product-runner 0.5.0

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  1. package/README.md +165 -0
  2. package/common/agents/README.md +68 -0
  3. package/common/agents/agente-conceituacao.md +141 -0
  4. package/common/agents/agente-documentacao-funcional.md +107 -0
  5. package/common/agents/agente-gerador-spec.md +106 -0
  6. package/common/agents/agente-kickoff.md +121 -0
  7. package/common/agents/agente-prod-runner.md +107 -0
  8. package/common/agents/agente-review-code.md +97 -0
  9. package/common/agents/agente-review-llm.md +94 -0
  10. package/common/agents/agente-review-product.md +98 -0
  11. package/common/agents/agente-user-review.md +99 -0
  12. package/common/agents/protocolo-de-gates.md +51 -0
  13. package/common/claude-md.template.md +210 -0
  14. package/common/design-principles.md +229 -0
  15. package/common/lessons-learned.md +440 -0
  16. package/common/pipeline.md +143 -0
  17. package/common/spec-guide.md +327 -0
  18. package/common/specs/_open-issues.md +46 -0
  19. package/common/specs/_overview.md +75 -0
  20. package/dist/cli.js +187 -0
  21. package/dist/migrations.js +147 -0
  22. package/dist/scaffold.js +276 -0
  23. package/dist/update.js +400 -0
  24. package/migrations/0.3.0.md +54 -0
  25. package/migrations/0.4.0.md +76 -0
  26. package/migrations/0.5.0.md +55 -0
  27. package/migrations/README.md +68 -0
  28. package/package.json +41 -0
  29. package/profile-cli/README.md +54 -0
  30. package/profile-cli/claude-md.extension.md +102 -0
  31. package/profile-cli/code-patterns.md +363 -0
  32. package/profile-ssr/DESIGN-SYSTEM.md +795 -0
  33. package/profile-ssr/README.md +51 -0
  34. package/profile-ssr/api-patterns.md +70 -0
  35. package/profile-ssr/claude-md.extension.md +113 -0
  36. package/profile-ssr/code-patterns.md +175 -0
  37. package/profile-ssr/ui-patterns.md +97 -0
package/README.md ADDED
@@ -0,0 +1,165 @@
1
+ # Templates — projetos TypeScript com AI-assisted development
2
+
3
+ Templates vivos pra começar projetos novos. **Versionados em git;
4
+ evoluem conforme aprendizados de projetos reais.**
5
+
6
+ ## Estrutura
7
+
8
+ ```
9
+ templates/
10
+ ├── common/ ← universal (qualquer projeto Node/TS)
11
+ │ ├── pipeline.md ← a espinha: discovery → spec → implementação
12
+ │ ├── design-principles.md
13
+ │ ├── spec-guide.md
14
+ │ ├── claude-md.template.md
15
+ │ ├── lessons-learned.md
16
+ │ ├── specs/ ← seeds preenchidos no projeto (_overview, _open-issues)
17
+ │ │ └── …
18
+ │ └── agents/ ← diretivas do pipeline (prod-runner, kickoff, conceituação,
19
+ │ └── … doc-funcional, gerador-spec, protocolo-de-gates)
20
+ ├── profile-cli/ ← extensões pra CLI / script Node
21
+ │ ├── README.md
22
+ │ ├── code-patterns.md
23
+ │ └── claude-md.extension.md
24
+ └── profile-ssr/ ← extensões pra web SSR (Next.js etc.)
25
+ ├── README.md
26
+ ├── code-patterns.md
27
+ ├── api-patterns.md
28
+ ├── ui-patterns.md
29
+ └── claude-md.extension.md
30
+ ```
31
+
32
+ ### Estrutura depois de aplicado num projeto
33
+
34
+ A árvore acima é a **do template** (este repo). Quando você roda o scaffold
35
+ num projeto, o CLI copia `common/` + `profile-{cli|ssr}/` pra `docs/` (sem os
36
+ fragmentos de CLAUDE.md), manda os seeds de `common/specs/` pra `specs/` na
37
+ raiz, gera o `CLAUDE.md` raiz (merge template + extensão do perfil) e escreve
38
+ o manifesto. O resultado, **perfil `ssr`**:
39
+
40
+ ```
41
+ meu-projeto/
42
+ ├── CLAUDE.md ← merge template + extensão do perfil
43
+ ├── docs/
44
+ │ ├── .product-runner.json ← manifesto (marca o projeto como "gerido")
45
+ │ ├── pipeline.md
46
+ │ ├── design-principles.md
47
+ │ ├── spec-guide.md
48
+ │ ├── lessons-learned.md
49
+ │ ├── README.md ← do perfil
50
+ │ ├── code-patterns.md
51
+ │ ├── api-patterns.md ← só ssr
52
+ │ ├── ui-patterns.md ← só ssr
53
+ │ ├── DESIGN-SYSTEM.md ← só ssr
54
+ │ └── agents/
55
+ │ ├── README.md
56
+ │ ├── agente-prod-runner.md ← porta de entrada (roteia kickoff/manutenção/adoção)
57
+ │ ├── agente-kickoff.md
58
+ │ ├── agente-conceituacao.md
59
+ │ ├── agente-documentacao-funcional.md
60
+ │ ├── agente-gerador-spec.md
61
+ │ ├── agente-review-code.md
62
+ │ ├── agente-review-llm.md
63
+ │ ├── agente-review-product.md
64
+ │ ├── agente-user-review.md
65
+ │ └── protocolo-de-gates.md
66
+ └── specs/
67
+ ├── _overview.md ← visão geral (você preenche)
68
+ └── _open-issues.md ← issues abertas (você preenche)
69
+ ```
70
+
71
+ > `docs/.prod-runner-update/` aparece só **durante** um `update` (handoffs efêmeros) —
72
+ > mande pro `.gitignore`.
73
+
74
+ O **perfil `cli`** é igual, mas sem `api-patterns.md`, `ui-patterns.md` e
75
+ `DESIGN-SYSTEM.md` (que são exclusivos do `ssr`).
76
+
77
+ ## Como usar pra começar projeto novo
78
+
79
+ ### Fluxo guiado por LLM (`init`) — mais simples
80
+
81
+ ```bash
82
+ # No diretório do projeto:
83
+ npx product-runner init
84
+ ```
85
+
86
+ Isso coloca um `START-HERE.md` na raiz. Aí é só abrir sua LLM (Claude
87
+ Code/Cowork) no diretório e pedir: **"leia `START-HERE.md` e siga as
88
+ instruções"** — ela escolhe o perfil, roda o scaffold e te guia a partir
89
+ dali.
90
+
91
+ ### Via CLI direto (`npx`)
92
+
93
+ ```bash
94
+ # 1. Cria o repo
95
+ mkdir meu-projeto && cd meu-projeto
96
+
97
+ # 2. Roda o scaffolder (não-interativo, pensado pra rodar por LLM ou humano)
98
+ npx product-runner --name meu-projeto --profile ssr --port 3000 --dir .
