@luanpdd/kit-mcp 1.9.0 → 1.10.0

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@@ -0,0 +1,340 @@
1
+ ---
2
+ name: blameless-postmortems
3
+ description: Use após incident SEV1/SEV2 — template canônico (9 seções), cultura blameless (foco em sistema, não pessoas), no postmortem left unreviewed, Wheel of Misfortune.
4
+ ---
5
+
6
+ # SRE — Blameless Postmortems
7
+
8
+ ## Quando usar
9
+
10
+ LLM carrega esta skill ao escrever postmortem após incident, revisar postmortem de par, ou conduzir Wheel of Misfortune. Trigger phrases:
11
+
12
+ - "postmortem", "post-mortem"
13
+ - "incident review"
14
+ - "blameless", "sem culpa"
15
+ - "root cause analysis", "5 whys"
16
+ - "Wheel of Misfortune"
17
+ - "lessons learned"
18
+ - "Google SRE cap 15"
19
+ - "no postmortem left unreviewed"
20
+
21
+ ## Regras absolutas
22
+
23
+ - **Foco em sistema/processo, NÃO em pessoas** — root cause é "ausência de canary release" ou "RPS limit não documentado", NÃO "Maria fez deploy errado". Pessoas são parte do sistema. Se Maria errou, pergunte: "que processo permitiu o erro chegar a prod?".
24
+ - **Trigger postmortem para SEV1/SEV2 + near-miss notáveis** — todo incident customer-facing com impacto ≥ 1 min de SLO burn ou ≥ 1 user reportado. Near-miss (incident detectado antes de impacto) também: oportunidade de aprender sem custo.
25
+ - **"No postmortem left unreviewed"** — todo postmortem revisado por par sênior antes de arquivar. Sem revisão, postmortem mente (involuntariamente — autor está perto demais).
26
+ - **Action items SMART com owner nomeado** — Specific, Measurable, Assignable, Realistic, Time-bound. "Melhorar monitoring" NÃO é SMART. "Adicionar alert SLO burn rate em /api/v1/orders por @bob até 2026-05-15" É SMART.
27
+ - **Timeline em UTC** — não "horário local Brasília" ou ambíguo. Times distribuídos compõem timeline e UTC é o único timezone universal. Sempre `HH:MM UTC`.
28
+ - **Quantificar impact** — usuários afetados (número/percentual), revenue impact, SLO budget consumido. Sem quantificação, severity é subjetivo.
29
+ - **Lições generalizáveis, não específicas** — "Adicionar alert para essa query específica" é local. "Adicionar alert SLO em todas as queries de write em paths críticos" é generalizável.
30
+ - **Wheel of Misfortune trimestral** — exercício de role-play onde uma pessoa narra um incident histórico e o time pratica response (sem dados reais expostos a stress real). Treina muscle memory para SEV1.
31
+
32
+ ## Patterns canônicos
33
+
34
+ ### Pattern: template canônico de postmortem (9 seções)
35
+
36
+ ````markdown
37
+ ```markdown
38
+ # Postmortem: <incident-id> — <título-curto>
39
+
40
+ **Data do incident:** YYYY-MM-DD
41
+ **Autores:** <nomes>
42
+ **Status:** Draft | Reviewed | Final
43
+ **Severidade:** SEV1 | SEV2 | SEV3
44
+ **Tempo até detecção:** XX min (entre trigger e alerta)
45
+ **Tempo até resolução:** XX min (entre alerta e SLO restored)
46
+
47
+ ## Summary
48
+
49
+ 1-2 parágrafos: o que aconteceu, quem foi afetado, como foi resolvido.
50
+ Escrito para audiência não-técnica (executivos, customer success, support).
51
+
52
+ ## Impact
53
+
54
+ - Usuários afetados: XX% (X de Y usuários ativos no período)
55
+ - Duração: HH:MM (de HH:MM UTC a HH:MM UTC)
56
+ - SLO budget consumido: X% do budget mensal
57
+ - Revenue impact: $X (estimado por # de transações falhadas × ticket médio)
58
+ - Serviços downstream impactados: <lista>
59
+ - Customer support tickets gerados: X
60
+ - Reputação/marca: <impacto qualitativo, se houver>
61
+
62
+ ## Root Causes
63
+
64
+ Condição mais profunda que, removida, previne recorrência.
65
+ NÃO é "deploy do fulano" ou "código tinha bug" — é a condição sistêmica que
66
+ permitiu o bug chegar a prod (ausência de canary, ausência de SLO alert,
67
+ teste não cobria o caso).
68
+
69
+ Use **5 Whys** para chegar lá. Pode haver múltiplas root causes (separadas
70
+ em subseções `### Root Cause 1`, `### Root Cause 2`).
