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- {"0b2e5db9-7b0b-58f7-bda2-af3bd45e294c":{"name":"Lápide funerária.","description":"Fragmento superior de uma lápide rectangular, com moldura lisa, em que se inscreve um arco “simbólico” ligeiramente apontado, em relevo. No interior do arco e entre este e a moldura, corre a epígrafe num pseudo cúfico arcaizante que, juntamente com características estilísticas, pode indiciar a sua utilização na comunidade muçulmana já em plena época cristã. Eis o texto: “Eterno é Deus. Tem compaixão conforme a tua mercê, ó tu que tudo dominas, e olha \\[com misericórdia\\] para o sítio para onde fui mandado. \\* \\[…\\]”. \n \nEsta lápide foi encontrada numa casa de campo em Frielas, arredores de Lisboa, nos finais do século XIX.","short_description":"Descoberta em Frielas, nos arredores de Lisboa, esta lápide é uma das mais conhecidas e reproduzidas da colecção epigráfica do Museu Nacional de Arqueologia. É proveniente de um cemitério islâmico e refere-se a um membro da comunidade muçulmana que permaneceu em Lisboa após a reconquista.","holder":"Museu Nacional de Arqueologia.","dates":"Séc. VII AH / XIII AD.","location":"Lisboa.","dimensions":"Alt. 33 cm; larg. 55 cm; prof. 11 cm.","method_for_datation":"A forma de alguns caracteres e a utilização frequente de diacríticos, aliadas à depurada estilização do arco, conduzem a uma datação do final do século VII AH / XIII AD.","method_for_provenance":"Segundo notícia de 1896 do arabista David Lopes (ver bibliografia), esta lápide foi encontrada numa casa de campo de Castanheira das Neves, em Frielas, arredores de Lisboa.","provenance":"Frielas (Lisboa).","bibliography":"Barros, M. F. L. “Inscrição funerária árabe”, *XVII Exposição Europeia de Arte Ciência e Cultura. Madre de Deus*, Catálogo, Lisboa, 1983, pp. 116-117. \n \nBorges, A. G. M. e Sidarus, A., “Lápide funerária”, *Portugal Islâmico*, Lisboa, 1999, 251. \n \nLabarta, A. e Barceló, C., “Inscripciones árabes Portuguesas: situación actual”, *Al-Qantara*, 8, 1987, p. 408. \n \nLopes, D., “Cousas arábico-portuguesas”, *O Archeologo Português,* 2, Lisboa, 1896, p. 207. \n \nNykl, A. R., “Arabic Inscriptions in Portugal”, *Ars Islamica*, 11-12, 1946, pp. 178-179.","dynasty":"Da comunidade moura já após a conquista cristã de Lisboa em 541 AH / 1147 AD","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Artur Goulart de Melo Borges","keywords":["calcário esculpido","conquista cristã","estela funerária","inscrição funerária","lápide funerária","Lisboa"],"materials":["Calcário esculpido."]},"246cffbc-9030-5777-959b-8b4967743c39":{"name":"Capitel","description":"Capitel compósito, com o cesto preenchido por dois registos assimétricos de acantos de folhas simples e lisas de pontas curvadas, contornadas por decoração vegetalista e rendilhada. No ábaco sobressaem decorações de entrelaçados e, no equino, nas quatro faces entre as volutas, corre uma inscrição votiva em cursivo relevado, onde se lê: “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso! Abençoe / Deus ao nosso senhor Muhammad / e a sua família e (lhes) conceda a paz perfeita / Deus me livre de Satanás o maldito”.","short_description":"Capitel datável de meados do século VI H/XII AD. O texto, “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso! Abençoe / Deus ao nosso senhor Muhammad / e a sua família e (lhes) conceda a paz perfeita / Deus me livre de Satanás o maldito”, aponta para um uso religioso.","holder":"Museu Municipal de Santarém","dates":"Dos últimos anos do domínio árabe, ou muito provavelmente já após a conquista cristã em 541 AH / 1147 AD.","location":"Santarém.","dimensions":"Alt. 34 cm; larg. 28 cm; prof. 28 cm.","method_for_datation":"Embora durante vários anos tenha sido datado de época califal, uma análise mais recente, sobretudo do tipo de letra em cursivo nasrida, exige que a sua datação seja retificada para o século VII AH / XII AD.","method_for_provenance":"Documentado em 1882 pelos antigos responsáveis do Museu Distrital de Santarém de S. João de Alporão, hoje Museu Municipal de Santarém, e Zeferino Brandão, como tendo sido encontrado em 1880 no bairro de Alporão.","provenance":"Santarém.","obtention":"Oferecido ao Museu em 1882 por António Fernandes Melício, proprietário então do antigo Paço dos Condes de óbidos, edifício do século XVI, em cujo celeiro foi encontrado.","bibliography":"Brandão, Z., “Vestígios árabes em Santarém”, *O Occidente*, 5, Lisboa, 1882, pp. 190-192. \n \nCustódio, J. S., “Capitel”, *Portugal Islâmico*, Lisboa, 1999, 76-77. \n \nLabarta, A. e Barceló, C. “Inscripciones árabes Portuguesas: situación actual”, *Al-Qantara*, 8, 1987, pp. 35-36. \n \nNykl, A. R., “Inscrições árabes existentes no museo Arqueológico do Carmo”, *Trabalhos da Associação dos Arqueólogos Portugueses*, 5, Lisboa, 1941, pp. 11-12. \n \nNykl, A. R., “Arabic Inscriptions in Portugal”, *Ars Islamica*, 11-12, 1946, pp. 167-183.","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Artur Goulart de Melo Borges","materials":["Mármore esculpido."]},"28e981d7-26aa-59bf-922b-900394b0b93b":{"name":"Lápide comemorativa.","description":"Bloco rectangular com uma das faces quase totalmente aproveitada para a gravação em relevo de uma inscrição, tendo na parte superior restos de molduras que se inseriam nas linhas arquitectónicas do edifício. A inscrição, emoldurada por faixa estreita de entrançados, em cursivo nasrida muito floreado e decorativo, preenche em dez linhas e de modo compacto todo o campo epigráfico. A epígrafe comemora a construção de uma torre na cidade de Silves, muito provavelmente a da Porta do Sol. O reforço da capacidade defensiva justificava-se plenamente, pois que, cerca de 40 anos antes, fora ocupada temporariamente pelos cristãos, cujo avanço para o Sul era notório e constituía um perigo eminente para a tomada da cidade, como veio a acontecer de modo definitivo em 646 AH / 1249 AD. Na terceira linha da inscrição foi intencionalmente destruído o nome de quem mandou fazer a construção e que Lévi-Provençal identifica como tendo sido Abu l-Ula Idris, filho de Yakub al-Mansur, por ocasião de uma viagem de inspecção a Silves. Terá ordenado o apagamento do nome Shuaib Ibn Muhammad Ibn Mahfuz quando ali formou um pequeno reino independente em oposição aos almóadas. \n \nO texto da inscrição é o seguinte: “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Abençoe Deus a Muhammad e a sua família. Ordenou a construção desta torre o emir \\[… filho de … Abu Yu\\]suf, filho do califa, emir dos crentes, Abu Yakub, filho do califa, emir dos crentes, Abu Muhammad Abd al-Mu'min Ibn Ali – que Deus aceite as suas boas obras e lhe perdoe as más! E isto, no mês de ramadân o respeitável do ano 624”.","short_description":"Lápide comemorativa da construção de uma torre no castelo de Silves. A edificação desta estrutura defensiva, em 624 AH / 1227 AD, por ordem de Abu l-Ula Idris, filho de Yakub al-Mansur, é um elemento evidente da pressão militar que o reino cristão de Portugal exercia sobre o território de Silves.","holder":"Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique.","dates":"624 AH / 1227 AD.","location":"Faro.","dimensions":"Alt. 96,5 cm; larg. 34 cm; prof. 16 cm.","method_for_datation":"Datada na inscrição do mês de Ramadân de 624 AH (15 de Agosto a 13 de Setembro de 1227 AD).","method_for_provenance":"Encontrada em 1874, em Silves, nos trabalhos de abertura de uma estrada de acesso ao novo cemitério, foi recolhida nos Paços do Concelho.","provenance":"Silves.","obtention":"Guardada nos Paços do Concelho, foi pouco tempo depois entregue ao Museu Arqueológico de Faro.","bibliography":"Borges, A. G. M. “Lápide comemorativa da construção de uma torre”, *Portugal Islâmico*, Lisboa, 1999, pp. 220-221. \n \nBotto, Con. *Glossário crítico dos principaes monumentos do Museu Archeologico Infante D. Henrique*, Faro, 1899. \n \nInstitut Français d'Archeologie Orientale, *Répertoire chronologique d'epigraphie arabe*, 10, Cairo, 1939, p. 245. \n \nLévi-Provençal, E. “L'inscription almohade de Silves”, *Mélanges George Le Gentil*, Paris, 1949, pp. 257-262. \n \n5\\. Nykl, A. R. “Arabic Inscriptions in Portugal”, *Ars Islamica*, 11-12, 1946, pp. 167-183.","dynasty":"Período almóada","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Artur Goulart de Melo Borges","keywords":["almóadas","Faro","lápide comemorativa","mármore esculpido"],"materials":["Mármore esculpido."]},"3ebe5033-d227-5761-a358-3afbce101aaf":{"name":"Cofre da Sé de Braga.","description":"Este pequeno cofre em marfim trabalhado sobre um troço de dente de elefante, mantém a forma cilíndrica que suporta uma tampa em cúpula. Esta última é constituida por um pequeno tambor onde se desenvolve uma inscrição em árabe cúfico e uma calote sobrepujada por uma pequena pega piriforme. A tampa está presa ao corpo do recipiente por uma fina dobradiça de bronze e mantém, no mesmo material, as partes fixas de um fecho em que desapareceu a lingueta. \n \nToda a superfície desta peça está finamente trabalhada em baixo-relevo, num minucioso trabalho de buril e talhadeira. A composição decorativa desenvolve-se numa sequência de arcos em ferradura que assentam em colunelos com capiteis de folhas de acanto e duas volutas. Sobre cada arco e envolvidos pelo mesmo filete de entalhe encordoado inscrevem-se uma serie de caprídeos e aves. Aliás estas corças e aves do paraíso, ressaltam de quando em vez do emaranhado vegetal que cobre toda a superfície. Sob um dos arcos, dois personagens, finamente escultorados, colhem os frutos de uma árvore, num gesto semelhante a representações da vindima no mundo tardo-antigo. A calote da tampa, toda ela também insculturada, ostenta um sequência de medalhões octogonais onde se inscrevem zoomorfos. \n \nAs frases propiciatórias em cúfico inscritas na parte inferior da tampa, emolduradas por duas fiadas de encordoados, indicam que foi encomenda do *hajib* Abd al-Malik, filho de al-Mansur, o poderoso chefe militar que promoveu várias razias ao Norte da Península em finais do século X. O carácter pacífico das representações tem levado a pensar que possa ter sido feito para algum tipo de comemoração pessoal (um casamento, por exemplo).","short_description":"Pequeno cofre em marfim encomendado (entre 394 H./ 1004 d.C. e 398 H./ 1008 d.C.) por Abd al-Malik, filho do poderoso al-Mansur. O carácter pacífico das representações (actividades agrícolas, corças e aves do paraíso) leva a pensar que possa ter sido feito para algum tipo de comemoração pessoal.","holder":"Tesouro da Sé de Braga.","initial_owner":"Encomenda de Abd al-Malik, filho de al-Mansur.","dates":"394 AH / 1004 AD e 398 AH / 1008 AD.","location":"Braga.","dimensions":"Altura 20 cm; diâmetro 10 cm.","method_for_datation":"Através da inscrição.","method_for_provenance":"Através do nome do encomendador.","provenance":"Córdova?","obtention":"Por doação ou saque, o cofre foi parar à posse da Sé de Braga em cujo tesouro está encorporado desde a alta Idade Media.","bibliography":"Almeida, C. A. F., *Arte islâmica em Portugal*, História da Arte em Portugal, vol. 2, Lisboa, 1988, pp. 73, 87-88. \n \nBarroca, Mário, “Cofre”, *Nos confins da Idade Média*, Lisboa, 1992, p. 93-94. \n \nGómez-Moreno, M., *Arte árabe español hasta los almohades*, Ars Hipaniae, III, Madrid, 1951, p. 299.","dynasty":"Omíadas de Córdova, período califal","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Cláudio Torres","keywords":["Abd al-Malik","al-Mansur","arco em ferradura","ave do paraíso","Braga","cofre","corça","Marfim","omíadas de Córdova"],"materials":["Marfim. Trabalho em baixo relevo."]