâmica»."},"aa042c08-6f7c-5f9d-b7df-e0e92304f71d":{"title":"Exportação de luxo"},"aa67e1af-35cc-5e7a-99e2-d1870c0b4ca7":{"title":"Dois sultões mamelucos contra os francos","description":"Embora a dinastia ayyubida (1169-1260) tenha posto um grande empenho em expulsar totalmente os francos do Levante, não o conseguiu. Após mais cinquenta anos de lutas, foram os mamelucos do Egipto que por fim expulsaram os francos da Terra Santa e da costa síria.","quote":"«Foram os mamelucos do Egipto que por fim expulsaram os francos da Terra Santa»."},"aa7dbfdb-56bd-59fa-98ce-c5b08de806c5":{"title":"A escrita cúfica"},"aaa18cdd-a5f0-52cf-9e64-9676401e300e":{"title":"As *madrasas* e a educação","description":"Os hospitais *(bimaristan*) eram importantes centros de aprendizagem científica. O viajante andaluz Ibn Jubayr ficou muito impressionado com o recém-construído *bimaristan* Nur al-Din de Damasco, que, observou, era ao mesmo tempo um lugar de tratamento e uma escola médica dotada de uma biblioteca muito completa; também descreve o «relógio de água de tic-tac» que viu na Mesquita Omeia. Abu al-Fadl Muhammad ibn Abd al-Karim al-Hariti, conhecido como al-Muhandis («o Geómetra»), foi um médico residente do hospital e também um estudioso de talento. Foi ele que desenhou a escultura geométrica da porta do *bimaristan* e quem reparou o relógio mecânico da Mesquita Omeia.","quote":"«O bimaristan Nur al-Din era ao mesmo tempo um lugar de tratamento e uma escola médica dotada de uma biblioteca muito completa»."},"aaf61a39-17ed-561e-8fc6-7e7f983d5ddd":{"title":"Egito","description":"A degeneração económica, política e cultural que ocorreu em todas as terras otomanas durante este período pode ter sido a causa subjacente da tendência de ocidentalização que visava a reforma, e que se baseou na adaptação de algumas características e elementos da arte islâmica às influências europeias predominantes em todos os campos da arte. Os elementos ocidentalizados de edifícios e palácios ofereciam uma magnificência e opulência apreciadas pelos sultões e dirigentes otomanos, e esse estilo prevaleceu sobre os elementos islâmicos, como *muqarnas*, motivos geométricos, vegetais e epigráficos.","quote":"”Os elementos ocidentalizados de edifícios e palácios ofereciam uma magnificência e opulência apreciadas pelos sultões e dirigentes otomanos...”"},"ab61d1b6-fc37-59e8-a3b2-262f917d2f6e":{"title":"Coexistência das três culturas","description":"Da Tunísia ao Algarve português não faltam provas da presença de cristãos em terras muçulmanas. Esta convivência, propiciada pela actividade comercial, deu-se mais nas cidades do que nos campos. Por vezes, as comunidades cristãs tiveram algum poder e dispuseram da necessária capacidade económica para custearem refinados trabalhos artísticos. \nAs comunidades judaicas que viviam no Ocidente muçulmano antes da chegada do Islão coabitaram com os muçulmanos em bairros próprios, desempenhando tarefas administrativas e artesanais, e participando na vida social e económica.","quote":"«Cristãos e judeus em terras muçulmanas»."},"ab86e7ab-a2af-55b0-bd1d-acb09915baa1":{"title":"A mesquita e o palácio","description":"A dinastia fatimida empenhou-se a fundo na construção, decoração e manutenção de mesquitas, de forma a disseminarem as crenças xiitas. As mesquitas fatimidas, quer estivessem em Mahdia quer na magnífica capital do Cairo – que albergava imponentes complexos como as mesquitas de al-Azhar e al-Aqmar –, quer ainda em regiões remotas como a Sicília, foram pensadas para resplandecer como faróis difusores da propaganda xiita. Arquitectonicamente, as mesquitas fatimidas apresentam características inconfundíveis: uma entrada saliente que lembra os arcos de triunfo romanos, uma cúpula de pedra decorada e uma fachada com inscrições de conteúdo xiita em escrita cúfica. Mas o que mais chama a atenção é a ausência de minarete.","quote":"«As mesquitas fatimidas foram pensadas para resplandecer como faróis difusores da propaganda xiita»."},"ab8c2fe1-9836-5c36-9b9a-179e2f8b07fb":{"title":"A decoração geométrica na arquitectura","description":"Os temas geométricos predominam na decoração arquitectónica e a eles se subordinam os outros. O carácter linear e repetitivo da ornamentação geométrica facilitou aos artesãos a cópia fiel de esquemas compositivos complicados e, consequentemente, a sua continuidade e a sua similitude formal no espaço e no tempo. Para além disso, a grande variedade de motivos geométricos e as suas possibilidades de adaptação a materiais tão diferentes como o azulejo, o estuque, o tijolo e a madeira favoreceram a sua utilização em qualquer parte do edifício: pavimentos, frisos, paredes, cornijas e tectos.","quote":"«O seu carácter repetitivo facilitou aos artesãos a cópia fiel de esquemas compositivos complicados»."},"ad8cb308-f2d0-51c1-8a74-24b337e0c430":{"title":"O *haraam* de Meca e a Kaaba","description":"Os califas muçulmanos e, posteriormente, os sultões mamelucos foram os principais protectores das cidades santas do Hedjaz. Eram, portanto, responsáveis pela renovação e pela manutenção do *haram* de Meca e também da mesquita e do túmulo do Profeta em Medina. Para financiar estes compromissos permanentes, o sultão mameluco Qaytbay (r. 1468-1496) criou uma *wikala* no Cairo, cujas receitas se destinavam a proporcionar cereais e outros produtos aos necessitados que viviam nas proximidades dos lugares santos de Meca e Medina.","quote":"«Os califas muçulmanos e os sultões mamelucos foram os principais protectores das cidades santas do Hedjaz»."},"adc2c82c-8dbe-5321-9ab3-9fea14b4167f":{"title":"Turquia","description":"Apesar da relação de muitos séculos, desde a Idade Média, entre os Otomanos e o Ocidente, forjada pelas trocas comerciais e pelos vários conflitos bélicos, a ocidentalização do gosto otomano chegou ao império muito mais tarde. \nO auge do Império Otomano, ocorrido no século XVI, não durou muito. Da combinação das debilidades do seu sistema administrativo com a erosão dos aparelhos militar e financeiro resultou a perda sucessiva de territórios a partir do século XVII. Foram feitas várias tentativas no sentido de recuperar o grande poder de outrora, através da importação e implementação de infraestruturas administrativas e técnicas de inspiração ocidental, que também se refletiram na arte e sociedade otomanas. O estabelecimento de relações culturais e diplomáticas com o Ocidente, reforçadas pela perceção do Império Otomano como um mercado, proporcionaram novos desenvolvimentos tanto na estrutura social como na arte. Por isso, a introdução de elementos ocidentais no repertório artístico otomano nos séculos XVIII e XIX é conhecida como o período da ocidentalização.","quote":"“Apesar da relação de muitos séculos, desde a Idade Média, entre os Otomanos e o Ocidente, forjada pelas trocas comerciais e pelos vários conflitos bélicos, a ocidentalização do gosto otomano chegou ao império muito mais tarde.”"},"adc7d88a-073e-571d-ad07-7d7f35682e7e":{"title":"Viagens e comércio"},"afba56c6-390e-5231-9951-6321bf20581e":{"title":"As escolas de caligrafia"},"b16c75fd-58ed-5aaa-b553-978b13694e35":{"title":"O palácio e as artes","description":"A escrita estava a cargo dos calígrafos do palácio (*hattats)*, que tinham uma posição social privilegiada e eram muito respeitados pelos sultões. Tinham autorização para ver, ler e estudar os manuscritos mais valiosos da biblioteca do palácio. O interesse e o respeito pela caligrafia não diminuíram ao longo dos séculos e, contrariamente a outras artes, onde se constata uma certa degeneração, a arte da caligrafia continuou a evoluir e a adaptar-se aos gostos dos diferentes períodos. \nNo século XIX, os sultões otomanos decidiram levar um estilo de vida diferente, pelo que se mudaram para os palácios de Dolmabahçe e Yıldız, de estilo ocidental. O abandono do palácio Topkapı significou uma mudança do gosto estético dos governantes. Assim, as oficinas palatinas deixaram de existir e perdeu-se a relação entre a actividade artística e o palácio.","quote":"«Os calígrafos tinham uma posição social privilegiada e eram muito respeitados pelos sultões»."},"b1e5cc51-1bae-53e9-9ca7-b41d062600ac":{"title":"Arte turco-islâmica na Anatólia pré-otomana","description":"Na decoração arquitectónica, os seljúcidas de Anatólia usavam fundamentalmente os azulejos, a pedra, a madeira e o gesso. A influência islâmica favoreceu a difusão dos motivos geométricos e as inscrições na decoração dos edifícios religiosos, mas também se utilizou muito a figuração, sobretudo nos palácios. Uma grande capacidade de observação e uma imaginação vívida produziram um mundo de representações humanas, animais e de criaturas místico-propiciatórias, o que contradiz a crença de que a representação figurativa era proibida na arte islâmica.","quote":"«Uma grande capacidade de observação e uma imaginação vívida produziram um mundo de representações humanas, animais e de criaturas místico-propiciatórias»."},"b1f3d679-a18b-5258-af5f-524e8530cb84":{"title":"O sultão e a sua corte"},"b2dfb887-c592-5972-be84-da52442aac78":{"title":"A viagem de um minbar","description":"Eis a história de um *minbar* (púlpito) que foi resgatado aos cruzados. Foi feito para o *maqam* («santuário») do grande mártir muçulmano al-Husayn, neto do profeta Muhammad, em Ascalon. Tal como o *mihrab* («nicho de orações»), o *minbar* é um ponto central da mesquita, mas, ao contrário daquele, é móvel. Assim, e com excepção do Alcorão, é o único objecto móvel da mesquita que tem um profundo valor espiritual.","quote":"*«Eis a história de um minbar («púlpito») que foi resgatado aos cruzados».*"},"b3513528-5861-5dfd-a473-0f15c92c8f94":{"title":"A decoração geométrica nos recipientes de cerâmica","description":"Na cerâmica, os motivos geométricos derivam com frequência da simplificação de motivos vegetais naturalistas que se esquematizaram e geometrizaram com o tempo. Este processo de abstracção pode ser constatado em alguns pratos e tigelas de decoração geométrico-vegetal radial: a partir de motivos originalmente naturalistas, como o florão de pétalas arredondadas, as formas evoluíram até chegarem à simplicidade absoluta de linhas radiais que delimitam parcelas triangulares.","quote":"«Os motivos naturalistas vão-se esquematizando até chegarem à simplicidade absoluta»."