71
+
72
+ ## Trigger
73
+
74
+ Evento que iniciou a falha (deploy X às HH:MM UTC, config change Y, traffic
75
+ spike Z, dependency outage W). Trigger ≠ Root Cause — trigger é o "quando";
76
+ root cause é o "porquê o trigger virou incident".
77
+
78
+ ## Resolution
79
+
80
+ Passos tomados para recuperar serviço, em ordem cronológica com horários UTC:
81
+
82
+ - HH:MM UTC — <ação>
83
+ - HH:MM UTC — <ação>
84
+
85
+ Inclui rollbacks, hotfixes, scaling decisions, manual interventions.
86
+
87
+ ## Detection
88
+
89
+ Como descobrimos: alerta SLO burn rate? cliente reportou? monitoramento
90
+ interno? heartbeat?
91
+
92
+ Tempo de detecção (gap entre trigger e detecção). Se > 5 min, action item
93
+ para reduzir.
94
+
95
+ ## Action Items
96
+
97
+ | # | Action (SMART) | Owner | Priority | Due |
98
+ |---|----------------|-------|----------|-----|
99
+ | 1 | Adicionar SLO burn rate alert em /api/v1/orders/{id} | @bob | P0 | 2026-05-15 |
100
+ | 2 | Documentar RPS limit por tier em runbook do orders-service | @alice | P1 | 2026-05-22 |
101
+ | 3 | Implementar canary release em CI para todos os Edge Functions | @platform | P1 | 2026-06-01 |
102
+
103
+ ## Lessons Learned
104
+
105
+ Insights generalizáveis. Estrutura recomendada:
106
+
107
+ ### O que fizemos bem
108
+ - <coisa que funcionou — reforçar>
109
+
110
+ ### Onde podemos melhorar
111
+ - <gap identificado, generalizável a outros sistemas>
112
+
113
+ ### Foi lucky?
114
+ - <foi sorte que detectamos rápido? que não escalou? — capturar para fix proativo>
115
+
116
+ ## Timeline (UTC)
117
+
118
+ - 14:23 — <evento>
119
+ - 14:27 — <evento>
120
+ - 14:33 — <evento>
121
+ - 14:42 — <evento>
122
+ - 15:25 — Incident resolvido
123
+
124
+ ## Supporting evidence
125
+
126
+ - Link para incident channel #inc-2026-05-06-01
127
+ - Link para SLO dashboard
128
+ - Link para investigation .planning/investigations/<id>.md (de incident-investigator v1.9)
129
+ - Screenshots/queries de chave
130
+ ```
131
+ ````
132
+
133
+ ### Pattern: 5 whys para encontrar root cause
134
+
135
+ ```text
136
+ Sintoma: SLO burn rate de checkout_success disparou às 14:31 UTC.
137
+
138
+ Why 1: Por que o burn rate disparou?
139
+ → Porque taxa de erro em /api/v1/orders saltou de 0.05% para 8%.
140
+
141
+ Why 2: Por que a taxa de erro saltou?
142
+ → Porque deploy v2.3.0 introduziu N+1 query.
143
+
144
+ Why 3: Por que o deploy v2.3.0 chegou a prod com N+1?
145
+ → Porque o teste de carga não cobria carrinhos com > 10 itens.
146
+
147
+ Why 4: Por que o teste de carga não cobria > 10 itens?
148
+ → Porque o teste foi escrito antes do feature de "bulk add to cart" e não foi atualizado.
149
+
150
+ Why 5: Por que o teste não foi atualizado quando bulk add foi mergeado?
151
+ → Porque não há gate de CI que exige re-rodar load test ao mudar paths críticos.
152
+
153
+ ROOT CAUSE: ausência de gate de CI obrigando re-rodar load test em mudanças de paths críticos.
154
+ ACTION ITEM: implementar gate `load-test-required-for-critical-paths` no CI.
155
+ ```
156
+
157
+ ### Pattern: revisão por par sênior ("no postmortem left unreviewed")
158
+
159
+ ```markdown
160
+ Reviewer pergunta autor:
161
+
162
+ 1. **Root cause é sistêmico, não pessoal?** — se cita pessoa, redirecionar para processo
163
+ 2. **Action items são SMART?** — owner nomeado, due date, mensurável
164
+ 3. **Timeline em UTC?** — sem ambiguidade timezone
165
+ 4. **Impact quantificado?** — # usuários, duração, revenue
166
+ 5. **Lessons generalizáveis?** — aplicáveis a outros serviços/incidents
167
+ 6. **Detection time razoável?** — < 5 min ideal; se > 5, action item para reduzir
168
+ 7. **Algo "lucky" capturado?** — foi sorte? Como remover dependência de sorte?
169
+ 8. **5 whys aplicado?** — ou parou em "deploy ruim" sem ir mais fundo?