99
+ # --profile cli | ssr perfil de templates
100
+ # --port <n> porta default (substitui {PORT})
101
+ # --dir <path> diretório alvo (default: atual)
102
+ # --force sobrescreve docs/ e CLAUDE.md existentes
103
+ # --help ajuda completa
104
+
105
+ # 3. git init + primeira spec setup/00
106
+ ```
107
+
108
+ O CLI:
109
+ - copia `common/` + `profile-{cli|ssr}/` pra `docs/` (sem os fragmentos de CLAUDE.md);
110
+ - gera o `CLAUDE.md` raiz mesclando `claude-md.template.md` + `claude-md.extension.md`;
111
+ - substitui `{PROJECT_NAME}` e `{PORT}`. Os demais placeholders `{...}` ficam
112
+ pra você (ou o LLM) preencher na revisão.
113
+
114
+ ### Manual (sem npm)
115
+
116
+ ```bash
117
+ cp -r common/* docs/
118
+ cp -r profile-ssr/* docs/ # ou profile-cli/
119
+ # mescla os dois claude-md num único CLAUDE.md raiz e adapta os {...}
120
+ ```
121
+
122
+ Método completo (discovery → conceituação → doc-funcional → geração de
123
+ spec → implementação) em [pipeline](common/pipeline.md); formato e critérios da spec em
124
+ [spec-guide](common/spec-guide.md). `cp -r common/*` já traz `pipeline.md`, `agents/` e o
125
+ `_overview.template.md`.
126
+
127
+ ## Como evolui
128
+
129
+ **Vivo, versionado em git.** Quando aprender algo novo em projeto real:
130
+
131
+ 1. Atualiza o template aqui.
132
+ 2. Commit explicando o aprendizado.
133
+ 3. Eventualmente propaga pro projeto que motivou o aprendizado.
134
+
135
+ Snapshots de **projetos** em momentos específicos ficam em
136
+ `../life-manager/files-organizer/retrospectiva/snapshots/` — servem
137
+ como histórico imutável de "como o projeto X estava em data Y".
138
+
139
+ ## Origem do conteúdo atual
140
+
141
+ | Pasta | Origem |
142
+ |---|---|
143
+ | `common/` | Merge: DocManager (`retro-20260419`) + tradeBot (`tradebot-202605`) — pega o estado da arte de cada um |
144
+ | `common/agents/` + `common/pipeline.md` | **trade-bot-painel** (2026-06) — pipeline de agentes validado no Incremento 1; `_overview.template.md` recuperado do `retro-20260419` |
145
+ | `profile-cli/` | Snapshot tradeBot 2026-05-01 (final do ciclo de refactor estrutural) |
146
+ | `profile-ssr/` | DocManager (`retro-20260419`) + atualizações importadas do tradeBot (princípios LLM-first, M1/M2/M3, etc.) |
147
+
148
+ ## Quando NÃO usar este template
149
+
150
+ - Projeto experimental de 1 dia que não vai evoluir.
151
+ - Projeto onde a stack diverge muito (ex: Rust, Python — princípios
152
+ podem inspirar mas estrutura concreta não cabe).
153
+ - Refactor de projeto existente que já tem outro padrão consolidado
154
+ (esse é caso de adaptar incrementalmente, não copiar template).
155
+
156
+ ## Anti-pattern: editar templates em sessão de projeto
157
+
158
+ Templates devem ser editados **em sessão dedicada** (Cowork apontando
159
+ pra este repositório de templates), não enquanto você está implementando
160
+ spec de outro projeto. Senão acumula churn entre o template e o
161
+ projeto real, e fica difícil saber qual é fonte da verdade.
162
+
163
+ Exceção: anotação rápida de aprendizado em [lessons-learned](common/lessons-learned.md) ou
164
+ em [_candidates-for-extraction](_candidates-for-extraction.md) — pode ser feita inline no
165
+ projeto, mas a refatoração do template formal vem em sessão própria.
@@ -0,0 +1,68 @@
1
+ # Agentes do pipeline
2
+
3
+ Diretivas reutilizáveis dos agentes que levam uma ideia até specs
4
+ implementáveis. Cada arquivo é o prompt/diretriz de um **estágio** do
5
+ pipeline. Visão geral e costura com o resto do método em [pipeline](../pipeline.md).
6
+
7
+ | Arquivo | Estágio | Entrega |
8
+ |---|---|---|
9
+ | [agente-prod-runner](./agente-prod-runner.md) | (entrada / ciclo de vida) | Porta única (`leia agente-prod-runner.md e siga`): diagnostica o estado do projeto e roteia (kickoff / conceituação / adoção legada / manutenção); cuida de scaffold, manifesto, `update`, migrations e verificação de versão |
10
+ | [agente-kickoff](./agente-kickoff.md) | Discovery (Estágio 0) | Briefing (ex.: `Kickoff.md`) — problema, build-vs-buy, arquitetura/stack, perfil, esboço de modelo de dados; entrega à conceituação |
11
+ | [agente-conceituacao](./agente-conceituacao.md) | Conceituação (Estágio 1) | `reqs/ldoc.md` + `reqs/hdoc.md` — dor→conceito, casos de uso, roadmap de incrementos, DER amplo, Incremento 1 detalhado |
12
+ | [agente-documentacao-funcional](./agente-documentacao-funcional.md) | Documentação funcional | `funcional/como-funciona.ldoc.md` + `.hdoc.md` — como a app funciona e como usar |
13
+ | [agente-gerador-spec](./agente-gerador-spec.md) | Geração de spec | `specs/{domínio}/NN.md` no template do [spec-guide](../spec-guide.md) |
14
+ | [agente-review-code](./agente-review-code.md) | Review.Code (Estágio 5) | Veredito técnico: cada critério × código real (grep/teste/diff), achados classificados |
15
+ | [agente-user-review](./agente-user-review.md) | User Review (Estágio 5) | Roteiro de teste de usabilidade + tratamento do feedback (corte binário) |
16
+ | [agente-review-product](./agente-review-product.md) | Review.Product (Estágio 5) | Feedback classificado por causa-raiz e roteado ao destino + fila de produto |
17
+ | [agente-review-llm](./agente-review-llm.md) | Review.LLM (Estágio 5, meta) | Correção do **próprio pipeline** a partir de falha já diagnosticada |
18
+ | [protocolo-de-gates](./protocolo-de-gates.md) | (transversal) | Regras de gate e calibragem por stakes, comuns a todos os agentes |
19
+
20
+ ## Como se conectam
21
+
22
+ ```
23
+ discovery → conceituação → doc funcional → gerador de spec → Claude Code → review
24
+ (briefing) (ldoc/hdoc) (como-funciona) (specs/) (implementa) │
25
+ └────────── protocolo-de-gates governa os gates ────────────┘
26
+
27
+ review (Estágio 5): Review.Code → User Review → Review.Product → Review.LLM
28
+ (veredito) (uso humano) (roteia) (corrige pipeline)
29
+ └─ Impeditivo escala: User Review → Review.Product → Conceituação
30
+ ```
31
+
32
+ - O `agente-prod-runner` é a **porta de entrada** (não é um estágio): o humano sempre
33
+ abre por ele (`leia agente-prod-runner.md e siga`), e ele diagnostica o projeto e
34
+ despacha pro galho certo — inclusive a **adoção de projeto legado** (docs sem
35
+ manifesto → `update` que traz pra gestão). Também é o dono da verificação
36
+ periódica de atualização. No `init` ele vem na raiz junto do `kickoff`; depois
37
+ do scaffold vive aqui em `docs/agents/`.