},"b4082e27-2852-5968-8ae5-6d5eb32f370a":{"title":"Gestão da prosperidade"},"b47b44b8-f4c5-57ff-b813-46c5b0f3fb22":{"title":"A mesquita, espaço de oração","description":"O pátio que antecede a sala de orações é um espaço descoberto e porticado ao qual se acede a partir da rua. É aí que o crente se prepara para a oração, purificando o corpo mediante as abluções rituais, do mesmo modo que irá purificar a alma rezando. É também, e tal como a sala de orações, um lugar de encontro da comunidade.","quote":"«O pátio»."},"b5239e1f-1ae6-5f79-9b09-016f7be99ee0":{"title":"A peregrinação à Terra Santa","description":"Havia duas rotas principais para as caravanas de peregrinos que iam a Meca: a egípcia, que era a que seguiam os muçulmanos subsaarianos e do Norte de África; e a síria, pela qual viajavam os peregrinos das províncias ocidentais. Por causa dos conflitos causados pelos cruzados, a caravana síria tinha, com frequência, que mudar o seu trajecto e procurar caminhos mais a este para se esquivar da Terra Santa.","quote":"«Havia duas rotas principais para as caravanas de peregrinos que iam a Meca»."},"b554b571-d0e5-5750-8458-758d1d2857a2":{"title":"O sultão e a sua corte","description":"Na corte, o sultão rodeava-se de um círculo íntimo de servidores, cada um com uma tarefa muito concreta (copeiro, mordomo, tesoureiro, etc.). Estos mamelucos de alto estatuto tinham que apoiar lealmente o sultão em todos os seus objectivos religiosos, políticos e militares, mas frequentemente participavam nas lutas entre facções e pelo poder, contra o seu soberano. \nUm aspecto mais positivo é o facto de imitarem o sultão como mecenas das artes. Como os filhos dos mamelucos não herdavam nem o estatuto nem os privilégios dos seus pais, estes costumavam fazer legados (*waqf*) a fundações religiosas para assegurar o futuro e os rendimentos das suas famílias.","quote":"«Os servidores mamelucos do sultão imitavam-no como mecenas das artes»."},"b57ef26f-345f-5d0d-8e89-3f02ef5a1f29":{"title":"Jordânia","description":"As características artísticas ocidentais do período otomano na Jordânia estão representadas principalmente nas cenas naturalistas até aí ausentes na linguagem visual dos otomanos. Pintadas por artistas europeus trouxeram novos elementos artísticos e fundiram-nas nas suas criações artísticas implementadas na Jordânia . Também durante esse período, as moedas ocidentais com figuras humanas foram frequentemente mais usadas do que as moedas otomanas. As pessoas preferiam os artefactos ocidentais, especialmente as moedas que usavam nos adornos, especificamente colares, correntes de queixo e véus. Também decoravam as casas, igrejas e edifícios com pinturas a fresco de autoria ocidental. Alguns desses edifícios tornaram-se espaços museológicos, e as igrejas em uso, enquanto outros continuam a ser habitados pelos proprietários que os conservam e restauram. \n \nApós o declínio do império otomano, o povo jordano ainda aprecia as moedas ocidentais e otomanas, bem como as mulheres continuam a usar, como dote, pingentes e pulseiras de ouro adornadas com moedas do rei Jorge V e do sultão Muhammad Rashad V. Este tipo de peças não só ainda existe no Museu do Folclore como é preservado igualmente pelos sucessores das antigas famílias.","quote":"\"As características artísticas ocidentais do período otomano na Jordânia estão representadas principalmente nas cenas naturalistas até aí ausentes na linguagem visual dos otomanos.\""},"b6146a5e-8a97-5fec-bf52-891c57ea0891":{"title":"As escolas de caligrafia","description":"Nos alvores do Islão e nos séculos posteriores, a caligrafia árabe ramificou-se em numerosas escolas com diferentes tipos de escrita. Entre as mais importantes e divulgadas estão a cúfica, a *naskhi* e a *thuluth*. A cúfica, que surgiu em primeiro lugar, era apropriada para as obras caligráficas, mas não era útil para a escrita do quotidiano. Por isso se criou a letra *naskhi*, cujo uso se generalizou nos domínios práticos da vida oficial.","quote":"«*Entre os mais importantes e divulgados estilos caligráficos estão o cúfico, o* naskhi *e o* thuluth*».*"},"b82e552a-e3da-5171-bbda-751d4602d53f":{"title":"Dois sultões mamelucos contra os francos","description":"Os sultões, Baybars e Qalawun foram ambos entusiastas mecenas de objectos de luxo e de edifícios para o Cairo, a sua capital, mas também para a Síria e a Terra Santa. Por exemplo, Baybars restaurou fortalezas na Palestina e Síria, embora o seu interesse não se tenha limitado à arquitectura militar: também criou uma mesquita maior para os fiéis do Cairo, a mesquita real mameluca mais antiga que se conserva na cidade. Morreu na cidadela de Damasco em 1277 e enterraram-no no mausoléu (*qubba*) a norte da Mesquita Omeia. A *qubba* agregou-se a uma escola já a ele dedicada: a *madrasa* al-Zahiriyya.","quote":"«Os sultões Baybars e Qalawun foram mecenas entusiastas de objectos de luxo e de edifícios»."},"ba6e5443-d6c5-5620-916d-366e3adb48bc":{"title":"Al-Raqqa, capital do califa Harun al-Rashid na Síria","description":"Após a morte de Harun al-Rashid em 809, o governo regressou a Bagdad, mas a cidade de al-Raqqa manteve a importância que tinha, devido à sua estratégica posição às portas do Império Bizantino. Chegou a tornar-se na sede governamental da região de al-Jazira, que compreendia o Nordeste da Síria e o Noroeste do Iraque, entre os rios Eufrates e Tigre. Durante o reinado de al-Mutasim (construtor da cidade de Samarra, no Iraque), al-Raqqa viveu outra época de restauros e de novas edificações, na qual a arquitectura foi muito influenciada pelos modelos arquitectónicos e decorativos de Samarra. As indústrias do vidro e a cerâmica também floresceram nesta época, sob a influência da cerâmica que então se produzia em Damasco e em várias cidades do Iraque.","quote":"«As indústrias do vidro e a cerâmica de al-Raqqa também floresceram nesta época»."},"bb6637ac-a866-515d-b9a2-3869310f0ad7":{"title":"A civilização da palavra","description":"As inscrições abarcam numerosos temas e diferentes estilos caligráficos. Umas vezes mencionam os mecenas e os seus feitos, noutras citam *aleias* do Alcorão, orações protectoras, bênçãos, versos ou refrãos. Este último tipo de inscrições era, por hábito, escolhido para complementar a função do objecto. Por exemplo, nalgumas lâmpadas de mesquita cita-se a *aleia* «Deus é a luz» (24:35), e em alguns estojos de penas ou em escrivaninhas lêem-se versos poéticos que louvam o trabalho da escrita. Para contribuir activamente para a melhoria da função de um recipiente, este era adornado com orações protectoras e bênçãos. Com palavras como *barakah* se reconhece e invoca a generosidade de Deus e a sorte do proprietário. O mesmo efeito se busca quando se aplica num objecto um dos noventa e nove nomes de Alá: com a sua presença, o recipiente e o seu conteúdo ficam protegidos de danos e perdas.","quote":"«Eram escolhidas inscrições que complementavam a função do objecto»."},"bc3059aa-db7e-5ab4-ae05-77999d031552":{"title":"Cerimónias e passatempos cortesãos","description":"A partir do século VIII, o califado omeia dirigiu cada vez mais a sua atenção para Oriente, como reacção a uma série de tentativas falhadas de conquista de Constantinopla. Esta mudança deu lugar a uma identificação mais estreita com o Irão, que se reflectiu na arte e na arquitectura, mas mais ainda no ritual da corte. \nSurgiram assim refinadas cerimónias de recepção e de audiência, nas quais se enfatizava a distância entre o governante e os seus súbditos. Os palácios que ainda se conservam, com a sua abundante decoração, assim como as fontes literárias deste período, permitem-nos ter uma ideia do cerimonial cortesão e dos passatempos da classe dirigente.","quote":"«Surgiram refinadas cerimónias de recepção e de audiência»."},"bc7fb8be-cdce-5445-b548-ff8fbfd12324":{"title":"Ciência e saber","description":"No Ocidente muçulmano, a investigação e o conhecimento das ciências puras e aplicadas foram fomentados. De entre estas últimas destacaram-se, nos tempos do califado de Córdova, a medicina, a cirurgia, a farmacopeia e a veterinária, com figuras tão distintas como Abulcasis ou Ibn Baitar, autores de enciclopédias.","quote":"«Ciências aplicadas»."},"be3643d7-c50e-574a-9d16-2e5d7e04d722":{"title":"A decoração geométrica na arte do livro","description":"A proibição de representação de quaisquer figuras nos livros religiosos muçulmanos determinou que a sua ornamentação se limitasse a motivos decorativos abstractos, ou seja, a iluminuras predominantemente geométricas. Este trabalho de decoração atraiu artistas de diferentes especialidades, como encadernadores, calígrafos e iluminadores, e acabou por marcar outras formas artísticas, como a tecelagem, a arte dos metais, a marcenaria, a epigrafia monumental ou a decoração arquitectónica. \nO formato mais habitual de Alcorão foi o rectangular vertical, embora também se tenham realizado quadrados e horizontais.","quote":"«A decoração do Alcorão atraiu encadernadores, calígrafos e iluminadores»."},"bea69b13-6fa2-574b-aa7f-147e96a211c7":{"title":"Reformas administrativas","description":"A partir da reforma monetária, toda a actividade de cunhagem do período omeia foi realizada com um peso e um desenho fixos: moedas totalmente epigráficas, com a data e uma fórmula religiosa. Estas medidas serviram para introduzir uma uniformidade monetária de que até aquele momento se carecera.","quote":"*«A partir da reforma monetária, toda a actividade de cunhagem do período omeia foi realizada com um peso e um desenho fixos».*"},"beaed359-49db-5b82-b5ab-00d242347b19":{"title":"Vida privada das mulheres muçulmanas","description":"A visita semanal aos banhos (*hammam)* proporcionava às mulheres da família alargada ou da vizinhança a oportunidade de se encontrarem ao mesmo tempo que se deleitavam e partilhavam as últimas novidades. Faziam inclusivamente de casamenteiras e falavam do dote. Os *hammam* estavam dispostos de tal modo que as banhistas se deslocavam gradualmente das salas quentes para as frias. As paredes de muitos deles eram decoradas com frescos que representavam cenas da vida quotidiana e outros motivos, e contribuíam assim para revitalizar o espírito e ter uma sensação de bem-estar.","quote":"«No hammam faziam inclusivamente de casamenteiras e falavam do dote»."