170
+ ```
171
+
172
+ ### Pattern: Wheel of Misfortune (training canônico)
173
+
174
+ ```text
175
+ Frequência: trimestral (1× por quarter)
176
+ Duração: 60-90 min
177
+ Participantes: time on-call + interessados (4-8 pessoas idealmente)
178
+
179
+ Setup:
180
+ 1. Facilitator escolhe um postmortem REAL de incident passado (>3 meses,
181
+ para não ter risco emocional fresco) — pode ser de outro time/empresa.
182
+ 2. Facilitator narra timeline progressivamente, parando em pontos-chave.
183
+ 3. Em cada parada, time discute: "O que vocês fariam agora? Por quê?"
184
+ 4. Comparar respostas com decisão real do incident.
185
+ 5. Discutir: "Quais decisões foram boas? Quais foram piores em retrospecto?"
186
+
187
+ Resultado:
188
+ - Time pratica response sem stress real
189
+ - Identifica gaps de conhecimento (nem todos sabem sobre runbook X)
190
+ - Cria muscle memory para próximo SEV1
191
+ - Materializa lições do postmortem original em ação prática
192
+
193
+ Anti-objetivo:
194
+ NÃO é "humilhar quem tomou decisão errada no incident original".
195
+ É blameless training — focar em sistema/processo de decisão.
196
+ ```
197
+
198
+ ### Pattern: postmortem chain — `/forense` → `/postmortem`
199
+
200
+ ```text
201
+ Fluxo natural após incident:
202
+
203
+ 1. Detecção: alerta SLO burn rate dispara → on-call ack → Slack channel #inc-NN
204
+ 2. Mitigation: rollback ou hotfix → SLO restored → incident closed
205
+ 3. /forense (framework v1.10): Core Analysis Loop sobre logs/git/state →
206
+ gera .planning/investigations/<id>.md com hipóteses validadas e root cause
207
+ 4. /postmortem --from-investigation <id> (Phase 38):
208
+ postmortem-writer (Phase 37) consome <id>.md e gera template preenchido
209
+ em .planning/postmortems/<id>.md
210
+ 5. Reviewer lê draft e exige fixes (no postmortem left unreviewed)
211
+ 6. Final marked + archived em milestone correspondente
212
+ 7. Action items P0 viram phases inseridas no roadmap próximo (`/inserir-fase`)
213
+ ```
214
+
215
+ ## Anti-patterns
216
+
217
+ ### ANTI: blame culture
218
+
219
+ ```text
220
+ ANTI: postmortem nomeia "fulano fez deploy errado", "@maria não testou direito",
221
+ "o time de X causou o problema"
222
+
223
+ PROBLEMA: engineers escondem incidents próximos ao limite por medo de retaliação;
224
+ psychological safety colapsa; replicação garantida (próximo near-miss
225
+ vira full incident porque ninguém reportou); team rotation aumenta;
226
+ quem fica deixa de propor mudanças arriscadas (mesmo as boas).
227
+
228
+ CERTO: foco em sistema/processo (ausência de canary, ausência de rollback
229
+ automatizado, gate de CI faltante); pessoas são parte do sistema, NÃO
230
+ o root cause; revisão por par sênior antes de arquivar — reviewer
231
+ redireciona toda menção a pessoa para "que processo permitiu?".
232
+ ```
233
+
234
+ ### ANTI: action items vagos
235
+
236
+ ```text
237
+ ANTI: "Melhorar monitoring", "Revisitar processo de deploy", "Investigar mais",
238
+ "Documentar melhor"
239
+
240
+ PROBLEMA: sem owner, sem due date, sem critério de "feito"; ficam pendentes
241
+ para sempre; mesma falha repete em 6 meses porque nada concreto
242
+ aconteceu; aprendizado do incident é perdido na próxima sprint.
243
+
244
+ CERTO: SMART (Specific, Measurable, Assignable, Realistic, Time-bound) —
245
+ "Bob adiciona SLO burn alert em /api/v1/orders até 2026-05-15";
246
+ "Alice documenta RPS limit em runbook orders-service até 2026-05-22".
247
+ ```
248
+
249
+ ### ANTI: postmortem left unreviewed
250
+
251
+ ```text
252
+ ANTI: autor escreve postmortem, ninguém revisa, vai direto para o arquivo
253
+
254
+ PROBLEMA: autor está perto demais (mente involuntariamente sobre próprio
255
+ papel — sem má-fé, é a natureza humana); root cause errado
256
+ documentado; lições não-generalizáveis; mesma falha repete porque
257
+ ação errada foi tomada com base em diagnóstico errado.