38
+
39
+ - O `kickoff` é o **Estágio 0**: faz o discovery (problema, arquitetura,
40
+ esboço de dados) e **entrega o briefing** à conceituação. Como o discovery
41
+ acontece antes de o projeto existir, a porta de entrada humana é a skill
42
+ `project-kickoff` (quando instalada) ou `npx product-runner init`;
43
+ este agente é a **diretriz versionada** desse estágio, copiada para
44
+ `docs/agents/` no scaffold.
45
+
46
+ - **LDoc** (`.md`, para LLM ler) é a **fonte da verdade** de cada estágio;
47
+ o **HDoc** é sempre **derivado** do LDoc, nunca editado à mão. Não são
48
+ templates de arquivo aqui — nascem da execução dos agentes no projeto.
49
+ - O `gerador-spec` **consome** o [spec-guide](../spec-guide.md) (template, critérios meta
50
+ M1-M4, granularidade) — não duplica essas regras.
51
+ - Os **fluxos de review** (Estágio 5) rodam **por incremento entregue**, depois
52
+ da implementação: **Review.Code** (técnico, cruza critério × código) →
53
+ **User Review** (usabilidade, julgamento humano) → **Review.Product**
54
+ (roteia o feedback por causa-raiz) → **Review.LLM** (corrige o próprio
55
+ pipeline). Um **Impeditivo** achado no Review.Code bloqueia e escala pra
56
+ concepção. Eles agem **depois do código** (por isso vêm após o diagrama de
57
+ "como uma ideia vira spec") — detalhe e rastro de cada um em
58
+ [pipeline](../pipeline.md) §5 e "Em que estágio estou?".
59
+ - O `protocolo-de-gates` é a **fonte canônica** de gate/stakes; os
60
+ critérios meta M1-M3 do [spec-guide](../spec-guide.md) são a aplicação dele à etapa de
61
+ spec (checklist binário vence atenção textual).
62
+
63
+ ## Origem
64
+
65
+ Extraído do projeto **trade-bot-painel** (2026-06), onde o pipeline
66
+ rodou de ponta a ponta no Incremento 1 (conceituação → funcional →
67
+ 3 specs verticais em `monitor/`). Primeira validação real; tratar como
68
+ método vivo até acumular mais runs.
@@ -0,0 +1,141 @@
1
+ # Agente de Conceituação Inicial
2
+
3
+ > Diretivas para o agente responsável pelo **Estágio 1 do pipeline**: transformar uma dor/ideia humana em uma proposta inicial conceituada, com o primeiro incremento de produto detalhado, deixando um **LDoc** (fonte da verdade) e um **HDoc** (derivado) para alimentar os estágios seguintes do pipeline.
4
+
5
+ **Terminologia (fixa em todo o documento):**
6
+
7
+ - **Estágio do pipeline** — uma posição no pipeline maior; este documento define o **Estágio 1** (conceituação). Sinônimo aceito: nenhum — use sempre "estágio" para o nível do pipeline. Não use "etapa" para este conceito.
8
+ - **Incremento N do produto** — cada fatia entregável do roadmap do produto. O **Incremento 1** é o primeiro a ser detalhado em alta resolução; os incrementos futuros ficam em baixa resolução no roadmap. Um incremento cobre um ou mais casos de uso, declarados no roadmap.
9
+
10
+ Quando o documento disser "estágio", refere-se ao nível do _pipeline_. Quando disser "incremento", refere-se ao roadmap _do produto_.
11
+
12
+ ---
13
+
14
+ ## Papel
15
+
16
+ Você conduz um **diálogo humano↔LLM** que parte de uma dor, necessidade e ideia mal formuladas e chega a uma proposta de produto conceituada. Você não é redator nem executor: é um **facilitador investigativo** que extrai do humano os _porquês_, os _comos_ e os _o-quê_ de cada conceito, e só então materializa artefatos.
17
+
18
+ O trabalho tem dois modos. Na **primeira passada** (concepção de um produto novo), são **três fases** — Fase 1 (conceituação macro), uma **Ponte** (DER amplo) e Fase 2 (detalhamento) e Fase 3 (documentação) — distribuídas em **quatro gates humanos** (1, 1.5, 2, 3). Você nunca avança sem o OK do gate corrente. Em **incrementos seguintes**, cada um é uma **nova execução** deste estágio em modo **re-entry** (ver seção própria), que pula a Fase 1 e evita refazer o macro do zero.
19
+
20
+ ---
21
+
22
+ ## Princípios inegociáveis
23
+
24
+ 0. **Stakes calibram tudo (princípio que governa os demais — canônico em `protocolo-de-gates.md`).** Antes de cada decisão, pese: errar aqui é **caro/irreversível** ou **barato/reversível**? Isso calibra três coisas ao mesmo tempo — quão fundo você investiga, quão rígido é o gate, e quanto OK explícito você exige.
25
+ - **Caro/irreversível** (a dor de raiz, a fonte de verdade do estado, cardinalidade e entidades do DER, qualquer coisa que incrementos futuros vão consumir): investigue a fundo, exija OK explícito e específico, bloqueie se a confirmação for vaga.
26
+ - **Barato/reversível** (formato de saída, organização de doc, recorte que dá pra ajustar depois, deferimentos): **assuma o default, declare a suposição e siga** — não gaste um turno de gate em cada um. Se o humano disser "decide você", decida.
27
+ - O objetivo é **orçamento de esforço humano**: investigação é boa até o ponto em que exaure o humano sem reduzir risco. Profundidade sem calibragem é falha, não virtude.
28
+ 1. **Disciplina de fase.** Nunca produza artefato de uma fase posterior durante uma fase anterior. Na **Fase 1** você não desenha DER nem sequência, por mais que o humano comece a falar de dados — anote e retome no momento certo. O **DER amplo** pertence à **Ponte**, que só começa _depois_ do Gate 1; não é exceção a este princípio, é uma sub-fase posterior à Fase 1.
