ll-skills 1.0.0

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  1. package/CHANGELOG.md +18 -0
  2. package/README.md +105 -0
  3. package/agents/ll-implementador.md +23 -0
  4. package/bin/install.js +475 -0
  5. package/hooks/ll-skills-check-update.js +157 -0
  6. package/package.json +38 -0
  7. package/skills/ll-atualizar/SKILL.md +68 -0
  8. package/skills/ll-decidir-antes/SKILL.md +81 -0
  9. package/skills/ll-decidir-antes/referencias/protocolo-entrevista.md +112 -0
  10. package/skills/ll-decidir-antes/referencias/template-spec.md +238 -0
  11. package/skills/ll-desarmar/SKILL.md +254 -0
  12. package/skills/ll-desarmar/referencias/execucao-adversarial.md +217 -0
  13. package/skills/ll-desarmar/referencias/humanos-e-substitutos.md +116 -0
  14. package/skills/ll-desarmar/referencias/placar-e-realimentacao.md +140 -0
  15. package/skills/ll-orquestrar/SKILL.md +100 -0
  16. package/skills/ll-pesquisar/SKILL.md +159 -0
  17. package/skills/ll-pesquisar/referencias/frente-de-pesquisa.md +147 -0
  18. package/skills/ll-pesquisar/referencias/sintese-e-fontes.md +148 -0
  19. package/skills/ll-pesquisar-mercado/SKILL.md +112 -0
  20. package/skills/ll-pesquisar-mercado/referencias/dossie.md +375 -0
  21. package/skills/ll-pesquisar-mercado/referencias/indice-e-fechamento.md +122 -0
  22. package/skills/ll-pesquisar-mercado/referencias/padroes-de-pesquisa.md +149 -0
  23. package/skills/ll-verificar-entrega/SKILL.md +73 -0
  24. package/skills/ll-verificar-entrega/referencias/briefs-auditoria.md +291 -0
  25. package/skills/ll-voltar-do-futuro/SKILL.md +239 -0
  26. package/skills/ll-voltar-do-futuro/referencias/anti-padroes-e-fundamentos.md +201 -0
  27. package/skills/ll-voltar-do-futuro/referencias/vetores-e-testes.md +228 -0
@@ -0,0 +1,239 @@
1
+ ---
2
+ name: ll-voltar-do-futuro
3
+ description: Premortem "voltar do futuro" — o projeto já morreu e você narra por quê, atacando o que nunca foi medido, e converte cada morte em um teste barato com critério de aceite numérico. Use quando pedirem premortem/pré-mortem, "o que pode dar errado", "por que isso vai falhar", análise adversarial de um plano, arquitetura ou ideia, validação de premissas não testadas, ou antes de investir em construir algo caro.
4
+ ---
5
+
6
+ # Voltar do futuro
7
+
8
+ O projeto morreu. Não "pode morrer": morreu, é fato consumado, você viu o corpo. Esse é o
9
+ frame de certeza — pergunta probabilística o cérebro descarta como hipótese remota; fato
10
+ consumado ele explica, e gera causas específicas.
11
+
12
+ Um projeto quase nunca morre onde foi olhado com rigor. Morre na **fronteira entre a camada
13
+ auditada e a camada que entrou na fé**, porque a confiança conquistada na primeira é
14
+ transferida indevidamente para a segunda. Por isso o exercício começa medindo essa
15
+ assimetria e ataca só o delta. O produto final não é uma lista de riscos: é um conjunto de
16
+ premissas falsificáveis com experimento barato, aceite numérico pré-registrado e decisão
17
+ pré-comprometida.
18
+
19
+ ## Regras invioláveis
20
+
21
+ 1. **Ataque só o delta.** O que já foi auditado com número, amostra e método está fora do
22
+ alvo. Reprovar de novo o que já passou é conforto disfarçado de rigor.
23
+ 2. **Pretérito e cena.** Cada falha traz quem percebeu, por qual canal, quando, qual número
24
+ apareceu e qual foi o dano de negócio. Se a frase caberia sem alteração em outro projeto
25
+ qualquer, ela é lugar-comum e sai da lista.
26
+ 3. **Citação literal e rastreável, ou ponto cego declarado.** Toda falha cita um trecho
27
+ literal de um artefato do próprio projeto que já avisava, com o arquivo de origem — ou
28
+ declara "nenhum artefato menciona este ponto", tratado como agravante de letalidade.
29
+ Citação inventada destrói o exercício inteiro: jamais parafraseie como se fosse citação,
30
+ jamais cite arquivo que você não abriu.