258
+
259
+ CERTO: revisor sênior aplica checklist (8 perguntas — ver Pattern: revisão
260
+ por par sênior); só depois `Final` status; "no postmortem left
261
+ unreviewed" é regra absoluta — incident sem postmortem revisado
262
+ conta como aberto, mesmo que serviço esteja restaurado.
263
+ ```
264
+
265
+ ### ANTI: postmortem só para SEV1
266
+
267
+ ```text
268
+ ANTI: "só investigar incident que pagou on-call"; SEV2/SEV3 ignorados;
269
+ near-misses (detecção rápida evitou impacto) descartados
270
+
271
+ PROBLEMA: near-misses são oportunidade de aprender SEM CUSTO — perdê-los
272
+ é desperdício; SEV3s acumulam até virar SEV1 (mesma classe de
273
+ falha, escala diferente); tendências invisíveis (3 SEV3s em 1 mês
274
+ no mesmo serviço = sinal); team perde músculo de investigação.
275
+
276
+ CERTO: SEV1/SEV2 mandatório; SEV3 opcional mas encorajado; near-miss notável
277
+ (detection rápida evitou impacto) é candidato a postmortem leve
278
+ (Summary + Impact + Lessons Learned, sem timeline detalhada se durou
279
+ < 1 min). Investigation barata, lição grátis.
280
+ ```
281
+
282
+ ### ANTI: timeline ambígua
283
+
284
+ ```text
285
+ ANTI: "Por volta das 14h", "After lunch", "Em horário de pico",
286
+ "Ontem à tarde"
287
+
288
+ PROBLEMA: reviewers de outros timezones perdem contexto (15h Brasília
289
+ = 18h UTC = 11h US-East); reconstrução em > 30 dias impossível
290
+ (lembra "horário de pico"?); análise estatística (MTTR
291
+ distribution, time-to-detect) impossível sem timestamps; cross-
292
+ incident correlation falha.
293
+
294
+ CERTO: sempre `HH:MM UTC` no formato 24h; cada evento na timeline com
295
+ timestamp; UTC é o único timezone universal — converter quando
296
+ compartilhar com stakeholders locais, NUNCA armazenar local.
297
+ ```
298
+
299
+ ### ANTI: copy-paste de postmortem template sem investigation
300
+
301
+ ```text
302
+ ANTI: abrir template, preencher campos genéricos, "Resolution: investigamos
303
+ e resolvemos", "Root Cause: bug no código"; sem dados, sem 5 whys
304
+
305
+ PROBLEMA: root cause errado documentado; action items irrelevantes;
306
+ lessons learned superficiais; falha equivalente em 3 meses
307
+ porque diagnóstico verdadeiro nunca foi feito; postmortem vira
308
+ ritual burocrático em vez de instrumento de aprendizado.
309
+
310
+ CERTO: postmortem nasce de investigation real (Core Analysis Loop, /forense,
311
+ ou logs/state via mcp__supabase__get_logs); preencher com EVIDÊNCIAS
312
+ (queries que rodaram, logs específicos, métricas observadas), não
313
+ impressões; cada Root Cause precisa de prova citável.
314
+ ```
315
+
316
+ ## Verificação
317
+
318
+ Antes de marcar postmortem como `Final`:
319
+
320
+ 1. **9 seções canônicas presentes** — Summary, Impact, Root Causes, Trigger, Resolution, Detection, Action Items, Lessons Learned, Timeline UTC
321
+ 2. **Root cause sistêmico** — não nomeia pessoa; passou pelo 5 whys
322
+ 3. **Action items SMART** — Specific, Measurable, Assignable (owner @user), Realistic, Time-bound (due date)
323
+ 4. **Timeline em UTC** — sem timezone ambíguo
324
+ 5. **Impact quantificado** — # usuários, duração HH:MM, SLO budget consumido, revenue
325
+ 6. **Lições generalizáveis** — aplicáveis a outros serviços/incidents
326
+ 7. **Reviewed por par sênior** — checklist 8 perguntas aplicado
327
+ 8. **Supporting evidence linkada** — investigation, dashboards, queries
328
+ 9. **Action items P0 escalonados** — viraram phases ou tasks no roadmap próximo
329
+
330
+ ## Ver também
331
+
332
+ - [`_shared-sre/glossary.md`](../_shared-sre/glossary.md) — termos canônicos postmortem, blameless, root cause, Wheel of Misfortune
333
+ - [`core-analysis-loop`](../core-analysis-loop/SKILL.md) (v1.9) — Core Analysis Loop alimenta investigation que vira postmortem
334
+ - [`sre-risk-management`](../sre-risk-management/SKILL.md) — postmortem documenta budget consumido
335
+ - [`production-readiness-review`](../production-readiness-review/SKILL.md) — PRR axis "Emergency Response" exige postmortem culture
336
+ - [`eliminating-toil`](../eliminating-toil/SKILL.md) — toil-induced incidents geram postmortems
337
+
338
+ ---
339
+
340
+ *Material-fonte: Site Reliability Engineering — Beyer, Jones, Petoff, Murphy (Google/O'Reilly, 2016) — Cap 15: "Postmortem Culture: Learning from Failure".*
@@ -0,0 +1,243 @@
1
+ ---
2
+ name: eliminating-toil
3
+ description: Use ao identificar/eliminar toil — 6 critérios canônicos (manual, repetitivo, automatizável, tático, sem valor durável, escala linear), regra ≤ 50%, automação como invariante.
