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{"0843a6e8-14f1-5005-a1be-69139c9e1a4b":{"name":"*Pregação de S. Francisco Xavier em Goa*","description":"Este óleo sobre tela pertence à série de vinte pinturas representando episódios da vida de S. Francisco Xavier (1506-1552), da autoria do pintor proto-barroco português André Reinoso (c. 1590-1641) e da sua oficina, situados no espaldar dos arcazes de madeira da sacristia seiscentista da Igreja de S. Roque. Foram colocados no lugar que ocupam actualmente em 1619, três anos antes da canonização do santo jesuíta, em 12 de Março de 1622, integrando-se numa vasta campanha de “propaganda” da vida e da obra do santo missionário, com vista à sua rápida canonização. A cena representa, com palpitante realismo, uma das pregações feitas por S. Francisco Xavier em Goa, cidade onde chegara em 1542. O quadro reveste-se de particular interesse do ponto de vista etnográfico, reproduzindo a diversidade de vestes e usos das populações indianas, bem como a variedade de castas sociais existentes naquela cidade, verdadeira cosmopolis do Oriente. O santo encontra-se de pé, em inflamada pregação, a que assistem nobres portugueses a cavalo, por detrás de um grupo de gentios convertidos – homens, mulheres e crianças. No plano de fundo da pintura, depara-se o cenário citadino de feição italiana.","short_description":"Três anos antes da canonização oficial de São Francisco Xavier, em 1622, os jesuítas encomendaram a André Reinoso uma série de vinte pinturas sobre a vida do santo. A pintura mostra-o rodeado de convertidos: homens, mulheres, crianças e nobres portugueses a cavalo. Como pano de fundo, uma paisagem influenciada pelo maneirismo italiano.","type":"Pintura.","holder":"Santa Casa de Misericórdia / Museu de S. Roque","owner":"Santa Casa da Misericórdia de Lisboa / Museu de S. 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O., *Pintura – Século XVI ao Século XX, Colecção de Pintura da Misericórdia de Lisboa*, Tomo I, Vol. V, Museu de São Roque, Lisboa, 1998. \nSerrão, V. A., “A série seiscentista da Vida de São Francisco Xavier do antigo Colégio do Espírito Santo em Évora: a iconografia xaveriana à luz de uma singular narração policénica”, *Revista Oriente*, nº. 3, Lisboa, 2005. \nHenriques, A. M. 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A personagem é Santa Maria Madalena e o que a pintura narra é um dos primeiros gestos da sua conversão religiosa, o da renúncia aos bens mundanos, a que se seguirá a retirada para o deserto, lugar de penitência, de meditação e do seu místico encontro com Cristo. Madalena é, na época da Contra-Reforma, um modelo de exortação à conversão e à penitência, o grande exemplo feminino de quem trocou uma vida de riqueza e de prazeres efémeros pela vida contemplativa, desprezando todas as vaidades do mundo. \nA ênfase descritiva da pintura relativamente a inúmeros pormenores da personagem e do aposento é bem sintomático da intenção de acentuar o contraste entre o luxo que Madalena agora abandona e o que será depois a sua redenção pelo despojamento e a penitência no deserto: o mobiliário, a riqueza dos tecidos, o alaúde em cima da arca, até o gato, debaixo da mesa, tudo constitui um signo de conforto doméstico. Mas o centro da acção, o fulcro do abandono das vanidades é representado pelas jóias que ela vai depositando sobre a mesa, emblemas supremos da beleza vã e da vaidade mundana. A pintura torna-se, assim, um precioso registo iconográfico no domínio do mobiliário da época, da indumentária feminina e, principalmente, do tipo de jóias que então se usavam. \nÉ curioso verificar que esta imagem foi pintada por uma religiosa, não por um pintor profissional. Joana Baptista, de cuja biografia pouco se sabe, era freira nas Maltesas de S. João de Estremoz. Pintou, decerto no estilo encantador mas ingénuo que este pequeno cobre evidencia, outras pinturas para conventos franciscanos e beneditinos. Uma pintura freirática para freiras, apresentando Madalena como espelho de comportamento e devoção.","short_description":"Maria Madalena despoja-se das jóias, símbolos da vaidade, renunciando ao luxo mundano antes de abraçar uma vida de penitência no deserto. 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Iconografia Musical na Pintura do Século XV ao Século XX*, Museu da Música, Lisboa, 1999, nº. 84, pp.110–111. \nSerrão, V., *Rouge et Or, Trésors du Portugal Baroque*, Musée André Jacquemart, Paris, 2002.","copyright":"Direitos de autor fotografias: Divisão de Documentação Fotográfica/ Instituto dos Museus e da Conservação,I.P.","author":"José Alberto Seabra Carvalho","keywords":["Contra-Reforma","jóias.","Santa Maria Madalena","Vanitas"],"materials":["Óleo sobre cobre."]},"20d7a54a-622f-5e96-bb49-b5ebfbee73fc":{"name":"*Natureza-morta*","description":"Baltazar Gomes Figueira, nascido em Óbidos, fez a sua formação artística em Sevilha, onde contactou com grandes mestres da pintura espanhola do século XVII, como Francisco de Herrera, Zurbarán e Juan del Castillo, que, certamente, o influenciaram na arte de pintar *bodegones,* designação dada às naturezas-mortas ou a cenas de cozinha, na Espanha do século XVII. Este género de pintura era muito apreciado na Europa de seiscentos, resultado da importância que o quotidiano passou a ocupar no campo das artes visuais e da curiosidade pelas ciências naturais. Em geral, a natureza-morta, característica da estética do Barroco, apela a valores transcendentais pela materialidade dos objectos e propõe uma interpretação simbólica, atribuindo a cada um dos seus elementos significados pedagógicos e moralizantes. \nEsta