},"bedfc26e-1599-5d90-867d-794002406ce7":{"title":"Al-Raqqa, capital do califa Harun al-Rashid na Síria"},"c120081f-2000-5d9f-bbc8-dc8089955a17":{"title":"As *madrasas* e a educação"},"c1e27de3-f47f-5dbf-a939-9b3c100f2f30":{"title":"Patrocínio oficial","description":"Para os omeias, o patrocínio da arquitectura era uma demonstração do poder da nova fé em geral e da sua dinastia em particular, e graças a ele se construíram importantes edifícios religiosos como a Cúpula do Rochedo e mesquita al-Aqsa em Jerusalém e a Grande Mesquita de Damasco. \nA mesquita, como tipologia arquitectónica exclusiva do Islão, nasceu no período pré-omeia, seguindo o modelo da Casa do Profeta, em Medina. Os omeias juntaram novas características que, com o tempo, se converteram em componentes típicos de todas as mesquitas: o minarete (símbolo da presença do Islão e de onde se chama à oração), o *mihrab* (que simboliza a presença do Profeta) e, junto a ele, a *maqsura* (espaço delimitado reservado ao imã, líder dos crentes, ou ao califa).","quote":"*«O patrocínio da arquitectura era uma demonstração do poder da nova fé».*"},"c2dbf4ef-9ab1-5dca-9ef4-37ca6225e91e":{"title":"Patrocínio oficial","description":"Os palácios omeias conhecidos como «castelos do deserto», como o de Minya, despertaram grande interesse. A localização de alguns destes monumentos, em vastas propriedades de regadio faz pensar que fossem também centros agrícolas. Alguns investigadores sugeriram ainda que uma das suas finalidades era a de manter o contacto com as tribos árabes locais, apoiantes da dinastia omeia.","quote":"*«Os palácios omeias conhecidos como «castelos do deserto» despertaram grande interesse».*"},"c3c3c6a9-356a-5b3d-b18a-805d7175e3fa":{"title":"Reformas administrativas"},"c5fe097b-ce23-566c-9ba9-78fa3ca5eb00":{"title":"Síria","description":"As famílias ricas de Damasco, inspiradas na grandeza da capital otomana Istambul, ela mesma inspirada na Europa, renovaram as suas casas segundo a moda otomana. Por exemplo, os interiores e espelhos fortemente dourados de Beit Nizam refletem um gosto pelo barroco europeu, enquanto as grandes pinturas murais de Beit Baroudi apresentam as paisagens urbanas internacionais de Meca e Medina, Istambul no Bósforo, a Praça da Concórdia de Paris e os canais de Veneza . Navios a vapor e locomotivas aparecem nas pinturas com as palavras \"Sham Sheriff\" - \"Honrosa Síria\", indicando o destino final do comboio. O termo \"Honrosa Síria\" vem do papel da cidade como local de encontro para peregrinos e é, portanto, simbólico da bela simbiose entre o Oriente e o Ocidente, representando a integração e a preservação do património cultural.","quote":"“As famílias ricas de Damasco, inspiradas na grandeza da própria capital otomana, Istambul, inspirada na Europa, renovaram as suas casas segundo a moda otomana.”"},"c667dbde-a90a-50a0-a246-daedc5e094da":{"title":"A peregrinação à Terra Santa","description":"Ibn Jubayr (1145-1217), um muçulmano de Valência, escreveu o relato das suas viagens ao Oriente. Nelas descreveu detalhadamente a Grande Mesquita de Damasco e outros santuários da cidade e dos seus arredores. Sobre a sua partida de Damasco em Setembro de 1184 numa caravana de mercadores que se dirigia para a antiga cidade de Acre (Israel), conta: «Uma das coisas mais estranhas do mundo é que as caravanas muçulmanas penetram em terras francas, ao mesmo tempo que os cativos francos entram em terras muçulmanas».","quote":"«… as caravanas muçulmanas penetram em terras francas, ao mesmo tempo que os cativos francos entram em terras muçulmanas»."},"c6bda72b-5fc2-5242-a86c-73e57fb7f25b":{"title":"Os aglábidas, escudo da dinastia abássida","description":"Para além da zona central do Norte de África, também Malta, a Sicília e o sul de Itália chegaram a estar sob o domínio dos aglábidas. Eram considerados vassalos dos aglábidas (embora dispusessem de grande autonomia) e mantinham ligações com a capital abássida, Bagdad, para onde enviavam e de onde chegavam numerosas caravanas comerciais e científicas; numa delas transportaram-se os azulejos de reflexo metálico empregues na decoração do *mihrab* (nicho de orações) da Grande Mesquita de Kairouan. Em reconhecimento pela lealdade aglábida, o califa abássida al-Mustain (r. 862-866) ordenou a construção de uma cúpula sobre o *mihrab* da mesquita Zitouna.","quote":"*«Os aglábidas moldavam o seu comportamento pelo dos seus senhores, os califas abássidas».*"},"c847fdb4-fe99-5430-96ad-f2a1a1bedc31":{"title":"As lápides funerárias, memória na pedra","description":"Na época almorávida, primeiro no al-Andalus e depois no Magrebe, introduziu-se um novo tipo de estela, marcada por um arco de ferradura decorativo assente em colunas, que representa simbolicamente o *mihrab*. No interior do arco desenvolve-se a inscrição fúnebre que, neste como noutros casos, é costume limitar-se ao nome, à filiação, aos títulos dos sepultados e à data da sua morte; a profissão de fé, versículos do Alcorão e invocações religiosas completam o texto.","quote":"«As lápides decoradas»."},"c8537387-383b-5275-8627-e7e6711be5ec":{"title":"Saladino na Terra Santa","description":"Sob a influência de Saladino, o patrocínio de monumentos e de objectos artísticos viveu um período de esplendor. Ele próprio promoveu numerosos projectos arquitectónicos, incluindo a renovação de sítios religiosos primordiais como a mesquita de al-Aqsa e a Cúpula do Rochedo, em Jerusalém, e a mesquita de al-Ibrahimi, em Hebron.","quote":"«Sob a influência de Saladino, o patrocínio de monumentos e de objectos artísticos viveu um período de esplendor»."},"c891e7d0-4fed-5c58-96cf-57ac94c648f4":{"title":"Viagens e comércio","description":"Os mercadores muçulmanos viajavam com frequência nas mesmas caravanas que os peregrinos e paravam durante a noite em caravanserai ou *khan*, geralmente construídos em rotas comerciais ou em cidades principais. Estes dois tipos de alojamento proporcionavam tecto, alimentação e água aos viajantes e aos seus animais. Ao chegar à cidade, os viajantes encontravam mercados (*suqs*) onde se vendia uma grande variedade de artigos, como seda, perfumes, jóias, ouro, especiarias, cristais, trabalhos em metal e recipientes de cerâmica. O *suq* de Alepo, por exemplo, compreendia um *khan*, um *hammam* e uma mesquita para satisfazer todas as necessidades dos viajantes.","quote":"«Os viajantes encontravam mercados (suqs) onde se vendia uma grande variedade de artigos, como seda, perfumes, jóias, ouro»."},"ca03bc94-3139-59a8-a6bb-af5e1368a210":{"title":"A decoração geométrica na arte do livro","description":"Tendo em conta o carácter sagrado do Livro, os iluminadores puseram grande cuidado na decoração da primeira (*fatiha*) e da última (*jatima*) páginas, que se iluminaram com frequência em toda a sua extensão. O princípio da *sura* marcava-se com um cartucho. Além disso, as páginas podiam ter um enquadramento de motivos geométricos mais ou menos elaborados. Na ficha técnica, indicava-se normalmente a data e o lugar de realização e, por vezes, o destinatário.","quote":"«Os iluminadores puseram grande cuidado na decoração da primeira (fatiha) e da última (jatima) páginas»."},"ca0dc59b-60b3-560e-8e70-93208a08246a":{"title":"As jóias: riqueza, prestígio e protecção","description":"No Ocidente islâmico medieval era costume o noivo entregar à noiva uma prenda de casamento que consistia em jóias, roupas e cosméticos para que se preparasse como convinha às celebrações nupciais, que duravam vários dias. Também o pai da noiva lhe emprestava jóias, que deviam ser devolvidas quando a boda acabasse, para que estivesse adornada quando aparecesse em público, \nA boda começava com a visita das mulheres da família à noiva que, penteada e vestida especialmente para a ocasião, e tão cheia de jóias como a posição económica do noivo e da família o permitisse, recebia as felicitações impassível, como uma imagem no trono ou lugar de honra.","quote":"«Prenda de casamento»."},"ca354990-79c2-5bab-83fc-460c8bcc911e":{"title":"A mesquita e o palácio","description":"Após a conquista do Egipto pelo general Yawhar em nome do califa al-Muizz, em 969, foi fundada a nova capital, o Cairo (al-Qahira, «a vitoriosa»), circundada por uma muralha com oito portas. Seguindo o costume fatimida, o imponente complexo palatino do califa, conhecido como al-Sharqi ou Palácio do Oriente, que abarcava uns sete hectares – cerca da quinta parte da cidade –, foi instalado em pleno centro da nova capital. Mais tarde, construiu-se defronte o denominado Palácio do Ocidente, instalando-se entre ambos uma praça pública. É pouco o que chegou até nós ou o que se conhece sobre estes palácios, mas as fontes históricas afirmam que dentro do complexo palatino havia sepulcros da família real fatimida, o que possivelmente aumentou a aura de santidade que envolvia o califado. A construção de palácios ao estilo fatimida chegou até à Sicília, e a arquitectura palatina continuou a inspirar-se nesta dinastia até muito depois da invasão normanda.","quote":"«Foi fundada a nova capital, o Cairo (al-Qahira, «a vitoriosa»), circundada por uma muralha com oito portas»."},"ca4d15b3-1f58-5e52-8573-10d6bfc02842":{"title":"Em busca da baraka: a peregrinação a Jerusalém e à Palestina","description":"Segundo a fé muçulmana, no Dia do Juízo, a Cúpula do Rochedo de Jerusalém, construída na época omeia (século VII), será o local escolhido pelo profeta Muhammad para a ressurreição dos crentes. O Profeta designou-a como lugar sagrado, pois dela ascendeu aos céus (*miraj)* na noite da sua viagem nocturna (*isra)* de Meca a Jerusalém*.* O Profeta encorajou repetidamente os crentes para que reverenciassem e visitassem a Cúpula do Rochedo, além de Meca e Medina.","quote":"«No Dia do Juízo, a Cúpula do Rochedo de Jerusalém será o local escolhido pelo profeta Muhammad para a ressurreição dos crentes»."},"ca4e1fb9-a323-523f-bcbb-6c6de8cefb05":{"title":"O palácio e as artes","description":"Muitos dos artistas que trabalhavam nas oficinas do palácio eram denominados *nakkaş* (desenhadores). Os seus desenhos eram utilizados de várias maneiras, em todo o tipo de artes: encadernação de livros, caligrafia, fabrico de tapetes, azulejaria, cerâmica, carpintaria e na arte dos metais. Deste modo, os mesmos desenhos e motivos passavam de material em material (metal, madeira, pedra, etc.). \nOs desenhos eram também utilizados fora do palácio, como nas oficinas de azulejos de İznik ou nos de tapetes de Uşak. Os artigos eram vendidos nos territórios do Império ou eram exportados.","quote":"“Os desenhos eram utilizados de várias maneiras, em todo o tipo de artes, desde os livros à arte dos metais»."