},"41e2c44a-687b-5a33-a465-b90fb6356433":{"name":"Garrafa.","description":"Garrafa de bojo globular com colo cilíndrico e pé em bolacha convexa. Apresenta uma inscrição com dedicatória ao sultão mameluco: “Glória ao nosso senhor, o sultão al-Malik al-Ashraf, o sábio, o diligente”, em escrita cursiva com caracteres ascendentes (*thuluth*), a azul sobre fundo de arabescos de folhas cor-de-rosa e verde divididos por dois medalhões. Esta inscrição segue em volta do colo, repetindo a palavra *al-alim* (o sábio). A parte superior do bojo é preenchida com delicadas hastes com folhas contornadas a vermelho, intercaladas com cartuchos contracurvados, contendo motivos trifoliados de cores vivas, e seis medalhões circulares com fénix reservadas a dourado sobre fundo azul.","short_description":"Garrafa de fabrico sírio ou egípcio. A parte superior do bojo é preenchida com motivos vegetalistas e por seis medalhões circulares com fénix. A inscrição, “Glória ao nosso senhor, o sultão al-Malik al-Ashraf, o sábio, o diligente”, permite datar a peça do período mameluco (séc. VII AH / XIV AD).","holder":"Museu Calouste Gulbenkian.","initial_owner":"Executada para o Sultão al-Malik al-Ashraf, possivelmente o Sultão al-Ashraf Ala al-Din Kayk (r. 742-743 AH / 1341-1342 AD) ou o Sultão al-Ashraf Shaban (r. 764-778 AH / 1363-1377 AD).","dates":"Meados do séc. VII AH / XIV AD.","location":"Lisboa.","dimensions":"Alt. 42,5 cm; diâm. bordo 6,5 cm; diâm. máximo 30 cm; diâm. base 30 cm.","method_for_datation":"A inscrição com dedicatória ao sultão al-Malik al-Ashraf permite datar a peça do período mameluco. Por outro lado, a análise estilística e a comparação com obras da mesma época permite reforçar essa datação.","method_for_provenance":"Através de peritagem complementada por documentos em arquivo que comprovam a autenticidade da peça. Por exemplo, a *expertise* realizada pelo Dr. Otto von Falke refere que: “Esta garrafa deve considerada, após exame detalhado das suas características, da sua técnica e estilo, como uma obra de arte indubitavelmente autêntica e absolutamente intacta da época dos sultões mamelucos do Egipto, do século XIV ao século XV d.C.” .","provenance":"Egipto ou Síria.","obtention":"Pertencia à Colecção Rothschild, Londres, e foi adquirida por intermédio de Hans Stiebel (S. & R. Rosenberg, Londres) na Venda Rothschild na casa Sotheby's, em Londres, em Abril de 1937.","bibliography":"*Museu Calouste Gulbenkian. Catálogo*, Lisboa, 2ª edição, 1989. \n \nRibeiro, M. Q. e Hallet, J. *Os Vidros da Dinastia Mameluca no Museu Calouste Gulbenkian*, Lisboa, 1999.","dynasty":"Período Mameluco","linkcatalogs":"IAM_EG_EN_001","author":"Maria Queiroz Ribeiro","keywords":["al-alim","al-Ashraf Ala al-Din Kayk","al-Ashraf Shaban","Egipto","garrafa","mamelucos","Síria","thuluth","vidro soplado"],"materials":["Vidro soprado cor de mel com decoração dourada e esmaltada a azul, vermelho, rosa, verde, amarelo, azul claro e branco."]},"42311da9-1496-5d35-a0ea-56b7ce7ff0f7":{"name":"Talha.","description":"Talha de bordo envasado com lábio quadrangular, boca circular, colo troncocónico invertido, corpo globular com duas asas de aleta com apêndice superior no ombro e base convexa. Encontra-se coberta de vidrado verde no colo e no corpo, e profusamente ornamentada com cordões digitados e marcados com a unha, e com símbolos profiláticos estampilhados de carácter vegetal (rosetas e palmetas), caligráfico e arquitectónico (arcos de ferradura e trilobulados). Peça restaurada.","short_description":"Talha do período almóada, destinada a conservar água. A preocupação em proteger o conteúdo da talha manifesta-se pela profusão de símbolos profilácticos estampilhados. Reconhecem-se motivos de carácter vegetal (rosetas e palmetas), caligráfico e arquitectónico (arcos em ferradura e trilobulados).","holder":"Museu de Mértola.","dates":"Segunda metade do século VI AH / XII AD ou primeiras décadas do século VII AH / XIII AD.","location":"Mértola., Beja.","dimensions":"Diâmetro da boca 28 cm; largura 59 cm; altura 70,5 cm.","method_for_datation":"Foi datado na época almóada por razões estratigráficas, já que foi encontrado nos níveis de abandono de uma das casas da alcáçova abandonadas após a conquista de Mértola pelos cristãos em 635-636 AH / 1238 AD. Esta datação é corroborada pelos paralelos decorativos com um bocal de poço de Tetouan, datado por uma inscrição em 585 AH / 1190 AD.","method_for_provenance":"Encontraram-se em Mértola estampilhas utilizadas para decorar este tipo de talhas.","provenance":"Mértola.","obtention":"Encontrada nas escavações arqueológicas realizadas pelo Campo Arqueológico de Mértola na alcáçova do castelo de Mértola.","bibliography":"Gómez Martínez, S., “Catálogo da cerâmica”, *Museu de Mértola. Arte Islâmica*, ed. S. Macias, Mértola, p. 163. \nTorres, C., y Macias, S. (eds.), *O Portugal Islâmico*, Lisboa, 1998, p. 150.","dynasty":"Período almoáda","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Susana Gómez Martínez","translator":"Santiago Macias","keywords":["água","cerámica","símbolos profiláticos","vida quotidiana"],"materials":["Cerâmica fabricada com pasta amarelada/acinzentada compacta, e levantada utilizando uma técnica mista de rolinhos na sua parte inferior e com torno na parte superior. Apresenta decoração estampilhada e vidrado parcial."]},"4a32d0c3-68b5-55c4-a37a-780a7d0bacff":{"name":"Lápide funerária.","description":"Placa rectangular, de mármore branco, com o epitáfio inscrito numa moldura formada por um encordoado simples. A epígrafe revela qualidade e erudição, tanto do ponto de vista epigráfico como textual. A *ordinatio* é bastante cuidada, sendo as letras e os sinais de abreviatura típicos do século X. A expressão *hic requiescunt membra* é pouco vulgar na Hispânia, mas encontra paralelos numa inscrição de Córdova, do ano 982, que pertence ao Museu Arqueológico de Sevilha. O epitáfio do bispo algarvio encontra o seu modelo mais próximo precisamente na referida epígrafe, não apenas pela fórmula introdutória utilizada, mas igualmente pela tipologia dos caracteres e pelo próprio encordoado da moldura. Dir-se ia feita pela mesma oficina. Pertence ainda a esta família a inscrição funerária da monja Speciosa e sua mãe Tranquilla, datada de cerca 966 e que apareceu na igreja de Santo André de Córdova.","short_description":"Lápide funerária de um bispo que vivia no Algarve em plena época califal e que faleceu em 991 d.C./379 H. Tem paralelos em inscrições cristãs de Córdova da mesma época. Pensa-se que todas elas terão sido produzidas por uma oficina que naquela cidade trabalhava para a comunidade moçárabe.","holder":"Museu Nacional de Arqueologia.","dates":"21 de Março de 991 (2 de Muharram de 379 AH).","location":"Lisboa.","dimensions":"Alt. 37,5 cm, larg. 30 cm, prof. 4,2 cm.","method_for_datation":"A data consta da 3ª/4ª linhas da epígrafe, referente ao dia do óbito do bispo Julião. A indicação da Era segue uma modalidade estranha, mas típica em diplomas e epígrafes cristãs imediatamente posteriores à passagem do milénio, onde os numerais relativos às dezenas e unidades precedem o milhar, acompanhados da expressão “post”, “super” ou “peracta”. \n \nManuela Alves Dias data a epígrafe do ano 987, mas não conseguiu ler correctamente o signo do milhar e não entendeu o V romano, com a haste esquerda quase na horizontal. A leitura correcta será “Era 1029”, isto é, 991 AD (379 AH).","method_for_provenance":"Estácio da Veiga deu a conhecer que a lápide foi achada no lugar da “Fonte Santa”, nos arredares de Cacela. Esta mesma localidade parece ser já referida na *Crónica da Conquista do Algarve*, onde se diz que após a tomada da fortificação de Cacela pelas tropas cristãs (séc. XIII), alguns dos seus habitantes refugiaram-se nas redondezas, no lugar da “fonte do Bispo”. O mais provável é que este prelado fosse bispo de Ossonoba (Faro).","provenance":"Encontrada nos arredores de Cacela (Faro), provavelmente provem de uma oficina moçárabe de Córdova.","obtention":"A epígrafe foi revelada por Estácio da Veiga a Emílio Hubner, que a publicou em 1871. Mais tarde perdeu-se-lhe o rasto, vindo de novo a ser localizada em meados da década de 90 do século passado, na posse de um particular, pelo arqueólogo Rui Parreira. Consciente da sua excepcional importância, conseguiu que fosse adquirida através da delegação de évora do IPPAR. Por altura da grande exposição “Portugal Islâmico” a lápide foi transferida para o MNA, de cujo inventário passou a fazer parte.","bibliography":"Barroca, M. J. *Epigrafia medieval portuguesa (862-1422)*, vol. 2. Porto, 1995, pp. 41-43. \n \nDias, M. A. “Sobre o epitáfio de Juliano, Bispo (Cacela, 987 d. C.)”, *Arqueologia Medieval*, 6, Porto, 1999, p. 11-18. \n \nHubner, E. *Inscriptiones Hispaniae Christianae*. Berlin, 1871, p. 69, n. 210. \n \nReal, M. L., “Lápide funerária do Bispo Julião”, *Cristo, fonte de esperança. Catálogo. Exposição do Grande Jubileu do Ano 2000*, Porto, 2000, pp. 200-201. \n \nSousa, J. M. C., “Relação das inscrições dos séculos VIII a XIII existentes em Portugal”, *Ethnos*, 3, Lisboa, 1948, p. 115.","dynasty":"Omíadas de Córdova, período califal","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Manuel Luís Real","keywords":["bispo","Córdova","encordoado","epitáfio","estela funerária","Fonte Santa","inscrição","inscrição funerária","Julião","lápide funerária","mármore","moçárabe","objeto funerário","omíadas de Córdova","túmulo"],"materials":["Mármore, gravado a buril."]