31
+ 4. **Nenhuma falha sai sem teste acoplado.** Teste com amostra, prazo, custo, aceite
32
+ numérico, o que ele reprova e o que ele bloqueia. Lista sem teste é pior que lista
33
+ nenhuma: entrega a sensação de risco endereçado enquanto o plano segue intocado.
34
+ 5. **Zero mitigação durante a narrativa.** Enquanto narra, o agente não resolve. Resolver
35
+ cedo interrompe a geração e produz otimismo.
36
+ 6. **5 a 8 falhas, vetores diversos.** Menos de 5 = preparação rasa. Mais de 8 = risk
37
+ register diluído. Sete versões da mesma falha contam como uma.
38
+ 7. **Veredicto duro no bloco (a).** Nada de "embora o time provavelmente perceba a tempo".
39
+ A nuance vai para o veredicto medido da F5, depois do número.
40
+
41
+ ## Material de apoio
42
+
43
+ Resolva o **caminho absoluto do diretório desta skill** antes de delegar — subagentes não
44
+ herdam este contexto e precisam do caminho literal nos briefs.
45
+
46
+ - `referencias/vetores-e-testes.md` — 12 vetores de ataque, anatomia de 8 partes do teste
47
+ desarmador, padrões de teste por tipo de incógnita, substitutos quando o teste exige
48
+ terceiros, 5 fatores de letalidade, exemplo trabalhado. Leia antes da F1.
49
+ - `referencias/anti-padroes-e-fundamentos.md` — 17 anti-padrões, checklist de "pronto",
50
+ fundamentos da literatura. Leia antes da verificação final e ao justificar o método a um
51
+ humano cético.
52
+
53
+ ## F0 — Inventário: medido × fé
54
+
55
+ Varra os artefatos do projeto (specs, POCs, ADRs, benchmarks, relatórios, docs de pesquisa)
56
+ e produza `docs/premortem/00-inventario-medido-vs-fe.md`:
57
+
58
+ 1. **Medido** — toda afirmação com **número, amostra e método**, mais o **escopo exato da
59
+ medição**: qual camada, qual ambiente, qual amostra, qual regime de operação.
60
+ 2. **Na fé** — toda afirmação sem medição: bibliografia citada, analogia, projeção,
61
+ decisões justificadas por "sabemos que", "deve", "esperamos", "assume-se", "é padrão de
62
+ mercado", e tudo que só existe como desenho.
63
+ 3. **Confissões do projeto** — seções de "fora de escopo", "limitações", "não medido",
64
+ "trabalho futuro", "riscos conhecidos", TODOs e ressalvas de rodapé, cada uma com
65
+ **citação literal + arquivo:seção**. Esta é a munição mais valiosa do exercício.
66
+ 4. **A frase da fronteira** — no formato *"medimos X com rigor; o produto depende de Y; X e
67
+ Y são coisas diferentes"*. Concreta, com os nomes reais dos componentes.
68
+ 5. **A zona de ataque** — o delta, enumerado. E a lista explícita do que fica **fora do
69
+ alvo** por já ter sido auditado.
70
+
71
+ > **Checkpoint 1 (humano).** Apresente em ≤ 10 linhas: a frase da fronteira, a zona de
72
+ > ataque, o **horizonte e a data** propostos para a narrativa e as personas escolhidas.
73
+ > O horizonte é o ponto em que o projeto teria *provado* sua tese central — curto demais
74
+ > gera falhas triviais, longo demais gera ficção científica. Peça correção antes de seguir.
75
+
76
+ **Se existe `docs/` de uma pesquisa de mercado** (skill `ll-pesquisar-mercado`), as premissas
77
+ mapeadas por importância × evidência já são metade da F0: as de alta importância e baixa
78
+ evidência entram direto na coluna "na fé". Use como insumo quando houver; a F0 funciona
79
+ igual sem ela.
80
+
81
+ ## F1 — Narradores paralelos, contexto limpo
82
+
83
+ Rode **4 a 6 narradores em paralelo, cada um em subagente próprio**, com personas
84
+ distintas. Um único narrador ancora: gera sete variações do primeiro tema que apareceu.
85
+ Este é o análogo digital da escrita silenciosa antes da roda de conversa.
86
+
87
+ Personas disponíveis (escolha as que o projeto realmente tem): engenharia/dados,
88
+ operação e escala, economia unitária, jurídico/regulatório e dependências externas,
89
+ usuário final e percepção, concorrente/mercado.