},"ca738840-bcc5-5148-8748-e3bb31ec2983":{"title":"A arte mudéjar aristocrática e civil"},"cb0785ef-fb33-5e76-b51b-81652da4bdfc":{"title":"Saladino na Terra Santa","description":"O herói islâmico, por antonomásia, Salah al-Din al-Ayyubi (conhecido como Saladino, 1137-1193) mudou a sorte dos árabes derrotados e dos cruzados vitoriosos ao recuperar Jerusalém. A era de Saladino é considerada um dos períodos mais brilhantes da história árabe; nela, o decadente califado abássida conheceu um fugaz renascimento sob a protecção dos governantes ayyubidas.","quote":"«A era de Saladino é considerada um dos períodos mais brilhantes da história árabe»."},"cbc12111-8c44-55d6-b676-b86eda25e6a1":{"title":"Tunísia","description":"O mobiliário europeu foi adotado ainda mais prontamente, e tornou-se comum ver camas de dossel com gesso dourado, espelhos e consoles fortemente dourados, lâmpadas venezianas e veludo e seda italianos ou franceses ao lado de móveis tradicionais hispano-magrebinos, embora essa nova tendência nunca tenha suplantado o estilo antigo. Novas importações também incluíram tapetes (zarbia) da Anatólia, baús de casamento esculpidos, mesas baixas e caixas com incrustações caras da Turquia. \nMóveis, roupas femininas, joias, etc., todos passaram pela mesma evolução. Revestimentos de parede, tapeçarias, roupa de cama e divãs, como roupas em geral, eram ricamente dotados de bordados levantinos.","quote":"“Móveis, roupas femininas, joias, etc. passaram pela mesma evolução.”"},"cc1b1d0f-11e9-5198-addd-247752f7c5b8":{"title":"A arte nos espaços de oração","description":"Dois traços distinguem as mesquitas otomanas, projectadas geralmente pelos arquitectos imperiais seguidores de uma peculiar filosofia, traduzida na existência de um espaço único debaixo de uma cúpula, onde todo a gente reza de forma igualitária. A cúpula simboliza o universo eterno, e o *mihrab*, a presença do Profeta como dirigente da oração. Com o objectivo de que estes dois conceitos se tornassem evidentes, bem como para fazer uso da estética islâmica, escreviam-se versículos do Alcorão na cúpula e no tambor, ao passo que o *mihrab* era decorado com opulência. Os muros eram embelezados com azulejos ou pintados com desenhos geométricos, que simbolizavam a eternidade de Deus, e com desenhos florais, que representavam os jardins do paraíso.","quote":"«A cúpula simboliza o universo eterno e o mihrab, a presença do Profeta como dirigente da oração»."},"cc5c14f6-ee31-580d-97ca-0fb352da0379":{"title":"A vida quotidiana no sultanato mameluco","description":"Quase todos os habitantes do Império, ricos e pobres, seguiam a doutrina islâmica, do nascimento até à morte. Para alcançar o desejado Paraíso, rezavam cinco orações diárias – antecedidas de minuciosas abluções –, eram caritativos com os pobres, jejuavam durante o mês do Ramadão e tentavam visitar a cidade santa de Meca pelo menos uma vez na vida. Algumas disposições legais importantes baseavam-se na lei religiosa ou *sharia*, fundamentada no Alcorão e nas tradições do profeta Muhammad. Todas as actividades, incluindo a alimentação e a higiene pessoal, eram realizadas «em nome de Allah», com a única intenção de lhe agradar e de cumprir os seus desejos.","quote":"«Todas as actividades, incluindo a alimentação e a higiene pessoal, eram realizadas “em nome de Allah”»."},"cca743b1-59ef-5ca4-9e68-aacc9793e3f9":{"title":"A formação da arte islâmica","description":"Na primeira metade do século VIII, os omeias polvilharam as estepas sírias com luxuosos palácios magnificamente decorados que nos proporcionam mais informação acerca da arte islâmica nos seus momentos iniciais do que os palácios urbanos.","quote":"*«Luxuosos palácios decorados com coloridos mosaicos, frescos, estuque lavrado e painéis de mármore».*"},"cd32f260-a216-5142-ba1e-9c46b541a116":{"title":"A mesquita e o palácio","description":"Após a subida ao poder dos fatimidas em 914, o califa al-Mahdi fundou Mahdia, a capital, na qual adoptou uma inovadora distribuição urbana, que reflectia a importância do califa xiita, segundo a visão fatimida do mundo; a partir de então, esta perspectiva influiu no aspecto de todas as cidades fatimidas. No coração do núcleo urbano, onde antes se encontrava a mesquita, erguia-se o palácio do califa, com vários andares e com uma esplêndida decoração. O califa, ao mesmo tempo líder político e espiritual da dinastia fatimida, ocupava agora o coração da cidade: o seu palácio encontrava-se desde então no centro da *qasbah* (alcáçova) e dominava a mesquita principal, situada perto da muralha da cidade.","quote":"«Os fatimidas adoptaram uma distribuição urbana inovadora que reflectia a importância do califa xiita»."},"ce66627b-ff4a-54f2-8878-1023a2f1743f":{"title":"A formação da arte islâmica","description":"Nesta fase de formação não pode falar-se propriamente de uma arte islâmica bem definida, mas sim da justaposição e de combinação inovadora de diversos estilos e de motivos decorativos bebidos em diferentes tradições artísticas, que produziram resultados muito notáveis e originais. A arte eclética deste período inicial difere da que se desenvolveu nos séculos posteriores; carece da predilecção pelos desenhos abstractos e infinitos tão característicos da arte islâmica posterior. A arte islâmica na sua fase inicial deve considerar-se como uma continuação da arte da Antiguidade Tardia, dos séculos IV-VI.","quote":"«Justaposição e combinação de estilos decorativos tomados de diferentes tradições artísticas»."},"ceab8d7c-6e1d-5d61-81c7-078ad66f0bd3":{"title":"A vida na corte","description":"Outro exemplo de objecto de luxo usado para promover as relações diplomáticas pode ser encontrado na corte de Badr al-Din Lulu, um arménio convertido ao Islão. Foi um vizir zangida, e mais tarde governador independente de Mosul, no Norte do Iraque, entre 1218 e 1259. Badr al-Din Lulu interessava-se em especial pelos trabalhos em metal com incrustações. Conservam-se muitos recipientes em bronze com incrustações em ouro e prata que ostentam o seu nome. Estes valiosos objectos eram provavelmente utilizados em vez do ouro, e o facto de Lulu neles ter posto o seu nome atesta a sua função de presente diplomático.","quote":"«Badr al-Din Lulu interessava-se em especial pelos trabalhos em metal com incrustações»."},"ceba53e2-8d26-5b58-86d1-788c47e11fd6":{"title":"Coexistência das três culturas"},"cffb5dbb-cdd6-5c87-9301-6dc14bb279d8":{"title":"A vida religiosa","description":"Para o vincado carácter religioso de Damasco contribuiu também o facto de ter sido ponto de partida da peregrinação anual (*hajj*). Durante o período ayyubida, um dos bairros dos arredores chamado al-Maydan cresceu junto ao caminho do *hajj* e converteu-se num importante centro de produção de arte religiosa. As expressões mais eloquentes de arte religiosa islâmica dos períodos atabeg e ayyubida encontram-se na arquitectura das mesquitas e nos alcorões com iluminuras. A alvenaria e a marcenaria de minaretes*,* *mihrabs*, *maqsuras* e *minbars* são exemplo deste primado.","quote":"«As expressões mais eloquentes de arte religiosa islâmica encontram-se na arquitectura das mesquitas»."},"d0091937-ae75-5b53-b750-fd43ae2c25e5":{"title":"Vestuário e joalharia"},"d03f0704-42d3-54b3-8b3b-d1ee5a970a2c":{"title":"O Egipto abássida"},"d0420e12-6207-5772-b8f0-9c22f7f604c4":{"title":"Os mamelucos no mundo: a diplomacia e o comércio internacional","description":"Os artesãos não demoraram a absorver as muitas influências que chegavam do Oriente e do Ocidente. Deve ser destacada a evolução na produção de exemplares do Alcorão. Da colaboração entre calígrafos, iluminadores e encadernadores nasceram fantásticos manuscritos que davam resposta digna às aspirações religiosas do sultanato mameluco. Nos metais foram criadas peças espectaculares com incrustações, frequentemente muito elaboradas, que se destinavam ao mercado nacional e à exportação. Alguns artigos eram feitos por encomenda de clientes particulares estrangeiros.","quote":"«Os artesãos não demoraram a absorver as influências que chegavam do Oriente e do Ocidente»."},"d0f2de47-bb3f-5401-adda-d70b0bdc2f1c":{"title":"A representação de animais"},"d1cd70ed-eba3-5102-ad3f-35f48ba86542":{"title":"Arte turco-islâmica na Anatólia pré-otomana","description":"Uma vez estabelecida a unidade política na Anatólia, os sultões seljúcidas incrementaram os seus projectos arquitectónicos e, ao tornarem seguros os caminhos, desenvolveram também o comércio. Viviam em luxuosos palácios concebidos como paraísos terrestres. Estado turco-islâmico, os seljúcidas da Anatólia criaram um estilo artístico enraizado na herança de numerosas civilizações da Ásia e da Anatólia, e inspirado na arte da sua época e na cultura bizantina. Durante a época em que dominaram – da segunda metade do século XI até começos do XIV –, construíram monumentos de acordo com as suas crenças religiosas e as suas aspirações sociais: mesquitas, *türbe* (mausoléus), *madrasas* (escolas religiosas), *hammam* (banhos), *khan* ou caravanserai (hospedarias) e pontes.","quote":"«Criaram um estilo artístico enraizado na herança de numerosas civilizações da Ásia e da Anatólia»."},"d3086523-5bfd-58be-92ce-ac1f8ca548d7":{"title":"A representação humana","description":"As representações humanas na arte islâmica encontram-se em diferentes suportes: mosaicos, frescos e esculturas. Para além dos retratos, o observador pode apreciar representações pictóricas de passatempos como a caça, de cenas de batalhas, de danças, de concertos, de recitais poéticos, de mulheres nuas ou seminuas, de jogos e acrobacias, de portadores de presentes e de cenas de trabalho. O «significado» preciso das imagens pode ser entendido de modo diverso, e por vezes contraditório, pelo que, com frequência, a motivação inicial para a escolha do tema não resulta clara. Embora a maioria das imagens possa, em geral, interpretar-se como expressão de uma vida luxuosa, dos prazeres da corte, da riqueza e do poder, algumas delas podiam entender-se como referência a factos históricos ou sociais concretos. Além disso, os pormenores de algumas cenas de caça mostram imagens da natureza de determinados lugares.","quote":"«Os pormenores de algumas cenas de caça mostram imagens da natureza de determinados lugares»."},"d3c09fd8-614a-5317-a73b-07bb96f5d57c":{"title":"Saladino na Terra Santa"},"d4324e40-dd9c-55ae-bca3-245862dcd559":{"title":"As mulheres do trono: as netas de Fátima al-Zahra"},"d56f34dd-618b-52fd-941d-524f966fe3d5":{"title":"Arte e arquitectura régias","description":"A capacidade de imitar ideias figurativas e tipológicas dos mundos artísticos islâmico e bizantino (com uma certa permeabilidade face a elementos muito mais longínquos, entre eles os de origem sassânida) assegura às formas artísticas promovidas pela «política de imagem» dos reis normandos um valor de sincretismo activo e inovador de marcada originalidade.","quote":"«A “política de imagem” dos reis normandos serve-se em boa medida de modelos artísticos islâmicos»."