pintura é composta por três grupos de elementos. À esquerda, na parte mais despojada da mesa, dispõem-se os peixes, que aludem às quatro virtudes cardeais: Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança. Sobre uma toalha de seda, trabalhada em vibrantes tons de verde, encontram-se quatro peças de caça (pardal, picanço, pato e perdiz), habitualmente associadas à luxúria e ao pecado. O cacho de uvas surge como a redenção dos pecados que as peças de caça representam. À direita, estão dispostos vários objectos (uma salva de prata e um pote de barro), doces, bolos (folares e pão-de-ló) e frutos (duas laranjas, um limão e duas pêras). Os frutos e os doces simbolizam a abundância, os desejos sensuais, a prosperidade e a imortalidade, num apelo aos sentidos e ao deleite contemplativo. \nOs animais, os frutos e os doces congregam-se em grupos de quatro, expressão numerológica relacionada com as quatro estações da natureza, os quatro momentos do ciclo da vida humana (nascimento, infância, idade adulta e velhice), os quatro elementos (terra, ar, água e fogo) e os quatro princípios da nossa existência (mente, corpo, espírito e alma). \nA composição é equilibrada e revela um trabalho de minúcia e de requinte, o domínio da técnica do claro-escuro, uma atenção ao pormenor e um grande realismo na representação das sombras e dos reflexos de luz.","short_description":"Natureza-morta com peixes, aves, frutos, doces e objectos de barro e prata, atribuída a Baltazar Gomes Figueira, possivelmente realizada entre 1640 e 1650. \nEsta composição parece sugerir dois mundos complementares: a representação simbólica do mundo espiritual (expressa através dos peixes e do cacho de uvas), em oposição ao mundo terreno com os seus perigos (encarnado pelas peças de caça, pelos doces e pelas frutas).","type":"*Bodegones*, natureza-morta.","holder":"Museu Grão Vasco.","owner":"Museu Grão Vasco.","location":"Viseu., Viseu","dimensions":"Altura: 41 cm; largura: 161 cm.","place_of_production":"Óbidos, Portugal.","method_for_datation":"Análise estilística.","provenance":"Colecção permanente do Museu Grão Vasco.","bibliography":"Serrão, V., *Josefa de Óbidos e o Tempo do Barroco,* Catálogo, Palácio da Ajuda, 1991. \nSerrão, V., *Uma obra-prima do pintor seiscentista Baltazar Gomes Figueira*, Éden Gráfico, Viseu, 1994. \n*Rouge et or: trésors du Portugal Barroque*, Catálogo, Musée André Jacquemart, Paris, 2001.","copyright":"Direitos de autor fotografias: Divisão de Documentação Fotográfica /Instituto dos Museus e Conservação,IP.","author":"Graça Marcelino","keywords":["bodegones","iconografia mística","Museu Grão Vasco","naturalismo","Natureza-morta","Viseu"],"materials":["Pintura a óleo sobre tela."]},"4bd11f30-7eb1-584b-9175-3069c058941f":{"name":"*Par de naturezas-mortas: Doces e Barros e Doces e Flores*","description":"Trata-se de duas naturezas-mortas pertencentes à Colecção de Anselmo Braamcamp Freire e da autoria de Josefa d'Óbidos. Neste trabalho, é visível a influência das pinturas flamenga, holandesa e andaluza que Josefa d' Óbidos, no seu género naturalista, adaptou, numa expressão muito própria. A simplicidade é a base desta pintura, onde os elementos-chave são os doces, os barros e as flores e é essa mesma simplicidade, aliada à delicada técnica desta artista assim como a uma generosa selecção cromática, que transformam estas telas em mundos silenciosos e realísticos de objectos vivos em toda a sua quietude. \nÉ de salientar a aplicação da escala de brancos que, na sua subtileza, tornam o realismo destas telas ainda mais vivo e intensificam o despertar dos cinco sentidos, tão típico do Barroco e tão característico desta pintora. \nUma outra visão destas telas está relacionada com uma alegoria à cristandade e à vida conventual. Símbolos como o pão, as pratas e os potes relacionam-se com momentos festivos e banquetes como o é a própria Eucaristia. Por seu turno, as cerâmicas estão relacionadas com os costumes quotidianos da vila de Óbidos. \nÉ ainda possível relacionar com o discurso barroco da Contra-Reforma, no qual se destacam os gestos e os comportamentos excessivos da natureza humana, em contraste com os princípios e os valores mais puros e simples. Peças valiosas e bordados luxuosos contracenam com rosas brancas e vermelhas, associadas ao espírito de paciência e ao martírio espiritual. Usando os seus conhecimentos sobre a simbologia e o significado das plantas, a pintora torna cada elemento um símbolo relacionado com a realidade e os valores morais e espirituais da existência humana. Assim sendo, nas cerejas e nas rosas podemos encontrar a representação da felicidade; encontramos o amor maternal nos cravos ou a vida eterna simbolizada por uma borboleta.","short_description":"Estas duas naturezas-mortas evocam o discurso barroco da Contra-Reforma, onde se destacam gestos e comportamentos excessivos da natureza humana, simbolizados pelos elementos que representam os valores terrenos, em contraste com os valores puros e simples, simbolizados pelas flores, mais conformes com o espírito contra-reformista.","type":"Pintura.","holder":"Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire","owner":"Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire","initial_owner":"Colecção privada.","dates":"1676","location":"Santarém, Santarém","dimensions":"Doces e Barros - Altura: 84 cm; largura: 160.5 cm \nDoces e Flores - Altura: 85 cm; largura: 160.5 cm.","place_of_production":"Óbidos.","method_for_datation":"Assinado e datado: “+ / Josepha. Em Óbidos. / 1676.”","provenance":"Atelier da pintora Josefa d’Ayala e Cabrera, Colecção