90
+
91
+ Os narradores **não devem ver o raciocínio que produziu o plano** — só os artefatos e o
92
+ dossiê da F0. Cada um grava seu resultado em arquivo e devolve só o caminho: o orquestrador
93
+ lê os arquivos na F2, não os transcritos. Rode-os em Opus.
94
+
95
+ <brief-modelo-narrador>
96
+ Você é o(a) [PERSONA: ex. engenheiro(a) de dados sênior] de [PROJETO] e voltou do futuro:
97
+ é [DATA/HORIZONTE] e o projeto morreu. Não "poderia morrer" — morreu, é fato consumado,
98
+ você viu o corpo. Sua tarefa é relatar, em pretérito, o que aconteceu.
99
+
100
+ Contexto: este relato alimenta um premortem que decide, nesta semana, quais testes baratos
101
+ rodam ANTES de qualquer construção. Quanto mais específica e mais dolorosa sua narrativa,
102
+ mais dinheiro e meses ela economiza. Você tem permissão explícita para ser brutal; suavizar
103
+ aqui é o único jeito de falhar nesta tarefa.
104
+
105
+ Leia, nesta ordem:
106
+ 1. [CAMINHO ABSOLUTO]/docs/premortem/00-inventario-medido-vs-fe.md — o que foi medido, o
107
+ que está na fé, e a fronteira entre os dois.
108
+ 2. [CAMINHOS DOS ARTEFATOS RELEVANTES PARA ESTA PERSONA]
109
+ 3. [CAMINHO ABSOLUTO DA SKILL]/referencias/vetores-e-testes.md — os 12 vetores de ataque
110
+ (cubra pelo menos os vetores [N, N, N]) e a anatomia de 8 partes do teste desarmador.
111
+
112
+ Instruções:
113
+ - Ataque exclusivamente a zona de ataque do dossiê. O que está listado como já auditado
114
+ está fora do alvo.
115
+ - Escreva 3 a 5 mortes, cada uma como cena concreta: quem percebeu, por qual canal, quando,
116
+ qual número apareceu, qual foi o dano de negócio. Termine no dano, não no defeito.
117
+ - Para cada morte, cite **literalmente** um trecho de um artefato do projeto que já avisava,
118
+ com arquivo e seção. Se nenhum artefato menciona o ponto, escreva exatamente "nenhum
119
+ artefato do projeto menciona este ponto" — isso é um achado, não uma falta. Nunca escreva
120
+ entre aspas algo que não esteja literalmente no arquivo.
121
+ - Nomeie o viés ou mecanismo que explica por que o aviso, existindo, não foi agido.
122
+ - Não proponha mitigação e não amenize. Proponha apenas o teste barato que desarmaria a
123
+ premissa, com os 8 componentes da referência.
124
+
125
+ Contrato de saída — grave em [CAMINHO ABSOLUTO]/docs/premortem/narradores/[persona].md,
126
+ uma seção por morte, exatamente neste formato:
127
+
128
+ ## [título da morte em uma linha, com o número que a define]
129
+ **(a)** [história em pretérito, 1–5 frases, com cena, números e dano]
130
+ **(b)** [citação literal + `arquivo.md` §seção — ou a declaração de ponto cego] + [nome do
131
+ viés que cegou]
132
+ **(c)** [teste: afirmação falsificável, amostra adversarial, ground truth independente,
133
+ aceite numérico, "este teste reprova se ___", prazo e custo, decisão pré-comprometida nos
134
+ dois ramos, e o que ele bloqueia]
135
+ **Confiança:** [alta | média | baixa] — [uma frase sobre o que sustenta ou fragiliza este
136
+ relato]
137
+
138
+ Limites: não edite nenhum outro arquivo; não leia relatos de outros narradores; não
139
+ proponha roadmap, arquitetura ou solução.
140
+
141
+ Sucesso: 3 a 5 mortes gravadas no arquivo; nenhuma delas caberia sem alteração em outro
142
+ projeto; toda citação é verificável abrindo o arquivo citado; todo teste tem número no
143
+ aceite e uma frase de reprovação plausível; todo teste cabe em ≤ 2 semanas sem construir
144
+ o produto. Devolva na resposta apenas o caminho do arquivo e os títulos das mortes.
145
+ </brief-modelo-narrador>
146
+
147
+ ## F2 — Consolidação
148
+
149
+ Leia os arquivos dos narradores. Deduplique (mesma premissa em roupas diferentes vira uma
150
+ falha, com a melhor cena e a melhor citação). Corte lugares-comuns e catástrofes sem
151
+ alavanca de teste. **Verifique cada citação abrindo o arquivo citado** — a que não bater
152
+ literalmente vira declaração de ponto cego ou sai. Chegue a 5–8 falhas, cada uma com os
153
+ três blocos:
154
+
155
+ <contrato-de-falha>
156
+ **(a) A história concreta da morte.** Pretérito, cena, números, consequência de negócio.