},"d691a9e4-feba-58bc-947e-a2528e1d9adb":{"title":"Súbditos cristãos sob governo omeia","description":"Na nova situação sociorreligiosa, as tradições das comunidades cristãs conheceram algumas mudanças. É um facto conhecido que no contexto religioso do Islão era proibida a representação de imagens. Nestas circunstâncias, as comunidades cristãs desfiguraram deliberadamente as formas animais e humanas presentes nas igrejas, substituindo-as por uma cruz ou por motivos geométricos ou florais. Em alguns casos o desenho foi desfeito e recomposto. A desfiguração dos pavimentos de mosaico realizou-se com extremo cuidado, e as igrejas continuaram a ser usadas, o que indica que as modificações executadas foram levadas a cabo pelas autoridades eclesiásticas, ou, pelo menos, sob a sua supervisão directa.","quote":"«É um facto conhecido que no contexto religiosos do Islão era proibida a representação de imagens»."},"d7c23444-3d3f-5267-ac39-29110a7751ab":{"title":"A cultura no reino cruzado de Jerusalém"},"d81c8cbb-bdf6-53de-8363-0663b937e7d4":{"title":"Guerra e equitação","description":"A Síria foi um dos principais campos de batalha na época das Cruzadas, testemunho da construção de muitas cidadelas muçulmanas e de castelos francos. Saladino (m. 1193), o mais famoso dos heróis muçulmanos, foi enterrado em Damasco. Os seus êxitos nas campanhas militares levaram-no a conquistar cerca de 50 posições cruzadas, entre elas o castelo de Saona, sitiado em 1188. Conhecido hoje como Qalaat Salah al-Din ou castelo de Saladino, é um dos melhores exemplos dos castelos daquela época.","quote":"«Saladino (m. 1193), o mais famoso dos heróis muçulmanos, foi enterrado em Damasco»."},"da37f448-7c1f-5fc6-ac49-a3a689b3f87a":{"title":"Cerimónias e passatempos cortesãos","description":"Os temas recorrentes das bailarinas, da caça e da música não constituíam meras actividades frívolas, mas eram reflexo dos prazeres e passatempos da realeza. Eram representados no que se denominava *majlis al-lahu* (espaço utilizado para as cerimónias lúdicas), e através deles se exprimia a vida do príncipe associando-a com a caça, com os banquetes e com diversões como a dança e o canto. Todas estas actividades eram muito comuns na corte sassânida, e serviam para glorificar o príncipe e enfatizar a sua grandeza.","quote":"«A vida do príncipe estava associada à caça, aos banquetes e a outros entretenimentos»."},"da493358-92ba-5a20-8866-fa30fb03bfb2":{"title":"Os Abássidas","description":"«A arte e a arquitectura islâmicas tiraram partido da grande variedade de culturas regionais abássidas e dos seus grupos étnicos e sociais».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nNoorah AL-GAILANI, Glasgow \nDina BAKKOUR, Damascus \nJamila BINOUS, Tunis \nAicha BENABET, Tunis \nElsayed HAMAD, Cairo \nTaha KHECHINE, Kairouan \nMourad RAMMAH, Kairouan \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nSaloua ZANGAR, Tunis \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"A dinastia abássida tomou o poder em 750 e estabeleceu a sua corte em Bagdad. Governou durante 508 anos num território que se estendia da Ásia Central, a este, até à Tunísia, a oeste. O califado abássida distinguiu-se por potenciar a igualdade entre as diferentes etnias e sectores que constituíam a sociedade. A vastidão dos seus territórios obrigou à instauração de governos regionais para manter a ordem e a estabilidade. No Mediterrâneo, os aglábidas governaram na Tunísia e os tulunidas no Egipto, em nome dos abássidas. \nA idade de ouro abássida teve lugar durante os séculos IX-X, durante os quais o Próximo Oriente e o Norte de África conheceram uma grande transformação: de uma economia maioritariamente agrícola passaram a outra, baseada no comércio, o que criou uma riqueza que diminuiu as diferenças sociais entre as comunidades árabes e não árabes, e favoreceu o desenvolvimento do artesanato, especialmente os do vidro, da cerâmica e dos tecidos. Os seus produtos chegaram a ser exportados para sítios como a China e a África subsaariana. \nO Estado fomentou o ensino formal, tendo sido abertas numerosas escolas tanto em Bagdad como nas províncias. A arte da tradução prosperou, o que ajudou a preservar numerosas obras fundamentais gregas, persas e indianas, que foram vertidas para árabe. Conseguiram-se, deste modo, importantes contributos nos domínios da matemática, da medicina e da filosofia. \nO declínio abássida teve início no século XI, quando algumas partes do Império começaram a tornar-se independentes ou se converteram em regiões autónomas. Os fatimidas (909-1171) afirmaram-se como dinastia rival no Egipto, e Tugrul Beg – um dos comandantes turcos dos abássidas – apoderou-se do controlo de Bagdad em 1055. Posteriormente tiveram lugar várias tentativas frustradas de restabelecer a soberania abássida, mas o golpe final foi dado pelos mongóis, que se tinham envolvido no Médio Oriente, e que conquistaram Bagdad em 1258.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/the_abbasids/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/13/portal_image/1.jpg","display_order":2}}},"dc1ba8a3-fd25-52de-bd11-66f5e8ee0fdc":{"title":"Profissionais, artesãs e artistas"},"dc90a515-7d31-50e6-bb8f-6de8b231efd4":{"title":"O Egipto abássida","description":"O Egipto foi governado directamente pelos abássidas entre os anos 750 e 969. As suas actividades agrícolas e comerciais proporcionaram receitas consideráveis, e a sua posição serviu-lhe de porta de entrada no Norte de África. Foi nomeado um governador para dirigir o país, apoiado por um exército e pela elite administrativa. Fustat, na margem oriental do Nilo, ao sul do Cairo, foi a principal capital comercial. A população desta cidade ainda era constituída por cristãos coptas, e o principal local de culto dos muçulmanos era a mesquita de Amr ibn al-As. O governador e o seu exército ocuparam a zona de Asakir, junto a Fustat.","quote":"*«Fustat, na margem oriental do Nilo, ao sul do Cairo, foi a principal capital comercial».*"},"df28fd23-6a70-55b8-9302-7d8b3b1968ac":{"title":"A cultura dos prazeres da mesa","description":"Os ricos construíram fundações caritativas, chamadas *imarethane,* onde era servida comida aos pobres. As refeições eram cozinhadas em grandes caldeiros e servidas em grandes travessas chamadas *imaret*, termo que passou a designar também os refeitórios de beneficência. Aos que não se podiam ali deslocar, enviava-se a refeição em marmitas ou, talvez, noutro tipo de recipientes. \nEm geral, as pessoas comiam um pão achatado, cozido ao ar livre sobre uma placa de metal convexa ou em fornos *tandoor*. Comiam com a mão direita e começavam por invocar o nome de Deus; ao concluir, rezavam uma oração de agradecimento. Sobre um tecido colocado no chão era posto um suporte de madeira no qual se depositava uma bandeja. A família comia com colheres de madeira, sentada à volta da bandeja.","quote":"«Os ricos construíram fundações de caridade chamadas imarethane, onde era servida comida aos pobres»."},"df4ffea5-fc6b-5044-8eed-f3f4baa7147e":{"title":"Guardiães dos Lugares Santos","description":"O profeta Muhammad designou o lugar mais sagrado do Islão, a Kaaba de Meca, como a direcção para onde se deviam orientar as orações canónicas. Como centro da fé, a Kaaba é também o destino da peregrinação que todo o muçulmano tem que fazer pelo menos uma vez na vida. Os sultões tinham a obrigação de garantir que os crentes pudessem cumprir os seus deveres religiosos, um dos quais era a peregrinação. Assim, o prestígio do sultanato dependia, em grande medida, do facto de as rotas serem seguras, algo que os otomanos garantiam sobretudo com pagamentos aos beduínos, cujas terras eram cruzadas pelas caravanas a caminho de Meca. Foram, ainda assim, construídas fortalezas para proteger os lugares de paragem no deserto. No início do século XIX, os avanços tecnológicos permitiram melhorar o transporte até à região com a construção do caminho de ferro do Hedjaz.","quote":"«Os sultões tinham a obrigação de garantir que os crentes pudessem cumprir os seus deveres religiosos, um dos quais era a peregrinação»."},"dfd16be7-b25b-5454-8dba-80cf0cda47b8":{"title":"A gestão da água","description":"Para suportar a aridez, era fundamental conceber métodos de canalização da água das fontes e de recolha da chuva tendo em vista a sua utilização. Isto era especialmente importante nas rotas de peregrinação, ao longo das quais havia *khan*, caravanserai e *wikala*; o governante muçulmano devia garantir o abastecimento de água nestes locais de paragem, assim como a segurança nas viagens aos lugares sagrados.","quote":"«Era fundamental a concepção de métodos de canalização da água das fontes e de recolha da da chuva»."},"dfe11212-0dd1-5b88-8c67-bc7d735d4c2c":{"title":"A decoração geométrica nos recipientes de cerâmica","description":"Uma parte importante da cerâmica islâmica é decorada com motivos geométricos muito simples ou com motivos vegetais tão esquematizados que parecem figuras geométricas. De qualquer modo, os motivos são seleccionados e compostos previamente para serem adequados à forma do recipiente e realçar as suas partes. Por isso, nas formas abertas preferem-se esquemas organizativos radiais e nas formas fechadas, bandas horizontais.","quote":"«Os motivos são seleccionados e compostos previamente para serem adequados à forma do recipiente»."},"e0d404ea-dbc1-591a-86a5-75265066d6f0":{"title":"A água","description":"«… e da água fizémos todos os seres vivos».