Anselmo Braamcamp Freire.","obtention":"Anselmo Braamcamp Freire doou o seu palácio e a sua colecção de arte ao município de Santarém. Estas duas obras pertencem à colecção que continua exposta no palácio, actualmente transformado parcialmente em Casa Museu Anselmo Braamcamp Freire.","bibliography":"Sequeira, G. de M., *Inventário Artístico de Portugal*, *Distrito de Santarém*, vol. III, Lisboa, ANBA, 1949, p. 73. \nSerrão, V., (coord.), *Josefa de Óbidos e o tempo barroco*, Catálogo de Exposição, I.P.P.C., Lisboa, 1991, p. 203. \n*The Sacred and the Profane: Josefa de Óbidos of Portugal 1630–1684*, National Museum of Women in the Arts, Washington, 1997. \n*Rouge et Or,* *Trésors du Portugal Baroque,* Catálogo de Exposição, Paris, 2002. \nSerrão, V., *História de Arte em Portugal, o Barroco,* Lisboa, 1º ed., 2003.","workshop":"Natureza-morta/*Bodegones*.","author":"Susana Alves","keywords":["bodegones","Contra-Reforma","naturalismo","Natureza-morta","Santarém"],"materials":["Óleo sobre tela."]},"5a8a244d-67e0-5d59-8dde-4569de053291":{"name":"*Junot protegendo a cidade de Lisboa*.","description":"No contexto das invasões francesas, Domingos Sequeira cedo estabeleceu amizade com oficiais do exército napoleónico, como é o caso do conde de Forbin, oficial e pintor amador. Esta aproximação valeu a Sequeira a encomenda de uma representação alegórica que se pretendia exaltante da acção protectora do general Junot pela cidade de Lisboa. Esta actividade de Sequeira, entendida como uma adesão aos ideais do inimigo ocupante, custou-lhe perseguições e processos condenatórios. Foi com grande esforço que Sequeira conseguiu, em parte, a sua reabilitação perante o país. \nNum espaço de ar livre, sobre uma colina, estão representados três grupos de figuras, nos primeiros planos. No grupo central da composição, está representado Junot, em traje militar, de pé, voltado para uma figura de mulher jovem, que representa a cidade de Lisboa, amparada pela Religião e pelo Génio da Nação. À esquerda da composição, num plano um pouco mais recuado, outro grupo de figuras constituído por dois homens, de que só são visíveis os troncos nus, representando Marte que aniquila Neptuno, e que simbolizam, respectivamente, a França e a Inglaterra. No lado oposto, duas figuras femininas, que avançam em direcção ao grupo central, suspensas no ar, representam Ceres e Minerva, a abundância e a sabedoria. Sobre elas, paira uma águia de grandes asas abertas. O cenário desta representação é constituído por uma extensa planície que se estende até ao mar. A meia distância, um numeroso exército onde se distinguem cavalos e cavaleiros que avançam em formação. Ao fundo, uma esquadra numerosa está fundeada junto à praia. O céu, sombrio e carregado de nuvens, que preenche uma grande faixa do cenário da composição, abre-se numa tonalidade mais clara e luminosa junto à linha do horizonte, sobre o mar.","short_description":"Cena alegórica, que representa o general Junot oferecendo protecção à cidade de Lisboa, personificada por uma jovem mulher, amparada pela Religião e pelo Génio da Nação, ambos ladeados por Marte e Neptuno, Ceres e Minerva, sob a ampla figura de uma águia. Ao fundo, uma extensa planície povoada de tropas, o mar e o céu sombrio.","type":"Pintura alegórica.","holder":"Museu Nacional de Soares dos Reis.","owner":"Câmara Municipal do Porto.","initial_owner":"Colecção João Allen, Porto. João Allen adquiriu a pintura em Roma, ao próprio pintor, em 1827.","dates":"Cerca de 1808.","location":"Porto., Porto","dimensions":"Altura: 73.5 cm; largura: 100 cm.","place_of_production":"Lisboa.","method_for_datation":"Evidência histórica.","provenance":"Adquirido a João Allen pela Câmara Municipal do Porto.","obtention":"A Câmara Municipal do Porto adquiriu a Colecção de João Allen em 1851. Em 1940, é feito o depósito das colecções do Museu Municipal no Museu Nacional de Soares dos Reis.","bibliography":"Vasconcelos, J. de, “Sequeira e Junot”, in *Arte – Archivo de Obras de Arte*, ano VIII, nº. 90, Porto, 1912, pp. 46–48. \nFrança, J.-A., *A Arte em Portugal no Século XIX*, Lisboa, 1991, pp. 146–147. \n*Sequeira 1768 – 1837,* *Um Português na Mudança dos Tempos,* Catálogo de exposição, MC/IPM/MNAA, Lisboa, 1997, pp. 184–185. \nAAVV – *Museu Nacional de Soares dos Reis*, Roteiro da Colecção, Porto, 2001, p. 64.","copyright":"Direitos de autor fotografia: Divisão de Documentação Fotográfica/ Instituto dos Museus e da Conservação,I.P.","author":"Elisa Ribeiro Soares","keywords":["Antigo Regime","Napoleão.","pintura alegórica","Pintura histórica"],"materials":["Pintura a óleo sobre tela."]},"86b3e2e2-6141-5567-8390-ebba3dc04e2a":{"name":"*Santo Agostinho*","alternate_name":"Santo Agostinho calcando a Heresia","description":"A pintura *Santo Agostinho* decorava a portaria do Convento de Nossa Senhora da Graça, em Lisboa, da Ordem de Santo Agostinho, que foi construído a partir de 1271 e sofreu reformas importantes em 1565. As obras dos séculos XVII e XVIII transformaram este convento num dos mais sumptuosos de Lisboa, tendo depois ruído no terramoto de Lisboa, de 1755. Foi depois totalmente reconstruído. Esta pintura constituiu, muito provavelmente, uma oferta de D. José I, pois Francisco Vieira Lusitano era o seu pintor régio. \nO Santo, com as vestes episcopais, escreve enquanto calca a cabeça da *Heresia.