4
+ ---
5
+
6
+ # SRE — Eliminating Toil
7
+
8
+ ## Quando usar
9
+
10
+ LLM carrega esta skill ao auditar tarefas operacionais, classificar trabalho como toil/non-toil, ou propor automação. Trigger phrases:
11
+
12
+ - "toil", "trabalho operacional"
13
+ - "eliminar toil", "reduzir toil"
14
+ - "≤ 50% toil", "regra 50%"
15
+ - "automation", "automatizar tarefa repetitiva"
16
+ - "isso é toil ou overhead?"
17
+ - "Google SRE cap 5"
18
+ - "TOIL-AUDIT"
19
+
20
+ ## Regras absolutas
21
+
22
+ - **Toil tem 6 critérios canônicos** — uma tarefa É toil se TODOS os 6 valem: (1) **Manual** — humano executa cada vez; (2) **Repetitivo** — você já fez isso 3+ vezes; (3) **Automatizável** — script/cron resolve sem julgamento humano; (4) **Tático** — reage a evento, não planeja; (5) **Sem valor durável** — não cria asset permanente; (6) **Escala linear** — mais users = mais trabalho. Se QUALQUER um dos 6 = não, NÃO é toil (é overhead ou grungy work).
23
+ - **Regra ≤ 50%** — SRE não pode gastar mais que 50% do tempo em toil; restante é engineering (automação, capacity planning, instrumentation, postmortems). Se medindo > 50% por 1+ trimestre, é red flag — peça ajuda à liderança.
24
+ - **Toil ≠ overhead** — reuniões, RH, planejamento de quarter, performance review são **overhead** — necessários, não-elimináveis, NÃO contam para a regra ≤ 50%. Confundir overhead com toil = sub-medir.
25
+ - **Toil ≠ grungy work** — refactor de código legado, security cleanup, DB rebuild para reduzir bloat são **grungy work** — necessários, têm valor durável, são engineering trabalho. NÃO contam como toil.
26
+ - **Automação é o objetivo, não o meio** — automatizar parcialmente (humano clica botão A, depois B, depois C) ainda é toil. Automação completa (cron + script + alert se falhar) elimina toil. Meias-medidas perpetuam.
27
+ - **Toil tax cresce com produto** — cada feature nova adiciona toil potencial: deploy manual, migration manual, feature flag rotation, customer-specific config. Prevenir > remediar — design feature considerando "como auto-operar isso?".
28
+ - **Quantificar toil em horas-pessoa** — "TOIL-AUDIT.md" deve ter coluna `hours_per_week_per_person` para cada item. Sem quantificação, "muito toil" é subjetivo e não-acionável.
29
+ - **Priorizar por (frequency × pain) / automation_effort** — P0 = alto frequency + alto pain + baixo effort. P2 = baixa frequency OU alto effort. Não automatizar tudo de uma vez — começar pelo P0.