157
+ Uma a cinco frases. Termina no *dano*, não no *defeito*.
158
+ **(b) O aviso que existia + o viés que cegou.** Citação literal do artefato do projeto com
159
+ arquivo de origem (ou "nenhum artefato menciona este ponto"), mais o nome do mecanismo que
160
+ explica por que o aviso não foi agido.
161
+ **(c) O teste barato que desarma.** Amostra adversarial, ground truth independente, aceite
162
+ numérico pré-registrado, "reprova se ___", prazo e custo, decisão pré-comprometida, e o que
163
+ ele bloqueia.
164
+ </contrato-de-falha>
165
+
166
+ Para calibrar densidade, cena e tom de veredicto, leia o exemplo trabalhado no fim de
167
+ `referencias/vetores-e-testes.md`.
168
+
169
+ ## F3 — Letalidade e TOP 3
170
+
171
+ Ordene da mais letal para a menos e **marque as três primeiras**. A marcação é o contrato de
172
+ triagem que faz o resultado ser acionável na semana seguinte em vez de virar backlog eterno.
173
+
174
+ Calibre pelos cinco fatores (detalhados na referência): mata ou machuca; custo de retrofit e
175
+ irreversibilidade; centralidade de dependência; probabilidade **dado que ninguém olhou**;
176
+ tempo até a detecção. *Atraso não é letalidade.*
177
+
178
+ **Contrato:** os testes do TOP 3, somados, cabem em ~2 semanas e antecedem qualquer
179
+ construção.
180
+
181
+ ## F4 — Síntese
182
+
183
+ Não termine com lista. Termine com duas coisas:
184
+
185
+ 1. **O diagnóstico transversal** — a única causa-raiz de processo que explica *todas* as
186
+ falhas ao mesmo tempo.
187
+ 2. **A regra que faltou** — uma política de processo enunciável em uma linha, que teria
188
+ evitado a lista inteira e passa a valer daqui em diante. Verificável ("existe auditoria
189
+ própria para esta camada? sim/não"), nunca exortativa ("ser mais rigoroso"). É o único
190
+ entregável do premortem que sobrevive ao projeto.
191
+
192
+ Grave `docs/premortem/premortem.md`: parágrafo de contexto de quem voltou (com a frase da
193
+ fronteira) → falhas ordenadas com TOP 3 marcados → síntese.
194
+
195
+ > **Checkpoint 2 (humano).** Apresente o TOP 3 com custo somado dos testes e peça a decisão
196
+ > que só o humano toma: quais testes rodam agora, quem é o dono de cada um e qual a data de
197
+ > retorno. Registre as decisões pré-comprometidas como acordo, não como sugestão.
198
+
199
+ ## F5 — Placar
200
+
201
+ O premortem só está encerrado quando cada falha tem **veredicto medido**. Ele derruba a
202
+ confiança no plano e depois a reconstrói sobre evidência — parar na metade é teatro.
203
+
204
+ A execução dos testes é trabalho da skill `ll-desarmar` (ll-skills), que confere cada
205
+ teste contra a anatomia, executa com disciplina "reprova primeiro" e preenche o placar.
206
+ Após o Checkpoint 2, entregue o premortem e nomeie esse próximo passo — invocá-lo é decisão
207
+ do usuário. Só execute os testes você mesmo se o usuário pedir, respeitando o contrato
208
+ abaixo.
209
+
210
+ Grave `docs/premortem/placar.md`: uma linha por falha, com **vocabulário fechado**:
211
+
212
+ | Veredicto | Significa |
213
+ |---|---|
214
+ | **DESARMADA** | Teste rodou, aceite passou, **com a fronteira de validade explicitada** (onde vale e onde não vale). Desarmar não é aprovar tudo. |
215
+ | **DESARMADA COM CONDIÇÕES** | Passou no fio, e a passagem depende de uma decisão de desenho que agora vira requisito. |
216
+ | **CONFIRMADA, COM ROTA DE SAÍDA QUANTIFICADA** | O premortem estava certo, e o teste mediu **qual alavanca resolve**. É o resultado de maior valor do exercício: redesenho fundamentado antes de qualquer código. |
217
+ | **EM CURSO** | Teste de duração instalado e rodando, com data de leitura. |
218
+ | **PENDENTE, COM SUBSTITUTO DECLARADO** | Exige terceiros indisponíveis; rodou simulação com o que ela prova e o que não prova escrito, e o item foi reclassificado de bloqueio para validação pré-lançamento. |
219
+
220
+ Registre também os **achados colaterais**: testes desenhados para falsear premissas
221
+ encontram bugs e cravam decisões de arquitetura que nenhuma revisão de código encontra.