* Junto ao Santo, um *putto* encoraja um cão a atacar a figura alegórica enquanto outro, na parte inferior da pintura, queima livros heréticos. Na parte superior, a alegoria à Igreja emerge das sombras, pintada em ocre escuro. O cenário é constituído por fortes colunas em ruínas e, no fundo da pintura, um edifício clássico em perspectiva, sob a luz do dia, acentua o contraste entre a profundidade da paisagem e o ambiente pesado do escritório do Santo. \nVieira Lusitano assinou a obra como *accademico di merito* (da Academia de S. Lucas, de Roma, título que obteve em 1727, o primeiro artista português a merecê-lo). Foi influenciado pela pintura romana tardo-barroca e o Rococó, sendo os seus mestres Benedetto Lutti (1666-1724) e depois Francesco Trevisani (1656-1746), um discípulo de Carlo Maratta (1625-1713). \nA grande escala da pintura revela uma composição de grande clareza geométrica, com assimetrias e movimento calculados. A solidez das arquitecturas e a sensibilidade da paisagem servem de fundo às figuras que actuam como actores num palco. A presença de *putti* brincando com assuntos do tema constitui também uma característica da pintura romana. Notável o uso sumptuoso da cor: ocres, encarnados, alguns azuis, tons da carnação, ouro e prata nos detalhes das vestes do Bispo. \nVieira Lusitano usa a alegoria para introduzir ideias complexas nas suas obras dedicadas aos patronos mais sofisticados, como acontece nesta pintura.","short_description":"*Santo Agostinho,* obra-prima da arte barroca portuguesa, revela influência da pintura romana A cena desenvolve-se no escritório do Santo, com abertura para uma paisagem de cidade com arquitectura clássica. Celebra Santo Agostinho Bispo, um dos Padres da Igreja, escritor cristão, vencendo a *Heresia.*","type":"Pintura.","holder":"Museu Nacional de Arte Antiga","owner":"Museu Nacional de Arte Antiga.","initial_owner":"Convento de Nossa Senhora da Graça, Lisboa.","dates":"1763","location":"Lisboa, Lisboa","dimensions":"Altura: 325 cm; largura: 211 cm.","place_of_production":"Lisboa.","method_for_datation":"A pintura está datada e assinada pelo autor.","provenance":"Convento de Nossa Senhora da Graça, Lisboa.","obtention":"O Convento e a Ordem de Santo Agostinho foram extintos e os seus bens, móveis e imóveis, confiscados em 1834. Esta pintura fazia parte desse conjunto de bens confiscados e depositados no Museu da Academia de Belas-Artes de Lisboa. Quando este fechou, a colecção foi transferida para o Museu Nacional de Arte Antiga, instalado no Palácio Alvor, em Lisboa.","bibliography":"Machado, C. W., *Colecção de Memórias*, Lisboa, 1823. \nSaldanha, N., *Joanni V Magnifico*, Lisboa, 1994. \nArruda, L.*, Francisco Vieira Lusitano (1699-1783). O desenho*, Lisboa, 2000. \nDelaforce, A., *Art and Patronage in the 18th century in Portugal*, Cambridge, 2002.","workshop":"Tardo-Barroco, Rococó.","copyright":"Direitos de autor fotografia: Divisão de Documentação Fotográfica/ Instituto dos Museus e da Conservação,I.P.","author":"Luisa Arruda","keywords":["alegoria","conhecimento","escritório","heresia","Pintura","Rococó","Santo Agostinho.","Tardo-barroco"],"materials":["Pintura a óleo sobre tela."]}}
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A personagem é Santa Maria Madalena e o que a pintura narra é um dos primeiros gestos da sua conversão religiosa, o da renúncia aos bens mundanos, a que se seguirá a retirada para o deserto, lugar de penitência, de meditação e do seu místico encontro com Cristo. Madalena é, na época da Contra-Reforma, um modelo de exortação à conversão e à penitência, o grande exemplo feminino de quem trocou uma vida de riqueza e de prazeres efémeros pela vida contemplativa, desprezando todas as vaidades do mundo. \nA ênfase descritiva da pintura relativamente a inúmeros pormenores da personagem e do aposento é bem sintomático da intenção de acentuar o contraste entre o luxo que Madalena agora abandona e o que será depois a sua redenção pelo despojamento e a penitência no deserto: o mobiliário, a riqueza dos tecidos, o alaúde em cima da arca, até o gato, debaixo da mesa, tudo constitui um signo de conforto doméstico. 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A pintura apresenta-se como uma narrativa exemplar de comportamento moral e religioso na época da Contra-Reforma e uma fonte iconográfica do quotidiano aristocrático.","type":"Pintura, *vanitas vanitatum*.","holder":"Museu Nacional de Arte Antiga","owner":"Museu Nacional de Arte Antiga.","initial_owner":"Convento do Salvador, Braga.","dates":"Fins do século XVII","location":"Lisboa, Lisboa","dimensions":"Altura: 26 cm; largura: 21.5 cm.","place_of_production":"Desconhecido.","method_for_datation":"Análise estilística.","provenance":"Convento do Salvador, Braga.","obtention":"Convento do Salvador de Braga.","bibliography":"Oliveira, E. P. de, *O edifício do convento do Salvador de Braga (de convento de Freiras a lar do Conde de Agrolongo)*, Braga, 1994. \nHall, A., *A pintura a vertente do feminino e o século XVIII português*, Lisboa, 1999. \nSousa, L. e Santos, M., “Santa Maria Madalena”, *in* Trindade, M. H. F. (coord.), *Exposição de Arte e Música. Iconografia Musical na Pintura do Século XV ao Século XX*, Museu da Música, Lisboa, 1999, nº. 84, pp.110–111. \nSerrão, V., *Rouge et Or, Trésors du Portugal Baroque*, Musée André Jacquemart, Paris, 2002.","dynasty":"","copyright":"Direitos de autor fotografias: Divisão de Documentação Fotográfica/ Instituto dos Museus e da Conservação,I.P.","author":"José Alberto Seabra Carvalho","keywords":["Contra-Reforma","jóias.","Santa Maria Madalena","Vanitas"],"materials":["Óleo sobre cobre."]