},"66718328-7241-56c8-a45c-d60aff5e7c2d":{"name":"Taça com inscrição.","description":"Taça de bordo envasado biselado, boca circular, corpo bitroncocónico com carena baixa, uma asa vertical de secção oval que une o bordo e a carena, e base plana com pé anular diagonal. La decoración foi executada com a técnica da corda seca parcial, traçando com uma linha de manganés o motivo caligráfico e preencehendo-o com vidrado verde. O texto encontra-se incompleto embora possamos ler em caracteres cúficos *baraka kamila \\[wani\\]ma sa\\[mila\\]* (“bendição completa e felicidade total”). A frase não está acompanhada por motivos secundários. Trata-se de uma das peças de corda seca parcial mais antigas das que se conservam em Mértola e o seu estilo ornamental e caligráfico distingue-se bastante das peças datáveis do século XII. Peça restaurada.","short_description":"Taça em corda seca parcial com inscrição cúfica: *baraka kamila \\[wani\\]ma sa\\[mila\\]* (“bendição completa e felicidade total”). O texto sugere a necessidade de proteger o conteúdo desta peça de mesa encontrada no castelo de Mértola (segunda metade do séc. V H./XI d.C. ou inícios do séc. VI H./XII d.C.).","holder":"Museu de Mértola.","dates":"Segunda metade do século V AH / XI AD ou inícios do século VI AH / XII AD.","location":"Mértola., Beja.","dimensions":"Diâmetro da boca 9,1 cm; diâmetro da base 5,3 cm; largura 13 cm; altura 10,2 cm.","method_for_datation":"Foi datada por razões estratigráficas entre o final do período das taifas e a época almorávida.","method_for_provenance":"Trata-se de um tipo de cerâmica fabricada em várias regiões do al-Andalus, mas cuja produção ainda não se constatou no ocidente da Península Ibérica.","provenance":"Al-Andalus.","obtention":"Encontrada nas escavações arqueológicas realizadas pelo Campo Arqueológico de Mértola no Castelo de Mértola.","bibliography":"Gómez Martínez, S., *A cerâmica em corda seca de Mértola*, Mértola, 2002. \nTorres, C., y Macias, S. (eds.), *O Portugal Islâmico*, Lisboa, 1998, p. 100.","dynasty":"Período das taifas / almorávida","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Susana Gómez Martínez","translator":"Santiago Macias","keywords":["cerámica","corda seca"],"materials":["Cerâmica fabricada com pasta amarelada pouco compacta em torno rápido, cozida em atmosfera oxidante e decorada com a técnica da corda seca parcial."]},"6ad7e7f5-5b8d-5bfc-afb9-c3c90a19d9a8":{"name":"Jarra.","description":"Jarra de bordo vertical biselado, boca circular, colo cilíndrico, corpo globular, com duas asas em fita estriadas com apêndice superior em forma de pináculo que unem o colo e o corpo da vasilha, e base convexa com pé anular diagonal. Conserva o arranque de um filtro situado entre o colo e o corpo. O exterior está decorado com a técnica da corda seca parcial, na qual apenas algumas partes do desenho são preenchidas com vidrado verde ou melado esverdeado e outras com ponteado. A decoração organiza-se em seis bandas horizontais sucessivas, com motivos vegetais, ondulados e caligráficos. No bordo encontramos uma estrecha sanefa de palmetas esquemáticas. A maior parte do colo é ocupada por uma banda larga com grandes flores de lótus, aparecendo debaixo dela um friso de motivos dentados. No ombro surge uma cartela caligráfica onde se repete várias vezes em cúfico florido a palavra *baraka* e, no corpo, uma banda de medalhões fitomórficos. Por último, encontramos junto à base um friso de palmetas. Peça restaurada.","short_description":"Jarra em corda seca parcial, do período almorávida ou almóada. A decoração organiza-se em seis bandas horizontais sucessivas, com motivos vegetais, ondulados e caligráficos. Destacam-se motivos como a flor de lótus e a banda epigráfica em cúfico florido onde se lê *baraka*.","holder":"Museu de Mértola.","dates":"Siglo VI AH / XII AD.","location":"Mértola., Beja.","dimensions":"Diâmetro da boca 17,8 cm; diâmetro da base 13,4 cm; largura 32 cm; altura 34,8 cm.","method_for_datation":"O contexto estratigráfico em que foi encontrado o objecto encontrava-se muito revolvido. A sua datação no século VI AH / XII AD foi obtida mediante o estabelecimento de paralelos com peças de idênticas forma, técnica e temática decorativa, achadas em Málaga e Almeria (Espanha).","method_for_provenance":"A abundância deste tipo de cerâmica em Málaga e em Almeria (Espanha), onde se encontraram fornos que fabricavam este tipo de peças, levou os investigadores a atribuir a origem da sua produção a estas cidades.","provenance":"Almeria ou Málaga (España).","obtention":"Encontrada nas escavações arqueológicas realizadas pelo Campo Arqueológico de Mértola na alcáçova do castelo de Mértola.","bibliography":"Gómez Martínez, S., *A cerâmica em corda seca de Mértola*, Mértola, 2002. \nTorres, C., y Macias, S. (eds.), *O Portugal Islâmico*, Lisboa, 1998, p. 89.","dynasty":"Almorávida ou almóada","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Susana Gómez Martínez","translator":"Santiago Macias","keywords":["cerámica","comercio","corda seca"],"materials":["Cerâmica fabricada com pasta rosada porosa, modelada em torno rápido, cozida em atmosfera oxidante e decorada com a técnica da corda seca parcial."]},"96998c67-dbae-5a23-8da5-21ca0231218d":{"name":"Lâmpada de mesquita.","description":"Lâmpada em forma de jarra com seis anéis de suspensão e pé alto troncocónico. Possui inscrição em duplicado no colo e no bojo com o seguinte texto: “Este é um dos objectos feitos para o mausoléu do emir Alan al-Din Ali, filho de sua excelência Saif al-Din Baktamur, al-hajib (o chanceler), que Deus o cubra com a sua misericórdia”. Três brasões dividem em partes iguais a inscrição do colo, enquanto que outros três brasões alternam com arabescos estilizados em volta do registo inferior do bojo. O pé alto apresenta três medalhões com motivos trifoliados simples. O brasão circular está dividido em três campos: as zonas superiores e inferior são brancas , enquanto que o campo central apresenta a imagem de um cavalo com uma estrutura em forma de cúpula sobre o dorso.","short_description":"“Este é um dos objectos feitos para o mausoléu do emir Alan al-Din Ali, filho de sua excelência Saif al-Din Baktamur, al-hajib (o chanceler), que Deus o cubra com a sua misericórdia”. A inscrição data esta lâmpada de mesquita (c. 721 AH/1321 AD), cujas forma e decoração são típicas da época mameluca.","holder":"Museu Calouste Gulbenkian.","initial_owner":"Emir Alin ibn Baktamur.","dates":"Posterior a 23 de Muharram de 721 AH / 21 de Fevereiro de 1321 AD.","location":"Lisboa.","dimensions":"Alt. 31 cm; diâm. bordo 21cm; diâm. máximo 20,5 cm; diâm. base 13,5 cm.","method_for_datation":"Datada, segundo a inscrição, por volta do período após a morte do Emir Ali ibn Baktamur, a 21 de Fevereiro de 1321.","method_for_provenance":"Através de peritagem, análise estilística e comparativa e catálogos publicados.","provenance":"Egipto ou Síria.","obtention":"Proveniente da colecção do Barão Gustave de Rothschild, adquirida por intermédio de Joseph Duveen a Philip Sassoon, em Londres, a 8 de Novembro de 1919.","bibliography":"*Arte do Oriente Islâmico. Catálogo*,Lisboa, 1963. \n \n*Museu Calouste Gulbenkian. Catálogo*, Lisboa, 2ª edição 1989. \n \n*Only the Best: Masterpieces of the Calouste Gulbenkian Museum, Lisbon*, catálogo de exposição, New York, 1999. \n \nRibeiro, M. Q., e Hallet, J., *Os Vidros da Dinastia Mameluca no Museu Calouste Gulbenkian*, Lisboa, 1999.","dynasty":"Período Mameluco","linkcatalogs":"IAM_EG_EN_001","author":"Maria Queiroz Ribeiro","keywords":["Alin ibn Baktamur","Egipto","lâmpada","mamelucos","Síria","vidro soprado"],"materials":["Vidro soprado cor de mel com decoração dourada e esmaltada a azul, vermelho, rosa, verde, amarelo e branco."]},"b6ddda27-c0ff-5f0f-b4b1-bb06af0f4dc4":{"name":"Vaso com tampa.","description":"Vaso coberto, pintado com medalhões em azul sob o vidrado transparente e decoração de reflexo metálico. Sobre o fundo branco estão dispostos, em registos horizontais, compartimentados, motivos compostos por pseudo-inscrições em cúfico florido interrompidos por medalhões circulares com motivos florais e enrolamentos. A tampa segue o mesmo esquema decorativo que o bojo. Não se pode afirmar com certeza qual seria a função da peça, poderá ter sido um objecto utilitário ou decorativo, ou mesmo ambos.","short_description":"Vaso com tampa do período ayyúbida, proveniente de Raca (Síria). Sobre o fundo branco estão dispostos, em registos horizontais compartimentados, motivos compostos por pseudo-inscrições em cúfico florido interrompidos por medalhões circulares com motivos florais e enrolamentos.","holder":"Museu Calouste Gulbenkian.","dates":"Finais do séc. VI AH / XII AD.","location":"Lisboa.","dimensions":"Alt. 26 cm; diâm. 27,7 cm.","method_for_datation":"Por métodos de análise estilística e por comparação com peças do mesmo período.","method_for_provenance":"Através de peritagem. Na correspondência relativa à peça, Antoine G. Brimo refere ter recebido de Calouste Gulbenkian uma determinada soma pela sua *expertise* sobre a peça em questão, onde confirma a autenticidade da mesma.","provenance":"Raca, Síria.","obtention":"Adquirida por intermédio de Dikran Kelekian, em Paris, a 27 de Dezembro de 1907.","bibliography":"Makariou, S. (ed.), *L'Orient de Saladin. L'art des Ayyoubides*, catálogo de exposição, Paris, 2002. \n \nMota, M. M., *Catálogo das Louças Islâmicas*, vol. I: *Louças Seljúcidas*, Lisboa, 1988. \n \n*Memorias del Imperio árabe*, catálogo de exposição, Santiago de Compostela, 2000. \n \n*Museu Calouste Gulbenkian*, Lisboa, 1ª edição 2001, 2ª edição revista e actualizada 2002.","dynasty":"Período ayyúbida","author":"Maria Queiroz Ribeiro","keywords":["ayyúbidas","cerâmica silicosa","Raca","reflexo metálico","Síria","vaso com tampa"],"materials":["Cerâmica siliciosa com decoração de “reflexo metálico”."]