30
+
31
+ ## Patterns canônicos
32
+
33
+ ### Pattern: decision tree para classificar trabalho
34
+
35
+ ```text
36
+ Tarefa repetitiva detectada → aplicar 6 critérios canônicos:
37
+
38
+ 1. Manual? (humano executa cada vez) ┐
39
+ 2. Repetitiva? (já fiz isso 3+ vezes) │
40
+ 3. Automatizável? (script/cron resolve sem julgamento) │── Se TODOS sim → TOIL
41
+ 4. Tática? (reage a evento, não planeja) │ → automatizar / eliminar
42
+ 5. Sem valor durável? (não cria asset permanente) │ → contar em ≤ 50% rule
43
+ 6. Escala linear? (mais users = mais trabalho) ─┘
44
+
45
+ Se NÃO for toil mas repetitivo, classificar:
46
+ - OVERHEAD (reuniões, RH, planning) → não-eliminável; NÃO conta em ≤ 50%
47
+ - GRUNGY WORK (refactor, sec cleanup) → necessário, valor durável → projeto engineering
48
+ - PROJECT WORK (criar novo serviço) → engineering trabalho ≠ toil
49
+ ```
50
+
51
+ ### Pattern: template `TOIL-AUDIT.md`
52
+
53
+ Formato canônico que `toil-auditor` (Phase 37) gera:
54
+
55
+ ```markdown
56
+ # TOIL-AUDIT — <projeto> — <data>
57
+
58
+ ## Métrica agregada
59
+
60
+ - Toil estimado: X.X horas-pessoa/semana (Y% do tempo do time)
61
+ - **Status vs ≤ 50% rule:** [GREEN: < 30%] | [YELLOW: 30-50%] | [RED: > 50%]
62
+ - Top 3 áreas: <lista>
63
+
64
+ ## Itens identificados
65
+
66
+ | # | Item | Frequência | Hours/week | Pain (1-5) | Automation effort | Priority |
67
+ |---|------|------------|------------|------------|-------------------|----------|
68
+ | 1 | Reset DB seed manual antes de cada test run | 2×/dia | 1.5 h | 4 | M (3 dias) | P0 |
69
+ | 2 | Rotation de access_token de Edge Function | 1×/semana | 0.5 h | 2 | S (1 dia) | P1 |
70
+ | 3 | Rebuild de índice fts_search após batch import | 1×/mês | 0.5 h | 3 | M (2 dias) | P1 |
71
+ | 4 | Limpeza manual de orphan rows em audit_log | 1×/semana | 0.3 h | 1 | S (1 dia) | P2 |
72
+
73
+ ## P0 (automatizar agora)
74
+
75
+ ### Item 1: Reset DB seed manual
76
+
77
+ **Por que é toil:** atende 6 critérios canônicos (manual, repetitivo 2×/dia, automatizável via script + pg_cron, tática reativa, sem valor durável, escala com #devs).
78
+
79
+ **Automação proposta:** `make db-reset` que invoca `supabase db reset && pnpm run seed`. Adicionar pre-test hook em CI.
80
+
81
+ **Esforço estimado:** 3 dias (Med — script existe parcialmente, falta seed deterministic).
82
+
83
+ **Owner sugerido:** @dev-tools-team
84
+
85
+ ## P1 / P2 (escalonar)
86
+
87
+ ...
88
+
89
+ ## Não-toil identificado
90
+
91
+ - **Overhead:** sprint planning (2h × semana × 5 pessoas = 10h/semana) — NÃO conta no ≤ 50%
92
+ - **Grungy work:** refactor de `legacy_orders_service` (8h × semana × 1 pessoa = 8h/semana) — projeto, não toil
93
+ ```
94
+
95
+ ### Pattern: estágios de automação (níveis Google)
96
+
97
+ | Estágio | Descrição | Exemplo |
98
+ |---|---|---|
99
+ | **L0: Manual** | 100% humano | "Cada deploy: SSH no host, copy binary, kill+restart" |
100
+ | **L1: Documented** | Runbook escrito; humano segue passos | "Doc passo-a-passo de deploy em wiki" |
101
+ | **L2: Tooled** | Script executa passos; humano invoca | "`./deploy.sh prod`" |
102
+ | **L3: Self-service** | UI/CLI trigger; humano clica | "GitHub Actions deploy on PR merge" |
103
+ | **L4: Autonomous** | Sem humano; só fail-state intervenção | "Auto-rollback se SLO burn rate > 4 nos primeiros 5 min após deploy" |
104
+
105
+ Meta SRE é mover toda toil de L0/L1 para L3/L4. L2 é meio-passo aceitável quando L3+ requer investimento maior. **L1 (apenas runbook) é toil disfarçado** — runbook é manual com passo extra de "ler doc".
106
+
107
+ ### Pattern: identificação de toil via git log + scripts
108
+
109
+ ```bash
110
+ # PT-BR: scripts shell em runbooks/ ou docs/runbooks/
111
+ find . -name "*.sh" -path "*runbook*" -o -path "*ops*" | head -20
112
+
113
+ # PT-BR: "manual steps" em README/docs (heurística — frase canônica)
114
+ grep -rn "manually\|por favor\|run this\|every week\|cada semana" --include="*.md" .
115
+
116
+ # PT-BR: tarefas repetitivas via git log — commits de mesmo tipo
117
+ git log --since="3 months ago" --pretty=format:"%s" | sort | uniq -c | sort -rn | head -20
118
+ # Ex: "20× Re-run failed migration in prod" → TOIL candidato
119
+ # Ex: "15× Bump deploy-token" → TOIL candidato
120
+
121
+ # PT-BR: cron jobs já automatizados (saída esperada)
122
+ crontab -l 2>/dev/null
123
+ cat /etc/cron.d/* 2>/dev/null
124
+ ```
125
+
126
+ ### Pattern: "toil tax" — prevenir feature nascer com toil
127
+
128
+ ```text
129
+ Antes de mergear PR de nova feature, perguntar:
130
+
131
+ 1. "Como auto-operar isso em prod?" → instrumentação ODD
132
+ 2. "Como auto-monitorar?" → 4 golden signals
133
+ 3. "Como auto-recuperar de fail comum?" → retry, circuit breaker
134
+ 4. "Como auto-rotacionar credenciais?" → vault + cron rotation
135
+ 5. "Como auto-limpar dados históricos?" → retention policy + scheduled cleanup
136
+ 6. "Como onboarding de novo cliente?" → self-service signup, não Slack ping
137
+
138
+ Se QUALQUER resposta = "humano fará isso" → toil tax. Bloqueie ou descontar do release budget.