},"20d7a54a-622f-5e96-bb49-b5ebfbee73fc":{"name":"*Natureza-morta*","description":"Baltazar Gomes Figueira, nascido em Óbidos, fez a sua formação artística em Sevilha, onde contactou com grandes mestres da pintura espanhola do século XVII, como Francisco de Herrera, Zurbarán e Juan del Castillo, que, certamente, o influenciaram na arte de pintar *bodegones,* designação dada às naturezas-mortas ou a cenas de cozinha, na Espanha do século XVII. Este género de pintura era muito apreciado na Europa de seiscentos, resultado da importância que o quotidiano passou a ocupar no campo das artes visuais e da curiosidade pelas ciências naturais. Em geral, a natureza-morta, característica da estética do Barroco, apela a valores transcendentais pela materialidade dos objectos e propõe uma interpretação simbólica, atribuindo a cada um dos seus elementos significados pedagógicos e moralizantes. \nEsta pintura é composta por três grupos de elementos. À esquerda, na parte mais despojada da mesa, dispõem-se os peixes, que aludem às quatro virtudes cardeais: Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança. Sobre uma toalha de seda, trabalhada em vibrantes tons de verde, encontram-se quatro peças de caça (pardal, picanço, pato e perdiz), habitualmente associadas à luxúria e ao pecado. O cacho de uvas surge como a redenção dos pecados que as peças de caça representam. À direita, estão dispostos vários objectos (uma salva de prata e um pote de barro), doces, bolos (folares e pão-de-ló) e frutos (duas laranjas, um limão e duas pêras). Os frutos e os doces simbolizam a abundância, os desejos sensuais, a prosperidade e a imortalidade, num apelo aos sentidos e ao deleite contemplativo. \nOs animais, os frutos e os doces congregam-se em grupos de quatro, expressão numerológica relacionada com as quatro estações da natureza, os quatro momentos do ciclo da vida humana (nascimento, infância, idade adulta e velhice), os quatro elementos (terra, ar, água e fogo) e os quatro princípios da nossa existência (mente, corpo, espírito e alma). \nA composição é equilibrada e revela um trabalho de minúcia e de requinte, o domínio da técnica do claro-escuro, uma atenção ao pormenor e um grande realismo na representação das sombras e dos reflexos de luz.","short_description":"Natureza-morta com peixes, aves, frutos, doces e objectos de barro e prata, atribuída a Baltazar Gomes Figueira, possivelmente realizada entre 1640 e 1650. \nEsta composição parece sugerir dois mundos complementares: a representação simbólica do mundo espiritual (expressa através dos peixes e do cacho de uvas), em oposição ao mundo terreno com os seus perigos (encarnado pelas peças de caça, pelos doces e pelas frutas).","type":"*Bodegones*, natureza-morta.","holder":"Museu Grão Vasco.","owner":"Museu Grão Vasco.","location":"Viseu., Viseu","dimensions":"Altura: 41 cm; largura: 161 cm.","place_of_production":"Óbidos, Portugal.","method_for_datation":"Análise estilística.","provenance":"Colecção permanente do Museu Grão Vasco.","bibliography":"Serrão, V., *Josefa de Óbidos e o Tempo do Barroco,* Catálogo, Palácio da Ajuda, 1991. \nSerrão, V., *Uma obra-prima do pintor seiscentista Baltazar Gomes Figueira*, Éden Gráfico, Viseu, 1994. \n*Rouge et or: trésors du Portugal Barroque*, Catálogo, Musée André Jacquemart, Paris, 2001.","artist_birthdate":"1604","artist_birthplace":"Óbidos","artist_deathdate":"1674","artist_deathplace":"Óbidos","copyright":"Direitos de autor fotografias: Divisão de Documentação Fotográfica /Instituto dos Museus e Conservação,IP.","author":"Graça Marcelino","keywords":["bodegones","iconografia mística","Museu Grão Vasco","naturalismo","Natureza-morta","Viseu"],"materials":["Pintura a óleo sobre tela."]},"4bd11f30-7eb1-584b-9175-3069c058941f":{"name":"*Par de naturezas-mortas: Doces e Barros e Doces e Flores*","description":"Trata-se de duas naturezas-mortas pertencentes à Colecção de Anselmo Braamcamp Freire e da autoria de Josefa d'Óbidos. Neste trabalho, é visível a influência das pinturas flamenga, holandesa e andaluza que Josefa d' Óbidos, no seu género naturalista, adaptou, numa expressão muito própria. A simplicidade é a base desta pintura, onde os elementos-chave são os doces, os barros e as flores e é essa mesma simplicidade, aliada à delicada técnica desta artista assim como a uma generosa selecção cromática, que transformam estas telas em mundos silenciosos e realísticos de objectos vivos em toda a sua quietude. \nÉ de salientar a aplicação da escala de brancos que, na sua subtileza, tornam o realismo destas telas ainda mais vivo e intensificam o despertar dos cinco sentidos, tão típico do Barroco e tão característico desta pintora. \nUma outra visão destas telas está relacionada com uma alegoria à cristandade e à vida conventual. Símbolos como o pão, as pratas e os potes relacionam-se com momentos festivos e banquetes como o é a própria Eucaristia. Por seu turno, as cerâmicas estão relacionadas com os costumes quotidianos da vila de Óbidos. \nÉ ainda possível relacionar com o discurso barroco da Contra-Reforma, no qual se destacam os gestos e os comportamentos excessivos da natureza humana, em contraste com os princípios e os valores mais puros e simples. Peças valiosas e bordados luxuosos contracenam com rosas brancas e vermelhas, associadas ao espírito de paciência e ao martírio espiritual. Usando os seus conhecimentos sobre a simbologia e o significado das plantas, a pintora torna cada elemento um símbolo relacionado com a realidade e os valores morais e espirituais da existência humana. Assim sendo, nas cerejas e nas rosas podemos encontrar a representação da felicidade; encontramos o amor maternal nos cravos ou a vida eterna simbolizada por uma borboleta.","short_description":"Estas duas naturezas-mortas evocam o discurso barroco da Contra-Reforma, onde se