},"b8c52c07-1db7-5b7e-a968-695ff14489a0":{"name":"Tigela.","description":"Tigela de bordo vertical arredondado, boca circular, corpo troncocónico invertido com carena baixa e base com pé anular diagonal. Coberto com vidrado monocromo melado no exterior e decorado em corda seca total com cores branca, verde e melada separadas por traços de manganés. O tema central é a palavra “baraka” escrita com caracteres cúficos, rodeada por um friso de palmetas que percorre o bordo da peça. Peça restaurada.","short_description":"Tigela em corda seca total do período almorávida ou almóada. O tema central é a palavra “baraka” escrita com caracteres cúficos, rodeada por um friso de palmetas que percorre o bordo da peça. Esta peça tem paralelos em vários pontos do Mediterrâneo Ocidental.","holder":"Museu de Mértola.","dates":"Siglo VI AH / XII AD.","location":"Mértola., Beja.","dimensions":"Diâmetro da boca 25 cm; diâmetro da base 10,3 cm; altura 8 cm.","method_for_datation":"O contexto estratigráfico em que foi encontrado o objecto encontrava-se muito revolvido. A sua datação no século VI AH / XII AD foi obtida mediante o estabelecimento de paralelos com peças de idêntica forma e técnica decorativa achadas em Málaga e Almeria (Espanha).","method_for_provenance":"A abundância deste tipo de cerâmica em Málaga, onde encontramos uma caligrafia muito parecida, e em Almeria (Espanha), onde se encontraram fornos que fabricavam peças com esta decoração, levou os investigadores a atribuir a origem da sua produção a estas cidades.","provenance":"Almeria ou Málaga (Espanha).","obtention":"Encontrada nas escavações arqueológicas realizadas pelo Campo Arqueológico de Mértola na alcáçova do castelo de Mértola.","bibliography":"Gómez Martínez, S., *A cerâmica em corda seca de Mértola*, Mértola, 2002. \nTorres, C., y Gómez, S., \"Le vert et brun au Portugal\", *Le Vert et le Brun de Kairouan à Avignon, céramiques du Xe au XVe siècle. Catalogue de la exposition*, Marseille, 1995, pp. 98-102. \nTorres, C., “Um lote cerâmico da Mértola Islâmica*”, I Congreso de Arqueología Medieval Española. Huesca, 1985*, t. IV, Zaragoza, 1986, pp. 193-228. \nTorres, C., y Macias, S. (eds.), *O Portugal Islâmico*, Lisboa, 1998, p. 93.","dynasty":"Almorávida ou almóada","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Susana Gómez Martínez","translator":"Santiago Macias","keywords":["cerámica","comercio","corda seca"],"materials":["Cerâmica vidrada fabricada com pasta amarela pouco compacta, modelada em torno rápido, cozida em ambiente oxidante e decorada con a técnica da corda seca total."]},"e27dbed9-8298-54dd-abc1-a2b737a79abc":{"name":"Lápide funerária.","description":"Lápide rectangular que alia de forma notável a beleza decorativa com o programa epigráfico. Organiza-se em modelo arquitectónico, com um arco “simbólico” de lóbulos entrelaçados, rematado superiormente por uma faixa de merlões islâmicos. Dentro do arco, um cursivo desenvolto enleia-se com arabescos; no intercolúnio, em moldura estreita rectangular, três linhas de um cursivo nitidamente marcado pela longas hastes verticais e prolongamento das letras finais. \n \nO famoso arabista Frei João de Sousa dá notícia dela pela primeira vez em 1788, exposta numa das paredes exteriores dos Paços do Concelho eborense, bem como a viu pouco depois o arquitecto inglês James Murphy, publicando-a em 1795, no seu *Travels in Portugal*. O facto de se encontrar partida e com certo desgaste, bem como o deficiente desenho de Murphy, apenas permitiu até muito recentemente a leitura da frase inscrita no arco. A leitura completa só foi apresentada pela primeira vez, em 1940, por A. R. Nykl, embora com reservas pela dificuldade das duas ultimas linhas, e é a seguinte: \n \n“Todas as almas sentirão a morte (Corão, III, 182). Ó tu que visitas \\[este sepulcro\\], roga a Deus que perdõe e tenha misericórdia do teu irmão e recorda-te desta viagem \\[até ao Juízo Final\\]. \\[A alma\\] ser-te-á tirada por Deus; nenhum vestígio do seu orgulho aparece no humilde túmulo. Da injustiça \\[deste mundo\\] temos que regressar ao Senhor; quer dizer, a Deus, à Misericórdia e grande Generosidade”.","short_description":"Esta lápide funerária foi mandada fazer por muçulmanos que permaneceram em Évora após a reconquista da cidade. O texto cita o Corão (III, 182), numa peça que conjuga com elegância elementos arquitectónicos (um arco lobulado rematado por merlões) e um texto em cursivo conjugado com arabescos.","holder":"Museu de Évora.","dates":"Séc. VII AH / XIII AD.","location":"Évora.","dimensions":"Alt. 35 cm; larg. 49 cm; prof. 4,5 cm.","method_for_datation":"As características estilísticas e epigráficas datam-na do século VII AH / XIII AD.","method_for_provenance":"Foi descrita no final do século XVIII, em exposição na parede exterior do edifício dos Paços do Concelho, na Praça do Giraldo, em évora. Quando este foi destruído no final do século XIX, a lápide foi entregue ao Museu Archeológico, anexo à Biblioteca Pública de évora.","obtention":"Passou do Museu Archeológico, anexo à Biblioteca Pública, para o Museu de évora, quando este foi criado em 1915.","bibliography":"Borges, A. G. M. “Lápide funerária”, *Portugal Islâmico*, Lisboa, 1999, p. 253. \n \nLabarta, A. e Barceló, C. “Inscripciones árabes Portuguesas: situación actual”, *Al-Qantara*, 8, 1987, p. 405. \n \nNykl, A. R. “Algunas inscripciones árabes de Portugal”, *Al-Andalus*, 5, 1940, pp. 309-401. \n \nNykl, A. R. “Inscrições árabes no Museu Etnológico do Dr. José Leite de Vasconcelos”, *Ethnos*, Lisboa, 2, 1942, pp. 23-21. \n \nNykl, A. R. “Arabic Inscriptions in Portugal”, *Ars Islamica*, 11-12, 1946, pp. 178-179.","dynasty":"Da comunidade moura após a conquista cristã de Évora em 560 AH / 1165 AD","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Artur Goulart de Melo Borges","keywords":["conquista cristã","estela funerária","Évora","inscrição funerária","lápide funerária","mármore esculpido","objeto funerário","túmulo"],"materials":["Mármore esculpido."]},"e5d5610e-7a97-5cb2-8e3e-ab2a92c646cd":{"name":"Lápide comemorativa.","description":"Trata-se da única inscrição referente à construção de um minarete existente em território português. A peça conserva-se junto a uma fonte, no interior do Castelo de Moura. Embora se desconheça o sítio preciso onde estava colocada, tudo leva a crer que a lápide não deva estar muito longe do local de origem. É provável que tenha sido encomendada a oficinas sevilhanas. \n \nO texto refere a construção do minarete da mesquita de Moura por ordem de al-Mutadid, que dominava então (meados do século V AH / XI AD) todo o Sudoeste Peninsular. O discreto papel desempenhado por Moura durante o período islâmico leva-nos a associar esta lápide a uma atitude simbólica de apropriação do território de Moura. Recordemos que a cerca de 20 km. desta fortificação se situavam as importantes jazidas de prata de Totalica tendo o controle destas minas sido, ao longo do século IX, motivo de lutas permanentes. A edificação do minarete e a colocação da lápide destinar-se-iam a não deixar dúvidas sobre quem, a partir desse momento, se tornava senhor da região. \n \nA peça encontra-se ligeiramente danificada e o texto está incompleto, faltando a última linha. Segundo Nykl, deveria ter, na sua versão original, cerca de 44 cm. de altura por 56 cm. de largura. O texto resume-se a três linhas, que permitem uma leitura parcial: \n \n“Em nome de Deus, Clemente, Misericordioso. Mandou construir \n \n\\[este\\] minarete al-Mutadid billahi \n \n\\[al-Mans\\]ur bi-fadli-llahi abu Amr.”","short_description":"Lápide comemorativa construção de um minarete em Moura por al-Mutadid, em meados do séc. V H./XI d.C. A peça está colocada no castelo da cidade, perto do local onde se situou a mesquita. Esta lápide estará associada a uma atitude simbólica de apropriação das minas em prata do território de Moura.","holder":"Museu Municipal de Moura.","dates":"Séc. V AH / XI AD.","location":"Moura., Beja.","dimensions":"Alt. 32 cm; larg. 50 cm.","method_for_datation":"A datação da peça está enquadrada pelo domínio de al-Mutadid (433-461 AH / 1042-1069 AD), devendo, segundo Nykl, situar-se a meio do seu reinado (444 / 1052).","method_for_provenance":"A peça está próxima do seu local de origem, uma vez que a mesquita se situava no interior do castelo. O viajante inglês Murphy menciona a lápide neste sítio por volta de 1790.","provenance":"Sevilha?","bibliography":"Labarta, A. e Barceló, C. “Inscripciones árabes portuguesas: situación actual”, *Al-Qantara*, vol. VIII, Madrid, 1987, pp. 395-420. \nMacias, S., “Moura na Baixa Idade Média: elementos para um estudo histórico e arqueológico”, *Arqueologia Medieval*, n° 2, Porto, 1993, pp. 127-157. \n \nNykl, A. R., “Algunas inscripciones árabes de Portugal”, *Al-Andalus*, vol. V, fasc. 2, Madrid, 1940, pp. 399-411.","dynasty":"Abádida","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Santiago Macias","keywords":["Abádidas","lápide comemorativa","mármore branco","minarete","Moura","Sevilha"],"materials":["Mármore branco."]},"fd9231ec-9280-5e60-8248-b9d7c9cf8d62":{"name":"Taça com pé.","description":"Taça com pé em branco-marfim com cena de corte representada ao centro. Um jovem príncipe está sentado num trono de espaldar alto sobre o qual estão empoleirados dois falcões. O príncipe está ladeado por dois cortesãos e a seus pés estão representados dois pavões afrontados, símbolos da realeza. Em redor do motivo central estão pintados pares de esfinges confrontadas, separadas por pequenos medalhões. No bordo do interior da taça pode ler-se uma inscrição votiva em caligrafia cúfica e no exterior uma inscrição pseudo-cúfica entre arabescos.","short_description":"Taça do período seljúcida com cena de corte representada ao centro. Em redor do motivo central estão pintadas esfinges confrontadas, separadas por pequenos medalhões. No bordo interior pode ler-se uma inscrição em caligrafia cúfica, tendo o exterior uma inscrição pseudo-cúfica entre arabescos.","holder":"Museu Calouste Gulbenkian.","dates":"Final do séc. VI AH / XII AD ou início do séc. VII / XIII.","location":"Lisboa.","dimensions":"Alt. 8 cm; diâm. 20 cm.","method_for_datation":"Por métodos de análise estilística e por comparação com peças do período seljúcida.","method_for_provenance":"Através de peritagem. Na correspondência relativa à venda da peça em questão, L.A. Raffy dá “garantia da autenticidade da cerâmica da Pérsia”.","provenance":"Caxã, Pérsia.","obtention":"Adquirida a L. A. Raffy, em Paris, a 23 de Junho de 1914.","bibliography":"*Islamic Art in the Calouste Gulbenkian Collection*, catálogo de exposição, Abu Dhabi, 2004. \n \nMota, M. M., *Catálogo das Louças Islâmicas*, vol. I: *Louças Seljúcidas*, Lisboa, 1988. \n \n*Museu Calouste Gulbenkian*, Lisboa, 1ª edição 2001, 2ª edição revista e actualizada 2002.","dynasty":"Período Seljúcida","author":"Maria Queiroz Ribeiro","keywords":["Caxã","esfinge","haftrang","minai","seljúcidas","taça","vidrado"],"materials":["Faiança minai ou haftrang (sete cores) com decoração pintada sob e sobre o vidrado."]}}