29
+ 2. **Diálogo antes de artefato — calibrado por stakes (Princípio 0).** Em pontos de alto risco, os artefatos _emergem_ da conversa: investigue, não despeje. Em pontos de baixo risco, faça o inverso — **proponha um rascunho e deixe o humano corrigir**, em vez de extrair tudo por perguntas. Nunca preencha uma lacuna de alto risco com suposição silenciosa; mas uma suposição de baixo risco, declarada e aberta a correção, é preferível a mais um turno de pergunta.
30
+ 3. **Uma coisa por vez — sem virar interrogatório.** Conduza em passos curtos e focados, um ponto por vez. Mas agrupe decisões de baixo risco num único turno em vez de gastar um turno em cada; o limite é não exaurir o humano (Princípio 0).
31
+ 4. **Assimetria de resolução.** A lista de incrementos do produto fica em **baixa resolução** — nome + valor agregado, nada mais para os incrementos futuros. Apenas o **Incremento 1 do produto** recebe detalhamento de alta resolução (DER refinado, sequência, exemplo). Resista ao impulso de detalhar incrementos futuros; isso é desperdício e cria compromisso prematuro. _(Abrangência rasa no DER amplo não viola este princípio — ver Ponte; o que viola é refinamento/detalhe de incrementos futuros.)_
32
+ 5. **LDoc é a fonte da verdade.** Todo conteúdo consolidado mora no `.md` (LDoc), feito para LLM ler. O **HDoc é sempre gerado a partir do LDoc** — nunca o inverso, nunca editado à mão como fonte paralela. Se o humano pedir mudança no HDoc, a mudança entra no LDoc e o HDoc é regenerado.
33
+ 6. **Pare nos gates — siga o `protocolo-de-gates.md`.** Ao chegar num gate, apresente os artefatos, peça OK ou feedback e **pare**. Aplique o procedimento do protocolo: baixo risco → declare a interpretação e siga; **alto risco → emita a lista numerada de itens a confirmar e NÃO feche o gate com "ok" genérico** (re-apresente os itens e peça confirmação por item — você não tem discrição para aceitar genérico aqui). Valores verificáveis (contas, critérios de aceite, números) são alto risco automático: conduza a confirmação dos **números**, não só do visual. Silêncio nunca é aprovação.
34
+
35
+ ---
36
+
37
+ ## Fase 1 — Conceituação macro
38
+
39
+ **Objetivo:** entender e formular a proposta inicial em alto nível.
40
+
41
+ **Conduta — modo misto por stakes (Princípio 0):**
42
+
43
+ - **Investigue a fundo** o que é caro errar: a **dor de raiz** (não o sintoma nem a solução imaginada) e as **decisões estruturais de fonte de verdade** (de onde vem o estado, o que o sistema realmente expõe). Aqui, pergunta antes de assumir.
44
+ - **Rascunhe e deixe corrigir** o que é barato errar: a lista de casos de uso e a **primeira versão do roadmap** de incrementos. Não extraia esses por interrogatório — proponha um rascunho a partir do que já foi dito e peça correção. É tentativo e barato de ajustar.
45
+ - Diálogo exploratório busca, para os conceitos de alto risco: _por que existe_ (a dor que justifica), _como se relaciona_, _o que é_.
46
+ - Os três artefatos a apresentar no Gate 1:
47
+ - **(a) Diagrama de conceitos** — os conceitos envolvidos e como se relacionam. É um mapa conceitual (significado e relações), **não** um modelo de dados. Formato: Mermaid.
48
+ - **(b) Lista inicial de casos de uso** — o que o produto permite fazer.
49
+ - **(c) Lista tentativa de incrementos, com o valor agregado em cada um** — a sequência de incrementos do produto. Baixa resolução: nome + valor. Incrementos futuros ficam sem detalhe. **Cada incremento declara, no roadmap, qual subconjunto da lista de casos de uso (item b) ele cobre** — pode ser um ou vários. Esse mapeamento incremento → casos de uso é parte do artefato e entra no OK do Gate 1.
50
+
51
+ **Gate 1:** apresente os três artefatos juntos. Colete OK humano para os três. Só após o OK, escreva/inicialize o **LDoc** com o consolidado.
52
+
53
+ ### Ponte — DER amplo (pós-Gate 1, pré-drilldown)
54
+
55
+ Sub-fase que começa **depois do Gate 1** (Fase 1 já fechada) e antes de detalhar qualquer incremento. Construa um **DER amplo**: cobre o domínio de forma abrangente, porém **rasa** — entidades e relações principais, sem refinamento nem detalhe de atributos. Serve para alinhar o modelo de dados global e ancorar o detalhamento que vem a seguir.
56
+
57
+ > **Exemplo real de dado (opcional, oportunista).** Se o sistema já produz dados (arquivos de estado, respostas de API, dumps), **peça ao humano um exemplo real** para ancorar a forma das entidades nos nomes/estruturas que o sistema de fato usa. Isso evita modelar campos que não existem ou perder campos que existem. **Nunca bloqueante:** se o humano não tiver exemplo à mão, siga com a modelagem a partir do que ele descreve — o confronto com o real pode acontecer depois (no gerador de spec ou no review).
58
+
59
+ O DER amplo é **distinto do diagrama de conceitos**: o diagrama de conceitos é semântico (o que são as coisas e como se relacionam em significado); o DER amplo é estrutural (quais entidades de dados existem e como se relacionam). O DER amplo é a ponte do conceitual para o estrutural.
60
+
61
+ **Gate 1.5:** apresente o DER amplo, colete OK. Após o OK, **grave o DER amplo no LDoc** (igual aos demais artefatos consolidados — Princípio 5). Só então inicie o drilldown do incremento.
62
+
63
+ ---
64
+
65
+ ## Fase 2 — Detalhamento do Incremento 1 (do produto)
66
+
67
+ > Só inicia após o **Gate 1.5** (DER amplo aprovado e gravado). Foco exclusivo no **primeiro incremento** do roadmap.
68
+
69
+ **Conduta:** o Incremento 1 cobre o(s) caso(s) de uso declarado(s) para ele no roadmap (Gate 1) — um ou vários. Produza os artefatos abaixo, cada um investigado em diálogo, apresentado e **com OK próprio** (obrigatório, não opcional):
70
+
71
+ - **(a) Estrutura de dados do incremento.** **Derive do DER amplo** (aprovado no Gate 1.5) a estrutura de dados **delimitada ao contexto dos fluxos deste incremento**: refine, detalhe atributos e recorte só o que o incremento toca. Não é um DER novo do zero — é o DER amplo formatado e aprofundado para o escopo do incremento. Uma estrutura para o incremento inteiro, ainda que ele cubra vários casos de uso. **Formato: Mermaid `classDiagram`** (composição/views, com anotação do que é lido vs. derivado) — não use ASCII nem outro formato.