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMona AL-MUADIN, Damascus \nDina BAKKOUR, Damascus \nSheila CANBY, London \nVerena DAIBER, Damascus \nAbdel-Razzaq MOAZ, Damascus \nEmily SHOVELTON, London \nZena TAKIEDDINE, Damascus \n \nCoordination \nSamer ABDEL-GHAFOUR, Damascus \nZena TAKIEDDINE, Damascus \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"Para os muçulmanos, a água é o segredo da vida e uma benção divina. No Alcorão, Deus diz: «… e da água fizémos todos os seres vivos» (21:30). Segundo a lei islâmica é proibido privar de água os que têm sede, embora a fonte seja privada; e segundo os *hadiths* (ditos do Profeta), os muçulmanos são parceiros na água, no fogo e nos pastos, três fenómenos naturais que são património comum. Todos os seres vivos têm direito à água, mas existem normas de propriedade deste elemento relativas à rega dos campos. Por exemplo, quem escava um poço tem direito a regar em primeiro lugar; a água restante pode ser usada nas terras confinantes. A zona reservada, conhecida como *haram*, costuma abarcar um raio de 40 côvados. A mesma palavra é empregue para designar um lugar sagrado, especialmente as mesquitas. *Harim*, uma variante da palavra anterior que passou para o português como *«harém»*, designa a parte da casa onde é proibido entrar, sobretudo os compartimentos das mulheres. \nAo longo da História, as sociedades muçulmanas preocuparam-se em desenvolver métodos que assegurassem um abastecimento de água regular e suficiente. Como em qualquer outra sociedade, as necessidades eram de ordem diversa: beber, lavar-se, realizar rituais de purificação (*wudu*, *ghusl*), regar as terras e abastecer instalações privadas e públicas como fontes, banhos públicos e jardins. A água é um elemento tão importante na vida dos cidadãos de qualquer estatuto e posição social, que serviu de inspiração a arquitectos, engenheiros e artesãos. \nMuitas culturas e povos, das fronteiras da China, a este, às mesetas dos al-Andalus, a oeste, sucumbiram ao domínio da civilização islâmica. O governante muçulmano de cada território devia garantir um abastecimento de água suficiente para os cidadãos. Foi posto um grande empenho na construção e manutenção de engenhos hidráulicos, muitos dos quais continuaram a ser usados mesmo depois da chegada da tecnologia moderna. \nÀ medida que a população foi crescendo e as cidades se expandiram, a tarefa de manter um abastecimento de água eficaz tornou-se, em muitos casos, complicada, sobretudo nos países islâmicos de clima árido, tanto na bacia do Mediterrâneo como para além dessa área. As dificuldades causadas pelo clima e pelo terreno foram superadas, na época islâmica, através de hábeis sistemas de armazenamento e de transporte da água.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/water/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/22/portal_image/1.jpg","display_order":10}}},"e0fad146-3560-5ca0-86d7-06707053fbef":{"title":"A peregrinação","description":"«A peregrinação, que conduz os crentes aos lugares sagrados e à realização espiritual, é talvez o elemento emocionalmente mais profundo da prática religiosa de judeus, cristãos e muçulmanos».","extra":{"credits":"Curators & authors \nMohammad ABBAS, Cairo \nUlrike AL-KHAMIS, Edinburgh \nElsayed HAMAD, Cairo \nYousef NATSHEH, Jerusalem \nSalah SAYAOUR, Cairo \nTarek TORKY, Cairo \n \nCoordination \nEnaam Selim, Cairo \nMehmet KAHYAOGLU, Brussels \n \nWebdesign \nTENTWELVE, Brussels \n \nPhotographers \nPlease refer to the Database \n \nTranslators and copyeditors \nPlease refer to General Credits","intro_text":"A peregrinação é um elemento fundamental da prática religiosa das três religiões monoteístas: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. \nNo Islão, a peregrinação, ou *al-hajj,* é considerada um dever religioso, quinto e último pilar da fé muçulmana. Os outros pilares são: a profissão de fé (*al-shahada*: «Não há Deus senão Allah e Muhammad é o seu profeta»); as cinco orações ao dia; a esmola, ou *al-zakat;* e o jejum no mês do Ramadão. O Alcorão descreve e dá indicações sobre o *hajj*: «E os homens devem a Allah a peregrinação à Kaaba» (3: 97), e as tradições do Profeta (Sunna) fixaram os pormenores da peregrinação. Assim, todo o muçulmano fisicamente capaz e com os necessários recursos deve realizar o *hajj* pelo menos uma vez na vida. Segundo a crença islâmica, o santuário (*haram,* ou recinto sagrado de Meca) foi originalmente construído por Abraão e pelo seu filho Ismael, ambos venerados antes do Islão, como continuariam a ser após a sua aparição. \nQuando surge a fé islâmica, a peregrinação começa a desenvolver-se com rituais claramente definidos pelo Alcorão e pela Sunna. A peregrinação, com as suas complexas cerimónias, realiza-se nos meses islâmicos de *du l-qaada* e *du l-hijja*. O peregrino começa por alcançar um estado de pureza ao substituir a sua vestimenta quotidiana pelo *ihram,* um traje de duas peças, sem costuras, vestido pelos homens, ricos ou pobres (os das mulheres, ao invés, são cosidos). Durante o *hajj*, o crente deve permanecer puro, tanto física como espiritualmente. Dentro do *haram* de Meca, os peregrinos dão sete voltas (*tawaf*) à Sagrada Kaaba, antes do sayi, ritual que consiste em caminhar entre as colinas de Safa e Marwa, situadas no complexo da mesquita. No nono dia de *du l-hiyya*, os peregrinos reúnem-se no monte Arafat para orar e implorar perdão a Allah. O *hajj* termina com o *Eid al-Adha* (Festa do Sacrifício, a mais importante festividade muçulmana), no décimo dia de *du l-hiyya*. \nO *hajj* é a maior experiência na vida de um muçulmano, e dá aos crentes a oportunidade de obterem perdão pelos seus pecados e de regressarem às suas vidas purificados e renovados.","legacy_exhibition":{"show":"y","exh_link":"https://islamicart.museumwnf.org/exhibitions/ISL/pilgrimage/","new_status":"N","project_id":"ISL","portal_image":"database/exhibitions/29/portal_image/1.jpg","display_order":8}}},"e1608033-ab95-5c07-ac56-54849a33a39b":{"title":"A Terra Santa das três religiões","description":"No século VII, Jerusalém e a Terra Santa estiveram sob a soberania muçulmana. Também para os muçulmanos esses lugares eram sagrados e, nos séculos seguintes, mesmo em épocas de conflito, os fiéis das três religiões faziam a peregrinação aos lugares sagrados da zona, muitos dos quais eram venerados por todos. Sucessivos governantes muçulmanos – os mais célebres de entre eles foram o califa Umar ibn al-Jattab (r. 634-644) e Salah al-Din al-Ayyubi (Saladino, r. 1169-1193) – protegeram os caminhos, foram generosos na manutenção dos lugares sagrados e facilitaram o acesso a todos, muçulmanos e não muçulmanos, um dever sagrado que o próprio Alcorão estipulava, obrigando a respeitar judeus e cristãos como *ahl al-kitab* («povos do Livro»).","quote":"«O Alcorão respeita judeus e cristãos como ahl al-kitab («povos do Livro»)»."},"e2009245-e11e-522b-9c3a-48771cd25259":{"title":"A peregrinação à Terra Santa","description":"A Terra Santa foi um lugar de peregrinação tanto para muçulmanos como para cristãos. Os muçulmanos paravam ali no caminho para Meca na sua mais importante peregrinação (*hajj*); visitavam a Cúpula do Rochedo e a mesquita de al-Aqsa de Jerusalém antes de continuarem em direcção a Meca. Para os peregrinos cristãos, a meta era a própria Terra Santa, e Jerusalém, Belém e Hebron os seus principais destinos.","quote":"«A Terra Santa foi um lugar de peregrinação tanto para muçulmanos como para cristãos»."},"e227dc1b-85f9-5719-a57f-69b159c22d02":{"title":"A vida na corte","description":"Durante os séculos X-XII não havia uma corte central na Síria, mas sim uma multiplicidade de cortes menores que coexistiam graças a complexas alianças políticas. Com frequência, os governantes iniciavam a sua carreira como atabegs designados pelos seljúcidas do Irão (r. 1038-1194), e rapidamente estabeleciam as suas próprias cortes. Construíam os seus palácios dentro de cidadelas para se protegerem da permanente ameaça dos cruzados. O melhor exemplo que chegou até aos nossos dias é o Palácio da Cidadela de Alepo.","quote":"«Uma plêiade de pequenas cortes coexistia graças a complexas alianças políticas»."},"e26df9ee-c3ec-50ad-8f99-5e7f98714dba":{"title":"A capital otomana: Istambul","description":"O sultão Mehmed II, que mereceu o nome de *Fatih* (Conquistador) pela sua vitória em Constantinopla, influiu enormemente no desenvolvimento da cidade. Iniciou a sua reconstrução, aumentou a sua população e estimulou o comércio. O palácio Topkapı, os bazares (*khan)* e os canais iniciados por Mehmed II continuaram a ser construídos sob orientação dos sultões seguintes. Os otomanos levaram ao seu auge «a cidade levantada sobre sete colinas» com complexos arquitectónicos e adornaram as suas ruas com fontes. Ergueram-se muitos edifícios comerciais, civis e militares para responder às necessidades de uma sociedade em crescimento.","quote":"«Os otomanos levaram ao seu auge “a cidade levantada sobre sete colinas” com complexos arquitectónicos e adornaram as suas ruas com fontes»."},"e3075285-c16a-5607-8854-92c2e7fc9d89":{"title":"O Egipto abássida","description":"Em 868, Ahmad ibn Tulun (r. 868-884), um soldado turco de 33 anos do exército abássida de Samarra, no Iraque, foi enviado ao Egipto como vice-governador à frente de um exército de 100.000 homens. O Egipto passava por dificuldades políticas e económicas, causadas por uma situação de mal-estar político e pelas contínuas perdas de recursos, após a morte de Harun al-Rashid, em 809. Ibn Tulun conseguiu pacificar a região, assegurando de novo receitas. Uma vez nomeado governador do Egipto, em 870, começou a acumular lucros, investindo-os em reformas agrícolas e industriais. Renovou o Nilómetro, construiu o bairro de al-Qatay – seguindo o modelo de Samarra – para albergar o exército e o governo, e ergueu uma mesquita com o seu nome no centro da cidade.","quote":"«Ibn Tulun começou a acumular lucros, investindo-os em reformas agrícolas e industriais»."},"e402578d-fdef-5abf-8357-26ca4fc3ddd5":{"title":"A caligrafia monumental","description":"A caligrafia foi aplicada a muitas superfícies: pedra, gesso, madeira e azulejo. Foi muito comum nos trabalhos em pedra realizados na Turquia, na Síria, no Egipto e na Tunísia. Na Grande Mesquita de Kairouan e na Cúpula do Rochedo de Jerusalém conservam-se exemplos excepcionais da caligrafia sobre madeira.","quote":"«A caligrafia foi aplicada a muitas superfícies: pedra, gesso, madeira e azulejo»."},"e50ffc2b-cdda-5f5f-8dc2-131a6e74a0c9":{"title":"A corte","description":"Ao mesmo tempo que a moda no vestir e na decoração dos espaços áulicos mudou sob a influência de mercadores e de artistas orientais, a seda converteu-se no tecido distintivo e preferido da corte, para a qual contribuía com o brilho e a riqueza do colorido. A sua produção foi inicialmente exclusiva do *tiraz* real, e chegou a ter tal qualidade e beleza que pôde competir em condições de igualdade com a seda produzida nas oficinas orientais. Pelo alto apreço que alcançou, foi utilizada com frequência pelos soberanos como oferta diplomática.","quote":"«A seda, tecido real»."