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+ {"0b2e5db9-7b0b-58f7-bda2-af3bd45e294c":{"name":"Lápide funerária.","description":"Fragmento superior de uma lápide rectangular, com moldura lisa, em que se inscreve um arco “simbólico” ligeiramente apontado, em relevo. No interior do arco e entre este e a moldura, corre a epígrafe num pseudo cúfico arcaizante que, juntamente com características estilísticas, pode indiciar a sua utilização na comunidade muçulmana já em plena época cristã. Eis o texto: “Eterno é Deus. Tem compaixão conforme a tua mercê, ó tu que tudo dominas, e olha \\[com misericórdia\\] para o sítio para onde fui mandado. \\* \\[…\\]”. \n \nEsta lápide foi encontrada numa casa de campo em Frielas, arredores de Lisboa, nos finais do século XIX.","short_description":"Descoberta em Frielas, nos arredores de Lisboa, esta lápide é uma das mais conhecidas e reproduzidas da colecção epigráfica do Museu Nacional de Arqueologia. É proveniente de um cemitério islâmico e refere-se a um membro da comunidade muçulmana que permaneceu em Lisboa após a reconquista.","holder":"Museu Nacional de Arqueologia.","dates":"Séc. VII AH / XIII AD.","location":"Lisboa.","dimensions":"Alt. 33 cm; larg. 55 cm; prof. 11 cm.","method_for_datation":"A forma de alguns caracteres e a utilização frequente de diacríticos, aliadas à depurada estilização do arco, conduzem a uma datação do final do século VII AH / XIII AD.","method_for_provenance":"Segundo notícia de 1896 do arabista David Lopes (ver bibliografia), esta lápide foi encontrada numa casa de campo de Castanheira das Neves, em Frielas, arredores de Lisboa.","provenance":"Frielas (Lisboa).","bibliography":"Barros, M. F. L. “Inscrição funerária árabe”, *XVII Exposição Europeia de Arte Ciência e Cultura. Madre de Deus*, Catálogo, Lisboa, 1983, pp. 116-117. \n \nBorges, A. G. M. e Sidarus, A., “Lápide funerária”, *Portugal Islâmico*, Lisboa, 1999, 251. \n \nLabarta, A. e Barceló, C., “Inscripciones árabes Portuguesas: situación actual”, *Al-Qantara*, 8, 1987, p. 408. \n \nLopes, D., “Cousas arábico-portuguesas”, *O Archeologo Português,* 2, Lisboa, 1896, p. 207. \n \nNykl, A. R., “Arabic Inscriptions in Portugal”, *Ars Islamica*, 11-12, 1946, pp. 178-179.","dynasty":"Da comunidade moura já após a conquista cristã de Lisboa em 541 AH / 1147 AD","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Artur Goulart de Melo Borges","keywords":["lápide funerária; Lisboa; conquista cristã; calcário esculpido; estela funerária; inscrição funerária"],"materials":["Calcário esculpido."]},"246cffbc-9030-5777-959b-8b4967743c39":{"name":"Capitel","description":"Capitel compósito, com o cesto preenchido por dois registos assimétricos de acantos de folhas simples e lisas de pontas curvadas, contornadas por decoração vegetalista e rendilhada. No ábaco sobressaem decorações de entrelaçados e, no equino, nas quatro faces entre as volutas, corre uma inscrição votiva em cursivo relevado, onde se lê: “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso! Abençoe / Deus ao nosso senhor Muhammad / e a sua família e (lhes) conceda a paz perfeita / Deus me livre de Satanás o maldito”.","short_description":"Capitel datável de meados do século VI H/XII AD. O texto, “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso! Abençoe / Deus ao nosso senhor Muhammad / e a sua família e (lhes) conceda a paz perfeita / Deus me livre de Satanás o maldito”, aponta para um uso religioso.","holder":"Museu Municipal de Santarém","dates":"Dos últimos anos do domínio árabe, ou muito provavelmente já após a conquista cristã em 541 AH / 1147 AD.","location":"Santarém.","dimensions":"Alt. 34 cm; larg. 28 cm; prof. 28 cm.","method_for_datation":"Embora durante vários anos tenha sido datado de época califal, uma análise mais recente, sobretudo do tipo de letra em cursivo nasrida, exige que a sua datação seja retificada para o século VII AH / XII AD.","method_for_provenance":"Documentado em 1882 pelos antigos responsáveis do Museu Distrital de Santarém de S. João de Alporão, hoje Museu Municipal de Santarém, e Zeferino Brandão, como tendo sido encontrado em 1880 no bairro de Alporão.","provenance":"Santarém.","obtention":"Oferecido ao Museu em 1882 por António Fernandes Melício, proprietário então do antigo Paço dos Condes de óbidos, edifício do século XVI, em cujo celeiro foi encontrado.","bibliography":"Brandão, Z., “Vestígios árabes em Santarém”, *O Occidente*, 5, Lisboa, 1882, pp. 190-192. \n \nCustódio, J. S., “Capitel”, *Portugal Islâmico*, Lisboa, 1999, 76-77. \n \nLabarta, A. e Barceló, C. “Inscripciones árabes Portuguesas: situación actual”, *Al-Qantara*, 8, 1987, pp. 35-36. \n \nNykl, A. R., “Inscrições árabes existentes no museo Arqueológico do Carmo”, *Trabalhos da Associação dos Arqueólogos Portugueses*, 5, Lisboa, 1941, pp. 11-12. \n \nNykl, A. R., “Arabic Inscriptions in Portugal”, *Ars Islamica*, 11-12, 1946, pp. 167-183.","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Artur Goulart de Melo Borges","materials":["Mármore esculpido."]},"28e981d7-26aa-59bf-922b-900394b0b93b":{"name":"Lápide comemorativa.","description":"Bloco rectangular com uma das faces quase totalmente aproveitada para a gravação em relevo de uma inscrição, tendo na parte superior restos de molduras que se inseriam nas linhas arquitectónicas do edifício. A inscrição, emoldurada por faixa estreita de entrançados, em cursivo nasrida muito floreado e decorativo, preenche em dez linhas e de modo compacto todo o campo epigráfico. A epígrafe comemora a construção de uma torre na cidade de Silves, muito provavelmente a da Porta do Sol. O reforço da capacidade defensiva justificava-se plenamente, pois que, cerca de 40 anos antes, fora ocupada temporariamente pelos cristãos, cujo avanço para o Sul era notório e constituía um perigo eminente para a tomada da cidade, como veio a acontecer de modo definitivo em 646 AH / 1249 AD. Na terceira linha da inscrição foi intencionalmente destruído o nome de quem mandou fazer a construção e que Lévi-Provençal identifica como tendo sido Abu l-Ula Idris, filho de Yakub al-Mansur, por ocasião de uma viagem de inspecção a Silves. Terá ordenado o apagamento do nome Shuaib Ibn Muhammad Ibn Mahfuz quando ali formou um pequeno reino independente em oposição aos almóadas. \n \nO texto da inscrição é o seguinte: “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Abençoe Deus a Muhammad e a sua família. Ordenou a construção desta torre o emir \\[… filho de … Abu Yu\\]suf, filho do califa, emir dos crentes, Abu Yakub, filho do califa, emir dos crentes, Abu Muhammad Abd al-Mu'min Ibn Ali – que Deus aceite as suas boas obras e lhe perdoe as más! E isto, no mês de ramadân o respeitável do ano 624”.","short_description":"Lápide comemorativa da construção de uma torre no castelo de Silves. A edificação desta estrutura defensiva, em 624 AH / 1227 AD, por ordem de Abu l-Ula Idris, filho de Yakub al-Mansur, é um elemento evidente da pressão militar que o reino cristão de Portugal exercia sobre o território de Silves.","holder":"Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique.","dates":"624 AH / 1227 AD.","location":"Faro.","dimensions":"Alt. 96,5 cm; larg. 34 cm; prof. 16 cm.","method_for_datation":"Datada na inscrição do mês de Ramadân de 624 AH (15 de Agosto a 13 de Setembro de 1227 AD).","method_for_provenance":"Encontrada em 1874, em Silves, nos trabalhos de abertura de uma estrada de acesso ao novo cemitério, foi recolhida nos Paços do Concelho.","provenance":"Silves.","obtention":"Guardada nos Paços do Concelho, foi pouco tempo depois entregue ao Museu Arqueológico de Faro.","bibliography":"Borges, A. G. M. “Lápide comemorativa da construção de uma torre”, *Portugal Islâmico*, Lisboa, 1999, pp. 220-221. \n \nBotto, Con. *Glossário crítico dos principaes monumentos do Museu Archeologico Infante D. Henrique*, Faro, 1899. \n \nInstitut Français d'Archeologie Orientale, *Répertoire chronologique d'epigraphie arabe*, 10, Cairo, 1939, p. 245. \n \nLévi-Provençal, E. “L'inscription almohade de Silves”, *Mélanges George Le Gentil*, Paris, 1949, pp. 257-262. \n \n5\\. Nykl, A. R. “Arabic Inscriptions in Portugal”, *Ars Islamica*, 11-12, 1946, pp. 167-183.","dynasty":"Período almóada","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Artur Goulart de Melo Borges","keywords":["lápide comemorativa; Faro; almóadas; mármore esculpido"],"materials":["Mármore esculpido."]