222
+ Isso deve ser esperado e capturado. Números medidos aqui realimentam o índice de pesquisas
223
+ da skill `ll-pesquisar-mercado`, quando ela existir no projeto.
224
+
225
+ ## Verificação antes de entregar
226
+
227
+ Rode o checklist de "pronto" e os 17 anti-padrões de
228
+ `referencias/anti-padroes-e-fundamentos.md` contra o documento gravado, e reporte ao usuário
229
+ o resultado destas três verificações, que são as que mais falham:
230
+
231
+ - **Citações**: cada trecho entre aspas foi conferido abrindo o arquivo citado e bate
232
+ literalmente. Diga quantas conferiu e quantas falhas ficaram sem aviso documentado.
233
+ - **Especificidade**: nenhuma falha sobrevive ao teste do "cabe em qualquer projeto do
234
+ mundo"; cada uma tem um número na história e um número no aceite.
235
+ - **Orçamento do TOP 3**: os três testes somados, com prazos declarados, dão ≤ ~2 semanas e
236
+ nenhum deles exige construir o produto.
237
+
238
+ Reporte também o que ficou fora e por quê. "Não encontrei aviso documentado para as falhas 3
239
+ e 5" é resultado válido e esperado; preencher a lacuna com uma citação plausível não é.
@@ -0,0 +1,201 @@
1
+ # Anti-padrões, critérios de pronto e fundamentos
2
+
3
+ Material de verificação do premortem `ll-voltar-do-futuro`. Lido antes de entregar o documento
4
+ e sempre que for preciso defender o método diante de um humano cético.
5
+
6
+ ---
7
+
8
+ ## Os 17 anti-padrões
9
+
10
+ ### Do conteúdo das falhas
11
+
12
+ 1. **Falha genérica.** "Pode faltar orçamento", "o time pode não ter experiência", "o mercado
13
+ pode mudar", "requisitos podem crescer". Teste: se a frase caberia sem alteração em
14
+ qualquer outro projeto do mundo, ela não é falha — é lugar-comum. Corte ou reescreva com
15
+ os detalhes deste projeto.
16
+ 2. **Catástrofe não acionável.** Pandemia, mudança regulatória global, aquisição do
17
+ fornecedor. Sem alavanca de teste barato, não entra na lista principal.
18
+ 3. **Falha sem número.** Toda história de morte precisa de pelo menos uma quantidade — taxa
19
+ de erro, custo, tempo, n. Sem número, não há como desenhar critério de aceite.
20
+ 4. **Atacar o que já foi auditado.** Reprovar de novo o que já passou é conforto disfarçado
21
+ de rigor, e desperdiça a única passagem que o exercício tem.
22
+ 5. **Citação fabricada.** O modo de falha mais grave para um agente LLM: inventar uma frase
23
+ "do documento do projeto" que soa plausível. Toda citação é literal e rastreável ao
24
+ arquivo; na ausência de aviso documentado, dizer isso em voz alta.
25
+ 6. **Lista inflada.** Vinte falhas equivalem a zero decisões. 5–8, ordenadas, com TOP 3.
26
+ 7. **Ancoragem monotemática.** Sete falhas que são a mesma falha em sete roupas. Cubra
27
+ vetores distintos: dado, algoritmo, operação, custo, jurídico, humano/percepção, escala.
28
+
29
+ ### Do processo
30
+
31
+ 8. **Risk theater — listar sem desarmar.** O anti-padrão dominante. Uma lista de modos de
32
+ falha que não muda nada é *pior* que nenhuma lista, porque entrega a sensação de ter
33
+ endereçado o risco enquanto o plano segue intocado. Regra: nenhuma falha sai do documento
34
+ sem teste acoplado.
35
+ 9. **Mitigação vaga no lugar de teste.** "Vamos monitorar", "teremos cuidado", "adicionaremos
36
+ validação". Não é falseável, não tem aceite, não tem data.
37
+ 10. **Critério de aceite ajustado depois de ver o resultado.** Pré-registre. Se o número ficou
38
+ no fio (79,7% contra aceite de 80%), diga que ficou no fio e trate como *condição*, não
39
+ como aprovação.
40
+ 11. **Teste que não pode reprovar.** "Verificar se a extração funciona bem." Aceite
41
+ qualitativo é aceite ausente.