destacam gestos e comportamentos excessivos da natureza humana, simbolizados pelos elementos que representam os valores terrenos, em contraste com os valores puros e simples, simbolizados pelas flores, mais conformes com o espírito contra-reformista.","type":"Pintura.","holder":"Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire","owner":"Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire","initial_owner":"Colecção privada.","dates":"1676","location":"Santarém, Santarém","dimensions":"Doces e Barros - Altura: 84 cm; largura: 160.5 cm \nDoces e Flores - Altura: 85 cm; largura: 160.5 cm.","place_of_production":"Óbidos.","method_for_datation":"Assinado e datado: “+ / Josepha. Em Óbidos. / 1676.”","provenance":"Atelier da pintora Josefa d’Ayala e Cabrera, Colecção Anselmo Braamcamp Freire.","obtention":"Anselmo Braamcamp Freire doou o seu palácio e a sua colecção de arte ao município de Santarém. Estas duas obras pertencem à colecção que continua exposta no palácio, actualmente transformado parcialmente em Casa Museu Anselmo Braamcamp Freire.","bibliography":"Sequeira, G. de M., *Inventário Artístico de Portugal*, *Distrito de Santarém*, vol. III, Lisboa, ANBA, 1949, p. 73. \nSerrão, V., (coord.), *Josefa de Óbidos e o tempo barroco*, Catálogo de Exposição, I.P.P.C., Lisboa, 1991, p. 203. \n*The Sacred and the Profane: Josefa de Óbidos of Portugal 1630–1684*, National Museum of Women in the Arts, Washington, 1997. \n*Rouge et Or,* *Trésors du Portugal Baroque,* Catálogo de Exposição, Paris, 2002. \nSerrão, V., *História de Arte em Portugal, o Barroco,* Lisboa, 1º ed., 2003.","workshop":"Natureza-morta/*Bodegones*.","artist_birthdate":"1630","artist_birthplace":"Sevilha","artist_deathdate":"1684","artist_deathplace":"Óbidos","author":"Susana Alves","keywords":["bodegones","Contra-Reforma","naturalismo","Natureza-morta","Santarém"],"materials":["Óleo sobre tela."]},"5a8a244d-67e0-5d59-8dde-4569de053291":{"name":"*Junot protegendo a cidade de Lisboa*.","description":"No contexto das invasões francesas, Domingos Sequeira cedo estabeleceu amizade com oficiais do exército napoleónico, como é o caso do conde de Forbin, oficial e pintor amador. Esta aproximação valeu a Sequeira a encomenda de uma representação alegórica que se pretendia exaltante da acção protectora do general Junot pela cidade de Lisboa. Esta actividade de Sequeira, entendida como uma adesão aos ideais do inimigo ocupante, custou-lhe perseguições e processos condenatórios. Foi com grande esforço que Sequeira conseguiu, em parte, a sua reabilitação perante o país. \nNum espaço de ar livre, sobre uma colina, estão representados três grupos de figuras, nos primeiros planos. No grupo central da composição, está representado Junot, em traje militar, de pé, voltado para uma figura de mulher jovem, que representa a cidade de Lisboa, amparada pela Religião e pelo Génio da Nação. À esquerda da composição, num plano um pouco mais recuado, outro grupo de figuras constituído por dois homens, de que só são visíveis os troncos nus, representando Marte que aniquila Neptuno, e que simbolizam, respectivamente, a França e a Inglaterra. No lado oposto, duas figuras femininas, que avançam em direcção ao grupo central, suspensas no ar, representam Ceres e Minerva, a abundância e a sabedoria. Sobre elas, paira uma águia de grandes asas abertas. O cenário desta representação é constituído por uma extensa planície que se estende até ao mar. A meia distância, um numeroso exército onde se distinguem cavalos e cavaleiros que avançam em formação. Ao fundo, uma esquadra numerosa está fundeada junto à praia. O céu, sombrio e carregado de nuvens, que preenche uma grande faixa do cenário da composição, abre-se numa tonalidade mais clara e luminosa junto à linha do horizonte, sobre o mar.","short_description":"Cena alegórica, que representa o general Junot oferecendo protecção à cidade de Lisboa, personificada por uma jovem mulher, amparada pela Religião e pelo Génio da Nação, ambos ladeados por Marte e Neptuno, Ceres e Minerva, sob a ampla figura de uma águia. Ao fundo, uma extensa planície povoada de tropas, o mar e o céu sombrio.","type":"Pintura alegórica.","holder":"Museu Nacional de Soares dos Reis.","owner":"Câmara Municipal do Porto.","initial_owner":"Colecção João Allen, Porto. João Allen adquiriu a pintura em Roma, ao próprio pintor, em 1827.","dates":"Cerca de 1808.","location":"Porto., Porto","dimensions":"Altura: 73.5 cm; largura: 100 cm.","place_of_production":"Lisboa.","method_for_datation":"Evidência histórica.","provenance":"Adquirido a João Allen pela Câmara Municipal do Porto.","obtention":"A Câmara Municipal do Porto adquiriu a Colecção de João Allen em 1851. Em 1940, é feito o depósito das colecções do Museu Municipal no Museu Nacional de Soares dos Reis.","bibliography":"Vasconcelos, J. de, “Sequeira e Junot”, in *Arte – Archivo de Obras de Arte*, ano VIII, nº. 90, Porto, 1912, pp. 46–48. \nFrança, J.-A., *A Arte em Portugal no Século XIX*, Lisboa, 1991, pp. 146–147. \n*Sequeira 1768 – 1837,* *Um Português na Mudança dos Tempos,* Catálogo de exposição, MC/IPM/MNAA, Lisboa, 1997, pp. 184–185. \nAAVV – *Museu Nacional de Soares dos Reis*, Roteiro da Colecção, Porto, 2001, p. 64.","artist_birthdate":"1768","artist_birthplace":"Lisboa","artist_deathdate":"1837","artist_deathplace":"Roma","copyright":"Direitos de autor fotografia: Divisão de Documentação Fotográfica/ Instituto dos Museus e da Conservação,I.P.","author":"Elisa Ribeiro Soares","keywords":["Antigo Regime","Napoleão.","pintura alegórica","Pintura histórica"],"materials":["Pintura a óleo sobre tela."]