72
+ - _Reconciliação (com gate):_ se o detalhamento revelar que o DER amplo está incompleto ou errado, **proponha a atualização do DER amplo e colete OK humano antes de gravá-la** (o DER amplo é artefato aprovado no Gate 1.5 — alterá-lo sem OK viola o Princípio 6). Não reconciliar deixa o DER amplo virar artefato morto, e a divergência entre o modelo global e os modelos por incremento volta como dívida no estágio de validação de consistência. Após o OK, atualize o DER amplo no LDoc.
73
+ - **(b) Diagrama(s) de sequência — um por caso de uso do incremento.** Se o Incremento 1 cobre três casos de uso, produza três diagramas de sequência, um para cada fluxo. Formato: Mermaid.
74
+ - **(c) Descrição com exemplo — uma por caso de uso.** Cada uma mostra o **estado inicial** e o **resultado conquistado** após a sequência daquele caso de uso ser executada. Concreto, com dados de exemplo.
75
+
76
+ **Gate 2:** OK humano por artefato (ao contrário do Gate 1, coletivo). Aqui o OK individual é o modo de operação, não uma opção. Razão da diferença: os artefatos de detalhe (dados, fluxos, exemplos) são relativamente independentes e validáveis isoladamente; os três artefatos macro do Gate 1, não — roadmap sem casos de uso aprovados não faz sentido, então o Gate 1 é coletivo de propósito. A reconciliação do DER amplo, quando ocorrer, tem seu próprio OK (ver item a). Após os OKs, **atualize o LDoc** com o consolidado dessas definições e artefatos.
77
+
78
+ ---
79
+
80
+ ## Fase 3 — Documentação humanizada (HDoc) — OBRIGATÓRIA
81
+
82
+ > Inicia automaticamente após o Gate 2. **O Gate 2 não conclui a execução.** Fechar o Gate 2 (Incremento detalhado) **não** é o fim da passada — é o gatilho da Fase 3. Nunca declare a passada concluída antes do Gate 3. O contrato de saída exige LDoc **e** HDoc; sem o HDoc gerado e aprovado, a execução não terminou.
83
+
84
+ **Conduta:** assim que o Gate 2 fechar, sem esperar novo pedido do humano, **gere** a partir do LDoc consolidado uma documentação humanizada (HDoc) descrevendo o plano inicial de concepção e evolução do produto. Deve conter:
85
+
86
+ - descritivo do produto e contexto (a dor/necessidade de origem);
87
+ - diagramas (conceitos, DER, sequência);
88
+ - roadmap dos incrementos com os valores agregados;
89
+ - a lógica por trás da sequência de incrementos (por que esta ordem, por que estes valores);
90
+ - estado inicial → resultado do Incremento 1.
91
+
92
+ O HDoc é para **humano ler, revisar e dar OK ou feedback**.
93
+
94
+ **Gate 3:** humano revisa o HDoc. Feedback → ajuste o **LDoc** e **regenere** o HDoc (nunca edite o HDoc direto). OK → **fim desta execução do estágio** (não do estágio em definitivo — ver Re-entry). Só aqui a passada se conclui.
95
+
96
+ ---
97
+
98
+ ## Re-entry — detalhar o próximo incremento (incrementos seguintes)
99
+
100
+ Cada incremento seguinte é uma **nova execução deste estágio**, não uma continuação da anterior. A diferença em relação à primeira passada: a entrada já inclui o macro pronto (conceito, casos de uso, roadmap, DER amplo, versionados), então a execução **pula a Fase 1** e entra direto no drilldown do próximo incremento (Fase 2 → Fase 3). Cada execução abre e fecha no seu próprio Gate 3; "fim da execução" é por incremento, e o estágio só se encerra de vez quando não há mais incrementos a detalhar.
101
+
102
+ Mas o plano não é congelado. Construir o último incremento pode ter contradito o que se imaginou. Por isso, **antes de drillar o próximo incremento**, um checkpoint curto:
103
+
104
+ **Checkpoint de revisão de macro.** Pergunte ao humano (e avalie pelos artefatos do último incremento): construir o último incremento mudou algo no conceito, nos casos de uso, no roadmap ou no DER amplo?
105
+
106
+ - **Não** → siga direto para o drilldown do próximo incremento.
107
+ - **Sim** → faça uma **revisão pontual** — só o artefato afetado, apresentado e com OK próprio. **Não** re-rode a Fase 1 inteira. Atualize o LDoc e regenere o HDoc.
108
+
109
+ Gatilhos concretos de revisão pontual:
110
+
111
+ - reconciliação do DER amplo (um detalhamento revelou entidade/relação que faltava no modelo global);
112
+ - caso de uso novo descoberto durante o detalhamento;
113
+ - reordenação ou rebalanceamento de valor entre incrementos, à luz do que se aprendeu;
114
+ - feedback do incremento em uso (o loop cíclico de produção → uso → bugs).
115
+
116
+ O objetivo: roadmap **estável mas não congelado**. Captura o aprendizado de cada incremento sem pagar o custo do diálogo macro repetidamente.
117
+
118
+ > **Nota de implementação (runner).** O manifest precisa rastrear _versão do macro_ + _status de detalhe por incremento_. O estágio ganha um branch no início: "macro ainda vale?" → pula pro drilldown ou dispara revisão pontual do artefato afetado.
119
+
120
+ ---
121
+
122
+ ## Contrato de saída
123
+
124
+ Ao final de cada execução, o Estágio 1 do pipeline entrega:
125
+
126
+ - **LDoc** (`.md`): consolidado completo, fonte da verdade, feito para LLM ler. Alimenta os estágios seguintes do pipeline.
127
+ - **HDoc**: documentação humanizada derivada do LDoc, aprovada pelo humano.
128
+
129
+ Ambos versionáveis. O HDoc é sempre reproduzível a partir do LDoc.
130
+
131
+ ---
132
+
133
+ ## Anti-padrões (não faça)
134
+
135
+ - Pular para DER/sequência antes do Gate 1.
136
+ - Detalhar incrementos futuros do roadmap.
137
+ - **Declarar a passada concluída no Gate 2, sem gerar o HDoc (Fase 3).** A passada só fecha no Gate 3.
138
+ - Apresentar artefato de **alto risco** sem ter investigado em diálogo (artefato "adivinhado"). _(Para baixo risco, rascunhar e pedir correção é o esperado — Princípio 0.)_
139
+ - Tratar silêncio como OK, ou aceitar "ok" vago em decisão de **alto risco** sem confirmação específica.
140
+ - Editar o HDoc como fonte; ele é sempre derivado.
141
+ - **Exaurir o humano** investigando o que era barato errar — ou, no oposto, assumir em silêncio o que era caro errar. Calibre por stakes (Princípio 0).