139
+ ```
140
+
141
+ ## Anti-patterns
142
+
143
+ ### ANTI: confundir overhead com toil
144
+
145
+ ```text
146
+ ANTI: contar reuniões, RH, planning, performance review como toil — toda
147
+ atividade não-codificadora vira "toil" no audit.
148
+
149
+ PROBLEMA: métrica inflada (e.g., 60% "toil" falso); ações erradas — cortar
150
+ reunião não diminui toil real; equipe perde tempo em automação
151
+ de overhead (que é não-eliminável por design).
152
+
153
+ CERTO: overhead é categoria separada; ≤ 50% rule conta APENAS toil estrito
154
+ (6 critérios canônicos). Audit lista overhead em seção própria,
155
+ fora do total.
156
+ ```
157
+
158
+ ### ANTI: hero culture (toil mascara via heroísmo)
159
+
160
+ ```text
161
+ ANTI: engineer fica 2h por dia executando deploys manuais e é "celebrado
162
+ por dedicação" / "salvador" — toil nunca aparece em métrica.
163
+
164
+ PROBLEMA: toil invisível para liderança; investimento em automação adiado
165
+ indefinidamente; engineer pede demissão; sucessor herda toil sem
166
+ context — incidente garantido. Ciclo se repete.
167
+
168
+ CERTO: TOIL-AUDIT trimestral mandatório; quantificar em hours/week por
169
+ pessoa; tornar visível em dashboards de produtividade. Heroísmo
170
+ sustentado = sinal de underinvestment, não de mérito.
171
+ ```
172
+
173
+ ### ANTI: documentar runbook em vez de automatizar
174
+
175
+ ```text
176
+ ANTI: "Vamos só escrever um doc detalhado de como fazer isso passo-a-passo"
177
+ — runbook de 30 passos no wiki, sem script.
178
+
179
+ PROBLEMA: L1 (Documented) ainda é toil — humano lê doc, segue passos,
180
+ falha em algum, doc desatualiza em 3 meses; primeira pessoa que
181
+ segue após drift quebra prod; ninguém atualiza doc retroativamente.
182
+
183
+ CERTO: doc como passo intermediário (L1); meta é L3/L4 (autonomous);
184
+ marcar runbook com TODO de automação + owner + due date; sprint
185
+ seguinte transforma em script (L2) ou melhor.
186
+ ```
187
+
188
+ ### ANTI: automatizar parcialmente
189
+
190
+ ```text
191
+ ANTI: script faz 3 dos 5 passos; humano completa os outros 2 — "execute
192
+ primeiro ./step1.sh, depois manualmente faça X em prod, depois
193
+ ./step3.sh".
194
+
195
+ PROBLEMA: ainda é toil (humano envolvido); contexto-switch entre script e
196
+ humano dobra tempo total; script raramente atualizado por estar
197
+ "incompleto"; degrada para chain frágil que ninguém quer mexer.
198
+
199
+ CERTO: automação completa OU não automatizar — meias-medidas perpetuam.
200
+ Se faltam 2 passos manuais, gastar mais 1 dia para fechar o loop;
201
+ resultado é L3/L4 autônomo, não L1.5 frankenstein.
202
+ ```
203
+
204
+ ### ANTI: ignorar toil de baixa frequência
205
+
206
+ ```text
207
+ ANTI: "Só faço isso 1× por trimestre, não vale automatizar" — descartar
208
+ tarefas raras do audit.
209
+
210
+ PROBLEMA: cumulative impact alto (10 tarefas trimestrais × 4 trimestres ×
211
+ 30 min = 20h/ano); cada vez que retorna, pessoa esquece passos;
212
+ documentação envelhece entre execuções; DR exercises e migrations
213
+ raras são exatamente onde erro humano custa mais.
214
+
215
+ CERTO: priorizar por (frequency × pain) / effort; baixa frequência +
216
+ alto pain (e.g., DR exercise, schema migration crítica) = ainda
217
+ P1. Frequência baixa ≠ toil baixo — soma de raras é alta.