},"e5a16576-99a6-59e3-b60e-463525d95dd9":{"title":"Em busca da baraka: a peregrinação a Jerusalém e à Palestina"},"e69dcd7a-5d1d-5edb-ae45-6bb6e2a8c847":{"title":"O sistema mameluco"},"e6ad56f0-f7ef-58c5-8cd7-b611edb41a00":{"title":"A vida na corte","description":"Depois de conquistar Damasco em 1154, Nur al-Din Mahmud ibn Zangi unificou a Síria, e muitas das suas cidades converteram-se em centros políticos, económicos e culturais, cada uma delas com uma florescente vida cortesã. Atabegs e ayyubidas foram dedicados mecenas da arquitectura: restauraram muralhas urbanas e cidadelas, e ordenaram a construção de *madrasas*, *bimaristan*, *hammam*, *suqs* e mesquitas. Os palácios foram decorados com sumptuosas tapeçarias, objectos em vidro e refinados trabalhos em metal.","quote":"«Os palácios foram decorados com sumptuosas tapeçarias, objectos em vidro e refinados trabalhos em metal»."},"e7b309d4-f6ec-5a3c-85a4-64bb13cff1d3":{"title":"As comunidades islamizadas antes e depois da conquista normanda","description":"São raros os testemunhos materiais atribuíveis ao período do domínio islâmico na Sicília, entendendo-se este como a época em que a ilha, na sua totalidade, foi governada pelos emires kalbidas, vassalos dos fatimidas, mais a época da conquista normanda, quando determinadas zonas ficaram, durante algum tempo, em mãos muçulmanas. No campo arquitectónico trata-se, frequentemente, de muros de mesquitas ou fortificações, a maioria das vezes incorporados em estruturas posteriores.","quote":"«São raros os testemunhos materiais do período do domínio islâmico na Sicília. Trata-se, na sua maioria, de restos de muros de mesquitas ou fortificações»."},"e80da55d-a24c-5ad5-8bdc-c203bda24973":{"title":"O *haraam* de Meca e a Kaaba","description":"Por tradição, a Kaaba está coberta com uma *kiswa* escura e laboriosamente decorada. Este costume foi iniciado pelo rei de Himyar, no Sul da Arábia, dois séculos antes da Hégira. As primeiras *kiswa* foram doadas pelo profeta Muhammad e pelos califas; depois, em cada ano era enviada do Egipto uma *kiswa* em fio de ouro, com frases do Alcorão e orações referentes ao *hajj* e à sua importância. Mandava-se também um par de requintadas cortinas para cobrir as portas da Kaaba e um pequeno saco com a chave, fabricada em latão com incrustações de prata e adornada com citações religiosas. A cerimónia de despedida tinha lugar durante uma grande celebração no Cairo. A *kiswa* começava a sua viagem no átrio da cidadela, escoltada por cavaleiros e detentores de altos cargos, entre tambores e trombetas, e rodeada por uma multidão de cidadãos.","quote":"«Por tradição, a Kaaba está coberta com uma kiswa escura e laboriosamente decorada»."},"e89dae11-6238-53a2-838c-8433b2388478":{"title":"A cerâmica mudéjar"},"e8deea6c-fc86-5de4-91d5-28b3549d5260":{"title":"Profissionais, artesãs e artistas","description":"Em todas as épocas encontramos provas da participação das muçulmanas na vida profissional, como Zayn al-Juzan, responsável pelo guarda-roupa do califa fatimida e do pessoal que dele se ocupava, ao todo 30 mulheres. Algumas foram escritoras ou poetisas, médicas, especialistas nas leis religiosas e na jurisprudência, e ensinaram e interpretaram as doutrinas religiosas. Outras foram famosas calígrafas, como Hafsa, esposa do profeta Muhammad e filha do califa Umar ibn al-Jattab. O estilo de Fatima al-Bagdadia, outra calígrafa, alcançou tal excelência que foi comparada com Ibn Hilal, um reputado copista. Alguns dos trabalhos caligráficos da primeira esposa do Profeta, Sayyida al-Jadiya, ainda perduram e testemunham a sua enorme destreza.","quote":"«Algumas mulheres foram escritoras ou poetisas, médicas, especialistas nas leis religiosas e na jurisprudência»."},"ea3faf2c-86c3-553a-b331-7ddd3ee15aec":{"title":"Povoamento e vida doméstica","description":"No Ocidente muçulmano, o povoamento organizou-se em cidades e alcarias rurais. Estes tipos de habitat partilham características especiais que decorrem da sábia adaptação dos materiais e das técnicas de construção a um meio ambiente seco e quente. \nA cidade tinha uma estrutura complexa, composta por: \na) Um núcleo urbano integrado por mesquita maior, alcácer ou residência do governador, *suq* ou mercado, disposto ao longo da rua principal e ramificado pelas ruas adjacentes, banhos públicos, hospedarias e oficinas artesanais. \nb) a zona residencial, dentro da muralha. \nc) os arrabaldes ou bairros extramuros, onde tinham lugar os mercados agrícolas e de gado, assim como algumas actividades artesanais.","quote":"«A cidade muçulmana: um labirinto de ruas»."},"ebe1e957-e9a6-5900-a103-902e5fee4e8f":{"title":"A gestão da água"},"ec1aa1aa-3f58-55b4-93d0-bac5583dd403":{"title":"A defesa","description":"A alcáçova, juntamente com as muralhas, formava parte do sistema defensivo das cidades. Este recinto fortificado, situado no interior da cidade, geralmente na sua parte mais alta, podia acolher e defender tanto a classe dominante, caso a ameaça tivesse origem na própria cidade, como a população urbana, se o perigo viesse de fora. As alcáçovas foram um ponto de apoio do poder central para lutar contra os rebeldes, para preparar as campanhas e para defender as fronteiras.","quote":"«A alcáçova: último reduto urbano»."},"ecc4b251-5132-548b-b9cd-828061e0469f":{"title":"A vida quotidiana no sultanato mameluco","description":"Embora o Islão fosse a religião predominante no Império, houve grandes comunidades cristãs católicas ou ortodoxas – entre as quais se destaca a Igreja Copta do Egipto – e vários grupos judeus que exerceram influência espiritual e cultural. Estas minorias estavam protegidas por disposições do Alcorão e conseguiram coexistir pacificamente com os muçulmanos. Os coptas egípcios deram alguns contributos de grande importância à pujança económica, cultural e artística do período mameluco. A sua sabedoria tradicional ficou patente na arquitectura e nas indústrias têxtil, cerâmica e da madeira.","quote":"«As minorias religiosas estavam protegidas por disposições do Alcorão»."},"ecdac084-8c2d-5ed0-b7b0-f96e5e40a7a1":{"title":"Espaços do poder: as construções palatinas","description":"Na oficina de cunhagem palatina e nas das cidades que tiveram esse privilégio real, cunhou-se a moeda que proporcionava ao soberano o controlo da produção do dinheiro necessário para os pagamentos regulares ao exército e aos funcionários, que garantiam o funcionamento do Estado. \nA moeda era um dos símbolos mais evidentes do poder do soberano, porque a qualidade e a pureza do metal nobre eram indício da força económica e política da autoridade real.","quote":"«A casa da moeda, controlo económico e símbolo do poder»."},"ed29c746-606e-5ae8-95a5-8870ae170839":{"title":"Egito","description":"Quando Mohammad Ali se tornou *Wali* do Egito em 1805, introduziu a base para um novo renascimento egípcio, em cuja modernização se tornou evidente a adoção de caraterísticas ocidentalizadas nas artes plásticas e decorativas, artesanato e arquitetura. Este período de modernização culminou com os filhos de Muhammad Ali, que lhe sucederam, contratando numerosos arquitetos e artesãos europeus para construir e decorar vários palácios no Egito ao estilo europeu. Estes foram encorajados a usar elementos arquitetónicos e decorativos conforme os estilos barroco e rococó então em voga. Isto é evidente no Palácio Abdeen, nos *sabils* de Muhammad 'Ali em Nahaseen e Umm Abbas na Rua Saliba, e em edifícios espalhados por outras cidades egípcias, mas mais percetíveis no Cairo. O Museu de Arte Islâmica no Cairo abriga um grande número de cerâmicas, peças de mármore e manuscritos exibindo claramente elementos decorativos ocidentalizados caracterizados por linhas curvas, folhas de acanto e flores e coroas em alto relevo.","quote":"“Quando Mohammad Ali se tornou *Wali* do Egito em 1805, introduziu a base para um novo renascimento egípcio...”"},"ed71c8d2-a286-5d34-ad28-4352240ff03d":{"title":"Ofícios mudéjares","description":"Os carpinteiros mudéjares abarcaram todo o tipo de trabalhos em madeira, desde os tectos ao mobiliário. Como artífices da carpintaria, legaram-nos uma das criações mais genuínas da arte peninsular: tectos e portas de madeira que, realizadas com madeiras cortadas à esquadria e magnificamente decoradas, tinham a geometria como ponto de partida tanto na parte de construção como na de decoração. A sua mestria evidencia-se na conjunção perfeita da decoração e das estruturas.","quote":"«A sua mestria evidencia-se na conjunção perfeita da decoração e das estruturas»."},"edcbed04-061f-5f7b-b80d-402678ff5d1e":{"title":"A cultura no reino cruzado de Jerusalém","description":"Quando os cruzados tomaram a cidade de Jerusalém e seus arredores, em 1099, criaram o reino de Jerusalém, o terceiro e maior Estado franco do Mediterrâneo ocidental. O seu primeiro rei foi Godofero de Bulhão, que se proclamou «defensor do Sagrado Sepulcro». Os governantes cruzados protegeram os lugares santos, fossem eles islâmicos ou cristãos: fizeram generosas doações à mesquita de al-Aqsa e à Cúpula do Rochedo, assim como aos monumentos cristãos de Jerusalém e de Belém. Conservam-se ainda, deste período, alguns elementos arquitectónicos e objectos.","quote":"«Os governantes cruzados protegeram os lugares santos, fossem eles islâmicos ou cristãos»."},"eddac8a0-9c6b-5866-bceb-4f157fa5a04a":{"title":"Guerra e equitação"},"ee2aaf47-9aaa-5955-b4b2-c1f9cacab9fc":{"title":"Prazeres e celebrações na corte","description":"Na vida da corte fatimida e dos seus vassalos – os ziridas do Norte de África e os kalbidas da Sicília –, apesar do seu carácter devoto, não faltavam os espectáculos de poetas, cantores e bailarinas. No Norte de África, os fatimidas acolheram poetas locais como Ibn Hani e al-Ladi, da Ifriqiya (Tunísia). No Cairo, a corte recebeu poetas vindos de todo o mundo islâmico. Vários califas compuseram poemas que, em certas ocasiões, eram declamados em público. Os espectáculos musicais, que usavam elementos do repertório andaluz, foram herdados da tradição oriental. Os intérpretes eram músicos – homens e mulheres – que tocavam instrumentos como a flauta de junco, o alaúde e o saltério. Os cantores, muitos dos quais tocavam também um instrumento, entoavam poemas de amor e de cavalaria. Não faltavam as harmoniosas representações de bailarinos e bailarinas; a popular «dança do lenço» aparece reflectida em numerosos relevos.","quote":"«Na vida da corte fatimida, apesar do seu carácter devoto, não faltavam espectáculos»."