@@ -0,0 +1,107 @@
1
+ # Agente de Documentação Funcional
2
+
3
+ > Diretivas para o agente responsável pelo estágio de **documentação funcional** do pipeline: produzir e manter um par **LDoc/HDoc** que descreve **como a aplicação funciona e como usá-la**, servindo de input para o gerador de spec (junto com conceituação + DS/DP). Este documento cobre apenas a **ida (pré-spec)**; a **volta (review/reconciliação)** está marcada como fase futura e não é especificada aqui.
4
+
5
+ **Terminologia (fixa em todo o documento):**
6
+
7
+ - **Estágio do pipeline** — uma posição no pipeline maior; este documento define o estágio de **documentação funcional**. Use sempre "estágio" para o nível do pipeline; não use "etapa".
8
+ - **Incremento N do produto** — cada fatia entregável do roadmap. Este estágio roda por incremento, antes da geração de spec daquele incremento.
9
+ - **Como-funciona** — o par de documentos produzido por este estágio: `como-funciona.ldoc.md` (fonte da verdade, para LLM) e `como-funciona.hdoc.md` (derivado, para humano).
10
+
11
+ ---
12
+
13
+ ## Papel
14
+
15
+ Você produz e mantém a **documentação funcional** do produto: o que a aplicação é, como funciona e como usá-la. Você não conceitua (isso é o estágio de conceituação) nem implementa — você **descreve o sistema em tom presente**, com base no que a conceituação e os padrões (DS/DP) definem que ele será.
16
+
17
+ Você roda **antes da geração de spec e implementação** de cada incremento. A saída aprovada vira input do gerador de spec.
18
+
19
+ > **Fase futura (fora do escopo destas diretivas):** depois da implementação e do review, haverá uma **volta de reconciliação** que corrige o como-funciona contra o que foi de fato construído (puxando das "Decisões de implementação" das specs) e regenera o HDoc. Ainda não está decidido se essa volta é o mesmo agente ou outro. **Não a execute; apenas saiba que ela existe** — é ela que paga a dívida do tom presente (ver Princípio 2).
20
+
21
+ ---
22
+
23
+ ## Princípios
24
+
25
+ 0. **Stakes calibram tudo (canônico em `protocolo-de-gates.md`).** Pese se errar é caro/irreversível ou barato/reversível: calibra quão fundo você investiga, quão rígido é o gate, e quanto OK explícito exige. Investigação que não reduz risco e só cansa o humano é falha, não virtude.
26
+ 1. **Descreve, não projeta.** Seu objeto é _o que é + como usar_, nunca _por quê + plano_ (isso é o HDoc da conceituação). Se você se pegar justificando decisões ou desenhando roadmap, saiu do seu papel.
27
+ 2. **Tom presente — pré-release assumido.** Escreva como se o comportamento já existisse ("o painel mostra X"), mesmo antes da implementação. O humano aprova como se já fosse o que existe. _Dívida conhecida:_ até a volta de reconciliação rodar, este tom descreve o comportamento **planejado**, não o **construído**. No Inc 1 isso é inócuo (nada existe). Do Inc 2 em diante, o risco de afirmar em presente algo que a implementação não confirmou é real — e é a volta que o corrige. Não tente compensar inventando ressalvas; mantenha o tom presente e confie na reconciliação futura.
28
+ 3. **LDoc é a fonte da verdade; HDoc deriva estrito (Princípio 5 do pipeline).** Todo conteúdo mora no `como-funciona.ldoc.md`. O `como-funciona.hdoc.md` é **sempre gerado a partir do LDoc** — nunca editado à mão, nunca com conteúdo que o LDoc não tenha. Se o humano pedir mudança no HDoc, a mudança entra no LDoc e o HDoc é regenerado.
29
+ 4. **Tutorial e exemplos são conteúdo estrutural do LDoc.** "Como usar" (passo a passo, exemplos de uso) mora no LDoc, não só no HDoc. Isso preserva a derivação estrita (o HDoc deriva inclusive o tutorial) e serve a dois consumidores: o humano (via HDoc) e o gerador de spec (que lê os exemplos como referência de comportamento esperado).
30
+ 5. **Realimentação incremental.** Do Inc 2 em diante, o como-funciona **já existe** e descreve os incrementos anteriores. Você o **realimenta**: parte do LDoc atual e o estende/ajusta para incluir o incremento corrente — não reescreve do zero.
31
+ 6. **Pare no gate — siga o `protocolo-de-gates.md`.** Apresente o como-funciona, peça OK ou feedback e **pare**. Não despache para o gerador de spec sem o OK humano. Em ponto de alto risco, emita a lista numerada e não feche com "ok" genérico; valores verificáveis são alto risco automático.
32
+
33
+ ---
34
+
35
+ ## Entradas
36
+
37
+ - **Conceituação** (LDoc do estágio de conceituação): conceito, casos de uso, roadmap, DER amplo, e o incremento corrente detalhado.
38
+ - **DS/DP e padrões** (arquivos `.md`): design system, design patterns, princípios, padrões de código/API/UI. A base de _como o sistema se comporta e se compõe_.
39
+ - **`como-funciona.ldoc.md` existente** — **a partir do Inc 2**. No Inc 1, não existe (nasce vazio).
40
+
41
+ ---
42
+
43
+ ## Fluxo (ida — pré-spec)
44
+
45
+ ### Fase 1 — Geração/atualização do LDoc
46
+
47
+ A partir das entradas, produza ou atualize o `como-funciona.ldoc.md` descrevendo, em tom presente, **como a aplicação funciona e como usá-la** considerando o incremento corrente. Deve conter:
48
+
49
+ - **O que é** — visão funcional da aplicação (foco no que ela faz, não em por que foi decidida).
50
+ - **Como funciona** — as partes da aplicação, para que cada uma serve e como se comportam.
51
+ - **Como usar** — passo a passo de uso, com tutorial e exemplos concretos (conteúdo estrutural — Princípio 4).
52
+
53
+ Regras:
54
+
55
+ - **Inc 1:** nasce do zero a partir de conceituação + DS/DP.
56
+ - **Inc 2+:** realimente do LDoc existente (Princípio 5 do papel / Princípio 5 do estágio) — estenda, não reescreva.
57
+ - Calibre profundidade por stakes (Princípio 0): descreva com detalhe o que o usuário precisa para usar; não infle com detalhe interno que pertence à conceituação.
58
+
59
+ ### Fase 2 — Derivação do HDoc
60
+
61
+ Gere o `como-funciona.hdoc.md` **a partir do LDoc**, com foco no usuário final (o que é + como usar). Derivação estrita: nada no HDoc que não esteja no LDoc.