42
+ 12. **Teste caro disfarçado.** Se o teste exige construir metade do produto, foi desenhado
43
+ errado — ou o time está usando o premortem como autorização para começar a construir.
44
+ 13. **Rodar o premortem com quem escreveu o plano, no mesmo fio de raciocínio.** Herda a
45
+ inside view inteira. Exige contexto limpo, persona adversarial e permissão explícita para
46
+ ser brutal.
47
+ 14. **Um único narrador.** Ancoragem garantida. Vários narradores independentes com ângulos
48
+ diferentes, deduplicados depois — o equivalente digital da escrita silenciosa de Klein.
49
+ 15. **Otimismo de cortesia do agente.** LLMs suavizam por padrão ("embora o time
50
+ provavelmente perceba isso a tempo…"). O bloco (a) não admite ressalva conciliatória; a
51
+ nuance vai para o veredicto medido, depois.
52
+ 16. **Confundir premortem com pessimismo ou com abandono.** O objetivo é converter incerteza
53
+ em experimento. Falha CONFIRMADA não significa "desistir": significa "redesenhar agora,
54
+ com o número na mão" — a rota de saída quantificada é resultado de sucesso.
55
+ 17. **Não fechar o ciclo.** Premortem sem placar posterior é metade do trabalho. Data de
56
+ retorno é marcada junto com cada teste.
57
+
58
+ ---
59
+
60
+ ## Critérios de pronto
61
+
62
+ ### O documento de premortem está pronto quando
63
+
64
+ - [ ] A F0 produziu, por escrito, as duas listas (medido × na fé) e a frase da fronteira
65
+ ("medimos X; o produto depende de Y; são coisas diferentes").
66
+ - [ ] Há **5 a 8 falhas**, cada uma com os três blocos completos.
67
+ - [ ] **Toda falha é específica deste projeto**: nomeia componentes, números, atores e
68
+ consequências reais. Nenhuma sobreviveria ao teste do "cabe em qualquer projeto".
69
+ - [ ] **Toda falha tem citação literal e rastreável** de um artefato do projeto que já
70
+ avisava, **ou** a declaração explícita de que não há aviso algum. Zero citações
71
+ inventadas — cada uma foi conferida abrindo o arquivo.
72
+ - [ ] **Toda falha nomeia o viés ou mecanismo** que explica por que o aviso não foi agido.
73
+ - [ ] **Toda falha tem teste acoplado** com os 8 componentes: afirmação falsificável, amostra
74
+ adversarial, ground truth independente, aceite numérico pré-registrado, "reprova se
75
+ ___", prazo e custo, decisão pré-comprometida nos dois ramos, e o que ele bloqueia.
76
+ - [ ] As falhas estão **ordenadas por letalidade** com **TOP 3 marcados**, justificáveis
77
+ pelos cinco fatores.
78
+ - [ ] Os testes dos **TOP 3 somam ~2 semanas ou menos** e antecedem a construção.
79
+ - [ ] Os vetores cobertos são **diversos**, e cada seção de "não medido / fora de escopo" dos
80
+ artefatos ou virou falha, ou tem justificativa explícita de por que é inofensiva.
81
+ - [ ] A síntese entrega **o padrão transversal** e **a regra que faltou**, esta última
82
+ enunciada como política verificável, não como exortação.
83
+
84
+ ### O ciclo está encerrado quando
85
+
86
+ - [ ] Cada falha tem **veredicto medido** no vocabulário fechado.
87
+ - [ ] Cada "desarmada" traz a **fronteira de validade** — onde vale e onde não vale — não
88
+ apenas o "passou".
89
+ - [ ] Cada "confirmada" traz a **alavanca quantificada** e a decisão de desenho que decorre
90
+ dela.
91
+ - [ ] Os **achados colaterais** (bugs, decisões de arquitetura cravadas pelos testes) estão
92
+ registrados.
93
+ - [ ] O que continua pendente está listado com dono, e explicitamente reclassificado de
94
+ *bloqueio* para *validação posterior* — ou mantido como bloqueio.
95
+
96
+ ---
97
+
98
+ ## Fundamentos
99
+
100
+ ### O núcleo: o frame de certeza
101
+
102
+ Um risk assessment pergunta *"o que pode dar errado?"*. O premortem afirma *"deu errado — por
103
+ quê?"*. A diferença não é retórica: é a passagem de um julgamento probabilístico (que o
104
+ cérebro trata como hipótese remota e educadamente descarta) para uma tarefa explicativa (que
105
+ o cérebro trata como fato consumado e para a qual gera causas específicas). Na formulação de
106
+ Klein: diferente de uma sessão de crítica típica, em que se pergunta o que *poderia* dar
107
+ errado, "o premortem opera sob a suposição de que o 'paciente' morreu, e portanto pergunta o
108
+ que *deu* errado".