},"3ebe5033-d227-5761-a358-3afbce101aaf":{"name":"Cofre da Sé de Braga.","description":"Este pequeno cofre em marfim trabalhado sobre um troço de dente de elefante, mantém a forma cilíndrica que suporta uma tampa em cúpula. Esta última é constituida por um pequeno tambor onde se desenvolve uma inscrição em árabe cúfico e uma calote sobrepujada por uma pequena pega piriforme. A tampa está presa ao corpo do recipiente por uma fina dobradiça de bronze e mantém, no mesmo material, as partes fixas de um fecho em que desapareceu a lingueta. \n \nToda a superfície desta peça está finamente trabalhada em baixo-relevo, num minucioso trabalho de buril e talhadeira. A composição decorativa desenvolve-se numa sequência de arcos em ferradura que assentam em colunelos com capiteis de folhas de acanto e duas volutas. Sobre cada arco e envolvidos pelo mesmo filete de entalhe encordoado inscrevem-se uma serie de caprídeos e aves. Aliás estas corças e aves do paraíso, ressaltam de quando em vez do emaranhado vegetal que cobre toda a superfície. Sob um dos arcos, dois personagens, finamente escultorados, colhem os frutos de uma árvore, num gesto semelhante a representações da vindima no mundo tardo-antigo. A calote da tampa, toda ela também insculturada, ostenta um sequência de medalhões octogonais onde se inscrevem zoomorfos. \n \nAs frases propiciatórias em cúfico inscritas na parte inferior da tampa, emolduradas por duas fiadas de encordoados, indicam que foi encomenda do *hajib* Abd al-Malik, filho de al-Mansur, o poderoso chefe militar que promoveu várias razias ao Norte da Península em finais do século X. O carácter pacífico das representações tem levado a pensar que possa ter sido feito para algum tipo de comemoração pessoal (um casamento, por exemplo).","short_description":"Pequeno cofre em marfim encomendado (entre 394 H./ 1004 d.C. e 398 H./ 1008 d.C.) por Abd al-Malik, filho do poderoso al-Mansur. O carácter pacífico das representações (actividades agrícolas, corças e aves do paraíso) leva a pensar que possa ter sido feito para algum tipo de comemoração pessoal.","holder":"Tesouro da Sé de Braga.","initial_owner":"Encomenda de Abd al-Malik, filho de al-Mansur.","dates":"394 AH / 1004 AD e 398 AH / 1008 AD.","location":"Braga.","dimensions":"Altura 20 cm; diâmetro 10 cm.","method_for_datation":"Através da inscrição.","method_for_provenance":"Através do nome do encomendador.","provenance":"Córdova?","obtention":"Por doação ou saque, o cofre foi parar à posse da Sé de Braga em cujo tesouro está encorporado desde a alta Idade Media.","bibliography":"Almeida, C. A. F., *Arte islâmica em Portugal*, História da Arte em Portugal, vol. 2, Lisboa, 1988, pp. 73, 87-88. \n \nBarroca, Mário, “Cofre”, *Nos confins da Idade Média*, Lisboa, 1992, p. 93-94. \n \nGómez-Moreno, M., *Arte árabe español hasta los almohades*, Ars Hipaniae, III, Madrid, 1951, p. 299.","dynasty":"Omíadas de Córdova, período califal","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Cláudio Torres","keywords":["cofre; Braga; omíadas de Córdova; Abd al-Malik; al-Mansur; marfim; arco em ferradura; corça; ave do paraíso"],"materials":["Marfim. Trabalho em baixo relevo."]},"41e2c44a-687b-5a33-a465-b90fb6356433":{"name":"Garrafa.","description":"Garrafa de bojo globular com colo cilíndrico e pé em bolacha convexa. Apresenta uma inscrição com dedicatória ao sultão mameluco: “Glória ao nosso senhor, o sultão al-Malik al-Ashraf, o sábio, o diligente”, em escrita cursiva com caracteres ascendentes (*thuluth*), a azul sobre fundo de arabescos de folhas cor-de-rosa e verde divididos por dois medalhões. Esta inscrição segue em volta do colo, repetindo a palavra *al-alim* (o sábio). A parte superior do bojo é preenchida com delicadas hastes com folhas contornadas a vermelho, intercaladas com cartuchos contracurvados, contendo motivos trifoliados de cores vivas, e seis medalhões circulares com fénix reservadas a dourado sobre fundo azul.","short_description":"Garrafa de fabrico sírio ou egípcio. A parte superior do bojo é preenchida com motivos vegetalistas e por seis medalhões circulares com fénix. A inscrição, “Glória ao nosso senhor, o sultão al-Malik al-Ashraf, o sábio, o diligente”, permite datar a peça do período mameluco (séc. VII AH / XIV AD).","holder":"Museu Calouste Gulbenkian.","initial_owner":"Executada para o Sultão al-Malik al-Ashraf, possivelmente o Sultão al-Ashraf Ala al-Din Kayk (r. 742-743 AH / 1341-1342 AD) ou o Sultão al-Ashraf Shaban (r. 764-778 AH / 1363-1377 AD).","dates":"Meados do séc. VII AH / XIV AD.","location":"Lisboa.","dimensions":"Alt. 42,5 cm; diâm. bordo 6,5 cm; diâm. máximo 30 cm; diâm. base 30 cm.","method_for_datation":"A inscrição com dedicatória ao sultão al-Malik al-Ashraf permite datar a peça do período mameluco. Por outro lado, a análise estilística e a comparação com obras da mesma época permite reforçar essa datação.","method_for_provenance":"Através de peritagem complementada por documentos em arquivo que comprovam a autenticidade da peça. Por exemplo, a *expertise* realizada pelo Dr. Otto von Falke refere que: “Esta garrafa deve considerada, após exame detalhado das suas características, da sua técnica e estilo, como uma obra de arte indubitavelmente autêntica e absolutamente intacta da época dos sultões mamelucos do Egipto, do século XIV ao século XV d.C.” .","provenance":"Egipto ou Síria.","obtention":"Pertencia à Colecção Rothschild, Londres, e foi adquirida por intermédio de Hans Stiebel (S. & R. Rosenberg, Londres) na Venda Rothschild na casa Sotheby's, em Londres, em Abril de 1937.","bibliography":"*Museu Calouste Gulbenkian. Catálogo*, Lisboa, 2ª edição, 1989. \n \nRibeiro, M. Q. e Hallet, J. *Os Vidros da Dinastia Mameluca no Museu Calouste Gulbenkian*, Lisboa, 1999.","dynasty":"Período Mameluco","linkcatalogs":"IAM_EG_EN_001","author":"Maria Queiroz Ribeiro","keywords":["garrafa; vidro soplado; mamelucos; Egipto; Síria; al-Ashraf Ala al-Din Kayk; al-Ashraf Shaban; thuluth; al-alim"],"materials":["Vidro soprado cor de mel com decoração dourada e esmaltada a azul, vermelho, rosa, verde, amarelo, azul claro e branco."]},"42311da9-1496-5d35-a0ea-56b7ce7ff0f7":{"name":"Talha.","description":"Talha de bordo envasado com lábio quadrangular, boca circular, colo troncocónico invertido, corpo globular com duas asas de aleta com apêndice superior no ombro e base convexa. Encontra-se coberta de vidrado verde no colo e no corpo, e profusamente ornamentada com cordões digitados e marcados com a unha, e com símbolos profiláticos estampilhados de carácter vegetal (rosetas e palmetas), caligráfico e arquitectónico (arcos de ferradura e trilobulados). Peça restaurada.","short_description":"Talha do período almóada, destinada a conservar água. A preocupação em proteger o conteúdo da talha manifesta-se pela profusão de símbolos profilácticos estampilhados. Reconhecem-se motivos de carácter vegetal (rosetas e palmetas), caligráfico e arquitectónico (arcos em ferradura e trilobulados).","holder":"Museu de Mértola.","dates":"Segunda metade do século VI AH / XII AD ou primeiras décadas do século VII AH / XIII AD.","location":"Mértola., Beja.","dimensions":"Diâmetro da boca 28 cm; largura 59 cm; altura 70,5 cm.","method_for_datation":"Foi datado na época almóada por razões estratigráficas, já que foi encontrado nos níveis de abandono de uma das casas da alcáçova abandonadas após a conquista de Mértola pelos cristãos em 635-636 AH / 1238 AD. Esta datação é corroborada pelos paralelos decorativos com um bocal de poço de Tetouan, datado por uma inscrição em 585 AH / 1190 AD.","method_for_provenance":"Encontraram-se em Mértola estampilhas utilizadas para decorar este tipo de talhas.","provenance":"Mértola.","obtention":"Encontrada nas escavações arqueológicas realizadas pelo Campo Arqueológico de Mértola na alcáçova do castelo de Mértola.","bibliography":"Gómez Martínez, S., “Catálogo da cerâmica”, *Museu de Mértola. Arte Islâmica*, ed. S. Macias, Mértola, p. 163. \nTorres, C., y Macias, S. (eds.), *O Portugal Islâmico*, Lisboa, 1998, p. 150.","dynasty":"Período almoáda","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Susana Gómez Martínez","translator":"Santiago Macias","keywords":["cerâmica; água; vida quotidiana; símbolos profiláticos"],"materials":["Cerâmica fabricada com pasta amarelada/acinzentada compacta, e levantada utilizando uma técnica mista de rolinhos na sua parte inferior e com torno na parte superior. Apresenta decoração estampilhada e vidrado parcial."]},"4a32d0c3-68b5-55c4-a37a-780a7d0bacff":{"name":"Lápide funerária.","description":"Placa rectangular, de mármore branco, com o epitáfio inscrito numa moldura formada por um encordoado simples. A epígrafe revela qualidade e erudição, tanto do ponto de vista epigráfico como textual. A *ordinatio* é bastante cuidada, sendo as letras e os sinais de abreviatura típicos do século X. A expressão *hic requiescunt membra* é pouco vulgar na Hispânia, mas encontra paralelos numa inscrição de Córdova, do ano 982, que pertence ao Museu Arqueológico de Sevilha. O epitáfio do bispo algarvio encontra o seu modelo mais próximo precisamente na referida epígrafe, não apenas pela fórmula introdutória utilizada, mas igualmente pela tipologia dos caracteres e pelo próprio encordoado da moldura. Dir-se ia feita pela mesma oficina. Pertence ainda a esta família a inscrição funerária da monja Speciosa e sua mãe Tranquilla, datada de cerca 966 e que apareceu na igreja de Santo André de Córdova.","short_description":"Lápide funerária de um bispo que vivia no Algarve em plena época califal e que faleceu em 991 d.C./379 H. Tem paralelos em inscrições cristãs de Córdova da mesma época. Pensa-se que todas elas terão sido produzidas por uma oficina que naquela cidade trabalhava para a comunidade moçárabe.","holder":"Museu Nacional de Arqueologia.","dates":"21 de Março de 991 (2 de Muharram de 379 AH).","location":"Lisboa.","dimensions":"Alt. 37,5 cm, larg. 30 cm, prof. 4,2 cm.","method_for_datation":"A data consta da 3ª/4ª linhas da epígrafe, referente ao dia do óbito do bispo Julião. A indicação da Era segue uma modalidade estranha, mas típica em diplomas e epígrafes cristãs imediatamente posteriores à passagem do milénio, onde os numerais relativos às dezenas e unidades precedem o milhar, acompanhados da expressão “post”, “super” ou “peracta”. \n \nManuela Alves Dias data a epígrafe do ano 987, mas não conseguiu ler correctamente o signo do milhar e não entendeu o V romano, com a haste esquerda quase na horizontal. A leitura correcta será “Era 1029”, isto é, 991 AD (379 AH).","method_for_provenance":"Estácio da Veiga deu a conhecer que a lápide foi achada no lugar da “Fonte Santa”, nos arredares de Cacela. Esta mesma localidade parece ser já referida na *Crónica da Conquista do Algarve*, onde se diz que após a tomada da fortificação de Cacela pelas tropas cristãs (séc. XIII), alguns dos seus habitantes refugiaram-se nas redondezas, no lugar da “fonte do Bispo”. O mais provável é que este prelado fosse bispo de Ossonoba (Faro).","provenance":"Encontrada nos arredores de Cacela (Faro), provavelmente provem de uma oficina moçárabe de Córdova.","obtention":"A epígrafe foi revelada por Estácio da Veiga a Emílio Hubner, que a publicou em 1871. Mais tarde perdeu-se-lhe o rasto, vindo de novo a ser localizada em meados da década de 90 do século passado, na posse de um particular, pelo arqueólogo Rui Parreira. Consciente da sua excepcional importância, conseguiu que fosse adquirida através da delegação de évora do IPPAR. Por altura da grande exposição “Portugal Islâmico” a lápide foi transferida para o MNA, de cujo inventário passou a fazer parte.","bibliography":"Barroca, M. J. *Epigrafia medieval portuguesa (862-1422)*, vol. 2. Porto, 1995, pp. 41-43. \n \nDias, M. A. “Sobre o epitáfio de Juliano, Bispo (Cacela, 987 d. C.)”, *Arqueologia Medieval*, 6, Porto, 1999, p. 11-18. \n \nHubner, E. *Inscriptiones Hispaniae Christianae*. Berlin, 1871, p. 69, n. 210. \n \nReal, M. L., “Lápide funerária do Bispo Julião”, *Cristo, fonte de esperança. Catálogo. Exposição do Grande Jubileu do Ano 2000*, Porto, 2000, pp. 200-201. \n \nSousa, J. M. C., “Relação das inscrições dos séculos VIII a XIII existentes em Portugal”, *Ethnos*, 3, Lisboa, 1948, p. 115.","dynasty":"Omíadas de Córdova, período califal","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Manuel Luís Real","keywords":["lápide funerária; omíadas de Cordova; mármore; moçárabe; epitáfio; inscrição; bispo; Julião; encordoado; Fonte Santa; Córdova; túmulo; objeto funerário; estela funerária; inscrição funerária"],"materials":["Mármore, gravado a buril."]