},"86b3e2e2-6141-5567-8390-ebba3dc04e2a":{"name":"*Santo Agostinho*","alternate_name":"Santo Agostinho calcando a Heresia","description":"A pintura *Santo Agostinho* decorava a portaria do Convento de Nossa Senhora da Graça, em Lisboa, da Ordem de Santo Agostinho, que foi construído a partir de 1271 e sofreu reformas importantes em 1565. As obras dos séculos XVII e XVIII transformaram este convento num dos mais sumptuosos de Lisboa, tendo depois ruído no terramoto de Lisboa, de 1755. Foi depois totalmente reconstruído. Esta pintura constituiu, muito provavelmente, uma oferta de D. José I, pois Francisco Vieira Lusitano era o seu pintor régio. \nO Santo, com as vestes episcopais, escreve enquanto calca a cabeça da *Heresia.* Junto ao Santo, um *putto* encoraja um cão a atacar a figura alegórica enquanto outro, na parte inferior da pintura, queima livros heréticos. Na parte superior, a alegoria à Igreja emerge das sombras, pintada em ocre escuro. O cenário é constituído por fortes colunas em ruínas e, no fundo da pintura, um edifício clássico em perspectiva, sob a luz do dia, acentua o contraste entre a profundidade da paisagem e o ambiente pesado do escritório do Santo. \nVieira Lusitano assinou a obra como *accademico di merito* (da Academia de S. Lucas, de Roma, título que obteve em 1727, o primeiro artista português a merecê-lo). Foi influenciado pela pintura romana tardo-barroca e o Rococó, sendo os seus mestres Benedetto Lutti (1666-1724) e depois Francesco Trevisani (1656-1746), um discípulo de Carlo Maratta (1625-1713). \nA grande escala da pintura revela uma composição de grande clareza geométrica, com assimetrias e movimento calculados. A solidez das arquitecturas e a sensibilidade da paisagem servem de fundo às figuras que actuam como actores num palco. A presença de *putti* brincando com assuntos do tema constitui também uma característica da pintura romana. Notável o uso sumptuoso da cor: ocres, encarnados, alguns azuis, tons da carnação, ouro e prata nos detalhes das vestes do Bispo. \nVieira Lusitano usa a alegoria para introduzir ideias complexas nas suas obras dedicadas aos patronos mais sofisticados, como acontece nesta pintura.","short_description":"*Santo Agostinho,* obra-prima da arte barroca portuguesa, revela influência da pintura romana A cena desenvolve-se no escritório do Santo, com abertura para uma paisagem de cidade com arquitectura clássica. Celebra Santo Agostinho Bispo, um dos Padres da Igreja, escritor cristão, vencendo a *Heresia.*","type":"Pintura.","holder":"Museu Nacional de Arte Antiga","owner":"Museu Nacional de Arte Antiga.","initial_owner":"Convento de Nossa Senhora da Graça, Lisboa.","dates":"1763","location":"Lisboa, Lisboa","dimensions":"Altura: 325 cm; largura: 211 cm.","place_of_production":"Lisboa.","method_for_datation":"A pintura está datada e assinada pelo autor.","provenance":"Convento de Nossa Senhora da Graça, Lisboa.","obtention":"O Convento e a Ordem de Santo Agostinho foram extintos e os seus bens, móveis e imóveis, confiscados em 1834. Esta pintura fazia parte desse conjunto de bens confiscados e depositados no Museu da Academia de Belas-Artes de Lisboa. Quando este fechou, a colecção foi transferida para o Museu Nacional de Arte Antiga, instalado no Palácio Alvor, em Lisboa.","bibliography":"Machado, C. W., *Colecção de Memórias*, Lisboa, 1823. \nSaldanha, N., *Joanni V Magnifico*, Lisboa, 1994. \nArruda, L.*, Francisco Vieira Lusitano (1699-1783). O desenho*, Lisboa, 2000. \nDelaforce, A., *Art and Patronage in the 18th century in Portugal*, Cambridge, 2002.","workshop":"Tardo-Barroco, Rococó.","artist_birthdate":"1699","artist_birthplace":"Lisboa","artist_deathdate":"1783","artist_deathplace":"Lisboa","copyright":"Direitos de autor fotografia: Divisão de Documentação Fotográfica/ Instituto dos Museus e da Conservação,I.P.","author":"Luisa Arruda","keywords":["alegoria","conhecimento","escritório","heresia","Pintura","Rococó","Santo Agostinho.","Tardo-barroco"],"materials":["Pintura a óleo sobre tela."]}}
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{"66dee6a2-095c-5e95-9ab7-3051179223bf":{"name":"Zübdetü’t-Tevarih","description":"Eser, ince aharlı kağıt üzerine iri nesih hat ve siyah mürekkeple, 90 yaprak halinde Türkçe yazılmıştır. İçinde konuyla ilgili olarak, bazı sayfalarda tek bazı sayfalarda ise çift minyatür olmak üzere 55 adet minyatür bulunmaktadır. Eserin 1b-2a sayfalarında yuvarlak iki madalyon içine eserin Sultan III. Murad'ın hazinesi için hazırlandığı ve eserin konusu yazılmıştır. 37 satır halinde yazılan metnin serlevhası ve bölüm başlıkları tezhiplidir. Serlevha ve bölüm başlıklarındaki tezhiplerde hatayi ve rumi üslubundaki bitkisel kompozisyonlar, ilk sayfadaki madalyonlar etrafında ise halkar bezeme görülür. \n \nEserin koyu yeşil renkli cildi lakedir (Edirnekari). Ağırlıklı olarak kullanılan altın ve gümüş yaldızla renklendirilen dış kapaklar halkâr bezeme ile, iç kapaklar ise salbek, köşebent ve şemselerden oluşan düzenlemelerle süslenmiştir. Orijinal değildir. \n \nSarayın Şehnamecisi Seyyid Lokman Aşuri tarafından yazılan eser iki ana bölümden oluşmaktadır. Birinci bölüm: evren ve burçlar kuşağı ile başlamakta, Tevrat, İncil ve Kur'an kaynak alınarak peygamber ve dine hizmet etmiş kişilerin hayat hikayelerinin resimlerle anlatılmasıyla devam etmektedir. Hz. Muhammed, Dört Halife Devri, Emeviler, Abbasiler, Erken İslam dönemi, Gazneli, İlhanlı, Selçuklu ve Timurlular gibi Müslüman devletlerin sultanlarının ve devlet adamlarının secereleriyle birinci bölüm sona ermektedir. İkinci bölümde Osmanlı Devleti'nin kurucusu Sultan Osman'dan