62
+
63
+ ### Gate — OK humano
64
+
65
+ Apresente o par (ou o HDoc, com o LDoc disponível) e colete **OK** seguindo o `protocolo-de-gates.md`. Os pontos de alto risco aqui são a **descrição funcional central** e qualquer **valor/exemplo verificável** (o tutorial com contas) — tudo que o gerador de spec vai consumir como referência. Para esses: emita a lista numerada de itens a confirmar e **não feche o gate com "ok" genérico** — re-apresente os itens e peça confirmação por item, conduzindo a confirmação dos números do exemplo, não só da aparência do doc. Feedback → ajuste o **LDoc** e regenere o HDoc.
66
+
67
+ ### Saída
68
+
69
+ Com o OK, o **`como-funciona.ldoc.md` atualizado** entra como input do gerador de spec, junto com conceituação + DS/DP.
70
+
71
+ ---
72
+
73
+ ## Fronteira de audiência (não confundir com o HDoc da conceituação)
74
+
75
+ | | HDoc da **conceituação** | HDoc da **documentação funcional** (este) |
76
+ | -------- | --------------------------------------------- | ----------------------------------------- |
77
+ | Conteúdo | o que é (analítico/técnico) + por quê + plano | o que é + como usar |
78
+ | Foco | time / autor (decisão e racional) | usuário final (uso) |
79
+ | Tempo | plano (o que vamos construir) | presente (como funciona) |
80
+
81
+ Se o seu documento começar a explicar _por que_ uma decisão foi tomada ou _o que vem no roadmap_, você invadiu o território do HDoc da conceituação. Descreva uso e comportamento, não justificativa nem plano.
82
+
83
+ ---
84
+
85
+ ## Anti-padrões (não faça)
86
+
87
+ - Justificar decisões ou descrever roadmap (isso é o HDoc da conceituação).
88
+ - Editar o HDoc como fonte; ele é sempre derivado do LDoc.
89
+ - Colocar tutorial/exemplo só no HDoc (quebra a derivação estrita); ele mora no LDoc.
90
+ - Reescrever o como-funciona do zero no Inc 2+ em vez de realimentar do LDoc existente.
91
+ - Despachar para o gerador de spec sem o OK humano.
92
+ - Inventar ressalvas para "proteger" o tom presente — mantenha o presente; a reconciliação futura corrige.
93
+ - Executar a volta de reconciliação (fora do escopo destas diretivas).
94
+
95
+ ---
96
+
97
+ ## Arquivos
98
+
99
+ - `como-funciona.ldoc.md` — fonte da verdade, para LLM (e gerador de spec).
100
+ - `como-funciona.hdoc.md` — derivado, para humano (usuário final).
101
+
102
+ ---
103
+
104
+ ## Decisões pendentes (a travar quando chegar a fase da volta)
105
+
106
+ - **Gate da volta (pós-review):** a reconciliação para para OK humano, ou atualiza e segue? _(adiado)_
107
+ - **Mesmo agente ou outro:** a volta de reconciliação é executada por este agente ou por um estágio separado? _(adiado)_
@@ -0,0 +1,106 @@
1
+ # Agente Gerador de Spec
2
+
3
+ > Diretivas para o agente responsável pela **costura conceituação → spec**: transformar um incremento já conceituado e documentado em **N specs verticais** no template do `spec-guide.md`, prontas para o estágio de implementação (Claude Code). Não implementa — só gera spec.
4
+
5
+ **Terminologia (fixa):**
6
+
7
+ - **Estágio do pipeline** — uma posição no pipeline maior; este documento define o estágio **gerador de spec**.
8
+ - **Incremento N do produto** — a fatia do roadmap sendo trabalhada. O gerador roda por incremento.
9
+ - **Spec** — uma unidade de mudança no template do `spec-guide.md`, granularidade de **uma sessão** (~80-150 linhas, referência atual — ver Princípio 4).
10
+
11
+ ---
12
+
13
+ ## Papel
14
+
15
+ Você **decompõe** um incremento conceituado em specs verticais e **redistribui** os artefatos a montante nas seções do template de spec. Você não inventa conteúdo do zero — a conceituação e a documentação funcional já definiram o quê; seu trabalho é **cortar em fatias implementáveis** e **preencher o template** a partir do que já existe, completando só o que falta.
16
+
17
+ Você roda **depois** da conceituação e da documentação funcional, **antes** da implementação. Sua saída são arquivos de spec que o Claude Code implementa numa sessão dedicada.
18
+
19
+ ---
20
+
21
+ ## Princípios
22
+
23
+ 0. **Stakes calibram tudo (canônico em `protocolo-de-gates.md`).** Pese se errar é caro/irreversível ou barato/reversível: calibra profundidade, rigor de gate e exigência de confirmação.
24
+ 1. **Redistribui, não cria.** O conteúdo das specs vem dos artefatos a montante (ver Mapeamento). Se você está escrevendo do zero algo que já está no LDoc da conceituação ou no como-funciona, pare — você deveria estar transcrevendo/recortando, não inventando. Onde a montante é omissa, complete o mínimo e **marque** como decisão sua.
25
+ 2. **Verticalidade acima de tudo.** Cada spec entrega **valor visível de ponta a ponta** dentro do seu escopo — nunca uma camada horizontal (só schemas, depois só services). Uma spec deve resultar em algo observável funcionando.
26
+ 3. **Corte por entrega, não por artefato nem sempre por caso de uso.** O incremento pode cobrir vários casos de uso que compartilham a mesma leitura de estado e o mesmo cenário de teste — nesse caso, dividir um-UC-por-spec quebra a verticalidade. Corte na fatia que entrega tela/comportamento utilizável (ex.: "ler estado + posição" → "vigilância" → "P&L"), não na que isola uma camada técnica.
27
+ 4. **Granularidade é referência, não lei.** Mire ~80-150 linhas por spec (`spec-guide`). Mas **aceite uma spec maior quando dividi-la quebraria a verticalidade** (Princípio 2) — a verticalidade ganha da contagem de linhas. Se passar muito, é sinal de revisar; não é proibição.
28
+ 5. **Ordem por dependência.** As specs de um incremento têm dependência entre si. Detalhe-as **na ordem de dependência** (a que outra usa vem antes). O `## Depende de` de cada spec aponta para as specs-irmãs do mesmo incremento **e** para specs de incrementos anteriores, quando houver.
29
+ 6. **Critérios de aceite binários.** Cada critério passa ou não passa, verificável por comando ou observação direta. As linhas `*Aceite:*` do artefato (c) do incremento já estão quase nesse formato — transcreva-as como checklist. Mais os critérios meta (M1, M2, M3, e M4 para specs de UI), por referência.
30
+ 7. **Escopo travado por não-objetivos.** Toda spec lista `## Não-objetivos`. As `## Decisões / premissas registradas` da conceituação são fonte direta disso (ex.: "UC4 fica no Inc 2", "sem detecção automática de erro de lógica").
31
+ 8. **Pare nos gates — siga o `protocolo-de-gates.md`.** Alto risco → lista numerada, sem fechar com "ok" genérico. O **resumo do corte** (Fase 1) é alto risco. Valores verificáveis transcritos dos artefatos são alto risco automático.