},"66718328-7241-56c8-a45c-d60aff5e7c2d":{"name":"Taça com inscrição.","description":"Taça de bordo envasado biselado, boca circular, corpo bitroncocónico com carena baixa, uma asa vertical de secção oval que une o bordo e a carena, e base plana com pé anular diagonal. La decoración foi executada com a técnica da corda seca parcial, traçando com uma linha de manganés o motivo caligráfico e preencehendo-o com vidrado verde. O texto encontra-se incompleto embora possamos ler em caracteres cúficos *baraka kamila \\[wani\\]ma sa\\[mila\\]* (“bendição completa e felicidade total”). A frase não está acompanhada por motivos secundários. Trata-se de uma das peças de corda seca parcial mais antigas das que se conservam em Mértola e o seu estilo ornamental e caligráfico distingue-se bastante das peças datáveis do século XII. Peça restaurada.","short_description":"Taça em corda seca parcial com inscrição cúfica: *baraka kamila \\[wani\\]ma sa\\[mila\\]* (“bendição completa e felicidade total”). O texto sugere a necessidade de proteger o conteúdo desta peça de mesa encontrada no castelo de Mértola (segunda metade do séc. V H./XI d.C. ou inícios do séc. VI H./XII d.C.).","holder":"Museu de Mértola.","dates":"Segunda metade do século V AH / XI AD ou inícios do século VI AH / XII AD.","location":"Mértola., Beja.","dimensions":"Diâmetro da boca 9,1 cm; diâmetro da base 5,3 cm; largura 13 cm; altura 10,2 cm.","method_for_datation":"Foi datada por razões estratigráficas entre o final do período das taifas e a época almorávida.","method_for_provenance":"Trata-se de um tipo de cerâmica fabricada em várias regiões do al-Andalus, mas cuja produção ainda não se constatou no ocidente da Península Ibérica.","provenance":"Al-Andalus.","obtention":"Encontrada nas escavações arqueológicas realizadas pelo Campo Arqueológico de Mértola no Castelo de Mértola.","bibliography":"Gómez Martínez, S., *A cerâmica em corda seca de Mértola*, Mértola, 2002. \nTorres, C., y Macias, S. (eds.), *O Portugal Islâmico*, Lisboa, 1998, p. 100.","dynasty":"Período das taifas / almorávida","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Susana Gómez Martínez","translator":"Santiago Macias","keywords":["cerâmica; corda seca"],"materials":["Cerâmica fabricada com pasta amarelada pouco compacta em torno rápido, cozida em atmosfera oxidante e decorada com a técnica da corda seca parcial."]},"6ad7e7f5-5b8d-5bfc-afb9-c3c90a19d9a8":{"name":"Jarra.","description":"Jarra de bordo vertical biselado, boca circular, colo cilíndrico, corpo globular, com duas asas em fita estriadas com apêndice superior em forma de pináculo que unem o colo e o corpo da vasilha, e base convexa com pé anular diagonal. Conserva o arranque de um filtro situado entre o colo e o corpo. O exterior está decorado com a técnica da corda seca parcial, na qual apenas algumas partes do desenho são preenchidas com vidrado verde ou melado esverdeado e outras com ponteado. A decoração organiza-se em seis bandas horizontais sucessivas, com motivos vegetais, ondulados e caligráficos. No bordo encontramos uma estrecha sanefa de palmetas esquemáticas. A maior parte do colo é ocupada por uma banda larga com grandes flores de lótus, aparecendo debaixo dela um friso de motivos dentados. No ombro surge uma cartela caligráfica onde se repete várias vezes em cúfico florido a palavra *baraka* e, no corpo, uma banda de medalhões fitomórficos. Por último, encontramos junto à base um friso de palmetas. Peça restaurada.","short_description":"Jarra em corda seca parcial, do período almorávida ou almóada. A decoração organiza-se em seis bandas horizontais sucessivas, com motivos vegetais, ondulados e caligráficos. Destacam-se motivos como a flor de lótus e a banda epigráfica em cúfico florido onde se lê *baraka*.","holder":"Museu de Mértola.","dates":"Siglo VI AH / XII AD.","location":"Mértola., Beja.","dimensions":"Diâmetro da boca 17,8 cm; diâmetro da base 13,4 cm; largura 32 cm; altura 34,8 cm.","method_for_datation":"O contexto estratigráfico em que foi encontrado o objecto encontrava-se muito revolvido. A sua datação no século VI AH / XII AD foi obtida mediante o estabelecimento de paralelos com peças de idênticas forma, técnica e temática decorativa, achadas em Málaga e Almeria (Espanha).","method_for_provenance":"A abundância deste tipo de cerâmica em Málaga e em Almeria (Espanha), onde se encontraram fornos que fabricavam este tipo de peças, levou os investigadores a atribuir a origem da sua produção a estas cidades.","provenance":"Almeria ou Málaga (España).","obtention":"Encontrada nas escavações arqueológicas realizadas pelo Campo Arqueológico de Mértola na alcáçova do castelo de Mértola.","bibliography":"Gómez Martínez, S., *A cerâmica em corda seca de Mértola*, Mértola, 2002. \nTorres, C., y Macias, S. (eds.), *O Portugal Islâmico*, Lisboa, 1998, p. 89.","dynasty":"Almorávida ou almóada","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Susana Gómez Martínez","translator":"Santiago Macias","keywords":["cerâmica; corda seca; comércio"],"materials":["Cerâmica fabricada com pasta rosada porosa, modelada em torno rápido, cozida em atmosfera oxidante e decorada com a técnica da corda seca parcial."]},"96998c67-dbae-5a23-8da5-21ca0231218d":{"name":"Lâmpada de mesquita.","description":"Lâmpada em forma de jarra com seis anéis de suspensão e pé alto troncocónico. Possui inscrição em duplicado no colo e no bojo com o seguinte texto: “Este é um dos objectos feitos para o mausoléu do emir Alan al-Din Ali, filho de sua excelência Saif al-Din Baktamur, al-hajib (o chanceler), que Deus o cubra com a sua misericórdia”. Três brasões dividem em partes iguais a inscrição do colo, enquanto que outros três brasões alternam com arabescos estilizados em volta do registo inferior do bojo. O pé alto apresenta três medalhões com motivos trifoliados simples. O brasão circular está dividido em três campos: as zonas superiores e inferior são brancas , enquanto que o campo central apresenta a imagem de um cavalo com uma estrutura em forma de cúpula sobre o dorso.","short_description":"“Este é um dos objectos feitos para o mausoléu do emir Alan al-Din Ali, filho de sua excelência Saif al-Din Baktamur, al-hajib (o chanceler), que Deus o cubra com a sua misericórdia”. A inscrição data esta lâmpada de mesquita (c. 721 AH/1321 AD), cujas forma e decoração são típicas da época mameluca.","holder":"Museu Calouste Gulbenkian.","initial_owner":"Emir Alin ibn Baktamur.","dates":"Posterior a 23 de Muharram de 721 AH / 21 de Fevereiro de 1321 AD.","location":"Lisboa.","dimensions":"Alt. 31 cm; diâm. bordo 21cm; diâm. máximo 20,5 cm; diâm. base 13,5 cm.","method_for_datation":"Datada, segundo a inscrição, por volta do período após a morte do Emir Ali ibn Baktamur, a 21 de Fevereiro de 1321.","method_for_provenance":"Através de peritagem, análise estilística e comparativa e catálogos publicados.","provenance":"Egipto ou Síria.","obtention":"Proveniente da colecção do Barão Gustave de Rothschild, adquirida por intermédio de Joseph Duveen a Philip Sassoon, em Londres, a 8 de Novembro de 1919.","bibliography":"*Arte do Oriente Islâmico. Catálogo*,Lisboa, 1963. \n \n*Museu Calouste Gulbenkian. Catálogo*, Lisboa, 2ª edição 1989. \n \n*Only the Best: Masterpieces of the Calouste Gulbenkian Museum, Lisbon*, catálogo de exposição, New York, 1999. \n \nRibeiro, M. Q., e Hallet, J., *Os Vidros da Dinastia Mameluca no Museu Calouste Gulbenkian*, Lisboa, 1999.","dynasty":"Período Mameluco","linkcatalogs":"IAM_EG_EN_001","author":"Maria Queiroz Ribeiro","keywords":["lâmpada; vidro soprado; mamelucos; Egipto; Síria; Alin ibn Baktamur"],"materials":["Vidro soprado cor de mel com decoração dourada e esmaltada a azul, vermelho, rosa, verde, amarelo e branco."]},"b6ddda27-c0ff-5f0f-b4b1-bb06af0f4dc4":{"name":"Vaso com tampa.","description":"Vaso coberto, pintado com medalhões em azul sob o vidrado transparente e decoração de reflexo metálico. Sobre o fundo branco estão dispostos, em registos horizontais, compartimentados, motivos compostos por pseudo-inscrições em cúfico florido interrompidos por medalhões circulares com motivos florais e enrolamentos. 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Brimo refere ter recebido de Calouste Gulbenkian uma determinada soma pela sua *expertise* sobre a peça em questão, onde confirma a autenticidade da mesma.","provenance":"Raca, Síria.","obtention":"Adquirida por intermédio de Dikran Kelekian, em Paris, a 27 de Dezembro de 1907.","bibliography":"Makariou, S. (ed.), *L'Orient de Saladin. L'art des Ayyoubides*, catálogo de exposição, Paris, 2002. \n \nMota, M. M., *Catálogo das Louças Islâmicas*, vol. I: *Louças Seljúcidas*, Lisboa, 1988. \n \n*Memorias del Imperio árabe*, catálogo de exposição, Santiago de Compostela, 2000. \n \n*Museu Calouste Gulbenkian*, Lisboa, 1ª edição 2001, 2ª edição revista e actualizada 2002.","dynasty":"Período ayyúbida","author":"Maria Queiroz Ribeiro","keywords":["vaso com tampa; ayyúbidas; Raca; Síria; cerâmica silicosa; reflexo metálico"],"materials":["Cerâmica siliciosa com decoração de “reflexo metálico”."]