218
+ ```
219
+
220
+ ## Verificação
221
+
222
+ Antes de marcar audit de toil como completo:
223
+
224
+ 1. **Aplicado os 6 critérios canônicos** — cada item passou pelo decision tree (manual, repetitivo, automatizável, tático, sem valor durável, escala linear)
225
+ 2. **Quantificado em hours/week** — não "muito toil" mas "3.5h/week por pessoa"
226
+ 3. **% do tempo do time** computado — comparado contra ≤ 50% rule
227
+ 4. **Priorização por (frequency × pain) / effort** — P0/P1/P2 atribuído
228
+ 5. **Owner nomeado** para cada item P0
229
+ 6. **Overhead identificado separadamente** — não conta para ≤ 50%
230
+ 7. **Grungy work identificado separadamente** — projeto engineering, não toil
231
+ 8. **Pelo menos 1 item P0 escalonado** com automação proposta + esforço estimado
232
+
233
+ ---
234
+
235
+ ## Ver também
236
+
237
+ - [`_shared-sre/glossary.md`](../_shared-sre/glossary.md) — termos canônicos toil, overhead, grungy work, automation
238
+ - [`observability-maturity-model`](../observability-maturity-model/SKILL.md) (v1.9) — Capacidade 3 (Complexidade/Tech Debt) consome toil score
239
+ - [`production-readiness-review`](../production-readiness-review/SKILL.md) — PRR axis "Change Management" verifica deploy não é toil
240
+ - [`blameless-postmortems`](../blameless-postmortems/SKILL.md) — postmortems de toil-induced incidents alimentam audit
241
+ - [`sre-risk-management`](../sre-risk-management/SKILL.md) — toil reduz tempo para reduzir risk
242
+
243
+ *Material-fonte: Site Reliability Engineering — Beyer, Jones, Petoff, Murphy (Google/O'Reilly, 2016) — Cap 5: "Eliminating Toil".*
@@ -26,6 +26,28 @@ LLM carrega esta skill ao definir/avaliar SLOs ou substituir alertas threshold p
26
26
  - **Owner explícito** — cada SLO tem dono nomeado. Sem owner = sem ação = sem valor.
27
27
  - **Substituir alertas threshold gradualmente** — após SLO comprovar valor (1+ incident detectado por SLO antes de threshold), DELETAR threshold antigo.
28
28
 
29
+ ## Risk continuum — SLO target é decisão explícita
30
+
31
+ > Cross-ref canônico: [sre-risk-management](../sre-risk-management/SKILL.md) (cap 3 do livro Google SRE — Embracing Risk).
32
+
33
+ SLO target NÃO é meta arbitrária ("queremos 99.99% porque soa bom"). É uma escolha consciente no **continuum risk × innovation**: cada nove adicional **multiplica custo** mas **divide benefício marginal** percebido pelo cliente.
34
+
35
+ | Target | Tolerância 30d | User-perceptible? | Quando faz sentido |
36
+ |---|---|---|---|
37
+ | 99% | 7.2 h | Sim, notável | Tier free, beta features, internal tools |
38
+ | 99.5% | 3.6 h | Notável em paths críticos | Tier free de produção |
39
+ | 99.9% | 43.2 min | Aceitável para maior parte de UX | Tier paid default |
40
+ | 99.95% | 21.6 min | Quase imperceptível | Tier enterprise / mission-critical |
41
+ | 99.99% | 4.3 min | Imperceptível em smartphone (~99% no canal do user) | Apenas se justificado por user perception (raro) |
42
+
43
+ **Sabedoria 99.99%** — cliente final acessa via smartphone (~99% disponibilidade) com ISP residencial (~99%). Serviço 99.99% **não é distinguível** de 99.999% nesse contexto: ambos parecem "sempre funcionando". Esforço além de 99.95% para serviço user-facing é tipicamente desperdício.
44
+
45
+ **Error budget é o instrumento contábil dessa decisão.** Para SLO 99.9% em 30d com 10M eventos: budget = `0.001 × 10M = 10k bad events`. Esse 10k é orçamento explícito para gastar em deploys arriscados, experimentos, refactors. Quando esgota, releases freezam até regenerar — não como punição, mas como **balanço explícito risk × innovation**.
46
+
47
+ **Diferentes tiers, diferentes targets** — `customer.tier='enterprise'` pode justificar 99.95%; `tier='free'` pode operar em 99.5%. Tratar todos como tier-1 desperdiça budget; tratar todos como tier-3 frustra clientes pagantes. A skill `sre-risk-management` documenta o framework completo de decisão.
48
+
49
+ > Em resumo: a regra `Target ≤ 99.95%` desta skill (acima) é **consequência** do risk continuum, não restrição arbitrária. Para 99.99%+ trate como métrica informativa (dashboard), NÃO como SLO acionável (alerts).
50
+
29
51
  ## Patterns canônicos
30
52
 
31
53
  ### Pattern: SLI event-based vs time-based