109
+
110
+ - **Klein, G. (2007), "Performing a Project Premortem", HBR 85(9), 18–19.** Formaliza o
111
+ exercício: o time é briefado no plano, assume que ele fracassou redondamente, e cada
112
+ participante gera razões plausíveis para a morte.
113
+ - **Mitchell, Russo & Pennington (1989), "Back to the future", JBDM 2(1), 25–38.** Origem do
114
+ *prospective hindsight*, base do número mais citado da técnica (**~30% de aumento na
115
+ capacidade de identificar corretamente razões para resultados futuros**). *Nota de
116
+ honestidade:* esse "30%" é a atribuição que Klein faz ao estudo; o artigo original manipula
117
+ duas variáveis — perspectiva temporal e certeza do desfecho — e encontra o efeito forte na
118
+ **certeza do desfecho**. Isso reforça o método: o que carrega o efeito é assumir que a coisa
119
+ aconteceu, não apenas se projetar no futuro.
120
+ - **Veinott, Klein & Wiggins (2010), ISCRAM.** n=178, cinco condições, plano real de resposta
121
+ a epidemia. O premortem reduziu a confiança no plano cerca do dobro do efeito de gerar
122
+ prós/contras — e, **depois de gerar soluções, a confiança voltou a subir mais** na condição
123
+ premortem. O premortem não é pessimismo: é um ciclo destrói-e-reconstrói.
124
+ - **Klein, Koller & Lovallo (2019), "Bias busters: Premortems", McKinsey Quarterly.** O
125
+ mecanismo organizacional: líderes são superconfiantes e ancoram num único caminho; membros
126
+ do time evitam falar por medo de parecerem negativos. O premortem torna a dissidência a
127
+ tarefa designada, não um ato de coragem.
128
+
129
+ ### Os vieses que a técnica desarma
130
+
131
+ - **Falácia do planejamento / viés de otimismo** — Kahneman & Tversky (1979): subestimamos
132
+ prazo, custo e risco e superestimamos benefícios, porque adotamos a *inside view*. A cura é
133
+ a *outside view* (Lovallo & Kahneman, 2003) e o *reference class forecasting* de Flyvbjerg
134
+ (2006, 2008), cuja base empírica é brutal: ~92% dos megaprojetos estouram orçamento, prazo
135
+ ou ambos; sobrecustos médios de 45% (ferrovias), 34% (pontes/túneis) e 20% (rodovias),
136
+ estáveis há 70 anos.
137
+ - **Viés de confirmação** — Wason (1960); Nickerson (1998). Existindo um plano, toda evidência
138
+ é lida como apoio a ele. O premortem inverte o alvo da busca.
139
+ - **Groupthink** — Janis (1972). O premortem torna a dissidência obrigatória e, na versão em
140
+ grupo, anônima na primeira rodada.
141
+ - **Disponibilidade e transferência indevida de confiança** — medir o fácil e chamá-lo de "o
142
+ todo". É o vetor dominante em projetos com uma camada bem auditada.