},"b8c52c07-1db7-5b7e-a968-695ff14489a0":{"name":"Tigela.","description":"Tigela de bordo vertical arredondado, boca circular, corpo troncocónico invertido com carena baixa e base com pé anular diagonal. Coberto com vidrado monocromo melado no exterior e decorado em corda seca total com cores branca, verde e melada separadas por traços de manganés. O tema central é a palavra “baraka” escrita com caracteres cúficos, rodeada por um friso de palmetas que percorre o bordo da peça. Peça restaurada.","short_description":"Tigela em corda seca total do período almorávida ou almóada. O tema central é a palavra “baraka” escrita com caracteres cúficos, rodeada por um friso de palmetas que percorre o bordo da peça. Esta peça tem paralelos em vários pontos do Mediterrâneo Ocidental.","holder":"Museu de Mértola.","dates":"Siglo VI AH / XII AD.","location":"Mértola., Beja.","dimensions":"Diâmetro da boca 25 cm; diâmetro da base 10,3 cm; altura 8 cm.","method_for_datation":"O contexto estratigráfico em que foi encontrado o objecto encontrava-se muito revolvido. A sua datação no século VI AH / XII AD foi obtida mediante o estabelecimento de paralelos com peças de idêntica forma e técnica decorativa achadas em Málaga e Almeria (Espanha).","method_for_provenance":"A abundância deste tipo de cerâmica em Málaga, onde encontramos uma caligrafia muito parecida, e em Almeria (Espanha), onde se encontraram fornos que fabricavam peças com esta decoração, levou os investigadores a atribuir a origem da sua produção a estas cidades.","provenance":"Almeria ou Málaga (Espanha).","obtention":"Encontrada nas escavações arqueológicas realizadas pelo Campo Arqueológico de Mértola na alcáçova do castelo de Mértola.","bibliography":"Gómez Martínez, S., *A cerâmica em corda seca de Mértola*, Mértola, 2002. \nTorres, C., y Gómez, S., \"Le vert et brun au Portugal\", *Le Vert et le Brun de Kairouan à Avignon, céramiques du Xe au XVe siècle. Catalogue de la exposition*, Marseille, 1995, pp. 98-102. \nTorres, C., “Um lote cerâmico da Mértola Islâmica*”, I Congreso de Arqueología Medieval Española. Huesca, 1985*, t. IV, Zaragoza, 1986, pp. 193-228. \nTorres, C., y Macias, S. (eds.), *O Portugal Islâmico*, Lisboa, 1998, p. 93.","dynasty":"Almorávida ou almóada","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Susana Gómez Martínez","translator":"Santiago Macias","keywords":["cerâmica; corda seca; comércio"],"materials":["Cerâmica vidrada fabricada com pasta amarela pouco compacta, modelada em torno rápido, cozida em ambiente oxidante e decorada con a técnica da corda seca total."]},"e27dbed9-8298-54dd-abc1-a2b737a79abc":{"name":"Lápide funerária.","description":"Lápide rectangular que alia de forma notável a beleza decorativa com o programa epigráfico. Organiza-se em modelo arquitectónico, com um arco “simbólico” de lóbulos entrelaçados, rematado superiormente por uma faixa de merlões islâmicos. Dentro do arco, um cursivo desenvolto enleia-se com arabescos; no intercolúnio, em moldura estreita rectangular, três linhas de um cursivo nitidamente marcado pela longas hastes verticais e prolongamento das letras finais. \n \nO famoso arabista Frei João de Sousa dá notícia dela pela primeira vez em 1788, exposta numa das paredes exteriores dos Paços do Concelho eborense, bem como a viu pouco depois o arquitecto inglês James Murphy, publicando-a em 1795, no seu *Travels in Portugal*. O facto de se encontrar partida e com certo desgaste, bem como o deficiente desenho de Murphy, apenas permitiu até muito recentemente a leitura da frase inscrita no arco. A leitura completa só foi apresentada pela primeira vez, em 1940, por A. R. Nykl, embora com reservas pela dificuldade das duas ultimas linhas, e é a seguinte: \n \n“Todas as almas sentirão a morte (Corão, III, 182). Ó tu que visitas \\[este sepulcro\\], roga a Deus que perdõe e tenha misericórdia do teu irmão e recorda-te desta viagem \\[até ao Juízo Final\\]. \\[A alma\\] ser-te-á tirada por Deus; nenhum vestígio do seu orgulho aparece no humilde túmulo. Da injustiça \\[deste mundo\\] temos que regressar ao Senhor; quer dizer, a Deus, à Misericórdia e grande Generosidade”.","short_description":"Esta lápide funerária foi mandada fazer por muçulmanos que permaneceram em Évora após a reconquista da cidade. O texto cita o Corão (III, 182), numa peça que conjuga com elegância elementos arquitectónicos (um arco lobulado rematado por merlões) e um texto em cursivo conjugado com arabescos.","holder":"Museu de Évora.","dates":"Séc. VII AH / XIII AD.","location":"Évora.","dimensions":"Alt. 35 cm; larg. 49 cm; prof. 4,5 cm.","method_for_datation":"As características estilísticas e epigráficas datam-na do século VII AH / XIII AD.","method_for_provenance":"Foi descrita no final do século XVIII, em exposição na parede exterior do edifício dos Paços do Concelho, na Praça do Giraldo, em évora. Quando este foi destruído no final do século XIX, a lápide foi entregue ao Museu Archeológico, anexo à Biblioteca Pública de évora.","obtention":"Passou do Museu Archeológico, anexo à Biblioteca Pública, para o Museu de évora, quando este foi criado em 1915.","bibliography":"Borges, A. G. M. “Lápide funerária”, *Portugal Islâmico*, Lisboa, 1999, p. 253. \n \nLabarta, A. e Barceló, C. “Inscripciones árabes Portuguesas: situación actual”, *Al-Qantara*, 8, 1987, p. 405. \n \nNykl, A. R. “Algunas inscripciones árabes de Portugal”, *Al-Andalus*, 5, 1940, pp. 309-401. \n \nNykl, A. R. “Inscrições árabes no Museu Etnológico do Dr. José Leite de Vasconcelos”, *Ethnos*, Lisboa, 2, 1942, pp. 23-21. \n \nNykl, A. R. “Arabic Inscriptions in Portugal”, *Ars Islamica*, 11-12, 1946, pp. 178-179.","dynasty":"Da comunidade moura após a conquista cristã de Évora em 560 AH / 1165 AD","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Artur Goulart de Melo Borges","keywords":["lápide funerária; Évora; conquista cristã; mármore esculpido; túmulo; objeto funerário; estela funerária; inscrição funerária"],"materials":["Mármore esculpido."]},"e5d5610e-7a97-5cb2-8e3e-ab2a92c646cd":{"name":"Lápide comemorativa.","description":"Trata-se da única inscrição referente à construção de um minarete existente em território português. A peça conserva-se junto a uma fonte, no interior do Castelo de Moura. Embora se desconheça o sítio preciso onde estava colocada, tudo leva a crer que a lápide não deva estar muito longe do local de origem. É provável que tenha sido encomendada a oficinas sevilhanas. \n \nO texto refere a construção do minarete da mesquita de Moura por ordem de al-Mutadid, que dominava então (meados do século V AH / XI AD) todo o Sudoeste Peninsular. O discreto papel desempenhado por Moura durante o período islâmico leva-nos a associar esta lápide a uma atitude simbólica de apropriação do território de Moura. Recordemos que a cerca de 20 km. desta fortificação se situavam as importantes jazidas de prata de Totalica tendo o controle destas minas sido, ao longo do século IX, motivo de lutas permanentes. A edificação do minarete e a colocação da lápide destinar-se-iam a não deixar dúvidas sobre quem, a partir desse momento, se tornava senhor da região. \n \nA peça encontra-se ligeiramente danificada e o texto está incompleto, faltando a última linha. Segundo Nykl, deveria ter, na sua versão original, cerca de 44 cm. de altura por 56 cm. de largura. O texto resume-se a três linhas, que permitem uma leitura parcial: \n \n“Em nome de Deus, Clemente, Misericordioso. Mandou construir \n \n\\[este\\] minarete al-Mutadid billahi \n \n\\[al-Mans\\]ur bi-fadli-llahi abu Amr.”","short_description":"Lápide comemorativa construção de um minarete em Moura por al-Mutadid, em meados do séc. V H./XI d.C. A peça está colocada no castelo da cidade, perto do local onde se situou a mesquita. Esta lápide estará associada a uma atitude simbólica de apropriação das minas em prata do território de Moura.","holder":"Museu Municipal de Moura.","dates":"Séc. V AH / XI AD.","location":"Moura., Beja.","dimensions":"Alt. 32 cm; larg. 50 cm.","method_for_datation":"A datação da peça está enquadrada pelo domínio de al-Mutadid (433-461 AH / 1042-1069 AD), devendo, segundo Nykl, situar-se a meio do seu reinado (444 / 1052).","method_for_provenance":"A peça está próxima do seu local de origem, uma vez que a mesquita se situava no interior do castelo. O viajante inglês Murphy menciona a lápide neste sítio por volta de 1790.","provenance":"Sevilha?","bibliography":"Labarta, A. e Barceló, C. “Inscripciones árabes portuguesas: situación actual”, *Al-Qantara*, vol. VIII, Madrid, 1987, pp. 395-420. \nMacias, S., “Moura na Baixa Idade Média: elementos para um estudo histórico e arqueológico”, *Arqueologia Medieval*, n° 2, Porto, 1993, pp. 127-157. \n \nNykl, A. R., “Algunas inscripciones árabes de Portugal”, *Al-Andalus*, vol. V, fasc. 2, Madrid, 1940, pp. 399-411.","dynasty":"Abádida","linkcatalogs":"IAM_PT_PT_001","author":"Santiago Macias","keywords":["lápide comemorativa; Moura; Abádidas; Sevilha; mármore branco; minarete"],"materials":["Mármore branco."]},"fd9231ec-9280-5e60-8248-b9d7c9cf8d62":{"name":"Taça com pé.","description":"Taça com pé em branco-marfim com cena de corte representada ao centro. Um jovem príncipe está sentado num trono de espaldar alto sobre o qual estão empoleirados dois falcões. O príncipe está ladeado por dois cortesãos e a seus pés estão representados dois pavões afrontados, símbolos da realeza. Em redor do motivo central estão pintados pares de esfinges confrontadas, separadas por pequenos medalhões. No bordo do interior da taça pode ler-se uma inscrição votiva em caligrafia cúfica e no exterior uma inscrição pseudo-cúfica entre arabescos.","short_description":"Taça do período seljúcida com cena de corte representada ao centro. Em redor do motivo central estão pintadas esfinges confrontadas, separadas por pequenos medalhões. No bordo interior pode ler-se uma inscrição em caligrafia cúfica, tendo o exterior uma inscrição pseudo-cúfica entre arabescos.","holder":"Museu Calouste Gulbenkian.","dates":"Final do séc. VI AH / XII AD ou início do séc. VII / XIII.","location":"Lisboa.","dimensions":"Alt. 8 cm; diâm. 20 cm.","method_for_datation":"Por métodos de análise estilística e por comparação com peças do período seljúcida.","method_for_provenance":"Através de peritagem. Na correspondência relativa à venda da peça em questão, L.A. Raffy dá “garantia da autenticidade da cerâmica da Pérsia”.","provenance":"Caxã, Pérsia.","obtention":"Adquirida a L. A. Raffy, em Paris, a 23 de Junho de 1914.","bibliography":"*Islamic Art in the Calouste Gulbenkian Collection*, catálogo de exposição, Abu Dhabi, 2004. \n \nMota, M. M., *Catálogo das Louças Islâmicas*, vol. I: *Louças Seljúcidas*, Lisboa, 1988. \n \n*Museu Calouste Gulbenkian*, Lisboa, 1ª edição 2001, 2ª edição revista e actualizada 2002.","dynasty":"Período Seljúcida","author":"Maria Queiroz Ribeiro","keywords":["taça; minai; haftrang; vidrado; seljúcidas; Caxã; esfinge"],"materials":["Faiança minai ou haftrang (sete cores) com decoração pintada sob e sobre o vidrado."]}}