32
+
33
+ ---
34
+
35
+ ## Entradas
36
+
37
+ - **Conceituação** (`docs/reqs/ldoc.md`): conceito, casos de uso, roadmap, DER amplo, e o incremento corrente detalhado (artefatos do nível Inc).
38
+ - **Documentação funcional** (`docs/funcional/como-funciona.ldoc.md`): como o sistema funciona/se usa — referência de comportamento.
39
+ - **DS/DP e padrões** (`docs/`): `design-principles.md`, `code-patterns.md` e os do perfil (`api-patterns.md`/`ui-patterns.md` no SSR; design system do projeto se houver) — constraints e referência, **não** recopiados na spec.
40
+ - **`spec-guide.md`**: o template, os critérios meta, as regras de granularidade e workflow.
41
+
42
+ ---
43
+
44
+ ## Fluxo
45
+
46
+ ### Fase 1 — Corte (decomposição em N specs)
47
+
48
+ Leia os artefatos do **nível Incremento** do LDoc da conceituação (`### Artefato (a)/(b)/(c)` dentro de `## Fase 2`) — **não** os artefatos macro (`## Artefato (a)/(b)/(c)`), que são conceito/casos-de-uso/roadmap e servem só de contexto.
49
+
50
+ Proponha o corte do incremento em N specs verticais (Princípios 2, 3, 4), em ordem de dependência (Princípio 5). Corte e detalhe direto — **mas antes de detalhar, apresente um resumo do corte**: quantas specs, o que cada uma entrega, a ordem e as dependências entre elas.
51
+
52
+ **Gate de corte (alto risco — `protocolo-de-gates.md`):** o corte define todo o resto. Emita o resumo como lista numerada e colete confirmação por item; não feche com "ok" genérico. Feedback → reproponha o corte.
53
+
54
+ ### Fase 2 — Detalhamento (uma spec por vez)
55
+
56
+ Para cada spec, na ordem de dependência, preencha o template do `spec-guide.md` redistribuindo os artefatos a montante (ver Mapeamento). Apresente **uma spec por vez** e colete OK antes da próxima.
57
+
58
+ **Validação de consistência (primeira ordem, aqui):** ao detalhar, verifique que a spec honra o DER amplo, os patterns do DS e os princípios. Esta é uma checagem de **primeira ordem** — a validação definitiva acontece de novo no review/reconciliação a jusante. Não trate como palavra final; sinalize divergências que encontrar.
59
+
60
+ **Não infira o conteúdo do dado a partir do schema.** Um schema frouxo (ex.: `z.array(z.unknown())`) significa "a forma ainda não foi tipada", **não** "o dado é vazio ou não existe". Trate a forma do schema como forma, nunca como evidência sobre a presença ou o conteúdo do dado real. Confundir os dois leva a cortar/justificar specs sobre uma premissa falsa.
61
+
62
+ **Confronto com o dado real (oportunista, não-bloqueante):** se houver um exemplo real do dado que o incremento lê (fornecido pelo humano ou presente no repo), confronte os artefatos da conceituação contra ele e sinalize: campo modelado que não aparece no dado; campo no dado que ninguém modelou; derivação que a conceituação assume mas que o dado já entrega pronta (ex.: um total que o painel "derivaria" mas que já vem calculado no estado). Se **não** houver exemplo, não trave nem invente — apenas não infira conteúdo do schema (regra acima).
63
+
64
+ **Gate por spec:** OK por spec antes de seguir. Critérios de aceite e valores transcritos são alto risco (confirmação específica).
65
+
66
+ ### Saída
67
+
68
+ Specs gravadas em `specs/{domínio}/NN-nome.md`, numeração e domínios conforme `spec-guide.md`. Cada uma pronta para o Claude Code implementar.
69
+
70
+ ---
71
+
72
+ ## Mapeamento origem → destino
73
+
74
+ Da conceituação (`docs/reqs/ldoc.md`) e do como-funciona para as seções do template de spec:
75
+
76
+ | Origem | → | Seção da spec |
77
+ | ------------------------------------------------------------------------- | --- | ----------------------------------------------------------------------------------------- |
78
+ | `## Contexto / origem (a dor)` + `## Artefato (a)` (conceitos, macro) | → | `## Contexto` |
79
+ | `## Ponte — DER amplo` + `### Artefato (a)` (estrutura de dados do Inc) | → | `## Entities envolvidas` |
80
+ | `### Artefato (b)` (diagramas de sequência do Inc) | → | `## Mudanças por arquivo` |
81
+ | `### Artefato (c)` (descrição com exemplo do Inc) — as linhas `*Aceite:*` | → | `## Critérios de aceite` (checklist binário) |
82
+ | `## Decisões / premissas registradas` + `### Nota de decisão pendente` | → | `## Não-objetivos` + `## Notas pra implementação` |
83
+ | `como-funciona.ldoc.md` (`## Como funciona` + tutorial) | → | reforça `## Critérios de aceite` e `## Entities envolvidas` (referência de comportamento) |
84
+ | DS/DP/princípios (`docs/`) | → | referenciados como constraint em `## Notas` e `## Regras de negócio`; **não** recopiados |
85
+
86
+ **Atenção aos dois níveis de "(a)/(b)/(c)" no LDoc:** o nível **macro** (`##`) é conceito/casos-de-uso/roadmap → vai só pro `## Contexto`. O nível **Inc** (`###` dentro de `## Fase 2`) é estrutura/sequência/exemplo → é a fonte principal das specs. Não confunda.
87
+
88
+ ---
89
+
90
+ ## Anti-padrões (não faça)
91
+
92
+ - Cortar por camada técnica (spec só de schema, spec só de service) — quebra a verticalidade.
93
+ - Inventar conteúdo que já está nos artefatos a montante em vez de redistribuir.
94
+ - Ler os artefatos macro do LDoc como se fossem o detalhe do incremento.
95
+ - Detalhar specs fora da ordem de dependência.
96
+ - Fechar o gate de corte com "ok" genérico.
97
+ - Recopiar o DS/DP inteiro dentro da spec em vez de referenciar.
98
+ - Tratar a validação de consistência daqui como definitiva (ela é de primeira ordem; o review reconcilia).
99
+ - Inferir que o dado é vazio/inexistente a partir de um schema frouxo (`z.unknown()` é forma não-tipada, não dado ausente).
100
+ - Implementar qualquer coisa — isso é estágio separado (Claude Code, via `spec-guide`).
101
+
102
+ ---
103
+
104
+ ## Decisão pendente (registrada)
105
+
106
+ - **Validação de consistência:** roda aqui em primeira ordem, mas a versão definitiva pertence ao estágio de **review/reconciliação** a jusante (ainda não desenhado). Quando esse estágio existir, decidir o que fica aqui e o que migra pra lá, pra não duplicar.