},"ee5d09b5-f282-551a-ad6c-510a7a1d4b9d":{"title":"A arte nos espaços de oração"},"ee7a2a3a-731e-564b-b6f7-1f7eb1934418":{"title":"O Cairo, Damasco e Jerusalém, centros da vida intelectual","description":"Jerusalém é uma cidade santa para o Islão, o Cristianismo e o Judaísmo. A cidade prosperou na época dos mamelucos, que empreenderam grandiosos projectos arquitectónicos e conseguiram fazer dela o principal destino de peregrinos, eruditos religiosos e cientistas. De facto, Jerusalém foi um centro de intercâmbio intelectual, introspecção mística e debate religioso tão popular que chegou a ter mais de cem *madrasas* e centros de estudo – onde trabalhavam alguns dos intelectuais mais reputados da época –, fruto de generosas doações.","quote":"«Os mamelucos conseguiram fazer de Jerusalém o principal destino de peregrinos, eruditos religiosos e cientistas»."},"ef4d7209-5b0a-59f3-aef9-3982ae097af6":{"title":"A arte fora da capital"},"f049cf8d-e79d-5896-ac15-489e32164b03":{"title":"A arte mudéjar popular e religiosa","description":"O mudéjar da cidade de Toledo tem influência do mudéjar castelhano nas suas arcarias cegas em tijolo, assim como influências da arte almóada e do gótico europeu, características que também definem o gótico da Extremadura. As suas especificidades são, entre outras: muros onde a alvenaria alterna com o tijolo, fachadas com frisos, arcos entrecruzados, vãos com arcos de ferradura e alfiz e campanários de tijolo sobre bases de alvenaria, separados do corpo da igreja como se fossem minaretes.","quote":"«O mudéjar toledano: a elegância do gótico em tijolo»."},"f4035718-d69a-5c0e-b8cf-7d6e57c6114f":{"title":"A Sicília islâmica e a cultura figurativa: vestígios e continuidade","description":"Os contributos da cultura artística islâmica reelaborados na época normanda permanecem também na produção do século seguinte (XIII) e encontram a sua expressão numa série de refinados objectos, entre eles as famosas arquetas de marfim com decoração gravada e pintada.","quote":"«Os contributos da cultura artística islâmica permanecem também na produção do século seguinte (XIII)»."},"f70d4425-5bc1-5d34-bbc8-8c1e22ee9757":{"title":"Arte e arquitectura régias","description":"O estabelecimento, no Palácio Real, do *Tiraz* – uma oficina real de objectos e tecidos artísticos preciosos – constituiu um importante veículo de difusão dos repertórios figurativos e das técnicas de trabalho da cultura islâmica.","quote":"«O estabelecimento do Tiraz constituiu um importante veículo de difusão dos repertórios figurativos»."},"f78b948c-3d4a-57bd-8aa5-5da02d955c9a":{"title":"As artes decorativas","description":"O trabalho em madeira do período fatimida caracteriza-se pela sua complexa técnica de alto-relevo e pelo vigor dos motivos, frequentemente figurativos, executados em diferentes madeiras, locais e importadas. Ocasionalmente, os painéis acabados eram pintados, envernizados e tratados para melhor resistirem ao fogo. Por vezes, as portas de madeira eram cobertas com lâminas de cobre decoradas. Também se trabalhavam o marfim e outros tipos de osso, usavando-os como incrustações em diversos objectos. \nA prosperidade material do período fatimida também se reflectiu na cunhagem de moedas: dinares de ouro, dirhams de prata e felces de cobre fatimidas circularam abundantemente. O valor exacto destas moedas era medido com pesos de vidro gravados com o valor correspondente e com o nome do governante.","quote":"«A prosperidade material do período fatimida também se reflectiu na cunhagem de moedas»."},"f79e2e2d-2bd9-536c-96fc-75712b9b3f2b":{"title":"A defesa","description":"A defesa do território fazia-se através dos castelos e *ribats*, recintos fortificados que tinham uma torre no seu interior. Situavam-se em lugares estratégicos que permitiam dominar visualmente as suas imediações. Serviram tanto para aquartelar tropas que asseguravam a vigilância e a protecção das fronteiras, caminhos, vales e portos marítimos ou de montanha, como para acolher a população em caso de perigo.","quote":"«Os castelos: a defesa do território»."},"f8ba8b16-3482-51fa-a0f4-ba6003540b9d":{"title":"Espaços do poder: as construções palatinas","description":"Depois de se tornar independente do califado do Oriente, a concentração do poder político e religioso nos novos soberanos estimulou o desejo de emular os seus homólogos orientais com a construção de luxuosos conjuntos palatinos. Quase todos os soberanos fizeram uso desta atribuição exclusiva e construíram espaços para sede do poder, para si mesmos ou para os seus governadores. \nHabitualmente, os conjuntos palatinos localizavam-se fora das cidades, ao jeito de magníficas «cidades palatinas» amuralhadas, ou na própria cidade, na sua parte mais alta, embora dela separados por uma muralha. Estas «alcáçovas palatinas» serviram para dominar a população urbana e para defender os órgãos vitais do poder.","quote":"«O conjunto palatino, um recinto amuralhado»."},"f9582527-5e66-53ac-b264-520c2d4cf28b":{"title":"A cerâmica abássida"},"fa309a83-49c5-5883-9ee9-a69be57780e6":{"title":"Coexistência das três culturas","description":"A expansão do Islão no Mediterrâneo ocidental não implicou a formação de uma sociedade uniforme em termos religiosos nem a expulsão dos habitantes desse território, os quais puderam manter as suas crenças – cristãs ou judaicas – a troco de um imposto. \nA actividade económica, especialmente a comercial, e os intercâmbios culturais favoreceram a aproximação entre diferentes pessoas e comunidades. \nAssim, nas cidades e povos do Ocidente muçulmano coexistiram populações das três religiões do Livro, num processo de mútuo enriquecimento material e intelectual.","quote":"«As três religiões»"},"fad5c96e-5e8e-5b67-81cc-5c34e034bb09":{"title":"Profissionais, artesãs e artistas","description":"Em domínios mais práticos, as mulheres muçulmanas dedicaram-se a várias actividades artesanais. Uma actividade importante foi a produção de cerâmica para uso doméstico e quotidiano. Na base de um prato de cerâmica mameluca de Fustat (Egipto) pode ler-se «amal Jadiya » («feito por Jadiya»). A tecelagem era outra actividade tradicionalmente feminina, cujo conhecimento se transmitiu de mães para filhas durante gerações. Finalmente, os bordados foram outra das principais ocupações na vida das muçulmanas. As mulheres da família passavam muitas horas embelezando tecidos para uso doméstico e, fundamentalmente, para serem vendidos.","quote":"«As muçulmanas dedicaram-se a vários trabalhos de artesanato, como a olaria e a tecelagem»."},"faf029c1-2130-55ac-8ebd-77f3acfeea29":{"title":"Rotas de peregrinação e lugares santos do caminho","description":"Nos finais do período ayyubida (século XIII), os peregrinos do Egipto e do Norte de África começaram a utilizar as rotas terrestres. Diz-se que a sultana Shayar al-Durr, viúva do último governador ayyubida do Egipto, decidiu em 1247 que viajaria por terra para cumprir o seu dever religioso. É, por isso, considerada a pioneira da rota terrestre do *hajj*. A partir do período do sultão mameluco al-Zahir Baybars, que enviou uma caravana de peregrinos patrocinada pelo Estado com uma *kiswa* (cobertura) e uma chave para a Kaaba, esta rota tornou-se oficial. A caravana saía do Suez e prosseguia até Aqaba, onde se juntava às caravanas que chegavam do Bilad al-Sham (Levante).","quote":"«Nos finais do período ayyubida, os peregrinos do Egipto e do Norte de África começaram a utilizar as rotas terrestres»."},"fb7529af-c345-5f7f-84b9-097ce4ffba20":{"title":"A decoração geométrica nos têxteis"},"fc555000-73aa-597e-83a9-aecade079247":{"title":"A defesa","description":"As fortificações do Ocidente muçulmano tiveram dois objectivos: defender as fronteiras e consolidar o governo do território conquistado, continuamente ameaçado por lutas internas. No início, as construções defensivas foram esporádicas e destinavam-se a submeter as populações irrequietas. Posteriormente, foi-se desenvolvendo um sistema defensivo complexo que se generalizou em todo o Ocidente durante o domínio almóada e, mais tarde, se adaptou às estratégias de ataque com catapultas, aríetes e torres de assalto.","quote":"«O desenvolvimento de um sistema defensivo»."},"fc6af4b9-28ef-546f-9551-69c5530a82db":{"title":"Prazeres e celebrações na corte","description":"O xadrez foi um jogo muito comum, embora al-Hakim bi Amrillah (r. 996-1021) o tenha proibido em 1012. A astronomia e a astrologia também eram passatempos populares; traçavam-se cartas astrológicas e alguns califas, como al-Muizz e al-Hakim, tinham sido iniciados nessas matérias. \nA corte, para além dos passatempos privados, organizava também festas religiosas e civis excepcionalmente pródigas. As procissões eram celebrações muito sofisticadas que serviam para demonstrar o poderio fatimida e para divulgar a teologia ismaelita. Os funcionários, os generais do exército e os elementos dos corpos judicial e religioso eram obsequiados anualmente com banquetes e cerimónias de entrega de oferendas, que eram profusamente anunciadas.","quote":"«A corte, para além dos passatempos privados, organizava também festas religiosas e civis excepcionalmente pródigas»."},"fc7c939a-850e-5462-8ba3-c2aa03ed101f":{"title":"A mesquita, espaço de oração"},"fde9c1e2-a19a-570e-98f7-a4cd5e14c12e":{"title":"Cerimónias e passatempos cortesãos","description":"As fontes literárias indicam que houve dois tipos de audiências: a pública (*majlis al-amm)* e a privada (*jas)*, esta última restringida aos ajudantes e aos conselheiros mais próximos. Durante a audiência, o califa ou o seu representante sentavam-se num trono elevado (*sarir*), ao passo que os assistentes se colocavam, também sentados, seguindo uma ordem de acordo com o seu estatuto. Alguns edifícios, como Qusayr Amra (Jordânia), Khirbat al-Mafjar (próximo de Jericó, na Palestina) e Qasr al-Hayr al-Garbi (Síria), contavam com grandes séries iconográficas que mostravam músicos, bailarinas e carregadoras de presentes, passatempos que se converteram em parte integrante da vida na corte omeia.","quote":"«Durante a audiência, o califa ou o seu representante sentavam-se num trono elevado»."},"feb15667-99f8-5b55-8c0b-bcda36247b11":{"title":"A vida religiosa","description":"Ao mesmo tempo que se verificou a revitalização das instituições islâmicas, as igrejas e os mosteiros cristãos também conheceram um período de renascimento. Foram encomendadas séries de pinturas murais, o que não se via na Síria desde os frescos do período omeia. Deir Mar Yakub (mosteiro de S. Jacob) e Deir Mar Musa al-Habashi (mosteiro de São Moisés o Etíope) perduram como excelentes exemplos da arte cristã medieval e da vida monástica síria.","quote":"«As igrejas e os mosteiros cristãos conheceram um período de renascimento»."}}
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