143
+
144
+ ### Vizinhança metodológica
145
+
146
+ | Técnica | O que faz | Como difere |
147
+ |---|---|---|
148
+ | **Risk register / matriz probabilidade×impacto** | Enumera riscos pontuados | Trabalha em modo possibilidade, produz abstrações genéricas, raramente tem dono, teste ou prazo. É inventário; premortem é narrativa causal |
149
+ | **Key Assumptions Check** (Heuer & Pherson, 2010/2019) | Explicita e questiona premissas implícitas | Complementar e ideal como **preparação**: a lista de premissas não medidas é a munição do narrador — é a F0 |
150
+ | **Structured Self-Critique** (Pherson) | O time vira seu crítico mais duro | Evolução formalizada do premortem para análise de inteligência |
151
+ | **Red teaming / advogado do diabo** (Zenko, 2015) | Adversário dedicado ataca o plano | Red team ataca *de fora e no presente*; premortem ataca *de dentro e do futuro*, com acesso a premissas internas que o adversário externo não conhece |
152
+ | **Análise de Hipóteses Concorrentes** (Heuer, 1999) | Avalia evidência contra múltiplas hipóteses | Diagnóstico, não antecipação de falha |
153
+ | **Discovery-Driven Planning** (McGrath & MacMillan, 1995) | Checklist de premissas + reverse income statement + financiamento por marcos | Fornece a disciplina do "depois": sucesso = máximo de aprendizado pelo mínimo de gasto |
154
+ | **Leap-of-faith assumptions / MVP** (Ries, 2011) | Isola as premissas que sustentam o negócio | Mesma filosofia; o premortem é o gerador de candidatas |
155
+ | **Riskiest Assumption Test** (Higham, 2016; Bland & Osterwalder, 2019) | Constrói só o suficiente para testar a maior incógnita | É exatamente o **destino** de cada falha. Assumption mapping (importância × evidência) é a ordenação formal da letalidade |
156
+ | **Kill criteria** (Duke, 2018/2022; McKinsey, 2019) | Sinais pré-comprometidos que mandam parar | Duke é explícita: um premortem só é bom se você estabelece kill criteria e se compromete com as ações ao ver esses sinais |
157
+ | **Strong inference** (Platt, 1964) e falsificacionismo (Popper) | Hipóteses concorrentes + experimento crucial | É a epistemologia do teste desarmador: o teste vale pelo que consegue *reprovar* |
158
+ | **Chaos engineering / GameDays** (Basiri et al., 2016) | Injeta falha em produção | É o premortem executado continuamente sobre um sistema vivo |
159
+
160
+ ### A tese em uma linha
161
+
162
+ O premortem funciona porque **transforma incerteza em narrativa, narrativa em premissa
163
+ falsificável, e premissa falsificável em experimento barato com critério de aceite
164
+ pré-comprometido**. Um premortem que para na narrativa é teatro; um que começa na lista de
165
+ riscos nunca chega a ser específico o bastante para virar experimento.
166
+
167
+ ---
168
+
169
+ ## Referências
170
+
171
+ - Basiri, A. et al. (2016). "Chaos Engineering." *IEEE Software* 33(3).
172
+ - Bland, D. J., & Osterwalder, A. (2019). *Testing Business Ideas*. Wiley.
173
+ - Duke, A. (2018). *Thinking in Bets*. Portfolio. / (2022). *Quit*. Portfolio.
174
+ - Flyvbjerg, B., Holm, M. S., & Buhl, S. (2002). "Underestimating Costs in Public Works
175
+ Projects: Error or Lie?" *JAPA* 68(3).
176
+ - Flyvbjerg, B. (2006). "From Nobel Prize to Project Management: Getting Risks Right."
177
+ *Project Management Journal* 37(3), 5–15.
178
+ - Heuer, R. J. (1999). *Psychology of Intelligence Analysis*. CIA CSI.
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+ - Heuer, R. J., & Pherson, R. H. (2010; 3ª ed. 2019). *Structured Analytic Techniques for
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+ Intelligence Analysis*. CQ Press.
181
+ - Higham, R. (2016). "The MVP is dead. Long live the RAT."
182
+ - Janis, I. L. (1972). *Victims of Groupthink*. Houghton Mifflin.
183
+ - Kahneman, D. (2011). *Thinking, Fast and Slow*. FSG.
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+ - Kahneman, D., & Tversky, A. (1979). "Intuitive prediction: Biases and corrective
185
+ procedures."
186
+ - Klein, G. (2007). "Performing a Project Premortem." *HBR* 85(9), 18–19.
187
+ - Klein, G., Koller, T., & Lovallo, D. (2019). "Bias busters: Premortems: Being smart at the
188
+ start." *McKinsey Quarterly*, abr. 2019. (e "Knowing when to kill a project", jun. 2019)
189
+ - Lovallo, D., & Kahneman, D. (2003). "Delusions of Success." *HBR*, jul. 2003.
190
+ - McGrath, R. G., & MacMillan, I. C. (1995). "Discovery-Driven Planning." *HBR*, jul–ago 1995.
191
+ - Mitchell, D. J., Russo, J. E., & Pennington, N. (1989). "Back to the future: Temporal
192
+ perspective in the explanation of events." *JBDM* 2(1), 25–38.
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+ *Review of General Psychology* 2(2), 175–220.
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+ - Popper, K. (1934/1959). *The Logic of Scientific Discovery*.
197
+ - Ries, E. (2011). *The Lean Startup*. Crown Business.
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+ - Tetlock, P., & Gardner, D. (2015). *Superforecasting*. Crown.
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+ - Veinott, E. S., Klein, G., & Wiggins, S. (2010). "Evaluating the effectiveness of the
200
+ PreMortem technique on plan confidence." *ISCRAM 2010*, Seattle.
201
+ - Zenko, M. (2015). *Red Team*. Basic Books.