başlayarak Sultan III. Murad'a kadar hüküm süren Osmanlı sultanlarının portreleri yer almaktadır. Bu sultanlar döneminde yaşanan siyasi olayların anlatılmasıyla ikinci bölüm son bulmaktadır. \n \nSultan III. Murad (H. 982-1003/ M. 1574-1595)'ın hazinesi için hazırlanan bu eser gerek minyatür üslubundaki kalite, gerekse cildi ve hattı ile Osmanlı sanatı içinde bir sultan hazinesi için hazırlanan başyapıtlardan biridir.","short_description":"Sultan III. Murad'ın emri ile ünlü tarihçi Seyyid Lokman tarafından yazılan, ünlü nakkaşlar Molla Kasım ve üstat Osman tarafından resimlenen, yaradılıştan itibaren Peygamberleri, İslamiyet'in doğuşunu ve devletlerin tarihini anlatan eser, Osmanlı resim sanatı'nın ünik eserlerinden biridir.","holder":"Türk ve İslam Eserleri Müzesi.","initial_owner":"Sultan III. Murad (H. 982-1003/ M. 1574-1595).","dates":"H. 993 / M. 1583.","location":"Sultanahmet, İstanbul","dimensions":"Boy: 64.7 cm. En: 41.3 cm.","method_for_datation":"Eser üzerinde Sultan III. Murad (H. 982-1003/ M.1574-1595)'ın hazinesi için H. 993 / M. 1583 tarihinde hazırlandığı belirtilmektedir.","method_for_provenance":"Sultanın emriyle İstanbul'da yazılmış olmalıdır.","provenance":"İstanbul.","obtention":"Sultan I. Abdülaziz'in annesi Sultan II. Mahmud'un eşi Pertevniyal Valide Sultan Sultan (öl: H. 1300 / M. 1883 - Valide Sultanlığı: 1861-1876)'ın İstanbul-Aksaray'da yaptırdığı külliyenin kütüphanesinden 1915 yılında getirilmiştir.","bibliography":"Aksoy, Ş., Zübdetü't Tevarih Sultan III. Murad için Hazırlanan bir Şehname, *P. Art, Culture, Antique*, 3 (1996) s. 17-37. \n \n*In Pursuit 0f Excellence,* İstanbul 1993, s.42, Pl. 19A-E, s: 52-56 \n \nRenda, G., *“*New Light on the Painters of the Zubdat at Tawarikh in the Museum of Turkish and Islamic Arts in Istanbul”, *Fourth International Congress of Turkish Art, s.183-200.* \n \nölçer, N. vd, *Türk ve İslam Eserleri Müzesi*, İstanbul, 2002, s. 272-75.","linkcatalogs":"IAM_TR_TR_001","author":"Sevgi Kutluay","keywords":["Altın (yaldız)","boyama","burçlar","Edirnekari","Kağıt","lake","mürekkep","suluboya"],"materials":["Aharlı kağıt
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Yazmada şenlik sırasında İstanbul esnafının meslek dallarına ilişkin üretimlerini bir geçit töreni ile sundukları, çeşitli eğlenceler düzenlendiği, davetlilere ve halka her gün ziyafet ve yemekler verildiği, padişahın zaman zaman halka altın ve gümüş saçtığı, fakir çocukları sünnet ettirip giydirdiği, dilencileri sevindirdiği, borçlarından dolayı hapse düşenlerin borçlarını ödeyerek onları özgürlüklerine kavuşturduğu sözel ve görsel olarak belgelenmektedir. Eser bu yönüyle 10. / 16. yüzyıl Osmanlı yaşamını, ekonomisini, sosyal hayatını, kültürünü, sanatını ve eğlence hayatını gözler önüne seren tarihi bir kaynak niteliği taşımaktadır. \n \nŞenlik Hipodrom'da, yani At Meydanı'nda gerçekleşmiştir. Bu alanda bulunan İbrahim Paşa Sarayı, sarayın bir köşesine saray erkanı ve yabancı hükümet temsilcileri için yapılan üç katlı ahşap seyirlik binası eserdeki sahnelerin vazgeçilmez dekorunu oluşturmuştur. \n \nBunu yansıtan örneklerden biri *camcılar loncasının geçişi*ni gözler önüne seren minyatürdür. Burada padişah, İbrahim Paşa Sarayı Divanhanesi'nin şahnişininden, ürettikleri cam objeleri sunan, hatta tekerlekli bir araba üzerine yerleştirdikleri seyyar fırın yardımıyla camın üretim aşamalarını ve kullandıkları aletleri sergileyen camcılar loncasını, meydanda küme olmuş halk ve seyirlik binasında oturan misafirlerle birlikte izlemektedir. \n \nEserde mimar ve mühendisler grubunun *Süleymaniye Camii*'nin tahta ve fildişinden yapılmış çok benzer bir maketi ile geçişini gösteren bir diğer tasvir bu dönemde hala hayatta olan ve muhtemelen bu geçit törenine katılan Mimar Sinan'ı temsil etmesi ve onun en anıtsal yapısı aracılığıyla Osmanlı sanatının görkemini yansıtması açısından dikkat çekicidir. \n \nSünnet düğünü şenlikleri eserde genelde bu iki sahnenin kompozisyon şemasında olan 250 çift sayfa minyatür ile resimsel bir öyküye dönüşmüştür.","short_description":"*Surname,* 990 / 1582 yılında III. Murad'ın şehzadesi Mehmed için düzenlenen sünnet düğünü şenliklerini, olayın gerçekleştiği At Meydanı ve İbrahim Paşa Sarayı'nın oluşturduğu dekor içinde, sözel ve görsel olarak belgeleyen muhteşem bir çalışmadır.","holder":"Topkapı Sarayı Müzesi.","initial_owner":"Sultan III Murad (r. AH 982-1003 / AD 1574-95).","dates":"H. 991-997 / M. 1583-1588.","location":"Sultanahmet, İstanbul","dimensions":"Boy: 33.5 cm. En: 23.5 cm.","method_for_datation":"Eserin bazı sayfaları ve ketebe kaydı eksik olduğu için Başbakanlık Arşivi, Kepeci Ruus Defteri (3 Safer 997/1583 No.250, 37)'nden 1588 yılında tamamlandığı öğrenilmektedir.","method_for_provenance":"Topkapı Sarayı nakkaş ekibi tarafından hazırlandığı bilindiği için İstanbul'da hazırlandığı düşünülmektedir.","provenance":"İstanbul.","obtention":"Eser sultan için yapılmıştır ve her zaman sarayın mülkiyetinde kalmıştır.","bibliography":"And, M. *Kırk Gün Kırk Gece*, İstanbul, 1959. \nAtasoy, N. *Surname-i Hümayun*, İstanbul, 1998. \nAtasoy, N. “Tarih Konulu Minyatürlerin Usta Nakkaşı Osman”, *Sanat Dünyamız*, S.73, Yıl,1999, s.213-221. \nİpşiroğlu, M.Ş. “Das Hochzeitbuch Murats III”, *Deutsch-Türkische Gesellschaft*, Bonn, 1960. \nTansuğ, S. *Şenlikname Düzeni*, İstanbul, 1961.","dynasty":"Osmanlı Dönemi","linkcatalogs":"IAM_TR_TR_001","author":"Şebnem Tamcan","keywords":["cam","hat","İbrahim Paşa Sarayı","Mimar Sinan","minyatür","Süleymaniye"],"materials":["Aharlı kağıt, mürekkep, suluboya, altın yaldız, deri."]}}
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